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	<title>Comentários sobre: Na Lapa de Makemba #03</title>
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	<description>Linguagem, Sociedade e Cultura</description>
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		<title>Por: Spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-176</link>
		<dc:creator>Spirito</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2009 19:45:09 +0000</pubDate>
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		<description>Notícia à vera, &#039;federal&#039;:
O filme piloto (curta metragem) &#039;Vissungo, fragmentos da tradição oral&#039; que serviu de start para esta pesquisa historiada nesta série de matérias (que pretendemos vire um etnodoc. longa metragem), acaba de ser selecionado para um Festival Internacional de Cinema jovem em Portugal. Agora o nosso filminho (dirigido pelo bravo garoto Cássio Gusson e fotografado pelo não menos jovem e garoto Felipe Mantovan) se chamará: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Vissungo, fragments of oral tradition &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. gente fina é outra coisa!

Abs</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Notícia à vera, &#8216;federal&#8217;:<br />
O filme piloto (curta metragem) &#8216;Vissungo, fragmentos da tradição oral&#8217; que serviu de start para esta pesquisa historiada nesta série de matérias (que pretendemos vire um etnodoc. longa metragem), acaba de ser selecionado para um Festival Internacional de Cinema jovem em Portugal. Agora o nosso filminho (dirigido pelo bravo garoto Cássio Gusson e fotografado pelo não menos jovem e garoto Felipe Mantovan) se chamará: <em><strong>Vissungo, fragments of oral tradition </strong></em>. gente fina é outra coisa!</p>
<p>Abs</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-149</link>
		<dc:creator>spirito</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 20:55:48 +0000</pubDate>
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		<description>Grande Marc!

Tenho um grande amigo suíço a quem contactei assim que soube da sua pesquisa no Serro, antes ainda de estreitar os laços com o Cassio Gusson (embora já começando a me envolver com o projeto do filme).

O amigo é o Henrique Leeman que acho que contactou você em certa época (ou você a ele)  e que, aliás, se tornou meu grande amigo no contexto em que eu (e  meu Grupo Vissungo) era o seu &#039;objeto de estudo&#039; de uma dissertação de mestrado dele em antropologia, mais ou menos como o Ivo, o Crispim e tantos outros &#039;pesquisados&#039; foram nesta história.

Digo isto porque o motivo principal  que me fez destacar o seu trabalho entre as dezenas de estudos que li sobre o tema, foi o fato de seu ser o único que fazia referências ao trabalho modesto, porém pioneiro, que fazíamos, eu e meu grupo nos anos 70 (aliás, pelo que pude notar, o único também a referendar o trabalho do Kubik, o que me pareceu surpreendente) e de ter sido, pelos informes que obtivemos na região uma pessoa muito empenhava (como o Henrique, de certo modo, fez conosco) em oferecer instrumentos de organização para aquelas pessoas, afim de que elas mesmas fizessem o melhor uso possível da força de sua prática cultural ( o que, infelizmente acabou não ocorrendo da forma com se podia esperar).

No âmbito desta nossa preliminar abordagem sobre o Vissungo, que visa como você viu, traçar um panorama dos bastidores, dos registros e das conclusões de todas as coletas realizadas sobre o tema (um pouco de análise crítica e independente sobre a antropologia que se faz da cultura negra do Brasil), a sua experiência sempre esteve em foco e foi se destacando das demais em profundidade, cada vez que mergulhávamos mais nos meadros e detalhes das demais abordagens anteriores.

Por esta razão estivemos sempre esperançosos de poder contar com você e sua participação ativa no projeto, além de simplesmente disponibilizar material que, em alguma parte já nos fora disponibilizado para consulta, por intermédio do seu contato com o Cassio (ao qual eu sempre estive, é claro, sempre informado).

Esta semana foi, particularmente feliz para o nosso projeto por duas respostas fundamentais ás conclusões que tirei em minhas análises iniciais publicadas nas matérias. Uma foi a do antropólogo (Marcus Carvalho) que fez a consultoria para  Iphan/MinC acerca do pleito pelo tomabamento dos Cantos sagrados de Milho Verde, corroborando minha análise e me informando detalhes do processo e se pondo à nossa disposição. Agora você, com o peso e importancia que já ressaltei acima. Temos também o aval pessoal do José Jorge Carvalho da UNB e do Samuel Araújo, também muito meu amigo (e que disse que te conhece), que já nos garantiu a parceria da UFRJ (não sabemos em que termos ainda) por intermedio do Lab. de Etnomusicologia.

