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	<title>SPIRITO SANTO</title>
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	<description>&#34;Cuide dos sentidos que os sons cuidarão de si mesmos&#039;</description>
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		<title>Bota Abaixo século 21: Pereira Passos e sua herança maldita</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 19:33:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO:Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. O Pereira Passos, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, capital federal em 1904, aquele que decidiu que o centro colonial da cidade deveria ser demolido, deve ter dito para os críticos e desafetos mais impertinentes (como escritor Lima Barreto), dando os ombros: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16600&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16602" class="wp-caption aligncenter" style="width: 507px"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/27/bota-abaixo-seculo-21-pereira-passos-e-sua-heranca-maldita/bota-abaixo/" rel="attachment wp-att-16602"><img class="size-full wp-image-16602 " title="Foto Spirito Santo- 27 Janeiro 2012" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/bota-abaixo.jpg?w=497&#038;h=372" alt="Foto Spirito Santo- 27 Janeiro 2012" width="497" height="372" /></a><p class="wp-caption-text">Foto Spirito Santo- 27 Janeiro 2012</p></div>
<p style="text-align:left;"><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/" rel="license"><img src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/o-balanco-do-tio-na-rede-post-01/notebook-com-vela-copy-2/" rel="attachment wp-att-16240"><span style="color:#ff0000;">ATENÇÃO:</span>Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons.<br />
</a></p>
<p><em><strong>O Pereira Passos</strong></em>, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, capital federal em 1904, aquele que decidiu que o centro colonial da cidade deveria ser demolido, deve ter dito para os críticos e desafetos mais impertinentes (como escritor Lima Barreto), dando os ombros:</p>
<p><em>_”Não se faz omeletes sem quebrar ovos!”</em></p>
<p>(É que os ovos não eram os dele.)</p>
<p>Para fazer o carro chefe de sua ‘<em>Reforma Urbana</em>’, o boulevard parisiense da <em>Av. Central</em> (hoje <em>Av. Rio Branco</em>) como se sabe o alcaide escorraçou a população que morava no local (por culpa é claro da falta de um plano diretor, uma reforma sim, mas num sentido social do termo, um sentido humanista completamente diverso daquele que ele adotou).</p>
<p>O seu slogan era: <em>“O Rio civiliza-se!</em>”. Só que apenas para alguns.</p>
<p>Pois sim. Se civilização era isto, o que seria barbárie? Vejam bem. A remoção da população do <em>Pinheirinho</em> em <em>São José dos Campos</em> neste 2012 foi bem parecida com o <em>‘Bota Abaixo’</em> dele. As razões também foram bem parecidas e tão execráveis quanto.</p>
<p>Como o <em>Alckmin</em> o <em>Pereira Passos</em> devia ter sido preso num <strong><em>Bangu Um</em></strong> destes aí. Depois de muito apanhar na cara.</p>
<p>Já contei <a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2011/04/24/favelopolis/"><span style="color:#ff0000;"><strong>aqui</strong></span> </a>como foi esta história e quem mais quis se informar já está careca de saber. O centro colonial, antigo perímetro urbano da velha <em>Corte do Rio de Janeiro</em>, tinha o seu coração cultural e emocional cravado num emaranhado de habitações coletivas, precárias, imagino eu que assim como uma antiga <em>Bombaim</em>, uma <em>Marakesh</em> muvucada. Pois bem: nesta muvuca moravam algumas centenas, talvez milhares de pessoas.</p>
<p>Era a selvagem urbe insalubre, única opção possível àquelas pessoas, ex – ainda &#8211; quase escravas largadas ao Deus dará, uma urbe de miseráveis embaralhada, modelito urbanístico provável das intrincadas malhas de vielas e cubículos de nossas favelas atuais que, com a reforma dele, o alcaide do mal, aí sim explodiram de vez, se expandindo como uma cidade cancerosa no ápice de sua metástase. Violenta, nervosa, uma urbe que os sucessores de <em>Passos</em> sonham agora – tolinhos! &#8211; <em>‘pacificar’</em>.</p>
<p>Quem pariu Mateus? quem começou a guerra? A culpa foi deles, ora!</p>
<p><em>‘Reforma urbana’</em>? Deviam ter dado outro nome. <em>Urbe</em> é lugar organizado, planejado para todo tipo de gente morar bem e em harmonia. ‘<em>Urbe privê</em>’, só para alguns devia ter outro nome.</p>
<p>Basta olhar para os cintilantes arabescos de ouro que bordam a fachada do <em>Teatro Municipal do Rio de Janeiro</em>, hoje reformado para voltar a ser tal qual era no tempo da inauguração da afrancesada Avenida. Olhem para o alto e vejam aquela águia dourada gigantesca, imponente encimando tudo e reflitam: É ou não uma demonstração exacerbada e cruel de uma quase infame ostentação colonial?</p>
<p>Mereciam porrada.</p>
<p>Varreram para o lixo da periferia os pobres e desvalidos (negros, muitos negros ex-escravos e uns gatos pingados brancos desvalidos) para o que são os favelões de hoje em dia e puseram no lugar os infames monumentos de sua empáfia burguesa.</p>
<p>Espantaram os habitantes da urbe desurbanizada à tiros pauladas, chutes e pontapés. Passaram o trator nas casas deles, demoliram os morros do <em>Castelo</em> e de<em> Santo Antônio</em> (onde também moravam os pobres) e gritaram;</p>
<p><em>_”Ponham-se na rua! Escafedam-se! Morram!”</em></p>
<p>Os ovos eram os pobres e  no que deu isto tudo vocês podem ver aí, com os complexos de favelas a exigirem esta pacificação improvável, nesta guerra sem fim.</p>
<p>E olhem que disto eu sabia. O pior de tudo ainda estava ainda por saber.</p>
<p>Este centro do Rio reformado por <em>Pereira Passos</em> desmorona a olhos vistos como num filme de terror.</p>
<p>Bem&#8230;leiam a matéria aí em baixo e se apavorem também como eu. Brrr!Lembrei daquele filme <em>Poltergeist</em>, no qual um cemitério indígena aterrado para a construção de um loteamento de classe média se dissolveu em lama, sugando tudo que sobre si foi erigido.</p>
<p>Bondes virados, mortos, favelas que desmoronam, mortos, prédios que se esfarinham como castelos de areia e mais mortos. Temo pelo <em>Rio de Janeiro</em>. Juro. Já contei aqui este meu pesadelo: E se já estiver em curso a temida vingança das forças do desconhecido e o <em>céu-kalunga</em> dos ex escravos mortos insepultos desabar sobre nossas cabeças, nos sugando a todos para o inferno?</p>
<p>E se for mesmo verdade que a <em>&#8216;Reforma Urbana</em>&#8216; de <em>Pereira Passos</em> tiver sido mesmo amaldiçoada, espraguejada por uma bruxa quimbandista de santo extra forte?</p>
<p>Brrr!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<h2><span style="color:#ff9900;"><strong><em>“Avenida Treze de Maio: região de lagoas e mangues no passado</em></strong></span></h2>
<p style="padding-left:60px;">&#8220;Por O Globo (granderio@oglobo.com.br) | Agência O Globo<br />
<em></em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>RIO &#8211; Por baixo do solo aparentemente estável da Cinelândia corre a história de uma cidade repleta de opções erradas de ocupação, com aterros que engoliram ossadas de gados inteiros e, no caso do Teatro Municipal, até vestígios de barcos. A Avenida Treze de Maio é uma das que escondem um passeio mais úmido. Parte dela era uma estreita faixa de terra que ligava o Centro à Lapa. Outra fração estava embaixo d&#8217;água e atendia por Lagoa de Santo Antônio.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>O desabamento dos três edifícios da avenida, na noite de quarta-feira, pode não ter relação alguma com suas bases. Ainda assim, para o historiador Nireu Cavalcanti, professor da pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFF, serve como reflexão de como se deu a expansão da cidade.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>Seria mais lógico que o Rio, localizado numa região muito baixa, fosse uma cidade de canais, como Amsterdã &#8211; compara. &#8211; Em vez disso, optamos por cobrir todas as lagoas e mangues, o que ocorreu, por exemplo, na Cinelândia.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>Na década de 1970, durante a construção do metrô, os engenheiros responsáveis pela obra encontraram carcaças de barcos que seriam do século XVII, quando as chuvas faziam os lagos da região receberem água e objetos da Baía de Guanabara. Sob a estação da Glória, outra descoberta digna de nota: a ossada completa de uma baleia. O regime militar, porém, proibiu a divulgação dos achados, sob o temor de que o empreendimento fosse convertido em sítio arqueológico.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>Heranças do tempo em que o Centro era um complexo lacustre, de solo frágil e pantanoso. A região coberta por escombros hoje, há três séculos margeava a Lagoa de Santo Antônio. Seguir aquele caminho levava até uma outra lagoa, a do Boqueirão, que se esparramava por uma região hoje dividida entre o Passeio Público e a Praça dos Arcos da Lapa.</em><br />
<em>- O Boqueirão recebia água da chuva que escoava dos morros de Santo Antônio e do Castelo, enchendo até se unir à Lagoa de Santo Antônio &#8211; lembra Nireu.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>Na região surgiu a expressão &#8220;Cidade Maravilhosa&#8221;.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>No século XVIII, as lagoas foram aterradas e sua água escoada para a Rua da Uruguaiana &#8211; cujo nome original, muito apropriadamente, era Rua da Vala. Surgiam, assim, dois largos, o da Carioca e a atual Cinelândia. A estrada responsável por sua ligação é, hoje, a Treze de Maio.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>A primeira edificação de grande porte construída nos arredores foi o Teatro Municipal. Para sustentar uma estrutura tão pesada, foi necessário o uso de estacas de madeiras, que afundavam além do aterro e da lama, até encontrarem um terreno firme.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>Arranha-céus como o Edifício Liberdade, de 20 andares, vieram na primeira metade do século passado. Mesma época em que as escavações do metrô descobriram, entre resquícios de barcos e baleias, bois mortos, jogados ali pelo antigo matadouro da cidade, instalado na Rua Santa Luzia até por volta de 1740.</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><em>A herança arqueológica e seu mau cheiro, porém, não foram o principal legado daquela região do Centro. Vale lembrar que foi por ali que nasceu o apelido Cidade Maravilhosa. Quando, exatamente, ninguém arrisca dizer. Mas foi provocado pelas reformas de Pereira Passos, cuja vitrine foi a criação da Avenida Central &#8211; hoje Rio Branco &#8211; e o ápice, a demolição do Morro do Castelo, encerrada em 1922.”</em></p>
<h5>(Abaixo, demolição do prédio da Ordem  3ª da Penitência durante a Reforma Urbana de Pereira Passos em novembro de 1906.)</h5>
<p style="padding-left:60px;"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/27/bota-abaixo-seculo-21-pereira-passos-e-sua-heranca-maldita/bota-abaixo-demolicao-do-predio-da-ordem-3a-da-penitencia-26-de-novembro-de-1906/" rel="attachment wp-att-16603"><img class="alignleft size-full wp-image-16603" title="Bota Abaixo. Demolição do prédio da Ordem 3ª da Penitencia 26 de novembro de 1906" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/bota-abaixo-demolic3a7c3a3o-do-prc3a9dio-da-ordem-3c2aa-da-penitencia-26-de-novembro-de-1906.jpg?w=497&#038;h=389" alt="" width="497" height="389" /></a></p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16600/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16600/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16600/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16600&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>_NZAMBI-A-MPUNGO, AUÊ! &#8211; Post #01</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 14:34:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO:Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. A cultura africana do Brasil na boca do sapo mítico Pegue pela palavra. Vá à página da Wikipédia, a enciclopédia livre da internet (lusófona ou brasileira, sei lá) e tecle a palavra “Nzambi”. Fique constrangido como eu ao ler a educada repreensão, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16527&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/" rel="license"><img src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/o-balanco-do-tio-na-rede-post-01/notebook-com-vela-copy-2/" rel="attachment wp-att-16240"><span style="color:#ff0000;">ATENÇÃO:</span>Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons.</a></p>
<h2><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/26/_nzambi-a-mpungo-aue-post-01/zambianpungo-brincantes_01_1299257440-2/" rel="attachment wp-att-16529"><img class="size-full wp-image-16529 aligncenter" title="Zambianpungo brincantes_01_1299257440" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/zambianpungo-brincantes_01_12992574401.jpg?w=497&#038;h=185" alt="" width="497" height="185" /></a><span style="color:#ff9900;"><strong>A cultura africana do Brasil na boca do sapo mítico</strong></span></h2>
<p>Pegue pela palavra. Vá à página da <em><strong>Wikipédia</strong></em>, a enciclopédia livre da internet (lusófona ou brasileira, sei lá) e tecle a palavra “<em><span style="color:#ff0000;"><strong>Nzambi</strong></span></em>”. Fique constrangido como eu ao ler a educada repreensão, o leve ‘<em>toque</em>’, esta admoestação desagradável dos moderadores:</p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade&#8230;.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Google — notícias, livros&#8230;”</em></p>
<p><strong><em>Nzambi</em></strong> é Deus, ora. Apenas isto. É só um conceito dito em outra língua. Deus como <em>Alah</em> é Deus, como <em>God</em> é Deus, como <em>Dieu</em> é Deus, como <em>Dios</em> é Deus, como <em>Gott</em> é Deus&#8230; Querem coisa mais simples?</p>
<p>Mas não. Como <em>Nzambi</em> é isto aí mesmo, só que numa língua de negão dito ‘<em>primitivo</em>’, animista, dito dado a supersticionices, ficam nesta de carnavalizar os vocábulos com estas fantasias de <em>nega maluca</em>, <em>crioulodoidamente</em> enchendo-os de suposições semânticas psicoanalíticas,como analfabetos de pai e mãe.</p>
<p><em><strong>_Maudit la pré-anthropologie du 19ème siècle!</strong></em></p>
<p>(Eu sei. É claro que o conceito ‘<em>Deus</em>’ tem lá as suas idiossincrasias de cultura para cultura, mas a gente só vai esbarrar nesta pedra no caminho deste papo, mais adiante (no <strong><em>post #02</em></strong>, valeu?). Palavras são palavras e isto são, portanto outros quinhentos.</p>
<p>Vocês podem crer, no entanto que isto é muito mais comum em se tratando de cultura negra na internet do Brasil do que com qualquer outra coisa. É impressionante. Já testei.</p>
<p>A coisa melhora muito quando as perguntas são formuladas em inglês, holandês ou mesmo em qualquer língua europeia destas aí. Há uma questão mal resolvida aqui sim. A gente não sabe nunca se é ignorância ou má vontade intelectual dos nossos <em>“formadores de opinião&#8221;</em>. É um <em>buraco negro</em>, um troço destes aí interplanetários que sugam matéria, se alimentam da substancia das coisas alheias, um sapo mítico, se bem me entendem</p>
<p>(Calma. Vocês já já vão entender porque o tal do sapo entrou na história) .</p>
<p><em>_”Ah.</em>.. – dirão os ímpios refinados do fundo de seus cercadinhos vips: – <em>&#8220;&#8230;mas a Wikipédia não é uma enciclopédia confiável.&#8221;</em></p>
