Brasil 2011: O melhor- ou o pior – dos mundos


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Brasil 2011 o melhor – ou o pior – dos mundos

Dois passinho para frente ou dois passinhos para trás?

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Ok. Vocês venceram

Tentei, me esforcei, mas uma banca dos mais doutos e sábios governistas me reprovou sumariamente. Até que reconheceram em mim alguns poucos valores intelectuais insuspeitados – e até exagerados – para o esforçado velho leigo assumido que sou.

_” Comentarista político, não!”_ Chegou a dizer um deles, quase aos berros, ululando a língua vermelha virtual, feito uma bandeira esfarrapada.

Uns mais francos e enfáticos – ou maldosos e ferinos sei lá – chegaram mesmo a ordenar peremptoriamente que eu me calasse. Duvidando de minhas fontes, para eles meras conjecturas extraídas de ensebadas orelhas de livros do século passado (ou de miseráveis links do Google, tanto faz) mandaram-me ler Guiddens, Foucault e outras sumidades. Julgavam assim, pelo menos ao que davam a transparecer, que estavam me prestando inestimável favor, afim de que eu pudesse – pelo menos isto! – alcançar as pontas mais acessíveis e inferiores de sua auto afirmada sapiência.

Bem, daí pensei nos meus palpos de aranha: É. Preciso de ajuda profissional.

A solução até que foi simples: Contratei um ‘personal’. É. Não um personal ‘stylist’ já que o meu estilo eles, os meus detratores, confessadamente até admiram. Falo de um ‘personal writer’ mesmo, sabem como é? Um sábio isento e idôneo professor e filósofo (como eles gostam que sejam os seus interlocutores) um renomado sabichão, de quem a partir de agora, sempre que o tema for política, serei apenas um mero e humilde porta voz.

Combinado assim?

É por estas e outras que tenho o prazer de apresentar a vocês o Dr. Pythako Täpate da Silva (e não deixem de ler, por favor, o insigne currículo dele aqui neste ou no link logo abaixo).

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Brasil 2011 – O melhor -ou o pior – dos mundos

Por Pythako Täpate da Silva (De Chinatooga Fields-USA)

(Provocando o debate, Dr Pythako começa logo chutando o balde):

_”Os piores sinais dos últimos prognósticos para o Brasil de 2011 são duas coisitas líquidas e certas”_

1- Nós todos – até os opositores como o meu cliente – ainda vamos sentir saudades compungidas do Lulinha Paz e Amor, a simpática figura que elegemos em 2002.

2- Tudo indica que o Brasil administrado pela gerentona Dilma Roussef, vai se tornar um lugar irritantemente chato, insuportável de se aturar.

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Ao que alguém da assistencia, revoltado e apoplético, sei lá se com toda razão incrédulo, duvida:

“Especulações do profeta especulador. E qual a probabilidade de acontecer justamente o contrario?

 

(E o Dr.Pythako solta uma sonora gargalhada neste momento e conta:)

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2011: melhor dos mundos:

Dr. Pythaco responde:

Quer mesmo saber?

 

Dilma Roussef (magrinha feito uma Bünchen e sempre de bom humor) e um Zé Dirceu simpaticão, numa ensolarada conferencia de imprensa nos jardins do palácio (bancada e convocada pelo governo) informam ao final, que tudo que se disse sobre controle da imprensa era calúnia, pura cascata da ‘mídia golpista’ para atrapalhar a consagração do governo Lula.

Desacreditada pela população e superada pela Rede Record do Bispo Macedo (que declara ter reassumido a sua condição anterior de umbandista e candomblecista) A TV Globo vai à falência e seu elenco de novelas se muda de mala e cuia para a TV Record e o SBT. Um prêmio à charge mais engraçada e crítica da presidente (a) Dilma é instituído e é entregue num jantar solene no Palacio do Planalto, transmitido direto e ao vivo com a apresentação a cargo do CQC que já havia cedido Marcelo Tás para ser o porta Voz da Presidência da República.

O Brasil dá um ‘gelo’ mortal em Hugo Chávez que insinuou que Lula era seu pupilo, e, na seqüência, rompe com o Irã depois do Ahmadinejad, em solidariedade a Chávez, xingar o Lula de sórdido traidor da Democracia dos Povos.

Estas e outras sensacionais notícias sobre o incremento formidável da democracia no Brasil são vistas por todos nós na internet de banda larga, que passou a ser inteiramente gratuita em todos os recantos do país por iniciativa do governo.

 

O Pré Sal bomba e o Brasil vira o maior produtor de petróleo como nenhum outro dantes na história do universo. A economia européia decai mais ainda, a dos EUA também. Barack Obama pede empréstimo a Brasil, que nega, só de pirraça.

