Na Lapa de Makemba #03

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cachoeira-vista-da-lapa(Cachoeira vista da lapa de Pedro – Foto de Spírito Santo)

O Bem o Mal e os ‘diablitos Ñanigos’

Caminhar até a lapa de Pedro e ‘Miúda’ (veja partes #01 e #02 deste post) foi assim como caminhar no paraíso. Parecia ser uma graça obtida por termos seguido tão contritos – apesar de surpresos, a Folia de Reis comandada por Pedro da Miúda, mas, não. Aquilo era muito mais do que uma graça.

Primeiro que, graça mesmo quem tinha obtido era ele, Pedro, o sortudo que além de ter a alegria companheira de ‘Miúda’ e a euforia divina da folia, tinha – digamos assim – certa independência financeira representada pela casinha própria, de alvenaria industrializada (coisa rara por ali) e do bem abastecido bar que, proprietário feliz (e sóbrio) administra tudo isto obtido – segundo ele diz jurando de pés juntos – pela graça suprema de ter achado, há pouco tempo atrás, o mais valioso diamante de toda a sua vida.

O diamante da vida. Sonho recorrente de todos os quilombolas ou não quilombolas por aquelas – por isto mesmo – tão espertas e arredias brenhas. Um anseio tão intenso quanto irresistível, que se transformara em vício incurável que a todos contamina, a ponto de nós mesmos, citadinos incrédulos, influenciados pelas histórias de tantos garimpos bem sucedidos, das notícias das generosas rodadas de pinga gastas nos festejos dos ‘enricados’ da vez, passarmos a andar, furtivamente investigando, de rabo de olho, o cascalho dos córregos do caminho, como crianças que acreditam que no pé de todo arco íris existe um pote de ouro escondido.

Delírios à parte, pobre como manda o figurino de uma folia de reis de vera, a do Pedro tinha um jeitão assim, inacreditavelmente autêntico, com um ar de folia ‘á moda antiga’ mesmo – pelo menos como eu podia imaginar – ou vagamente lembrar – que fossem as folias de reis da minha infância.

Seria mais incrível ainda enxergar toda esta autenticidade, esta veracidade tão inusitada na folia do Pedro, se considerássemos que a manifestação esteve extinta em São João da Chapada durante quase 30 anos (o mesmo incrível tempo que demorei para voltar ao lugar).

Contaram-nos os mais orgulhosos que a prática acabara de ser, totalmente ressuscitada por obra do pessoal de Quartel de Indaiá, como já se constatou – e afirmou cheio de razão o Gerhard Kubik – uma formidável ‘ilha cultural’, um verdadeiro ‘Shangrilá’ de hábitos e costumes deste negro Brasil profundo que visitávamos.

A Folia rediviva viera de Quartel de Indaiá junto com os descendentes dos quilombolas de Makemba, que hoje num processo de franca mudança para a cidade ‘grande’ (São João grande? pobre São João!) trouxe também na sua curiosa memória a Folia de Reis original, do mesmo jeitinho que a faziam por lá até pelo menos 1980, por aí.

Morta-aqui-viva-acolá que era, a Folia de Quartel de Indaiá comandada pelo Pedro (que também é oriundo de Quartel) parece que veio pura, renascida do fundo do oco da gruta onde ele morara naqueles 18 anos com ‘Miúda’.

(Só pra vocês terem uma ideia do quanto a folia deles é insólita, nela não tem nem sombra daqueles palhaços que o Fernando Ortiz viu no El dia de Reyes de Cuba, algo inspiradas segundo ele nos ensina, em sociedades secretas típicas da África, com o nome de ‘Diablitos Ñañigos).

Vocês sabem de quais palhaços estou falando? Isto mesmo. Aqueles com as aterrorizantes máscaras peludas, fedidas, que muitos de nós no Brasil cansamos de ver por aí a fora (as favelas mais antigas do Rio de Janeiro tinham, antigamente, folias de Reis clássicas).

Falando nisto, aliás, honestamente não sei por que os etnólogos daqui – talvez eu não saiba que eles sabem – não se deram conta ainda de que, se o El dia de Reys (06 de Janeiro) de lá de Cuba é o mesmo que o Dia de Reis daqui do Brasil, porque diabos os palhaços de lá e daqui não seriam ‘hermanos’, da mesma origem? (Se bem que, no caso da folia do pessoal de Quartel e São João da Chapada, esta acadêmica discussão seria, totalmente irrelevante, não é não?)

Irrelevâncias à parte, o fato é que eu nunca havia ouvido falar também, em nenhuma outra Folia de Reis, do pitoresco entrecho dançante chamado de ‘Chula’ que a Miúda, agitadamente, lá pelas tantas, nos anunciou. Você já havia ouvido falar disso?

Até o momento em que ‘Miúda’ de Pedro, excitada com a hora de organizar o tal entrecho (do qual ela se declarou a ‘chefe’) eu não fazia mesmo a menor ideia do que fosse. Juro por Deus.

