Eu e o meu Poltergeist

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(Foto de Claudia Rangel -detalhe-sobre obra de Nelson Leirner)

ze-pilintra-leirner

A ciberfalsidade deste mundo um-sete-um

…”Art. 171 – Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa…”

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Poltergeist? Vocês sabem o que é um, literalmente, não sabem? Viram o filme.

É alemão, gente: Um ‘Fantasma do barulho’(geist – de ‘espírito’ – e polter de ‘fazedor’ de barulho), um Pluft, portanto, como aqueles do gibi, sem tirar nem por. Na verdade um suposto fenômeno paranormal no qual, sem que nem porque, algo (o tal cara) move as coisas de lugar, joga as tralhas todas para o alto, incendeia as camas, faz as cadeiras andarem, voarem, naquele fuzuê de filme de terror para Spielberg nenhum botar defeito.

O furdunço incrível-fantástico-extraordinário só acaba, quando chega, gritando pragas santas, aquela vidente baixinha, como uma sábia coruja, quase nordestina (ou aquele padre velhinho rouco, porém, destemido), especialista em exorcismo e sessões de descarrego de almas penadas de volta aos quintos dos seus imundos infernos:

_Vade retro Satanás! ‘Desafasta Coisa Ruim’! Chispa, Bisca! Xô! Go home!

(Sem esquecer a cruz de prata sacudida com sofreguidão e os respingos de água benta, que ‘queimam’ a pele do possuído, coitado)

Para mim se há uma imagem perfeita para definir este nosso mundo ‘muderno-de hoje-em-dia’ é esta: Chuviscos e chiados, fantasmas de TV.

Parece modernidade, mas não é. Mundo ‘descolado’ não porque é bacaninha, mas sim, porque foi desconjuntado, suprimido das coisas e banalidades triviais, para dar lugar à incomensurável grandeza irreal das coisas virtuais, tão visíveis quanto intangíveis, efêmeras nuvens de ‘algodão-doce’, ilusão edulcorada que se esvai com três lambidas do vento de qualquer domingo, de qualquer lugar.

Mundo de pueris portais de acesso, quase janelinhas para gente, indiscretamente, pular. ‘Cercadinhos’, ‘chiqueirinhos vip’ que não exigem crachá (para os não vips, os excluídos, tudo bem: É só abrir uma House, sweet Lan House, escancarando portais de inclusão digital na base do Um real).

‘Conta-login-senha-perfil-avatar’, ‘conta-login-senha-perfil-avatar’, tudo por Um Real (eu disse real?)

Mundão on line, todos os instantes – os de ontem e os de hoje – na ponta dos dedos. Mundo digital. Com tudo isto, ainda assim mundão besta, parecido demais com aquela arcaica e lúgrube dimensão na qual ‘vivem’ as almas-do-outro-mundo, o vento gelado vindo de lugar nenhum cortando a pele da gente sentada, ouvindo aquelas histórias de ‘assombração’ no alpendre da casa suburbana, matando o tempo que sobrava enquanto nos faltava, além da claudicante água, a vacilante luz da ‘Light’.

Light & Power. Bonde parado nos trilhos frios da meia noite. Enquanto as velas bruxuleavam as almas riam (nunca soube se pra nós ou de nós), arrepiados até os ossos que ficávamos, com aquelas toscas gargalhadas das tias que nos contavam os ‘causos’ com empostadas vozes canastronas, querendo ser cavernosas, desafinadas e enganosas, como as de um corpo de baile mulambento (como um Thriller, comandado por um já cansado Zé Michael Jackson do Caixão).

_ Pô, Jesus! Ensina logo pra ele o caminho das pedras!

(um apóstolo, escolado vendo o outro, novato quase se afogando)

Eu sei que para os mais jovens é coisa corriqueira, ver estes laços, liames, conexões ou links da internet se tornando coisas reais, assim de quase se apalpar mesmo, para São Tomé nenhum botar defeito. Mas, compreendam, para um cara como eu que não é, exatamente, nenhum Einstein nestas coisas de relatividade, isto causa enlevo e encantamento sim, mas, antes disto, chega mesmo é a assustar.

Sim, é susto puro este vapt vupt da comunicação ‘pós-muderna’, transformando personagens e conversas assim, sem pé nem cabeça, sem compromisso algum com a realidade, em eventos e pessoas concretizadas, materializadas, absolutamente, reais, nos garantindo assim, na maior cara de pau, que de um tudo serão, que de um tudo farão.