<p>Que nada. Baboseira de estudante pedante, metido a sabichão. Tanto quanto qualquer mar de fontes a internet é um banco de dados consistente. Basta saber <em><strong>o que</strong></em> – e <strong><em>como</em></strong> – procurar.</p>
<p>Nem doutores antropólogos quilombistas ou indigenistas, nem intelectuais afro culturalistas, dos mais rasos aos mais ciosos amantes dos cânones da norma culta, nem jornalistas progressistas, historiadores com especialidade em história africana, ninguém parece muito interessado em tratar com a devida atenção e profundidade este nó etnológico – pego aqui pelo pé da etimologia &#8211; incrustado em nossos modos displicentes de sermos TODOS afro descendentes.</p>
<p>É tudo bruma neste campo de nossa inteligência tão vadia e ignorante. As poucas chispas a gente vai riscando aqui e ali como cego em tiroteio.</p>
<p>(Pois é. E para variar este post nem era sobre isto. É que esbarro nestas pedras do caminho no meio de uma pesquisa qualquer a toda hora. Fico pra morrer.)</p>
<p>Que pobreza macunaímica, gente! Ai que preguiça!</p>
<p>Magoou? Então tá. Diga lá você: O que é mesmo <strong><em>Zambiampungo</em></strong>, heim?</p>
<p>(Sim. Quase me esquecia. Era disto, que eu andava atrás, lembram? Prometi que explicaria &#8211; Ai de mim engolfado nesta teia de conceitos frouxos &#8211; mas juro, de pés juntos que ao fim de tudo explicarei)</p>
<h2><span style="color:#ff9900;">Uma estranha, uma exótica festa de negros no recôncavo baiano, lembraram?</span></h2>
<p>Uma das poucas referencias documentais, digamos assim&#8230; acadêmicas, que encontramos na internet sobre a manifestação do <em>Zambiampungo</em> , cuja ocorrência mais notória é a da cidade de <em>Nilo Peçanha, BA</em> (parece que ocorreu &#8211; ou ocorria &#8211; também nas cidades de <em>Valença</em> e <em>Cairu</em>, ambas também no <em>Recôncavo</em>) foi um texto em duas ou mais versões idênticas que condensei numa só,  atribuído à Alexandre Guimarães, um mestrando (ou doutorando, não sei bem) em História pela <strong><em>Universidade do Estado da Bahia/UNEB</em></strong>,  provavelmente uma tese, contudo me parecendo ser apenas uma tentativa de aproximação, de explicação do evento, como tudo nesta área, carente ainda de muitos aprofundamentos. (<em>Alexandre</em> falando:)</p>
<p style="padding-left:90px;"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/26/_nzambi-a-mpungo-aue-post-01/zambiampungo-2/" rel="attachment wp-att-16530"><img class="size-full wp-image-16530 aligncenter" title="Zambiampungo" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/zambiampungo1.jpg?w=497" alt=""   /></a></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“&#8230;O Zambiapungo trata-se de um cortejo de homens mascarados&#8230; trajados com roupas coloridas e feitas com retalhos de panos e papeis de seda, que saem às ruas durante a madrugada do dia primeiro de novembro, véspera do dia de finados, dançando e acordando a população da cidade.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>É caracterizada pelo uso de, além de <strong>tambores</strong>, <strong>búzios gigantes</strong>, <strong>enxadas</strong> e outras ferramentas agrícolas, que são tocados como instrumentos de percussão pelos componentes.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>&#8220;&#8230;Nestes dois dias a população local volta sua atenção para a lembrança de seus mortos que são homenageados com flores, velas e missas. Não existia momento mais propício do calendário católico para um cortejo que refletia uma religiosidade baseada na ancestralidade ir às ruas.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>Essa importância do espírito dos ancestrais na religiosidade Banto é o segundo fator que evidencia o caráter religioso inicial do Zambiapunga.”</em></p>
<p>Esmiuçaremos aqui então este mistério maravilhoso, tentando cruzar os dados de Alexandre &#8211; baseados em chavões clássicos &#8211; com outras pesquisas e referencias mais amplas, neste emaranhado incrível e quase inescrutável que é a cultura africana do Brasil. Assinalamos com grifos, vez por outra, os pontos cruciais de nossa investigação – que é bem preliminar ainda -  aqueles que parecem encerrar as chaves da questão.</p>
<p>Ah&#8230;e vejam os vídeos do <em>Zambiapungo</em> nestes links (<span style="color:#ff0000;"><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=-TQZ6kLKI28&amp;feature=related"><span style="color:#ff0000;">#01</span></a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=LgpAJCMB3M4&amp;feature=related"><span style="color:#ff0000;">#02</span></a>,<a href="http://www.youtube.com/watch?v=B0Vj3NVuCug&amp;feature=related"><span style="color:#ff0000;">#03</span></a></strong></span>). E leiam – com os olhos críticos e bem abertos – só para começar, esta descrição <em>folclórica</em>, ou seja baseada numa descrição meramente visual, testemunhal da misteriosa manifestação (ainda <em>Alexandre Guimarães</em> falando, agora já demonstrando algumas incongruências fatais:)</p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“&#8230;Outra evidência do caráter religioso inicial do grupo é o significado do termo &#8220;Mpungu&#8221; de Nzambi-a-Mpungu. Segundo vocabulário construído por Aires Machado Filho, a palavra &#8220;Mpungu&#8221; é provavelmente sinônima de &#8220;defunto&#8221;.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>Yeda Pessoa traduz, por sua vez, &#8220;nzambi ampungu&#8221; como o grande espírito e &#8220;saami ampunga&#8221; como os grandes ancestrais.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>&#8220;Mpungu&#8221;, &#8220;ampungu&#8221; ou &#8220;ampunga&#8221; são palavras bantos que se referem aos mortos, aos antepassados, o que evidencia a relação da origem do zambiapunga atual com a religiosidade Banto.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“&#8230;Para compreendermos a segunda evidência da origem religiosa do Zambiapunga é necessário falarmos um pouco sobre os Bantos e sua religiosidade.</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“&#8230; É provável que o Zambiapunga do Baixo-Sul baiano era ou integrava um ritual religioso de uma parcela dos africanos escravizados. Para entendermos esse aspecto é necessário fazermos uma análise etimológica do termo &#8220;zambiapunga&#8221; e enumerarmos alguns aspectos da religiosidade dos povos cujo termo citado se liga: os Bantos.</em><br />
<em> Zambi ou Nzambi-a-Mpungu é o Deus supremo de povos bantos do Baixo Congo. A relação entre a palavra &#8220;zambiapunga&#8221; e o Deus supremo de africanos é a primeira evidência da origem religiosa do folguedo atual&#8230;”</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“&#8230;Com o tempo o caráter religioso se perdeu e permaneceu uma bela manifestação da cultura popular.&#8221;</em></p>
<p>Só para tentar a desconstrução ou o esclarecimento das incongruências (quem quiser que conte outras, mas fundamente, por favor) em verdade em verdade vos digo que não existe evidencia alguma de que a palavra <em>Zambiapungo</em> possa ter qualquer coisa a ver com <em>sapos</em>, <em>mortos</em> ou <em>defuntos</em> (e esta afirmação, posso afiançar &#8211; o <span style="color:#ff0000;"><strong><em>post #02</em></strong></span> (em breve) o dirá &#8211; é quase inquestionável).</p>
<p>Procurando no livro de <em>Aires da Mata Machado Filho</em> citado por <em>Alexandre</em>, por exemplo (o clássico &#8221; <strong><em>O Negro no Garimpo em Minas Gerais</em></strong>&#8221; que o Tio já leu, sei lá, mil vezes) não encontrei no pequeno vocabulário nele contido nada que confirmasse esta hipótese etimológica, esta coisa aí de &#8216;<em>defunto</em>&#8216; ser &#8216;<em>mpungo</em>&#8216;. Pura viagem no <em>buraco negro</em>. Suposição vaga de iniciante.</p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“&#8230;Nzambi-a-pongo – O Deus encarnado ou que encarna no sapo – é Nzambi mascarado:-inclemente, inexorável, vingativo, obediente à voz do feiticeiro e, como Deus ou como ciclope, não pode ser morto à cacetadas. É a vontade do mal, o desejo de vingança.&#8221;</em></p>
<p>No caso de Souza Carneiro (que aponta acima o étimo <strong><em>mpungo</em></strong> como sendo &#8216;<em><strong>sapo</strong></em>&#8216;) há não uma incongruência exatamente, mas uma suposição equivocada apenas, embora justificada por outra suposição mais factível que a de <em>Alexandre</em>: É que o mito africano, um conto tradicional) descrito por <em>Souza</em>, denominado na bahia &#8216;<strong><em>Kipongo</em></strong>&#8221; (ou seja, uma evidente transliteração de &#8216;<strong><em>Ki-Mpungo</em></strong>&#8216;) tem relação direta com um sapo sim e há até uma ilustração curiosa deste <em><strong>sapo encantado gigantesco</strong></em> engolindo sua vítima (num desenho de <strong><em>Cícero Valladares</em></strong>), o que fez o mestre <em>Souza Carneiro</em> concluir:</p>
<p style="padding-left:90px;"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/26/_nzambi-a-mpungo-aue-post-01-2/kipongo/" rel="attachment wp-att-16467"><img class="aligncenter" title="Kipongo" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/kipongo.jpg?w=384&#038;h=268" alt="" width="384" height="268" /></a><em>&#8230;”Que se diz: “ Com licença, não se espante, com licença de Zambi mascarado em ou feito sapo”. Isso equivale a: “Zambi-a-apongo deu licença, logo não fará mal, não consentirá suceda qualquer mal.”</em><br />
<em> </em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“Deus-de-sapo”, zambi-a-pongo quimbundo foi adaptação do nzambi-a-npungo conguês, ou vice versa.”</em><br />
<em> </em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>Num dos muitos autos de Ticumbi há o cântico:</em><br />
<em> </em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“Com licença auê</em><br />
<em> Com licença de zambi a-pongo</em><br />
<em> Com licença auê&#8230;”</em><br />
<em> </em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>(O mestre Souza Carneiro em ‘<strong>Os Mitos Africanos no Brasil-</strong> Ed Brasiliana 1937)</em></p>
<p>A hipótese da linguista <strong><em>Yeda Pessoa</em></strong> é, contudo um pouco mais criteriosa e bem mais precisa até, pois como veremos mais adiante (<em>tchan, tcahn, tchan!.</em>..)  <em>Zambiapungo</em> pode ser interpretado sim como sendo uma &#8216;<em>forma</em>&#8216; de deus. Mas o conceito é fugidio, dependendo de muito mais tutano e cavucação para ser decifrado.</p>
<p>(E a culpa não é de modo algum dos pobres bantu. O <em>doido</em>, como já disse por aí, não é o <em>crioulo</em>).</p>
<p>Bem, o fato é que <em>mpungu</em> a rigor não quer dizer ‘<em>defunto</em>’, de jeito nenhum. Também pode não querer dizer ‘<em>Sapo</em>’ &#8211; como eu mesmo açodadamente já imaginei, como vocês viram seguindo as pistas do mestre <em>Souza Carneiro</em>. E aqui uma ressalva importante:  me dirijo neste post, principalmente a leitores brasileiros, posto que leitores angolanos devem &#8211; ou deveriam &#8211; saber melhor do que eu o quer dizer &#8211; pelo menos literalmente &#8211; <em>mpungo</em>, não é mesmo?</p>
<p>A relação equivocada entre o termo <em>Zambiampungo</em> e estas duas expressões (‘<em>Sapo</em>’ e ‘<em>Defunto</em>’) parece estar neste caso sendo induzida pelo fato de, em primeiro lugar, Souza Carneiro ter confundido o nome da entidade que assume a forma de <em>Nzambi</em> com o dito bicho (o <em>sapo</em>). <em>Alexandre</em> por sua vez deve ter feito confusão com o fato da  manifestação ter nos dias de hoje alguma relação com o católico – e universal &#8211; culto aos mortos, ressalvando-se que o dia de finados &#8211; a data em si &#8211; como bem sabemos é uma efeméride católica, o que faz a relação direta entre um provável culto ancestral bantu e a data dos festejos atuais ser um tanto improvável.</p>
<p>Contudo, pode ser que, de algum modo fortuito haja esta relação do <em>Zambiapungo</em> com os mortos sim, mas a palavra, a denominação traduzida ou decifrada mais precisamente, parece que não tem nada a ver com isto diretamente. A coisa parece ser bem mais complexa como vocês verão (e a solução da charada será, garanto a vocês, <strong><em>sur-pre-en-den-te</em></strong>).</p>
<p>É a complexidade viciante desta surpresa que nos animará daqui para adiante.</p>
<h2><span style="color:#ff9900;">Ognupm-a-ibmaz? A palavra no espelho</span></h2>
<p>E aí, como água fria, nos vem a informação mais decepcionante sobre a manifestação, aquela que nos lança mais fundo no limbo de sua enigmática origem:</p>
<p style="padding-left:90px;"><em>&#8220;A delimitação geográfica e a problemática levantada levaram-me a escolher como balizas temporais os anos de 1940-2002. O zambiapunga nilopeçanhense levou alguns anos inativo, entre as décadas de 60 e 80, sendo “revitalizado” a partir de 1982 pela professora Maria Auxiliadora Camardelli e seus alunos do Ginásio de 1º Grau Adelaide Souza.Para entendermos as mudanças sofridas pelo grupo durante e depois de sua revitalização é necessário ao menos conhecermos alguns aspectos do zambiapunga anterior aos anos 60.&#8221;</em></p>
<p>Hum&#8230;Esta revitalização do <em>Zambiampungo</em> 20 anos depois – uma evidente ressemantização &#8211; precisa ser analisada melhor a luz de prováveis indícios e relatos que se possa obter sobre o passado da dança, antes de 1980. Se quase nada de escrito, pelo menos que se saiba, foi registrado em que terá se baseado a valorosa professora em sua recriação do <em>Zambiampongo</em>?</p>
<p>Na memória dos mais velhos, provavelmente, mas quais foram os elementos constitutivos da dança que foram recuperados –  tirando aqueles outros, agora francamente inventados &#8211; aqueles sob os quais se poderia basear uma historiografia qualquer sobre os vestígios e pistas que ela porventura encerra de seu passado africano? As máscaras? As enxadas? Os búzios?  A rítmica das canções? Quais?</p>
<p>Brumas.</p>
<p>Encontrei curtas  e lacônicas referencias  desta festa em texto <strong><em>Arthur Ramos</em></strong>, dando conta da existência remota da festa ainda no início do século 20, na mesma região, mas sem nenhum dado suplementar. Haveria referencias em textos angolanos, no trabalho meticuloso de Óscar Ribas, por exemplo que no seu iluminado trabalho &#8216;<strong><em>Ilundo</em></strong>&#8216;, descreve algumas danças tradicionais de Angola já no século 20 muito semelhantes às danças africanas de inspiração bantu do Brasil?</p>
<p>No entanto, ainda assim estas densas brumas.</p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“Ai! Ai! Ai! Ai!</em><br />
<em> Pade-nosso cum ave Maria</em><br />
<em> Qui ta angana<span style="color:#ff0000;"><strong>nzambe-opungo</strong>.</span></em><br />
<em> Ei! Curietê!</em><br />
<em> Ai! Ai! Ai! Ai!</em><br />
<em> Pade-nosso cum ave Maria</em><br />
<em> Qui ta angana<strong><span style="color:#ff0000;">nzambe-opungo</span></strong>.</em><br />
<em> Ei! Dunduriê ê!&#8221;</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>(Ponto de vissungo, Diamantina, MG em Aires da mata Machado Filho)</em></p>
<p>Mas isto ainda, como vimos são apenas sombra e vulto, a imagem ainda bem difusa de um conceito mais complexo, ligado que é a fundamentos muito antigos da cultura bakongo de Angola. Coisa cabalística, mística, empírica sim, mas apenas para nós, os que dela somos ainda ignorantes, posto que se trata de uma cultura de raízes muito antigas (<em><strong>século 12</strong></em>, por aí), daquelas que não podem ser, de modo algum primitivas, atrasadas.</p>