Ah sim! ‘Chula’ – pude logo deduzir, mesmo antes de ver – um nome recorrente em nossa cultura popular, sempre relacionado a certo contexto. No caso, “chula’ de vulgar (no sentido de insólita, profana) em relação à catolicíssima Folia. Fora esta tentativa chinfrim de conceituar alguma coisa, a ‘Chula’ da Miúda era um grande mistério para mim.

E como era insólita esta chula da ‘Miúda’! Nada a ver com a folia em si. Ela era um entrecho mesmo, um ‘interregno’, um ‘intermezzo’, a mais pura e rasgada dança, enfiada na pudica Folia.

E mais: só havia mulheres dançando. Todas, das mais antigas (como ‘Miúda’ e Maria ‘Macarrão’) as mais pequetitinhas, todas graciosamente meninas, terçando passos de pura alegria feminina.

dancando-a-chula

(No dia seguinte, já em Quartel de Indaiá, soubemos que por lá ainda praticavam duas outras danças também, absolutamente desconhecidas para mim (estas com muita pinta de serem espécies de lutas marciais quilombolas, de machos por se assim dizer): O ‘Lundu de Pau’ e a ‘Pomba chorou’, ambas baseadas em estripulias agressivas, ritmadas com longos porretes (errou, paulada levou).

E foi assim que no dia seguinte Pedro da ‘Miúda’, por conta das várias emoções que trocamos nos deu então honra de nos levar a conhecer a sua lapa querida, distante 3 horas a pé de São João, montanha a dentro e, no dia seguinte, a casa-mocambo de Pedro Vissungueiro, que evasivo e reticente como que (por conta talvez de ter sido já por demais assediado nos últimos tempos, quando até um filme sobre ele andaram fazendo) falou, falou, mas, nenhum ponto de vissungo cantou (alegou a dor da perda do irmão Paulo, seu parceiro mas, talvez – sussurou alguém da família – se rolasse uma ‘ajudazinha’, quem sabe…)

Nem precisava. Sorte nossa que queríamos ouvir mesmo – e gravar – muito mais o que ele falou, falou (a agonia, o assédio, o processo da memória dos vissungos se apagando) do que dos ‘pontos’ que porventura cismasse de cantar. Tínhamos já toda uma coleção de registros, pelo menos desde 1942, além do acesso já garantido à inúmeras fontes seguras, em acervos públicos, onde outras gravações essenciais se acham também preservadas, acessíveis a qualquer interessado.

texto-kubik-foto

Pedro Lucindo, o Vissungueiro, não sabe (ou não liga) ainda, mas, cultura oral é memória cega, vaga, imagem que se distorce ou se apaga com o tempo. Tem valor inestimável apenas enquanto não virar registro perene. Antes disto ninguém sabe direito o valor que tem, como um caco de imagem sem rosto, um fragmento de canção sem sentido (ainda mais se for coisa rarefeita como são os diamantes e os Vissungos).

Quem dá mais por uma remota lembrança íntima, pessoal? Quanto vale uma cantiga estranha entoada no enterro do seu avô? Quanto estaríamos dispostos a pagar pela tradução de uma palavra esdrúxula que encerra um enigma histórico transatlântico?

Dez? Cem? Mil reais? Um punhado de telhas de barro?

Largados naquelas brenhas com o fim da Real Extração e a tardia abolição da escravatura, os angolanos do Serro, Diamantina e adjacências garimparam a própria sorte nas gretas da montanha e sobreviveram se alimentando dos fósseis de suas lembranças da África durante quase 300 anos, mas, da ‘descoberta’ dos Vissungos em 1928 até a sua provável morte em 2008, foram necessários apenas 80 anos.

Ah… Tão poucos diamantes para tão pouca vida.

Zélia do Baú, uma das quilombolas entrevistadas, franca, alegre, porém, incisiva nos contou que entre as suas lembranças mais pungentes do tempo de criança, estava a fome, esperando noite a dentro, muitas vezes em vão, que o pai retornasse de Milho Verde com algumas ‘pouquinhas coisas de comer’.

_”Os homens viviam do garimpo de umas poucas pedrinhas. Com o que achavam, iam para Milho Verde, onde eram ludibriados pelos intermediários dos compradores mas, mesmo assim felizes, se embebedavam. As vezes nem voltavam. Ficavam caídos pela lama da estrada, sem um tostão”.

Hoje, devassada redoma de memórias em que se transformaram seus quilombos…‘remanescentes’, ainda largados nas mesmas brenhas de sempre, ainda sem acesso a qualquer benefício social que seja, trabalho, escola, saúde, etc. sem mais o que garimpar nos córregos e cachoeiras (já sendo tomadas pelos turistas) deixam então que lhes garimpem a própria alma.

