Faca de Ponta. A meia lua da arte rasteira

Jaqueta Capoeira

A tradição e a Capoeira retrucadas

“… Riachão said:
I do not deal with unknown negger
I do not know if it is a slave
come here to escape.. ”

Relendo o interessante post deste link me deu vontade de fazer este longo comentário dizendo que, realmente o alegado fenômeno da ‘tradição inventada’ levemente abordado no post a propósito de uma conversa sobre Capoeira, é bastante atual e recorrente, mas talvez esteja ainda incompletamente conceituado ali.

Posso começar sugerindo que, para ser necessário se ‘retradicionalizar’ algo, é necessário primeiro se reconhecer que este algo, antes reconhecido como tradicional, foi ‘destradicionalizado’ (por um processo que não vem ao caso se foi natural ou artificial) ou seja, foi de algum modo ‘conspurcado‘ (no dizer dos tradicionalistas mais radicais).

É lógico que não se recondiciona algo que não foi descondicionado.

Entender, portanto como esta coisa (uma manifestação cultural, no caso) era originalmente, torna-se imperativo para que se possa propor – ou criticar – a sua eventual ‘retradicionalização‘.

Complicado, concordo (embora a culpa não seja exatamente minha) mas sugiro que é por aí.

Fenômeno antropologicamente muito complexo, estas intenções de ‘retradicionalização‘ são controversas e ambíguas a mais não poder. Não é com uma leitura rápida de um ou outro Hobsbawm da vida que se conseguirá explicá-las ou justificá-las a contento. É evidente que muitas destas distorções intencionais ou circunstanciais (‘tradições inventadas’), são muitas vezes honestas – e ingênuas em certos casos – mas podem ser também – e não raro o são – espertas e deliberadamente mal intencionadas (oportunistas para se dizer em português mais claro).

Logo, desqualificar o crítico chamando-o de ‘tradicionalista’ ressentido não é uma argumento suficiente ou convincente nestes casos. É o mesmo que, diante da má notícia, fuzilar o mensageiro.

Outro aspecto relevante é que esta ‘retradicionalização’ alegada, não pode ser definida, assim tão grosso modo como um processo de ‘invenção de tradições’.

Nestes processos ditos de ‘retradicionalização‘, tanto podem existir procedimentos de ‘resgate’ de antigas tradições, ‘autênticas‘, realmente existentes no passado (redescobertas por alguma pesquisa) quanto tradições, efetivamente ‘inventadas‘, meras mistificações criadas com o propósito claro e determinado de iludir os incautos, novos adeptos ou expectadores, admiradores de algo que não conhecem muito bem, vistos aqui como clientes de interesses comerciais e pecuniários em potencial (ou seja, ‘otários’ no bom linguajar capoeirístico do início do século 20).

É a velha armadilha para turistas, o chamadoFolclore para inglês ver‘.

É neste contexto amplo – olhando igualmente para os dois lados da moeda – que a questão da Capoeira precisa ser analisada. É muito evidente que a polêmica que envolve as duas correntes da Capoeira brasileira hoje, não se resume apenas a um embate ‘oligofrênico‘ entre ‘heróicos‘ universalistas que espalham ‘galhardamente’ a Capoeira pelo mundo afora e vetustos tradicionalistas reacionários, aferrados a velhas e superadas tradições supostamente africanas.

Esta história é velha e se repete como farsa. Vem do tempo em que a Capoeira era sinônimo de rebelião, de organizações criminosas formadas por escravos ‘de-ganho’ e escravos fugidos (‘crime negro organizado’) e nem dança tinha. O conflito era entre os ‘Nagoas‘ (negros africanos, habitantes do perímetro da Corte, até o bairro da Glória) e os ‘Gauiamuns‘ (negros ‘crioulos‘ – nascidos no Brasil – e mulatos habitantes da periferia, depois do Campo de Santanna e as adjacências do que é hoje a Praça Onze)

Para quem se liga no tema, recomendo a leitura dos livros sensacionais de Carlos Eugênio Líbano Soares: Negregada instituição‘ e ‘Capoeira Escrava.

