AMK – Auto do Manoel Kongo

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RESENHA
História, Teatro e Turismo cultural/Uma experiência

EM PRIMEIRA MÃO: Leia texto teatral AMK integral aqui!

Originalmente, o projeto de encenação do Auto do Manoel Kongo, foi concebido no contexto de uma ação cultural, desenvolvida junto com animadores culturais da Secretaria Especial de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro, (Cieps), no âmbito dos municípios do Sul Fluminense (Vale do Rio Paraíba do Sul). Sob a orientação geral da musicóloga Cecília Conde e a inspiração do antropólogo Darcy Ribeiro, o programa de Animação cultural em Cieps, foi um formidável esforço de arte educação que abrangeu uma rede de centenas de escolas, entre os anos de 1982 e 1996.

Proposto pela coordenação de animação cultural da área (função que o autor desempenhava na ocasião) pretendeu-se com esta ação unir os esforços de diversas instituições oficiais, municipais, estaduais e federais, numa ampla ação, que servisse para estimular estratégias de turismo cultural (a exemplo do que ocorre em cidades como Nova Jerusalém, no nordeste), talvez uma das poucas alternativas para a (na época) combalida economia desta região fluminense.

Assim, constatando-se ser o passado histórico, representado, entre outras coisas, pela bem preservada cultura tradicional da população local, a única herança pública deixada pela decadência em que o Vale mergulhou com o fim dos áureos tempos do café, buscou-se um tema que, conjugando o importante patrimônio histórico e arquitetônico das cidades do local, servisse de subsídio para a elaboração de um texto para um auto teatral, que pudesse ser encenado nas ruas de uma cidade da região.

Sem muita dificuldade, o coletivo de animadores culturais optou pela história do Quilombo de Manoel Kongo e pela cidade de Vassouras, palco deste que é, sem dúvida, o evento histórico mais importante e abrangente, ocorrido naquela região quando de seu apogeu e, talvez em todos os modorrentos tempos que se seguiram.

Por conta de diversos fatores e percalços, as circunstâncias da época (1996) acabaram por tornar inviável a primeira tentativa de montagem do espetáculo que, do ponto de vista artístico, já estava em fase bastante adiantada (ensaio geral)

Dentre estes percalços, além dos problemas apresentados, à última hora, pela empresa que produzia o evento, foram também significativos (embora não determinantes), os problemas encontrados para se sensibilizar os empresários e fazendeiros da região quanto à pertinência do conceito de ‘Turismo Cultural’ que defendíamos, que não omitia alusões óbvias ao passado escravocrata da cidade, que, não podendo ser omitidas da trama do espetáculo, por serem a sua chave dramatúrgica, de certo modo constrangiam a estratificação social da região, como no tempo de Manoel Kongo, ainda hoje quase que inalterada, com muito nomes de tradicionais famílias da aristocracia cafeeira, citados no texto do auto como escravocratas empedernidos no passado, figurando ainda no quadro de poder local em prefeituras, câmaras e secretarias.

Tendo o seu texto baseado nos autos de condenação de Manoel Congo, reproduzidos no livro ’Insurreição negra e Justiça’ de João Luiz Duboc Pinaud e outros autores, a encenação abortada, contou também com o inestimável apoio do pesquisador vassourense Paulo Mandaro, da arquiteta Isabel Rocha (diretora do Iphan da área), da direção do Ciep de Vassouras na época, além dos cerca de 30 animadores culturais da região que envolvia, além de Vassouras e entre outras, as cidades de Paraíba do Sul, Rio das Flores, Paracambi, Paty do Alferes, Barra do Piraí, Valença e Pinheiral.

A Forma

O Auto do Manoel Kongo (deste autor que vos fala) foi escrito em 1994 especialmente para ser apresentado em cenários naturais, originalmente o perímetro urbano de Vassouras ou de outra cidade histórica qualquer, localizada no Vale do rio Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro.

O roteiro do espetáculo obedece às condições gerais do espaço previsto para a encenação: Ruínas, sacadas de prédios históricos, trechos de rua, chafarizes ou quaisquer outros pedaços de passado preservado, que possam compor a cenografia (ou a geografia) do espetáculo.

