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	<title>Spirito Santo &#187; Artigo/Cronica</title>
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		<title>Spirito Santo &#187; Artigo/Cronica</title>
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		<item>
		<title>TÁ NA REDE ou TÁ FRITO?</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/12/14/ta-na-rede-ou-ta-frito/</link>
		<comments>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/12/14/ta-na-rede-ou-ta-frito/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 07:57:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[

Foto de Ponto e Vírgula/Frickr

Mídias versus Conteúdos: Existirão direitos de autor na Internet?
Relaxe. Não se desespere. O futuro chegou difuso, mas não é nenhuma sangria desatada. Além do mais, sabe como é&#8230; futuro é algo muito improvável e relativo, mera suposição de iluminados (ou alucinados), virtual que só vendo, tanto que só mesmo quem viver [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=1662&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"></a><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><br />
<img alt="Creative Commons License" style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" /><br />
Foto de Ponto e Vírgula/Frickr<br />
<img src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/02/under-the-veil-foto-de-ponto-e-virgula.jpg?w=497&#038;h=373" alt="under-the-veil-foto-de-ponto-e-virgula" title="under-the-veil-foto-de-ponto-e-virgula" width="497" height="373" class="aligncenter size-full wp-image-1664" /><br />
<strong>Mídias versus Conteúdos: Existirão direitos de autor na Internet?</strong></p>
<p>Relaxe. Não se desespere. O futuro chegou difuso, mas não é nenhuma sangria desatada. Além do mais, sabe como é&#8230; futuro é algo muito improvável e relativo, mera suposição de iluminados (ou alucinados), virtual que só vendo, tanto que só mesmo quem viver o verá. </p>
<p>O papo é sobre Internet e Comunicação nos tempos modernos. No contexto, a reflexão, ultimamente muito em voga, sobre a suposta legitimação da pirataria que grassa a rede, esta invisível esfinge devoradora de todos os conceitos de comunicação disponíveis, desde conteúdos, privacidades, éticas, direitos autorais, tudo a ser, aparentemente revisto, rediscutido, reavaliado, subvertido, revolucionado enfim.</p>
<p>Sei lá. É confuso de entender, mas, pode também não ser isto tudo aí de complexidade. Pode ser até mais fácil debulhar este milho &#8211; prestes a virar fubá &#8211; do que colocar um ovo em pé. </p>
<p>Pra começo de papo, todo mundo sabe que a Comunicação humana é uma contingência irrefreável. Não há como escapar dela porque a bruta nos é inerente, está grudada em nós (de certo modo, parece até que ela é o único sentido de nossa própria vida.) </p>
<p>Se formos reparar bem somos mesmo hedonistas por natureza. Fazer o que? Tanto é que, desmedidamente viciados em prazer, estamos derretendo o planeta de tanto sugá-lo, chupá-lo, fazendo dele o nosso pirulito de hortelã. </p>
<p>Acho que é por esta ânsia de prazer que, ao nos comunicarmos, em vez de irmos logo aos conformes, na base do <em>pão-pão queijo-queijo</em>, fazemos isto por meio de complexos procedimentos interativos, todos caracterizados pela desesperada busca de emoções e realizações pessoais, uns extraindo por baixo das ritualizadas filigranas do &#8216;bom tom&#8217;, tudo que se puder extrair, de tudo e de todos, sem exceção. Pura antropofagia, já disseram alguns.</p>
<p>É ou não é verdade que a gente só consegue aprender as coisas, entender o mundo que nos cerca, gravar memórias que nos serão úteis à nossa sobrevivência enfim, apenas <em>vendo</em>, <em>ouvindo </em>e <em>sentindo </em>as coisas tocarem em nós? </p>
<p>Se for mesmo isto &#8211; e se alguém puder me desmentir que me desminta agora – restritos, praticamente ao uso de três sentidos muito elementares, somos capazes de fazer apenas uma leitura limitada do mundo. Quase debilóides, é o que somos. </p>
<p>Se a comunicação humana não fosse todo este grande ‘barato’ que é, muitos de nós iriam mesmo preferir ficar ignorantes de tudo, apáticos, catatônicos. Afinal, se tudo é enfadonho.. &#8220;quem lê tanta notícia?”</p>
<p>Esfomeados por informação como somos, não é, portanto surpresa nenhuma que tudo o que exprimimos, uns para os outros, acabe virando mesmo este conjunto de signos decorativos, estéticos, assumindo aspectos do que chamamos, meio vagamente talvez, de Arte, Ciência ou Cultura, lugares-comuns, meras simbologias, às vezes mui loucas, impregnadas de beleza – ou feiúra – que nos embriagando das tais endorfinas, serotoninas (drogas benignas fornecidas de graça pelo nosso traficante mais íntimo) nos emocionam. </p>
<p>(Preste muita atenção, contudo porque, pode ser que tenha sido desta nossa imperativa fissura por prazer comunicativo que os aventureiros tiraram a idéia de que este nosso vício intercomunicativo podia ser vendido e até render um dinheirinho)</p>
<p>Deu no que deu. </p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- </p>
<p><strong>Os Mídia-Griots e os Mídia-Troubadours</strong><br />
Músicos e Contadores de histórias </p>
<p>E chegamos então assim ao que é o <em>núcleo duro </em>do nosso papo: O tal do I.Commerce, a Internet mercantilizada e suas mazelas benfazejas (o tal vício reconfigurado) e tudo aquilo que ela, agora mesmo, está parecendo que vai tumultuar e subverter. </p>
<p>(Vamos então ao que eu mesmo, palpiteiro como que, assumindo a identidade de futurólogo de botequim, comentei dia destes) :</p>
<p><em>&#8220;&#8230; Não existe outra alternativa para a difusão de conteúdos (obras) que não seja a Internet&#8230; O que se comercializa (o objeto do direito do autor) é o ‘suporte físico’&#8230;”  </em></p>
<p>Traduzindo então para leigos de pedra:</p>
<p><em>‘Suporte físico’</em> é o objeto, a <em>Mídia </em>(a fita, o disco, o CD, etc.) legível por algum tipo de dispositivo decodificador (os chamados ‘<em>tocadores</em>’ ou ‘<em>players</em>’) que contêm uma cópia do produto (do ‘<em>conteúdo</em>’) artístico, cultural ou científico. Em suma: Aquela coisa que a gente comprava na loja, e levava pra casa, às vezes embrulhadinho para presente, lembra?)</p>
<p>Você conhece aqueles sujeitos que andam pelas aldeias contando – e cantando &#8211; as novidades ou ensinando a história dos antepassados, ‘homens-biblioteca’ como se diz, mais precisamente? </p>
<p>Na África eles se chamam ‘Griots’ (na Europa Troubadours, saltimbancos estas coisas). No popular, eles são aqueles indivíduos que retêm na memória algum tipo de&#8230; ‘conteúdo’ e saem por aí o disseminando. <em>Suportes físicos</em>, portanto e, mais do que isto, suportes móveis, ambulantes.</p>
<p>Está bem, concordo que como &#8217;suporte físico&#8217; estes caras têm lá suas limitações. Não podem ser, por exemplo, replicados em clones, reproduzidos em várias cópias de modo a serem distribuídos, vendidos por aí, a rodo. Sem contar que custa caro torná-los famosos, a ponto de um número razoável de pessoas se interessar em pagar para assisti-los. </p>
<p>(Se bem que o Griots e os Troubadours antigos não tinham este problema: Suas performances eram gratuitas. Bastava hospedá-los e dar-lhes algo para comer.)</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; </p>
<p><strong>Players humanos, &#8216;Tocadores&#8217; biônicos</strong><br />
Homo mecanicus et cum spiritu tuo</p>
<p>Depois destes &#8216;tocadores humanos&#8217;, vêm os &#8216;tocadores mecânicos&#8217; (ou seriam biônicos?), players, propriamente ditos, como o piano e o violão, por exemplo. Sacaram a relação? </p>
<p>Eles são também espécies de ‘suportes de mídia’ primitivos ainda, mas &#8217;suportes&#8217; sim, na acepção do termo, certo? Um pouquinho mais modernos que os Griots, na verdade. </p>
<p>Mais precisamente, são dispositivos de reprodução mecânica (decodificadores, melhor dizendo), só que ainda não automáticos como os de hoje em dia, já que não dispõem de capacidade de armazenagem e registro, não são acumuladores do que chamamos de ‘memória virtual’, dependendo ainda da memória de um ser humano qualquer para funcionar. </p>
<p>Vamos chamá-los aqui então (tantos os players humanos quanto os players biônicos) de ‘players primitivos’, está combinado assim?</p>
<p>Este conjunto de ‘players primitivos’, como se viu, foi baseado na criação de códigos visuais ou gráficos (como a escrita musical, por exemplo), que passaram a ser impressos em algum tipo de superfície (a partitura no papel), a partir da qual, por meio da leitura, se transformava, por exemplo, linguagem acústica em visual e vice versa. </p>
<p>Esta superfície podia, portanto ser traduzida (decodificada por assim dizer) por intermédio de um <em>leitor </em>(que neste primeiro momento, é ainda um ser humano normal) auxiliado ou não de um instrumento mecânico (biônico) qualquer, que servia de acessório para a decodificação (exemplo: a tal partitura decodificada por um músico tocando o que lê ao piano ou mesmo um filme exibido por um projecionista numa tela iluminada por um projetor) </p>
<p>Em miúdos: </p>
<p>Do mesmo modo que ocorreu com os outros suportes de conteúdos primitivos, como a placa de pedra da escrita cuneiforme dos fenícios e o papiro de junco dos egípcios e depois (de forma sensacional) com a invenção de carimbos para gravação em série da escrita no papel (o livro do Gutenberg), os dispositivos de mídia desembestaram a tornar cada vez mais eficiente, sofisticada e rápida a comunicação humana. </p>
<p>Avançando neste conceito (players) podemos evidentemente inserir na conversa todos os dispositivos conhecidos, num processo que vai desde a criação do giz do homem das cavernas (a caverna é o suporte), passando pelo primeiro dos tambores, até os instrumentos mecânicos que, já no século 19, redundaram nos <em>fonógrafos</em>, que passaram por sua vez, a possuir também a capacidade de decodificar informações contidas num <em>objeto-suporte </em>qualquer (uma bobina de metal, um cilindro dentado enfim), um ‘dispositivo de mídia’, como se diz. </p>
<p>Ou seja, players que chamaremos aqui de ‘modernos’, por conta de já serem capazes de acessar memórias virtuais impressas em algo (olha o Bit aí, gente!). </p>
<p>É, pois na invenção dos players, ou seja, dessas muitas maneiras de se transferir conteúdos contidos na memória de um indivíduo para uma série de cópias-objeto, clones impressos num código gráfico qualquer, legível por qualquer outra pessoa, além autor, que começa toda esta problemática, pretensamente confusa, que o leigo confesso aqui está tentando explicar. </p>
<p>Tá ligado?</p>
<p>É que foi delas, das <em>cópias-objetos</em> da sua obra ou criação (e não a idéia em si, contida na sua cabeça) engravidadas de ‘conteúdos’, que os espertinhos da vez tiveram o insight de distribuir e – quem sabe &#8211; comercializar idéias por aí. </p>
<p>&#8212;&#8212;-</p>
<p><strong>Se não existe almoço grátis, quem paga a conta?</strong><br />
O prato-feito self-service dos ‘acumuladores de conteúdos’</p>
<p>Os ‘suportes físicos’ são, portanto a mercadoria sobre a qual você, o cara genial que teve a idéia, tem algum direito a reclamar, se assim o quiser.</p>
<p><em>“&#8230; Samba é como passarinho-“</em> Dizia Donga, suposto autor do primeiro suposto Samba _ <em>” É de quem pegar primeiro!”</em></p>
<p>Pois não é que no caso da Internet, é quase tudo igualzinho? </p>
<p>Uma diferença a ser considerada é que, como o volume de informações aumentou de forma explosiva, um novo elemento teve que surgir na equação: Os ‘acumuladores de conteúdos’. </p>
<p>Eles são sites e blogs, intermediários entre você e os &#8216;consumidores. Eles fazem o registro competente de sua obra, afim de garantir a você a autoria da mesma e editam o seu material de forma profissional. Em troca exigem o direito de ‘disponibilizar‘ (distribuir) na rede a sua obra, gratuitamente. </p>
<p>E reconheça: Eles podem – e devem – fazer isto. Este é o lado mais bacana da Internet, até segunda ordem. Todo mundo que guardava criações na gaveta, agora tem o mundo inteiro para divulgar a sua obra. Não é legal demais isto?</p>
<p>Contudo &#8211; o que é muito importante, como você verá mais adiante &#8211; Os ‘acumuladores de conteúdos’ não têm a função de impedir que outros façam cópias de sua obra. Como estes ‘outros’ são muito mais que a torcida do Flamengo (na verdade eles são o conjunto de habitantes de todo o planeta!), você não tem a menor condição de saber a quem cobrar eventuais direitos, caso desconfie que alguém desta cadeia está obtendo lucro evidente sobre a divulgação de sua obra. </p>
<p>Seria o fim do direito autoral, tal como o conhecemos? Será que, conforme aconteceu até meados do século 19, toda obra de arte agora voltaria a ser de domínio público. Do que viveriam os artistas profissionais, músicos, fotógrafos, escritores?</p>
<p>As instituições ‘intermediário’, ‘agente’, ‘empresário’, aquelas figuras que ficavam entre você e o consumidor (e as quais você odiava de paixão), desapareceram do pedaço, não existem mais, não é mesmo? &#8230;Pior sem elas, deve estar pensando você agora. </p>
<p>Será?</p>
<p>Sei não. Afinal os dispositivos de mídia &#8211; tanto os primitivos quanto os modernos &#8211; têm que estar materializados em algum lugar e, mesmo que estejam agora meio ocultos, estão sendo controlados (distribuídos) por alguém. </p>
<p>A rede é basicamente, um sistema de distribuição de conteúdos, não é não? Você está confuso porque não sabe a forma que as suas obras assumiram? Se não são mais livros, não são fitas nem discos de vinil, não são mais CDs, elas são o que agora? Pois então pense, descubra que forma é esta que logo você descobrirá, exatamente, quem está distribuindo conteúdos e, quiçá, os vendendo por aí.</p>
<p>O Griot, o criador de conteúdos enfim, continua bem vivo e é dono de suas criações (sua obra gravada na sua memória ou guardada na sua gaveta), mas, depende hoje, visceralmente, de um dispositivo codificador qualquer (um estúdio, uma gráfica, um site acumulador de conteúdos) que possibilitará a feitura de cópias de sua obra, cópias estas que serão distribuídas, comercialmente ou não.</p>
<p>Dependerá também que os seus consumidores, possuam um dispositivo decodificador, um &#8216;player&#8217;, melhor dizendo (um PC, um I.Phone, um I.Pod, etc.), para poderem ter acesso às suas obras que estão contidas (a não ser que você ou alguém as apague) num dispositivo decodificador destes, pois são os players que &#8216;carregam&#8217; a sua obra por aí e eles, todos nós sabemos muito bem, não são distribuídos de graça. Logo a questão crucial é: </p>
