“Do Samba ao Funk do Jorjão” está nas bancas e na rede!

O autor em 1978 desfilando com uma inusitada marimba 'africana' (por ele mesmo fabricada) num terno de congada da cidade de Machado, MG.
Do Samba ao Funk do Jorjão
Ritmos, mitos e ledos enganos num enredo de um samba chamado Brasil
A guisa de Resenha (mas antes tirando uma ondinha de leve)
Caso não saibam, este livro, praticamente concluído desde 2004 (só o atualizei e revisei repetidas vezes por causa de seu longo prelo) foi solenemente esnobado por algumas editoras que alegavam falta de espaço nas suas filas de edição.
Todas alegavam esta falta de espaço em sua linha editorial, talvez fazendo uma leitura comercial apressada da palavra ‘Samba” contida no título, ou até mesmo, preconceituosamente estranhando o tom iconoclástico da palavra ‘funk‘ expresso no título, vai saber?
Foi então que o Duda Valle teve a ideia de me apresentar à querida Noga Sklar, uma das pessoas pioneiras na edição de livros on line no Brasil, responsável pela concretização desta primeira edição que sairá também em POD (impresso sob demanda) e será distribuída na Livraria Cultura, Saraiva, Travessa, Fnac entre outras outras (com opção para infinitas edições ‘on demand‘). Macaco véio, já estou planejando a tradução para o inglês, o francês e, quem sabe, até para o javanês.
Nesta longa espera podemos acompanhar uma crise quase agônica do mercado editorial convencional e o início do ‘bombamento’ do livro On line e dos Ipads, seus ‘leitores’ eletrônicos. Quem esnobava os livros on line vai ter que correr atrás do prejuízo. Afinal não importa o suporte, um livro é um livro.
Quem ri por último…”
Logo, além de lançar o livro para o alto da rede, o lançaremos também convencionalmente, com direito à assinaturas com caneta ‘bic’ e tudo. Aliás o primeiro lançamento convencional já rolou no dia 06 de Outubro passado na Livraria Cultura do Fashion Mall em São Conrado no Rio de Janeiro
Segundo a editora este talvez venha a ser um dos primeiros livros de Samba disponível no mercado de livros on line (E.book). Que venham outros. Macaco véio, sabedor de que a rede não é nacionalista nem retrógrada, já estou planejando a tradução para o inglês, o francês e, quem sabe, até para o javanês.
Nesta longa espera podemos acompanhar uma crise do mercado editorial convencional de livros e o início do ‘bombamento‘ do livro On line e dos Ipads, seus ‘leitores’ eletrônicos. Quem esnobava os livros on line vai ter que correr atrás do prejuízo. Quem esnoba ensaios de cultura não acadêmica, cultura negra ‘chapa-preta’ ou cultura literária alternativa enfim, como a rede é democrática (pelo menos neste sentido) vai ter que rever seus conceitos também.
Afinal não importa o suporte nem se as idéias são ou não são as hegemônicas e chanceladas por uma elite, um livro é um livro.
Quem ri por último…
“Do Samba ao Funk do Jorjão“
O que poderia haver de novo num tema tão recorrente quanto o samba?
Reflexões multidisciplinares acerca das origens e dos significados do Samba, à luz de algumas características peculiares de sua evolução através do Tempo, do Espaço, de seus Meios – entre os quais as bandas musicais e os conjuntos de percussão de rua – e seus Fins – entre os quais o de ser a síntese dos dramas e dilemas socioculturais do Brasil.
1- A história do gênero, do ponto de vista etnomusical, à luz da maioria dos documentos e indícios confiáveis possíveis de se levantar, a fim de sugerir algum tipo de linha evolutiva clara, esforço ao qual o autor se debruça durante a primeira parte do estudo.
2- O conceito de Samba enquanto Mídia, com vários suportes ‘imateriais’ entre os quais as bandas musicais e os conjuntos de percussão de rua, ou seja, o gênero enquanto veículo de transmissão de saberes, no âmbito de culturas de natureza essencialmente oral, no aspecto musical, como uma espécie de suporte melódico, fixado pela tradição, apropriado na época (início do século 20) para a condução de variados tipos de mensagens (textos) gravados, colados a este suporte, segundo necessidades de comunicação social muito bem definidas.
E tudo acaba mesmo em Samba
O tema “Samba” – visto quase sempre como um assunto meramente pitoresco ou banal – pode envolver um número impressionante de questões subjacentes, por diversas razões, cuidadosamente omitidas e trancadas em velhos armários, varridas para debaixo de surrados tapetes, por serem questões, de algum modo, incômodas para os “unidos” e os “acadêmicos”, detentores da sabedoria nacional.
À luz um simples levantamento de prosaicos fatos da história da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, podemos encontrar claros resquícios de um xenofobismo rasteiro, um nacionalismo ingênuo e renitente que ignora, por exemplo, a evidente complexidade existente no processo de disseminação da cultura negra pelo mundo, no âmbito da ampla e longa diáspora causada pela escravidão, âmbito do qual o Samba não poderia, de forma alguma, estar isolado (até porque talvez seja, no caso do Brasil, a síntese artística mais bem acabada de tudo isto).
Ainda considerando o caso do Brasil como um todo, o texto sugere que os canais de intercâmbio musical, entre os negros de diversas etnias e origens, no contexto desta diáspora tão ampla no tempo e no espaço, obedecem a ciclos evolutivos bem marcados, que nos tem atingido como em ondas, década a década, desde que nosso principal elo com o resto do mundo deixou de ser a Europa.
Sendo muitas vezes tratado como uma espécie de religião, segundo o autor o estudo do Samba tem sido, portanto – e infelizmente – ao longo dos anos, um tema muito contaminado por mitos e mistificações lançadas por “fundamentalistas” mal fundamentados, muitas vezes algozes ingênuos da objetividade (atributo que, aliás, tem faltado nos estudos de vários outros aspectos da cultura brasileira, além do Samba).
Mito e Tabu: A necessária discussão (ou polemização) destes dois conceitos, seguramente é a proposta principal deste livro, uma espécie de despretensiosa – e possível – História do Samba revista e aumentada, acrescida de abusados questionamentos para apimentar o enredo destas bolorentas alegorias nacionais.
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Obs.: Desta edição da KBR Digital consta como parte indissociável do conteúdo, material gráfico ilustrativo consistindo de ilustrações e anotações etnomusicologicas (croquis, infográficos, partituras, etc.) além de fotos de arquivo e de época.
Spírito Santo
Setembro 2011
