Brasil da’Máquina’ doida / Post #02


(Parte # 02 de um post assustado, niilista e alarmista, graças a Deus. Leia aqui o post #01)

(Cruzes! Os fatos avassaladores continuam a me atropelar a escrita. Nem acabei de escrever ainda e o que penso denunciar por suspeição remota já aparece confirmado como escândalo na mídia dita ‘golpista’.  Assim não dá! estes ‘neo aloprados’ estão tirando toda a graça de novidade dos meus posts!)

O projeto e os componentes dalla ‘Machina’

Tutto buono equipamenti. Tropo qualitá, padrino!

A razão de ficar aqui tentando  explicar o que pode estar ocorrendo nestas eleições, assim de forma tão enfática e insistente é importante pra caramba sim, garanto:  Sem querer ser pitonisa de nada – Deus me livre e guarde! – sugiro até  que considerem estas especulações o mais serenamente possível.

O esquema ao qual me refiro (a ‘Máquina‘) não diz respeito apenas à meia dúzia de corruptos que ‘normalmente‘ – como os petistas mais fanáticos, de forma irresponsável dizem hoje por aí,  ‘existem em qualquer governo’ – este esquema, aparentemente pode estar envolvendo a cúpula máxima do governo. Duvidam?

A sala de comando, a Central de operações deste esquema, onde os planos ao que parece, estão sendo articulados, surpreendentemente (pelo menos ao que se pode apreender das informações até agora disponíveis) parece estar instalado na própria Casa Civil da Presidência da República, no vestíbulo do poder máximo do país, praticamente na antesala do nosso próprio presidente, como se sabe, um cidadão articuladíasimo, que se tornou celebérrimo e era, até há poucos meses, considerado mundialmente, como sendo O ‘Cara’ (chamuscou-se  bajulando ditadores).

O titular, o chamado ‘Ministro Chefe’ desta Casa Civil da Presidência da República, nos momentos iniciais da implantação deste suposto esquema, aquele a quem se atribui a montagem da ‘Máquina’ (por ele mesmo anunciada como projeto do partido quando no poder), aquele cujas práticas políticas inusitadas são já sabidas e notórias (andou soltando bravatas inconfidentes ontem mesmo por aí ) é o Zé Dirceu que (é sempre bom lembrar) era – ou  ainda é, quem há de saber? – o braço direito do presidente.

Novidade nenhuma, ok? (Por favor: Não me decepcionem: Isto ninguém esqueceu ainda, certo? Hoje mesmo, enquanto escrevia saíam notícias, mais cabeluddas até do que estas que conto, nos principais jornais do país)

Vocês viram? E não foi que a sucessora deste cidadão ainda incólume e superpoderoso (um rasputin tupiniquim, um golbery ‘de araque’)  na tal Casa Civil da Mãe Joana foi  a até então ilustre desconhecida Dilma Roussef ?

Mama mia! Agora que a gente consegue juntar os pauzinhos, não é surpreendente isto aí? Ora…Se isto não é ‘dois mais dois é igual a quatro’ eu sou analfabeto de pai e mãe. Se você ainda não matou esta simples charada porque está distraído, tá legal. Eu perdôo e até explico:

Pode-se com alguma convicção sugerir agora, que o candidato do PT à sucessão com posse em 2011, por alguma razão ainda oculta (quem sabe, um acordo tácito entre Lula e o núcleo duro do PT, autorizando e balisando os acordos e favores ‘a ‘direita‘ em troca de contrapartidas ‘a ‘esquerda‘ depois)  algum compromisso  tácito de que o próximo cacique do Brasil teria que sair deste ‘aparelho’ central, desta ‘Máquina’ já nossa conhecida, denominada Casa Civil da Presidência da República.

(Assusta quem tem juízo, mas bingo para quem disser que o candidato a sucessor de Lula deveria ter sido o Zé Dirceu).

Zé Dirceu, de fato foi abatido em pleno vôo para a indicação, denunciado como ‘ o chefe da quadrilha’ do Mensalão pelo relator do inquérito, o juiz do STJ Joaquim Barbosa (que, aliás, é uma figura, estranhamente posta fora de circulação).

Se fosse para ser assim, como sugiro que estava planejado para ser, abortado pelo escândalo gerado pelas avassaladoras e, até agora, inquestionáveis denúncias a ele imputadas, o projeto de Zé Dirceu e do PT Duro teve que ser alterado então para um ‘plano B’.

Aí e agora fica até fácil entendereste tal plano B, o ‘bônus de êxito’, o prêmio: The winner is… Dilma Roussef, então titular da mesma Casa Civil, sucessora de Zé no cargo, logo… bingo de novo:

A Casa Civil da Presidência da República é sim a berlinda do Poder. Se não for – me cobrem, viu? – desfilo na Esplanada dos Ministérios vestido de baiana, cantando ‘mamãe eu Quero’,  e assumo ser, como se dizia no tempo do Getúlio, um mico de circo.