(Á margem da bucólica Folia de Reis de Pedro e de Miúda já se pode ver um ou outro menininho de São João da Chapada pedindo uns trocados aos poucos visitantes. Jovens sem trabalho já fumam baseados de maconha pelas esquinas (por acaso uma palavra vinda do kimbundo: ‘Ma-kanha’). Na chegada à Milho Verde, a sensação de que havíamos aportado no oco do mundo logo se desvaneceu quando ouvimos o bate-estaca de uma festa rave, em algum recanto próximo.

Pedro Lucindo, precisa mesmo saber, antes que seja tarde, que o que vale ‘algum dinheirinho’ é o registro, a coisa física, a memória franca tornada concreta num filme, num CD, a memória tornada produto, documento visível, audível para todos.

Talvez seja por não saber disto ainda que, convencido pela força do assédio de alguns espertos esquadrinhadores, tenta vender os fragmentos de sua memória, já meio embaçadas lembranças, não mais tão pepitas de diamante como eram, por exemplo, as de João Tameirão (registrado por Aires da Mata em 1930), as de José Paulino de Assunção (gravado por Corrêa de Azevedo em 1942) ou mesmo as lembranças do último mestre Vissungueiro real , Crispim Viríssimo (adepto da difusão incondicional dos cantos) que, mesmo assim, como as lembranças de todos os outros antecessores, inapelavelmente morreram, foram para o kalunga.

(Interessantíssima figura, Crispim Viríssimo, pouco antes de morrer havia começado o dicionário que ele chamou de ‘linguagem africana’ um caderno manuscrito, roto, de poucas páginas, no qual ele começou a anotar palavras e significados de uso corrente no repertório dos Vissungos e no linguajar ‘dos mais antigos’ segundo lhe ditava a memória. Emblemática, a iniciativa simboliza o formidável esforço dele em transpor o umbral da literatura oral para a escrita para melhor cumprir a sua assumida missão de perpetuador da cultura benguela)

O dicionário do Crispim
Página do ‘dicionário’ de Crispim Viríssimo

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Em memória do falecido

Por uma genealogia dos Vissungos

…_Otê…Pádi nosso cum ave Maria
Securo, tamera, nta’anganazambi…
Ê calunga qui tom’ossemá
Ê calunga qui ntan’nganazambi, aio!”

(‘Pádi Nosso’ de Vissungo, Quartel de Indaiá)

Deixando a nostalgia de lado, juntando todas as evidências que se pode levantar e registrar até aqui, a palavra ‘ovissungo’, plural de ‘ocisungo’ significando, literalmente ‘hinos’ ou ‘louvores’ (no vernáculo Umbundo), pode ter servido de forma genérica para, erroneamente denominar na área de Diamantina, muitas outras práticas musicais características de grupos etnolinguísticos conhecidos hoje, ainda vulgarmente como Kimbundos, Umbundos ou Benguelas (na verdade um conjunto bem maior e diverso de grupos étnicos descendentes dos Bakongo), vindos como escravos para Minas Gerais em determinada época, acentuadamente a partir do fim do século 18 e início século 19.

Resumindo em termos mais precisos (utilizando ainda a coleta de Aires da Mata Machado Filho como referencia) é provável que Vissungos sejam, portanto apenas uma parte específica do conjunto dos 65 cantos recolhidos, exatamente aquela identificada por Aires como sendo de ‘evidente teor religioso’ (como os cantos para enterrar defuntos, por exemplo).

Por este ponto de vista, a maior parte dos cantos teriam outras especificidades, usados que seriam enfim para finalidades as mais diversas, entre as quais a marcação do ritmo de atividades laborais tais como ‘secar água’, ‘subir ladeiras’, anunciar a ‘hora do almoço’ ou o fim do dia de labuta (cantos de trabalho clássicos)

Estes cantos podem ter até mesmo um caráter sócio recreativo, caracterizados que são pelas disputas na decifração de adivinhas e charadas, conhecidos mais a sudeste de Minas Gerais pelo nome de Jongo, corruptela talvez da prática angolana classificada por Hèli Chatelain no século 19 como Jinongonongo (modelo no qual se pode inserir, perfeitamente, as chamadas canções de ‘mofa’ ou de ‘insulto’, descritas por Aires).

É importante se ressaltar, sobretudo que a palavra ‘Vissungo’, isolada do contexto generalizante no qual a maioria das teses e artigos acabaram por reduzi-la, pode estar relacionada sim, diretamente, a um tipo especial de canção tradicional de caráter eminentemente religioso (música sacra, litúrgica, por assim dizer).

Com efeito, a palavra parece servir em Angola até hoje em dia, para designar hinos religiosos especiais (como os ‘benditos’ e ‘incelenças’ de expressão portuguesa) utilizados talvez em missões apostólicas, tanto católicas quanto protestantes, notadamente na região do Benguela, local onde a disseminação deste tipo de missionarismo ocorreu, com alguma regularidade, de meados do século 18 até o início do século 20.