<p>Quem comercializa estes dispositivos codificadores e decodificadores? </p>
<p>Fica evidente assim que, nesta rede, nesta cadeia de produção na qual estamos incluindo agora o &#8216;criador de conteúdos&#8217;, ele (você no caso) é o único elemento que não está sendo &#8211; do ponto de vista do lucro eventual gerado pelo sistema &#8211; remunerado. </p>
<p>Isto é líquido e certo, não é não? </p>
<p>Viram como sempre é só parar para pensar? Se você é criador de qualquer obra que julga transcendental para a raça humana (além de você e seus amigos mais chegados, claro) não se esqueça, portanto de que ela terá sempre algum valor comercial (gerando os tais direitos), mas, só depois de ser copiada e replicada num destes formatos de dispositivos de mídia em voga. </p>
<p>Logo, se alguém (além de você mesmo) está interessado em disponibilizar o acesso às cópias desta sua criação por aí, registre a sua autoria (biblioteca Nacional ou sistema Criative Commons) para que se saiba que ela é realmente sua e relaxe. Se houver qualquer tipo de exploração comercial, direta ou indireta envolvendo a sua obra, seus direitos estarão plenamente assegurados. </p>
<p>Se, por outro lado, você não quer disponibilizar sua criação de graça, ou depois de fazê-lo descobriu que o distribuidor de conteúdos ‘gratuitos’ está tendo algum lucro fortuito com a distribuição desta sua criação (sem que esta possibilidade tenha sido comunicada e aceita por você), procure um meio de cobrar a sua parte.</p>
<p>O que? Ah, sei. Você continua a não saber a quem você vai se dirigir para reivindicar supostos direitos porque, simplesmente não consegue entender onde é que suas obras estão fixadas. Nem eu. Só estou, usando o meu direito civil de especular.</p>
<p>Não esquente. É difícil mesmo entender esta história. Eu mesmo estou aqui fazendo força. Mas eu acho que já sugeri a resposta: Suas obras devem estar nos computadores de algum provedor, seguramente, gravadas neles em bits.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8211; </p>
<p><strong>Saudades da minha vitrola &#8216;Grundig&#8217;</strong><br />
O formidável mundo novo da comunicação &#8216;<em>Tudo-Em-Um&#8217;</em></p>
<p>Os românticos mais empedernidos dirão: Mas que nada! A história da comunicação humana está cheia de exemplos de grandes inovações que micaram. E mais ainda: Prognósticos anunciando a morte por anacronismo de mídias &#8216;velhas&#8217; vivem não se confirmando por ai. A TV acabou com o cinema? A fotografia acabou com pintura? Nem mesmo o dourado e charmosinho CD conseguiu acabar com velho e preto vinil!</p>
<p>Certo, está certo, mas, atente para o detalhe de que, no caso presente, a questão é bem mais complicada. </p>
<p>Trata-se de uma unificação dos suportes.  Cada vez vale menos à pena imprimir imagens e sons em fitas de celulóide ou mesmo disquinhos eletrônicos. Até mesmo a impressão de caracteres gráficos em papel (livros, jornais e revistas) está começando a virar uma técnica caduca. Estamos no limiar da novidade das novidades e ela pode ser a gota d&#8217;água.</p>
<p>Andam dizendo por aí que a internet ‘volatizou’ os dispositivos de mídia e que, por isto, não se tem como saber de quem você vai cobrar os eventuais direitos sobre suas criações, não é mesmo? Mas, raciocine usando este conceito dos velhos ‘dispositivos de mídia’: </p>
<p>Um computador, por exemplo, é ou não é, simplesmente, um destes ‘tocadores de conteúdos’, um ‘player’ como qualquer outro, por se assim dizer? (como um piano que tocasse sozinho, por exemplo) Aliás, pensando bem, o PC não é só um como vários players, diria eu. Elementar! </p>
<p>Um computador é um console de suportes de mídia, não muito diferente daqueles aparelhos &#8216;três-em-um&#8217; de quando eu era um jovem garotão: Vitrola-Rádio-gravador, para ser exato (e vejam só a confusão do futuro já se anunciando ali naquele meu elegante – e já semi-portátil- aparelho Grundig).</p>
<p>Grosso modo, o que é um PC? Acho que parece, sem tirar nem por, com uma máquina tudo em um, que ‘faz de um, tudo’. </p>
<p><em>Tudo em Um</em>: Grande sacada dos inventores da civilização digital (pois foi aí que porca torceu o rabo).</p>
<p>Ou seja, você tanto recebe conteúdos e informações como pode gravá-las ou repassá-las para quem você bem entender (repare, pois que é aí, nesta distraída malandragem de permitir que qualquer um repasse conteúdos de autoria de quem quer que seja para quem bem entender que os espertinhos da vez estão lucrando.)</p>
<p>Onde eu quero chegar com isto? É simples: As empresas que vendem os tais ‘dispositivos de mídia’, desde os PCs-consoles até os Palms e ‘mini players’ como os I.pods e I.phones, não importa o que, são parte importante da cadeia de distribuição de conteúdos e, como vimos, ganham dinheiro com isto tendo sim, efetivamente lucro com o negócio.</p>
<p>Afinal, o código que ‘lê’ os bits em que os conteúdos estão convertidos, são parte inseparável dos players que eles vendem que, por este simples raciocínio, são objetos-cópias dos conteúdos que distribuem, tanto quanto qualquer disco de vinil ou Cd (na verdade são <em>mídia /suportes</em> e <em>player/ drivers</em> ao mesmo tempo). </p>
<p>Caracterizado este fator e existindo (como existe) uma jurisprudência a respeito, a princípio, parte dos direitos autorais – e aí está o grande nó da questão – de TODOS os autores de conteúdos, poderiam eventualmente, ser cobrados mais dia menos dia, sobre o lucro destas empresas que &#8211; como pode ser atestado &#8211; vendem suportes de mídia com conteúdos de terceiros (exatamente como faz o pirata de Cds da esquina) sem pagar eventuais direitos autorais destes terceiros. </p>
<p>Este é o lado democrático da Internet, mas é também a essência da malandragem da indústria que alimenta o setor com os essenciais dispositivos de gravação e distribuição de conteúdos. </p>
<p>Deus e Diabo, mãe e madrasta, Dr. Jekyll e Mr. Hyde, um conflito de caráter ainda difuso que habita o âmago da Internet que, mais cedo ou mais tarde terá que ser resolvido.   </p>
<p>O que eu quero dizer é que, em tese, à luz das leis de direito autoral em vigor (notadamente as brasileiras), do mesmo modo em que não há como discernir, exatamente, quem é o responsável pela distribuição dos conteúdos e quem lucra com isto nesta matrix gigantesca, lucro, efetivamente, há. </p>
<p>É claro que ninguém vai querer pagar pelo que está disponível de graça, como ocorre atualmente, mas, considere o seguinte: do volume espetacular de conteúdos disponíveis na Internet, do ponto de vista da qualidade e da pertinência sócio cultural, cerca de 90% é puro lixo. Não acha não?</p>
<p>É mais ou menos evidente que, mais cedo ou mais tarde, a obra artística ou científica autêntica, o produto cultural de excelência, publicado e distribuído na rede, vai recuperar o seu valor original, inclusive financeiro, como bem de consumo, mercadoria mesmo.</p>
<p>Neste caso então, convenhamos: Se os suportes de mídia convencionais (aqueles que você podia comprar na loja como livros, CDs, etc.) estão desaparecendo onde será que os seus conteúdos foram parar? No ar? Na rede da blogsfera? Que nada. Pense: &#8216;Tudo que é humano não nos é estranho&#8217;. </p>
<p>Por esta simples razão também – a possibilidade de haver lucro incidindo sobre os conteúdos- as licenças do tipo Criative Commons podem não garantir, totalmente a isenção do pagamento de direitos pela distribuição destes conteúdos, caso fique caracterizado que alguém no sistema (que funciona em rede) está auferindo lucros relacionados, mesmo que indiretamente, com esta disponibilização desregrada. </p>
<p>É mais provável, por esta hipótese, que a batata quente poderá cair nas mãos dos sites que eu chamei acima de ‘acumuladores de conteúdos’. Ou não. </p>
<p>Diretamente ligados aos autores (com os quais as licenças CC são firmadas), estes &#8216;acumuladores de conteúdos&#8217; seriam a instancia que, no caso de uma onda de ações por direitos autorais inundar a rede, teriam que negociar com os fabricantes de Pcs e players o pagamento de parte destes direitos. </p>
<p>Por outro lado, teriam que reduzir o seu cadastro de colaboradores, passando a filtrar e selecionar autores pela qualidade ou potencial comercial de seus posts, assumindo o papel algo parecido, com o das antigas editoras de conteúdos (editoras de livros, gravadoras) da era pré internet. Será?</p>
<p>Estes ‘acumuladores de conteúdos&#8217; poderiam também optar pela criação de um programa com filtros que inviabilizassem a obtenção de downloads dos conteúdos, porventura autorizados sem cobrança de direitos (hipótese mais remota ainda, dada a complexidade e o custo destes filtros, totalmente em desacordo com filosofia de liberdade de acesso dominante na rede).  </p>
<p>Seja lá qual for, a solução deste maravilhoso embróglio em que a questão da produção de conhecimento e o futuro do direito autoral no mundo se transformou, com o advento da Internet, a solução disto tudo talvez venha como uma formidável &#8216;bola de neve&#8217;, um grande ‘jogo de empurra’ universal que, doa a quem doer, tal e qual um ‘freio de arrumação’, poderia criar as bases das relações gerais &#8211; principalmente comerciais &#8211; da Blogsfera do futuro.</p>
<p>Acredita nisto tudo que especulei ou acha que eu de leigo assumido, virei, de vez, um pirado daqueles mais doidões? </p>
<p>Não ria do leigo. Pense um pouco mais e diga alguma coisa nova sobre isto. </p>
<p>Caia na rede e seja peixe <em>dentro </em>d&#8217;água. Os de fora, com certeza, morrerão afogados e serão fritos.</p>
<p>(Ou não. Como saber?)</p>
<p><strong>Spírito Santo</strong><br />
</a></p>
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		<title>KUDURO. AfroHipHop de periferia</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 20:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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Foto:José Silva Pinto(tonspi)
Aldeia de todas as tribos
Existe uma polêmica bizantina no âmbito da musicologia acadêmica que divide, de um lado os ‘Tonalistas’ (os que afirmam que existe um sistema musical moderno e avançado, criado por sumidades burguesas européias, entre os séculos 17 e 19, supostamente, superior à uma música ‘primitiva’ praticada pelo resto do mundo) [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=48&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"></a><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><br />
<img alt="Creative Commons License" style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" /><br />
<img src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2008/12/kuduro_bunda_angolana.jpg?w=491&#038;h=339" alt="kuduro_bunda_angolana" title="kuduro_bunda_angolana" width="491" height="339" class="alignleft size-full wp-image-1231" /><br />
Foto:José Silva Pinto(tonspi)</p>
<p><strong>Aldeia de todas as tribos</strong></p>
<p>Existe uma polêmica bizantina no âmbito da musicologia acadêmica que divide, de um lado os ‘Tonalistas’ (os que afirmam que existe um sistema musical moderno e avançado, criado por sumidades burguesas européias, entre os séculos 17 e 19, supostamente, superior à uma música ‘primitiva’ praticada pelo resto do mundo) e, de outro lado, os ‘Modalistas’, aqueles que acreditam que a música, surgindo de um fenômeno físico elementar, está subordinada apenas à determinadas leis da natureza, condição a qual estão expostos todos os seres humanos, sem qualquer distinção.</p>
<p>Realmente, se na natureza <em>nada se cria, tudo se transforma</em>, enquadrando a musica neste contexto, poderíamos compreendê-la sim, como um fenômeno caracterizado pela relatividade, num âmbito onde, a rigor, não existiria qualquer possibilidade de haver modernidade, primitivismo, ou qualquer outra instância de temporalidade, nenhum certificado de superioridade para quem (ou para o que) quer que seja.</p>
<p>Como música é também sinônimo de ritmo, movimento (tudo que ouvimos se move e nos move), obviamente, o mesmo raciocínio poderia ser utilizado para se definir Dança.</p>
<p>Música e Dança, seriam assim, fenômenos circulares, como galáxias, nas quais tudo circularia em torno de um eixo (elemento que os tonalistas odeiam de paixão) no caso, uma freqüência, uma nota (ou um gesto) agregadora de outras, como um sol agregando planetas, numa lógica sistêmica, quântica, harmônica enfim.</p>
<p>Toda esta conversa fiada &#8211; e, aparentemente, maniqueísta &#8211; é apenas para introduzir o tema que o blogueiro e Dj Lucio K, chamou de <em><a href="http://www.submusica.com/2007/05/18/conheca-os-ritmos-da-periferia/">Ritmos de Periferia</a></em>, </a><a href="http://sol.sapo.pt/blogs/royal/archive/2007/03/01/Kuduro_2C00_-a-nova-voz-dos-mussekes-de-Luanda.aspx">Kuduro</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=aSwH-N9ml-Y&amp;mode=related&amp;search=">Kwaito</a>, Grime, e outras elétricas bossas afro-pops, hoje muito recorrentes e prestes a se tornar fenômenos universais.</p>
<p>Estamos propondo também, neste mesmo sentido, que o tema <em>Kuduro e afins</em>, seja discutido aqui, despido de todas as suas máscaras modernistas ou do esperto &#8211; com o perdão do trocadilho &#8211;  <em>bunda-molismo</em> fashion daqueles argutos formadores de opinião, que ficam esperando de plantão, alguma nova onda surgir, para dela se tornarem os pais descobridores.</p>
<p>Em terra de cego&#8230;</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p><strong>O vírus na maçã.</strong></p>
<p>A chamada Cultura Pop sempre foi gerada no caldeirão fervente das periferias. Obvio ululante. Mesmo a cultura HipHop, este emaranhado de atitudes sócio culturais atribuído à juventude desvalida das grandes metrópoles norte americanas, pode ser descrita, coerentemente, como o ovo do futuro, gerado no mais remoto e desprezado dos passados. Pura relatividade, portanto.</p>
<p>Sejamos francos: Não há ‘modernidade’, ‘novidade’ possível (pelo menos em se tratando de música e dança populares) fora do contexto efervescente das periferias. Fora dos guetos e favelas nada se cria. Tudo se copia. Sempre foi assim e, talvez sempre será. O eixo irradiador de toda esta fervura é o mesmo eixo de um centro econômico de cada época, cada ocasião, no caso, em nossos dias, Nova York, onde vicejaram o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rhythm_and_poetry">Rap</a>, o Street Dance, o Grafitti, manifestações criadas nas periferias da grande maçã podre, a Big Apple sem Beatles, sem MacIntosh, sem nada.</p>