Caraca! Não é possível! Logo ali, justo na casa do Big Brother Brasil?

Pois é daí que vem a pergunta que não quer calar: Estaria em vigência entre correntes ou facções do PT, algum certo tipo de acerto, sabe-se lá, algum protocolo extra oficial firmado, como sugeri acima, desde  lá no início do primeiro mandato de Lula? Será que nesta alternancia clandestinamente acordada (à nossa revelia portanto) estaria na bucha de assumir o poder, justo agora, definitiva e diretamente,  o velho capo Zé Dirceu com sua misteriosa trupe? Já pensaram nisto?

(Tá. Nem precisa pensar. O próprio Zé Dirceu já deu a entender isto mesmo outro dia).

O fato é que,  se for mesmo isto (‘assim é se lhe parece‘) não há discussão possível – não é sério, seria até perda de tempo a esta altura do ‘campeonato’-  ficar debatendo política em termos convencionais,  refletindo sobre ‘quem é o melhor candidato’, quais são as ‘melhores propostas’, o melhor ‘plano de desenvolvimento econômico‘, que políticas ‘públicas de inclusão social ‘são mais pertinentes ou prioritárias, se o nosso ‘desenvolvimento deve ou não ser sustentável‘, qual a ‘melhor opção de gestão pública‘ e outras conversas fiadas mais, enfim.

Não há papo possível quando se está tratando de um Estado que pode estar corrompido da cúpula até a base (sim porque o ‘Bolsa Família’- vamos combinar – no fundo no fundo, tem sim estas malévolas intenções, este sutil perfil corruptor, pois como dizia o Rei do Baião: a esmola continuada ‘…mata de vergonha ou vicia o cidadão’)

A rebimboca da parafuseta

As engrenagens de controle da ‘Máquina’

É companheiros e companheiras‘minha gente‘! Infelizmente talvez eu não esteja ainda tão pirado assim não.

Escutem aqui, bem ao pé do ouvido: Repararam atentamente que, de forma recorrente, todo titular desta Casa Civil do Brasil (pelo menos a partir do primeiro governo Lula)  controla pessoal e financeiramente,  enfatize-se, pelo menos uma empresa estatal deste governo. Repararam?

Na berlinda sempre estiveram a Caixa Econômica Federal os Correios e telégrafos e o Banco do Brasil, outrora respeitabilíssimas instituições, mas muitas outras estatais e agências reguladoras de serviços públicos e privados já apareceram envolvidas em falcatruas recorrentes.

Reparem também que, como o recente caso de Erenice Guerra indica, este titular  da Casa Civil (uma espécie de ‘Sub Capo’ mafioso) parece contar sempre com ampla liberdade de ação e impunidade no âmbito de seu feudo político administrativo, podendo montar uma extensa rede de devedores de favores, de beneficiários de vantagens e lucros; rede esta na qual Erenice Guerra,pelo que até agora foi constatado, optou por instalar em postos específicos da ‘Máquina’ todos os seus parentes mais próximos, literalmente como (no sentido mafioso do termo) uma ‘famiglia’, totalmente desenvolta e impune, no trato de articulações prevaricadoras as mais espúrias.

Porca miseria! Viram só? Como uma verdadeira Mama da Cosa Nostra, a cearense Erenice fez uma verdadeira pizza de jabá (se me permitem um comentário mais incorreto e  indecoroso).

É lícito, portanto se deduzir que se semelhante estrutura realmente existe – como atestou o ministro Joaquim Barbosa e já está se tornando por demais evidente – instalada que está há tanto tempo, no órgão mais importante e central da administração do Governo Federal, não é fortuito se supor que o ‘Mal‘ pode ter se alastrado já (como vírus ou praga) por toda a estrutura administrativa do Estado, havendo corroído, quase inteiramente – como um amontoado de cupins vorazes– algumas das estruturas mais essenciais de nossa ainda frágil democracia.

(Isto sem falar na disseminação da imoralidade e na sensação de impunidade percebida por todos nós, envolvidos que estamos nesta insidiosa cultura do ‘tudo pode’, que parece predominar no país desde então e que, na minha modesta opinião é um exemplo que vem de cima.)

Ora, parece óbvio enfim, que as consequências eventuais de semelhante tragédia política (Deus queira, sinceramente que eu esteja equivocado ou louco) são absolutamente imprevisíveis – até mesmo para os envolvidos nesta maquiavélica estratégia de manutenção do poder.

Quem quiser prestar atenção vai notar que esta ‘Máquina’ – cujos segredos tento, canhestramente desvendar com suposições niilistas – parece ter se especializado no desvio de dinheiro público e no trafico de favores e interesses, corrompendo tudo e todos e, de quebra – já que é tão fácil fazer e desfazer o que quer que se queira, já que o povo a tudo perdoa – deixando que seus integrantes lucrem pessoalmente com isto. Um bônus, certo? Uma ‘taxa de êxito’ no dizer de Israel Guerra, o ‘lobista Bomba‘, filho de Erenice, esta sisuda gerentona da Casa Civil do Lula.