“…Em seu livro A Identidade Cultural na Pós-modernidade (2002) Stuart Hall, destacado teórico do campo dos Estudos Culturais, argumenta que as culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura nacional é um discurso – um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos, e, em conseqüência, as concepções que outras culturas têm da nossa. As culturas nacionais, ao produzir sentidos sobre “a nação”, sentidos com os quais podemos nos identificar, constroem identidades.”

(Sandra Rúbia da Silva (neste link na íntegra) “Redescobrindo o Brasil com Olhos Estrangeiros: a construção discursiva da identidade nacional brasileira na internet

A maioria finge que não vê, mas, existe sim hoje (e a este tema tenho me dedicado com muita frequência aqui mesmo neste site) um surdo conflito sócio cultural instalado no Brasil, envolvendo manifestações tradicionais de todos os tipos, entre elas o Jongo, o Maracatu e, com toda certeza a Capoeira, caracterizado pela utilização da prática da tradição inventada (conceituada sob os eufemismos os mais diversos, tais como a ‘resignificação’, por exemplo) como tática de ocupação de espaços de representação e de visibilidade social, notadamente após o surgimento de canais de patrocínio institucional.

Logo, existe no bojo desta discussão a ‘Tradição Inventada’, instancia legítima do resgate de valores sócio culturais extintos (ou em processo de extinção) por interesses de resgate da cidadania, de reencontro de elementos da auto estima perdida, do espírito de coesão de um grupo social e até da busca da modernidade legítima, etc. mas há também a ‘Tradição Inventada lado B, com outro sentido e outros interesses, como, por exemplo, um grupo social tirando partido de uma situação – como o aventureiro da história, aquele que ‘lança mão‘.

(Aliás, já disse aqui varias vezes que esta é uma prática ideológica muito aplicada – e com aguda perspicácia – por nossa elite moderninha, exímia – e cínica – predadora social). Pois bem, estes aspectos precisam ser do mesmo modo, convidados á entrar na roda, para serem esmiuçados, explicitados enfim.

Não devemos nos esquecer que Cultura é sobretudo Ética, modo de se proceder em sociedade, voltado para um fim que pode ser, bom ou ruim, honesto ou desonesto, dependendo do ponto de vista deste ou daquele grupo social e de seus respectivos interesses. O Brasil convenhamos, não é esta gracinha de paz e amor entre uns e outros que certos otimistas renitentes insistem em apregoar. Aqui não há chapéuzinho vermelho nem vovózinha. É lobo engolindo lobo, sempre, vamos combinar.

Bucolismo de vaquinha pastando ao sol aqui só como comédia sarcástica. Conflito, ‘política o tempo inteiro’ é o que é a cultura de nós todos, seres em contínua mutação (e múltiplos interesses) aqui neste ex-país do carnaval.

“…”Hey .. I want to surrender
Hey, I want to surrender, Camará

Hey, knife-edge
Hey, knife-edge, Camará!

Knife to pierce
Hey, knife for drilling, Camará!”

Este embate falso entre modernidade e tradicionalidade encerra também um importante problema: Estar aferrado apenas às estáticas práticas e formas (‘estéticas‘) de uma manifestação, amarrado cegamente às tradições (no sentido vulgar da palavra) não tem nada a ver com Tradição no sentido estrito da palavra.

Tradição é uma instancia cultural que pressupõe dinâmica, evolução a partir de algumas premissas básicas (um ‘DNA‘, um ‘ethos‘). Ou seja: ser um adepto da tradição e ser adepto da modernidade não é exatamente uma contradição em si. Pensando grande, a rigor estas premissas básicas que definem o conceito tradição, estão ligadas, como já disse, a uma Ética, a um sentido de Moral, a uma Ideologia, enfim.

A manifestação em questão – a Capoeira – é tradição cultural no sentido de que é um conjunto de saberes e modos de ver o mundo (em constante mutação, é claro) portados por um grupo, um povo e a ele dizendo respeito, particularmente, caracterizando-o, dando-lhe identidade, originalidade em relação aos outros, em suma. É como diz, num dos seus muitos sentidos, aquele chavão maravilhoso: ‘Minha pátria é minha língua’.

