Grupo Vissungo: Curta de novo este sonho


Ricos comerciantes Ovimbundos (Angola) olham entre ressabiados e contrariados para a câmera do fotógrafo inglês James Johnston em 1893
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VISSUNGO rides again!

O Vissungo rolou de 1975 até 1996. Espécie de emblema musical de uma época e de um tipo de atitude diante da cultura brasileira, pouca coisa deixou, profissionalmente, registrada. A idéia contudo não morreu. É brasa dormida. A novidade reamadurece como uma fruta que voltou a ser tenra, pois, já existe na cabeça de alguns românticos empedernidos (leia POST SOBRE O ASSUNTO) a intenção de gravar um CD definitivo do grupo.

No rastro do projeto do CD físico e online (ou seja em corpo e alma) anda se falando numa série de shows ao vivo, com convidados engrossando o caldo da proposta que, será toda monitorada, registrada ou ‘makingoffeada’ num blog específico, para o qual este post aqui vai ser transferido, brevemente.

Quem viver verá.

A sua força e desejo, vai ser uma parcela considerável da concretização da virtual esperança em realidade. Curta e comente.

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O Bonde do Maicom


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Foto: Shawn Gerald Blore/http://www.shawnblore.com/


Creative Commons License

Roteiro para filme curta metragem

O dia começou muito tranqüilo para Maicom. Maneiro. Apenas mais um dia de trabalho para um traficante garotão. Chefe da favela na rotina de sempre: Vistoriar o estoque da Boca, com a endolação já de vento em pôpa, distribuir os radinhos para os meninos olheiros, as armas para os soldados mais experientes e, eventualmente rechaçar alguma investida da polícia ou do comando rival. No decorrer do expediente, quem sabe até dar umas bolachas num play boy avião mais intrometido, só para meter moral lá no asfalto. Depois um pouquinho de lazer que ninguém é de ferro: Um rolé pelo morro, umas cervejas e um pouquinho de amor com uma de suas rainhas e pronto: Paz de Deus, repouso do guerreiro.

Só não podia acontecer o que aconteceu. Problema de família, Maicom? Numa hora dessas? Essa não!

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“O BONDE DO MAICOM”
Roteiro – Curta / 35 mm
De Spírito Santo
spiritomusik@gmail.com / 9389 9128

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FADE IN
EXT. FAVELA – TARDE.
Barulho de helicóptero
Vista da janela de helicóptero.
Detalhes de uma favela.
Se destacando na intrincada malha de becos, um campo de terra, onde meninos jogam pelada, o lixão e o prédio de um CIEP com ar de abandonado.

Som de explosões de fogos de artifício.

Na frente do Ciep, um grupo de traficantes, correndo por um beco, pula o muro do Ciep e desaparece em seu interior.
Pichação ilegível escrita no muro que foi pulado pode se assemelhar ou significar o nome do filme, que aparece numa legenda :

“O BONDE DO MAICOM”

(Continua)

O BECO


O BECO
Roteiro para filme de ficção longa metragem
Por Spirito Santo

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Interiores:
Salão de Dancing
Redação e gráfica de jornal
Delegacia de polícia
Salão de sinuca
Interior de avião anos 50
Escritório de advocacia
Interior de adega
Sala de mansão

Exteriores:
Favela ( platô, birosca, barracos, etc. )
Bairro Boêmio (Lapa, Rio de Janeiro) / cabarés, largo, ruas, ladeiras, arcos e adega
Centro do Rio / ( bar, relógio do Largo da Carioca)
Copacabana ( entrada de hotel, fachada de delegacia, ruas e calçadão )
Fuselagem de avião anos 50
Saguão e pista do aeroporto anos 50
Praia do Caribe
Rua de Havana, Cuba

Personagens, coadjuvantes e figurantes
1- Juvenal King Kong / O fotógrafo gordo
2- Dr. Mário Sarione / O delegado
3- Aníbal Maciel / O Senador
4- Cândido Menezes da Silva, “Candinho” / O chofer de táxi
5- Satã / O homossexual
6- Dona Clarinda Belfant Maciel / A madame morta
7- Carlito Pimenta / O Jornalista
8- Herrera / O matador de aluguel
9- Dr. João Beckmam / O advogado
10- Janeth / A amiga da madame
11- Nézinha / Amante de Candinho
12- Menino Goleiro
13- Joaquim Polaco / receptador
14- Secretária
15- Chisnove
16- Velha
17- Barrigudo da piteira
18- Leão de Chácara
19- Misses e mães de misses.
20- Meninos favelados
21- Moradores e freqüentadores da Lapa.
22- Homens e mulheres da alta sociedade
23- Motoristas de táxi
25- Netos da velha
26- Policiais civis

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Exterior/Noite
Beco na Lapa
Piso de paralelepípedos imundo.
Beco deserto iluminado por luminária de rua.