O roteiro original propõe também a participação de grupos culturais da periferia da cidade (música e dança tradicionais) tanto no contexto dramático do espetáculo, quanto em eventos paralelos, à cargo de instituições e agentes culturais locais.

No elenco proposto, parcialmente, integrado por atores profissionais, está prevista também a participação de um número considerável de figurantes (não atores), recrutados entre a população local.

Como peça de divulgação (folder e programa) do espetáculo, o projeto propõe a edição especial do tablóide fictício ‘ A Voz da Comarca’, a ser amplamente distribuído na região,a partir da semana que antecede ao espetáculo. Desta edição do tablóide (que reproduz um jornal do século 19), constará além da ficha técnica e demais informações sobre o espetáculo, peças de publicidade dos patrocinadores.

Para a véspera do espetáculo, também como estratégia para a divulgação do evento, o roteiro prevê a encenação de diversas situações do cotidiano de uma cidade do Vale, no século 19, com figurantes espalhados por ruas e espaços onde o auto será encenado .

Do mesmo modo, o programa sugere aos agentes culturais locais, a promoção de passeios de charrete (com cocheiros vestidos a caráter) e visitas guiadas às fazendas da região (com a possível realização de saraus de música popular ou erudita)

A História

Com o esgotamento do ouro nas Minas Gerais, a economia brasileira se deslocou para o Vale do Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro. O posterior esplendor da região, com seu eixo localizado na Vila de Paty do Alferes e, logo em seguida, na Vila de Vassouras, alavancou o desenvolvimento do Brasil por quase todo o século 19.

O signo principal deste ciclo de desenvolvimento era o café, mercadoria com enorme importância no mercado internacional do período, do qual o Brasil foi, durante muito tempo, o maior produtor.

Brasil e sua economia dependiam, no entanto, de outra mercadoria, ainda mais essencial do que o café; A força de trabalho do escravo africano.

Ambos negros, escravo e café, fizeram algumas das maiores fortunas do mundo da época, fortunas estas que, concentradas quase todas na região do Vale do Paraíba do Sul, geraram a sociedade dos chamados ‘barões do café’, nababesca e prepotente, assentada numa estrutura social sem povo, composta, basicamente, por aristocratas e escravos.

Sequestrados de Angola, Congo, Moçambique e trazidos a partir, principalmente, dos portos de Luanda e Benguela, para serem vendidos no Mercado do Valongo, próximo ao porto do Rio de Janeiro, os africanos que, depois de longa jornada a pé, chegavam à plantações de café do Vale do Paraíba, acabaram se tornando, não só um elemento essencial para a economia local mas também, como se pôde concluir mais tarde, num elemento capaz de ameaçar a própria segurança física daquela sociedade.

A Trama

Em 6 de novembro de 1838, o africano Camilo Sapateiro, escravo da fazenda freguesia foi morto a tiros, quando se dirigia, clandestinamente, à fazenda Maravilha, ambas pertencentes ao maior proprietário de escravos e principal autoridade da comarca: o Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier. O assassino, um capataz da fazenda, quase foi linchado pelos escravos.

O que pretendia fazer Camilo Sapateiro na fazenda vizinha quando foi morto? Teria sido a sua morte, pelo capataz (um incidente algo corriqueiro na rotina escravista), a verdadeira razão da insurreição de escravos de tão grandes proporções, que se seguiu?

De roldão, os escravos rebelados, divididos em dois grupos, saquearam as duas fazendas do Capitão-Mor e fugiram para a mata próxima. Num ponto, ao que tudo indica, previamente combinando desta mata, um dos grupos se encontrou com um número indeterminado de escravos de outras fazendas, além das duas de propriedade do Capitão-Mor.

A imediata adesão de escravos de outras fazendas chama, fortemente, a atenção para a possibilidade de ter havido algum tipo de articulação prévia entre os rebelados.

O fato é que, um grande grupo se embrenha na mata, rumo a alto da Serra da Estrela, montando um arranchamento para pernoite, á cada fim de tarde do trajeto da fuga.