(Remember neste parêntese o falecido latim berrado por um centurião doido daqueles, na hora de espetar a lança no peito arfante de Jesus Cristo. Quem mais aqui, por menos moderninho que queira parecer, hoje ousa o ‘mico’ de berrar algo em latim? Morto e enterrado ali jaz o latim, como alguém já disse, o inglês falecido de amanhã.)

São estes conceitos que corroboram a afirmação líquida e certa de que – nos permitam insistir – tradicionalidade não é de modo algum sinônimo de arcaismo ou conservadorismo, muito pelo contrário.

A este respeito obrigo-me a chamar a atenção para o equívoco e o absurdo de certas conclusões a que se chega no Brasil, acerca do pensamento de autores como Eric Hobsbawm, Fernando Ortiz, Nèstor Canclini e Stuart Hall, entre outros, leituras ora apressadas (e, por esta razão básica, incapazes de relativizar conceitos tão abrangentes) ora mal intencionadas mesmo, como algumas muito em voga no Brasil que parecem visar, de forma alienada, desconstruir a idéia de Cultura Nacional, tachando de ‘essencialistas‘, ‘tradicionalistas‘, ‘puristas‘, ‘conservadores‘ e outros epítetos desclassificantes, todos aqueles que divergem de seus pontos de vista mal alinhavados, supostamente ‘avançados‘ e ‘pós modernistas’.

Logo, antes de, simplesmente desqualificarmos o pensamento dos mestres de capoeira ditos ‘tradicionalistas oligofrênicos‘ (embora alguns, com efeito, o sejam mesmo) críticos ressentidos deste surto universalista da Capoeira globalizada, é preciso responder a perguntas-chave para se assumir uma opinião mais fundamentada a respeito.

As respostas a estas perguntas-chave deveriam esclarecer, por exemplo, se esta ‘Nova Capoeira‘ re-tradicionalizada’ não estaria em nome da sua desenfreada ‘universalização’, inventando ,não uma manifestação avançada, mas apenas mais adaptada, melhor adequada a um outro grupo social (e neste caso expondo seus eventuais interesses sócio econômicos) desqualificando todos os outros sentidos da Capoeira dita original (tachados de tradições radicais ultrapassadas) por mero interesse comercial.

Esta ‘Nova Capoeira’ ‘retradicionalizada’ não estaria se utilizando destes argumentos supostamente hobsbawnianos para no ensejo – o que seria aí sim, condenável – excluir da roda como óbvios estorvos, os adeptos e participantes da Capoeira ‘tradicionalista’?

Quem quer saber?

————-

Assisti há poucos anos um festival internacional de capoeira da grande corrente Abadá na Fundição Progresso, na Lapa (grande point ‘moderninho’ do Rio de Janeiro).

Eram milhares de participantes, de todas as partes do mundo. Fiquei honestamente bestificado, não só com a dimensão planetária do evento quanto com um fato, muito surpreendente que narro aqui só para a gente refletir e sem nenhum juízo de valor.

Eram inúmeros os work shops que rolavam, concomitantemente em toda a extensão daquele imenso armazem cultural. Estandes e mais estandes comercializando toda espécie de produtos relacionados à prática da capoeira, calças brancas, camisetas, cordas de graduação, caxixis, berimbaus, atabaques (alguns muito ornamentados, reinventados, fashions mesmo, por sinal), muitos dólares e euros circulando, a som de frenético de muitas chulas clássicas e centenas de berimbaus ‘tradicionais’ tudo, devidamente globalizado.

Tomara que ninguém aqui vá simplificar ou desqualificar esta minha conversa me reduzindo a um mero racialista ressentido, mas confesso que me chamou bastante a atenção a significativa ausência de capoeiristas negros (não só brasileiros, mas também africanos, já que era um evento internacional). Havia uns gatos pingados negros sim, claro, mas se preciso insistir no que estou querendo dizer, permitam-me indagar: Perguntar ofende?