Vozes em off, ao telefone:

Clarinda:
_Ah…vamos sim! Afinal…não vai te custar nada não é? O lugar é tão simpático.

_Janeth:
O que está havendo com você, heim? Nunca foi disso…andar na noite, na
boêmia, nesse submundo?

_Clarinda:
E a Lapa é submundo por acaso? Você não viu ontem? Até Edith Piaf estava lá. Ali é a nossa Monmartre, querida e, além do mais…bem, num ponto você tem razão. Ando meio deprimida mesmo.

_Janeth
Desiludida da vida?.. É o desquite não é?…

_Clarinda
Pois é. Este assunto de novo…Pedi a separação de corpos, sabia? Não dava mais pra suportar…sabe? A pressão, as ameaças…depois de tudo que eu relevei…

_Janeth
Tá bom, não se fala mais nisso. Te pego aí em dez minutos. Ah…quase esqueço. Posso levar alguém…assim, pra te fazer companhia?…Não? Ih…mas que chata que você está, meu Deus! Tá. Esquece….Não, não. Deixa estar. Eu pego um táxi.

Poste da luminária iluminando letreiro de bar ao fundo:

A Capela

Chão de paralelepípedos e poças d’água, fazendo fundo para legenda:

3 de Maio de 1955
Lapa, Rio de Janeiro

Som de gritos inflamados.
Briga de rua.
Pés da assistência, na soleira do bar.
Pés dos contendores, rápidos, indo para o meio da rua, em luta.
Golpe de um no ventre do outro, que cai.
Rosto do homem que caiu, um negro de bigode fino, aparado.
Olhos se revirando.
Rosto do outro, também negro, com um chapéu, olhando para o adversário assustado.
Turba se aproxima do homem caído, agitada.
Agressor em fuga, desaparece numa esquina.
Rosto do homem caído no meio-fio.
Poça de sangue próxima ao rosto, cresce e se mistura a uma poça d’água.
Chuva fina começa a cair.
Poça de água e sangue, salpicada pela chuva.
Letreiros de apresentação rolam no quadro.

(Continua)

LÍNGUA DE FOGO


Peça Teatral de

Spírito Santo

Story line

Homem e prostituta são surpreendidos por um incêndio num prédio abandonado. Bombeiro que consegue penetrar no imóvel, tenta em vão salvar o casal e um velho moribundo, Informações que circulam na rua, no entanto, são utilizadas por uma repórter de TV para montar sua própria versão sobre o incidente.

Espaço Cênico

O espaço cênico proposto para o espetáculo, é um pequeno prédio em ruínas, com marcas de ter sido atingido por um incêndio. O autor sugere a utilização de um imóvel real, com as condições especificadas.

O texto do espetáculo descreve também situações que estariam ocorrendo no exterior do prédio em chamas, durante o trabalho dos bombeiros. Estas situações devem ser previamente gravadas em vídeo para serem projetadas num aparelho de TV ou telão, em ponto visível à platéia, de forma que pareçam estar ocorrendo em frente ao prédio, em tempo real.

Público será convidado a entrar no espaço, com a cena inteiramente montada e a ação já em processo. A área principal desta cena deverá ser composta de um piso ao rés do chão, ocupado pelas cadeiras ou bancos da platéia, com um pequeno trecho livre para a circulação dos atores.

Neste mesmo piso, no limite da cena com o seu exterior simbólico (a rua), existirá uma porta cenográfica obstruída por escombros. Atrás desta porta ou em local mais apropriado, deve existir um espaço que possa servir de coxia, inclusive para falas para as falas em off. A cena deve conter também uma escada de acesso para um jirau ou laje que, por sua vez, deve conter uma janela que pareça dar para o exterior. No último degrau, o acesso para a laje estará, da mesma forma, obstruído por móveis velhos e queimados.