Perseguida por tropas da Guarda Nacional e homens recrutados pelo juiz de paz da comarca, uma parte deste grupo é atacada e dominada, quando ainda dormia, no quarto dia de fuga. Tropas do Exército Imperial, convocadas às pressas, comandadas pelo então Capitão Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, só chegam na área do conflito quando tudo já havia terminado.

No grupo de escravos derrotados, está o suposto chefe da insurreição, denominado ‘Rei’, Manoel Congo, ferreiro da Fazenda Maravilha e uma mulher, denominada ‘Rainha’, a costureira Marianna Crioula, escrava de confiança da senhora dos escravos das fazendas Maravilha e Freguesia, Dona Elisa Xavier. A um escravo morto na refrega, mas, não identificado nos autos, é atribuída a função de ‘Vice-rei’ da insurreição e do futuro suposto quilombo. Este escravo pode ser identificado, nas entrelinhas dos autos, como sendo o africano de nação Munhambane Epifânio Moçambique.

Um número indeterminado de negros do grupo atacado consegue se embrenhar na mata, serra acima e dele não se tem mais notícias. Não se tem notícias também do segundo grupo, comandado por um escravo chamado João Angola que, embora não estando presente no ponto de encontro com o ‘Rei’, nem constando no rol dos presos no momento do ataque, foi visto no dia anterior prestes a assaltar a fábrica de pólvora da região, desaparecendo por outro caminho, rumo á Serra do Couto, próxima à Serra a Estrela, aparentemente, o destino final de todos os rebelados.

Pode-se, por estas evidências, entre outras surgidas na pesquisa, supor que os relatos que dão conta da existência de um quilombo na região, jamais desbaratado, são factíveis.

A despeito destas evidências, a maioria dos proprietários alegou que seus escravos retornaram, espontaneamente, à suas fazendas, mas, não existem registros seguros dando conta de quantos, efetivamente, fugiram e retornaram. A alegação livrava os fazendeiros das pesadas custas processuais, caso tivessem negros de sua propriedade (e responsabilidade) arrolados como rebeldes. O peso total destas custas processuais acabou recaindo sobre o Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier, que, depois dos escravos presos e condenados, passa a ser a principal vítima dos incidentes.

De um total de cerca de trezentos escravos fugidos e rebelados, apenas vinte e três (todos pertencentes a Manoel Francisco Xavier) são aprisionados (sete haviam sido mortos na refrega). Destes vinte e três presos, sete são mulheres (é significativo, do ponto de vista logístico, o fato deste grupo de presos, a maioria feridos na refrega, ser aquele onde estavam a maioria das mulheres e, provavelmente, os homens mais velhos e as crianças).

Cerca de dezesseis presos deste grupo são, efetivamente, julgados. A maioria é condenada, com uma única exceção: o escravo Adão Benguela que, apesar de estar tão envolvido quanto todos os outros nos conflitos, é estranhamente absolvido.

O suposto ‘Rei’ Manoel Congo’, é condenado à forca e executado em 1839 em Vassouras.

Os Antecedentes

A observação acurada – e crítica – de fatos descritos em documentos da época, principalmente os autos do processo montado na ocasião, contendo os depoimentos dos escravos presos, pequenos indícios ou omissões aparentemente deliberadas, contradições entre os depoimentos, etc., formam a base principal utilizada para a elaboração deste texto teatral. Formam também a base de dados da pesquisa, textos esparsos, de outras fontes e um raro e inestimável relato, ao vivo, extraído pelo autor de uma entrevista (veja neste link) por ele realizada em 1973, com uma ex-escrava de uma das fazendas da região, que ali viveu, alguns anos após os incidentes descritos pelos autos.

A intenção foi, portanto, construir a trama, mais ou menos como uma reportagem (‘Teatro-Verdade’, talvez fosse o conceito mais apropriado) sempre que possível, a partir de dados verídicos, mais ou menos à maneira de uma reconstituição policial.

Com efeito, coisas muito inusitadas ocorriam naquela região nesta época de grande efervescência social.