<p>Apenas cultura de gente normal ansiando registro, carecendo de historicidade, precisando apenas se cientifizar.</p>
<p>É muito relevante ressaltar também, que as referencias documentais do eminente etnólogo baiano <em>Souza Carneiro</em> &#8211; tão desconhecido do público em geral e tão desprezado por seus pares (as razões nada prosaicas ou edificantes a gente vai descortinando por aí) -  baseadas em notas de campo de pesquisas por ele realizadas no final do século 19 no Recôncavo baiano &#8211; área de ocorrência, como sabemos do <em>Zambiapungo</em> personagem de nossa história &#8211; talvez sejam ainda hoje, fundamentais para pesquisas de campo desta tão relevante quanto subestimada, quase vilipendiada cultura <em><strong>bakongo</strong></em> no Brasil)</p>
<p>Finalizando este longo <em><strong>post#01</strong></em>, digo, repito, encho a boca para dizer: De tudo que pode saber até agora,  a dança do <em>Zambiampungo</em> de que tratamos vivamente aqui, com toda certeza, de um jeito ou de outro -  tenha tido a forma que for no passado &#8211; veio sim, não só de <em><strong>Angola</strong></em> &#8211; área do antigo <strong><em>Reino do Kongo</em></strong> e suas adjacências &#8211; mas de uma região bem determinada, provavelmente o sul do país, nas vastas imediações do porto de <strong><em>Benguela</em></strong>, origem da maioria dos escravos africanos que – inegavelmente talvez &#8211; para o Brasil vieram na segunda metade do século 19.</p>
<p>E mais não sabemos. Tarde demais. A parte crucial do mistério desta dança talvez jamais seja desvendada de todo.</p>
<p>Sobrou, contudo a palavra -<em><strong>zambiampungo</strong></em><strong>!</strong>-  guardada na boca do sapo em que nossos antepassados a costuraram. Nos falta mesmo apenas desconstruí-la mais ainda para enxergar o que há por trás de suas belas cifras, abrir o manto do passado histórico que ela mantêm em si enrodilhado, embrulhado como um presente secreto que o Tio em breve – em uma diminuta parte &#8211; revelará.</p>
<p>Aí, nela, na palavra-chave, é que estão algumas outras ferramentas destrancadoras de charadas, aquelas que nos farão entender algum dia &#8211; por mais remoto e distante que este este dia esteja &#8211; o real sentido de misteriosas tradições e manifestações culturais que nos eletrizam com seus maravilhosos mistérios, que enfim desvendados serão &#8211; nisto o Tio crê, piamente &#8211; o diploma cabal de que somos sim civilizados, sempre fomos, mas às nossas próprias custas.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Viram só? Conversa cheia de<em> ‘como-assim?</em> Tudo ainda a ser salvo do redemoinho do buraco negro. Parecia impossível decifrar estes enigmas todos, mas enigmas são feitos assim e assados, exatamente para serem revelados &#8211; mesmo este que parecem ser da conta de algum Deus aí bem remoto.</p>
<p>O <em>Zambiapongo</em> da Bahia é um destes fenômenos. Veio de ouro ou baú de tesouros ainda a serem explorados, de prospecção adiada, tardiamente ansiada por culpa sabe-se lá de que ou de quem (de preconceitos etnocêntricos tolos, torpes mistificações historiológicas, esnobismo arcaico dos doutos de fancaria, racismo enfim), descaso raso porque mascararam justamente as nossas caras pretas reais, aquelas que mais representam uma parte quiçá majoritária das caras todas da nação.</p>
<p>Retirar a peneira que esconde o sol é uma boa intenção. Sol é luz indispensável.</p>
<p>Água mole em pedra dura, tomemos então estes dados esparsos como resquícios, vestígios, evidencias ainda, porém firme certeza: A Cultura africana do Brasil está, praticamente toda por ser levantada e sistematizada. Isto será virtualmente impossível se não estudarmos, profundamente a história, a etnologia, a antropologia enfim da região africana compreendida pelas margens do <strong><em>Rio Kongo</em></strong> (ou <em>Zaire</em>) até mais um pouco ao Sul, no vasto entorno do antigo <strong><em>Porto Benguela</em></strong>.</p>
<p>O resto todo, como fieira puxada, virá de roldão.</p>
<p>As chaves, pelo menos o sentido estrito da palavra aqui esmiuçada estão todas lá, de onde vieram algemadas as pessoas e trancadas as fechaduras de suas almas e memórias, transatlânticas almas antepassadas de todos nós.</p>
<p><em>_NZAMBI-A-MPUNGO, AUÊ!</em></p>
<h3><strong><span style="color:#ff9900;">Spirito Santo</span></strong></h3>
<p>Janeiro 2012<br />
<strong><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#808080;">(E não perca o sensacional desvendamento final no</span> próximo post)</span></strong></p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16527/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16527&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Bibliografia oculta de Nina Rodrigues, o pai dos ‘negrólogos’ do Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 13:06:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO:Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. Pé de pato mangalô três vêiz. Conselho de Tio leigo abusado: Ao lerem estes &#8216;negrólogos&#8217; aí, os mais referendados, indicados, incensados, bibliografados, amarrem a bibliografia deles pelos sete lados. Sei que alguns &#8211; notadamente os que já se imaginam doutos &#8211; acham que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16384&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/" rel="license"><img src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/o-balanco-do-tio-na-rede-post-01/notebook-com-vela-copy-2/" rel="attachment wp-att-16240"><span style="color:#ff0000;">ATENÇÃO:</span>Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons.</a></p>
<h2><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/24/a-bibliografia-oculta-de-nina-rodrigues-o-pai-dos-negrologos-do-brasil/eugenics-puppetgov-depopula-2/" rel="attachment wp-att-16402"><img class="alignleft size-full wp-image-16402" title="eugenics-puppetgov-depopula" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/eugenics-puppetgov-depopula1.jpg?w=497&#038;h=388" alt="" width="497" height="388" /></a></h2>
<h2><span style="color:#ff9900;">Pé de pato mangalô três vêiz.</span></h2>
<p><strong>Conselho de Tio leigo abusado: </strong></p>
<p>Ao lerem estes &#8216;negrólogos&#8217; aí, os mais referendados, indicados, incensados, bibliografados, amarrem a bibliografia deles pelos sete lados.</p>
<p>Sei que alguns &#8211; notadamente os que já se imaginam doutos &#8211; acham que dizer isto é chover no molhado, mas aviso aos navegantes que estudam cultura negra do Brasil &#8211; notadamente gente universitária formanda, mestranda ou doutoranda em geral: Quando indicarem para vocês &#8211; entre outros &#8211; a leitura de <strong><em>Nina Rodrigues</em></strong>, <strong><em>Arthur Ramos</em></strong>, estes &#8216;clássicos&#8217; precursores de nossas ciências sociais, hum&#8230;orelhas em pé, tá?</p>
<p>É. leiam a bula ou seja: Tenham o cuidado de ler também aqueles títulos deles que NÃO estão sendo indicados, aqueles mais difíceis de encontrar. É que neles é que está o <em>pulo do gato</em> &#8211; preto &#8211; ideológico, as páginas<em> &#8216;negras</em>&#8216;, se é que me entendem.</p>
<p>O <em>pé atrás</em> neste caso engorda e faz crescer, sabiam? Não deem <em>este mole</em> de se arriscar a entregar o ouro para o bandido.</p>
<p>Tomei a liberdade então de fazer uma lista aqui para vocês, extraída aliás de um artigo do <em>próprio Arthur Ramos</em>, para quem não sabe discípulo fervoroso de <em>Nina e</em> considerado &#8211; ele <em>Arthur</em> &#8211; o pai incensado da assaz intrépida antropologia tupiniquim.</p>
<p>(Calma &#8216;dotôzinho&#8217;. O Tio sabe que você já sabe o que só alguns poucos sabem &#8211; que o <em>Nina &#8216;era isto e aquilo sim, um preconceituoso e tal, mas&#8230; mas&#8230;afinal era um cientista social relevante, importante e fundamental, de ponta em seu tempo, um precursor dos estudos sobre o negro no país, um intelectual respeitável que não pode ser desconsiderado assim</em>, <em>patati patatá&#8217;</em>.)</p>
<p>Sei. Ah, tá.</p>
<p>Mas será que o <em>dotôzinho</em> sabe tudo mesmo sobre o <em>Nina</em> ? Ou, melhor ainda: Se nós estes <em>alguns poucos</em> o sabemos, não seria de bom tamanho todo mundo saber também?</p>
<p>Pois <em>e</em>ntão tá. <em>vou batê pra tu pra tu batê pra tua patota:</em></p>
<p>Marotamente, pensando em quem estava boiando ainda na questão, assinalo então em <strong><span style="color:#ff0000;">vermelho</span></strong>, no sentido gritante das temáticas das teses eleitas ou preferidas por nosso &#8216;herói&#8217; <em>Nina Rodrigues</em> (e por <em>Arthur Ramos </em>também) os tais fulcros de suas ideias fundamentais.</p>
<p>Surpreendam-se. As evidentes intenções racistas estão lá, eugenistas, profunda e arraigadamente inseridas nos estudos deles. Elas, as malévolas intenções estão lá claramente expressas, sem sutileza alguma.</p>
<p>Incrível, mas acho que eles acreditavam &#8211; <em>Nina</em>, <em>Arthur</em> e outros tantos doutores, de hoje até -  piamente que os retratados por sua..patológica&#8230; &#8216;<em>etnologia</em>&#8216; pré nazista jamais aprenderiam a ler ou a escrever um dia. Falavam para seus pares, assim, sem pudor algum.</p>
<p>Não acham preocupante que sejam estas as ideias  que, praticamente <em>fundam</em> a antropologia brasileira no campo da&#8230;&#8217;<em>negrologia</em>&#8216;.</p>
<p>Não? fala sério!</p>
<p>Ora, e espera lá&#8230;se estas ideias &#8216;<em>fundam</em>&#8216; &#8211; e que se saiba, nunca foram realmente revistas -  não é mais do que óbvio que elas podem estar imiscuídas em muita coisa que nos mandam ler por aí?</p>
<p>Sim. Há um perigo enorme morando nesta história. É que existe uma lei nova por aí (a 10639, vocês já sabem) que obriga -  ou sugere, sei lá &#8211; o ensino da cultura negra em escolas do país. Já pensaram o que este veneno bibliográfico, estes <em>&#8216;fundamentos&#8217; </em>pseudo etnológicos, diluídos por aí não podem fazer com a nossa cabeça?</p>
<p>A <em>Cabeça de nego</em> com esta pólvora toda explode, gente!</p>
<p>Creiam. Por razões tão esdrúxulas que este humilde post de internet não pode aprofundar agora (mas o Tio aprofunda no seu livro), o melê que fizeram, sabe-se lá quem  (a cultura dominante, a academia, os oportunistas pretos e brancos de todas as ocasiões) com a cultura africana no Brasil é tão grande, mas tão grande que &#8211; como a <em>Mangueira</em>, a  escola de Samba- &#8220;<em>nem cabe explicação</em>.&#8221;</p>
<p>Desculpem a referencia fortuita e o açodamento da enfase, mas sabem como é: tem doutor que é cego, gente!</p>
<h2><span style="color:#ff9900;">Trabalhos destacados de Nina Rodrigues sobre o negro e o mestiço brasileiros:</span></h2>
<p>- <span style="color:#ff0000;"><strong>Antropologia</strong> <strong>patológica: os mestiços</strong><span style="color:#888888;">, Brasil Medico, 1890</span></span><br />
<span style="color:#ff0000;"> -<strong>As raças humanas e a responsabillidade penal</strong> <span style="color:#888888;">no Brasil, 1ª ed. Bahia, 1894</span></span><br />
<span style="color:#888888;"> &#8211; 2ª ed. de Afranio Peixoto, Rio, 1933</span><br />
<span style="color:#ff0000;"> &#8211; <strong>Métissage,</strong> <strong>dégenerescence et crime</strong><span style="color:#888888;">, Arch. d&#8217;Anthrop. crim., 1898</span></span><br />
<span style="color:#ff0000;"> &#8211; <strong>Nègres criminels au Brésil</strong>, Arch. di psich., <strong>scienze penali e antr. crim</strong>.,<span style="color:#888888;"> vol. XVI; L&#8217;animisme fétichiste des nègres de Bahia, Bahia, 1900</span></span><br />
<span style="color:#ff0000;"> &#8211; La <strong>paranoia</strong> <strong>chez les nègres,</strong> <strong>atavisme psychique et paranoia</strong><span style="color:#888888;">, Arch. d&#8217;Anthrop. crim., 1902</span></span><br />
<span style="color:#ff0000;"><span style="color:#888888;"> &#8211; Contribuição ao estudo dos</span> <strong>índices osteometricos da raça negra</strong><span style="color:#888888;">, Rev. dos Cursos da Fac. de Med. da Bahia, 1904</span></span><br />
<span style="color:#ff0000;"> -<span style="color:#888888;"> Vários trabalhos publicados em revistas diversas depois reunidos num estudo de conjunto sobre</span> <strong>O problema da raça negra</strong> <span style="color:#888888;">na América Portuguesa, que deixou incompleto.</span></span></p>
<h2><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/24/a-bibliografia-oculta-de-nina-rodrigues-o-pai-dos-negrologos-do-brasil/eugenics1/" rel="attachment wp-att-16392"><img class="aligncenter" title="eugenics1" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/eugenics1.jpg?w=327&#038;h=282" alt="" width="327" height="282" /></a><span style="color:#ff9900;">E nas palavras do próprio Arthur Ramos:</span></h2>
<p><span style="color:#888888;">“</span><strong><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#888888;">Com o material deixado pelo malogrado mestre e documentos encontrados no Instituto Nina Rodrigues,</span> Homero Pires recompôs Os Africanos no Brasil</span></strong>, Rio, 1933</p>
<p>(Nota de Arthur:). Esta nota é prolongada na edição de 1940 com: &#8220;Em 1934, editei <span style="color:#ff0000;"><strong>O animismo fetichista dos negros baianos</strong></span>, de que só existiam artigos esparsos e a edição em francês. Em 1939, recompus a obra, deixada inédita e inacabada, <strong><span style="color:#ff0000;">As coletividades anormais</span></strong> (Vols. II e XIX da Biblioteca de Divulgação Científica) NR.”</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Na veia. É simples a dica do Tio: Se você quer mesmo aprender, futuque, duvide, critique, questione o mestre, aperte o doutor.  Se o teu interesse for apenas um diploma no peito, um título pra chamar de seu, então &#8211; paciencia! &#8211; relaxe e faça apenas o que o seu mestre mandar.</p>
<p>Sintam  e vivam o drama por si mesmos.</p>
<h3><span style="color:#ff9900;"><strong>Spírito Santo</strong></span></h3>
<p>Janeiro 2012</p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16384/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16384/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16384/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16384/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16384/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16384/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16384/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16384/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16384/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16384/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16384/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16384/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16384/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16384/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16384&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Spirito</media:title>
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		<title>Iconografia do black people para todos (+ um post)</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/23/iconografia-do-black-people-para-todos-um-post/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 11:39:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO:Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. Jovem arqueiro por Govaert Flinck (1615-1660). A resenha a seguir eu traduzi livremente de um site holandês, se não me engano do Rijks Museum de Amsterdam. Bem, como você já devem saber, entendo chongas de holandês, mas como não sou  lá tão ignorante [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16356&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/" rel="license"><img src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/o-balanco-do-tio-na-rede-post-01/notebook-com-vela-copy-2/" rel="attachment wp-att-16240"><span style="color:#ff0000;">ATENÇÃO:</span>Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons.</p>