(Algumas poucas fazem sim, mas…vai acreditar?)

Na verdade, alguns de nós já até achamos que a maioria do que se diz e se escreve na internet não passa de meras lorotas, palavras ocas, papo caô-caô fajuto, de gente que só fala o que não se escreve – ou vice versa. Eu não. Eu tento esconder o Alan Kardec que trago escondido no fundo do peito, mas não resisto: Blasfemo e vocifero, respeitando apenas o Deus Padre Todo Poderoso de cada um. Yo no credo em brujas, pero… pelo sim pelo não, todavia…

Sim! Só Jesus Cristo – ou a vergonha na cara – afasta certos demônios do corpo das pessoas!

Sabe aquelas predestinações karmáticas, grudadas na gente, indelevelmente, como praga de mãe, daquelas que a gente não sabe se ‘pegam’ mesmo, de verdade, mas que, não convém, de jeito nenhum, arriscar porque…sei lá? Pois é. Vai que existe um ‘poltergeist’ de internet, um fantasma de um hacker assassinado por um banqueiro que foi roubado em seu último vintém?

Ah…Lenda urbana!’– Vão dizer. Como aquela dos celulares que, quando sintonizados, chamando o mesmo número, cozinham… pipoca, mas, e aí? Vai que existe uma ‘hora do espanto’?

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Vocês por acaso se lembram da virtualidade safada do processo de seleção de consortes para príncipes herdeiros – ou reis viúvos – no metier da nobreza européia? A disputa (espécie de concurso de Miss ao contrário), se baseava na avaliação de retratos pintados a óleo (avatars rococós) de supostamente belíssimas princesas que, só depois de desposadas eram vistas ‘ao vivo’, revelando-se para o espanto dos consortes (com-azares, no caso) verdadeiros estrupícios, canhões de grosso calibre, dragões apavorantes que até a magnânima lança de São Jorge repudiaria?

E o que dizer Deles também, claro, porque na vida real (real?) o que havia de príncipe-bagulho… Vocês não fazem idéia do trabalho insano que os alfaiates, os maquiadores, os cabeleireiros e os pintores tinham para desembagulhar as Vossas Magestades (o que estragava tudo era a maledicência das cortesãs fofoqueiras e ressentidas).

A história está cheia de incidentes deste tipo, nos quais a hora da verdade, o limite entre a mais funda decepção e a mais esfuziante surpresa é uma longa, longa, muito longa e ansiosa espera.

Sempre mal traçadas linhas

Se tudo é relativo, o futuro é para frente ou para trás?

Lembrem-se: Sou do tempo em que o máximo do modernismo tecnológico era especular acerca do potencial intercomunicativo dos pulsars e quasars em nossa brevemente futura, líquida e certa relação com os seres de planetas distantes que, para testar a força de nossa fé na vã tecnologia…até hoje nem sombra de rolar.

Me recordo de uma vez que uma carta que enviei para o Brasil, assim que cheguei em Bologna na Itália, só chegou por aqui bem mais de três meses depois (o correio italiano era uma coisa pra lá ineficiente, inepta mesmo, muito pior que o nosso). Quando as cartas chegaram, a realidade já havia mudado da água para vinho, tanto que, nem mesmo na Itália eu morava mais.

Me lembro também que as coisas mais moderninhas de lá das Oropa, só apareceram por aqui cinco, dez anos depois como se, ao viajar eu tivesse ido, concretamente para o futuro e ao voltar, por uma triste compensação, tivesse regressado ao nosso bárbaro passado. Senti bem o mal estar que aquele povo da Corte Portuguesa sentiu ao desembarcar aqui no fedorento Rio de 1808.

“_ Cruzes, ô Raios! C’os diabos!! Como pode? Nosso navio navegou para trás, ô pá!”

Cismado como sou, sempre liguei esta sensação meio de ‘máquina do tempo’ ao torpor do jet leg, aquela vertigem estranha de ‘onde-estou-quem-sou-eu-que-horas-são’, que senti na ida e na volta, aqueles mal explicados saltos de fuso horário, o sol nascendo duas vezes, como num replay de filme VHS mal editado.