Segundo dados descritos na crônica da cidade de Vassouras, um ano antes da fundação da vila, ocorrida em 1833, um grupo de proprietários criava a Sociedade Promotora da Civilização e da Indústria, de verniz positivista, e dedicada, entre outras coisas, à formação de artífices escravos, como mão de obra especializada, com o fim de possibilitar a manutenção de equipamentos, até então, feita por engenheiros vindos da Inglaterra e até – suprema ousadia – iniciar talvez a própria substituição da importação de máquinas e ferramentas agrícolas que, oriundas da Europa, obviamente com a mão de obra dos escravos-operários especializados, formados pela SCPI, passariam a ser fabricadas por aqui mesmo.

Ferreiros e marceneiros eram as principais especialidades indispensáveis à incrível proposta desenvolvimentista da SCPI. Os artífices a serem treinados, seriam recrutados, por seus proprietários, entre os seus escravos mais hábeis e inteligentes.

A mais incrível das coincidências era que o ofício de ferreiro foi, ainda nesta época, a partir de uma tradição africana que remonta o século 10 (segundo alguns relatos, talvez até um pouco antes disto), uma ocupação exclusiva de reis e nobres, um status de poder hierárquico superior na cultura dos Kimbundo e Ovimbundo, grupos étnicos angolanos que, em grande maioria, contribuíram com escravos para as plantações de café do Vale do Paraíba do Sul.

Sabe-se pelas mesmas fontes que, um ano depois (por volta de 1834), uma curiosa sociedade secreta, composta por negros escravos e libertos, com uma elaborada estrutura, havia surgido em Vassouras, quatro anos, portanto, antes da insurreição de Manoel Congo. Esta ‘insidiosa’ organização, segundo foi descrito por esta mesma crônica da Cidade de vassouras, andava ruminando um levante que pretendia libertar todos os escravos da área.

Somente nove anos depois, ou seja, em 1847, a tal organização secreta pode ser desbaratada. Os registros policiais da ocasião, afirmaram que ela se autodenominava Elbanda (Embanda, mais propriamente talvez, por ser a expressão, quando acrescida do prefixo “Ki” – Kimbanda – o mesmo que sacerdote ou médico no idioma de origem, podendo se traduzir embanda como “medicina” ou conjunto de sábios, líderes, nesse contexto de seita ou sociedade secreta) e era formada por núcleos ou células clandestinas, dirigidas, obrigatoriamente, por escravos ferreiros e marceneiros, chamados pelos outros escravos de ‘Tata” (ou ‘pai’ ) Korongo.

Também curiosamente, pesquisas bem recentes sobre a cultura dos Kimbundo, nos dão conta que era por demais comum na sociedade angolana do século 19, a proliferação de seitas e sociedades secretas, por diversas motivações, prática que pode ter sido seguida pelos escravos de Vassouras.

Esta emocionante reconstituição nos dá conta, enfim, de uma malha de estranhas relações, interesses e contradições, bastante incomuns na história oficial do escravismo brasileiro, estabelecidas entre proprietários e escravos, escravos entre si, além de proprietários, do mesmo modo entre si. Um impressionante conflito humano sacudindo os alicerces daquela sociedade imperial, questionando o seu anacronismo. Matéria pura para teatro. Drama.

—————

Você vai poder ler neste mesmo site, o texto completo deste emocionante Auto do Manoel Kongo, cuja extensa resenha disponibilizamos aqui.

Saiba desde já, contudo, que para a felicidade geral da nação (mesmo que incomode a alguns poucos) toda história que precisa ser contada, mais cedo ou mais tarde o será.

O Quilombo do Manoel Kongo vive!

EM PRIMEIRA MÃO: Leia texto teatral integral aqui!

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~ por Spirito Santo em 25/02/2009.

8 Respostas to “AMK – Auto do Manoel Kongo”

  1. Ah ah ah ah ah !

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  2. É nisso que dá dizer que “Manuel Kongo vive!”