<h2><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/23/iconografia-do-black-people-para-todos-um-post/a-young-archer-by-govaert-flinck/" rel="attachment wp-att-16357"><img class="alignleft size-full wp-image-16357" title="A Young Archer by Govaert Flinck" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/a-young-archer-by-govaert-flinck.jpg?w=497&#038;h=647" alt="" width="497" height="647" /></a></h2>
<h2><span style="color:#ff9900;">Jovem arqueiro por Govaert Flinck (1615-1660).</span></h2>
<p>A resenha a seguir eu traduzi livremente de um site holandês, se não me engano do </a><a href="http://www.rijksmuseum.nl/?lang=en&amp;gclid=CP3U2PeF5q0CFQtZ7AodEV49xQ"><span style="color:#ff0000;"><strong>Rijks Museum</strong></span></a> de Amsterdam. Bem, como você já devem saber, entendo <em>chongas</em> de holandês, mas como não sou  lá tão ignorante assim, vou seguindo com o meu barco. Sempre chego em algum bom lugar.</p>
<p>Quem tem boca, se diz por aí, vai à Roma.</p>
<p>A sugestão que faço &#8211; prosaica como todas as anteriores &#8211; é a seguinte: No que diz respeito à história da <em>África</em>,  neste emaranhado de fontes escritas suspeitas, carregadas quase sempre &#8211; e até hoje &#8211; de propaganda colonialista, fontes supostamente &#8216;<em>científicas</em>&#8216;, no fundo no fundo carregadas de ideologia eurocentrista, às vezes com o intuito mal camuflado de &#8216;<em>denegrir</em>&#8216; ou desqualificar a cultura alheia, no âmbito de certa antropologia interesseira enfim,  na falta de outras, a iconografia talvez seja uma das fontes mais confiáveis no rol dos registros feitos pelos europeus sobre a &#8216;misteriosa&#8217; <strong>África</strong> invadida por eles no século 16.</p>
<p>É por isto que, como São Tomé, curto fotografia, pintura, rabiscos de tição no ar, grafitti de muro de favela, qualquer coisa que os olhos veem e o coração sente. Ver para crer.</p>
<p>O século 17, notadamente com o advento da chamada pintura barroca &#8216;verista&#8217; &#8211; na qual os holandeses foram os mestres incontestes &#8211; foi pródigo neste sentido de dar alguma visibilidade às terras do &#8216;outro mundo&#8217;. Desprovida daqueles salamaleques estéticos do barroco renascentista italiano, calcado na bajulação de mecenas e da vida dos aristocratas que bancavam a nababesca vida dos artistas, a iconografia holandesa dá de 10 a zero nas outras, quando se busca evidências realistas &#8211; reportagens mais ou menos fotográficas &#8211; de como era, mesmo supostamente, aquela África remota tida e havida como primitiva e selvagem, retratada quase sempre com exagero exotista, indigna de atenção meticulosa por parte da maioria dos pintores europeus da época.</p>
<p>Já disse aqui: É preciso reconhecer talvez que o fato de os holandeses terem estado no Brasil por aqueles breves anos, teve o lado bom de salvar a história africana do Brasil setecentista de um apagão imagético irremediável.</p>
<p>Limitados que estaríamos aquele trágico estoicismo católico apostólico romano dos pintores barrocos espanhóis e portugueses, que escondiam sobre o exacerbado vermelho do sangue do martírio de seus santos, todas as barbaridades que cometiam por aqui contra índios e africanos escravizados, nossa história imagética seria um mundo das trevas só.</p>
<p>O quadro desta resenha de hoje nem é desta <em>praia</em> aí, da história africana no Brasil não, mas é um excelente exemplo do quanto de história próxima do real se pode  encontrar admirando uma imagem &#8216;verista&#8217; como esta.</p>
<p>Curto olhar para estas coisas e admirá-las. De paixão. Esmiúço minúcias, resquícios, texturas, autopsio tudo, meticulosamente, com lupa como um legista de filme criminal. No fim &#8211; podem crer &#8211; quase sempre descubro pólvoras e crimes. Ver para poder contar e provar.</p>
<p>Nem tudo é verdade, eu sei, mas pelo menos fica sendo alguma possibilidade de ver para crer, o que &#8211; convenhamos &#8211; é bem melhor que  acreditar piamente em firulas hipotéticas, cascatas de espuma só por que algum fulano nos falou.</p>
<p>(Com todo respeito e a  benção São Tomé)</p>
<h2><span style="color:#ff9900;">A Resenha</span></h2>
<p><em>A tela ‘O jovem arqueiro’ (1640) é o único trabalho atribuído ao pintor holandês <strong>Govaert Flinck</strong>  constante do acervo da Wallace Collection. </em></p>
<p><em>O quadro foi adquirido como se fosse um <strong>Rembrandt</strong> (1606-1669) pelo Marquês de Hertford em 1848. Em 1913 sob a suposta assinatura Rembrandt apareceram os resquícios de outra assinatura. Em 1928 o quadro passou a ser reatribuído a um dos alunos de Rembrant chamado <strong>Govaert Flinck</strong>, que atuou em Amsterdã na década de 1630,  produzindo para um mercado insaciável por pinturas no estilo criado por Rembrandt tornado um modismo na época. </em></p>
<p><em>A pintura mostra um rapaz negro em um fundo liso, ricamente vestido em trajes de caça, um arco fechado na mão direita, uma bolsa de flechas pendurada no ombro esquerdo. Os fechos de metal intrincado da alça da mala são cuidadosamente detalhados e são destaque, em contraste com a opacidade sombria do casaco do rapaz. Duas pérolas, um brinco pingente e um colar brilham contra a escuridão de sua pele e roupas. Olhar da figura é direcionado para longe do espectador com uma solenidade envolvente e inquietante. </em></p>
<p><em>A pintura, uma ‘tronie’ ou ‘rostro’ (em holandês), é uma técnica característica do ‘verismo’ flamengo do século 17, caracterizado como uma representação de um modelo com expressões inusitadas ou grotescas, com a finalidade de demonstrar o talento do artista para captar expressões de personagens. Tais pinturas eram muitas vezes produzidas por aprendizes no atelier como exercício técnico na arte do estudo de personagem. ‘tronies’ foram imensamente populares nos anos 1630 e 40 na Holanda, onde o mercado para a aquisição de pinturas era muito maior do que no resto da Europa.</em></p>
<p><em>Tem sido sugerido que o retrato Flinck representa um caçador, uma ocupação considerada humilde no século 17. No entanto, uma legenda inserida abaixo de uma cópia impressa por Jan de Visscher (c. 1636-após 1692) feita a partir de um desenho do mesmo assunto feito por Cornelis Visscher (? 1629-c.1658) oferece a possibilidade de uma interpretação alternativa. A inscrição diz:</em></p>
<p><em>“O ‘Moor’ </em>(termo usado em muitas regiões da Europa para designar ‘<em>negro</em>’: <strong>Nota minha</strong>)<em> com o seu arco e flecha parece ter o inimigo nos olhos”</em></p>
<p><em>A inscrição, que se pensava anteriormente sugerir uma figura literária desconhecida, pode ser uma alusão aos famosos arqueiros núbios dos tempos clássicos. </em></p>
<p><em>Núbia, (outro termo para Kush &#8211; uma região localizada no vale do rio Nilo, nos dias de hoje parte do Sudão e da Etiópia), foi um potência militar que ganhou imenso respeito no mundo romano, em parte devido à sua tradição de ter arqueiros altamente qualificados. Os núbios ficaram famosos no final dos tempos antigos, em parte devido ao papel desempenhado como mercenários nas guerras em todo o Mediterrâneo.</em></p>
<p><em>Por que Flinck escolheu retratar o seu jovem modelo como um arqueiro? Entre as razões se pode incluir o desejo de retratar uma cor de pele e uma fisionomia diferente da dos súditos de costume, a disponibilidade de adereços de arqueiro em seu estúdio e a enorme popularidade de arco e flecha como esporte no século 17 na Holanda ou, talvez, até mesmo uma consciência da história dos hábeis arqueiros africanos a partir de descrições contidas na Bíblia. </em></p>
<p><em>Rembrandt é certamente conhecido por ter sido fascinado por histórias e personagens do Antigo Testamento. Seja qual for sua verdadeira identidade ou propósito, há certamente influência de Rembrant seduzindo este jovem pintor a quem o quadro é atribuido.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br />
</em></p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16356/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16356/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16356/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16356/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16356/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16356/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16356/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16356/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16356/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16356/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16356/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16356/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16356/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16356/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16356&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O racismo raso da rede e seus fundos contrários.</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/11/o-racismo-raso-da-rede-e-seus-fundos-contrarios/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 16:35:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO:Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. O Balanço do Tio na Rede #post 02 Ainda &#8216;balanceando&#8217; a minha experiência na Rede, falando sobre as páginas do Facebook e os blogs do Tio- que estão sendo lidas/lidos e comentadas por um número até bem razoável de amigos – várias curiosidades [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16289&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/" rel="license"><img src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/o-balanco-do-tio-na-rede-post-01/notebook-com-vela-copy-2/" rel="attachment wp-att-16240"><span style="color:#ff0000;">ATENÇÃO:</span>Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. </a></p>
<h2><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/11/o-racismo-raso-da-rede-e-seus-fundos-contrarios/rede-2/" rel="attachment wp-att-16293"><img class="size-full wp-image-16293 aligncenter" title="Rede 2" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/rede-2.jpg?w=497&#038;h=390" alt="" width="497" height="390" /></a><span style="color:#ff9900;"><strong>O Balanço do Tio na Rede #post 02</strong></span></h2>
<p>Ainda &#8216;balanceando&#8217; a minha experiência na Rede, falando sobre as páginas do <strong>Facebook</strong> e os blogs do <em>Tio</em>- que estão sendo lidas/lidos e comentadas por um número até bem razoável de amigos – várias curiosidades se poderia destacar. (Veja a lista das páginas do <em>Facebook</em> que o tio abriu<strong><span style="color:#ff0000;"> <a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/o-balanco-do-tio-na-rede-post-01/"><span style="color:#ff0000;">aqui no post #01</span></a></span></strong> desta série)</p>
<p>A mais impressionante é a contraditória noção do conceito ‘<em>rede’</em> que aparece assim, nítida, diante de nós quando olhamos o contexto de páginas e grupos que criamos – mas não administramos mais, Deus nos livre! &#8211; de forma ampla, ‘<em>holística</em>’ como se diz.  Ao que tudo indica as pessoas tendem muito mais a se isolar em comunidades virtuais estanques, guetos mesmo, cercadinhos &#8216;<em>vips</em>&#8216;, do que, propriamente se relacionar <em>‘em rede’</em>.</p>
<p>Ora, não é preciso teorizar muito para se entender que o conceito <em>Rede</em> pressupõe o compartilhamento de opiniões e ações, o espírito ‘<em>comunitário</em>’ na acepção pura da palavra, o relacionamento entre as pessoas por afinidade sim, mas também por  necessidade de colocar na mesa, debater e esclarecer divergências e ambiguidades, estas coisas tão dinâmicas de nossa vida em sociedade que fazem a terra girar, sem parar.</p>
<p>Por mais simplório ou imbecil, ingênuo que seja, há sempre um propósito a ser atingido nos relacionamentos entre as pessoas em geral. Grosso modo a expressão a <em>“união faz a força”</em> é o que melhor define, filosoficamente este conceito ‘<em>Rede</em>”</p>
<p>Contraditoriamente, contudo – pelo menos nas páginas e grupos que abri- as pessoas reagem de maneira às vezes truculenta mesmo, diante de meras críticas, ponderações pontuais, colocações eventualmente deslocadas da simples adesão compulsória a ideia predominante, os propósitos alegados pelo enunciado dos objetivos da página. Há, portanto fundamentalismo demais nesta <em>minha</em> rede (o que torna inviável a maioria das ações que porventura os debates propostos nela visavam estimular)</p>
<p>Muito doida contradição.</p>
<p>Para tornar mais doida ainda a incongruência, os <em>nós</em> da minha rede – e só olhando assim do alto, saindo do corpo que me pertence, pude enxergar isto – são radical e insanamente intolerantes.</p>
<p>Um exemplo bem emblemático desta intolerância fundamentalista e militante foi a criação da página/grupo ‘<strong><em>Racismo ao Contrário</em></strong>”. A motivação fortuita foi um incidente ocorrido no âmbito de um Seminário de Cultura Negra aqui no Rio, promovido por uma empresa desvinculada do <em>Movimento negro oficial</em>, no qual algumas equivocadas ações programadas  &#8211; como uma mesa redonda onde se debateria a mulher negra entre os integrantes, na qual por um lamentável engano de ‘<em>cast</em>’, não se escalou nenhuma mulher – estimularam protestos mais equivocados ainda.</p>
<p>A ideia da página era simples: Quebrar a dicotomia de um debate polarizado demais, onde brancos e negros nunca expunham francamente os seus pontos de vista. Ledo engano. Se polarizado estava, o debate no âmbito da página atraiu tudo que de pior e ruim pode ocorrer numa rede social: Ataques virulentos, ofensas apócrifas à honra alheia, inserção oportunista de tópicos extemporâneos ao assunto – tais como o feminismo mais agressivo e raivoso, com o viés de campanha proselitista pelo homossexualismo feminino negro – e, o que é pior, afastando do debate todas as pessoas mais, digamos assim, ponderadas que se debandaram assustadas, quase enxotadas, para longe dali.</p>
<p>Hoje, a página <em>‘Racismo ao Contrário”</em> se transformou num espaço convencional para o debate do racismo em geral, mas, infelizmente, como a maioria das páginas de negros da Internet &#8211; está restrita à participação de negros, o que torna muita limitada a possibilidade da página atingir a seus objetivos originais.</p>
<p>Aliás, se existe tema cabuloso, quase impossível de se debater na Internet ele é o Racismo. A experiência do <em>Tio</em> neste aspecto é bem relevante, ou pelo menos muito intensa. Tanto que – ainda como reflexo desta intolerância virtual da Rede, sofro a pressão insuportável de muitos amigos, que se colocam, insensatamente em dois lados bem demarcados, apartados mesmo da questão.</p>
<p>Os meus queridos amigos negros &#8211; não todos, mas uma grande parte deles – detestam, odeiam de paixão algumas das minhas posições no sentido de propor uma revisão das estratégias e ideologias demonstradas nas ações e propostas mais recorrentes do <em><strong>Movimento negro</strong></em> do Brasil. Demonstram também uma ignorância relativa de fatos históricos ou etnológicos  essenciais, relacionados à real presença dos africanos no Brasil (tanto quanto ignorantes destas coisas são, inclusive muito dos doutores brancos).</p>