Azeitada por, no mínimo, 8 anos de prática em experiências alopradas ou bem sucedidas, a ‘Máquina’ pode estar pretendendo sim perpetuar-se no poder indefinidamente – ou pelo menos por muitos anos ainda – como uma imensa  e monstruosa parasita, um câncer linfático social, sei lá, uma coisa destas aí, assustadora.

(Nos meus pesadelos mais angustiantes, chego a pensar até que ela, a ‘Máquina’ tem lá suas secretas ambições internacionalistas. Senão onde encaixaríamos o Ahmadinejad nesta história? E o Sarkozy? E o Chavez?)

Mas não. Eu não sou louco a ponto de especular sobre isto mais detidamente não. Esqueçam esta parte, por favor. Não está mais aqui quem falou. Apaguem.

O certo mesmo é que ninguém deveria ficar de bobeira, alheio à gravidade desta situação, deste aspecto tão periclitante desta transição anarco petista anunciada por entre os dentes (a não ser que você esteja esperando tirar alguma vantagem pessoal disto – o que seria asqueroso – ou que seja, com o perdão da franqueza, um otário destes ‘com doutorado’, um ingênuo e estúpido de carteirinha)

Não se trata de saber, entendam, se Dilma é ou não é competente, se  Lula foi um presidente eficiente nisto ou naquilo, se Serra ou Marina vão ou não vão manter as supostas  ‘conquistas’ da ‘era Lula’, se o Plínio é um doido jovenzinho de terceira idade.

Todos eles são inteligentes e preparados, senão não estariam rodando nesta roda gigante. Só que – e aí está a residencia do perigo – olho no olho, vistos sem maquiagem, uns aparentam ser, na verdade, canalhas dos mais descarados, crápulas da pior laia, e o país não suporta mais ser governado por gente assim.

(Soube-se depois da eleição de Collor de Mello que ele e seu grupo, muito jovens ainda, haviam planejado num pacto no exterior – num bar na China, se não me engano – conquistar o poder no Brasil e tirar vantagem dele, nos mínimos detalhes. Nossa sina parece ser mesmo esta, de estar sempre à mercê de vândalos, ladrões, ‘um sete uns’ e transfugas, escolados nas malandragens mais mirabolantes e inusitadas.)

Tarde demais talvez. O que importa agora, portanto é que em 2011, provavelmente estaremos sendo governados por um esquema destes, deletério por convicção, meticulosamente articulado, ao que se presume, para continuar a surfar nesta onda de bonanza da economia mundial, nesta boa maré deste capitalismo ‘bom velhinho’ (pai dos – países – pobres) que nos rege hoje, esta maré tão alvissareira para a turma dos antes despossuídos, hoje ‘BRICS’ (e atentem aqui para um detalhe sutil: não somos os únicos ‘ricos’ na história deste capitalismo muderno, com prazo de validade quase estourando).

Quando a boa maré nos virar  a cara – e virará um dia, com toda certeza, pois isto faz parte da natureza cíclica do sistema – com o perdão da palavra, nos fuderemos de verde e rosa (ou de verde,amarelo, azul e branco, se preferirem)

Por outro lado, internamente, pode acontecer em breve uma briga surda (‘luta interna’, como se diz no jargão petista) envolvendo estas diversas facções. Ao que tudo indica, pode estar, agora mesmo, rolando um quebra pau homérico, arrancando lascas dos móveis desta Casa de tolerancia em que, irremediavelmente parece ter se transformado a Casa Civil da Presidência da República deste governo.

Cada vez fica mais difícil não achar que Zé Dirceu, Dilma Roussef e até mesmo  Luiz Ignácio (e sabe-se lá quem mais do PT Duro), estão mancomunados e envolvidos em intrincados palpos de aranha. De que outra forma se poderia explicar a enorme desenvoltura de Erenice Guerra, uma mera subalterna dos três, criando a rede tão extensa de prevaricações familiares que criou?

É óbvio também que alguém tolerou, autorizou – ou, quem sabe até ordenou – os ‘mal feitos’ atribuídos a Erenice e sua ‘famiglia’ (e a questão é saber por quanto tempo – e a que custo – ela se manterá neste seu estóico ‘cala-te boca’ conivente, heroico e militante).

Do mesmo modo ‘alguém‘ tolerou, autorizou os mal feitos atribuídos a Zé Dirceu, a Antonio Palloci, e a tantos outros aloprados do alto ou do baixo clero petista. E isto é um óbvio dos mais ululantes da República.

O que mais assusta é que tudo isto, todas estas lambanças, foram feitas assim às claras, nas nossas próprias barbas, já que a tudo toleramos, acumpliciadamente nos acanalhando, dia após dia, aceitando também, mesmo constrangidos, as miseráveis migalhas que nos deram a guisa de propina, de ‘cala boca’ enquanto eles enchiam – e enchem – a cara de botox e a burra de milhões.

