Mimosa Pudica


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Durmo
à toa
carrego em mim
o narcótico que me atordoa
que me intimida
ao tal ponto
que desfaleço

Durmo
a qualquer mimo
que sofro
a qualquer vento
desmaio
desmonto as folhas
como uma carreira de dominós
desmorona
ordenadamente
soldadinhos em forma
caindo com um peteleco

Pudica
enrubesço quase
ao toque de qualquer coisa

‘Sensitiva’
dizem sobre mim, à boca miúda
como se eu fosse uma vidente
destas que se enclausuram
após prever todas as tempestades

Bobagem
Apenas durmo
e sonho
sonhos verdinhos
que depois florescem

Spirito Santo 2007<a

Música Quântica


Teclado_e_kalimba
Foto: Spirito Santo


Música

fina lira
de agudas quintas
diminutas
como retículas de seda
esgarçadas pela tensão da pele
daquela que é
a mais que desejada musa
mas que
com pudores tantos
fada sem condão que também é
queda-se
(como pendão de lírio
branco e leitoso)
pende
placidamente
como a morrer
feito um girasol.

Ironia estética
arquetípica lira
de argutas fintas
resolutos dribles
como revoluções
de um Pelé dos 70
(equivocada bola
para longe do gol sim
porém, tão perto de ser
aquela lua cheia
que nunca mais irá cair do céu)

Lira de fino trato
prato splash
soando como gata no cio
música de neurônios e demônios
silêncio e grito
amônia e mel
física quântica
de românticas
quintas
esquartejadas em quartas
terças
depois partida
em segundas menores
cifrada em E, G e B
como a querer ser,
de novo,
aquela música mínima
que me ninou
quando bebê.

Spirito Santo 2007<a