<p>Acho &#8211; e exprimo claramente isto em meus <em>posts</em> &#8211; que há muita ignorância, impropriedade e, mais ainda, bastante mistificação em quase tudo que se refere à cultura negra no Brasil. As bases ideológicas, no sentido de embasarem estratégias de luta contra o racismo, podem estar dramaticamente equivocadas.</p>
<p>No fundo deste meu proposto debate, está a crença de velho militante de que a luta anti racista no Brasil vive travada, por conta destes equívocos crassos todos, esta preguiça conceitual, esta dependência de uma etnologia acadêmica hegemônica, porém bastante relapsa e mal informada também, esta ideia rasa do que é (as pessoas se recusam, sistematicamente a raciocinar sobre isto), realmente, tecnicamente o Racismo sistêmico do Brasil. Tornando qualquer debate uma confusão com fundo de melê estrutural, tiros nos pés de nós todos, já que cultura negra e racismo, definitivamente não são problemas <em>só de negros.</em></p>
<p>Sou considerado, portanto &#8211; incompreensivelmente diria &#8211; por esta ‘<em>Ala Negra</em>’ de minha Rede uma espécie de <em>‘traidor da raça’</em>, já que a regra manda que as tais mistificações que denuncio &#8211; na melhor das intenções, diga-se &#8211; são dogmas politicamente corretos que <em>ninguém</em> deve ousar desmentir sob as penas de ser carbonizado por algum raio fulminante de Xangô.</p>
<p><em>_”Kaô, Kaô, kabesile!”</em></p>
<p>Ah, ah,ah! Como são tolinhos! Os raios de <em>Xangô</em> são pura simbologia (isto é história oral, folclore, o cara existiu de verdade. Sério! Nunca fez mágica nem milagre algum). Seus raios&#8230;<em>virtuais</em>, <em>globosféricos</em>, não torram a cuca ninguém.</p>
<p>E cá entre nós, porque o <em>Tio</em> não ousaria desmentir o que quer que seja? Como, se o que o Tio mais gosta na vida é de desobedecer os céus e os infernos? Qual seria a graça de uma vida espartana lavada de obediências e subserviências? Os Robôs &#8211; e os escravos- com toda certeza nunca serão felizes, máquinas de obedecer são inventados pelos homens e mulheres mais ousados, os que teimam em mandar mais do que obedecer.</p>
<p>Mas – oh, decepção dobrada (como disse, as <em>duas Alas</em> são <em>água e óleo</em>, nunca <em>preto &amp; branco</em>, estanques em suas devoções aos escritos do Tio) &#8211; uma maioria de meus amigos brancos também encaminham as suas queixas no mesmo sentido &#8211; quer dizer, no sentido inverso . Para eles eu falo <em>demais da conta</em> em Racismo, alguns chegam mesmo a me impingir a pecha de – que doidos! – <strong>racista</strong>.</p>
<p>Muito interessante, aliás, a diferença entre estes dois tipos de leitores. Se entre os amigos negros o passionalismo evidente aparece sempre exacerbado, à flor da pele, motivado, é claro pelo envolvimento emocional, individual dos comentaristas, a falta de distanciamento deles para com o problema (o racismo no caso), nos amigos brancos o que aparece, quase que invariavelmente é a fria discrição, a contenção e o comedimento frio também, além de calculista, não raro refletindo uma omissão irritante, evitando completamente a expressão de posições mais claras, exigindo do <em>Tio</em> muito esforço de prosódia, sarcasmo, utilizando diversas técnicas de provocação e persuasão &#8211; que, geraram brigas homéricas algumas vezes – mas que, quase sempre avançam para algum consenso, pelo menos respeito mútuo e civilidade.</p>
<p>A experiência do Tio tem demonstrado também – e <em>Franz Fanon</em> aparece sempre fulgurante nestas seções virtuais de esquizofrenia &#8211; que os racistas francos, ‘<em>honestos’</em> e sinceros, os ‘<em>autênticos’</em> por se assim dizer, são antes de tudo seres ignorantes, tacanhos mesmo, carentes de educação no sentido amplo da palavra. Provocados, acabam falando  pelos cotovelos e o debate, baseado então em dados e informações mais precisas, argumentos irrefutáveis, costuma calá-los. Há, contudo um número incontável de ‘<em>racistas’</em> pragmáticos, intelectualizados, embora inconscientes (ou omissos) e não se deve subestimá-los porque eles são milhões no Brasil (e – vamos combinar –este grupo não é formado <em>apenas</em> por gente branca).</p>
<p>Enquanto estes dois grupos formados por negros intolerantes, enclausurados em guetos virtuais ou reais e estes ‘<em>racistas</em>’ por omissão não debaterem juntos formas concretas, propositivas de combater o racismo que nos imobiliza à todos, o sistema é quem vencerá. Sempre.</p>
<p>Se o <em>Tio</em> fosse solicitado a dizer qual é a maior contribuição que os brancos – e os negros ‘<em>assimilados’</em>, os <em>‘pais-joões’</em> -do Brasil dão à manutenção do Racismo por aqui – pelo menos os brancos e ‘<em>assimilados’</em> da Rede – Eu diria que é a omissão, a indiferença, a crença de que o problema é uma questão menor, irrelevante, que <em>‘não é com eles’</em>.</p>
<p>Sobre os amigos negros eu diria que contribuem muito para a manutenção do racismo com a insana e ingênua intolerância que professam, esta crença absurda de que pode ser construída no Brasil uma classe média negra, um <em>Mundo Negro Ideal</em>, num <em>Nagô-egipitologismo-rastafarianista</em> historicamente canhestro, de filme B, quase carnavalesco, apartado cultural e socialmente do resto da sociedade, num devaneio de negritude <em>norteamericanista</em> superado desde os anos 70 do século passado.</p>
<p>(E vejam só a &#8216;<em>saia justa</em>&#8216;: Se uma <strong><em>classe média negra</em></strong> fosse mesmo viável no seio do capitalismo do Brasil, com que cara, com que moral, com que ética esfarrapada se justificaria a manutenção do resto da <em>negraiada</em> toda &#8211; a maioria &#8211; na mesma miséria sistêmica, de sempre?)</p>
<p>Presos no que eu chamo de <em>‘Síndrome do Gueto’</em>, não conseguem atualizar, revitalizar os discursos de <em>Malcom X</em> ou <em>Franz Fanon</em> que leem congelados no tempo, entre outros cânones menos populares, orientados por pós-doutores, a maioria deles brancos <em>de marré de si</em>, do mesmo modo, quem sabe, equivocadamente formados também sob a norma inculta destas bolorentas teses e hipóteses pré culturalistas nacionais.</p>
<p>É. Neste papo aí o Tio entrega o jogo por hora. Esbraveja sim um ou outro argumento mais abusado, mas só por pura teimosia, ranhetice como classificam alguns.</p>
<p>O certo é que o <strong><em>Sistema</em></strong> é complexo demais para os puros. O Sistema não prega prego sem estopa. Tanto quanto a Rede é embaraçada de armadilhas estas coisas não foram feitas mesmo para os tolos, muito menos para os amadores.</p>
<p>Ainda bem que ela, a nobre rede &#8211; por enquanto &#8211; ainda é transparente e franca. Não há como escapar de seu balanço.</p>
<p>Volto já, sei lá.</p>
<h3><span style="color:#ff9900;"><strong>Spírito Santo</strong></span></h3>
<p>Janeiro 2012</p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16289/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16289&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Balanço do Tio na Rede – Post #01</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 23:23:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO:Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. Notebook com vela- Foto Spírito Santo É que você nem sabe a falta que  um Tio véio faz. ‘Sekulo’ – “Tio’ em umbundo, língua de parte de Angola. Mais precisamente ‘irmão da mãe’, pessoa proeminente, venerável no seio de uma família, muitas vezes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16238&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/" rel="license"><img src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/o-balanco-do-tio-na-rede-post-01/notebook-com-vela-copy-2/" rel="attachment wp-att-16240"><span style="color:#ff0000;">ATENÇÃO:</span>Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons.<br />
<img class="size-full wp-image-16240" title="Notebook com vela- Foto Spírito Santo" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/notebook-com-vela-copy1.jpg?w=497&#038;h=593" alt="Notebook com vela- Foto Spírito Santo" width="497" height="593" /></a>Notebook com vela- Foto Spírito Santo</h5>
<h2><span style="color:#ff9900;"><em>É que você nem sabe a falta que  um Tio véio faz.</em></span></h2>
<p style="padding-left:90px;"><em>‘<strong>Sekulo’</strong> – “Tio’ em umbundo, língua de parte de Angola. Mais precisamente ‘irmão da mãe’, pessoa proeminente, venerável no seio de uma família, muitas vezes com mais autoridade sobre os filhos da irmã do que o próprio pai. </em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>A prática – que presumo ser usada ainda em comunidades tradicionais de toda a Angola – segundo dizem alguns especialistas remonta as regras de protocolo social estabelecidas entre o grupo dos que chegaram vindos do Camarões e os que já estavam no estuário do rio Kongo no século 12, no ato da união que marca a fundação do povo bakongo e seu <strong>Reino do Kongo</strong>. </em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>A regra surge porque se estabelece aí as normas de sucessão no Reino que determinam a linha matrilinear, a linha de sangue ou ‘kanda’ ou seja, o sucessor o rei ou soba (ou do chefe da família, por extensão) será sempre o filho da irmã deste ‘cabeça’ da aldeia (ou da família), com o tio &#8211; irmão da irmã do rei – tendo poderes de tutor, ou mesmo substituto.</em></p>
<p>Estas conclusões, extraídas de opúsculos e relatórios portugueses de autoridades coloniais das Juntas de Investigação do Ultramar Português, são da pesquisa do tio aqui que vos fala. Achei inclusive resquícios desta prática aqui no Brasil, por meio, exatamente da palavra ‘<em>sekulo’</em> pinçada, fortuitamente de uma canção ou outra de escravos mineradores em Diamantina, Minas Gerais, como esta aqui abaixo:</p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“…_Otê…Pádi nosso cum ave Maria </em></p>
<p style="padding-left:90px;"><strong><em>Seculo</em></strong><em>, tamera, nta ngana nzambi …</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>Ê calunga qui tom’ossemá</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>Ê calunga qui nta ngana nzambi!</em></p>
<p style="padding-left:90px;"><em>Aiô!”</em></p>
<p><strong><em>(Ponto de Vissungo. Século 19 para o 20 &#8211; São João da Chapada, MG, Brasil)</em></strong></p>
<p>Aliás, falando nisto, um leitor do facebook (Eurico Henrique), provavelmente angolano, outro dia me mandou esta saudação que muito me envaideceu:</p>
<p style="padding-left:90px;"><em>“<strong>Sekulu</strong> yietu!!O sr.tem lindos filhos, parabens,,tuapandula!!</em></p>
<p>Viram só? Não subestimem. O papo do tio então não é um chute bola fora ou dentro por acaso, um pênalti de leigo. O papo aqui não é de todo veraz, mas é dez.</p>
<p>E velho<em>‘por definição’</em>, eu disse. Notaram aí na epígrafe? Viram como até nesta conversa de se intitular ‘<strong><em>Tio’</em></strong>, assim parecendo jocoso, o que se busca é fincar um pezinho lá atrás em alguma história algo fundamentada (bem, haverá aqui um pouco de divertida zoação aos críticos também, sim, claro, nestes uns e outros ressentidos que &#8211; sabe-se lá porque mágoas movidos &#8211; chamaram o tio de ‘<em>velho’</em> com intenções ofensivas.</p>
<p>Enganam-se, portanto todos os leitores amigos ou quase amigos que vêem intempestividade e sofreguidão nos <em>posts</em> do Tio na Rede. Escrevinhador compulsivo, de caso pensado o que o <em>Tio</em> tenta ser, modestamente é uma espécie de <em>griot pós moderno</em> (coisa que, cá entre nós, todo velho tenta &#8211; ou mesmo deveria tentar – ser, por definição).</p>
<p>Cabeça cheia de memórias transbordantes das quais desesperadamente os tios todos tentam se livrar, o que se balançará daqui pra ali nos escritos aqui em retrospectiva, será apenas uma alma antiga e vadia, doida pra afirmar que está viva e tem algo a contar aos mais novos ou interessados em geral.</p>
<p>Mas pelo sim pelo não, devo dizer que bem antes de pesquisar o tema, aprendi isto aí de ‘<em>sekulo’</em> primeiro circulando em favelas. Sério. Juro por Deus. Afinal nem tudo está nos livros e do que nos livros está nem tudo é verdade, Vocês, os mais moleques agora, quando forem tios com certeza disto hão de saber.</p>
<p>É que desde que meus cabelos embranqueceram que os moleques mais garotos destes lugares me chamam de ‘<em>Tio’</em>. Não como é agora,  quando isto é normal. Neste tempo aí do qual falo &#8211; e que é bem recente até &#8211; só os crioulinhos de favela tratavam -  e tratam &#8211; os velhos assim, como uma pessoa merecedora de respeito, como um irmão da mãe.</p>
<p>Nunca viram não?</p>
<p>Os garotos mais escolados, pós adolescentes ou quase adultos, marrentos, metidos alguns já com o tráfico ou outras bandidagens, são até mais precisos: chamam a gente de <em>‘Mais velho’</em> mesmo , assim como se fosse um estranhamente venerável título (e ser chamado assim de ‘<em>Mais Velho’</em> com tanta reverencia por um sujeito garotão com um fuzil de guerra cruzado à tiracolo enche mesmo de moral a alma de qualquer sujeito)</p>
<p>Bisbilhoteiro que sou desde criancinha &#8211; posto que garotos de favela quase sempre são crioulos &#8211; não custei muito a descobrir que aquilo era coisa de cultura negra vinda de longe, de fora dos livros, mas Cultura negra sim, coisa de pretos isolados ruminando os hábitos e as práticas sociais dos avós, memórias recicladas. Tradição.</p>
<p>E atentem para o detalhe crucial: velhos brancos, já que brancos são raros em favelas, nunca eram – ou são &#8211; tratados assim. Você devem saber: velho branco em favela é chamado quase sempre &#8211; com um certo cinismo até &#8211; de&#8230; ‘<em>doutor’</em>.</p>
<p>É, portanto este conceito de <strong><em>Tio</em></strong> que estará em tela aqui no nosso papo, correto?</p>
<p>Simplismo, <em>conversê</em> e papo raso não precisa ser regra em redes sociais. O ‘<em>book’</em> virtual de cada um de nós não precisa ser um ‘<em>caô caô’</em> deslavado e cínico. Nem simplista. Nem muito menos malcriado e grosso. A ‘<em>face’</em> fake dos <em>orkutistas</em> e fofoqueiros ofendidos de plantão que se lixe, mas o balanço aqui do tio nunca será virtual.</p>
<p>O papo aqui será o <em>Papo Reto</em>, morou?</p>
<p>Dito isto vamos balançando de um lado para outro e em frente que atrás vem gente.</p>
<h2><span style="color:#ff9900;"><strong>A Estratégia da Aranha</strong></span></h2>
<p>Tenho um histórico bem curioso e pragmático desta minha entrada, desta minha queda  fragorosa na rede, no mundo fundo das ideias virtuais. Planejei tudo, podem crer. Tanto que posso agora mesmo fazer esta incrementada retrospectiva das aventuras do <em>Tio</em> neste mundão véio sem porteira que é a Internet.</p>
<p>A modernidade &#8211; podem crer &#8211; é sempre um amontoado de bobagens fortuitas, manjadas e questionáveis. <em>Nós</em> a inventamos tirando a bruta &#8211; como não podia deixar de ser &#8211; de nossa própria natureza e condição humana. Dela, desta nossa natureza, na qual nada se cria, tudo se transforma (ou se copia) já se disse certo dia (um sabichão destes aí): Nada do que é humano nos é estranho.</p>