<p>Cultura popular orgânica, com potência de vírus (benigno?), estas manifestações são, em ultima análise, o antídoto humanizador para o veneno intrínseco a um sistema arcaico e carcomido (pelo menos do ponto de vista cultural), totalmente ‘out’ e ‘nada a ver’.</p>
<p>Se duvidam, experimentem traçar uma linha de tempo e enxerguem (em preto &amp; branco, é claro), lá longe, nos idos dos anos 50, um grupo de negros marcando o tempo com o estalar dos dedos, criando vocais em contraponto, nas esquinas de conjuntos habitacionais infectos ou cantos de quadras de basqueteball suburbanas. Soul e Funk básicos (e ainda o velho Rock and Roll), rolando já ali naquelas manifestações atávicas, quase ancestrais.</p>
<p>Firmem a vista e vejam o que se dança nestas esquinas. Andem para trás, um pouco mais, e vejam o som das plaquetas metálicas do sapateado ecoando no paralelepípedos das ruas. Isto mesmo! É aquele mesmo sapateado do Gregory Heynes, do Sammy Davis Junior, antes mal assimilado pelos Fred Astaires de ocasião, usufruidores dos lucros do mainstream, este ambiente insípido, onde tudo que uns criam os outros copiam.</p>
<p>Saiam da Broadway, rápido, e vejam mais longe ainda o som vibrante do bate-enxadas e do baticum ritmado das botas dos trabalhadores das estradas de ferro que cruzaram os States de leste á oeste, unificando as distancias, antes, sofridamente, percorridas à cavalo ou pelas empoeiradas diligências que conhecemos nos filmes de Far West (e bota <em>Far </em>nisto). Escutem o que eles cantam.</p>
<p>Há work songs, Gospels, Spirituals, Rhytm’n’ Blues, Soul e Funk ainda rolando por ali. Querem regredir um pouco mais? Não? Ok. Já sabemos muito bem onde isto vai dar.</p>
<p>Mas, vejam bem, são cruzamentos entre vias as mais diversas, os mais inusitados caminhos. Não importa muito se são negros ou brancos os criadores dos elementos básicos desta cultura urbanopop, que nos apaixona a todos. Afinal, são meros seres humanos os criadores desta força emocional que nos mantém, a todos, unidos, vivos e felizes.</p>
<p>Os criadores são o que são – ocorre que, no caso deste nosso estranho mundo ‘moderno’, eles têm sido negros (ou não brancos, tanto faz) desde há muito tempo – É que o universo capitalista é mesmo este insano criador de periferias, pústulas urbanas, lixo debaixo do tapete, encruzilhadas e guerras. Mundo extremista, cruel (e que &#8211; cá entre nós &#8211; ainda morre disto um dia).</p>
<p>Mas, e o Kuduro? Brasileiros que somos, se focarmos mais ainda a nossa lente, vamos encontrar no Kuduro, a mais pura essência (os tonalistas também odeiam este conceito) de nossa tão ambígua e fugidia brasilidade. Duvidam?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><strong>Saudades da <em>Ala dos Malandrinhos</em></strong></p>
<p>Em minha já quase remota adolescência, ali por volta de 1960, exposto como todo mundo de meu bairro, à arte de nossa escola de Samba, me vi, certa feita, irremediavelmente, tomado pelo prazer de assistir a um ensaio de um grupo de jovens passistas, homens e mulheres, a maioria meus amigos de rua ou de esquina.</p>
<p>Por sermos pobres, mesmo sendo sábado, nos vestíamos, modestamente, com roupas de domingo. Aquele ensaio era muito especial. Eles, os amigos, haviam me dito que no dia do desfile arrasariam, vestindo calças e sapatos brancos, camisetas listadas e chapéus duros, de palhinha, evocando malandros de antigamente. Me contaram tudo em detalhes porque queriam que eu também fizesse parte do novo grupo que, a exemplo do que ocorria em outras escolas de Samba da região (Portela, Império Serrano e Mocidade Independente de Padre Miguel) se transformava num grande fenômeno suburbano, atendendo pelo curioso nome de <em>Ala dos Malandrinhos</em>.</p>
<p>Não tive jamais coragem de entrar naquela dança, deste rito de passagem eu sobrei (até hoje não consigo dançar melhor do que um ganso manco). O fato é que as <em>Alas dos Malandrinhos</em>, eram uma coisa realmente inusitada no âmbito tradicionalista das escolas de Samba e, por isto mesmo atraíam a parcela da juventude tida como a mais ‘moderninha’ do bairro.</p>
<p>Nas <em>Alas dos malandrinhos </em>não se dançava, convencionalmente, como nosso pais e avós dançavam. Ali, podíamos inventar intrincados passos, um pouco parecidos com passos de Samba, tirados, sabe-se lá de onde, de que memória ancestral. Ali se dançava, simplesmente, em conjunto, como um grupo de bailarinos disciplinados que, vez por outra partiam para solos endiabrados, como se dizia na época: <em>‘Ditos no pé’</em>.</p>
<p>Os mais velhos torciam o nariz enojados, chamando aquilo, depreciativamente, de&#8230; ‘coreografia’, acusando-nos de reles imitadores de crioulos americanos (não sabia como eles conseguiam enxergar influência estrangeira naquele samba estilizado que meus amigos faziam).</p>
<p>Mas hoje vejo que era mesmo Funk e Soul, Blackdance em suma, o que vasava daquela complexa fraseologia de passos ‘marcados’, que rolava ali na quadra, que fazia as vezes de uma esquina de um Harlen desconhecido e improvável.</p>
<p>Agora mesmo diria mais: Era a África possível pulsando no corpo da gente. Atavismo na medida certa para a nossa desmedida juventude.</p>
<p>Ontem assisti à dezenas de vídeos de jovens angolanos dançando o Kuduro. A grande coqueluche das periferias africanas, sobretudo os <a href="http://www.cplpcienciassociais.org/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=38&amp;Itemid=85">mussekes </a>de Luanda, Angola, onde dizem, o Kuduro começou. A seção de vídeos me paralizou. Me chamou, particularmente a atenção, o trio de meninos que se intitulam ‘<a href="http://videos.sapo.pt/OeVtQypyAz61JjE0Szzb">os Pupilos do Kuduro</a>’ Incrível! Minha memória se acendeu, imediatamente, iluminando tudo.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><strong>O Kuduro e nós. Teria mesmo algo a ver?</strong></p>
<p>Ku, palavra e não palavrão, parece vir do mais puro vernáculo do Kimbundo (MataKu=nádegas, assento plural de ritaku), principal língua falada em Luanda, Angola (da qual falamos centenas de vocábulos, sem saber &#8211; inclusive Ku, certo?) O sentido figurado da palavra é, exatamente, o mesmo que usamos no Brasil: Bunda (palavra aliás, oriunda também do mesmo Kimbundo), literalmente traduzida para o portugês também como nádegas.</p>
<p>O sentido da expressão Kuduro poderá ser melhor explicado por um Angolano, mas, ao que tudo indica, significa o que parece: Kuduro= Bunda imóvel, sem rebolar, o que, considerando-se que um dos movimentos fundamentais da dança angolana é o sofisticado rebolado (dos homens inclusive), é muito significativo. Algo como uma dança diferente , supostamente ‘moderna’, no âmbito das danças tradicionais que, como já disse são, extremamente, rebolativas.</p>
<p>Contudo, dança livre que é, no Kuduro também se pode rebolar, é claro, basta querer.</p>
<p>Dito isto, o Kuduro, inserido no âmbito da cultura Hip Hop, é uma dança de rua (ou uma street dance, para quem curte americanismos) Como todos os outros gêneros assemelhados, o Funk carioca e o <a href="http://video.google.com/videosearch?hl=pt-BR&amp;q=Kwaito&amp;um=1&amp;ie=UTF-8&amp;sa=X&amp;oi=video_result_group&amp;resnum=4&amp;ct=title#">Kwaito</a> (da África do Sul) é a resposta africana a avassaladora influência da indústria cultural de massa capitalista, cujo eixo como se sabe, localiza-se, desde o fim da segunda guerra mundial, na América do Norte.</p>
<p>Mas o Kuduro também é um símbolo dos mais fortes, neste momento, da enorme capacidade da resistência cultural das populações não-brancas, do outrora chamado Terceiro Mundo, diante da pressão globalizante, sinônimo evidente de aculturação.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p><strong>Kuduro Checkup</strong></p>
<p>No Kuduro angolano – e <a href="http://youtube.com/watch?v=c8v-i2VOvg4&amp;mode=related&amp;search=">vejam vocês mesmos</a> que coisa curiosa! &#8211; os passos do mix, da fusão com o break, são o mais puro e carioca dos Sambas. Incrível!</p>
<p>Acreditem, mas, os Pupilos do Kuduro, e outros <em>kuduristas </em>, quando em conjunto, dançam, quase exatamente, o que a nossa <em>Ala dos Malandrinhos </em>dançava lá naqueles bem passados anos 60. Os braços e as mãos dançam break, mas, da cintura para baixo, bundas e pernas dançam o mais desbragado dos Sambas. Pode?</p>
<p>Teria sido aquela minha saudosa rapaziada de Padre Miguel a inventora do Kuduro?</p>
<p>Alguns pesquisadores tentam explicar a estrutura da base rítmica, da batida (beat) do Kuduro por meio de teorias moderninhas ou simplificações que insistem em preconizar a importância, ao nosso ver, exagerada, das tecnologias na criação e na evolução destas danças e gêneros musicais. Os reis da parada seriam portanto os equipamentos eletrônicos (como o já velho <a href="http://www.homestudio.com.br/artigos/Art024.htm">Sampler</a>, por exemplo).</p>
<p>Apenas uma opinião, mas, é preciso cuidado porque assim, por extensão, o papel do Mocinho poderia ser atribuído a sociedade neoliberal globalizada, ao Capitalismo em suma, e ao estupendo grau de desenvolvimento tecnológico que ele propicia.</p>
<p>Besteira. Baita injustiça, sobretudo. Não há nada de novo nesta praia deserta, neste giro do prato de velha vitrola <em>hi fi</em>.</p>
<p>O Sampler e sucedâneos são, neste contexto, apenas instrumentos musicais, meios, facilitadores de registro, meros suportes. Se disponíveis estiverem, ferramentas de cultura serão. Se não estiverem, outras ferramentas se inventarão.</p>
<p>Aliás, o que um Sampler faz mesmo? Não muda nada. Copia. E haja periferia e miséria para samplear.</p>
<p>A grande sacação (e isto vem desde que o mundo é mundo) é , portanto, a capacidade do homem de tirar leite das pedras, resistir sem esmorecer jamais, reinventando linguagens, recriando sempre a partir de dados do cotidiano, subvertendo referências e sentidos comunicativos, extraídos de seu passado mais remoto, cimentando os degraus do presente, sem ilusões de modernidades vãs ou de futuro radiante.</p>
<p>Vírus no sistema. O Mocinho verdadeiro desta história– o anti herói – não é a sociedade,mas sim o homem.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><strong>Inside the Kuduro</strong><br />
(em português não ficaria melhor não)</p>
<p>Senão vejamos: Em todos os gêneros citados (entre outros), a alma do negócio é um som de caixa e contratempo. É esta a célula rítmica base, a matriz, o DNA, sobre o qual se criará os sons que bem entendermos. Poderia ser um humano baterista lá no fundo, marcando a batida, mas, fica bem mais econômico usar um som gravado.</p>
<p>No caso do <a href="http://youtube.com/watch?v=hHgvOXHULUU">Kuduro clássico</a> (como ocorre com toda coqueluche pop, as distorções e deformações aparecem rapidamente), a batida copiada (sampleada) parece ser o que se chamava nos anos 70, 80 de Kabetula, um ritmo muito popular em Luanda, semelhante ao Semba, do qual talvez seja uma variação (uma outra corrente afirma, contudo, que o Kuduro é uma variação do Kuzukuta, ritmo popular do carnaval angolano).</p>
<p>Ficou tudo em casa, no entanto, porque ambos os ritmos (como a maior parte das danças de negro do Brasil, desde, pelo menos, o século 19), tipicamente urbanos que são, vieram, provavelmente, do Kaduke, espécie de Kuduro surgido na cidade de Ambaça (Mbaka), grande centro urbano e comercial (!) lá pelos idos de 1880 (veja <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hermenegildo_Capelo">Capello e Ivens</a>), no tempo da colonização portuguesa em Angola</p>
<p>Este Kaduke, talvez tenha gerado, a partir do mesmo processo, no Brasil colonial, o Kalundu que, mesclado à danças européias como a Polka e a Mazurka (espécies de danças de periferia brancas, populares na Europa central), deram numa dança popularíssima na Corte brasileira (um Kuduro colonial) chamada de Lundu.</p>
<p>Pois não é que o Kaduke, o Kalundu e talvez até mesmo o Jongo formaram talvez, a base principal – coreográfica e musical- do que conhecemos vulgarmente hoje no Brasil como Samba?</p>
<p>Viram só? Kuduro e Samba: Tudo a ver.</p>
<p>Fenômeno recorrente, efetivamente, existem manifestações como o Kuduro em todas as periferias do mundo. Decupando a estrutura de todas elas, especialmente no que diz respeito à coreografia, encontraremos, quase que invariavelmente, a seguinte composição: Passos e gestos de Break Dance, fundidos a movimentos de uma ou mais danças tradicionais, tribais mesmo em muitos casos, existentes na cultura local.</p>
<p>Alguém já parou para pensar que na violenta e exuberante expressão coreográfica de uma multidão de jovens favelados do Rio, muitos deles portando fuzis automáticos como se fossem lanças, existem passos completamente estranhos ao novaiorquino repertório de movimentos de break original, de, entre outros, James Brown e Michael Jackson? Há break sim, mas, um pouquinho só. Há desconjuntamento de braços e punhos, movimentos robóticos, como imagens de luz negra intermitente, mas, o que será que significam os outros passos?</p>
<p>Ora, é evidente que, olhando detidamente os movimentos de dança deste Funk Carioca, iremos encontrar a mesma filosofia coreográfica do Kuduro, em nosso caso, representada por passos de umbanda e candomblé (ritmos aliás, hoje banidos de algumas favelas cariocas, dominadas pela cultura ditatorial-evangélica das milícias).</p>
<p>Assim como na África e no Brasil, na Índia, no Afeganistão, na Indonésia, a fórmula <em>beat futurista somado à tradição</em>, se repetirá. Uma lógica planetária, uma espécie de cultura global periférica se estabelecerá. Para nós brasileiros, por exemplo, o Kuduro pode vir a representar a feliz descoberta de que, embora alguns anseiem, desesperadamente, pelo nosso ingresso no clube dos brancos países desenvolvidos, fazemos parte sim – e disto muito devemos nos orgulhar- do universo paralelo da mais complexa, viva, diversificada e pujante Periferia.</p>
<p>Como, facilmente, se pode notar, o mundo roda enquanto a cultura das periferias gira, circula, como um bambolê. Somos do Overmundo, o pá! O <em>Bicho</em>, o vírus da maçã. Y love you Angola!</p>
<p>(Em tempo: Em terra de cego, quem tem um olho, infelizmente é&#8230; caolho.)</p>
<p><strong>Spirito Santo</strong><br />
Outubro 2007</p>
Posted in Artigo/Cronica, Música Tagged: Artigo <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=48&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Nei Lopes: &#8220;Consciencia Negra, modo de usar&#8221;</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/12/01/nei-lopes-consciencia-negra-modo-de-usar/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 16:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
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Neo racistas do Brasil! Desuni-vos!