A existência de vocábulos do português, intrinsecamente associados ao texto de alguns destes cantos mais clássicos (como os ‘pádi nossos’, por exemplo) afora a possibilidade algo remota a nosso ver de terem sido incorporados no Brasil, não invalidam, de modo algum a hipótese de muitas destas canções terem chegado ao Brasil da forma muito próxima da que foram encontradas da primeira vez por aqui no fim da década de 1920.

Mesmo a ocorrência de gírias, expressões idiomáticas e vocábulos extraídos de um português castiço (uma espécie de ‘idioma crioulo são joanense’ como bem definiu Aires da Mata) nas letras de muitos Vissungos, não podem ser com, total segurança, atribuídos à experiência linguística destes escravos no Brasil, pela simples razão de que esta mesma experiência já se daria ainda na África, desde época bem remota (só como exemplo, devemos considerar que o catolicismo português já havia sido introduzido em Angola desde o século 15, notadamente em regiões no entorno dos centros administrativos de então tais como Luanda e, posteriormente, Benguela)

Esta prática, em seu sentido etnomusicológico mais genérico, com relativa segurança, pode ter se disseminado por todas as regiões brasileiras onde foram utilizados escravos da mesma origem etnolinguística.

A única razão que justificaria a interpretação que se dá ao vocábulo, portanto, como sendo o nome de uma prática cultural específica, é o fato de ele ter sido usado (pelo que se pode averiguar até agora) com esta denominação, apenas naquela remota região.

Nesta linha de raciocínio, genericamente como tem sido feito, seriam também ‘Vissungos’ alguns tipos de pontos de jongo, de congada, de candombes e moçambiques, assim como de catupês (ou catopés) e diversos outros gêneros de música tradicional de inspiração angolana existentes no Brasil, principalmente em Minas Gerais.

Já tivemos inclusive, pessoalmente a oportunidade de observar em muitas destas manifestações, a insistente ocorrência de ‘pontos’ e canções com a mesma estrutura musical dos ‘Vissungos’, inclusive no seu aspecto etnolinguístico.

“…Outra importante função no grupo (de catopês) é a do Corongigia, que carrega consigo um remédio preparado com raízes com a função de proteção e de cura espiritual.”

(‘Os cantos sagrados de Milho Verde, publicação da Associação Cultural e Comunitária do Catopê e da Marujada de Milho Verde e Adjacências ACMVA- Milho Verde MG)

Sintomaticamente, na gravação da The Library of Congress de 1942, os cantores de Vissungos José Paulino de Assunção e seu filho Francisco Paulino – são os mesmos que entoam as cantigas de catopês. José Paulino, aliás, (a exemplo de Crispim Viríssimo, Ivo Silvério da Rocha e outros) consta até hoje na lista dos mais eminentes mestres de Catopês da região, condição que, ao que parece, é comum a todos os mestres de Vissungos. A estreita relação existente entre Vissungos e Catopês ao que tudo indica, é mais estreita do que, comumente a maioria dos estudiosos tende a admitir.

É mesmo provável que, num fenômeno ainda pouco estudado ou observado no Brasil, práticas musicais ancestrais trazidas pelos escravos da África como uma todo, após a extinção das práticas sociais que as consubstanciavam, tenham tido como destino natural, a migração para o repertório de outras manifestações de caráter mais, claramente profano (ou festivo, artístico enfim) ganhando deste modo uma sobrevida, até se incorporarem, muitas vezes imperceptivelmente, no âmbito do que chamamos de Música Brasileira de uma maneira geral.

Pra Nganazambi um Pádi Nosso cum Ave Maria

O Vissungo morreu! Viva o vissungo!

Sobraram-nos no testemunho do drama pungente da morte dos vissungos, os registros de um modo de vida tão arcaico quanto digno, envenenado pelo tempo sim, mas – um pouco que seja talvez – também pela ética estranha dos esquadrinhadores, portadora de um veneno que não há casca de árvore nem curiandamba capaz de debelar.

Sem choro nem vela, do ponto de vista etnomusicológico a importância dos ‘vissungos do Tijuco’ seria por estas hipóteses, maior ainda do que se imaginava, abrindo novas possibilidades para uma melhor compreensão das especificidades de toda a música africana praticada no Brasil, bem além das reiterações e dos lugares comuns ainda em voga.

Em resumo o que teria ocorrido na região do entorno de Diamantina e Serro em Minas Gerais teria sido, nada mais nada menos, do que o acaso de especiais circunstancias ensejarem a preservação de práticas culturais – principalmente, musicais – muito específicas de uma determinada região africana mantendo-as, maravilhosamente íntegras até a década de 1928, quando Aires da Mata Machado Filho e Araujo Sobrinho, seu informante local, as ‘descobriram’, com a ajuda decisiva do garimpeiro João Tameirão.