<p>É que escrevinhador viciado que já me assumi ser, mantinha em casa uma ‘<em>gaveta</em>’ larga e funda de alfarrábios, papel A4 de escritório, formulários contínuos de velhos computadores jurássicos, folhas de papel almaço e até guardanapos de bar, babados, manchados de velhos <em>chops</em>, tudo rabiscado ou datilografado com ideias esparsas, imperdíveis, naquele fugaz momento de <em>insight</em>, aqueles pensamentos em flashs piscando na alma, <em>brain storms</em> elétricas, aos quais a gente se apega e com sofreguidão quase mística registra, rabisca, anota, porque sabe muito bem que toda memória é fraca e finita, descartável, se esmaece e se esvai com o tempo que tudo moe e rói como as traças vorazes.</p>
<p>Caixas e caixas de papelão contendo pastas e mais pastas de amarfanhados e amarelados textos, poemas bisextos, letras de canções, textos teatrais, contos, roteiros de cinema e muitas e muitas páginas manuscritas com anotações das pesquisas de campo &#8211; e as suas ainda embrionárias conclusões, espécie de teses de mestrado de leigo abusado &#8211; que fiz com o <em>grupo Vissungo </em>nas décadas de 70 e 80 do século passado, zanzando pela região sudeste do país, principalmente pela terra do meu pai, <em>Minas Gerais</em>.</p>
<p>A descoberta da Internet para mim, portanto, desta coisa de poder transformar aquela transbordante e empoeirada gaveta física, íntima em escancarada gaveta virtual e pública, este prazer inenarrável de poder partilhar os meus textos, milhões e milhões de caracteres, com leitores reais, retroalimentar o meu prazer de escrever com o <em>feedback</em> do bem querer -ou mesmo do mal querer &#8211; de gente de todo tipo, gatos e sapatos, cobras e lagartos, gregos e baianos, me fascinou absolutamente.</p>
<p>Foi mesmo a fome com a vontade de comer.</p>
<p>Eu sei. Me empolgo, mas sei que é coisa pouca. Quem não tem lá a sua história de enrabichamento internético, o seu ‘<em>orkustismo’</em> íntimo, a nostalgia do dia em que caiu na rede, o mergulho ciberemocional nos sites que amou ou odiou, toda uma vida virtual transcorrida, vivida como cachoeira escorrendo para um rio, quem não tem?</p>
<p>No entanto – é bom frisar- não comecei a minha vida nas redes sociais pelo <em>Orkut</em> como a maioria. Aquela coisa de montar grupinhos para entabular conversas sobre bobagens e trivialidades infanto-juvenis nunca apeteceu o <em>véio</em>. Abri sim o meu perfil no <em>Orkut</em> já muito tempo depois de estar caidinho pela rede, apenas para estabelecer algum contato virtual com os muitos alunos adolescentes que passei a ter ali por volta do ano 2000.</p>
<p>Foi lá, no <em>Orkut</em>, que aprendi a rir desbragadamente teclando <em>KKKKK</em>! Ou sarcasticamente teclando <em>he, he he he</em>! Não é nada não é nada&#8230;não é nada.</p>
<p>Estreei sim, logo logo e com intenções mais sérias, ali por volta de 2001, bem besta até, quase arrogante, escrevendo para um site jornalístico chamado <em>‘Observatório da Imprensa’, </em>abrindo de saída a minha até hoje solitária briga com o neo-racista <em>Ali Kamel</em>.</p>
<p>Ele , o super super editor-chefe do jornalão mais jornalão do país (O &#8216;Grobo&#8217;) nem ligou, claro. Eu blogueiro formiguinha, não faço nem cosquinha nos monstros sagrados de nosso jornalismo marron. Mas, rato que ruje, esbravejo com eles. Mando-os ao inferno ou a puta que os pariu com todo o direito que a rede mundial de computadores me faculta.</p>
<p>O passo seguinte foi me cadastrar no site colaborativo <em>Overmundo</em>, a minha grande escola em redes sociais &#8211; vivo dizendo isto por aí &#8211; no aprendizado e nas experiências do traquejo de como escrever para a Internet. O conceito <em>‘site colaborativo’</em>, o do feedback dos leitores sendo repassado para o autor ali, quase em tempo real, para quem não sabe, está na raiz do <em>Facebook</em>, a mais bem sucedida experiência neste formato. Pois é. O Overmundo era um Facebook assim, mais miudinho, um Overmundinho virtual.</p>
<p>Armei então neste passo a passo, munido destas experiências todas a minha rede no <strong>Facebook</strong>  do Zucka, usando o que eu chamo de <strong>‘estratégia da aranha’</strong>. E cá entre nós, sou do tempo em que ao se cadastrar no Facebook, o próprio <em>Zucka</em> nos recepcionava numa mensagem bem baba ovo, se oferecendo como &#8216;primeiro amigo&#8217; nosso, como os donos de quitanda de antigamente, namorando clientes. Pode?</p>
<p>Prospectei assim (como um Zucka do bem), meticulosamente os interesses da minha rede de amigos – díspare e dicotomica com bem apetece ao <em>Tio</em> – separando-os por grupos ou páginas. Abri assim as seguintes <em>panelinhas virtuais</em>, umas lacradas para estranhos, outras escancaradas ao que der e vier.</p>
<p>A constatação mais inquietante que fiz, manobrando, administrando grupos e páginas no Facebook (já rolava isto no <em>Overmundo</em>), foi perceber o quanto os nós da rede são cegos, o quanto os grupos de amigos em redes sociais são inconciliáveis entre si. A intolerancia entre grupos talvez seja o traço mais claro da Internet. Seria uma coisa atávica de nossa humanidade? Sei lá. Bem. Os grupos e páginas criados &#8211; abro aqui em primeira mão- foram:</p>
<p style="padding-left:60px;"><strong><em>- Das GröBe Kulture Seminar – </em></strong><em>Uma </em><em>maravilhosa </em>galera de artistas, ligada á antropologia e temas afins. Maioria branca.
</p>
<p style="padding-left:60px;"><strong><em>- Racismo ao Contrário- </em></strong><em>Eletrizante &#8211; e desgastante- experiência quase esquizofrênica, digna de um Franz Fanon. Maioria negra (os brancos se mandaram)<br />
</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><strong><em>- Bantu Society – </em></strong><em>Uma não menos maravilhosa galera interessada no debate da herança bantu na Diáspora negra. Maioria negra.<br />
</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><strong><em>-  Grupo Vissungo – </em></strong><em>Uma página específica grupo musical, mas completamente invadida por ativistas do Movimento negro e suas idossincrasias. Maioria negra<br />
</em></p>
<p style="padding-left:60px;"><strong><em>-  Luanda beira Bahia- </em></strong><em>Gentileza para com a amiga Cibele Verani, antropóloga com enorme experiência em Angola, que fazia comentários tão longos nos posts que lia do Tio, que me fez sugerir &#8211; e abrir para ela &#8211; uma página exclusiva. Esta é, aliás, a página mais mista entre todas que cometi.<strong><br />
</strong></em></p>
<p>Seguindo em frente em nossa retrospectiva então, o nosso papo ciberimagético, como chicotinho queimado será ora <em>quente</em> ora <em>frio</em>. No <em>quente</em> os segredinhos típicos da peraltice do Tio:  O <em>must</em> é a franqueza ácida e provocativa que como papel ‘<em>pega moscas</em>’ captura os incautos falastrões em toscas armadilhas inseridas nos comentários. Depois é só tocar nas feridas certas, mais abertas de cada um, pegos todos pela palavra.</p>
<p>Segredo revelado, é delas – destas teias virtuais urdidas com a cumplicidade dos melhores e adorados amigos que amealhei na rede que, malandramente, o <em>Tio</em> rumina, pesquisa, amadurece e extrai seus temas mais pertinentes ou mesmos polêmicos, como um fofoqueiro meticuloso extrai os seus <em>babados</em>&#8230;quer dizer&#8230; as suas <em>franchas,</em> já que rede que é rede não tem <em>babados</em> nem <em>firulas</em>.</p>
<p>É já caído assim, dependurado, agarrado nestas <em>franchas</em> frouxas, porém embaraçadas neste <em>‘Tamo Junto’</em> viciante, que o <strong><em>Tio</em></strong> voltará no próximo capítulo desta curta série , cada panelinha virtual revelada numa mumunha, numa <em>ultrasonografia</em> das inteligências e imbecilidades todas – e as muitas  intolerâncias &#8211;  que a rede inocentemente, coitada, anda espargindo por aí.</p>
<p>É aquela história: A Rede é virgem, mas vive ainda na selva mais anárquica deste mundo. O <em>Tio</em> tenta apenas ser um bom garimpeiro-caçador.</p>
<p>Mas isto é papo para encher o <em><strong>post #02</strong></em>.</p>
<h3><em><span style="color:#ff9900;"><strong>Spírito Santo</strong></span></em></h3>
<p>Janeiro 2012</p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16238/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16238&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Notebook com vela- Foto Spírito Santo</media:title>
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		<title>A &#8216;verdadeira&#8217; história do Samba ainda mal contada</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 12:59:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO:Todo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons. Digo e repito: No Mito da criação do Samba há um pecado original O filme aqui resenhado &#8211; e linkado abaixo &#8211; é ducacete. Não sei ainda ao certo se o título dele é este mesmo: &#8220;A verdadeira história do Samba&#8220;. Se for [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16204&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<h2><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/a-verdadeira-historia-do-samba-ainda-mal-contada/rodadesamba/" rel="attachment wp-att-16196"><img class="alignleft size-full wp-image-16196" title="Roda de Samba" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2012/01/rodadesamba.jpg?w=497&#038;h=365" alt="" width="497" height="365" /></a></h2>
<h2><span style="color:#ff9900;">Digo e repito: No Mito da criação do Samba há um pecado original</span></h2>
<p>O filme aqui resenhado &#8211; e linkado abaixo &#8211; é <em>ducacete</em>. Não sei ainda ao certo se o título dele é este mesmo: &#8220;<strong><em>A verdadeira história do Samba</em></strong>&#8220;. Se for esta a intenção, então sugiro um pouquinho de &#8216;pé atrás&#8217; com a pretensão descabida, que andemos devagar com o andor neste sentido, já que para mim os problemas do filme residem exatamente aí, em partes de seu conteúdo.</p>
<p>É que o <em>Tio</em> escreveu um livro inteiro sobre este mesmo tema &#8211; a história do Samba &#8211; e tropeçou numa série impressionante de mistificações e abobrinhas etnológicas. Aliás, o livro só virou livro &#8211; no volume &#8211; por conta da quantidade enorme de teses e hipóteses, provavelmente infundadas que tive encarar, esmiuçar e &#8211; pisando em muitos ovos &#8211; tentar desconstruir.</p>
<p>As informações historiográficas de <em>Joel Rufino</em> sobre as origens do Samba contidas neste excelente documentário são, infelizmente um tanto imprecisas, meramente conjecturais, capciosas mesmo em alguns de seus aspectos cruciais. São a mera repetição de equívocos clássicos e improbabilidades flagrantes. E olha&#8230;<em>Joel Rufino</em> é uma unanimidade como intelectual e historiador negro.</p>
<p>Mas, sejamos francos: Esta não é, com certeza a ‘<em>verdadeira’</em> história do Samba. É apenas a versão ‘<em>oficial’</em> , a mais recorrente, o ‘<em>chavão’</em>, a versão ‘<em>chapa branca’</em>, digamos assim de uma complexa linha de tempo que se quer encaixotar numa versão simplista e condensada.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2012/01/08/a-verdadeira-historia-do-samba-ainda-mal-contada-2/"><img src="http://img.youtube.com/vi/voNjbMJR19Q/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Neste sentido, o memorialismo das falas de <em>Grande Otelo</em> no filme é muito mais preciso correto até, pois as incongruências recaem muito mais sobre a fala dos entrevistados do que sobre opiniões dele, <em>Grande Otelo</em>. Acredite nos depoentes quem quiser.</p>
<p>Como incongruência exemplar, por exemplo, posso apontar que é visível na fala de <em>Tia Carmem</em>, a anciã baiana &#8211; entrevistada, obviamente para dar legitimidade à tese &#8211; que ela declama um discurso oficial, o que todo mundo quer ouvir porque foi sacramentado como verdade oficial, a &#8216;<em>verdade</em>&#8216; confortável porque dá projeção ao seu grupo, a sua comunidade específica, Pai <em>Alabá</em>, <em>Tia Ciata</em>, a colônia baiana de sua meninice.</p>
<p>Esta versão pretensamente historiográfica que <em>Joel</em> coloca &#8211; e o filme, de certo modo corrobora &#8211; olhada mais meticulosamente está marcada, infelizmente por preconceitos sutis, ardilosamente construídos ao longo do tempo, equívocos antropológicos e etnológicos à vezes crassos, concepções apressadas, descuidadas que se acumularam em camadas sucessivas em dois sentidos:</p>
<p><em>Um</em> na realização dos anseios de ascensão social desta elite baiana que aqui se estabeleceu no final do século 19. <em>Outro</em> pela conciliação destes interesses com os da elite branca, principalmente a intelectual, acadêmica a quem interessava sobremaneira a interlocução, a intermediação desta <em>elite negra</em> como anteparo, salvaguarda nas conflituosas relações com a nossa imensa população negra, excluída de direitos, alijada do acesso á &#8216;<em>farinha pouca</em>&#8216; de nossa estratificação social.</p>
<p>História oral artificialmente intelectualizada, carente ainda de fundamentos, se aprofundarmos este assunto &#8211; mesmo que apenas do ponto de vista cultural- com dados e documentos mais cabais, a maior parte desta versão historiográfica – o mito da invenção do Samba por baianos na casa da <em>Tia Ciata</em> &#8211; provavelmente desmoronará.</p>
<p>Quando Joel diz, por exemplo, “<em>Invenção carioca decorrente do batuque baiano</em>” é fácil se perceber a incongruência da afirmação. Para começar, o tal ‘<em>Batuque’</em>, é um gênero musical de ascendência antes de tudo africana, angolana que se espalhou de forma genérica pelo Brasil inteiro – <em>Rio de Janeiro</em> inclusive &#8211; e não exclusivamente, ou privilegiadamente, na Bahia.</p>
<p>Para terminar não existe uma lógica bairrista, regionalista possível,  na evolução ou disseminação de valores étnicos, culturais que extrapolam, em sua origem os limites  geográficos do Brasil.</p>
<p>Ora, além do mais – e eu digo e repito isto no meu livro “<strong><em><span style="color:#ff0000;"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=2978&amp;action=edit"><span style="color:#ff0000;">Do Samba ao Funk do Jorjão</span></a></span>”</em></strong>- já havia milhares de escravos negros no Rio de Janeiro desde sempre, mais de dois séculos antes de 1870 (época provável da chegada, por várias razões, das primeiras levas de baianos que se alojaram como uma colônia nas imediações da <em>Praça Onze</em>).</p>
<p>Supor que estes milhares de negros que <em>já estavam</em> no Rio de Janeiro, pelo menos desde 1600 – e que, diga-se de passagem, <em>não vinham</em> absolutamente da <em>Bahia</em>, porque, entre outros motivos, seria economicamente inviável baldear cargas de escravos na indireta via Luanda-Salvador-<em>Rio de Janeiro </em>– supor que estes negros todos, oriundos, em sua maioria da região hoje conhecida como <strong><em>República de Angola</em></strong> &#8211; não tinham condições de criar uma manifestação musical própria, por si sós, só o fazendo com a chegada dos tais baianos, é sobre qualquer ponto de vista de uma implausibilidade absoluta, um preconceito estranho que divide africanos escravos numa espécie de hierarquia bem maquiavélica, com uns (a maioria) sendo tratados como intelectualmente inferiores aos outros (uma minoria)</p>
<p>(Acho impressionante que a maioria dos intelectuais do Brasil ainda dê crédito a tamanho disparate antropológico.)</p>
<p>Claro que a influencia baiana no Samba carioca &#8211; se é que ela pode ser em alguma medida aferida &#8211; foi apenas circunstancial, irrisória. Totalmente improvável, portanto esta ascendência privilegiada dos baianos do <em>Candomblé</em> (gêje-nagô) e do <em>Rancho</em> (lusitano) na fundação do Samba carioca, do <strong><em>Samba Nacional</em></strong>, do Samba hegemônico, enfim.</p>