O artifício da ignorancia sabida tem sido a grande trincheira defendida pelos neo racistas brasileiros um grupo bem articulado de pessoas (cujos nomes nem vale mais a pena declinar), com muito transito na grande imprensa e que, no ensejo de combater as relativamente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2735&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img alt="Creative Commons License" style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc/2.5/br/88x31.png"/><br />Esta obra está licenciada sob uma <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.5/br/" rel="license">Licença Creative Commons</a>.</p>
<p><a href="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/12/materia-do-nei.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2724" title="Matéria do Nei" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/12/materia-do-nei.jpg?w=497&#038;h=372" alt="" width="497" height="372" /></a></p>
<p><strong>Neo racistas do Brasil! Desuni-vos!</strong></p>
<p>O artifício da <em>ignorancia sabida</em> tem sido a grande trincheira defendida pelos <em>neo racistas</em> brasileiros um grupo bem articulado de pessoas (cujos nomes nem vale mais a pena declinar), com muito transito na grande imprensa e que, no ensejo de combater as relativamente bem sucedidas campanhas por ações afirmativas para a população preta do nosso país &#8211; no âmbito desta ainda tão jovem democracia brasileira &#8211; enche jornais, revistas e livros de capciosas e requentadas teorias tergiversativas, mal alinhavadas sobre velhuscas idéias de sociologos (como Gilberto Freire, por exemplo), martelando a maquiavélica e improvável tese da inexistencia do racismo no Brasil.</p>
<p><em>Ignorancia sabida</em> é aquela esperta estratégia do <em>&#8216;João-sem-braço&#8217;</em> que, <em>assim como quem não quer nada</em>, vai envenenando, minando a resistencia dos mais influenciáveis, como um diabinho que buzinando o &#8216;Mal&#8217; no nosso ouvido, tenta vender o peixe de que, o que <em>parece </em>ser o &#8216;<em>Bem</em>&#8216; não é lá tão bem assim.</p>
<p>Todo jovem excluído, segregado, apartado de seus direitos &#8211; e ainda sem saber exatamente porque &#8211; está sujeito à influencia nefasta deste tipo de intelectual do atraso, advogado do Diabo no pior dos sentidos. </p>
<p>Acho que foi para este jovem que nosso amigo <a href="http://www.neilopes.blogger.com.br">Nei Lopes</a> escreveu esta bula que reproduzo abaixo por sua aguda pertinencia:</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<em><strong>Consciencia negra, modo de usar</strong><br />
(publicado originalmente em <a href="http://www.neilopes.blogger.com.br">Nei Lopes/Meu lote</a>)</p>
<p>(Fechando a tampa das discussões do mês)</em></p>
<p><em>Quando te disserem que você quer dividir o Brasil em “pretos” e “brancos”, mostre que essa divisão sempre  existiu. Se insistirem na acusação, mostre que, neste país, 121 anos após a Abolição, em todas as instâncias, o Poder é sempre branco. E que até mesmo como técnicos de futebol ou carnavalescos de escolas de samba, os negros só aparecem como exceção.</em></p>
<p><em>Quando, ainda batendo nessa tecla, te disserem que o Brasil é um país mestiço, concorde. Mas ressalve que essa mestiçagem só ocorre, com naturalidade, na base da pirâmide social, e nunca nas altas esferas do Poder. E que o argumento da “mestiçagem brasileira” tem legitimado a expropriação de muitas das criações do povo negro, do samba ao candomblé.</em></p>
<p><em>Quando te jogarem na cara a afirmação de que a África também teve escravidão, ensine a eles a diferença entre “servidão” e “cativeiro”. Mostre que a escravidão tradicional africana tinha as mesmas características da  constituição em outras partes do mundo, principalmente numa época em que essa era a forma usual de exploração da força de trabalho. Lembre que, no escravismo tradicional africano, que separava os mais poderosos dos que nasciam sem poder, o bom escravo podia casar na família do seu senhor, e até tornar-se herdeiro. E assim, se, por exemplo, no século XVII, Zumbi dos Palmares teve escravos, como parece certo, foi exatamente dentro desse contexto histórico e social.</em></p>
<p><em>Diga, mais, a eles que, na África, foram primeiro levantinos e, depois, europeus que transformaram a escravidão em um negócio de altas proporções. Chegando, os europeus, ao ponto de fomentarem guerras para, com isso, fazerem mais cativos e lucrarem com a venda de armas e seres humanos.</em></p>
<p><em>Diga, ainda, na cara deles que, embora africanos também tenham vendido africanos como escravos, a África não ganhou nada com o escravismo, muito pelo contrário. Mas a Europa, esta sim, deu o seu grande salto, assumindo o protagonismo mundial, graças ao capital que acumulou com a escravidão africana. Da mesma que forma que a Ásia Menor, com o tráfico pelo Oceano Índico, desde tempos remotos.</em></p>
<p><em>Quando te enervarem dizendo que “movimento negro” é imitação de americano, esclareça que já em 1833, no Rio, o negro Francisco de Paula Brito (cujo bicentenário estamos comemorando) liderava a publicação de um jornal chamado O Homem de Cor, veiculando, mesmo com as limitações de sua época, reivindicações do povo negro. Que daí, em diante, a mobilização dos negros em busca de seus direitos, nunca deixou de existir. E isto, na publicação de jornais e revistas, na criação de clubes e associações, nas irmandades católicas, nas casas de candomblé&#8230; Etc.etc.etc.</em></p>
<p><em>Aí, pergunte a eles se já ouviram falar no clube Floresta Aurora, fundado em 1872 em Porto Alegre e ativo até hoje; se têm idéia do que foi a Frente Negra Brasileira, a partir de 1931, e o Teatro Experimental do Negro, de 1944. Mostre a eles que movimento negro não é um modismo brasileiro. Que a insatisfação contra a exclusão é geral. Desde a fundação do “Partido Independiente de Color”, em Cuba, 1908, passando pelo movimento “Nuestra Tercera Raíz” dos afro-mexicanos, em 1991; pela eleição do afro-venezuelano Aristúbolo Isturiz como prefeito de Caracas, em 1993; pelo esforço de se incluírem conteúdos afro-originados no currículo escolar oficial colombiano no final dos 1990; e chegando à atual mobilização dos afrodescendentes nas províncias argentinas de Corrientes, Entre Rios e Missiones, para só ficar nesses exemplos.</em></p>
<p><em>Quando, de dedo em riste, te jogarem na cara que os negros do Brasil não são africanos e, sim, brasileiros; e que muitos brasileiros pretos (como a atleta Fulana de Tal, a atriz Beltrana, e o sambista Sicraninho da Escola Tal) têm em seu DNA mais genes europeus do que africanos, concorde. Mas diga a eles que a Biologia não é uma ciência humana; e, assim, ela não explica o porquê de os afrobrasileiros notórios serem quase que<br />
invariavelmente, e apenas, profissionais da área esportiva e do entretenimento. E depois lembre que a Constituição Brasileira protege os bens imateriais portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira e suas respectivas formas de expressão. E que a Consciência Negra é um desses bens intangíveis.</em></p>
<p><em>Consciência Negra – repita bem alto pra eles, parafraseando Leopold Senghor – não é racismo ou complexo de inferioridade e, sim, um anseio legitimo de expansão e crescimento. Não é separatismo, segregacionismo, ressentimento, ódio ou desprezo pelos outros grupos que constituem a Nação brasileira.</em></p>
<p><em>Consciência Negra somos nós, em nossa real dimensão de seres humanos, sabendo claramente o que somos, de onde viemos e para onde vamos, interagindo, de igual pra igual, com todos os outros seres humanos, em busca de um futuro de força, paz, estabilidade e desenvolvimento.</em></p>
<p><em><strong>Nei Lopes</strong></em></p>
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			<media:title type="html">Matéria do Nei</media:title>
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		<title>Meu umbigo em festa: Nei Lopes falou e disse!</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/11/30/meu-umbigo-em-festa-nei-lopes-falou-e-disse/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 12:59:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Em algum momento ali pelo ano de 2002 e 2003 comentei com o Nei Lopes que não sabia o que fazer com um calhamaço de cerca de 50 páginas que havia escrito sobre a formação das baterias de Escolas de Samba do Rio de Janeiro.