Não é esquisito numa manifestação cultural criada por escravos africanos, no justo momento em que obtém acachapante sucesso internacional, deixar de conter, exatamente, indivíduos negros (pelo menos na proporção que a lógica sócio cultural do Brasil sugeriria)?

A resposta ‘hobsbawniana’ poderia ser que a obrigatoriedade da presença de negros na Capoeira é um ponto de vista arcaico… essencialista, algo como:

“…Hall (Stuart, em 2002) preconiza que a identidade nacional é também muitas vezes simbolicamente baseada na idéia de um povo ou folk puro, original. Mas, observa Hall, nas realidades do desenvolvimento nacional, é raramente esse povo (folk) primordial que persiste ou que exercita o poder. Novamente aproximamo-nos aqui da idéia de uma identidade nacional essencialista.”
(texto de Sandra Rúbia da Silva, citado)

Certo! Brancos também podem – e devem – praticar Capoeira. Mas falta alguma coisa nesta análise: Teriam os negros do Brasil se destradicionalizado tanto a ponto de terem excluído, a si mesmos deste contexto cultural que lhes era tão apropriado e peculiar? Será que teremos que um dia inserir num Estatuto da Igualdade Racial um artigo prevendo cotas para negros… nas rodas de Capoeira?

Ou será que, por força da natureza desta Nova Capoeira, do radical processo de ‘destradicionalização’ empreendido por estes neo-mestres ‘anti-oligofrênicos’, teriam sido os negros da prática excluídos, nestes novos contextos globalizados, ficando restritos aos cafundós da invisibilidade da roça ‘essencial’?

De orelha em pé, ainda por ocasião deste festival, encontrei lá para as tantas num boteco da Lapa o vetusto grande Mestre Vieira, meu amigo há quinhentos anos (criador do Gupo Aidê de Capoeira), que havia presenciado em seus tempos de glória, como um dos principais protagonistas, o momento crucial em que a Capoeira carioca se cindiu – como vimos pela segunda vez em sua história – em dois grupos opostos e inconciliáveis.

(Como diz uma das versões da crônica – quem souber que conte outra- o hegemônico e seminal grupo de Capoeira Senzala, numa divergência histórica, dividiu-se em duas facções: Uma integrada por Mestre Boneco e Mestre Paulinho Sabiá manteve-se unido, criando depois um grande grupo secundário denominado Capoeira Brasil. O outro, liderado por Mestre Camisa, criou o afamado e globalizado Grupo Abadá).

Mestre Vieira (membro histórico do Senzala original), que não tinha podido entrar no evento da Fundição Progresso por falta de credencial ou grana para o ingresso, tão assustado quanto eu com a quantidade de gringos, suecos, americanos, holandeses etc. ali visíveis, espalhados pelo espaço e pelas sacadas, me contou um diálogo que teria sido travado outrora entre ele e um dos seus parceiros de capoeiragem conhecido na ocasião como Contra mestre Camisa (sim, ele mesmo, o Mestre Camisa véio de guerra, hoje um dos maiores – se não o maior – responsável deste fenômeno que é a internacionalização da Capoeira)

O diálogo é emblemático:

Mestre Vieira (afirmando, orgulhosamente a sua ligação ideológica com a Capoeira):

_ “Você precisa saber que eu vivo para a Capoeira!

Camisa, pragmático, retrucando:

_ “Pois é. Azar o seu porque eu vivo da Capoeira!

(Pano rápido)

(Nota : Mestre Vieira faleceu em 2010 abandonado numa casa do Morro da Matriz no Rio)

———–

Na noite de anteontem, por obra pura do caso, estive numa festa tradicional fantástica na roça mais profunda do interior do Rio de Janeiro (Vassouras). No programa Jongo, Maculelê e…Capoeira. Na hora da roda de Capoeira a ambiguidade maravilhosa deste assunto esbarrou em mim mais uma vez:

Saracoteando no mais barrento e poeirento dos terreiros desta cidade da roça, primeiro as elétricas faíscas de um Maculelê de Facão e depois uma efervescente roda de Capoeira, destas à vera, com um grupo destes de negão mesmo, comandado por um mestre cujo nome definia bem a figura: Mestre Sombra.