O que os olhos não veem…

(Fragmento de velha piada de humor negro):

Durante os trabalhos da criação do mundo, anjo europeu, se dirigindo a Deus,  contrariado:

_” Pô, no meu país tem terremoto, vulcão, tudo de ruim.  Enquanto isto no Brasil o sr. fez tudo de bom, o mais perfeito clima, as mais belas maravilhas da natureza! Não é justo!”

Ao que Deus, ‘na lata’ e senhor de si, respondeu:

_”É? Mas me aguarde: Você vai ver só o povinho que eu vou colocar lá!”

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Em tempo: Parece haver inclusive, um ramo esquisito desta ‘Máquina‘ , uma espécie de ‘Agencia de informações e Segurança’ , meio desastrada, composta por agentes tipo ‘Pantera Cor de Rosa’, mais ou menos secretos, (‘arapongas‘ no dizer popular), que ganham o seu pão de cada dia montando dossiês para caluniar amigos e inimigos, coletando informações sigilosas para serem, eventualmente usadas contra Deus e o mundo, inclusive do PT.

(Dizem as más línguas – cala-te boca! – que este setor é uma herança do SNI da ditadura, havendo herdado agentes da antiga ‘máquina‘ do tempo do General Figueiredo)

Aliás e a propósito, antes de encerrar: Será que vocês sabiam que existem antecedentes históricos – bem remotos até –  que explicam direitinho este tipo de ‘Máquina de mal feitos’ e corrupção, esta Máfia Política que presumo tenha sido montada no Brasil? É vero, gente. Vem bem de longe isto aí (e nem mesmo foi inventado só no Brasil). Depois, um dia destes – e se tiver coragem – eu conto tá?

Por enquanto, vou ver se relaxo um pouco desta angústia cívica e afogo os maus presságios no lençol de algum bom sonho.

…Já de saída digo e repito, contudo: Atenção com o seu voto! O buraco desta eleição é bem mais embaixo…na verdade,  ele está quase ao rés do chão.

Spirito Santo

Setembro 2010

Brasil da’Máquina’ doida desembesta em 2011


Tupinambás pelados dançam, batendo cabeça para os emplumados 'chefes' da tribo

Tupinambás pelados dançam, batendo cabeça para os emplumados ‘chefes’ da tribo

Atenção! Luz amarela na política do Brasil:
Cuidado: A ‘Máquina’ vem aí…e ela está desembestada

(Parte # 01 de um post assustado, niilista e alarmista, graças a Deus)

Cruzes! Os fatos me atropelam a escrita. Mal escrevo e  o que denuncio por suspeição remota, aparece confirmado como escândalo na mídia dita ‘golpista’.  Assim não dá! estes ‘neo aloprados’ estão tirando toda a novidade dos meus posts!)

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É até promissor que, no ensejo desta campanha, estejamos num bom debate mas, cá entre nós, campanha eleitoral turva muito a visão das pessoas, não é não?

O lado bom disto, contudo é que quanto mais o debate avança pelos meandros e vãos menos explorados da questão, para longe da mera  campanha rastaquera em suma, mais claramente as posições dos dois lados se delineiam . Vista assim do alto elas se mostram bem diferentes em alguns pontos mais pontudos ou aparentes, mas olhando de perto eles são muito semelhantes, principalmente na sua falta de profundidade.

Campanha eleitoral emburrece o eleitor. É o que se devia concluir. Deviam banir este troço da nossa vida. Conjunto de mentiras deslavadas que sempre é , a propaganda só é mesmo a alma do Negócio, da compra e venda de alguma bugiganga porque da razão…pois sim! Ela não passa nunca de um fantasma embasbacado.

Com o adendo de que sou – por puro pragamatismo, admito-  o neoMarinista que já me assumi (‘advogado do diabo’, seria melhor dizer), posso apontar sem firulas e panos quentes alguns detalhes bem interessantes desta conversa eleitoreira na qual, curiosamente os adeptos de DilmaLula estão me parecendo bem mais superficiais e evasivos e do que os seus adversários (que para eles são todos ‘serristas’, ‘demotucanocanalhas’, claro. Que tolinhos!).

Está bem nítido sim que eles, estes LulaDilmistas, parecem mais superficiais porque o seu discurso vem permeado de chavões de campanha, repetindo, quase que literalmente as falas e frases de efeito, estudamente popularescas do LulaLá tipo ‘abaixo as elites’, ‘abaixo a burguesia’, a ‘imprensa ‘golpista’, etc. e os slogans criados pelos marqueteiros da campanha tipo (os enumero rindo e zoando,  claro): ‘pai do PAC’, ‘tio das UPPs’, ‘Padrinho das UPAs’, ‘Amante do ‘Pré Sal’, ‘Salvador da Pátria’, ‘O presidente nunca tido antes por este país’, ‘O cara mais popular do que Jesus Cristo’ (mais até do que os Beatles), e outras patuscadas tais.