Me intrigava a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2631&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img alt="Creative Commons License" style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc/2.5/br/88x31.png"/><br />Esta obra está licenciada sob uma <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.5/br/" rel="license">Licença Creative Commons</a>.</p>
<p><a href="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/11/stormyweather.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2633" title="stormyweather" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/11/stormyweather.jpg?w=497&#038;h=389" alt="" width="497" height="389" /></a></p>
<p>Em algum momento ali pelo ano de 2002 e 2003 comentei com o <a href="http://www.neilopes.blogger.com.br/">Nei Lopes</a> que não sabia o que fazer com um calhamaço de cerca de 50 páginas que havia escrito sobre a formação das baterias de Escolas de Samba do Rio de Janeiro.</p>
<p>Me intrigava a falta de um estudo meticuloso sobre o tema e eu mesmo já havia me envolvido numa pendenga com a Liga Independente das Escolas de Samba (eu era jurado dos desfiles da Sapucaí no quesito Bateria) por conta de meus pontos de vista a respeito do tema, incompatíveis com os interesses de uns e outros.</p>
<p>Mordido por ter sido defenestrado do júri da LIESA por conta destes pontos de vista, digamos&#8230; politicamente incorretos para aquela vetusta galera da cúpula do Samba, escrevi mais e mais, seguindo o conselho que Nei me dera, de pronto, naquela ocasião:<br />
<em><br />
_&#8221;Faz um livro, ora!&#8221;</em></p>
<p>O livro está pronto desde 2004. Nei é o luxuoso prefaciador. Agora estou sabendo que ele é fã. Nem sei o que dizer de tão orgulhoso. Afinal ele sempre foi o principal incentivador e &#8216;padrinho&#8217; do livro que, quem sabe agora sai.</p>
<p>Tá aí em baixo o que ele disse agora:</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p><em>&#8220;Consciência Negra:<br />
A TEMPESTADE QUE ABALOU O SAMBA</em></p>
<p><em>Antônio Espírito Santo, músico e pesquisador da pesada, fundador do fundamental grupo Vissungo, que, nesta Semana da Consciência Negra retoma sua importante trajetória, é autor de um livro ainda inédito. Nesse livro, ele analisa, com visão de etnomusicólogo, mas de dentro, o que vem acontecendo com o samba das escolas.</em></p>
<p><em>A certa altura do livro (“O samba e o funk do Jorjão”, 2004), o nosso “Espírito” registra uma informação do sambista Marimbondo, figuraça de Rocha Miranda, que, juntamente com seu inesquecível parceiro J. Canseira, marcou época no nosso ambiente, na década de 1970.</em></p>
<p><em>Na informação, Marimbondo conta que “por volta de 1937/38 [sic], por conta do enorme sucesso de um filme musical hollywoodiano (&#8230;) no qual, talvez pela primeira vez no Brasil, negros reais (e não brancos pintados) foram vistos dançando ‘swing’, este gênero virou coqueluche entre os jovens cariocas. Concursos de dança do ‘swing’ eram organizados nas favelas e subúrbios, com prêmios inusitados, tais como frangos e leitões assados para os primeiros colocados”.</em></p>
<p><em>Lendo isso no grande livro inédito do nosso “Espírito”, não pudemos conter o grito do índio do Gonçalves Dias: “— Meninos, eu vi !”.E vimos, mesmo.</em></p>
<p><em>Vimos no Irajá, na década de 1950, os negões bacanas da Vila Rangel e adjacências, no sábado de carnaval, às vésperas de envergarem os vistosos jaquetões tipo saco, calças boquinha, chapéus copa-norte e sapatos de couro de cobra com que desfilavam nas alas dos Impossíveis, dos Nobres, da Corte, na Portela e no Império, dançando, suando, abastecidos por um suculento angu à baiana, dançando&#8230; Sabem o quê? Suíngue (abrasileiramos a escrita, pra evitar más interpretações).</em></p>
<p><em>Tudo isso por conta do filme citado pelo Marimbondo. Filme esse chamado “Stormy Wheater” (no Brasil, “Tempestade de Ritmos”), lançado em 1943, e que – pelas razões apontadas lá em cima – foi o formatador do figurino e da aparência do samba e dos sambistas das escolas em seus tempos áureos. Inclusive nas gafieiras. E nos cabelos esticados no salão do Jaime, na Avenida Mem de Sá.</em></p>
<p><em>Lembramos disso, nesta Semana da Consciência Negra para afirmar que a absorção do suíngue (dança) e do “boogie-woogie” (estilo jazzístico) pelo universo do samba deu-se por um fenômeno espontâneo de identificação dos sambistas daquele tempo com um universo paralelo ao seu, e, ainda por cima, glamurizado pelo cinema.</em></p>
<p><em>No filme, viam-se pela primeira vez, como escreveu o brilhante Espírito Santo, “negros reais e não brancos pintados de preto”, tocando, dançando e cantando alegremente. E isso tudo era muito diferente do que ocorre hoje, quando o universo “black” é imposto em escala planetária, mas apenas para vender tênis, jaquetas, bonés, camisetas&#8230; E até armas.</em></p>
<p><em>Mas é assim mesmo. Capitalismo é isso aí! Tanto que “Boogie-Woogie” hoje é apenas nome de favela. “Swing” é só sacanagem. E até o nome do “Espírito Santo” é usado pra se lavar dinheiro.&#8221;</em></p>
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		<title>Mia Couto:Uma história contra o medo</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 15:59:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[
Uma resenha de Terezinha Pereira
Medo, pavor, temor, horror. Quem nunca pelou-se de medo meio a uma situação verdadeira  de perigo ou mesmo imaginária? Ter medo do escuro, de almas penadas, da própria sombra&#8230;. Ui! Ui! Quem já sentiu tais ou outros medos? Ou não sentiu&#8230;&#8230;.. Começo assim por causa de um livro que li [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2706&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/11/o-gato-e-o-escuro.jpg"><img src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/11/o-gato-e-o-escuro.jpg?w=453&#038;h=478" alt="" title="O gato e o escuro" width="453" height="478" class="aligncenter size-full wp-image-2707" /></a></p>
<p><strong>Uma resenha de Terezinha Pereira</strong></p>
<p>Medo, pavor, temor, horror. Quem nunca pelou-se de medo meio a uma situação verdadeira  de perigo ou mesmo imaginária? Ter medo do escuro, de almas penadas, da própria sombra&#8230;. Ui! Ui! Quem já sentiu tais ou outros medos? Ou não sentiu&#8230;&#8230;.. Começo assim por causa de um livro que li nesses dias. Li. Reli. Tresli. A história está catalogada como literatura infantil,  infanto-juvenil. Mas, sei não&#8230;.</p>
<p>O autor, Mia Couto, nasceu num país do lado de lá da África, em  Moçambique, numa terra pequena chamada Beira, que fica à beira do Oceano Índico. Diz ele que lá, aprendeu a ser menino por toda a vida.  Que lá, a maior parte dos habitantes não sabe ler, não sabe escrever. Porém&#8230; porém&#8230; eles sabem contar histórias. Melhor ainda. Sabem ouvir. Que as gentes de lá guardam a meninice dentro de si e têm a crença de que o olhar de criança é importante para ser feliz e produzir felicidade para os outros. Por causa desse seu pensar, escreveu para os mais pequenos uma história contra o medo. Como personagem escolheu um gato de cor, ora uma, ora outra e o pôs no escuro. À história, deu o nome de “O gato e o escuro”.</p>
<p>	“O gato e o escuro” foi publicado em Portugal em 2001. Ao Brasil, esse presente chegou neste ano de 2008. Um mimo  para  os meninos pequenos e também os de mais tamanho e tempo de vida, os que conservam  em seu interior a meninice, nem que seja um tiquinho só. Graças ao bom senso da editora “Companhia das Letrinhas”, o livro foi editado com a grafia do português de Moçambique. </p>
<p>Um deslumbramento de escrita recontada nos desenhos da premiada ilustradora mineira Marilda Castanha. Para Marilda, ilustrar as várias imagens poéticas do livro de Mia Couto, desvendar os medos escuros _ com suas luzes e suas sombras e ilustrar as várias imagens poéticas foi delicioso. Para o leitor&#8230;. sei não. Sei não, se teria eu palavras para explicar o que fiquei pensando desse conto. Delicioso? É pouco.</p>
<p>Contar ao leitor a história “O gato e o escuro”, isso não vou. Mas, vou deixar-lhe algumas dessas imagens poéticas que a ilustradora captou no texto, para que faça a sua imagem da história. Mais. Caso o legente ainda não tenha sido surrupiado de toda a sua curiosidade e ainda tenha  intenção de saber o que há além do horizonte, correrá o risco de, ligeiro, sair em busca de “O gato e o escuro”.</p>
<p>Prepare-se para viajar pela poesia que vem enxertada na narrativa. Para começar, vou-lhe dar uma imagem. Mas só do comecinho. O tal gato personagem,  que traspassa de uma cor para outra e para outra, aparece preto-escuro, sentado no cimo do livro da própria história. E as imagens poéticas? Acontecem:</p>
<p>“&#8230; o gatinho gostava passear-se nessa linha onde o dia faz fronteira com a noite. Faz de conta o pôr-do-sol fosse um muro. Faz mais de conta ainda os pés felpudos pisassem o poente.” Consegue imaginar uma cena assim? </p>
<p>Lá vão outras:</p>
<p>“Namoriscando o proibido, seus olhos pirilampiscavam.”  “À medida que avançava, seu coração tiquetaqueava.” “Só quando desaguou na outra margem do tempo ele ousou despersianar os olhos.” “Nada sobrava de sua anterior gateza. E o escuro, triste, desabou em lágrimas.” “E os olhos do escuro se amarelaram. E se viram escorrer, enxofrinhas, duas lagriminhas amarelas em fundo preto.” “Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro mora quem lá inventamos.”  “_ &#8230; Somos nós que enchemos o escuro com nossos medos.” “ Metade de seu corpo brilhava, arco-iriscando.”  “Quando a mãe olhava o escuro, a mãe ficava com os olhos pretos. Pareciam cheios de escuro. Como se engravidassem de breu, a abarrotar de pupilas.” </p>
<p>E aí? Pode imaginar a história?  Pode ver um gato preto, enroscado do outro lado do mundo?  (E&#8230;. qual seria o outro lado do mundo? )</p>
<p>Diz o autor que, “se fizermos como o gato desta história, o Mundo inteiro se transforma num brinquedo. E nós poderemos, então, perder o medo de sermos felizes.” </p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; </p>
<p>*Terezinha Pereira é graduada em Letras pela UFMG, pós-graduada em EAD-Educação a Distância pelo SENAC/MG,  faz parte da ALPM _ Academia de Letras de Pará de Minas</p>
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		<title>&#8220;Beija-me!&#8221;: Pará de Minas evoca seu filho Benjamim</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/11/26/beija-me-patos-de-minas-evoca-seu-filho-benjamim/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 16:28:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;

&#8220;O carro-chefe do Projeto Afro-atitude 2009 é a peça “Beija-me” montada pelo Grupo Cênico Tatu Bola com texto de Terezinha Pereira e do grupo. A direção e a produção são de Rony Morais. O espetáculo vem sendo trabalhado pelos atores e diretor desde o mês de julho deste ano. O grupo recebeu seis premiações em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2698&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/11/beija-me-a-peca.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2699" title="BEIJA-ME, A peça" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/11/beija-me-a-peca.jpg?w=497&#038;h=695" alt="" width="497" height="695" /></a></p>
<p>&#8220;O carro-chefe do Projeto Afro-atitude 2009 é a peça “Beija-me” montada pelo Grupo Cênico Tatu Bola com texto de Terezinha Pereira e do grupo. A direção e a produção são de Rony Morais. O espetáculo vem sendo trabalhado pelos atores e diretor desde o mês de julho deste ano. O grupo recebeu seis premiações em dois festivais de teatro que participou este ano, sendo o último em nível nacional. No FETO &#8211; Festival Estudantil de Teatro, a peça conquistou, dia 20 de Novembro último, três prêmios: Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Conjunto de Atores. Também foi indicado como Melhor Texto e Melhor Espetáculo. A peça vem sendo apresentada com o objetivo de mostrar a toda população da cidade a história do primeiro palhaço negro do Brasil. <a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2009/10/15/nego-beijo-nego-fugido-que-veio-a-luz/">Benjamin de Oliveira</a>, personagem marcante da cena cultural brasileira, nascido na cidade e, portanto, um de seus filhos mais ilustres. Ele foi um lutador que, de salto em salto, se mostrou fenomenal numa época que, sem dúvida, ser negro jamais seria sinônimo de sucesso.&#8221;</p>
<p>Kátia Honório</p>
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			<media:title type="html">BEIJA-ME, A peça</media:title>
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		<title>Ulelelé! Grupo Vissungo no Youtube</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2009/11/14/1962/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 14:37:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

In July 1988, with an invitation to travel to Europe, the Group Vissungo &#8217;starred&#8217; this interesting video that marked its strong position to follow the vocation &#8216;Brazilian afrobeat&#8217;, a musical trend completely unknown &#8211; and unthinkable &#8211; for the too americanized brazilian musical scene of the occasion.
O&#8217;afro-beat [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=1962&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img alt="Creative Commons License" style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc/2.5/br/88x31.png"/><br />Esta obra está licenciada sob uma <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.5/br/" rel="license">Licença Creative Commons</a>.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2009/11/14/1962/"><img src="http://img.youtube.com/vi/c4KSqA9bnSY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>In July 1988, with an invitation to travel to Europe, the <a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2008/05/13/grupo-vissungo-musica-preta-nos-anos-70/">Group Vissungo</a> &#8217;starred&#8217; this interesting video that marked its strong position to follow the vocation &#8216;Brazilian afrobeat&#8217;, a musical trend completely unknown &#8211; and unthinkable &#8211; for the too americanized brazilian musical scene of the occasion.</p>
<p>O&#8217;afro-beat &#8216;was a trend considered &#8216;european&#8217; by the Brazilian phonographic market and its&#8217; Majors&#8217; in their close view of the market reserve for the&#8217; black music &#8216;Motow post (not to mention that in our tough and systemic racism who preferred a black Brazilian music more&#8230;domesticated)</p>
<p>Managed fairly creative for that time by Flavio Razemblat, the film, a dusty VHS tape was left in a cardboard box for all these years.</p>
<p>The moovment implemented on the Internet about the desired &#8216;revival&#8217; of the band, gave more life to this old document.</p>
<p>Ulelele!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Em julho de 1988, já com um convite para viajar para a Europa, o <a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2008/05/13/grupo-vissungo-musica-preta-nos-anos-70/">Grupo Vissungo</a> &#8216;estrelou&#8217; este interessante vídeoclip que marcava a sua firme posição de seguir a vocação <em>&#8216;Brazilian afrobeat&#8217;</em>, uma tendência musical totalmente desconhecida &#8211; e impensável &#8211; para a excessivamente americanizada cena musical brasileira da ocasião.</p>
<p>O<em>&#8216;afro-beat&#8217;</em> era uma tendência considerada &#8216;européia&#8217; pelo mercado fonográfico brasileiro e suas &#8216;majors&#8217; gringas, em sua estreita visão de reserva de mercado para a <em>&#8216;black music&#8217; </em>pós Motow (isto sem falar em nosso sistêmico e renitente racismo que preferia uma música negra brasileira mais..domesticada).</p>
<p>Dirigido de forma bastante criativa para a época por Flavio Razemblat, o filme, uma fita VHS empoeirada, estava esquecido numa caixa de papelão por todos estes anos.</p>
<p>O agito implementado na Internet acerca do ansiado &#8216;revival&#8217; da banda, resuscitou mais este alfarrábio.</p>
<p>Ulelelé!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br />
<a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2008/01/10/curta-este-sonho-como-uma-corrente/"></a></p>
Posted in Artigo/Cronica  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/1962/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/1962/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/1962/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/1962/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/1962/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/1962/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/1962/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/1962/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/1962/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/1962/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=1962&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Orfeu Negro- Marcel Camus</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 21:20:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Assisti o filme Orfeu Negro do Marcel Camus ainda criança. Revi agora e chorei feito criança, de novo. Saudosismo sim. Saudade de como éramos crianças felizes naquela pobreza mansa dos anos 50/60, na otimista virada do pós guerra.