A natureza tão especial destas circunstâncias como vimos está, por ordem de importância, ligada, muito provavelmente, às opções estratégicas adotadas pelas autoridades coloniais portuguesas, no sentido de transferir para as minas de ouro (e, em seguida diamantes) descobertas na região do Serro e, posteriormente, São João da Chapada em Diamantina (Arraial do Tijuco) no início do século 18, escravos oriundos de certa região de Angola (o Reino do Benguela) onde a mineração já era praticada pelos habitantes locais, de forma especializada e sistematizada (de forma talvez até mais intensa, na época, do que no resto do território sob o jugo de Portugal).

O Reino de Benguela era assim constituído por um grupo de potentados africanos independentes (Quissama, Libolo, Caconda, Quilengue, Cuanhama, etc. nota do autor) que os Portugueses tentaram dominar no intuito de expandir a captura e troca de escravos para além dos reinos do Congo e de Angola, que rapidamente perdiam população, e que assim não podiam garantir uma oferta sustentável de escravos para os engenhos de açúcar do Brasil.

…De acordo com este ponto de vista, os Portugueses criaram a possessão autónoma de Benguela como “válvula de escape”, com receio da perda de Luanda, e com ela todo o acesso ao comércio negreiro no Atlântico Sul.”

(Helder Ponte em http://www.introestudohistangola.blogspot.com)

Ou seja, a questão crucial que se impõe às pesquisas atuais sobre este entre outros assuntos do gênero, talvez seja esclarecer como e porque a prática de se cantar vissungos teria, excepcionalmente, durado tanto tempo, a ponto de ainda ser lembrada, na maioria dos seus muitos detalhes ainda em 1928, havendo permanecido, estranhamente, íntegra, imune às naturais influências do seu meio brasileiro, por mais de um século depois de ter sido iniciada por aqui. Parece evidente também neste caso, que o foco destas pesquisas deva ser ajustado para dois pontos, ainda negligenciados da questão, a saber:

1- Muito mais do que na cultura urbana e rural (ou ‘suburbana’) acessível e visível em manifestações culturais comuns e recorrentes, como terreiros de candomblé e umbanda e festas periódicas tais como Congadas, Maracatus e Marujadas, por exemplo, as chaves mais elucidativas do ponto de vista etnológico, no que diz respeito á cultura brasileira de origem africana, parecem estar naquelas manifestações bem recônditas e obscuras, como as praticadas em lugarejos ainda existentes no interior dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo (como o Jongo mais ‘primitivo’), além de certos lugares remotos em Minas Gerais onde ainda se conhece os Vissungos (antigos quilombos ou lugarejos surgidos em torno de lavras de garimpo clandestinas, principalmente). Verdadeiros sítios etnológicos onde fragmentos essenciais desta história oral, eventualmente estão preservados na memória dos habitantes, há que se estabelecer um conceito de ética (acadêmica ou não acadêmica), no trato da questão ‘pesquisa de campo‘ nestes locais.

2- Noutro sentido, as propriedades mais importantes à perfeita compreensão dos fundamentos essenciais destas manifestações não podem ser, de modo algum, decifradas se não se realizar um profundo estudo comparativo delas em seu contexto original africano.

No caso específico dos Vissungos (e da cultura negra do sudeste do Brasil como um todo) nada será efetivamente compreendido se não se estudar, detidamente, a cultura angolana, notadamente naqueles aspectos relacionados à Linguística, a cosmologia, a história enfim do povo Bakongo, com ênfase na sua expansão pela região abrangida pela invasão e influência militar portuguesa, região esta compreendida pelo antigo reino do Kongo (século 15 e 16), das adjacências do porto de Luanda e da cidade de Mbaka-Ambaça (até o seculo dezoito) e às adjacências do Porto de Benguela (do século dezoito até os anos mais próximos à abolição da escravatura).

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Pois foi assim – era uma vez enfim – sem tirar nem por, que a viagem aos falecidos Vissungos do Tijuco se deu (infelizmente, como a vida, toda viagem tem um fim).

Nem pau nem pedra. Nem oito nem oitenta (como já se viu esta história – quase um filme – tem dois Pedros e duas medidas). Pode estar nela a chave para a elucidação de diversas outras ainda mal traçadas linhas de nossa pujante – e ainda tão pouco reconhecida – diversidade cultural brasileira.

“_ Juro por tudo neste mundo que esta voz é do meu sangue, da minha família!– disse Ivo Silvério, ao ouvir, arrepiado, a voz do seu tio José Paulino cantando um ponto de Vissungo na gravação da Library of Congress de 1942.

( Leia a pesquisa integral, revista e aumentada de  ‘Na Lapa de Makemba’ no site Scribd)

Spírito Santo
Janeiro de 2009

(Com o não menos extasiado companheirismo de Cassio Gusson, Felipe Mantovan e Paulo Genestretti, parceiros da aventura)

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~ por Spirito Santo em 28/01/2009.