Um pouco como bonecos de ventríloquo, eles estão por aí, aferrados à idéia de ganhar, a qualquer custo – não importa se o time está jogando ou não um jogo limpo – como se torcessem numa partida de futebol de bolas murchas, na final de um campeonato de várzea, daqueles bem chinfrins.

Puif! Que pobreza! Antigamente os militantes do PT tinham mais charme e simpatia, mais… èlan.

De pouco conteúdo original há, portanto, acho eu, certo vazio no discurso deles, um ramerrão monótono e remelento que, invariavelmente acena, por um lado com a desqualificação e/ou banalização das denúncias mais evidentes sobre a corrupção estatal e, por outro, fazendo tremular como uma cortina de fumaça preta, os índices oficiais de popularidade do Lula (que, curiosamente, nem é o candidato).

Agem assim meio como aparvalhados e mulambentos zumbis de thriller, como se o fato de uma pessoa ser popular entre milhões de esfaimados significasse que ela realmente presta, é eficiente, ou está acima de qualquer suspeita ou crítica.

Situação típica – e qualquer aluno de história do ‘ginasial’ sabe disto – de regimes onde impera o Populismo de Estado (com o perdão da redundancia). Foi assim com Getúlio, com Mussolini, com Juan Peron. É assim com Hugo Chavez e a gente sabe muito bem no que isto pode dar.

No caso das denúncias, antigas e atuais, sem nem se darem ao luxo de avaliá-las com mais cuidado e contextualizá-las (a ponta do fio da meada é o mesmo),  com medo de serem felizes, os LulaDilmistas fazem a devolução delas como se estivessem numa ‘linha de passe’, num  jogo de ping pong no play ground, ou como se regurgitassem  uma comida que lhes fez mal, banalizando toda e qualquer notícia de falcatrua ou ‘mal feito’ que ocorra, venha da fonte que vier (até mesmo aquelas vindas da fidedigna Polícia Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça). Fazem isto, invariavelmente, com dois grandes argumentos chave (ou seja, ‘chavões’, certo?), ambos destituídos de qualquer conteúdo moral:

1- ” Isto é calúnia da imprensa ‘golpista’ “(lendo-se ‘imprensa ‘golpista’ como sendo a maioria esmagadora dos jornais, emissoras de Rádio, TV e revistas do país)

2- “Os adversários também são (ou foram) corruptos“.

(Já sei: vocês, os LulaDilmistas querem que eu fale mal também dos do ‘Outro lado’, Querem? Porque? Senão vão me chamar de ‘Serrista’, ‘Marinista’, ‘Plinista’ e outros epítetos desairosos?

Falo não. Vão ficar querendo. Pra que falar? Afora todos os defeitos dos ‘outros‘ não encontrei neles nada que fosse tão grave e ameaçador para o Brasil quanto os ‘mal feitos’ do PT. E querem saber o que mais? De que adianta malhar o ferro frio dos outros se vocês…já ganharam a eleição, não é mesmo?)

Tudo bem. Me chamem de ressentido, mau perdedor. Vão comemorando aí… enquanto podem. Vou logo avisando que vista daqui do alto, ganhar esta eleição é, como se dizia no meu tempo: Uma Vitória de Pirro.

Gente de Deus! Não estão se tocando que são muitas e recorrentes as denúncias e que quem as deflagra, geralmente são a Polícia Federal e o Ministério Público? Não perceberam que não é a imprensa que lança estas coisas sujas no ventilador?

Imprensa é uma coisa às vezes sensacionalista sim, ‘marron‘ e desonesta até, em muitos casos, sempre foi e em qualquer governo, mas ela, a imprensa nestes tempos hipermidiáticos, trabalha sempre com evidências e depoimentos bem embasados, tais como gravações, filmes, indícios enfim, fatos quase sempre cabais que, na maioria das vezes (para se citar apenas o caso da odiosa-odiada revista ‘Veja‘) acabam se mostrando até bem consistentes, não raro sendo utilizados pelos próprios órgãos policiais, dando substancia e conteúdo para inquéritos cabeludos que tramitam agora mesmo na justiça federal (como o caso dos ‘aloprados‘ do famigerado Mensalão).

(Aliás  é bom não esquecer o nome daquele antigo ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República, não é mesmo. Ele vai se intrometer logo a seguir em nossa conversa).

Vamos falar sério então: Não são absolutamente calúnias de ‘golpistas‘ Atentem, por favor, para o fato básico de que a Imprensa não é um poder organizado em si, apto a praticar golpes de Estado. Pode apoiá-los, promover campanhas anti ou pró governistas (como fez em 1954, em 1964) mas quem promove golpes mesmo é sempre um poder instituído, o Governo, as Forças Armadas, ou mesmo os dois mancomunados entre si, algo assim.

