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	<title>Comentários sobre: Na Lapa de Makemba #02</title>
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	<description>Linguagem, Sociedade e Cultura</description>
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		<title>Por: Spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/24/na-lapa-de-makemba-02/#comment-168</link>
		<dc:creator>Spirito</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2009 15:43:02 +0000</pubDate>
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		<description>Valeu Berenice!

Volte sempre e boa sorte aí com a tese. Patissa vai ficar contente também.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Valeu Berenice!</p>
<p>Volte sempre e boa sorte aí com a tese. Patissa vai ficar contente também.</p>
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		<title>Por: Amélé</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/24/na-lapa-de-makemba-02/#comment-167</link>
		<dc:creator>Amélé</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2009 03:07:29 +0000</pubDate>
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		<description>Olá  a todos em especial ao dono do blog.
estou citando vc na minha tese sobre os quilombos do Amapá.
sigam fazendo o melhor aqui. Temsido uma delicia passear no blog . parabpens pelo trabalho. abraços ao Nosso Irmão Angolano. Quero aprender  a língua. abração.berenice</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá  a todos em especial ao dono do blog.<br />
estou citando vc na minha tese sobre os quilombos do Amapá.<br />
sigam fazendo o melhor aqui. Temsido uma delicia passear no blog . parabpens pelo trabalho. abraços ao Nosso Irmão Angolano. Quero aprender  a língua. abração.berenice</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/24/na-lapa-de-makemba-02/#comment-138</link>
		<dc:creator>spirito</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 21:40:23 +0000</pubDate>
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		<description>Pois é Rafa, 

Outro dia eu comentava com os garotos do filme (para mim são garotos sim, pois estão na faixa dos 25 anos e eu, na dos 60 &lt;em&gt;e uns&lt;/em&gt;) que esta pesquisa tinha muito coisa haver com garimpo mesmo, no qual, sendo ouro ou diamante, você só fica rico se achar o &lt;em&gt;&#039;veio&#039; &lt;/em&gt;certo (no caso, o &lt;em&gt;foco&lt;/em&gt;). Ando apostando neste foco das fontes angolanas e européias (por achar as brasileiras &#039;contaminadas&#039; pelo racismo) há muito tempo e veja só como as coisas avançaram. Dois e.mails trocados com o também garoto angolano Patissa (que é jornalista em Lobito, Benguela )e resolvi um enigma que persistia nas mais de 50 teses e livros que li: Em Kimbundo - e Umbundo também - &lt;em&gt;Ngana &lt;/em&gt;é senhor e &lt;em&gt;Nganga &lt;/em&gt;é Sacerdote. Duas palavras diferentes e não um &#039;erro&#039; fonológico dos informantes. 

Isto corrige um montão de conclusões a que se chegou sobre a natureza das relações político religiosas entre Portugal e Angola no antigo Reino do Kongo, já que alguns mandatários do Kongo, apartir de um certa época, passarm a ter este &#039;&lt;em&gt;Nganga&lt;/em&gt;&#039; aposto ao seu nome de clã, ou seja, talvez fosse para classificá-los como &#039;reis sacerdotes&#039; ou &#039;reis católicos&#039;, cristianizados, portanto.  Vê só, uma única palavra desvendada pode mudar tudo.

Estou animadão em poder ir descobrindo estas coisas e juntando adeptos como este pessoal (inclusive você). 

Abs</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é Rafa, </p>
<p>Outro dia eu comentava com os garotos do filme (para mim são garotos sim, pois estão na faixa dos 25 anos e eu, na dos 60 <em>e uns</em>) que esta pesquisa tinha muito coisa haver com garimpo mesmo, no qual, sendo ouro ou diamante, você só fica rico se achar o <em>&#8216;veio&#8217; </em>certo (no caso, o <em>foco</em>). Ando apostando neste foco das fontes angolanas e européias (por achar as brasileiras &#8216;contaminadas&#8217; pelo racismo) há muito tempo e veja só como as coisas avançaram. Dois e.mails trocados com o também garoto angolano Patissa (que é jornalista em Lobito, Benguela )e resolvi um enigma que persistia nas mais de 50 teses e livros que li: Em Kimbundo &#8211; e Umbundo também &#8211; <em>Ngana </em>é senhor e <em>Nganga </em>é Sacerdote. Duas palavras diferentes e não um &#8216;erro&#8217; fonológico dos informantes. </p>
<p>Isto corrige um montão de conclusões a que se chegou sobre a natureza das relações político religiosas entre Portugal e Angola no antigo Reino do Kongo, já que alguns mandatários do Kongo, apartir de um certa época, passarm a ter este &#8216;<em>Nganga</em>&#8216; aposto ao seu nome de clã, ou seja, talvez fosse para classificá-los como &#8216;reis sacerdotes&#8217; ou &#8216;reis católicos&#8217;, cristianizados, portanto.  Vê só, uma única palavra desvendada pode mudar tudo.</p>
<p>Estou animadão em poder ir descobrindo estas coisas e juntando adeptos como este pessoal (inclusive você). </p>
<p>Abs</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>Por: Rafael Cesar</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/24/na-lapa-de-makemba-02/#comment-137</link>
		<dc:creator>Rafael Cesar</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 19:00:00 +0000</pubDate>
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		<description>Gente, isso está tomando proporções assustadoras!!! Sensacionaaal!!!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gente, isso está tomando proporções assustadoras!!! Sensacionaaal!!!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/24/na-lapa-de-makemba-02/#comment-136</link>
		<dc:creator>spirito</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 20:19:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://spiritosanto.wordpress.com/?p=1467#comment-136</guid>
		<description>Respondendo ao angolano Patissa (os contributos dele já estão no corpo da matéria)