 

Com a estupenda expansão do PAC e o aumento formidável dos índices de arrecadação de contribuições, o INSS universaliza as aposentadorias e o Bolsa Família vira direito de todos os brasileiros, indiscriminadamente, sendo reajustado para 80%do salário mínimo (que atingiu os U$ 100,00).

A despeito da gritaria da ‘direita raivosa’ (José Serra e FHC) que diz que a idéia foi dela, a saúde pública também se universaliza no Brasil. Um programa de médicos de família, de âmbito nacional é exemplo mundial.

 

O programa de Educação Pública sonhado e experimentado por Anísio Teixeira em Brasília, é implantado em todo o país, zerando o analfabetismo e fazendo a taxa de universitários no Brasil chegar a impensável índice de 80% dos jovens que concluiram o segundo grau.

 

A Reforma Agrária é decretada e o Brasil não tem mais terras improdutivas. Cooperativas de agricultores são criadas em todo o país. o MST totalmente inútil no contetxo de nossa democracia fundiária, vira um clube de bingo de velhinhos que usam as bandeiras vermelhas para forrar as mesas.

A Erenice assume que havia sido chantageada (só não diz o motivo) pelo insidioso DEM, partido que foi extirpado da vida pública. Ela afirma que os canalhas do partido direitista a obrigaram a montar aqueles dossiês mentirosos todos e até a roubar e extorquir por meio de lobbies para financiar a campanha de Serra e que, na verdade, todos os escândalos que a Polícia Federal pensava que eram culpa do PT, na verdade eram fruto de uma trama sórdida e diabólica do FHC, do Serra e do PSDB, para incriminar o governo Lula e se apossar do poder, afim de privatizar todo o país.

 

O PMBD é desmascarado como aliado secreto de FHC e Temer renuncia. Sarney morre de choque anafilático (ferroado por marimbondos de fogo) e Marina Silva vira amiga íntima da Dilma, assumindo o Ministério do Meio Ambiente e decretando desmatamento zero.

Em Alagoas, uma testemunha bomba aparece confessando que PC Farias foi morto pelos próprios irmãos, a mando de Collor, como queima de arquivo. Badan Palhares, o legista do caso PC farias, é sequestrado pelo Mossad e confessa sobre tortura (negada veementemente pelo governo de Israel) que o esqueleto que periciou não era o de Mengele, que continua vivo em algum lugar do planeta.

 

O filme ‘Lula, o filho do Brasil’ ganha o Oscar. Numa série de cursos supletivos, que culminam com uma faculdade de Ciências Políticas por meio de um curso à distancia, Lula se diploma, sendo a sua formatura paraninfada por Chico Buarque de Hollanda que, quebrando o protocolo canta aquela sua música ‘Vai Passar’.

Lula ganha o Nobel de Economia e é eleito Secretario Geral da ONU.

 

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Ninguem na assistencia protesta, os aplausos de admiração pela sapiencia de Pythako são gerais e ensurdecedores. Pythako, um cínico por excelencia estranha. mesmo se arriscando á levar pedradas revoltadas na cabeça decide contrariar a turba e fazer então o uso saudável do que ele chama de o ‘contraditório’:

Dr. Pythaco provoca:

“_ Sinto muito amigos, mas já pensaram se acontecer – porque não? – exatamente o contrário?

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2011: o pior dos mundos:

 

Dilma Roussef – de mau humor – o botox vencido, junto com o Zé Dirceu – de mau humor também- despachando no Planalto à portas fechadas, querem porque querem calar a CNBB e a ABI, duas instituições que protestam contra as ameaças de restrições à liberdade de opinião no país. Na ante sala, Anthony Garotinho e Benedita da Silva, assessores do Bispo Crivela, Ministro de Assuntos Religiosos, oram, torcendo pelo pior (que seria o melhor para eles): pressões contra a hegemonia do catolicismo no Brasil.

 

Já pensou?

 

Dilma e Dirceu, dias depois, convocando rede nacional de rádio e TV para botar o dedo na nossa cara e informar que, depois de uma série de conferências protagonizadas por integrantes do Movimento Social organizado (?), um conselho federal de ‘controle de mídia’ foi implantado, por decreto, com a função de ‘democratizar’ o acesso aos veículos de comunicação de massa e a imprensa em geral.

 

Por meio do Jornal ‘A Voz do Brasil’, principal veículo do Ministério das Mídias e das Comunicações (cujo titular é o jornalista Franklin Martins) e da Rede de TV ‘Estrela vermelha” (cujo titular é o jornalista Luiz Nassif), o governo passa a encher o saco da imprensa comercial, principalmente dos colunistas, cartunistas da chamada mídia golpista.