A afirmação de que há uma imprensa ‘golpista’, portanto, obviamente não passa de chantagem emocional com o eleitorado, cantilena malandra, uma semvergonhice ardilosa e mau caráter,  apenas isto).

Nada nos indicou até agora, desde os primeiros incidentes associando Zé Dirceu, Waldomiro Diniz à Caixa Econômica Federal e aos Correios e telégrafos, entre outras tantas estataise tantos servidores públicos emplumados e aloprados (e é o ministério público quem afirma isto)  que não ocorreram crimes de prevaricação graves, indicando a existência, bastante provável, em setores específicos de nosso primeiro escalão, de um conluio clandestino, um esquema  bem articulado de saque aos cofres públicos.

A  gênese deste ‘arranjo‘ espúrio – que parece voltado para carrear fundos e dar sustentação financeira ao partido no poder – pode estar na primeira gestão do PT . Como ocorre com toda estrutura social clandestina ele talvez tenha estimulado desvios para vantagens pessoais, incontroláveis nestas situações logo, mais cedo ou mais tarde – cala-te boca! – ‘embolando pé com cabeça’ como se diz na boa gíria, o ‘bicho pode pegar’ e as facções deste ‘Brasil Bandido’ podem acabar se engalfinhando numa briga de rua (como torcidas organizadas que são) às vezes sem nem mesmo saber por quê.

Qualquer cidadão mais atento e informado, juntando pedacinhos comezinhos das informações disponíveis a qualquer um, pode intuir facilmente que existe algo de muito estranho sendo urdido e manobrado por esta estrutura de poder (uma ‘Máquina‘) que ora parece nos governar das sombras. Como negar tantas evidencias?

Se alguém aí pensa, honestamente que esta ‘Máquina’ clandestina é ‘virtuosa como um bando de Robin Woods – roubando dos ricos, para salvar os pobres – eu vou rir na cara, de desdém e desprezo, mas mesmo assim vou ponderar:

É humano sim não saber lidar com grana clandestina sem cair na tentação. O ser humano rouba mesmo, é da sua natureza, presumo, mas isto quando praticado por gestores da chamada ‘coisa pública’ (ou seja, do ‘Bem Comum’), em qualquer sociedade que se preze – democrática ou ditatorial – é considerado crime grave, passível de prisão (em alguns lugares o delito é passível até mesmo da pena de morte).

Não é, portanto algo que possa ser ‘justificável‘ ou ‘perdoável‘ em qualquer hipótese ou circunstancia. Pessoas assim NÃO podem governar o destino das outras, liderar uma nação do tamanho do Brasil e ponto final.

E pensar que um presidente do Brasil, bem recentemente chegou a ser expulso do poder, quase a pontapés, apenas por ter usado dinheirinho público na compra de um automovelzinho e uma reforminha no jardim de sua casinha privada. Uma ninharia, não é não? Tanto barulho por quase nada.

E o tal do PC Farias, ‘assessor de finanças’ da campanha do ‘hômi’, do presidente empichado, que sendo um ‘arquivo vivo’, logo tornado inimigo público número um , foi caçado como um cão sarnento, acabando assassinado em trágicas circunstancias – e por esquisitíssimas razões – tornando-se um ‘arquivo… morto‘?

(Não acredito? Será que todo mundo já se esqueceu desta história tão exemplar?)

Por outro lado quem acha – ingenuamente talvez – que este esquema ‘não existe’, que é uma calúnia infame da ‘Mídia Golpista’ – ou, o que é pior – mesmo sabendo que a corrupção é imoral, reconhece que o esquema existe sim, mas lava as mãos, dá de ombros, fecha os olhos, tolerando e justificando os ‘mal feitos’ porque, como já aludi,  ‘Ah…os outros também são corruptos!’, o Ministério do Bom Senso adverte:

O preço da irresponsabilidade, nos dois casos, será bastante caro para todos nós, inclusive os adeptos desta – com o perdão da ênfase – estupidez política que é apoiar – e até fazer campanha – para o continuísmo de um esquema notoriamente suspeito de ser clandestino e cuja natureza ou interesses não se faz a mínima idéia quais sejam (a não ser aqueles que eles próprios alardeiam em sua bem montada propaganda).

‘Amarra-se o burro no rabo do dono’, já dizia a minha sábia mãezinha.

(Volto já)

Leia aqui o Post #02 )

Spirito Santo
Setembro 2010

Spirito Santo & Musikfabrik: Exposição 15 anos de Uerj


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Pose do artista vistante da Uerj(Fotos de Francisco Moreira da Costa)

Spírito Santo & Musikfabrik: Expo na UERJ
Resenha

Modéstia à parte é uma expressão certeira e providencial numa hora dessas. Samuel Araújo é O Cara em nossa etnomusicologia. O ensejo para o texto que vocês lerão logo abaixo, foi o convite do Departamento Cultural da Uerj para que ele escrevesse a resenha para o catálogo de nossa exposição como artista visitante da universidade, no mesmo ano no qual, coincidentemente, o Projeto Musikfabrik (criado por este vosso humilde criado) comemora surpreendentes 15 anos .