Ora, se o vôo saiu do aeroporto às 18hs e viajei… sei lá, por umas 15 hs, teria que chegar ao destino às 09 hs do dia seguinte, certo? Mas não, cheguei às 04hs, cinco antes do previsto… Hum? Volta, volta, repete. Pula a equação do Einstein, mas, me explica, tintim por tintim: Como assim?

Virtualidade, de verdade, era isto: Tudo incerto e duvidoso, o filtro do tempo era o mesmo que o da distância e não se podia dizer nada que fosse assim, definitivo. Usávamos, a perder de vista o provavelmente, o talvez, o quem sabe, o pode ser e o se deus quiser, o oxalá (e, ai de nós se assim não o fizéssemos).

Virtualidade era aquilo: Páginas e páginas rasgadas de um caderno espiralado qualquer, envelopadas em cartas perfumadas, letrinhas cheias de ficção e realidade, lorotas benditas em ‘mal traçadas linhas’, que tanto podiam ser rematadas histórias da carochinha, quanto descrição de fatos rigorosamente reais. Como saber? As noivas que engordaram na longa espera pela volta do prometido, só mandavam retratinhos de quando ainda estavam aqueles piteuzinhos.

Verdade ou mentira, tanto fazia, melhor seria não crer, não fazer nenhuma relação direta com as coisas concretas que nos moviam – e nos movem – na vida real que, apesar de tudo, existiam.

Apaga, risca, deleta. Hoje já não é mais nada assim.

A Internet meio que resolveu esta imponderabilidade… ou não, se a gente considerar que, como o tempo é relativo, esperar meses pela chegada de um navio ou esperar minutos pela conclusão de um download, é, rigorosamente, sofrer o mesmo grau de ansiedade.

Os segundos serão horas, as horas serão dias, os dias serão anos e/ou… vice versa).

– Ih!.. Será que o navio não vai afundar? Será que o download não vai travar?

Zé Pilintra não é pilantra não

As desventuras póstumas de um sambista da Lapa

Vejam o que se deu comigo, por exemplo: Cabreiro, meio mineiro que sou, completamente analfabeto de internet quando entrei nesta dança on line, temeroso de estar tendo como convivas um bando de jovenzinhos pálidos, nerds, super experts nos macetes da rede, me ocultei, timidamente, sob a face de um avatar estranhíssimo: um malandro sestroso extraído de uma charge de capa de disco dos anos 40.

Nossa como apanhei da rapaziada que navegava pela rede. Quantas dúvidas, sem querer lançava no ar, como atraía preconceitos, aquela pitoresca figura de raça indefinida, como um bigodinho fino e pinta de um-sete-um de carteira assinada.

Um dia, no auge das dúvidas lançadas sobre a identidade real de tal suspeita figura, ofendido e constrangido, decidi assumir de vez o perfil com a minha própria e velha cara, assim, na lata.

Mas, qual não foi a minha surpresa quando, expondo minha cara, o meu old face rigorosamente, real (sugerindo, por acaso, algum charme e simpatia), me vi auferindo, logo de saída, votos à mão cheia, de uma legião de fãs muito gentis e simpáticas que, passaram a me dar muito mais crédito moral e intelectual, do que me davam quando usava o avatar do malandro supostamente, um-sete-um.

Milagre de São Judas Tadeu? Vai entender.

Vejam só que injusta injúria! O tal malandro, um mero ícone caricaturado de um sambista qualquer, sabe-se lá se um Assis Valente destes, dos anos 50, algo assim meio Lapa meio Praça Mauá, era o mesmo ego e alma da minha cara real (que, afinal de contas, ninguém sabia mesmo se era eu ou outra pessoa qualquer). Um cara virtual em suma, como todos por ali. E daí?

Será que quem via a cara estava vendo também o meu roto coração? Que nada, claro que não. Aquilo me intrigava, embatucava mesmo, me fazia refletir, meio proustianamente (ou shakespearianamente, vá lá), sobre a insustentável leveza do ser ou não ser na Internet.

Naquela matrix mucho loca, cheia de agentes smiths, me beliscando a bunda nos fóruns, atiçando os meus brios de marrento e brigão, quem seria eu? Muçulmano ou judeu? Grego ou bahiano? Estelionatário ou samaritano?

Crise de identidade: Afinal, o que dava àquelas pessoas a garantia de que eu era eu mesmo? Porque depois de meterem o malho naquele arguto, porém inocente, Zé Pilintra decidiram assim, tão de repente, acreditar que aquele cara grisalho e ocasionalmente, simpático, não era mais que uma nova faceta falsa de um mesmo usuário um-sete-um?

