Meu umbigo em festa: Nei Lopes falou e disse!


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A genese – e o parto – de um livro, ninguém duvide, eu pai e mãe sei muito bem o que é

Em algum momento ali pelo ano de 2002 e 2003 comentei com o Nei Lopes que não sabia o que fazer com um calhamaço de cerca de 50 páginas que havia escrito sobre a formação das baterias de Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Me intrigava a falta de um estudo meticuloso sobre o tema e eu mesmo já havia me envolvido numa pendenga com a Liga Independente das Escolas de Samba (eu era jurado dos desfiles da Sapucaí no quesito Bateria) por conta de meus pontos de vista a respeito do tema, incompatíveis com os interesses de uns e outros.

Mordido por ter sido defenestrado do júri da LIESA por conta destes pontos de vista, digamos… politicamente incorretos para aquela vetusta galera da cúpula do Samba, escrevi mais e mais, seguindo o conselho que Nei me dera, de pronto, naquela ocasião:

_”Faz um livro, ora!”

Do livro,  pronto desde 2004, Nei é o luxuoso prefaciador. Agora estou sabendo que ele é mesmo fã. Nem sei o que dizer de tão orgulhoso. Afinal ele sempre foi o principal incentivador e ‘padrinho’ do livro que para o fim de nossa ansiedade sai agora dia 06 de Outubro de 2011 e será lançado na Livraria Cultura do Shopping Fashion Mall em São Conrado, Rio.

Tá aí em baixo o que ele disse dia destes no seu blog:

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“Consciência Negra:
A TEMPESTADE QUE ABALOU O SAMBA

“Antônio Espírito Santo, músico e pesquisador da pesada, fundador do fundamental grupo Vissungo, que, nesta Semana da Consciência Negra retoma sua importante trajetória, é autor de um livro ainda inédito. Nesse livro, ele analisa, com visão de etnomusicólogo, mas de dentro, o que vem acontecendo com o samba das escolas.

A certa altura do livro (“Do samba ao funk do Jorjão”), o nosso “Spírito” registra uma informação do sambista Marimbondo, figuraça de Rocha Miranda, que, juntamente com seu inesquecível parceiro J. Canseira, marcou época no nosso ambiente, na década de 1970.

Na informação, Marimbondo conta que “por volta de 1937/38 [sic], por conta do enorme sucesso de um filme musical hollywoodiano (…) no qual, talvez pela primeira vez no Brasil, negros reais (e não brancos pintados) foram vistos dançando ‘swing’, este gênero virou coqueluche entre os jovens cariocas. Concursos de dança do ‘swing’ eram organizados nas favelas e subúrbios, com prêmios inusitados, tais como frangos e leitões assados para os primeiros colocados”.

Lendo isso no grande livro inédito do nosso “Spírito”, não pudemos conter o grito do índio do Gonçalves Dias: “— Meninos, eu vi !”.E vimos, mesmo.

Vimos no Irajá, na década de 1950, os negões bacanas da Vila Rangel e adjacências, no sábado de carnaval, às vésperas de envergarem os vistosos jaquetões tipo saco, calças boquinha, chapéus copa-norte e sapatos de couro de cobra com que desfilavam nas alas dos Impossíveis, dos Nobres, da Corte, na Portela e no Império, dançando, suando, abastecidos por um suculento angu à baiana, dançando… Sabem o quê? Suíngue (abrasileiramos a escrita, pra evitar más interpretações).

Tudo isso por conta do filme citado pelo Marimbondo. Filme esse chamado “Stormy Wheater” (no Brasil, “Tempestade de Ritmos”), lançado em 1943, e que – pelas razões apontadas lá em cima – foi o formatador do figurino e da aparência do samba e dos sambistas das escolas em seus tempos áureos. Inclusive nas gafieiras. E nos cabelos esticados no salão do Jaime, na Avenida Mem de Sá.

Lembramos disso, nesta Semana da Consciência Negra para afirmar que a absorção do suíngue (dança) e do “boogie-woogie” (estilo jazzístico) pelo universo do samba deu-se por um fenômeno espontâneo de identificação dos sambistas daquele tempo com um universo paralelo ao seu, e, ainda por cima, glamurizado pelo cinema.

No filme, viam-se pela primeira vez, como escreveu o brilhante Spírito Santo, “negros reais e não brancos pintados de preto”, tocando, dançando e cantando alegremente. E isso tudo era muito diferente do que ocorre hoje, quando o universo “black” é imposto em escala planetária, mas apenas para vender tênis, jaquetas, bonés, camisetas… E até armas.

Mas é assim mesmo. Capitalismo é isso aí! Tanto que “Boogie-Woogie” hoje é apenas nome de favela. “Swing” é só sacanagem. E até o nome do “Espírito Santo” é usado pra se lavar dinheiro.”

Ulelelé! Grupo Vissungo no Youtube


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In July 1988, with an invitation to travel to Europe, the Group Vissungo ‘starred’ this interesting video that marked its strong position to follow the vocation ‘Brazilian afrobeat’, a musical trend completely unknown – and unthinkable – for the too americanized brazilian musical scene of the occasion.

O’afro-beat ‘was a trend considered ‘european’ by the Brazilian phonographic market and its’ Majors’ in their close view of the market reserve for the’ black music ‘Motow post (not to mention that in our tough and systemic racism who preferred a black Brazilian music more…domesticated)

Managed fairly creative for that time by Flavio Razemblat, the film, a dusty VHS tape was left in a cardboard box for all these years.

The moovment implemented on the Internet about the desired ‘revival’ of the band, gave more life to this old document.

Ulelele!

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Em julho de 1988, já com um convite para viajar para a Europa, o Grupo Vissungo ‘estrelou’ este interessante vídeoclip que marcava a sua firme posição de seguir a vocação ‘Brazilian afrobeat’, uma tendência musical totalmente desconhecida – e impensável – para a excessivamente americanizada cena musical brasileira da ocasião.

O‘afro-beat’ era uma tendência considerada ‘européia’ pelo mercado fonográfico brasileiro e suas ‘majors’ gringas, em sua estreita visão de reserva de mercado para a ‘black music’ pós Motow (isto sem falar em nosso sistêmico e renitente racismo que preferia uma música negra brasileira mais..domesticada).

Dirigido de forma bastante criativa para a época por Flavio Razemblat, o filme, uma fita VHS empoeirada, estava esquecido numa caixa de papelão por todos estes anos.

O agito implementado na Internet acerca do ansiado ‘revival’ da banda, resuscitou mais este alfarrábio.

Ulelelé!

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Orfeu Negro- Marcel Camus


No tempo em que sambávamos feito passarinhos.

http://m.youtube.com/playlist?list=PL5D95F8EE5E6F26A8&desktop_uri=%2Fplaylist%3Flist%3DPL5D95F8EE5E6F26A

Assisti o filme Orfeu Negro do Marcel Camus ainda criança. Revi agora e chorei feito criança, de novo. Saudosismo sim. Saudade de como éramos crianças felizes naquela pobreza mansa dos anos 50/60, na otimista virada do pós guerra.

Só pelo jeito diferente, leve, livre e solto – quase a voar como passarinhos – como a gente sambava dá pra ver como éramos felizes e não sabíamos.

Se você não se emocionar é porque já embruteceu de vez, neste Brasil estúpido em que nos tornamos, deixando crianças morrerem pelas ruas como pardais doentes.