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  3. Fiquei comovida com a história desse quilombo,comtudo,há muito gostaria de fazer uma reportagem com o chefe desse quilombo,se possível.Como posso fazer?Por favor entre em contato pelo meu e-mail.Desde já agradeço.
    Fátima Sá

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  4. (Em Tempo: USS é a sigla para Universidade Severino Sombra, importante entidade educacional da cidade de Vassouras)

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  5. (E a resposta do José Luiz Júnior:)

    “Oi Spírito,

    Eu havia lido o post sim, no overmundo primeiro e depois no seu blog. Fiquei completamente encantado com a idéia. Na época em que eu li estava ocorrendo uma discussão muito produtiva sobre o Cortejo de Tradições do Festival Vale do Café. Acompanhei de perto todo o desenrolar dela, embora não tenha comentado porque participei diretamente da produção do Cortejo em 2006 e 2007 e naquele momento ainda fazia parte da produção. Não quis parecer nem anti-ético nem tendencioso. Ainda assim forneci subsídios ao Egeu, inclusive com opiniões minhas.

    Mais tarde, já afastado da produção e com maior acúmulo, achei pertinente incorporar minhas críticas e opniões sobre o Cortejo na minha tese de graduação (vou te enviar): “Turismo e Patrimônio Cultural em Vassouras: um caso de amor e ódio”

    Estou tocando nesse assunto porque ele ainda é muito atual, o cortejo ainda tem muitos problemas (talvez mais rápido do que possamos imaginar ele se transforme totalmente num aparato comercial, com venda de abadá e o resto todo).

    E acredito com muita fé na possibilidade de que eventos como o Auto de Manoel Congo (da maneira como você propõe) sejam um contraponto fundamental ao que existe hoje.

    Pois bem, vamos aos detalhes.

    No momento, estou particularmente com uma abertura de articulação (local) bem bacana. O momento está realmente muito propício, e ás vezes parece que tudo está interligado, se é que você me entende, rs…

    Mal tenho conseguido dormir diante da possibilidade de fazer tantas coisas legais.

    Estou à frente desse projeto do Centro Cultural da USS, que te falei anteriormente. Lá a verba é pequeníssima. Ainda não dá pra produzir um esquete.(AINDA)

    Porém, podemos contar com todos os recursos logísticos, humanos e materiais da universidade.E ainda temos parceiros estratégicos que poderão suprir uma eventual necessidade que não possamos suprir diretamente.

    Um outro fato importante nesse balaio de articulação é que fui convidado pelo secretário municipal de cultura e turismo (que também é o coordenador do curso de turismo em que me formei) para assumir a área de projetos da secretaria. O secretário é um homem humilde, “do povo” e é muito bem intencionado. Sem exagero nenhum, é o primeiro ocupante da pasta (desde que ela existe) que não pertence à alguma família tradicional ou qualquer membro da elite vassourense.

    Então, além da Universidade, temos também toda estrutura da secretaria, o que inclui recurso direto do orçamento dela, que é muito pouco, como na maioria dos municípios brasileiros, mas será suficiente para nos ajudar na empreitada.

    Não posso deixar de citar também o PIM (Programa Integração pela Música), que era um Ponto de Cultura e agora se tornou Pontão.

    Trabalhei 3 anos na assessoria de comunicação e na elaboração de projetos desse importante programa social aqui do interior (www.pim-org.com).

    Hoje não estou mais vinculado profissionalmente ao PIM, mas ainda mantenho um vínculo afetivo muito grande e sou amigo pessoal dos jovens e dirigentes do programa. Tenho certeza de que serão um parceiro importante pra nós.

    O restante penso em conseguir via lei de incentivo federal e estadual, via prefeitura municipal, e via SEPPIR que tem sido uma parceria importante no Centro Cultural.

    E assim, sem demagogia, o apoio mais importante que temos é o apoio dos grupos e manifetações populares. Não só para
    se apresentarem, mas pra se envolverem mesmo em todo o processo. Por ora podemos contar com o Caxambú Renascer de Vassouras (ganhamos um prêmio de cultura popular do Governo do Estado nessa última edição dos editais, já como projeto desenvolvido na incubadora); O Jongo de Pinheiral (Você com certeza deve conhecer a Fatinha).Se não conhece ainda, terá o prazer. Fatinha é mestre Jongueira e transformou seu jongo em um ponto de cultura do MinC. Aliás, Fatinha está ocupando hoje
    um lugar que já ocupei, que é o lugar de “Griô Aprendiz” no projeto Raízes do Vale. Vc já ouviu falar na Ação Griô?