(Para quem não sabe, Zé Pilintra teria sido um malandro dos tempos idos que ficando assaz célebre por conta de suas intrépidas façanhas, depois de falecido, ‘virou’ um Exu, ou seja, um ser virtual, sobrenatural, uma poderosa entidade da Umbanda. Muito esperto e poderoso, Zé Pilintra é um integrante do valoroso panteão do ‘Povo da rua’ – onde também pontifica a não menos célebre ‘Maria Padilha’. Sim, ‘Povo da Rua’, aquela curriola que podemos invocar nos momentos de necessidade. Diz o mito que Zé era um assíduo leitor do livro de feitiços de São Cipriano, base intelectual de suas pícaras malandragens).

O chato é que foi do nome do Zé Pilintra que a ferina má língua popular, também por puro preconceito, tirou o pejorativo ‘pilantra’.

Hum…Vai acreditar?

É por estas e outras que os vigaristas pululam no Brasil

Sabem daquela do Conto do paco?

Leiam aqui a bula da vigarice como ela é

“…Os marginais trabalham em duplas ou trios. Um deles observa alguém que retira dinheiro do caixa bancário e o acompanha à saída. Neste ínterim, o outro golpista passa pela vítima e derruba um maço de papéis moldados como se fosse dinheiro, tendo a cobertura de uma nota de dinheiro real. A vítima, distraída, leva um susto.

Outro estelionatário aproxima-se e divide com a vítima a “perplexidade” com o achado. Cria-se, com isto, toda uma situação de surpresa que acaba engrupindo a pessoa e, muitas vezes, a tornando vítima de sua própria ganância…”

(Troque-se os ‘marginais-golpistas’ por ‘hackers’ e o caixa bancário por ‘Internet’ que tudo fica enfadonhamente igual.)

Ih!! Seria eu um desses ‘falsa qualidade’ (como se dizia antigamente, evocando o sentido deste artigo 171 do código penal) ou um cidadão de bem, Dez, Cem, ‘Pedra Noventa’? Insondável mistério.

E quando soubessem então que só ando de boné?

O que poderia garantir para os meus demais convivas que eu não era mais do que um mero mix anti-frankenstein, montado e retocado a photoshop, marqueteado por um gordo e suculento curriculum vitae no perfil, recheado de feitos, descaradamente, falsos, heróicos e edificantes como este exemplo:

…”Participou da tomada da Bastilha na França, depois de ter sido amante de Maria Antonieta. Participou também, concomitante e valorosamente, da Revolução espanhola e da Batalha dos Guararapes quando, comandante de um destacamento português dizimado inteiro no campo de batalha, foi o único sobrevivente… Depois de criar e implantar a luta da Capoeira na Bahia, participou também, com grandes chances de vitória (não concretizadas) do décimo BBB da rede Globo, recusando insistentes convites para posar seminu para a revista norte americana ‘Men biggest anatomy’, alegando como justa razão o fato de ser o criador e principal incentivador da Ong ‘Pupilos da Esperança’, premiadíssimo projeto de responsabilidade sócio ambiental internacional de inclusão digital de pobres criancinhas faveladas…

Ao que parece, toda alma penada que se preza, todo fantasminha camarada anseia concretizar-se, materializar-se em dores e culpas, medos, existir como algo real, mas, é aí que mora o perigo.

Toda virtualidade tende a ser, portanto, efêmera e isto é que dá sentido e concretude à nossa vida. O que aconteceria, contudo, se perdêssemos um dia o senso da realidade, por conta destas sabidas armadilhas da modernidade, este futuro sem eira nem beira à vista, esta ambigüidade tão ‘ser ou não ser’ do admirável novo mundo virtual que estamos engendrando?

Você já ouviu falar deste escritor ?

Ah, não! Um conto do Paco, de novo?

(Biografia do misterioso escritor pós beatnik Paco Bernardo…Sério, gente! Sem pilantragem. O nome do cara é Paco mesmo)

“…Poeta italiano nascido na década de 1940 que, por razões de educação, sempre escreveu em português. Nunca publicou um livro e viveu afastado dos centros acadêmicos. Viajou por cerca de 80 países, nunca fixando moradia. Ligou-se à poesia experimental e criou ainda em cinema, fotografia, teatro etc.”