O diálogo está então mais que aberto agora. Obrigado pelas palavras tão gentis, em meu nome e em nome dos garotos do filme Cassio Gusson e Felipe Mantovan.

Grande abraço para você então.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Grande Marc!</p>
<p>Tenho um grande amigo suíço a quem contactei assim que soube da sua pesquisa no Serro, antes ainda de estreitar os laços com o Cassio Gusson (embora já começando a me envolver com o projeto do filme).</p>
<p>O amigo é o Henrique Leeman que acho que contactou você em certa época (ou você a ele)  e que, aliás, se tornou meu grande amigo no contexto em que eu (e  meu Grupo Vissungo) era o seu &#8216;objeto de estudo&#8217; de uma dissertação de mestrado dele em antropologia, mais ou menos como o Ivo, o Crispim e tantos outros &#8216;pesquisados&#8217; foram nesta história.</p>
<p>Digo isto porque o motivo principal  que me fez destacar o seu trabalho entre as dezenas de estudos que li sobre o tema, foi o fato de seu ser o único que fazia referências ao trabalho modesto, porém pioneiro, que fazíamos, eu e meu grupo nos anos 70 (aliás, pelo que pude notar, o único também a referendar o trabalho do Kubik, o que me pareceu surpreendente) e de ter sido, pelos informes que obtivemos na região uma pessoa muito empenhava (como o Henrique, de certo modo, fez conosco) em oferecer instrumentos de organização para aquelas pessoas, afim de que elas mesmas fizessem o melhor uso possível da força de sua prática cultural ( o que, infelizmente acabou não ocorrendo da forma com se podia esperar).</p>
<p>No âmbito desta nossa preliminar abordagem sobre o Vissungo, que visa como você viu, traçar um panorama dos bastidores, dos registros e das conclusões de todas as coletas realizadas sobre o tema (um pouco de análise crítica e independente sobre a antropologia que se faz da cultura negra do Brasil), a sua experiência sempre esteve em foco e foi se destacando das demais em profundidade, cada vez que mergulhávamos mais nos meadros e detalhes das demais abordagens anteriores.</p>
<p>Por esta razão estivemos sempre esperançosos de poder contar com você e sua participação ativa no projeto, além de simplesmente disponibilizar material que, em alguma parte já nos fora disponibilizado para consulta, por intermédio do seu contato com o Cassio (ao qual eu sempre estive, é claro, sempre informado).</p>
<p>Esta semana foi, particularmente feliz para o nosso projeto por duas respostas fundamentais ás conclusões que tirei em minhas análises iniciais publicadas nas matérias. Uma foi a do antropólogo (Marcus Carvalho) que fez a consultoria para  Iphan/MinC acerca do pleito pelo tomabamento dos Cantos sagrados de Milho Verde, corroborando minha análise e me informando detalhes do processo e se pondo à nossa disposição. Agora você, com o peso e importancia que já ressaltei acima. Temos também o aval pessoal do José Jorge Carvalho da UNB e do Samuel Araújo, também muito meu amigo (e que disse que te conhece), que já nos garantiu a parceria da UFRJ (não sabemos em que termos ainda) por intermedio do Lab. de Etnomusicologia.</p>
<p>O diálogo está então mais que aberto agora. Obrigado pelas palavras tão gentis, em meu nome e em nome dos garotos do filme Cassio Gusson e Felipe Mantovan.</p>
<p>Grande abraço para você então.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Marc.Antoine Camp</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-148</link>
		<dc:creator>Marc.Antoine Camp</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 13:40:04 +0000</pubDate>
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		<description>Spirito: 