Só pelo jeito diferente, leve, livre e solto &#8211; quase a voar como passarinhos &#8211; como a gente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2595&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2009/11/13/2595/"><img src="http://img.youtube.com/vi/v0jZRkFtksI/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Assisti o filme <a href="http://kiminda.wordpress.com/2008/07/12/morre-breno-mello-o-orfeu-negro/">Orfeu Negro</a> do Marcel Camus ainda criança. Revi agora e chorei feito criança, de novo. Saudosismo sim. Saudade de como éramos crianças felizes naquela pobreza mansa dos anos 50/60, na otimista virada do pós guerra.</p>
<p>Só pelo jeito diferente, leve, livre e solto &#8211; quase a voar como passarinhos &#8211; como a gente sambava dá pra ver como éramos felizes e não sabíamos.</p>
<p>Se você não se emocionar é porque já embruteceu de vez, neste Brasil estúpido em que nos tornamos, deixando crianças morrerem pelas ruas como pardais doentes.</p>
Posted in Artigo/Cronica Tagged: 20-de-novembro, barack-obama, Breno Mello, Cinema, Cultura-e-sociedade, Dia-da-Consciencia-Negra, Direitos-civis, Elogio-à-mestiçagem, Festival de Cannes, Jesse-Jackson, ku-klux-kan, Linguagem, Marcel Camus, Marpessa Dawn, Os-Africanos-no-Brasil, Palma de Ouro, racismo, racismo-a-brasileira, Spirito Santo, Vinicius de Moraes, zumbi <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/2595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/2595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/2595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/2595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/2595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/2595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/2595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/2595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/2595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/2595/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2595&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Vale Negro: Festa, Folia e Festim #03/Epílogo</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 21:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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Foto Marcus V. Garcia / 2009

(Será que espetáculo pode parar para o almoço?)
 &#8220;Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. &#8220;
Ao que parece, embora os &#8216;moderninhos da vez&#8217; ainda não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2540&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"></a><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><br />
<img style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /><br />
<img class="size-medium wp-image-2545 aligncenter" title="cortejobm_246" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/11/cortejobm_246.jpg?w=452&#038;h=300" alt="cortejobm_246" width="452" height="300" /></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Foto Marcus V. Garcia / 2009<br />
</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Será que espetáculo pode parar para o almoço?)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> &#8220;Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. &#8220;</em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Ao que parece, embora os &#8216;moderninhos da vez&#8217; ainda não tenham se dado conta, a espetacularização de manifestações culturais– razão de nossa conversa &#8211; talvez seja um fenômeno bem mais recorrente do que se pensa, se poderia dizer até que ele é intrínseco ao desenvolvimento cultural de qualquer sociedade. Ou seja, um conceito objeto de teses e teorias que&#8230;&#8217; chovem no molhado&#8217;.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Já pensaram nisto?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">A este respeito, apenas por ironia &#8211; ou só para apimentar a discussão &#8211; eu poderia chamar a atenção dos leitores para o seguinte:</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Acho que existem, grosso modo, duas correntes de pensamento embasando o discurso daqueles que pregam uma atitude menos <em> fundamentalista</em> em relação à preservação da cultura tradicional no Brasil.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Uma se aferra à discutível crença de que o que chamamos de Tradição, como tal, na verdade nem existiria já que, sendo mera representação simbólica de certo momento histórico, as tradições poderiam ser aleatoriamente forjadas, segundo os interesses mais diversos de grupos sociais em aliança ou em conflito, segundo fatores os mais imponderáveis e imprevisíveis.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Pode ser verdade sim, mas&#8230; E daí?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">A outra corrente, &#8216;antiessencialista&#8217;, um pouco mais sofisticada &#8211; e, por sua perniciosidade mais discutível ainda &#8211; é aquela que preconiza que em tempos pós-modernos, não haveria mais um fator original, seminal, uma tendencia, uma vocação enfim, alimentando e dando sentido às manifestações culturais em geral o que, por extensão, anularia a possibilidade de existirem características específicas, &#8216;peculiaridades em suma, na cultura de um grupo social ou étnico em relação a outros.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Tudo se resumiria a uma espécie de &#8216;Geléia Geral&#8217; do Gilberto Gil. Em vez da festa, o &#8216;Fuzuê&#8217;, a mestiçagem existencial, enfim.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Confuso, né? Sei lá. São posições que também, para mim, não fazem o menor sentido (será que por estar ultimamente lendo apenas orelhas e resenhas de livros acabei entendendo tudo às avessas? Se for isto, não se omitam. Me corrijam logo, por favor.)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">O que importa é que acabei concluindo que o conceito invenção de tradições – uma obviedade em termos, vamos combinar &#8211; não deveria ser visto assim como uma prática social &#8216;inventada&#8217; pelo Eric Hobsbawm, por exemplo, do mesmo modo que certas complexas minúcias e mumunhas ocorridas nas trocas e relações socioculturais na sociedade atual não foram &#8216;inventadas&#8217; pelo Nèstor Canclini.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Logo, se é que existe pós modernidade – com o perdão da &#8216;heresia&#8217; – ela, neste caso, não teria rigorosamente nada a ver com isto.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Quem quiser que aponte outros, mas o que estes emblemáticos pensadores, ao que tudo indica, fizeram foi apenas descobrir &#8211; e tentar explicar para simples mortais como nós &#8211; fenômenos velhos de guerra, que marcam nossos humanos jeitos de ser desde&#8230; Sei lá&#8230; Desde as cavernas.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Desculpem a aparente erudição numa hora destas, mas acho que andam fazendo das teorias destes doutos mestres, meras &#8216;teses-pretextos&#8217;)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Ai! Como estas falsas gambiarras e bandeirinhas de pós modernidades cansam a beleza dos festeiros mais cascudos.)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Querem ver só uma prova de como a idéia de se espetacularizar cultura é uma moda antiga, que não tem nada a ver com pós modernidade?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Vocês se lembram daqueles autos teatrais encenados pelos jesuítas nas colônias da África &#8211; e aqui mesmo no Brasil &#8211; no século 16? E do Padre José de Anchieta, aquele frei meio metido a santo que, pelo que disseram, rabiscava quadrinhas à Virgem Maria nas areias de uma praia dessas aí, perto de Paraty, sei lá. Lembram?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Pois ele já espetacularizava a cultura indígena escrevendo peças de teatro de rua &#8211; com música e dança – algo inspiradas, aliás, no trabalho de outro Gil (Vicente) um teatrólogo mui afamado na metrópole lusitana. No &#8216;Auto de São Lourenço&#8217;, inventado&#8217; por ele já se podia entrever claramente alguma fusão dramatúrgica de elementos artísticos, das tradições culturais dos ameríndios e dos europeus, num &#8216;mix&#8217; que devia ser interessantíssimo.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Este modelo de festa de rua, ideologicamente voltado para a engambelação de índios e africanos, </a><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">a sua submissão </a><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">à fé cristã,  ao domínio do Branco enfim, é até hoje o modelo mais bem sucedido de espetacularização conhecido entre nós. Ora, e o que era aquilo senão, nada mais nada menos, do que uma tradição inventada?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em>&#8220;Na natureza nada se cria tudo se transforma&#8221;:_ Olha o Lavoisier, aí gente! </em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Perceberam? Já estava tudo ali, na mais velhusca das filosofias (E desconfio até que era isto mesmo que os Hobsbawms e os Canclinis da vida estavam tentando nos dizer.)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Pois foi nesta constatação óbvia, nesta fonte bem &#8216;feijão-com-arroz&#8217;, que este autor, na qualidade de palpiteiro convidado do Cortejo das Tradições de Vassouras foi beber, no ensejo de apresentar a sua proposta.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Fui sim, mas fui com barbas de molho, pois não estava suficientemente claro porque diabos não foram logo montando a festa no formato já consagrado, tão à vista de todos? Porque teriam se exposto ao mico de inventar, justamente a tradição errada?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Afinal de contas, as referências insinuadas pelo modelito fracassado anterior sempre foram, descaradamente sucessoras deste formato <em>afro-indígena-luso-jesuítico</em> inventado pelo Anchieta (sem dúvida alguma, pelo menos neste aspecto, o primeiro carnavalesco deste nosso Pindorama).</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Bastava, portanto transformar. Ou seja: A questão não era bem <em>ter ou não ter</em> um&#8230; carnavalesco. A questão era <em>estar ou não estar </em> antenado na cultura local, sem prepotencia sabichona.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Pois foi assim que, desviando dos poucos percalços aqui e ali que a tal reformatação da festa aqui descrita foi posta à prova (e nisto não vos irei enganar: Existiram sim fortes &#8211; embora sutis e veladas &#8211; pressões para o formato antigo perdurar).</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Que deu frio na espinha deu.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><strong>A Estrutura para o &#8216;novo &#8216;Cortejo das Tradições&#8217; de Vassouras em 2009</strong>:</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Tal como foi proposto ao coletivo de grupos e à direção do Cecult/USS)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> &#8220;Os grupos, em tempo determinado, se encaminharão para a praça em separado, cada grupo definindo o seu figurino e a maneira como se conduzirá (se andando, se dançando) segundo seus próprios hábitos corriqueiros ou tradicionais, até irem se encontrando e se juntando a um cortejo simples (sem o conteúdo carnavalizado) se encaminhando para a praça onde as apresentações se darão concomitantemente, segundo uma organização discreta (o telão é que as separará no ato de exibi-las, ou seja, a assistência é que vai circular entre os eventos, livremente enquanto o telão seleciona uma ordem de exibição qualquer, bem dinâmica)&#8230; </em>.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Bem, até aí foi, exatamente assim, que as coisas rolaram. Como um relógio. Segundo os prognósticos do Cecult USS, um público recorde de cerca de 5000 pessoas assistiu a festança na praça.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">A partir daí sim, foi só foguetório, cachaça e alívio. Ufa!</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><strong>Os grupos e manifestações participantes: </strong></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Segundo trechos do texto usado na locução do evento)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> &#8220;Vindas de muito longe, das ruas da Corte Imperial&#8230; as Folias de Reis de hoje em dia muito mais incrementadas que as de ontem, são como dizia Mário de Andrade, uma Dança Dramática na acepção da palavra&#8230; Com mais tambores ainda, sanfona, impressionantes palhaços e muita cantoria, elas contam de porta em porta a emocionante saga do nascimento do Menino Jesus.</em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em>&#8220;&#8230;Tudo indica que a Caninha Verde veio da antiga ‘Dança de Paus’ européia ou, no nosso caso, de Portugal. O nome também sugere que a dança vem do tempo do ciclo da cana de açúcar aqui na região. &#8230;</em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em>&#8220;&#8230; Uma Ata da câmara Municipal de Vassouras de 5 de fevereiro de 1893 dava conta de ter sido banida, varrida da freguesia, a praga das hordas de desordeiros conhecidos como capoeiras. Hoje a Capoeira não é de Vassouras, não é do Rio de Janeiro e muito menos da Bahia. A Capoeira agora é do mundo inteiro.</em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em>&#8220;&#8230;Calango é música de roça, cantada nos fundos das fazendas por peões e campeiros, de improviso&#8230; Dois desafiantes &#8230; terçando versos, sempre satirizando um ao outro, como num combate verbal  mesmo, no qual o mais ridicularizado é o perdedor. Fora isto pouco se escreveu sobre o Calango&#8230; </em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Foi isto. Os mais atentos devem ter percebido que, entre grupos confirmados para participar do evento, a maioria era formada por aqueles que praticavam manifestações que – inventadas ou desinventadas- já estavam carecas de saber como atuar em espetáculos, em grandes festas de rua.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Este era o caso flagrante das Folias de Reis, por exemplo, entre todas, a única manifestação da região realmente ambulante, apta para desfiles (cortejos, no caso), excelente para animar e eletrizar uma cidade.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Com exceção da ênfase e da prioridade que, por razões óbvias, se deu a este tipo de manifestação não havia realmente nada a se reinventar neste aspecto.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Eu sei. Eu sei. Ficou faltando falar do Jongo, mas – se me permitem a ressalva – Jongo, em se tratando de espetacularização, é mesmo um capítulo à parte)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><strong>Jongo de ponto amarrado</strong></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">A &#8216;Morte Matada&#8217; das tradições.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> &#8220;Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia.</em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em>A transformação permanente do Tabu em totem.