    A Ação Griô é outra parceira importante que poderíamos envolver de alguma forma nesse processo.

    Poderemos também contar com o apoio de dois grupos de capoeira daqui de Vassouras mesmo, no mínimo 5 Folias-de-Reis (caso seja necessário).

    O pessoal do Jongo do Quilombo São José além do próprio seu Tuninho Canecão. A Caninha verde de Ferreiros, o Calango e as rezadeiras de Juparanã. E muito mais gente.

    Não sei, rs, acho que já falei demais, me desculpe.

    Sei que ainda precisamos conversar muito. Mas condensando tudo, essa é mais ou menos minha idéia.

    Grande Abraço,
    Júnior

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  6. José Luiz,

    Sensacional o teu contato. Fico muito agradecido pelo seu interesse e, particularmente surpreso com a escolha do nome do Epifânio Moçambique para esta tão importante homenagem.

    Claro que estou interessadíssimo na sua proposta, o texto do Auto do Manoel Kongo foi a minha primeira investida no ramo e é um desafio ainda em suspense. Não sei se você sabe, mas, a peça quase estreou aí em Vassouras com um elenco de atores negros da pesada, todos ainda sonhando com o espetáculo que visava, entre outras coisas retirar esta turma da armadilha profissional que era o mercado televisivo, no qual faziam, invariavelmente, papéis de marginais e domésticas, dando-lhes uma chance de representar papéis de verdade.

    Acho que o momento seria muito propício para a encenação, em vários aspectos, entre eles o bom momento político, com uma simpatia por estes temas sendo estimulada pela posse do Obama, pela promulgação da lei 10639, pela relação entre o IPHAN e a Fundação Palmares, o surgimento de uma política de reconhecimento de quilombos remanescentes e pela criação de uma secretaria de promoção racial no âmbito do Governo do Estado, fatores que se não bancam, financeiramente a produção do espetáculo, pelo menos abrem algumas portas.

    Redirecionei o teu simpático comentário para este post diretamente ligado ao assunto no qual há uma resenha bem completa do espetáculo que, não sei se você já leu (a resenha, porque o texto achei por bem não publicar ainda, até que aparecesse uma oportunidade como esta que você sugere).

    Estou curioso para que você me conte mais alguns detalhes sobre proposta e se você já tem uma idéia quanto aos meios de realizá-la.

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  7. Redirecionando um post sensacional enviado ao Blog)
    Enviado em 24/02/2009 às 17:35

    “Olá Spirito. Me desculpe usar esse espaço de comentário do post para tratar de outro assunto que não o post. Mas não encontrei outra forma de entrar em contato com você. Me chamo José Luiz, sou de Vassouras-RJ. Sou produtor cultural e pesquisador. Acabei de me formar em Turismo pela USS.

    Já faz um tempo que eu acompanho e admiro seu trabalho e gostaria de me corresponder para falar sobre um trabalho muito bacana aqui em Vassouras, do qual eu faço parte. Estamos trabalhando na resignificação de um prédio tombado pelo IPHAN, onde funcionará o Centro de Cultura e Arte Popular da USS. Entre os projetos do Centro, há o Corredor Cultural Epifânio Moçambique que liga o centro histórico ao pelourinho onde fica o Memorial Manoel Congo.

    O espaço geográfico é real, mas estamos nos focando na parte simbólica de tal corredor. Em 20 de novembro desse ano iremos inaugurar o Núcleo de Referência em Cultura Afrobrasileira, menina dos olhos do Centro Cultural.

    Temos uma ligação muito próxima com as tradições populares de Vassouras, e junto com elas formamos uma incubadora de projetos. Sei também que você é autor do Auto de Manoel Kongo, e gostaríamos muitíssimo de realizá-lo em parceria com você se for possível.

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  8. Fico muito feliz em saber que há um interesse em contar a historia de manoel Congo. Trabalho no município de Paty do Alferes e tenho lido muitas coisas da vida de Manoel Congo. No município temos a lendária Gruta de Manoel Congo, que teria sido um local de esconderijo durante a fuga. Realmente esta personalidade merece respeito e um resgate de sua história. Parabéns!

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