Obrigado pelas reportagens tão ricas em perspectivas sobre as fontes e práticas do vissungo! De longe acompanho os processos culturais acontecendo em Milho Verde, depois de pesquisar na região entre 1997 e 2004. Suas descrições e reflexões críticas são uma valiosa contrbuição para um assunto de grande importância: o impacto de pesquisadores na região – aparentemente eu fui “involuntariamente talvez, um dos responsáveis pelo verdadeiro ‘boom’ de pesquisas sobre Vissungos”. Na minha tese sobre o vissungo (www.dissertationen.unizh.ch/2006/camp/abstract.html) abordo esta questão, sem chegar a uma conclusão. Mas durante o meu aprendizado com os cantores de vissungo, do Catopê e da Marujada em Milho Verde conheci uma comunidade em mudança acelerada, buscando se posicionar em novas realidades e reinventando as suas culturas locais. Os cantores da tradição local procuraram maneiras de lidar com a demanda imensa de tradições rurais e africanas por pesquisadores, journalistas e turistas (muitas vezes somos todo ao mesmo tempo). Os cantores discutiram e negociaram dentro da comunidade, como enfrentar este interesse. Uma das medidas foi a fundação da “Associação Cultural do Catopê e da Marujada de Milho Verde” (ver meu artigo: «O congado formalizado: organização jurídica de guardas do reinado na zona rural de Minas Gerais (Brasil)», Discursos sobre (l)a pobreza. América Latina y/e países luso-africanos, Nexos y diferencias 17, ed. Martin Lienhard, Madrid/Frankfurt: Iberoamericana/Vervuert, 329-340). A idéia desta iniciativa, tomada pelos cantores próprios, era de que eles se consituissem como entidade cultural formalmente reconhecida e pudessem assim se estabelecer como representantes de uma cultural “oficial”. Assim, eu concebi o meu trabalho como pesquisador em duas vias: analisar uma cultura local num discurso acadêmico e assistir os cantores em criar uma base para “autogestão” da cultura local. Não é possível separar completamente as differentes ações de um pesquisador, mas o que conta, enfim, é de criar diálogos. Mais uma vez lhe agradeço por contribuir aos diálogos no mundo do vissungo!
Abraço, Marc-Antoine (magc@gmx.net)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Spirito: </p>
<p>Obrigado pelas reportagens tão ricas em perspectivas sobre as fontes e práticas do vissungo! De longe acompanho os processos culturais acontecendo em Milho Verde, depois de pesquisar na região entre 1997 e 2004. Suas descrições e reflexões críticas são uma valiosa contrbuição para um assunto de grande importância: o impacto de pesquisadores na região – aparentemente eu fui “involuntariamente talvez, um dos responsáveis pelo verdadeiro ‘boom’ de pesquisas sobre Vissungos”. Na minha tese sobre o vissungo (www.dissertationen.unizh.ch/2006/camp/abstract.html) abordo esta questão, sem chegar a uma conclusão. Mas durante o meu aprendizado com os cantores de vissungo, do Catopê e da Marujada em Milho Verde conheci uma comunidade em mudança acelerada, buscando se posicionar em novas realidades e reinventando as suas culturas locais. Os cantores da tradição local procuraram maneiras de lidar com a demanda imensa de tradições rurais e africanas por pesquisadores, journalistas e turistas (muitas vezes somos todo ao mesmo tempo). Os cantores discutiram e negociaram dentro da comunidade, como enfrentar este interesse. Uma das medidas foi a fundação da “Associação Cultural do Catopê e da Marujada de Milho Verde” (ver meu artigo: «O congado formalizado: organização jurídica de guardas do reinado na zona rural de Minas Gerais (Brasil)», Discursos sobre (l)a pobreza. América Latina y/e países luso-africanos, Nexos y diferencias 17, ed. Martin Lienhard, Madrid/Frankfurt: Iberoamericana/Vervuert, 329-340). A idéia desta iniciativa, tomada pelos cantores próprios, era de que eles se consituissem como entidade cultural formalmente reconhecida e pudessem assim se estabelecer como representantes de uma cultural “oficial”. Assim, eu concebi o meu trabalho como pesquisador em duas vias: analisar uma cultura local num discurso acadêmico e assistir os cantores em criar uma base para “autogestão” da cultura local. Não é possível separar completamente as differentes ações de um pesquisador, mas o que conta, enfim, é de criar diálogos. Mais uma vez lhe agradeço por contribuir aos diálogos no mundo do vissungo!<br />
Abraço, Marc-Antoine (magc@gmx.net)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-144</link>
		<dc:creator>spirito</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 10:17:17 +0000</pubDate>
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		<description>Os correspondentes (que estariam confundidos com Vissungos, no mesmo saco) eu cito muitos no texto, não viu não? Inclusive o Jongo, que pelo que constatei na minha pesquisa, não tem originalmente nada de religioso pois é sócio-recreativo e mágico-propiciatório (fiz uma longa matéria sobre isto no Overmundo - abra &lt;a href=&quot;http://portalliteral.com.br/artigos/na-lapa-de-makemba-03&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;ESTE LINK&lt;/a&gt; - que aparece na versão destas matérias de Vissungo no site Portal Literal)

