4 de Fevereiro – Nacionalismo angolano

4 de Fevereiro de 1961 – Exaltação de nacionalismo dos angolanos

Rolando um interessante debate entre amigos do perfil ‘Nossangola’ do facebook, angolanos em sua mairoria presumo. Você pode acompanhar neste link – se estiver facebook, claro)

Por Rufino Manuel Agência «AngolaPress»

Na madrugada de 4 de Fevereiro de 1961, um grupo de mulheres e homens, munidos de paus, catanas e outras armas brancas, atacaram a casa de reclusão e a cadeia de São Paulo para libertarem presos políticos, ameaçados de morte.

O regime colonial fascista reagiu brutalmente e respondeu com uma acção de repressão em todo o país, com assassinatos, torturas e detenções arbitárias.

Essas prisões arbitrárias desencadeadas pela PIDE (polícia política portuguesa) contra os integrantes do “processo 50″, os massacres da Baixa de Cassanje, Icolo e Bengo e detenção e assassinato de várias pessoas indefesas, levou alguns nacionalistas a organizarem-se para a luta de libertação.

Os preparativos da acção tiveram início em 1958, em Luanda, com a criação de dois grupos clandestinos, um abrangendo os subúrbios e outro a zona urbana, comandados

por Paiva Domingos da Silva e Raúl Agostinho Deão.

A construção de um Estado unido, sem distinção de raças ou credo religioso foram outros dos objectivos perseguidos pelos heróis do 4 de Fevereiro.

A acção inseriu-se também nos anseios da população e na necessidade de se passar a formas de luta que correspondessem à rigidez da administração colonial. Para tal valeu a colaboração do cônego Manuel das Neves e outros combatentes.

O papel do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) na preparação e organização da “acção directa” já constava do anúncio feito pelo seu Comité Director na conferência de Londres de Dezembro de 1960.

O 4 de Fevereiro de 19961 pode ser ainda considerado como um marco importante da luta africana contra o colonialismo, numa tradição de resistência contra a ocupação que vinha desde os povos de Kassanje, do Ndongo e do Planalto Central.

Os primeiros relatos de realce de resistência à ocupação colonial datam dos seculos XVI e XVII (1559-1600 e 1625-1656), conduzidos por Ngola Kiluanji e Nzinga Mbandi, esta soberana do Ndongo.

De lá para cá, a resistência anti-colonial vivenciada nos movimentos de libertação e outros grupos de acção clandestina, passam a ter alcance de reivindicações internacionalmente reconhecidas, conducentes, por exemplo, aos processos das independências das colónias africanas.

Os acontecimentos de Fevereiro de 1961 traduziram-se assim numa sublime expressão de nacionalismo, demonstrada pelos angolanos.

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~ por Spirito Santo em 04/02/2011.

3 Respostas to “4 de Fevereiro – Nacionalismo angolano”

  1. Olá, Seu Antônio. Muito me interessou seu artigo. Ando estudando estas questões dos discursos nacionalistas e gostaria de saber sua opinião sobre o discurso nacionalista na Angola e sobre o MPLA, sabendo que o próprio tinha dificuldades de fazê-lo internamente frente às rivalidades tribais. Esta foi uma questão que me despertou na leitura do Mayombe, do Pepetela.
    Abraço

  2. Alysson,

    Na verdade nunca me debrucei sobre isto assim a ponto de opinar. Este post – replicando uma matéria de 2006, a mim enviada por um amigo angolano – é mais uma maneira de exaltar o heroísmo de um povo que venceu, de armas na mão, o colonialismo. Mas o tema é muito recorrente sim. Tenho inclusive tido novas informações sobre ele, embora não tenha ainda tirado uma conclusão. Acho bem difícil escapar dos emocionalismos ainda latentes de uma gerra civil que deixou marcas profundas na alma do povo angolano. Talvez seja mesmo a hora de se começar a pensar nisto. Tenho tido informações da mesma discussão já em curso em Moçambique também, onde o Renamo e a Frelimo debatem e suas reviram mútuas chagas. Papo longo e denso este aí.

  3. RELEMBRAR O NACIONALISTA, AFRICANO, UNIVERSALISTA E UM DOS FUNDADORES DO MPLA, Dr. HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES.
    Aos 11de Maio de 2000 faleceu o Dr. Hugo José Azancot de Menezes com 71 anos e faria 83 aos 02-02.2012.
    Foi um benfeitor da humanidade, progressista e justiceiro em todo o seu percurso e nunca optava pelas situações radicais e pugnava pela reposição de valores, igualdade e sempre em prol dos desfavorecidos.
    Era efervescente para ideais progressistas para a qual sempre norteou o seu percurso de vida fundamentalmente política nacionalista Africana e universalista.
    O seu sonho foi sempre a emancipação de África por valores de consenso nacional e progresso social que herdou e desenvolveu ao longo de décadas.
    Envolveu -se sempre desde os primórdios do nacionalismo ao qual participou na criação e fundação de associações políticas e posteriormente na fundação de partidos como MPLA, CLSTP, PDG NAS FASES embrionárias das suas existências.
    Nos países Africanos onde praticou as actividades políticas e exerceu medicina conseguiu galvanizar muito apoio dos respectivos nacionais e governantes desses países Africanos que se tornariam independentes não só pelo seu desempenho e criatividade relativamente ao MPLA mais por iniciativas locais.
    Esta data nunca passara despercebida para os seus familiares e amigos e camaradas de lutas em todas latitudes tanto em África como Europa onde ele trilhou o caminho da libertação e dignidade do homem Africano apesar dos novos valores e preocupação dos tempos modernos.
    E que a África não te esquecera.

    ESCRITO AOS 02-02-2012 POR:
    Ayres Guerra Azancot de Menezes

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