11 Respostas to “Na Lapa de Makemba #03”

  1. é, gente, e assim vamos reatando os laços que arrebentaram durante tanto tempo, hein? emocionante, mesmo.

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  2. Emocionante ler o seu comentário, Leonel. Fiquei não só emocionado como muito honrado também de ter conseguido com o meu artigo chegar até você. E a emoção não é de modo algum menor que a sua pois saiba que eu pesquiso para resgatar a memória de meu próprio pai, também como o seu natural desta região, muito remotamente (nasceu em 1918) e falecido quanto eu era apenas uma criança. São estas coisas que animam a gente a pesquisar mais e mais.

    Seu pai – e muitos da sua família – foram e são pessaoas importantíssimas para a cultura não só do Brasil como de Angola também, agora mesmo estou em contato com angolanos, remotos parentes de sua família – e da minha também – buscando formas de nos reconectarmos, restabelecermos os laçoes que a escravidão desatou.

    Gostaria muito de manter contato com você, trocar mais informações- A propósito, estou prestes a conseguir a gravação de 1942 a que me refiro. Na verdade já a ouvi, só falta copiá-la. A primeira coisa que farei será procurar um meio de repassar uma cópia, o ouroi da sua – nossa lembrança.
    Um emocionado abraço do,

    Spírito Santo

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  3. José Paulino da Assunção era meu pai. Estou muito honrado de saber que mesmo sendo humilde e de pouca cultura, o seu nome permance na historia cultural brasileira, como cantor de vissungo.

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  4. Notícia à vera, ‘federal’:
    O filme piloto (curta metragem) ‘Vissungo, fragmentos da tradição oral’ que serviu de start para esta pesquisa historiada nesta série de matérias (que pretendemos vire um etnodoc. longa metragem), acaba de ser selecionado para um Festival Internacional de Cinema jovem em Portugal. Agora o nosso filminho (dirigido pelo bravo garoto Cássio Gusson e fotografado pelo não menos jovem e garoto Felipe Mantovan) se chamará: Vissungo, fragments of oral tradition . gente fina é outra coisa!

    Abs

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  5. Grande Marc!

    Tenho um grande amigo suíço a quem contactei assim que soube da sua pesquisa no Serro, antes ainda de estreitar os laços com o Cassio Gusson (embora já começando a me envolver com o projeto do filme).

    O amigo é o Henrique Leeman que acho que contactou você em certa época (ou você a ele) e que, aliás, se tornou meu grande amigo no contexto em que eu (e meu Grupo Vissungo) era o seu ‘objeto de estudo’ de uma dissertação de mestrado dele em antropologia, mais ou menos como o Ivo, o Crispim e tantos outros ‘pesquisados’ foram nesta história.

    Digo isto porque o motivo principal que me fez destacar o seu trabalho entre as dezenas de estudos que li sobre o tema, foi o fato de seu ser o único que fazia referências ao trabalho modesto, porém pioneiro, que fazíamos, eu e meu grupo nos anos 70 (aliás, pelo que pude notar, o único também a referendar o trabalho do Kubik, o que me pareceu surpreendente) e de ter sido, pelos informes que obtivemos na região uma pessoa muito empenhava (como o Henrique, de certo modo, fez conosco) em oferecer instrumentos de organização para aquelas pessoas, afim de que elas mesmas fizessem o melhor uso possível da força de sua prática cultural ( o que, infelizmente acabou não ocorrendo da forma com se podia esperar).

    No âmbito desta nossa preliminar abordagem sobre o Vissungo, que visa como você viu, traçar um panorama dos bastidores, dos registros e das conclusões de todas as coletas realizadas sobre o tema (um pouco de análise crítica e independente sobre a antropologia que se faz da cultura negra do Brasil), a sua experiência sempre esteve em foco e foi se destacando das demais em profundidade, cada vez que mergulhávamos mais nos meadros e detalhes das demais abordagens anteriores.

    Por esta razão estivemos sempre esperançosos de poder contar com você e sua participação ativa no projeto, além de simplesmente disponibilizar material que, em alguma parte já nos fora disponibilizado para consulta, por intermédio do seu contato com o Cassio (ao qual eu sempre estive, é claro, sempre informado).

    Esta semana foi, particularmente feliz para o nosso projeto por duas respostas fundamentais ás conclusões que tirei em minhas análises iniciais publicadas nas matérias. Uma foi a do antropólogo (Marcus Carvalho) que fez a consultoria para Iphan/MinC acerca do pleito pelo tomabamento dos Cantos sagrados de Milho Verde, corroborando minha análise e me informando detalhes do processo e se pondo à nossa disposição. Agora você, com o peso e importancia que já ressaltei acima. Temos também o aval pessoal do José Jorge Carvalho da UNB e do Samuel Araújo, também muito meu amigo (e que disse que te conhece), que já nos garantiu a parceria da UFRJ (não sabemos em que termos ainda) por intermedio do Lab. de Etnomusicologia.