Durante o espetáculo, diversos recursos cenotécnicos tais como fumaça, reflexos de labaredas, etc. podem ser utilizados, de forma que a platéia possa se sentir envolvida por um incêndio mais ou menos realista.

Personagens

1- EDUARDO

Negro, perto dos quarenta anos, artista plástico.

2- OLGA

Negra, cerca de 25 anos, prostituta.

3- JACOB

Branco, cerca de 60 anos. Imigrante.

4- DONATO

Nordestino, cerca de 30 anos. Cabo do Corpo de Bombeiros.

5- MARIANNA TOLENTINO (em imagens gravadas em vídeo)

Branca, jovem, repórter de TV.

6- FIGURANTES. (ao vivo, em off, ou nas imagens gravadas em vídeo)

Bombeiros, Capitão bombeiro, Capitão PM, Testemunhas 1 e 2.

CENA 1

O Motel

(Platéia entrando. Sobre a laje da cena, ainda no escuro, casal seminu, dorme numa cama coberta de trapos. Ação explode quando a platéia estiver totalmente acomodada.

Luz na cena plena, vermelha. Ruídos de incêndio. Mulher acordando num salto, assustada, sacode o homem que está ao seu lado e os dois correm, apavorados, para pegar as roupas que estão dependuradas perto da cama.)

OLGA: (Se vestindo, calçando sandálias de solas bem grossas.)

_Ai, minha virgem Maria! O que é isso? Mas …É fogo?.. É fogo sim, ai meu Cristo!

(Luz trêmula simula labaredas na parede. Lufadas de fumaça vazam pelo acesso da escada que está obstruído por destroços.)

EDUARDO: (Descalço, em pânico, procurando algo no chão)

_A vela! Foi a desgraçada da vela!…(pulando no chão: )…Ai! Meu Deus! Vambora! Isso aqui tá um braseiro!

OLGA: (Também procurando a vela no chão)

_ Ai, meu Cristo! Cadê? A vela sumiu!?…(Fazendo menção de correr até a janela, olhando para o acesso da escada: )…Eu quero sair daqui! Me tira daqui! Socorro! Socorro!

(Eduardo, vestindo a calça, corre na ponta dos pés até o acesso da escada. Tenta desobstruí-lo. Se afasta da fumaça que escapa pelas frestas do acesso.)

EDUARDO:

_ Não dá! Não dá! Ai!..(socando os destroços sem conseguir movê-los, tossindo)…Tá foda! Tá demais! A gente vai morrer assado!..(tossindo: ) Grita socorro! Na janela, vai!.. (Ele mesmo, gritando: )…Socorro! Socorro!

OLGA e EDUARDO: ( Gritando juntos na janela, para a rua, acenando)

_Socorro! Alguém acuda! Pelo amor de Deus!

_Acode aqui, gente! Socorro!

(Ruídos do incêndio aumentam. Reflexo do fogo toma todas as paredes da cena.)

OLGA: (Gritando)

_Eu não agüento isso! Ai, meu pai!

(Olga corre em direção à janela. Eduardo corre atrás dela agarra-a pelas costas e os dois

caem no chão. Olga continua a gritar)

OLGA : (Ficando de pé)

_ Socorro! Me deixa sair! Me deixa sair daqui!

EDUARDO: (No chão, agarrado as pernas de Olga)

_ Não! Não! Sai daí! Tá maluca?

OLGA: (Com parte do corpo para fora da janela)

_Eu quero me jogar! Me larga! Me larga!

EDUARDO: (Em pé, abraçado à Olga, tentando puxá-la para dentro)

_Pára! Pára, pelo amor de Deus!

OLGA: (Gritando para a rua, insistindo em se atirar da janela)

_Ai! Socorro! Eu não quero morrer assim! Eu não quero morrer assim!

EDUARDO: ( Puxando Olga de novo para o chão)

_Sai! Sai daí !

OLGA: ( No chão)

_Me solta! Me solta!

(Ruídos do incêndio diminuem um pouco. Olga desiste. Os dois continuam no chão, ofegantes)

EDUARDO: (Sem soltar Olga)

_Puta que pariu! Viu só? Você ia se esborrachar lá em baixo, sua doida?

(Chamas projetadas nas paredes vão diminuindo também).

(Continua num Download perto de você)