Pois vejam: A área deste meu trabalho a ser exposto (objetos e instrumentos musicais artesanais criados no processo de aulas e pesquisa organológica com alunos de diversas origens desde 1995) é, exatamente a etnomusicologia. Bem, orgulhoso que só vendo, deixem-me espalhar a resenha do Samuel Araújo – publicada a seguir – assim, aos quatro ventos.

Ela vale como reconhecimento de algo, realmente bem bacana e do qual muito me orgulho. De que valeria ser modesto numa hora destas, não é mesmo?

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A sensacional ‘Expo‘ , denominada ‘Visitantes’ (já que conta também com o trabalho do meu colega de residência na UERJ o artista plástico Alberto Kaplan) rolará na Galeria Candido Portinari , no Campus Maracanã da UERJ a partir do dia 15 Setembro com a abertura às 18:30 Hs) animada por uma inusitada (e quiçá) mui loca jam session, com os músicos amigos e alunos músicos presentes, os quais – todos – podem se considerar devidamente convidados desde já)

Vamos lá então (ao texto agora e a expo do dia 15)!

(Veja filme Musikfabrik de Alexandre Gabeira neste link)

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“Spírito Santo: Tambores em movimento”

Por Samuel Araújo
Diretor do Laboratório de Etnomusicologia da UFRJ

Intelectual, ser político, artista, artesão, ponte antropofágica de fluxos incessantes entre África e diáspora, demiurgo no país dos bruzundangas, estas e tantas facetas e tais caberiam no ser humano aqui homenageado, também capaz do papo mais saboroso e suingado à mesa de bar, na Lapa de mitos e heróis, famosos e anônimos.

Do intelectual, que se autotraduz aos interlocutores por meio de linguagem polimorfa, abrangendo sons, gestos e escritas interpenetrantes, transborda a inquietude, a pesquisa densa e infinda dos mistérios dessa vida tão simultaneamente festiva quanto fúnebre, cantada em vissungos por trabalhadores escravos espalhados pelas áreas de garimpo das Minas Gerais, sob servidão forçada e iniqüidades que perduram mesmo após substituírem-se os grilhões de ferro e madeira por grilhões ideológicos de maior ou menor sutileza, até aqui, de estúpida eficácia.

Do ser político, a fibra de quem não se dobra ante o autoritarismo e violência dos verdugos de plantão, passando a outras gerações o exemplo de ser possível resistir ao mais aparentemente irresistível furor opressivo cultivando sensível e dignamente a semente mais tenra da verdade.

Mas há também o artista ou algo além do mesmo, pois fabrica seus instrumentos de trabalho, múltiplos tambores, xilofones, raspadores, arcos musicais, campânulas, laminofones que, em mãos de populações africanas escravizadas, aportaram ao Novo Mundo, e especificamente ao Brasil, povoando as Américas com sonoridades, ritmos e escalas que, explicitamente ou não, ainda podem ser ouvidos da terra batida em regiões remotas do interior do país aos estúdios de alta tecnologia e salas de espetáculo urbanas.

Estranho mistério este, que, aliás, só mesmo um Spírito Santo talvez pudesse nos desvendar: se os seus produtos sonoros, escalares e rítmicos ainda são perceptíveis hoje de modo indireto, em modos de entoação vocal, traços de afinação diferenciada da que se padronizou no Ocidente ou polifonias percussivas de tão clara ligação com modelos africanos, por que a grande variedade de instrumentos de procedência africana aqui chegados – por exemplo, os laminofones, como o registrado, entre outros artistas, pelo tenente inglês Henry Chamberlain, tocado por escravo, em pé e com cesto de lenha na cabeça, no Largo da Glória, Rio de Janeiro, em meados do século XIX, ou o instrumento de corda friccionada com arco registrado por Debret também no Rio oitocentista – teriam praticamente desaparecido do cotidiano brasileiro, com as raras exceções mais conhecidas pelos brasileiros contemporâneos como agogôs, atabaques ou cuícas?

Desse patrimônio, fustigado pela mesquinharia e ódio, surge imponente a cultura dos “africanos das Américas”, como diria o eminente músico senegalês Ali Farka Touré em recente documentário de Martin Scorcese sobre o blues.

Equivalente a um atestado de esquizofrenia social das elites brancas e europeizadas, plasmada por séculos de políticas de apartheid em alguns casos, de assimilação forçada em outros, o mesmo certamente se poderia dizer do samba – corrido, duro, de crioula, de quadra ou de enredo – do Recôncavo baiano às escolas de samba cariocas ou plantações de café paulista, samba que, filtrado e elevado a ícone no bairro de Padre Miguel, desperta em Spírito Santo, desde a infância, a inquietação vital em torno de seus tambores e sonoridades signos de uma história de resistência férrea ainda em curso.