Grande Patissa!

Ótimo contributo. Tudo faz sentido. Não domino estas particularidades não, mas, receio que no caso de algumas palavras, tenha havido aqui no Brasil alguma simbiose do Umbundo com o kimbundo (os dois exemplos que você traduziu me chegaram como sendo do kimbundo). Pelo que os historiadores dizem, nesta época (início do século 18 até início do 19) vieram angolanos de uma vasta região (eu acredito que mais ovimbundos do que outros grupos) entre Luanda, para o sul até o Benguela.

Outra possibilidade é as diferenças serem motivadas pelo fato das línguas naquela época estarem num estágio diferente do que estão hoje.

É tudo muito parecido mesmo. O primeiro caso quase não há diferença etimológica (&lt;em&gt;Akulu a ndamba&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; ou &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Ukulu we ndamba&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;). No caso da segunda palavra (Rimi a ngombe ou Limi yia Ngombe), também há muita semelhança já que na tradução no Brasil o sentido de &#039;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;língua&lt;/em&gt;&#039; também é o mesmo que idioma (&lt;em&gt;língua de vaca&lt;/em&gt; no sentido de &lt;em&gt;&#039;jeito de falar&#039;&lt;/em&gt; da vaca). O &#039;rimi&#039; eu achei num dicionário angolano de kimbundo, onde como tenho reparado o &#039;r&#039; ocorre mesmo com mais freqüência do que no Umbundo )

A grande novidade para mim é &#039;senhor&#039; ser Ngana, e não Nganga, como vários dicionários de Kimbundo insistem (será que a diferença existe de uma língua para a outra, também neste caso, valendo para o kimbundo o Nganga que vi por aqui?)

Te agradeço muitíssisimoe digo que as nossas trocas serão mesmo deste tipo. Vou inserir estas suas considerações no texto da matéria e começar a divulgar esta nossa bem vinda parceria transatlântica

Grande abraço!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Respondendo ao angolano Patissa (os contributos dele já estão no corpo da matéria)</p>
<p>Grande Patissa!</p>
<p>Ótimo contributo. Tudo faz sentido. Não domino estas particularidades não, mas, receio que no caso de algumas palavras, tenha havido aqui no Brasil alguma simbiose do Umbundo com o kimbundo (os dois exemplos que você traduziu me chegaram como sendo do kimbundo). Pelo que os historiadores dizem, nesta época (início do século 18 até início do 19) vieram angolanos de uma vasta região (eu acredito que mais ovimbundos do que outros grupos) entre Luanda, para o sul até o Benguela.</p>
<p>Outra possibilidade é as diferenças serem motivadas pelo fato das línguas naquela época estarem num estágio diferente do que estão hoje.</p>
<p>É tudo muito parecido mesmo. O primeiro caso quase não há diferença etimológica (<em>Akulu a ndamba</em><strong> ou </strong><strong>Ukulu we ndamba</strong><em>). No caso da segunda palavra (Rimi a ngombe ou Limi yia Ngombe), também há muita semelhança já que na tradução no Brasil o sentido de &#8216;</em><em>língua</em>&#8216; também é o mesmo que idioma (<em>língua de vaca</em> no sentido de <em>&#8216;jeito de falar&#8217;</em> da vaca). O &#8216;rimi&#8217; eu achei num dicionário angolano de kimbundo, onde como tenho reparado o &#8216;r&#8217; ocorre mesmo com mais freqüência do que no Umbundo )</p>
<p>A grande novidade para mim é &#8217;senhor&#8217; ser Ngana, e não Nganga, como vários dicionários de Kimbundo insistem (será que a diferença existe de uma língua para a outra, também neste caso, valendo para o kimbundo o Nganga que vi por aqui?)</p>
<p>Te agradeço muitíssisimoe digo que as nossas trocas serão mesmo deste tipo. Vou inserir estas suas considerações no texto da matéria e começar a divulgar esta nossa bem vinda parceria transatlântica</p>
<p>Grande abraço!</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>Por: spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/24/na-lapa-de-makemba-02/#comment-135</link>
		<dc:creator>spirito</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 22:39:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://spiritosanto.wordpress.com/?p=1467#comment-135</guid>
		<description>Grande Rafa!