&#8221; </em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Atentem para este fato (não tem nada de engraçado, mas garanto que tem tudo a ver):</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Dos cinco grupos de Jongo participantes da festa de Vassouras neste ano de 2009 (Jongo de Arrozal, Jongo de Pinheiral, Jongo de Barra do Piraí, Caxambu Renascer de Vassouras e Jongo do Quilombo São José) todos são ou estão em vias de virar instituições legalizadas (Pontos de Cultura ou ONGs), habilitados, portanto para a captação de recursos no campo do MinC (alguns com efeito até já conseguiram este o benefício, estando hoje às voltas com a inusitada experiência de gerí-lo)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Parece bacana, não?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Mas não. É que se anunciou como um problema o fato de os grupos não possuírem nenhuma experiência de gestão jurídico financeira anterior, o que os tornava de um modo ou de outro, dependentes de agentes e intermediários &#8216;de fora &#8216; de seu contexto social.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(É bom se destacar logo de saída &#8211; e com a devida ênfase &#8211; que entre todos os bons aspectos propostos pela equipe de formuladores da reformatação do Cortejo das Tradições para 2009, o reconhecimento destes direitos dos grupos foi reafirmado como prioritário em todos os encontros. Há inclusive uma interessante experiência de incubação e capacitação de gestores no âmbito do grupo de caxambu local, por iniciativa do Cecult USS /Vassouras.)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Barra limpa para alguns intermediários, mas, contudo aí também moram outros candentes perigos.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Como único efeito positivo de um controvertido processo de &#8216;tombamento&#8217; ou &#8216;registro&#8217; de bens culturais imateriais no Brasil, o certo é que se abriram inúmeros mecanismos de captação de recursos oriundos da  Renúncia Fiscal.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">O efeito negativo é que isto gerou uma espécie de  corrida do ouro, iniciada ali por volta do ano 2000 por jovens intermediários de classe média &#8211; uns &#8216;interessados abnegados&#8217;  outros  &#8216;interesseiros, aventureiros&#8217;  &#8211; atraídos pela abertura destes canais, a princípio ligados a políticas de preservação do patrimônio cultural imaterial do país, a partir de iniciativas do Iphan (como já se disse por injunção ou inspiração da  UNESCO).</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Em suma, é correto se considerar, portanto que por impulsão do Estado brasileiro, fonte única, exclusiva e direta destes recursos, as manifestações culturais de ascendência africana, da região por nós observada, antes contidas em guetos bem remotos e baseadas na intimidade de preceitos e hábitos simbólicos ou sócio familiares bem estabelecidos pela (ops!) <em>tradição</em>, passaram a estar diante de um ainda incompreendido paradigma, representado pela irrecorrível opção de <em> &#8217;ser ou não ser&#8217;</em>.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Ou, o que talvez seja bem pior: <em> &#8216;Mudar&#8217; ou&#8230; morrer&#8217;</em>.)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">A agudização deste paradigma, na falta de uma ética especial para a mediação dos diversos interesses envolvidos, representando um incremento da distribuição de recursos de patrocínio e a proliferação de iniciativas de Turismo Cultural na região com certeza vai gerar imprevisíveis consequencias (não necessariamente positivas).</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Conhecem a prática social da &#8216;Gafanhotagem&#8217;? Claro que não, pois acabo de inventar o conceito.)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Tendo as performances destes grupos tradicionais como base de sustentação artística, tende a ocorrer em eventos como o de Vassouras um inevitável e controverso processo de adaptação (ou  resignificação) estética das manifestações culturais &#8216;tradicionais&#8217;, em direção ao gosto especialmente mundano &#8211; e  inculto  &#8211; das platéias de turistas de classe média (como já ocorre no caso flagrante da repaginação  &#8216;kitsch&#8217;  de figurinos de alguns grupos da região) e aos interesses comerciais gerais dos citados (com exceções, é claro) &#8216;aventureiros interesseiros&#8217;, &#8216;intermediários&#8217;, &#8216;produtores culturais&#8217;, &#8216;diretores artísticos&#8217;, &#8216;etc.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">É aí que os &#8216;moderninhos&#8217;, sempre ponderando, argumentam:</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> _ &#8220;Bem, se todos ganham com isto, ainda assim continua a parecer bacana, não é não? </em> &#8220;-</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Vamos com calma com este andor, contudo que o santo continua a ser de barro.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">É imperativo que se avalie &#8211; e com toda profundidade possível &#8211; as eventuais benesses advindas de iniciativas turístico culturais como esta, do ponto de vista dos interesses de <em> todos</em> os envolvidos (e falamos aqui de interesses sociais amplos, abrangentes).</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Já que se banalizou a questão nivelando-a meros fins justificando os meios, seria bom que nos dissessem na ponta do lápis enfim, usando aquela mesma velha metáfora:</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> _ Afinal, quem corteja quem? </em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">É necessário, por exemplo, muito cuidado quando se sugere a existência cabal de benefícios a serem reivindicados por certas comunidades rurais (remanescentes de quilombos), a partir da simples associação direta que se estabeleceria entre a existência na área de eventuais &#8217;sobrevivências folclóricas&#8217; relacionadas à &#8216;cultura negra&#8217; (a prática do Jongo, no caso) e direitos garantidos à posse das terras onde a suposta comunidade quilombola residiria.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">É preciso, portanto ter em conta que existem muitas controvérsias ainda, muitas implicações éticas e morais – além das jurídicas &#8211; no âmbito deste assunto, entre as quais a mais grave é a virtual inexistencia de parâmetros antropológicos – ou historiográficos &#8211; válidos para se definir a legitimidade destas reivindicações.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Não é leviano por isto mesmo se afirmar neste sentido, que em alguns casos (por este entre outros interesses até piores) grupos de Jongo inexistentes foram simplesmente inventados &#8211; ou, supostamente recriados &#8211; a partir destas demandas, infelizmente tratadas de maneira muitas vezes irresponsável por parte dos órgãos incumbidos de cuidar das políticas públicas deste campo.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Observe-se também que estas políticas &#8211; tão elogiáveis em suas alegadas intenções &#8211; são quase sempre inócuas na prática, dadas as suas motivações reais, na maior parte das vezes, meramente populistas  &#8211; ou clientelistas  &#8211; em sua precariedade legal, mas&#8230; quem liga?.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Cá entre nós, deve haver uma forma mais efetiva e direta de se fazer reforma agrária, de verdade no país).</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">O chato da história é que, no tedioso rol destes problemas já se pode vislumbrar a possibilidade de diluição e a posterior extinção das manifestações culturais mais frágeis (caso inequívoco do Jongo), tanto do ponto de vista estético quanto no que diz respeito aos frágeis laços morais que unem os integrantes de comunidades ainda excluídas de amparo social efetivo, desprovidas que são de tudo, quase do mesmo modo em que se encontravam no tempo da escravidão.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Ética e Estética. Cultura e Sociedade: Conceitos indissociáveis (é preciso não se esquecer)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><strong>Tava durumino. Ngoma me chamou</strong></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">A  &#8216;Morte Morrida&#8217;  do Jongo real</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"> <em> &#8220;Só me interessa o que não é meu.Lei do homem. Lei do antropófago.&#8221; </em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Por ocasião dos preparativos da festa de Vassouras, numa reunião do autor deste post e a equipe do Cecult USS com líderes jongueiros da região do Vale do Paraíba do Sul, uma importante figura entre os líderes presentes, surpreendentemente reconheceu que desconhecia o significado da maioria das palavras africanas contidas nos pontos de Jongo que cantava.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> _&#8221; Eu queria muito saber é o quer dizer Angoma, por exemplo. A gente canta canta e não sabe o que tá dizendo &#8220;</em> – disse a venerável figura, mais ou menos com estas palavras.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Incrível, mas ninguém entre os mestres presentes, do mesmo modo, sabia dizer a tradução daquela que talvez fosse a mais simbólica e característica palavra do Jongo.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Todos ficaram muito emocionados, surpresos mesmo, quando lhes disse que &#8216;Ngoma&#8217; significava, simplesmente, &#8216;Tambor&#8217; numa das línguas de Angola. Quando, complementando, afirmei que a origem da maioria de todos nós ali presentes (tanto quanto a da encantada palavra) estava historicamente estabelecida como sendo Angola, a informação causou nos presentes surpresa mais absoluta ainda.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Foi daí que me chamou fortemente a atenção o fato da referida palavra ser por demais conhecida nos meios acadêmicos mais relacionados a esta área de estudo, já estando de algum modo contida e, às vezes, até mesmo corretamente traduzida em dezenas de livros, teses e artigos sobre o tema hoje existentes.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">_ <em> Claro.  Jongueiros não lêem livros&#8230; Muito menos teses acadêmicas </em> – pensei comigo.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Mas esperem aí&#8230; Afinal de contas, se muitos destes mestres jongueiros, tão solicitados que sempre foram para participar de editais de programas, institucionais, de Pontos de Cultura espalhados pelo estado, muitas vezes na qualidade de abalizados informantes de suas tradições orais (&#8216;objetos de estudo&#8217;, no dizer distanciado predominante nestas abordagens acadêmicas) como explicar a quase total ausência de um feedback qualquer (da parte dos pesquisadores) de uma contrapartida educativa, capacitadora, no âmbito destas relações que deveriam ser de troca de saberes?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(Foi neste momento que me ocorreu a imagem dos <em> gafanhotos</em>, numa alusão a espertos predadores sociais.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Vocês se lembram do H.G.Welles, daquela citação alegre do início do <strong>post #01</strong> desta série? Não? Não importa. É dele também a fábula de horror dos alienígenas civilizadíssmos que invadem a Terra só para chupar o nosso sangue em <em> &#8216;Guerra dos Mundos&#8217;, </em> aquele filme do Spielberg)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Fazer o que? O que se poderia esperar num contexto contraditório onde os sábios verdadeiros são iletrados funcionais, incapacitados para a difusão ágil de seus saberes e práticas e no qual, do mesmo modo contraditório, os letrados- apesar de sua arrogante habilidade na difusão de saberes alheios &#8211; são completamente ignorantes do conteúdo ético das práticas as quais foram instados a definir, discernir e legislar?</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Aberta a  Caixa de Pandora  da espetacularização oportunista, pouco nos resta a fazer senão lamentar ou exultar, dependendo do nosso ponto de vista. Talvez tivesse sido melhor &#8216;deixar quieto&#8217;, não ter tombado nada, não ter interferido naquilo que estava vivo e pulsante por sua própria conta e risco.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Sei lá. Como saber? Agora já foi, passou. Quem comeu se regalou.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Como bem dizia o Oswald de Andrade aí de cima &#8211; e de baixo &#8211; (nas citações em negrito) é típico da natureza cínica de nossas relações sociais devorar a cultura dos &#8216; outros&#8217; como antropófagos do ethos alheio.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Osmose gustativa: &#8216;Comer&#8217; o inimigo civilizado nos tornaria, segundo a utopia modernista de Oswald, civilizados maiúsculos por vias tortas. Oh, engano terrível! Oh, irônica farsa!</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Comemo-nos uns aos outros, isto sim.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Mais ou menos por aí &#8211; ou muito pelo contrário, já nem sei – eu diria que, na desfaçatez sem vergonha, na rapidez com que vamos nos transformando nesta cultura &#8216;assim assada&#8217;, nos exacerbando em nossa desculturação oportunista, atingimos enfim a antropafagia máxima, a antropofagia pop do &#8216;come-quieto&#8217; ou do afobado que &#8216;come cru &#8216;.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">É sim e agora&#8230;  já era.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Na velocidade cinco da bunda da mulher-fruta do Funk de favela, piramos de vez, passando a devorar também – Oh, Zambi! Oh, Tupã! &#8211; a cultura de nós mesmos, e nesta &#8216;badtrip&#8217; vamos ficando assim cada vez mais sem brio, sem prumo, sem ethos algum, desmascarados e o que é pior, descarados.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> &#8220;&#8230; Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. </em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em>Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. &#8220;Antropófagos.&#8221; </em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Pós macunaímas assumidos já somos. Será que povo original um dia seremos? Pelo andar da carruagem no epílogo desta história o normal serão as falsas festanças  pra inglês ver, cada vez mais festim e menos folia.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><em> `Tupi, or not tupi  that is the question&#8221;.</em></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">(E a esta altura da vernissage, velho gourmet empanzinado de &#8216; comes e bebes&#8217;  que estou&#8230; só me resta mesmo sair da festa de fininho&#8230; <em> à francesa. </em>)</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><strong>Spírito Santo</strong></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Setembro 2009</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Nota: Os trechos não creditados, entre aspas, são do &#8216;<strong>Manifesto antropófago&#8217;</strong> de Oswald de Andrade em &#8220;Piratininga ano 374 da deglutição do bispo Sardinha.&#8221; (revista de antropofagia, ano 1, no. 1, maio de 1928</a></p>
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		<title>Nego Beijo fugido enfim veio à luz</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 22:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>
		<category><![CDATA[20-de-novembro]]></category>

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Benjamim de Oliveira e o drama do circo-teatro no Brasil
Benjamim de Oliveira e o drama do circo-teatro no Brasil
Você talvez nunca tenha ouvido falar do cara. Se é um garoto ou uma garota posmoderna então, hum&#8230;nem pensar.