<p>Tudo isto – a ideia de uma <em>elite negro-baiana</em>, superior e intelectualmente mais capaz do que o resto da escravaria – é fruto de um mito clássico (aliás, para mim execrável) arraigado na história ‘<em>oficial</em> ‘da cultura negra brasileira: A <em>supremacia nagô-baiana</em>, uma concepção muito propícia à manutenção do <em>status quo</em>, do racismo brasileiro generalizado que se baseia, exatamente, em procedimentos de exclusão da maioria em privilégio de elites, grupos minoritários <em>&#8216;diferenciados&#8217;</em>.</p>
<p>Tal é para mim o tal mistério da história<em> &#8216;verdadeira’ </em>do Samba, carente de muita – e urgente &#8211; revisão.</p>
<p>Assistindo ao emocionante filme sem estas preocupações ranhetas e impertinentes, ouvindo, enlevados apenas pela graça crua das canções, ganhamos muito mais.</p>
<p>O conhecimento, a construção imponderável do saber sobre estas coisas tão etéreas e ambíguas do lado africano de nossa cultura é que é mesmo o mais insondável dos mistérios.</p>
<p>Pelo menos por enquanto.</p>
<p><span style="color:#ff9900;"><strong>Spírito Santo</strong></span></p>
<p>Janeiro 2012</p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16204/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16204/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16204/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16204&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A maldição do ‘Deus Dará” não está na Bíblia nem no gibi</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 19:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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<strong></strong></a><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2011/12/14/a-maldicao-do-deus-dara-nao-esta-na-biblia-nem-no-gibi/img225/" rel="attachment wp-att-16115"><img class="size-full wp-image-16115" title="Fábrica abandonada - Foto Spirito Santo 2011" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2011/12/img225.jpg?w=497&#038;h=372" alt="Fábrica abandonada - Foto Spirito Santo 2011" width="497" height="372" /></a></h5>
<h2><span style="color:#ff9900;"><strong>Na boca do Jacarezinho o inferno é grande</strong></span></h2>
<p><strong>O <em>Tio</em> cronista, assim, do nada, visita o âmago da favela real</strong></p>
<p>Um grupo de alunos mais chegados do <em>Musikfabrik,</em> todos músicos, com exceção de um, decidiu promover um encontro de congraçamento de fim deste  ano da graça de 2011. <em>“Whíske com cerveja e outras milongas mais”</em>, como diria o <em>Jorge Ben</em> sobre a festa do <em>Charles Anjo45</em>.</p>
<p>Saímos da <strong><em>Uerj</em></strong> em dois táxis fagueiros. Eu, <em>Hugo</em>, <em>Chopa</em>, <em>Eduardo</em>, o DJ <em>Muhamed</em> e o meu amigo <em>Samuka</em>, convidado fortuito, pego a laço ali, na hora. O inusitado do local escolhido – a favela do Jacarezinho, selvagem e indomada ainda &#8211; tinha tudo a ver com a música do ‘<em>Charles’</em> e uma explicação prosaica: <em>Hugo</em>, o aluno uruguaio artista plástico, havia montado o seu ateliê justamente ali naquela favela, numa bem azeitada parceria com a associação de moradores local que exigiu dele, em troca do espaço, apenas que promovesse aulas de artes plásticas para as crianças da comunidade.</p>
<p>Beleza. Simples assim. Sem <em>ONG</em>, sem <em>UPP</em> ou edital, <em>Hugo</em> montou um excelente trabalho por lá. A articulação envolvia contatos particulares bem anteriores de <em>Hugo</em>, com um habitante dali, antigo ‘morador’ de nosso sistema prisional.</p>
<p>O ensejo do churrasco, totalmente informal como um grupo de músicos bem aprecia, foi articulado em minutos. Uma visita à <em>birosca trailer</em> de <em>Dona ‘Mãe’</em> como o <em>Hugo</em> chama a proprietária, deixou os <strong><em>PMs</em></strong> super armados na entradinha da favela indóceis, nervosos. Afinal, o que faria por ali aquele bando de crioulos estrangeiros? Nada demais. Bastava não dar muita atenção a eles que a indocilidade logo se dissiparia, como se dissipou. Logo saíram com a patamo para longe dali, sumindo de nossa vista como uma chata aparição indesejada.</p>
<p>Dali mesmo da birosca de <em>D. Mãe</em> já saíram os litros de cerveja. Um garoto partiu com a missão que retornar com o carvão. Coisa de mais alguns minutos, ouvindo ainda o espoucar do foguetório aqui e ali, como GPS escandaloso avisando aos traficantes todo o trajeto da patamo da PM pelo entorno da favela e já estávamos refestelados em cadeiras, em torno de uma mesa improvisada com um gigantesco carretel destes de cabos de força da Light, felizes e tranquilos naquela nossa <strong><em>unidade de pacificação particular</em></strong>.</p>
<p>Ali, naquela tarde ensolarada e calorenta, num pátio imenso entre as ruínas de uma fábrica abandonada tive o grande prazer de promover o que talvez tenha sido &#8211; e para sempre será, presumo &#8211; o debate mais profícuo sobre o meu livro ‘<strong><em>Do Samba ao Funk do Jorjão’</em></strong>.</p>
<p>É que o pessoal era todo especialista, exatamente naqueles assuntos que o livro aborda: Gente preta, músicos, de certo modo sambistas e habitantes de <em>‘comunidades carentes’</em> no passado ou no presente. Gostaram muito do propósito do livro de desconstruir alguns mitos da história do Samba.</p>
<p>Fecharam questão com certos trechos, não tanto com outros e a animação da ‘mesa redonda’ informal foi se encorpando, gerando até o convite do líder comunitário da área para que o Tio aqui voltasse num outro dia para um debate com os integrantes da velha guarda da <strong><em>Escola de Samba Unidos do Jacarezinho</em></strong>. Imperdível esta, certo? <em>“Mais velho’</em> empedernido e quase profissional o <em>Tio</em> aqui topou na hora.</p>
<p>E não duvidem. Distorço em nada os fatos nesta minha narrativa. A ‘<em>mesa’</em> foi unânime em endossar aquela tese do Tio sobre a <strong><em>Ditadura Militar Seletiva. </em></strong>Lá para as tantas, mesmo ainda ouvindo o foguetório GPS da garotada do tráfico, <em>João Carlos</em> (nome fictício) líder comunitário local me saiu com esta:</p>
<p><em>_”…Eu sei que com os bandidos também é meio ditadura, mas é diferente. Esta filosofia ‘deles’ (os soldados da PM ou do Exército), esta disciplina militar não se coaduna com a nossa..”</em></p>
<p>Todos, sem exceção manifestaram o temor do que acontecerá depois de 2016, com o fim dos <em>Jogos Olímpicos</em> e a política de controle militar das comunidades carentes não for mais necessária aos interesses eleitorais, turísticos e esportivos das ‘ôtoridades’ constituídas. Todos temem por ali os efeitos caóticos de um previsível <em>‘Deus dará’ </em>que se abaterá sobre as favelas do Rio de Janeiro.</p>
<h2><span style="color:#ff9900;">Aliás, o cenário dantesco da parte 01 desta maldição do ‘<em>Deus dará’</em> estava ali para todo mundo ver.</span></h2>
<p>A fábrica abandonada (existem várias por ali, como ruínas de uma cidade bombardeada por aviões inimigos numa guerra invisível) é realmente imensa. Um morador (por acaso irmão do ex presidiário, cria da comunidade) descreve um cenário de muita prosperidade no passado daquele local. A fábrica que se chamava segundo ele ‘<strong><em>Shop’</em></strong> era uma grande confecção de roupas finas e empregava muitas centenas (ele disse alguns milhares) de habitantes dali e de outras localidades.</p>
<p>Para quem não sabe, a região, que compreende os trechos que margeiam as <em>Avenida Brasil</em> e a antiga <em>Avenida Suburbana</em> (hoje Avenida <em>D. Helder Câmara</em>) já foi um pujante parque industrial na década de 60 e 70 do século passado. Este <em>Tio</em> mesmo aqui que vos fala, foi operário metalúrgico na região em seus tempos áureos, ali pelo final dos anos 60.</p>
<p>Dá na gente uma sensação dolorosa de impotência testemunhar na visão ruinosa destas construções desdentadas e destelhadas, o desamparo absoluto ao qual foram relegadas estas pessoas, com o desmonte súbito daquele mercado de trabalho, provocado pela derrocada econômica das indústrias do Estado do Rio de Janeiro e a degradação urbana resultante, com o explosivo processo de favelização da região se agudizando, caracterizado, inclusive pela criação de verdadeiros condomínios de favelados em caóticas ocupações de muitas destas fábricas em ruínas.</p>
<p><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2011/12/14/a-maldicao-do-deus-dara-nao-esta-na-biblia-nem-no-gibi/jacarezinho-grupo-2/" rel="attachment wp-att-16127"><img class="size-full wp-image-16127" title="Da esquerda para a direita, Muhamed o Dj, Samuka, Eduardo, um habitante do local, Chopa e Hugo, o uruguaio." src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2011/12/jacarezinho-grupo1.jpg?w=497&#038;h=295" alt="Da esquerda para a direita, Muhamed o Dj, Samuka, Eduardo, um habitante do local, Chopa e Hugo, o uruguaio." width="497" height="295" /></a></p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption alignleft">
<dd class="wp-caption-dd">Da esquerda para a direita, Muhamed o Dj, Samuka, Eduardo, um habitante do local, Chopa e Hugo, o uruguaio (além do Tio atrás da câmera, claro).</dd>
</dl>
</div>
<h2><span style="color:#ff9900;">Uma visão de caos bíblico.</span></h2>
<p>Por razões que o uruguaio <em>Hugo</em> me esclareceu depois, ainda que por alto, a esperada ocupação desordenada das ruínas da fábrica ‘<em>Shop</em>” por hordas de favelados sem teto, jamais ocorreu.  Alguém, a associação de Moradores, presumo &#8211; não sei exatamente quem ou quando na verdade &#8211; destinou todo o espaço para atividades sócio culturais, entre as quais o atelier de Hugo.</p>
<p>A origem da legitimidade do poder institucional, com muita pinta de ser informal, que fez com que as pessoas obedecessem piamente a ordem de preservação do local é bem misteriosa. Se o próprio MinC/ IPHAN tivesse tombado o imóvel talvez não houvesse respeito maior.</p>
<p>Pude saber pelo mesmo <em>Hugo</em> que ali funciona agora também uma pequena fábrica de lajes pré moldadas a céu aberto, embora nenhuma obra de adequação do espaço (além do ateliê de <em>Hugo</em> que tem até ar condicionado!) seja visível no local que acumula lixo e entulho de anos e teve os telhados que cobriam os amplos galpões (valiosas telhas de amianto) , totalmente desmontados, com as estruturas de ferro à mostra, nos saques que ocorreram.</p>
<p>Enquanto fotografava as ruínas da fábrica, as palavras do líder comunitário sobre a <strong><em>Ditadura Militar Seletiva</em></strong>, ainda ecoavam na minha cabeça:</p>
<p><em>_”..Aqui não tem hora, aqui se eu quiser fazer uma festa de casamento de madrugada, um baile funk, uma roda de samba, a hora que eu quiser, soltar pipa, transportar tijolo, o que for eu faço. Aqui tenho liberdade. Os traficantes não interferem nisto aí não… </em></p>
<p>Fim de tarde, fim de festa. Partimos já meio bêbados para a Av. Suburbana à cata dos ônibus ou vans de cada um, tendo como guia &#8211; e escolta &#8211; o orgulhoso líder comunitário local. A descrição do impressionante interior, do âmago da favela do Jacarezinho que farei a seguir, foi uma experiência radical e quase inédita para mim que já conheci – e descrevi &#8211; o âmago de outras favelas do Rio.</p>
<p><em>_”É só lá com o negócio deles e pronto. E mais…bandido não esculacha morador, mulher, criança assim à toa não, bandido não rouba morador.” _ </em>Dizia João Carlos, ecoando na minha cabeça.</p>
<p>A noite caía rapidamente, quando saímos das ruínas da fábrica. As vielas da favela, exíguas como artérias entupidas, se encaminhavam todas para uma rua também magrinha, uma ruela central na verdade com, no máximo uns três, quatro se muito, metros de largura. Uma rua tensa por si só e amedrontadora para nós, visitantes de primeira viagem.</p>
<p>Carros nem pensar. Não cabiam ali. O tráfego de veículos maiores que motos e bicicletas era virtualmente impossível por ali. Esta ruela central se torna mais exígua ainda com os atravancados estacionamentos de bicicletas, centenas delas amontoadas em pontos estratégicos, geralmente perto das dezenas de bares e pequenas lanchonetes que se amontoavam num dos cantos sem calçadas.</p>
<p>Há também uma formidável aglomeração de pessoas sentadas na rua. Nestes ‘<em>points’</em> soturnos, as moças ficavam soltas em conversas animadas sabe-se lá sobre o que, novelas, cabelos, namoros, todas sentadas em cadeiras comuns ou caixotes, como se todos por ali tivessem decidido sair para a rua ao mesmo tempo, largando as pequeninas casas com as janelas escancaradas, naquele calor estúpido que fazia.</p>
<p>Existe um serviço de transporte de tralhas de todo tipo em carrinhos artesanais construídos com carcaças de geladeiras velhas e chassis de madeira. Presenciei a tortuosa tentativa de três meninos esquálidos empurrando um carrinho destes, carregado de entulho de obra, por uma rampa estreita acima.  O esforço desconjuntado que faziam resfolegantes em sua magreza meio mórbida, me deu a impressão de que eram garotos viciados tentando fazer alguns trocados para comprar pedras de <em>crack</em>.</p>
<p>Já com a noite inteiramente caída, já que não havia o menor sinal de iluminação pública por ali, deu para notar que uma escuridão pesada cobria aquelas ruelas, uma escuridão selvagem e opressiva porque era entrecortada, abruptamente, a todo o momento pelos faróis das centenas de motos que cruzavam para lá e para cá, motos, centenas de motos era o que mais se via por ali. Cruzei em certo momento com uma moto ‘<strong><em>Ninja’</em></strong>, verde limão, de última geração.</p>
<p>Naquela escuridão opressiva para mim, imprecisa nem olhei &#8211; e por isto não vi &#8211; os rostos nem quaisquer outros detalhes dos ocupantes das motos, se estavam ou não armados, suponho apenas que muitos deviam ser moto taxistas afobados ou mesmo meninos traficantes em missões patrulhamento.</p>
<p>Mas existiam também os transeuntes, centenas deles, como um formigueiro de gente sem rumo definido, cujos rostos só eram entrevistos em <em>flashs</em> dos faróis das motos ou pelas lâmpadas incandescentes de um ou outro quiosque de cachorro quente espalhados por ali. Quase como luz negra de bailes funk.</p>
<p>Impressionou-me demais a juventude, claramente predominante daquela multidão fervilhante e animada por não se sabe o que. Aquela sensação de geração perdida acuada, oprimida naquela ruela sufocada de mazelas e impossibilidades absolutas, sem futuro algum. Esta sensação de inutilidade me assaltou ali, ainda sem tristeza alguma.</p>
<p>No trajeto passamos por uma área mais movimentada onde havia uma grande quadra de esportes depauperada como tudo por ali. Era o entorno da estação de trens o centro do que havia sido outrora o <strong><em>Bairro do Jacarezinho</em></strong>, já agora engolfado totalmente pela favela.</p>
<p>De repente um trem apareceu resfolegante e ‘<em>Eduardo’</em> e ‘<em>Chopa’</em>, como gatos de rua &#8211; apesar de já beirarem os quarenta anos &#8211; escalaram o muro e, rapidamente se enfiaram por um buraco da tela de proteção da estação, desaparecendo dentro do trem que os levaria à Baixada Fluminense.</p>
<p>Eu e <strong>Muhamed</strong>, o DJ, seguimos então ainda um pouco mais além, sempre escoltados pelo líder comunitário, conversando animadamente. O ponto ‘<em>pitoresco’</em> final de nosso longo trajeto foi a travessia da linha férrea, notória por ser o limite da constrangedora <strong><em>cracolândia</em></strong> do Jacarezinho. Olhando para a esquerda, perscrutando a escuridão profunda do local podemos ver o espoucar ansioso de dezenas de isqueiros acendendo cachimbos de crack como pirilampos da morte.</p>