O que eu digo é que hoje em dia sobrevirem apenas as cantigas, diretamente religiosas (as de enterrar defunto) e sugiro que só as &lt;em&gt;exatamente &lt;/em&gt;religiosas é que poderiam ser chamadas, corretamente de &#039;Vissungos&#039;. A confusão que criaram foi generalizar o nome de tudo que se cantava no garimpo como se tudo fosse Vissungo (a propósito, o que as meninas dançam na foto não tem nada a ver com Jongo. É &#039;Chula&#039;, uma dança específica, inserida lá na Folia de Reis.)

Catopês é o nome de um dança do ciclo das Congadas (Congada, como se pode observar, não é uma dança só, é um complexo de danças com uma mesma finalidade: Animar festas de coroação de &#039;reis do Congo&#039;). 

Os catopês ocorrem, pelo que sei, apenas no centro de Minas para o norte, indo até Montes Claros, perto da Bahia. Eu acho que também é uma dança vinda de Angola. Nos catopês ocorrem cantos em Umbundo e Kimbundo exatamente como os vistos no garimpo. mestres de Vissungo também são mestres de Catopês. ou seja: Tudo a ver.

Abração! Também</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Os correspondentes (que estariam confundidos com Vissungos, no mesmo saco) eu cito muitos no texto, não viu não? Inclusive o Jongo, que pelo que constatei na minha pesquisa, não tem originalmente nada de religioso pois é sócio-recreativo e mágico-propiciatório (fiz uma longa matéria sobre isto no Overmundo &#8211; abra <a href="http://portalliteral.com.br/artigos/na-lapa-de-makemba-03" rel="nofollow">ESTE LINK</a> &#8211; que aparece na versão destas matérias de Vissungo no site Portal Literal)</p>
<p>O que eu digo é que hoje em dia sobrevirem apenas as cantigas, diretamente religiosas (as de enterrar defunto) e sugiro que só as <em>exatamente </em>religiosas é que poderiam ser chamadas, corretamente de &#8216;Vissungos&#8217;. A confusão que criaram foi generalizar o nome de tudo que se cantava no garimpo como se tudo fosse Vissungo (a propósito, o que as meninas dançam na foto não tem nada a ver com Jongo. É &#8216;Chula&#8217;, uma dança específica, inserida lá na Folia de Reis.)</p>
<p>Catopês é o nome de um dança do ciclo das Congadas (Congada, como se pode observar, não é uma dança só, é um complexo de danças com uma mesma finalidade: Animar festas de coroação de &#8216;reis do Congo&#8217;). </p>
<p>Os catopês ocorrem, pelo que sei, apenas no centro de Minas para o norte, indo até Montes Claros, perto da Bahia. Eu acho que também é uma dança vinda de Angola. Nos catopês ocorrem cantos em Umbundo e Kimbundo exatamente como os vistos no garimpo. mestres de Vissungo também são mestres de Catopês. ou seja: Tudo a ver.</p>
<p>Abração! Também</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-143</link>
		<dc:creator>spirito</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 10:05:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://spiritosanto.wordpress.com/?p=1503#comment-143</guid>
		<description>Grande Rafa,

(Já disse isto, mas, repito: Muito bom ter a tua interlocução)

1- O incidente na &#039;vista d&#039;olhos&#039; que fiz no tal &#039;dicionário&#039; do Crispim foi emblemático. Fomos até lá atrás, exatamente, do caderno e da possibiliadde de um dos filhos ter aprendido algo com o pai. Rodamos cerca de 3 hs até chegar lá...