Pois é. Dia desses esbarrei na rede com esta figuraça, convidado por um engraçadinho que se dizia membro de um grupo de admiradores do genial romancista e poeta. Como as informações batiam todas ‘na trave’, decidi fazer uma breve pesquisa, chegando a estas curiosas conclusões:

O criador da lorota seria um garoto obcecado pela idéia, que engendrou com disposição quase neurótica, a amarração de todos os detalhes. Contei bem uns cinco ou seis personagens, entre prefaciadores, biógrafos e admiradores, criados a partir de nomes copiados, aleatoriamente, da internet e espalhados, cuidadosamente pelos vários blogs que o engenhoso criador montou, especialmente, para dar veracidade ao seu projeto.

Assim sendo, todos os citados comentaristas da obra do sujeito viajaram muito, estiveram na Itália, na França, na Argentina, todos nasceram na década de 40 e, bingo, todos falam bem o português e escrevem com o mesmo estilo do tal escritor.

Quando muitos erros de concordância ou gramática estão visíveis nos textos do tal misterioso autor, o criativo garoto afirma que o autor entregou o texto antes de revisar. Um destes textos (supostamente, escrito pelo tal autor fantasma ‘entre 1959 e 1960’), tem surpreendentes 228 páginas!

Foi fácil. Vi no google:

Entre as inventadas sumidades que ‘escrevem’ sobre o tal poeta ‘pós beatnik’, um jamais escreveria sobre alguém nascido na década de 1940 por que morreu… no século 19. Outra (a quem é atribuído um prefácio, autorizado pela viúva), se refere a um ambientalista francês que, além de estar vivíssimo (o criador usou apenas o nome), ao que tudo indica, não tem nada a ver com a história, que parece ser pura esquizofrenia. Ou não?

Vai acreditar?

Adoro a internet (até mesmo este seu lado Matrix), mas, me preocupo com quantidade incomensurável de dementes virtuais que ela, potencialmente, pode criar, emaranhados na dúvida cruel de jamais, exatamente, saber separar o que é mentira do que é verdade.

Esquizofrênicos em rede, ‘auto-hackers’, ‘um-sete-uns’ virtuais, serial killers espinhentos, cidadãos ‘de bem’ pedófilos, uma fauna pós-moderna imensa, uma ‘família-monstro cibernética navegando em LCD por aí (que deve ser pior que viajar em LSD )

Podemos combinar que nem todos somos portadores daquela loucura sã dos ficcionistas, dos artistas, dos contadores de histórias, aqueles que possuídos por fantasmas e demônios íntimos, oriundos de estranhas outras dimensões, são capazes de criar mundos e galáxias de personas paralelas, com a finalidade única de nos fazer, na boa, sonhar.

Cavalos’ que incorporam caboclos-poltergeistern sem ferir ninguém, revolucionando a casa com lúdicas idéias de mudança. Sim porque, os ficcionistas transitam, deste mundo ao outro, como loucos, mas, ao simples sacolejar vigoroso de um galho de arruda, o lançar súbito de um punhado de sal grosso, uma leve aspergida de pó de pemba, ou mesmo de uns caroços de pipoca doce, pronto: desincorporam o ‘santo’ e voltam, revigorados à realidade prosaica das coisas deste mundo.

(Depois da pesquisa sobre o escritor fake que, presumo ter descoberto, meu blog pessoal foi invadido por comentários escatológicos de um vandalozinho – seria ele? -. Pulga atrás da orelha voltei a ter aquele velho grilo com jovenzinhos pálidos, nerds, super experts nos macetes da rede, mas isto passa.)

Prometo não me esconder de novo naquele avatar estranhíssimo do malandro sestroso, mas, que evocarei de novo aquela sabedoria sambística do cara, isto evocarei sim. E que São Cipriano me abençoe.)

Kaô, Kaô, kabecile!

Eventual paraíso futuro dos ‘um-sete-uns’ malucos de pedra (que na grande Web poderão ser um dia hackers suicidas de si mesmos) a Rede, como qualquer Casa de Umbanda terrena que se preze, vai precisar, brevemente, de um mentor sábio e poderoso. Um Pai de Santo armado da mais pura astúcia, para gritar na hora agá, em alto e bom som, para os abusados fantasminhas do barulho:

_Vade retro Satanás! Larga este corpo que não te pertence!

Spírito Santo

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~ por Spirito Santo em 10/05/2010.

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