    O diálogo está então mais que aberto agora. Obrigado pelas palavras tão gentis, em meu nome e em nome dos garotos do filme Cassio Gusson e Felipe Mantovan.

    Grande abraço para você então.

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  6. Spirito:

    Obrigado pelas reportagens tão ricas em perspectivas sobre as fontes e práticas do vissungo! De longe acompanho os processos culturais acontecendo em Milho Verde, depois de pesquisar na região entre 1997 e 2004. Suas descrições e reflexões críticas são uma valiosa contrbuição para um assunto de grande importância: o impacto de pesquisadores na região – aparentemente eu fui “involuntariamente talvez, um dos responsáveis pelo verdadeiro ‘boom’ de pesquisas sobre Vissungos”. Na minha tese sobre o vissungo (www.dissertationen.unizh.ch/2006/camp/abstract.html) abordo esta questão, sem chegar a uma conclusão. Mas durante o meu aprendizado com os cantores de vissungo, do Catopê e da Marujada em Milho Verde conheci uma comunidade em mudança acelerada, buscando se posicionar em novas realidades e reinventando as suas culturas locais. Os cantores da tradição local procuraram maneiras de lidar com a demanda imensa de tradições rurais e africanas por pesquisadores, journalistas e turistas (muitas vezes somos todo ao mesmo tempo). Os cantores discutiram e negociaram dentro da comunidade, como enfrentar este interesse. Uma das medidas foi a fundação da “Associação Cultural do Catopê e da Marujada de Milho Verde” (ver meu artigo: «O congado formalizado: organização jurídica de guardas do reinado na zona rural de Minas Gerais (Brasil)», Discursos sobre (l)a pobreza. América Latina y/e países luso-africanos, Nexos y diferencias 17, ed. Martin Lienhard, Madrid/Frankfurt: Iberoamericana/Vervuert, 329-340). A idéia desta iniciativa, tomada pelos cantores próprios, era de que eles se consituissem como entidade cultural formalmente reconhecida e pudessem assim se estabelecer como representantes de uma cultural “oficial”. Assim, eu concebi o meu trabalho como pesquisador em duas vias: analisar uma cultura local num discurso acadêmico e assistir os cantores em criar uma base para “autogestão” da cultura local. Não é possível separar completamente as differentes ações de um pesquisador, mas o que conta, enfim, é de criar diálogos. Mais uma vez lhe agradeço por contribuir aos diálogos no mundo do vissungo!
    Abraço, Marc-Antoine (magc@gmx.net)

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  7. Os correspondentes (que estariam confundidos com Vissungos, no mesmo saco) eu cito muitos no texto, não viu não? Inclusive o Jongo, que pelo que constatei na minha pesquisa, não tem originalmente nada de religioso pois é sócio-recreativo e mágico-propiciatório (fiz uma longa matéria sobre isto no Overmundo – abra ESTE LINK – que aparece na versão destas matérias de Vissungo no site Portal Literal)

    O que eu digo é que hoje em dia sobrevirem apenas as cantigas, diretamente religiosas (as de enterrar defunto) e sugiro que só as exatamente religiosas é que poderiam ser chamadas, corretamente de ‘Vissungos’. A confusão que criaram foi generalizar o nome de tudo que se cantava no garimpo como se tudo fosse Vissungo (a propósito, o que as meninas dançam na foto não tem nada a ver com Jongo. É ‘Chula’, uma dança específica, inserida lá na Folia de Reis.)

    Catopês é o nome de um dança do ciclo das Congadas (Congada, como se pode observar, não é uma dança só, é um complexo de danças com uma mesma finalidade: Animar festas de coroação de ‘reis do Congo’).

    Os catopês ocorrem, pelo que sei, apenas no centro de Minas para o norte, indo até Montes Claros, perto da Bahia. Eu acho que também é uma dança vinda de Angola. Nos catopês ocorrem cantos em Umbundo e Kimbundo exatamente como os vistos no garimpo. mestres de Vissungo também são mestres de Catopês. ou seja: Tudo a ver.

    Abração! Também

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  8. Grande Rafa,

    (Já disse isto, mas, repito: Muito bom ter a tua interlocução)

    1- O incidente na ‘vista d’olhos’ que fiz no tal ‘dicionário’ do Crispim foi emblemático. Fomos até lá atrás, exatamente, do caderno e da possibiliadde de um dos filhos ter aprendido algo com o pai. Rodamos cerca de 3 hs até chegar lá…

    …O fato é que, constatado que eles não haviam aprendido nada da língua que o pai falava nem as canções, nos concentramos no caderno que, com muito custo, o filho mais velho autorizou que víssemos. O caderno tinha cerca de quatro ou cinco páginas apenas, uns quarenta ou cinquenta vocábulos, quando muito. Um documento valiosíssimo, do ponto de vista simbólico, mas, sem quase nenhum valor, exatamente linguístico (com muitos termos, cuja lembrança dele era apenas fonética, com a tradução errada).