Um alento saber que o papo dos posts estimula reflexões como as suas, não apenas por serem concordantes, mas por fazerem avançar a conversapara um bom destino. 

No fundo desta questão que levantamos está uma conjuntura intelectual (e acadêmica) muito arcaica, fundada na desigualdade social (e racial, claro) muito arraigada em séculos de exclusão.

Prestando bem atenção, certas incongruências metodológicas (tipo ignorar fontes africanas e portuguesas) são fruto deste elitismo burro e arrogante, reacionário, atrasado (não da academia como um todo, mas, de uma tendência bem atuante dentro dela) que deixa as nossas ciências sociais bem atrasadas em relação a outros países (inclusive africanos)

Claro que as cotas e o ingresso de estudantes negros na universidade pode ajudar um pouco, mas vai demorar porque o cerne deste tipo de pensamento racista, etnocêntrico, continuará a prevalecer por causa da tal contaminação das fontes. Para se ter uma idéia, as idéias mais reacionárias (nazi-fascistas) de Nina Rodrigues e Gilberto Freire (o &#039;velho&#039;, de antes da década de 1940) continuam a orientar muita tese de mestrado por aí.

A coisa só vai mudar quando os melhores entre estes cotistas virarem doutores e a questão da ética acadêmica tomarum novo rumo.

Vai demorar.


Quanto ao tambor de mina, conheço. É coisa do Dahomey (hoje Rep. Pop. do Benin). A cultura negra do Brasil tem esta diversidade sim, mas, a herança mais forte (o traço cultural predominante)veio de Angola e tem sido subestimada ainda hoje, maquiavelicamente. Bantu, por exemplo, é um conceito tão genérico quanto indochinês, não quer dizer nada. É preciso medir esta herança africana, fazer uma etnologia menos aculturada, colocando os pingos nos &#039;ís&#039;.

Valeu a força e o papo.

Abs</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Grande Rafa!</p>
<p>Um alento saber que o papo dos posts estimula reflexões como as suas, não apenas por serem concordantes, mas por fazerem avançar a conversapara um bom destino. </p>
<p>No fundo desta questão que levantamos está uma conjuntura intelectual (e acadêmica) muito arcaica, fundada na desigualdade social (e racial, claro) muito arraigada em séculos de exclusão.</p>
<p>Prestando bem atenção, certas incongruências metodológicas (tipo ignorar fontes africanas e portuguesas) são fruto deste elitismo burro e arrogante, reacionário, atrasado (não da academia como um todo, mas, de uma tendência bem atuante dentro dela) que deixa as nossas ciências sociais bem atrasadas em relação a outros países (inclusive africanos)</p>
<p>Claro que as cotas e o ingresso de estudantes negros na universidade pode ajudar um pouco, mas vai demorar porque o cerne deste tipo de pensamento racista, etnocêntrico, continuará a prevalecer por causa da tal contaminação das fontes. Para se ter uma idéia, as idéias mais reacionárias (nazi-fascistas) de Nina Rodrigues e Gilberto Freire (o &#8216;velho&#8217;, de antes da década de 1940) continuam a orientar muita tese de mestrado por aí.</p>
<p>A coisa só vai mudar quando os melhores entre estes cotistas virarem doutores e a questão da ética acadêmica tomarum novo rumo.</p>
<p>Vai demorar.</p>
<p>Quanto ao tambor de mina, conheço. É coisa do Dahomey (hoje Rep. Pop. do Benin). A cultura negra do Brasil tem esta diversidade sim, mas, a herança mais forte (o traço cultural predominante)veio de Angola e tem sido subestimada ainda hoje, maquiavelicamente. Bantu, por exemplo, é um conceito tão genérico quanto indochinês, não quer dizer nada. É preciso medir esta herança africana, fazer uma etnologia menos aculturada, colocando os pingos nos &#8216;ís&#8217;.</p>
<p>Valeu a força e o papo.</p>
<p>Abs</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>Por: Rafael Cesar</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/24/na-lapa-de-makemba-02/#comment-133</link>
		<dc:creator>Rafael Cesar</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 21:31:23 +0000</pubDate>
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		<description>Bela continuação da aventura. Eu estava aqui pensando: acho que há dois fatores muito fortes que podem gerar interpretações equivocadas sobre o que são os vissungos, os rituais de morte e tudo o mais. Primeiro,  como você mesmo falou aí nas entrelinhas, a exotização ou a simplificação que alguns estudiosos fazem. E tem gente boa que faz isso, né? Seja pelo preconceito, seja pelo que for. Essa classificação que você desconfia ser muit rasa (apenas como &quot;vissungos&quot;) pode ser fruto um pouco disso também, não?