...O fato é que, constatado que eles não haviam aprendido nada da língua que o pai falava nem as canções, nos concentramos no caderno que, com muito custo, o filho mais velho autorizou que víssemos. O caderno tinha cerca de quatro ou cinco páginas apenas, uns quarenta ou cinquenta vocábulos, quando muito. Um documento valiosíssimo, do ponto de vista simbólico, mas, sem quase nenhum valor, exatamente linguístico (com muitos termos, cuja lembrança dele era apenas fonética, com a tradução errada). 


2- A sua suposição sobre a evolução dos cantos é corretíssima. É assim que ocorre sempre, com tudo na vida. Os velhos de 1928 também deviam achar estranhas quaiquer mudanças. O que acontece no caso é que, pelas minhas suposições, estas mudanças eram mínimas, dada a manutenção quase inalterada, das mesmas condições culturais por muitos anos (o isolamento do regime de trabalho escravo e da condição de quilombolas).

Ou seja, para que Aires tenha encontrado os vissungos ainda tão &#039;africanos&#039;, estas circunstancias de isolamento tiveram que existir. Alguma evolução existia, mas, não estava, necessariamente, relacionada a influência do contato com os portugueses aqui no Brasil. Logo - e esta é a grande novidade da minha hipótese ou tese -  os cantos eram africanos quase &#039;intocados&#039; sim, mas, misturados com algo dos portugueses também, só que desde de lá de Angola, por influência das missões religiosas, entendeu?

Abs</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Grande Rafa,</p>
<p>(Já disse isto, mas, repito: Muito bom ter a tua interlocução)</p>
<p>1- O incidente na &#8216;vista d&#8217;olhos&#8217; que fiz no tal &#8216;dicionário&#8217; do Crispim foi emblemático. Fomos até lá atrás, exatamente, do caderno e da possibiliadde de um dos filhos ter aprendido algo com o pai. Rodamos cerca de 3 hs até chegar lá&#8230;</p>
<p>&#8230;O fato é que, constatado que eles não haviam aprendido nada da língua que o pai falava nem as canções, nos concentramos no caderno que, com muito custo, o filho mais velho autorizou que víssemos. O caderno tinha cerca de quatro ou cinco páginas apenas, uns quarenta ou cinquenta vocábulos, quando muito. Um documento valiosíssimo, do ponto de vista simbólico, mas, sem quase nenhum valor, exatamente linguístico (com muitos termos, cuja lembrança dele era apenas fonética, com a tradução errada). </p>
<p>2- A sua suposição sobre a evolução dos cantos é corretíssima. É assim que ocorre sempre, com tudo na vida. Os velhos de 1928 também deviam achar estranhas quaiquer mudanças. O que acontece no caso é que, pelas minhas suposições, estas mudanças eram mínimas, dada a manutenção quase inalterada, das mesmas condições culturais por muitos anos (o isolamento do regime de trabalho escravo e da condição de quilombolas).</p>
<p>Ou seja, para que Aires tenha encontrado os vissungos ainda tão &#8216;africanos&#8217;, estas circunstancias de isolamento tiveram que existir. Alguma evolução existia, mas, não estava, necessariamente, relacionada a influência do contato com os portugueses aqui no Brasil. Logo &#8211; e esta é a grande novidade da minha hipótese ou tese &#8211;  os cantos eram africanos quase &#8216;intocados&#8217; sim, mas, misturados com algo dos portugueses também, só que desde de lá de Angola, por influência das missões religiosas, entendeu?</p>
<p>Abs</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Rafael Cesar</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-142</link>
		<dc:creator>Rafael Cesar</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 03:46:09 +0000</pubDate>
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		<description>Ah, e uma coisa nào ficou clara para mim. Quando você comenta que o termo vissungo se tornou confuso - acabando por denominar uma série de cantos de diferentes estéticas, naturezas, funções etc. -, você associa isso ao fato de o termo &quot;vissungo&quot; só ter sido usado para tais cantos na região de Minas Gerais. Quais seriam os seus &quot;correpondentes&quot;, igualmente genéricos, nas regiões de Rio e São Paulo? Não me parece possível ser o jongo, visto que este sim era praticado como algo entre o religioso e o lúdico (me perdoe se falei besteira), com formação de roda e tudo o mais, mas certamente não como canto de trabalho ou para cerimônias fúnebres, caso do vissungo, não é isso? Ou os vissungos (e talvez esteja aí a confusão de nomes) também era praticado como um jongo de Minas (vista a foto que você postou das meninas dançando)?