Para você &#8211; no caso de ainda ser um garoto  e na Internet ao que parece, quase todo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&blog=858935&post=2461&subd=spiritosanto&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"></a><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><br />
<img style="border-width:0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /><br />
<strong>Benjamim de Oliveira e o drama do circo-teatro no Brasil</strong></a></p>
<div id="attachment_2500" class="wp-caption aligncenter" style="width: 457px"><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><img class="size-full wp-image-2500" title="Cartaz Benjamim Spinelli copy" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/10/cartaz-benjamim-spinelli-copy.jpg?w=447&#038;h=399" alt="Cartaz Benjamim Spinelli copy" width="447" height="399" /></a><p class="wp-caption-text">&#39;Prospecto&#39; de divulgação do Circo Spinelli. A legenda abaixo da foto é um texto inserido por José Ramos Tinhorão de cujo livro &quot;Cultura Popular: Temas e Questões&quot; a ilustração foi extraída</p></div>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/"><strong>Benjamim de Oliveira e o drama do circo-teatro no Brasil</strong></a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Você talvez nunca tenha ouvido falar do cara. Se é um garoto ou uma garota posmoderna então, hum&#8230;nem pensar.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Para você &#8211; no caso de ainda ser um <em>garoto </em> e na Internet ao que parece, quase todo mundo é ou pensa ser garotão &#8211; Circo é uma coisa bem remota, uma forma de entrenimento arcaica que você pouco frequentou, assistiu duas ou três vezes, se muito, por aí.</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Você se lembra até de alguns nomes, mas pouca coisa: <em>Orlando Orfei, Beto Carrero World, Circo Garcia, Circo de Moscou</em>, <em>Bozo</em>&#8230;. (espera aí. Bozo não, né? Não vale. Bozo é coisa de televisão)&#8230; em suma, evocações um tanto ou quanto bregas sim, com certo cheiro de mofo, mas daquele mofo <em>bom</em>, como cheiro de roupa velha com naftalina, um clima assim do tempo da vovó ou &#8211; para os mais taludinhos de idade &#8211; da mamãe, do papai, do titio&#8230;</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Circo. Aquela coisa mágica e vaga meio <em>&#8216;Luzes da Ribalta&#8217;</em>, da qual a gente se lembra só de relance, uma musiquinha de <em>charanga </em>ao longe, peidos, arrotos e estrepolias de palhaços mímicos, pombinhas de prestidigitador voando para não sei onde, a trapezista gostosa, a pipoca, além daquela sensação um tanto ou quanto triste, que marcou o enredo de uma história mítica, trágica, soando de relance nas memórias de infância dos mais velhos como eu (já sabe qual é? Já ouviu também? quem foi que te contou? Um tio suburbano, com certeza, alguém assim, <em>das antigas</em>, de quem você nem se lembra mais).</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">É gente, Circo também é tabu e mistério. Sabiam que tem gente que nunca foi ao Circo quando criança por que a mãe ganhou pavor da possibilidade do Circo ser consumido pelas chamas. Sim, sim! É esta a história mítica. Pode deixar que eu conto:</a></p>
<p><a rel="license" href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/">Foi tudo por causa daquele acidente no <em></em></a><em><a href="http://fdn7z.tk/">Gran Circus Norte-americano</a></em> em 1961 em Niterói, aquele que pegou fogo e no qual foram ceifadas muitas vidas, entre as quais, segundo algumas fontes, toda a família do <em>maluco-beleza</em> mais famoso do Rio de Janeiro (quiçá do Brasil), o velho e bom mendigo-riponga <em><a href="http://dicxn.tk/">Profeta Gentileza</a></em>, que teria enlouquecido no lance do incêndio do Circo.</p>
<p>Espera aí&#8230;Você sabe quem é o <em>Profeta gentileza</em>, não sabe? É. este mesmo. O cara que escreveu esta máxima escrita aí na sua camiseta (ou na de algum amigo teu):</p>
<p><strong>&#8220;GENTILEZA GERA GENTILEZA&#8221;</strong></p>
<p>As letras carinhosamente grafadas à mão, coloridas, com cuidadosas serifas estampadas em pilares de viadutos e muros, como pichações <em>do bem</em>, feitas por um cara do século passado, carregando tábuas da lei com sábios mandamentos (na verdade até que meio piradões), um personagem com um que de <em>Che Guevara</em> pacifista ou de um <em>Bin Laden</em> às avessas, que já se encaminha para virar um ícone de um <em>boapracismo </em> improvável que &#8211; para os mais ingênuos &#8211; estaria embutido na moderna &#8211; e quiçá <em>olímpica </em>- alma do Brasil.</p>
<p>Pois sim&#8230;</p>
<p>Mas é isto mesmo, todos nós temos o nosso remoto circo íntimo, cheio de artistas fantásticos, um <em>circo</em> de vícios infantis que nos evoca as mais remotas lembranças, mas que também lança a gente para uma dimensão sem beira, sem rede, na qual o tempo pode ser qualquer coisa em qualquer ocasião, até mesmo um futuro longínquo, bem a frente de nós.</p>
<p>Viu só o que é o que é? Circo e Teatro. Tudo junto e misturado: Drama.</p>
<p>Agora a ficha caiu. Certo?</p>
<p>Então vamos em frente: O nome do <em>Cara </em>de quem eu falava lá em cima é, pois, como vocês já sabem, Benjamim de Oliveira que foi – garanto sem nenhum exagero – como ator, encenador e dramaturgo, um dos principais criadores do teatro popular do Brasil.</p>
<p>Está certo. Você é ainda daqueles que acha que o <a href="http://4hknx.tk/">Cirque de Soleil </a> é o suprassumo da modernidade circense e nada há que se acrescentar a respeito. Circo-Teatro! Diria até você, com pompa e circunstancia.</p>
<p>Eu também acho, mas conhecendo a história de Benjamim você vai descobrir já já que sem ele – também um dos principais inventores deste lance de <em>Circo-Teatro</em> &#8211; o Cirque  de Soleil, <em>de vero de vero</em>, nem existiria. Sim, sim. <strong>Benjamim de Oliveira</strong>, no início do século 20, já era <em>O cara</em> nesta <em>praia</em>.</p>
<p>(O que você não esperava mesmo é que depois deste preambulo cheio de salamaleques eu informasse que desta história não conto mais nadica, pois, vou ter que deixar o resto para contar bem depois).</p>
<p>Foi mal, mas também não há nada de mais nisto. É até bom porque assim você pode partir logo, avidamente para a busca do google, atrás de mais e mais informações sobre esta história d&#8217;<em>O Cara</em>.</p>
<p>Emocionante não é? E, melhor ainda: a linkagem é livre <em>rapeize </em>e a rede, por enquanto, é nossa.</p>
<p>É que o ensejo deste post é apenas informar só de leve que a <strong>Funarte </strong>acaba de divulgar os vencedores do <a href="http://fg8iv.tk">Prêmio Myrian Muniz de Teatro</a> iniciativa que viabiliza projetos de pesquisa teatral em todo o país (86 projetos foram desta vez premiados no Brasil).</p>
<p>Pois é isto: No conjunto de premiados está o projeto&#8230; tcham, tcham, tcham, tcham!.. &#8220;<strong>Benjamim de Oliveira e o drama do circo-teatro brasileiro</strong>&#8221; da <a href="http://unpmm.tk/">Cia Richard Riguetti / Grupo OffSina</a> – dos caríssimos  Richard Riguetti e Líliam Moraes.</p>
<p>O que é que eu tenho a ver com isto? Fácil explicar: Com o Richard – que como Benjamim é um ator-palhaço da pesada &#8211; trabalhei na Obra Social da Cidade do Rio de Janeiro, atendendo crianças do chamado <em>Complexo do Lins</em> (&#8216;complexo&#8217; como vocês sabem, é o eufemístico coletivo de <em>favelas</em>).</p>
<p>Ocorre que o Richard leu (aqui mesmo no Overmundo se não me engano) aquela peça jamais encenada deste autor que vos fala denominada <a href="http://1fdpo.tk/">Exu Chibata</a> que tenta mesclar assim, ainda por alto, a estética do <em>CircoTeatro</em> de Benjamim de Oliveira, no embalo de contar a história de <strong>João Cândido</strong>, o herói da <strong>Revolta da Chibata</strong> (de quem Benjamim foi contemporâneo).</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p><strong>Ligando o nome à pessoa</strong></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 256px"><img title="Benjamim de Oliveira em peça de Moliére" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2009/10/benjamim-de-oliveira-moliere1.jpg?w=246&#038;h=358" alt="Benjamim de OLiveira Moliére" width="246" height="358" /><p class="wp-caption-text">Benjamim de Oliveira caracterizado como &#39;francês&#39; em encenação em peça de Molière</p></div>
<p>Imagine você que nos dias da revolta do <strong>Almirante Negro</strong>, Benjamim – O <strong>&#8216;Nego Beijo&#8217;</strong> como era chamado quando guri &#8211; encenava no Circo Spinelli uma peça chamada &#8220;<strong>A Vingança Operária</strong>&#8216; (que eu, não sei bem porque, sempre achei que tinha algum fundo anarquista, proto comunista, essas coisas libertárias próprias daquela época, por aí).</p>
<p>Não deu outra: orgulhosamente (e aí, neste caso, me perdoem a imodéstia, por favor) o que ocorreu foi que, por conta destas oportunidades, acabei fazendo parte da alentada e premiada equipe do referido projeto, na qualidade de responsável pela dramaturgia do futuro espetáculo, que será baseada, principalmente, no excelente livrotese de <em>Ermínia Silva</em> &#8220;<a href="http://f63zc.tk/">Benjamim de Oliveira e a Teatralidade Circense no Brasil</a>&#8221; (veja nota abaixo).</p>
<p>Bacana demais, não é não?</p>
<p>Além de Ermínia Silva alguns poucos abnegados já se dedicaram ao resgate da obra de Benjamim, invariavelmente subestimado pela crítica e a imprensa mais ligeira como um reles palhaço que, por acaso era &#8216;negão&#8217;.</p>
<p>O diretor catarinense <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Siqueira">João Siqueira</a></strong>, saudoso amigo falecido na década de 90, especialista em teatro de rua e seguidor apaixonado do teatro de Benjamim, fez um maravilhoso trabalho – para variar pouco difundido, quase inédito até hoje &#8211; sobre o &#8216;<strong>Palhaço Negro</strong>&#8216;, estimulado por uma bolsa para pesquisa fornecida pela Rioarte.</p>
<p>Em boa hora se volta a falar de Benjamim, portanto, em todos os sentidos, até porque em 2010 fazem 140 anos do seu nascimento. O tema vai dar, é claro, panos para muitas outras mangas e posts.</p>
<p>Dito isto peço então mil perdões por deixá-los chupando dedo desta vez, mas é que tudo começa mesmo a ser construído agora, como sempre foi e sempre será com as companhias de circo reais: Trabalho de equipe.</p>
<p>Contudo, para não perder mais do que já perdi da minha reserva de amigos leitores, deixo como <em>tiragosto </em> para a rapaziada o texto que escrevi para servir de justificativa do projeto tal como foi enviado para o concurso, e o qual pretendo seguir, na medida do possível, à risca na construção da dramaturgia e em tudo que me competir:</p>
<p>O bom é que enfim, da escuridão do mortiço panteão de nossos heróis da invisibilidade, <em>Nego Beijo</em> está vindo devagarinho à luz. Esvaziem o picadeiro, por favor, porque, assomando às coxias frias da vida de menino fugido e exquaseescravo, vindo, vindo, com vocês, o inquestionável&#8230; o inigualável&#8230; o espetacular ator e clown&#8230;</p>
<p><em>Benjamim de Oliveira!</em></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>(Texto-Justificativa do projeto &#8220;Benjamim de Oliveira e o drama do circo-teatro brasileiro&#8221; – Prêmio Myrian Muniz de Teatro 2009)</p>
<p><em><strong>&#8220;E o palhaço Benjamim, o que é?</strong></em></p>
<p><em>No ensejo de abordar a interessantíssima linguagem dramatúrgica desenvolvida no Brasil sob a quase redundante denominação de Circo-Teatro (peculiar movimento artístico cujo auge se deu nas primeiras décadas do século 20) esta proposta – não mais ainda que uma alentada pesquisa &#8211; em linhas muito gerais pode enveredar por sinuosos e interessantes caminhos. </em></p>
<p><em>Entre estes, podemos destacar – já propondo um caminho em especial – a existência de um conflito básico, nuclear mesmo, que poderia ser o ponto de partida, o &#8217;start&#8217; desta dramaturgia sugerida.</em></p>
<p><em>Este caminho é o das diversas dicotomias perceptíveis na relação entre o Circo (o seu contexto, visto como um micro-cosmo, uma célula social) com a sociedade real, vista como um sistema de valores e realidades que este Circo contextualizado, ainda que simbolicamente, visa questionar.</em></p>
<p><em>O Circo como espaço delimitado, restrito no qual a sociedade convencional &#8216;dramatizada&#8217;, será &#8216;ridicularizada&#8217; &#8216; criticada&#8217;, vilipendiada&#8217; questionada enfim, sempre de forma lúdica e sutil (e, de modo algum, maniqueísta), como farsa, drama ou comédia. </em></p>
<p><em>No bojo destas dicotomias (contradições no sentido dramático do termo) pode ser inserido também o conflito social latente ocorrido entre as inúmeras e estratificadas relações historicamente estabelecidas entre artistas emigrantes e platéia nacional, artistas nômades e platéia sedentária, em oposição à utopia da sociedade ideal simbolizada pela circunscrição &#8211; o território do Circo romântico-, o espaço de íntima felicidade sonhado por todos nós, sem grandes hierarquias, sem distinções raciais, uma comunidade-família aparentemente libertária e feliz.</em></p>
<p><em>Pelo lado assim mais técnico da proposta, observando-se ainda grosso modo a natureza da linguagem do gênero em especial, se poderia acentuar também a existência no Circo-Teatro de certo grau de &#8216;antropofagia&#8217;, certo diálogo estético e dramatúrgico que o gênero estabelece com algumas das linguagens e mídias mais em voga na época em que se dá o auge do fenômeno (início do século 20) época de grande efervescência cultural e artística, contrapontuada por grandes conflitos sociais, elementos que as artes cênicas de maneira geral &#8211; e o Circo-Teatro de maneira concreta &#8211; muito soube aproveitar. </em></p>
<p><em>É importante inclusive se ressaltar que este caráter antropofágico, sendo a chave mais evidente da bem sucedida vocação do gênero Circo-Teatro para se expressar, por meio da utilização integrada de técnicas e estéticas francamente ligadas à contemporaneidade daquela época, continua a ser a regra principal a ser seguida hoje, quando &#8211; de forma talvez mais intensa ainda do que na virada do século 19 para o 20 &#8211; o conceito Diversidade, em todos os sentidos, é um valor claramente predominante.</em></p>
<p><em>Pode-se sugerir assim a associação de todos estes ganchos dramatúrgicos atemporais aos elementos estéticos mais aparentes da chamada Belle Époque, do Cinema Mudo, da Mímica e da Pantomima, linguagens seminais do Circo-Teatro que encaminham o eventual espetáculo resultante desta pesquisa, no âmbito de um teatro essencialmente imagético no qual, por exemplo, as falas não serão exatamente fundamentais, ampliando as possibilidades de se ocupar diversos tipos de espaços cênicos, com muita movimentação cenotécnica. </em></p>
<p><em>O eixo dramático principal da proposta envolveria incidentes da vida do famoso ator-palhaço <a href="http://www.gazetaparaminense.com.br/index.php?Conteudo=acervo_noticias&amp;id=52">Benjamim de Oliveira</a>, figura por muitas razões emblemática no âmbito de todas estas dicotomias citadas. </em></p>
<p><em>Descendente de negros da África – quase um estrangeiro &#8211; Benjamim é um ex-escravo que se torna inteiramente livre ao fugir para um circo, para se tornar mais tarde, um famoso ator especializado na representação de folhetins do branco europeu Molière, um dos responsáveis, portanto pela afirmação de um modo aculturado de representar e encenar Teatro muito peculiar no Brasil. </em></p>
<p><em>Neste mesmo sentido primordialmente imagético, a proposta sugerida aqui visa, portanto ressaltar certas formas e maneirismos não só do Circo-teatro (implantado no Brasil por artistas geniais como o citado Benjamim de Oliveira, Spinelli e Eduardo das Neves), mas também do teatro atual, referência talvez fundamental para que se abra também o leque da proposta para elementos dramatúrgicos mais modernos, próprios desta contemporaneidade almejada. </em></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Notas finais:</p>
<p>- Ermínia Silva é mestra em História pela Universidade Estadual de Campinas (1996) e doutora em História da Cultura pela Universidade Estadual de Campinas (2003). É autora de “Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil”, editado em 2007, pela Editora Altana.</p>
<p>-O livro de José Ramos Tinhorão do qual a ilustração principal deste post foi extraída, chama-se &#8216;Cultura Popular: Temas e Questões&#8217; publicado pela Editora 34, São Paulo em 2001.</p>
<p>- A foto do ator caracterizado de índio reproduzida acima é de 1908. Nela vemos Benjamim de Oliveira tal qual foi foi filmado no Circo Spinelli pela <em>Photo-Cinematographica Brasileira</em> de <strong>Antonio Leal</strong> e <strong>José Labanca</strong>. Essa foi a primeira filmagem de adaptação de um romance brasileiro com câmara móvel: “<em>Os Guarups</em>” , pantomima inspirada em &#8216;O Guarani&#8221; de José de Alencar, adaptada por Benjamim, na qual ele fazia o papel de Peri.</p>
<p><strong>Spírito Santo </strong></p>
<p>Outubro 2009</p>
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