<p>Já na hora de entrar na <em>van</em>, testemunhamos ainda discussões entre viciados em crack que pediam dinheiro aos motoristas, sofregamente, enquanto os já dopados pela droga se espalhavam pelas calçadas como monturos de lixo.</p>
<p>Foi a hora que a tristeza bateu fundo e senti alívio de estar me afastando dali, de não ser dali, de não suportar mais conviver com aquilo ali.</p>
<p>Não sei, honestamente como aquelas pessoas suportam aquela situação absurda. Lembrei-me daquela explosão de atos de vandalismo promovidas por traficantes um pouco antes da invasão do <strong><em>Complexo do Alemão</em></strong> pelas forças policiais. A maioria dos comandos de meninos terroristas, munida com garrafas pet cheias de gasolina, partiu dali, daquele antro de mazelas indizíveis da <em>cracolândia</em> do Jacarezinho.</p>
<p>Ocorreu-me também que os atos, praticamente não visaram nenhum ataque direto á propriedade privada, como foram os motins de negros dos anos 70 nos EUA, por exemplo.</p>
<h2><span style="color:#ff9900;">Tristezas não pagam dívidas.</span></h2>
<p>Perdemos tudo por aqui, até as chispas de ideologia que poderiam eventualmente motivar a violenta &#8211; e neste caso &#8211; justa indignação destas pessoas como aquelas que vi ontem. Engolidas pela iniquidade que controla a nossa sociedade, elas podem matar ou morrer para defender um paiol de drogas consumidas pelos bacaninhas da Zona Sul, podem explodir e matar incendiadas as pessoas, quaisquer umas, quem estiver por perto por uma maldita pedra de crack, mas não atacam jamais, em grupo, coletivamente, os responsáveis diretos por sua desgraça. Não têm, como se diz, consciência social.</p>
<p>Morte anunciada, a pacificação destas almas todas não é uma probabilidade real, factível. O plano nunca foi resgatá-las deste inferno. Nunca será. Ao contrário a permanência delas ali, <em>ad infinitun</em> é o projeto de sociedade que endossamos. Cercadas, mais acuadas ainda, vão ser transferidas – ou não &#8211; para um inferno alternativo qualquer.</p>
<p>E que Deus tenha se apiede de suas almas.</p>
<h3><span style="color:#ff9900;"><strong>Spirito Santo</strong></span></h3>
<p>Dezembro 2011</p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16114/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16114&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Spirito</media:title>
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			<media:title type="html">Creative Commons License</media:title>
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			<media:title type="html">Fábrica abandonada - Foto Spirito Santo 2011</media:title>
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			<media:title type="html">Da esquerda para a direita, Muhamed o Dj, Samuka, Eduardo, um habitante do local, Chopa e Hugo, o uruguaio.</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>&#8220;Do Samba ao Funk do Jorjão&#8221;. Nas bancas e na rede!</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 18:49:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[Do Samba ao Funk do Jorjão Ritmos, mitos e ledos enganos num enredo de um samba chamado Brasil A guisa de Resenha (mas antes tirando uma ondinha de leve) Caso não saibam, este livro, praticamente concluído desde 2004 (só o atualizei e revisei repetidas vezes por causa de seu longo prelo) foi solenemente esnobado por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16085&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_14954" class="wp-caption alignleft" style="width: 507px"><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2011/06/24/do-samba-ao-funk-do-jorjao-vem-ai-em-agosto/ilustracao-materia-livro-copy/" rel="attachment wp-att-14954"><img class="size-full wp-image-14954" title="Autor, Spirito Santo, em 1978 desfilando com uma inusitada marimba num terno de congada de Machado, MG." src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2011/06/ilustrac3a7c3a3o-matc3a9ria-livro-copy.jpg?w=497&#038;h=311" alt="Autor, Spirito Santo, em 1978 desfilando com uma inusitada marimba num terno de congada de Machado, MG." width="497" height="311" /></a><p class="wp-caption-text">O autor em 1978 desfilando com uma inusitada marimba &#039;africana&#039; (por ele mesmo fabricada) num terno de congada da cidade de Machado, MG.</p></div>
<h2><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2011/06/24/do-samba-ao-funk-do-jorjao-vem-ai-em-agosto/capa-do-livro-do-spirito-proposta/" rel="attachment wp-att-13084"><br />
</a><span style="color:#ff9900;"><strong>Do Samba ao Funk do Jorjão</strong></span></h2>
<p><strong>Ritmos, mitos e ledos enganos num <span class="zem_slink">enredo</span> de um <span class="zem_slink">samba</span> chamado Brasil</strong></p>
<p><span style="color:#888888;"><strong>A guisa de Resenha (mas antes tirando uma ondinha de leve)</strong><br />
</span></p>
<p><span style="color:#ff9900;"><span style="color:#888888;">Caso não saibam, este livro, praticamente concluído desde 2004 (só o atualizei e revisei repetidas vezes por causa de seu longo prelo) foi solenemente esnobado por algumas editoras que alegavam falta de espaço nas suas filas de edição.</span></span></p>
<p><span style="color:#888888;">Todas alegavam esta falta de espaço em sua linha editorial, talvez fazendo uma leitura comercial apressada da palavra &#8216;<em>Samba</em>&#8221; contida no título, ou até mesmo, preconceituosamente estranhando o tom iconoclástico da palavra &#8216;<strong><em>funk</em></strong>&#8216; expresso no título, vai saber?</span></p>
<p><span style="color:#888888;">Foi então que o <em><strong>Duda Valle</strong></em> teve a ideia de me apresentar à querida <em>Noga Sklar</em>, uma das pessoas pioneiras na edição de livros on line no Brasil, responsável pela concretização desta primeira edição que sairá também em POD (impresso sob demanda) e será distribuída na <em><strong>Livraria Cultura, Saraiva, Travessa, Fna</strong></em>c entre outras outras (com opção para infinitas edições &#8216;<em>on demand</em>&#8216;). Macaco véio, já estou planejando a tradução para o inglês, o francês e, quem sabe, até para o javanês.</span></p>
<p><span style="color:#888888;"> Nesta longa espera podemos acompanhar uma crise quase agônica do mercado editorial convencional e o início do &#8216;bombamento&#8217; do livro On line e dos Ipads, seus &#8216;leitores&#8217; eletrônicos. Quem esnobava os livros on line vai ter que correr atrás do prejuízo. Afinal não importa o suporte, um livro é um livro.</span></p>
<p><span style="color:#888888;">Quem ri por último&#8230;&#8221;</span></p>
<p><span style="color:#888888;">Logo, além de lançar o livro para o alto da rede, o lançaremos também convencionalmente, com direito à assinaturas com caneta &#8216;bic&#8217; e tudo. Aliás o primeiro lançamento convencional já rolou no dia 06 de Outubro passado na Livraria Cultura do <em>Fashion Mall</em> em São Conrado no Rio de Janeiro</span></p>
<p><span style="color:#888888;">Segundo a editora este talvez venha a ser um dos primeiros livros de Samba disponível no mercado de livros on line (E.book). Que venham outros. Macaco véio, sabedor de que a rede não é nacionalista nem retrógrada, já estou planejando a tradução para o inglês, o francês e, quem sabe, até para o javanês.</span></p>
<p><span style="color:#888888;">Nesta longa espera podemos acompanhar uma crise do mercado editorial convencional de livros e o início do &#8216;<em>bombamento</em>&#8216; do livro <em>On line</em> e dos <em>Ipads,</em> seus &#8216;leitores&#8217; eletrônicos. Quem esnobava os livros on line vai ter que correr atrás do prejuízo. Quem esnoba ensaios de cultura não acadêmica, cultura negra &#8216;chapa-preta&#8217; ou cultura literária alternativa enfim, como a rede é democrática (pelo menos neste sentido) vai ter que rever seus conceitos também.</span></p>
<p><span style="color:#888888;">Afinal não importa o suporte nem se as idéias são ou não são as hegemônicas e chanceladas por uma elite, <strong>um livro é um livro</strong>.</span></p>
<p><span style="color:#888888;">Quem ri por último&#8230;</span></p>
<h2><span style="color:#ff9900;">&#8220;Do Samba ao Funk do Jorjão</span><span style="color:#ff9900;">&#8220;</span></h2>
<p><span style="color:#999999;"><strong>O que poderia haver de novo num tema tão recorrente quanto o samba?</strong></span></p>
<p style="padding-left:90px;"><span style="color:#999999;"><em>Reflexões multidisciplinares acerca das origens e dos significados do Samba, à luz de algumas características peculiares de sua evolução através do <strong>Tempo</strong>, do <strong>Espaço</strong>, de seus <strong>Meios</strong> &#8211; entre os quais as bandas musicais e os conjuntos de percussão de rua &#8211; e seus <strong>Fins</strong> &#8211; entre os quais o de ser a síntese dos dramas e dilemas socioculturais do Brasil.</em></span></p>
<p><span style="color:#999999;">1- A história do gênero, do ponto de vista etnomusical, à luz da maioria dos documentos e indícios confiáveis possíveis de se levantar, a fim de sugerir algum tipo de linha evolutiva clara, esforço ao qual o autor se debruça durante a primeira parte do estudo.</span></p>
<p><span style="color:#999999;">2- O conceito de <em>Samba</em> enquanto <strong>Mídia</strong>, com vários suportes &#8216;imateriais&#8217; entre os quais as bandas musicais e os conjuntos de percussão de rua, ou seja, o gênero enquanto veículo de transmissão de saberes, no âmbito de culturas de natureza essencialmente oral, no aspecto musical, como uma espécie de <em>suporte melódico</em>, fixado pela tradição, apropriado na época (início do século 20) para a condução de variados tipos de mensagens (textos) gravados, colados a este suporte, segundo necessidades de comunicação social muito bem definidas.</span></p>
<h2><span style="color:#ff9900;"><strong>E tudo acaba mesmo em Samba</strong></span></h2>
<p><span style="color:#999999;">O tema “Samba” &#8211; visto quase sempre como um assunto meramente pitoresco ou banal &#8211; pode envolver um número impressionante de questões subjacentes, por diversas razões, cuidadosamente omitidas e trancadas em velhos armários, varridas para debaixo de surrados tapetes, por serem questões, de algum modo, incômodas para os “unidos” e os “acadêmicos”, detentores da sabedoria nacional.</span></p>
<p><span style="color:#999999;">À luz um simples levantamento de prosaicos fatos da história da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, podemos encontrar claros resquícios de um xenofobismo rasteiro, um nacionalismo ingênuo e renitente que ignora, por exemplo, a evidente complexidade existente no processo de disseminação da cultura negra pelo mundo, no âmbito da ampla e longa diáspora causada pela escravidão, âmbito do qual o Samba não poderia, de forma alguma, estar isolado (até porque talvez seja, no caso do Brasil, a síntese artística mais bem acabada de tudo isto).</span></p>
<p><span style="color:#999999;">Ainda considerando o caso do Brasil como um todo, o texto sugere que os canais de intercâmbio musical, entre os negros de diversas etnias e origens, no contexto desta diáspora tão ampla no tempo e no espaço, obedecem a ciclos evolutivos bem marcados, que nos tem atingido como em ondas, década a década, desde que nosso principal elo com o resto do mundo deixou de ser a Europa.</span></p>
<p><span style="color:#999999;">Sendo muitas vezes tratado como uma espécie de religião, segundo o autor o estudo do Samba tem sido, portanto &#8211; e infelizmente &#8211; ao longo dos anos, um tema muito contaminado por mitos e mistificações lançadas por “fundamentalistas” mal fundamentados, muitas vezes algozes ingênuos da objetividade (atributo que, aliás, tem faltado nos estudos de vários outros aspectos da cultura brasileira, além do Samba).</span></p>
<p><span style="color:#999999;">Mito e Tabu: A necessária discussão (ou polemização) destes dois conceitos, seguramente é a proposta principal deste livro, uma espécie de despretensiosa &#8211; e possível &#8211; <em>História do Samba revista e aumentada</em>, acrescida de abusados questionamentos para apimentar o enredo destas bolorentas alegorias nacionais.</span></p>
<p><span style="color:#999999;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</span></p>
<p><span style="color:#999999;">Obs.: Desta edição da <em><strong><a href="https://www.facebook.com/kbrdigital"><span style="color:#999999;">KBR Digital </span></a></strong></em>consta como parte indissociável do conteúdo, material gráfico ilustrativo consistindo de ilustrações e anotações etnomusicologicas (croquis, infográficos, partituras, etc.) além de fotos de arquivo e de época.</span></p>
<h3><span style="color:#ff9900;"><em><strong>Spírito Santo</strong></em></span></h3>
<p>Setembro 2011</p>
<br />Filed under: <a href='http://spiritosanto.wordpress.com/category/artigocronica/'>Artigo/Cronica</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/spiritosanto.wordpress.com/16085/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/spiritosanto.wordpress.com/16085/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/spiritosanto.wordpress.com/16085/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/spiritosanto.wordpress.com/16085/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/spiritosanto.wordpress.com/16085/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/spiritosanto.wordpress.com/16085/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/spiritosanto.wordpress.com/16085/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/spiritosanto.wordpress.com/16085/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/spiritosanto.wordpress.com/16085/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/spiritosanto.wordpress.com/16085/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/spiritosanto.wordpress.com/16085/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/spiritosanto.wordpress.com/16085/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/spiritosanto.wordpress.com/16085/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/spiritosanto.wordpress.com/16085/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16085&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Autor, Spirito Santo, em 1978 desfilando com uma inusitada marimba num terno de congada de Machado, MG.</media:title>
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		<title>Grupo Vissungo no Cordão do Bola Preta em Dezembro!</title>
		<link>http://spiritosanto.wordpress.com/2011/12/05/grupo-vissungo-no-cordao-do-bola-preta-em-dezembro/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 11:09:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Spirito Santo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo/Cronica]]></category>

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		<description><![CDATA[Filed under: Artigo/Cronica<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=spiritosanto.wordpress.com&amp;blog=858935&amp;post=16057&amp;subd=spiritosanto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://spiritosanto.wordpress.com/2011/12/05/grupo-vissungo-no-cordao-do-bola-preta-em-dezembro/vissungo-no-multifoco-flyer-copy/" rel="attachment wp-att-16058"><img class="alignleft size-full wp-image-16058" title="Vissungo no MUltifoco Flyer copy" src="http://spiritosanto.files.wordpress.com/2011/12/vissungo-no-multifoco-flyer-copy.jpg?w=497&#038;h=329" alt="" width="497" height="329" /></a></p>
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