A busca de referências familiares em atividade musical o leva inicialmente a identificar como laço mais próximo um tio, mestre de banda em Jerônimo Monteiro, no, imaginem, Espírito Santo. E é desse inquietar que se inicia um trajeto na vida, com escolhas determinadas, nem sempre fáceis, entre os imperativos da sobrevivência e, do lado quase sempre oposto, da expressão artística urgente, do estudo da diáspora africana em sua complexidade, do ato político certeiro e inegociável.

Primeiro passo? Compor sem apoio em instrumento melódico ou harmônico ou, como diria Guerra-Peixe, nosso mestre comum, em “tonalidade de tambores”, uma distinção infinitamente mais sutil de diferenciação entre sons que as possibilitadas pelo assim chamado sistema tonal europeu, presente de modo refinadamente estruturado em todas as manifestações percussivas africanas. Assim, sem sequer tocar violão, como lembra o próprio Spírito Santo, recebe aos 19 anos, o prêmio de melhor intérprete e a terceira colocação no 2º Festival Estudantil de Música, em 1968, por sua composição “Havia”.

Daí o impulso para novos passos em música, arregimentando como parceiro de caminhada seu irmão Luiz Antonio, o Lula, que se dedicaria ao cavaquinho, violão e contrabaixo, enquanto Spírito Santo de encarregaria da percussão e, a tempo, também de algum violão. No percurso, será fundamental a participação de ambos em grupo de teatro amador em Marechal Hermes, consolidando simultaneamente o compromisso em destacar a relação intrínseca e iníqua entre condição racial e as questões sociais em sua expressão artística e intelectual.

Início dos anos 70, era de chumbo grosso, assisto um ensaio doméstico do Sarará Miolo no sempre seminal Estácio, grupo vocal-instrumental, formado por cinco jovens, entre eles Spírito Santo e Lula, a interrogar a realidade dos negros e pobres com música vigorosa, embebida de história africana, com incisões de referências urbanas variadas. Impossível resistir à dança, ao movimento. O caminho se revelaria, porém, tortuoso, com querelas e impasses, afastamentos e reaproximações, vida que segue, exigindo, e simultaneamente dificultando, o engajamento do artista algo além do culto narcísico despolitizado.

Nem ainda terminada a turbulenta década, uma nova senda se abre a Spírito Santo pela leitura de O negro e o garimpo em Minas Gerais, clássico de Ayres da Matta Machado Filho sobre a cultura dos afro-descendentes trabalhadores da mineração, com indicações poucas, mas preciosas, sobre a música no contexto em questão. Vissungo, termo em dialeto quimbundo para certo tipo de cantiga associada aos africanos escravizados e seus descendentes, usada no trabalho como refúgio do humano, impulsiona à criação e nomeação de um novo grupo musical, também composto por jovens e talentosos músicos negros.

Inicialmente as referências documentais são limitadas, mas, a partir daí, será sempre ponto fundamental na trajetória do artista a pesquisa profunda e incessante, aliada à criatividade com foco embora sem limites, como arma de ativismo cultural, muito antes e muito além do politicamente correto de hoje, enxergando com clareza a trama perversa entre relações de produção e desigualdades raciais e sociais, não se superando um jamais sem o outro.

O grupo Vissungo se torna, então, passageiro de viagens incessantes entre a cidade do Rio de Janeiro e outros rincões do Sudeste, tendo como foco os muitos amálgamas da diáspora africana em solo brasileiro, os reprocessando em sua música e os levando prioritariamente às áreas suburbanas pobres, com escalas ecumênicas em locais à primeira vista díspares, como centros espíritas ou igrejas pentecostais.

E essa viagem passará ainda pela Europa e mais significativamente pela Áustria, onde há um encontro com referências até então inexploradas sobre a música africana, entre as quais técnicas de construção de instrumentos tradicionais africanos, que, para Spírito Santo, se tornam o cerne de nova exploração criativa e social, a oficina Musikfabrik.

Recebida institucionalmente pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com passagem temporária pela Fundição Progresso, o Musikfabrik tem aberto desde então as portas da criação de instrumentos e sonoridades inusitadas a inúmeros jovens, entre os quais muitos moradores de comunidades pobres do Rio de Janeiro, espalhando a chama de África e sua diáspora em sensibilidades despertas por seus sons em contínuo fluxo e refluxo.

Sem ter a pretensão de abordagem exaustiva de tão multifacetada trajetória, noto apenas, concluindo, que muito chão se cobriu desde os tambores de Padre Miguel, mas certamente ainda muito há de percorrer este Spírito Santo indomável, com membranas retesadas de amor e entrega, únicas forças eficazes na árdua reinvenção poética da epopéia humana.