Enquanto pulavam seus aús, pude perceber intrigado que os membros do grupo exibiam nas camisetas o dístico: “Grupo Abadá de Capoeira”, inscrito como sabem todos com alguma familiaridade com o assunto, numa logomarca com o globo terrestre estilizado. Cultura, gente, é ambiguidade e política puras, o tempo inteiro. Não existe povo ignorante e tolo (embora exista elite ignorante esperta).

Talvez fosse o caso de lermos o Hobsbawm e estes outros teóricos da cultura citados aqui com mais distanciamento e, principalmente, senso crítico.

Como diz a chula clássica, a faca é de ponta mas tem dois gumes.

“…Riachão arrespondeu:
Eu num canto cum nêgo descunhecido
Que eu num sei se é escravo
Oi que anda aqui fugido”

Êh quer me render
Êh, qué me render Camará

Êh faca de ponta

Eh faca de ponta, Camará!

Faca de furar
Êh faca de furar, Camará!

Êh dá a volta ao mundo
Êh dá volta ao mundo, Camará”
Êh que o mundo dá’
Êh que o munda dá, Camaráááá!”

(chula de capoeira da Bahia- século 19 – Sorry but, a translate lá em cima é do Zé Google mesmo, com a modesta corretion do nobre writer aqui presente)

Spírito Santo
Maio 2009

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~ por Spirito Santo em 21/05/2009.

2 Respostas to “Faca de Ponta. A meia lua da arte rasteira”

  1. Hablo:

    Nada contra o Hall o qual li apenas de passagem no ato de escrever este artigo sobre capoeira que já é velhusco. Mas vou lê-lo mais detidamente em breve. É que, coincidentemente acabo de sofrer um ataque pesado de um grupo de antropólogos amigos de internet que me acusam, enfaticamente de não passar de um…”essencialista”. Me xingaram também de ‘ingênuo”, “folclorista” e até de…”racista”.

    Isto ocorreu no ensejo de um longo debate sobre um texto que havia acabado de publicar resenhando o livro “Memória do Jongo”. É que o grupo é formado, curiosamente por pessoas que enquanto funcionários do Iphan/MinC inventariaram , efetivamente aprovaram o registro do jongo como patrimônio imaterial. Não gostaram mesmo das críticas que faço o processo – que os atinge em cheio, fazer o que? – e ao me inquirir sobre as minhas razões chegaram a este veredito: “Essencialista”

    Claro que vou escrever um artigo sobre esta teoria que eu acho escapista. Na verdade, da mesma forma que penso que o Hermano Vianna fez com o Canclini, estão lendo o Hall de forma equivocada e usando o santo nome dele em vão.

    Acho que vou precisar da opinião de alguns leitores sobre a natureza técnica das posições deles, as quais infelizmente não vou poder publicizar porque estão num site secreto que abri com e para eles. Não teria outro modo de ter acesso ás posições mais radicais de certa antropologia se não fosse assim, desta forma fortuita. Solicitei, mas não me autorizaram a reproduzir seus comentários em público e serei obrigado à mimetizá-los.

    Volto depois de chutar este pau de barraca (ou este balde).

    Grande abraço!

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  2. Habla, Spirito Santo. Belo texto, como de costume. Confesso que aprecio bastante vários dos argumentos do Hall… em todo caso, mantendo sempre – e em movimento – um pé atrás (talvez seja a tal “wisdom” da capoeira!).

    E se você me der licença pra “filosofar” um pouco mais nesse debate, achei ainda acertadíssima a sua alusão a um ethos (modo de ser), algo que nos lembraria também daquela dimensão inegociável do conceito de “cultura” (no sentido mesmo de “cultivar”). Então, a questão seria mais diretamente “o quê” se estaria realmente cultivando, isto é, buscando saber também até que ponto aquele dinamismo próprio da verdadeira “Tradição” tem sido capaz, igualmente, de produzir a síntese entre o ideológico e o pragmático. E não me parece que uma boa síntese seja esquecermos/abandonarmos nossos próprios mestres!

    Grande Abraço,

    Pablo

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