E os catopês, onde entram? Não entendi bem o que são.

Valeu! Abração!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, e uma coisa nào ficou clara para mim. Quando você comenta que o termo vissungo se tornou confuso &#8211; acabando por denominar uma série de cantos de diferentes estéticas, naturezas, funções etc. -, você associa isso ao fato de o termo &#8220;vissungo&#8221; só ter sido usado para tais cantos na região de Minas Gerais. Quais seriam os seus &#8220;correpondentes&#8221;, igualmente genéricos, nas regiões de Rio e São Paulo? Não me parece possível ser o jongo, visto que este sim era praticado como algo entre o religioso e o lúdico (me perdoe se falei besteira), com formação de roda e tudo o mais, mas certamente não como canto de trabalho ou para cerimônias fúnebres, caso do vissungo, não é isso? Ou os vissungos (e talvez esteja aí a confusão de nomes) também era praticado como um jongo de Minas (vista a foto que você postou das meninas dançando)?</p>
<p>E os catopês, onde entram? Não entendi bem o que são.</p>
<p>Valeu! Abração!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Rafael Cesar</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-141</link>
		<dc:creator>Rafael Cesar</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 03:36:47 +0000</pubDate>
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		<description>Spirito, salve!

Estou inquieto com esse tesouro todo que você está escavando. Pensei em algumas coisas:

1 - Você chegou pertinho do dicionário de Crispim Viríssimo. TInha muita coisa ou a compilação ainda estava no início? E qual seria, portanto, a viabilidade (pergunto em termos éticos, uma discussão fundamental nessa história toda, como você está colocando) de se copiar a pesquisa feita pelo senhor Crispim para estudiosos do assunto (se é que há novidades al; imagino que sim)? Isso seria possível? Você teve alguma conversa com o povo de lá neste sentido, ou percebeu alguma coisa?

2 - Em alguns momentos você comenta sobre o fato de os cantos terem se mantido praticamente intactos até os estudos de Aires da Mata Machado. Nos 80 anos seguintes, você diz, começa a haver um processo muito forte de esquecimento. Pois bem: fico pensando se, quando Aires da Mata pintou por lá, os vissungueiros de então já não reclamavam das mudanças que estavam passando os cantos que eles ouviam dos velhos de seus tempos de garoto. Possivelmente, os vissgungos cantados pelos mestres da época de Aires da Mata já era entoados em uma língua banto-portuguesa (meio lá, meio cá), o que certamente arrepiava os mais velhos que ainda fossem falantes do quimbundo, umbundo etc. Acho que essa idéia de &quot;intocada&quot; é sempre perigosa... Depende sempre de um menor ou maior distanciamento, não sei.

Abraços entusiasmados!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Spirito, salve!</p>
<p>Estou inquieto com esse tesouro todo que você está escavando. Pensei em algumas coisas:</p>
<p>1 &#8211; Você chegou pertinho do dicionário de Crispim Viríssimo. TInha muita coisa ou a compilação ainda estava no início? E qual seria, portanto, a viabilidade (pergunto em termos éticos, uma discussão fundamental nessa história toda, como você está colocando) de se copiar a pesquisa feita pelo senhor Crispim para estudiosos do assunto (se é que há novidades al; imagino que sim)? Isso seria possível? Você teve alguma conversa com o povo de lá neste sentido, ou percebeu alguma coisa?</p>
<p>2 &#8211; Em alguns momentos você comenta sobre o fato de os cantos terem se mantido praticamente intactos até os estudos de Aires da Mata Machado. Nos 80 anos seguintes, você diz, começa a haver um processo muito forte de esquecimento. Pois bem: fico pensando se, quando Aires da Mata pintou por lá, os vissungueiros de então já não reclamavam das mudanças que estavam passando os cantos que eles ouviam dos velhos de seus tempos de garoto. Possivelmente, os vissgungos cantados pelos mestres da época de Aires da Mata já era entoados em uma língua banto-portuguesa (meio lá, meio cá), o que certamente arrepiava os mais velhos que ainda fossem falantes do quimbundo, umbundo etc. Acho que essa idéia de &#8220;intocada&#8221; é sempre perigosa&#8230; Depende sempre de um menor ou maior distanciamento, não sei.</p>
<p>Abraços entusiasmados!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: spirito</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/01/28/na-lapa-de-makemba-03/#comment-140</link>
		<dc:creator>spirito</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 23:17:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://spiritosanto.wordpress.com/?p=1503#comment-140</guid>
		<description>Nota importante:

No âmbito das contrapartidas e do intercâmbio estabelecido com os informantes do local da coleta, o autor e os demais membros da equipe doaram para o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Instituto Milho Verde/ Associação Cultural do Catopê e da Marujada de Milho Verde&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; (com recomendação de fornecimento de cópias para todos os que prestaram depoimentos para a nossa pesquisa em toda a região, nomeadamente os srs. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Pedro de Miúda&lt;/em&gt; (presidente da Associação Cultural Chula da Folia de São João da Chapada e Quartel de Indaiá), &lt;em&gt;Ivo Silvério da Rocha &lt;/em&gt;e  &lt;em&gt;Pedro Lucindo&lt;/em&gt; (vissungueiros), além das Sras. &lt;em&gt;Miúda de Pedro, Maria &#039;Macarrão&#039;, Jacira e Zélia de Baú&lt;/em&gt;) o seguinte material:

1- Dicionário Kimbundo-Português de José Lopes Quintão (edição original de 1934)
2- Dicionário Português-Umbundo -Ralph L. Wilson (Edição original de 1935)
3- Vida social Indígena na Colónia de Angola (Usos e Costumes) do Capitão Ivo de Cerqueira (Edição original de 1947)
4-Alimentação Regional Angolana -De Óscar Ribas (etnólogo angolano)
5- CDs e DVDs com todas as imagens (textos, mapas, fotos, etc.) arquivadas pela pesquisa até o momento

Obs.: Ao Mestre vissungueiro &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ivo Silvério da Rocha&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; foi presenteado, em caráter especial, uma cópia exclusiva do dicionário de &lt;em&gt;Ralph. L. Wilson&lt;/em&gt;.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Nota importante:</p>
<p>No âmbito das contrapartidas e do intercâmbio estabelecido com os informantes do local da coleta, o autor e os demais membros da equipe doaram para o <strong><em>Instituto Milho Verde/ Associação Cultural do Catopê e da Marujada de Milho Verde</em></strong><em> (com recomendação de fornecimento de cópias para todos os que prestaram depoimentos para a nossa pesquisa em toda a região, nomeadamente os srs. </em><em>Pedro de Miúda</em> (presidente da Associação Cultural Chula da Folia de São João da Chapada e Quartel de Indaiá), <em>Ivo Silvério da Rocha </em>e  <em>Pedro Lucindo</em> (vissungueiros), além das Sras. <em>Miúda de Pedro, Maria &#8216;Macarrão&#8217;, Jacira e Zélia de Baú</em>) o seguinte material:</p>
<p>1- Dicionário Kimbundo-Português de José Lopes Quintão (edição original de 1934)<br />
2- Dicionário Português-Umbundo -Ralph L. Wilson (Edição original de 1935)<br />
3- Vida social Indígena na Colónia de Angola (Usos e Costumes) do Capitão Ivo de Cerqueira (Edição original de 1947)<br />
4-Alimentação Regional Angolana -De Óscar Ribas (etnólogo angolano)<br />
5- CDs e DVDs com todas as imagens (textos, mapas, fotos, etc.) arquivadas pela pesquisa até o momento</p>
<p>Obs.: Ao Mestre vissungueiro <em><strong>Ivo Silvério da Rocha</strong></em> foi presenteado, em caráter especial, uma cópia exclusiva do dicionário de <em>Ralph. L. Wilson</em>.</p>
]]></content:encoded>
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