    2- A sua suposição sobre a evolução dos cantos é corretíssima. É assim que ocorre sempre, com tudo na vida. Os velhos de 1928 também deviam achar estranhas quaiquer mudanças. O que acontece no caso é que, pelas minhas suposições, estas mudanças eram mínimas, dada a manutenção quase inalterada, das mesmas condições culturais por muitos anos (o isolamento do regime de trabalho escravo e da condição de quilombolas).

    Ou seja, para que Aires tenha encontrado os vissungos ainda tão ‘africanos’, estas circunstancias de isolamento tiveram que existir. Alguma evolução existia, mas, não estava, necessariamente, relacionada a influência do contato com os portugueses aqui no Brasil. Logo – e esta é a grande novidade da minha hipótese ou tese – os cantos eram africanos quase ‘intocados’ sim, mas, misturados com algo dos portugueses também, só que desde de lá de Angola, por influência das missões religiosas, entendeu?

    Abs

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  9. Ah, e uma coisa nào ficou clara para mim. Quando você comenta que o termo vissungo se tornou confuso – acabando por denominar uma série de cantos de diferentes estéticas, naturezas, funções etc. -, você associa isso ao fato de o termo “vissungo” só ter sido usado para tais cantos na região de Minas Gerais. Quais seriam os seus “correpondentes”, igualmente genéricos, nas regiões de Rio e São Paulo? Não me parece possível ser o jongo, visto que este sim era praticado como algo entre o religioso e o lúdico (me perdoe se falei besteira), com formação de roda e tudo o mais, mas certamente não como canto de trabalho ou para cerimônias fúnebres, caso do vissungo, não é isso? Ou os vissungos (e talvez esteja aí a confusão de nomes) também era praticado como um jongo de Minas (vista a foto que você postou das meninas dançando)?

    E os catopês, onde entram? Não entendi bem o que são.

    Valeu! Abração!

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  10. Spirito, salve!

    Estou inquieto com esse tesouro todo que você está escavando. Pensei em algumas coisas:

    1 – Você chegou pertinho do dicionário de Crispim Viríssimo. TInha muita coisa ou a compilação ainda estava no início? E qual seria, portanto, a viabilidade (pergunto em termos éticos, uma discussão fundamental nessa história toda, como você está colocando) de se copiar a pesquisa feita pelo senhor Crispim para estudiosos do assunto (se é que há novidades al; imagino que sim)? Isso seria possível? Você teve alguma conversa com o povo de lá neste sentido, ou percebeu alguma coisa?

    2 – Em alguns momentos você comenta sobre o fato de os cantos terem se mantido praticamente intactos até os estudos de Aires da Mata Machado. Nos 80 anos seguintes, você diz, começa a haver um processo muito forte de esquecimento. Pois bem: fico pensando se, quando Aires da Mata pintou por lá, os vissungueiros de então já não reclamavam das mudanças que estavam passando os cantos que eles ouviam dos velhos de seus tempos de garoto. Possivelmente, os vissgungos cantados pelos mestres da época de Aires da Mata já era entoados em uma língua banto-portuguesa (meio lá, meio cá), o que certamente arrepiava os mais velhos que ainda fossem falantes do quimbundo, umbundo etc. Acho que essa idéia de “intocada” é sempre perigosa… Depende sempre de um menor ou maior distanciamento, não sei.

    Abraços entusiasmados!

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  11. Nota importante:

    No âmbito das contrapartidas e do intercâmbio estabelecido com os informantes do local da coleta, o autor e os demais membros da equipe doaram para o Instituto Milho Verde/ Associação Cultural do Catopê e da Marujada de Milho Verde (com recomendação de fornecimento de cópias para todos os que prestaram depoimentos para a nossa pesquisa em toda a região, nomeadamente os srs. Pedro de Miúda (presidente da Associação Cultural Chula da Folia de São João da Chapada e Quartel de Indaiá), Ivo Silvério da Rocha e Pedro Lucindo (vissungueiros), além das Sras. Miúda de Pedro, Maria ‘Macarrão’, Jacira e Zélia de Baú) o seguinte material:

    1- Dicionário Kimbundo-Português de José Lopes Quintão (edição original de 1934)
    2- Dicionário Português-Umbundo -Ralph L. Wilson (Edição original de 1935)
    3- Vida social Indígena na Colónia de Angola (Usos e Costumes) do Capitão Ivo de Cerqueira (Edição original de 1947)
    4-Alimentação Regional Angolana -De Óscar Ribas (etnólogo angolano)
    5- CDs e DVDs com todas as imagens (textos, mapas, fotos, etc.) arquivadas pela pesquisa até o momento

    Obs.: Ao Mestre vissungueiro Ivo Silvério da Rocha foi presenteado, em caráter especial, uma cópia exclusiva do dicionário de Ralph. L. Wilson.

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