Em segundo lugar, assim como acontece com os estudos das religiões afro, muitas vezes as informações passadas pelos pais e mães-de-santo não são verdadeiras ou têm parte omitida, filtrada, coisas do tipo. Isso, claro, não por serem os pais e mães-de-santo falsários ou coisas do gênero, mas sobretudo porque muita coisa NÃO PODE ser revelada, certo?

Bom, e o que eu concluo disso? Duas outras coisas: primeiro que, com a entrada da negrada na universidade, certamente haverá pesquisadores muito mais sensíveis para lidar com tais assuntos, com menos exotizações e afins. Não é à toa que você levanta algumas questões para refinar essas pesquisas que você leu e as que você faz sobre os vissungos, certo? Segundo, que é fundamental que possa haver uma possibilidade de essas pessoas que são as herdeiras dos mestres vissungueiros poderem chegar à universidade e levar os seus conhecimentos, sua visão de mundo etc lá para dentro. Assim como a negrada do meio urbano, o protagonismo delas é necessário para que deixem de ser objeto de estudo antropológico tão passivamente, mas que possam interceder com sua bagagem na produção lá dentro. Isso, claro, se elas quiserem fazer isso.

Na verdade, as duas coisas que concluí são mais ou menos a mesma coisa. É pra renovar essas metodologias cansadas. Será que estou exagerando?

Em tempo: você conhece um disco chamado &quot;Mosaico Musical dos Quilombos&quot;? Se você não tiver nada contra baixar música na internet (e não tiver o disco, é óbvio), te passo o link. Tem músicas de quilombolas maranhenses, matogrossenses e gaúchos. Acho que nem tudo é herança banta (tem tambor de mina, por exemplo), mas pode te intessar.

Um abração!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bela continuação da aventura. Eu estava aqui pensando: acho que há dois fatores muito fortes que podem gerar interpretações equivocadas sobre o que são os vissungos, os rituais de morte e tudo o mais. Primeiro,  como você mesmo falou aí nas entrelinhas, a exotização ou a simplificação que alguns estudiosos fazem. E tem gente boa que faz isso, né? Seja pelo preconceito, seja pelo que for. Essa classificação que você desconfia ser muit rasa (apenas como &#8220;vissungos&#8221;) pode ser fruto um pouco disso também, não?</p>
<p>Em segundo lugar, assim como acontece com os estudos das religiões afro, muitas vezes as informações passadas pelos pais e mães-de-santo não são verdadeiras ou têm parte omitida, filtrada, coisas do tipo. Isso, claro, não por serem os pais e mães-de-santo falsários ou coisas do gênero, mas sobretudo porque muita coisa NÃO PODE ser revelada, certo?</p>
<p>Bom, e o que eu concluo disso? Duas outras coisas: primeiro que, com a entrada da negrada na universidade, certamente haverá pesquisadores muito mais sensíveis para lidar com tais assuntos, com menos exotizações e afins. Não é à toa que você levanta algumas questões para refinar essas pesquisas que você leu e as que você faz sobre os vissungos, certo? Segundo, que é fundamental que possa haver uma possibilidade de essas pessoas que são as herdeiras dos mestres vissungueiros poderem chegar à universidade e levar os seus conhecimentos, sua visão de mundo etc lá para dentro. Assim como a negrada do meio urbano, o protagonismo delas é necessário para que deixem de ser objeto de estudo antropológico tão passivamente, mas que possam interceder com sua bagagem na produção lá dentro. Isso, claro, se elas quiserem fazer isso.</p>
<p>Na verdade, as duas coisas que concluí são mais ou menos a mesma coisa. É pra renovar essas metodologias cansadas. Será que estou exagerando?</p>
<p>Em tempo: você conhece um disco chamado &#8220;Mosaico Musical dos Quilombos&#8221;? Se você não tiver nada contra baixar música na internet (e não tiver o disco, é óbvio), te passo o link. Tem músicas de quilombolas maranhenses, matogrossenses e gaúchos. Acho que nem tudo é herança banta (tem tambor de mina, por exemplo), mas pode te intessar.</p>
<p>Um abração!</p>
]]></content:encoded>
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