EXU CHIBATA – Resenha da peça

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(Na foto João Cândido é conduzido preso por um oficial da polícia – atentem para o sorriso orgulhoso de João diante da atenção dos populares em torno, expressando abertamente a sua admiração para com o ‘Almirante Negro’)

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Em 2010 se comemorará 100 anos de um dos incidentes mais importantes de nossa história: A Revolta da Chibata, rebelião de marinheiros ocorrida em 1910, liderada, entre outros por João Cândido Felisberto, timoneiro do maior navio de guerra do Brasil na época e conhecido popularmente como o ‘Almirante Negro‘.

É bastante provável que as comemorações deste fato tão empolgante – e tão significativo para a afirmação da nossa democracia –  empolguem o país inteiro, de norte a sul, marcando o reconhecimento definitivo e inquestionável de João Cândido Felisberto como um dos mais importantes heróis da nossa pátria Brasil.

A montagem da peça Teatral resenhada abaixo por seu próprio autor, inspirada neste empolgante acontecimento histórico bem que poderia ser um destes eventos.

Com toda certeza contudo, a peça poderá ser vista em Abril no teatro do Centro Cultural Laura Alvin, no ciclo de leituras dramatizadas de teatro ‘Negro Olhar‘ (veja o site do projeto neste link)

No elenco as emblemáticas figuras de Ruth de Souza, Haroldo Costa, Milton Gonçalves além de uma garotada da pesada (atores e atrizes) selecionados especialmente para a ocasião.

Na programação também constarão textos dos dramaturgos Aimè Cesaire (Martinica, Caribe) e Amiri Baraka ( EUA). Não percam!

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Exu Chibata é uma peça teatral escrita em 1994 (leia texto integral neste link) que tem como proposta principal o estabelecimento de um diálogo estético e dramatúrgico entre algumas das linguagens e mídias mais em voga na época em que se passa a ação do espetáculo (início do século 20, entre 1904 e 1910) época de grande efervescência cultural e artística contrapontuada por grandes conflitos sociais.

O eixo dramático principal da peça envolve os incidentes ligados a chamada Revolta da Chibata, comandada por João Cândido Felisberto (o ‘Almirante Negro’) contextualizada neste conturbado período no qual, enquanto no Brasil se tentava afirmar a ferro e fogo o regime republicano recém proclamado, o mundo europeu começava a se agitar com as graves divergências que culminariam com a sangrenta primeira guerra mundial.

A epoca é também marcada fortemente pelo doloroso processo de transição das relações sociais na cidade do Rio de Janeiro, na qual uma imensa massa populacional negra, ainda mal refeita da escravidão abolida há apenas uma década, começava já a experimentar as insidiosas restrições do recém inventado racismo.

Os aspectos principais, referentes a proposta estética sugerida para o espetáculo, estão ligados também aos elementos mais aparentes da chamada Belle Époque, do Cinema Mudo, da Mímica e da Pantomima (linguagens que inserem o espetáculo no âmbito de um teatro essencialmente imagético, no qual as falas não são exatamente fundamentais).

Neste mesmo sentido primordialmente imagético, a proposta tenta se associar também a certas formas e maneirismos do Circo convencional e do popularíssimo Circo-teatro (forma implantada no Brasil por atores e palhaços geniais como Benjamim de Oliveira e Eduardo das Neves). São importantes também a utilização de certas soluções cênicas baseadas nas estéticas mais evidentes do carnaval de rua do Rio de Janeiro, nos rituais do Candomblé e na obra do artista plástico e ex-marujo Arthur Bispo do Rosário.

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EXU CHIBATA –

Qual cisne Branco em noite de lua / Peça Teatral de Spirito Santo Registro Biblioteca Nacional 2349087 / 1994

Rio de Janeiro 1994

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2 respostas em “EXU CHIBATA – Resenha da peça

  1. Clenio,

    Muito bacana o seu intento. Acho que 2010 é o ano de se conseguir esta mais que justa homenagem. Eu, pessoalmente não tenho muita força para isto não, ams vou espalhar o seu pedido em minhas listas. Do ponto de vista institucional (não custa nada tentar) acho que, pra começar, você precisava acionar a Fundação Cultural Palmares (do Mini.da Cultura), O IPhan (também do MinC – aliás vou passar isto para um amigo meu, de lá) e a Secretaria de Integração Racial, do Ministro Edson Santos.
    Boa soret e não perca a esperança (seu mandato vai até quando?)

    Grande abraço

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