 

 

Com orçamento reduzido à 0,13% o Ministério da Cultura passa a se chamar Ministério da Propaganda e da Cultura (apelidado pelos intelectuais que antes apoiavam Lula de ‘Ministério do Amor’). Ciro Gomes é indicado por Dilma como ministro desta pasta (mas quem manda mesmo nela é o Zé Dirceu).

 

Grupos de hackers denominados ‘Agentes populares da Mídia Livre’, a serviço do PT e bancados pelo MinPC/PT invadem redes sociais de oposição, blogs e sites independentes na internet com mensagens apócrifas e denúncias cabeludas contra FHCe a oposição à esquerda e à direita, tanto faz.

 

Com a internet vigiada, a justiça brasileira é inundada por ações de interdição de conteúdo por parte do governo e instituições governamentais e não governamentais ligadas ao MinPC/PT, obrigando a população a, entre outras coisas, acreditar que o Chávez e o Ahmadinejad são os guardiões da democracia dos povos, os Estados Unidos e Barack Obama são as bestas feras do imperialismo assassino e que toda a mídia comercial é burguesa, caluniadora e corrupta.

 

Já pensou?

 

O Pré Sal encrua. A grana preta a ser investida nas pesquisas fica embargada pelo congresso porque a oposição, atravancando todas as votações, encasquetou no inaceitável – porque astronômico – custo da prospecção (o ‘bilhete premiado’ era ‘conto do vigário’).

Enquanto isto o preço do petróleo vai caindo, caindo junto com o dólar que despenca a 0,50 cents, elevando o Real á um valor explosivo. A crise da Europa chega sorrateiramente até aqui (e não me perguntem como nem por que. Sou filósofo e não economista)

 

Com o PAC – desculpe o velho e infame trocadilho – empacado, as ações da Petrobras dão chabus constantes na Bolsa de Valores. Lula da Silva, nomeado por Dilma presidente da empresa embora tenha zero de experiência em gestão empresarial, briga e rompe relações com Gabrieli (que na verdade era quem dirigia a empresa como eminência parda) e mete os pés pelas mãos levando a empresa á beira da bancarrota.

 

Com a crise econômica e a derrocada de empresas estatais como a Petrobras, os recursos da renúncia fiscal disponíveis para financiar cultura desabam e o meio artístico e cultural bancado por estes recursos a fundo perdido, entra em profunda depressão.

 

Lá para as tantas, a pobre da Erenice, largada na chuva logo após a eleição, rejeitada feito uma leprosa, sem ter de onde tirar o ‘leite das crianças’, é assediada por solertes enviados do PSDB. Pressionada por muita grana, ela decide confessar que Dilma, Dirceu e Lula sabiam sim de tudo que acontecia na Casa Civil e que ela era apenas a testa de ferro do esquema.

 

A família de Celso Daniel volta ao Brasil e pede para ser encaixada no programa de proteção ás testemunhas. Porque, não me perguntem que não sei.

 

Querem mais?

 

No auge da crise financeira mundial agravada, com o desemprego no país estourando no teto, o Bolsa família esgota a sua capacidade de bancar a alimentação dos muitos milhões de famílias que precisa atender e começa a ter que ser descontinuado, por causa da inflação que cresce em taxas inversamente proporcionais às taxas chinesas.

 

Uma bomba relógio social é armada. O dia em que ela explodirá é imprevisível, mas não tardará.

 

Pressionados pela crise econômica que assola todo o mundo (menos a China e a Índia) Chávez, Lula, Evo, Ortega, Piñera, Castro, Cristina, Correa e Lula…quer dizer, Dilma, montam o Bloco dos 9 (ou dez, ou onze) e se aliam à Ahmadinejad para tumultuar e chantagear o mundo com ameaças veladas. Neste conturbado contexto, Brasil e Venezuela assumem que também têm o direito de almejar a bomba atômica.

 

Contando com a vista grossa do bloco dos 9, distraídos com seu proselitismo político de finalidades populistas (única chance de se manter no poder e esconder os efeitos do desemprego galopante que grassa no continente), As Farcs, arrebanham muitos militantes, avançando pelas fronteiras da Venezuela e do Brasil a dentro.

Por debaixo dos panos, Brasil e Venezuela acabam se associando á Bolívia no mercado cocaleiro, que se rendeu totalmente á produção de drogas destiladas da folha. As plantações clandestinas de coca avançam por áreas antes intocadas da Amazônia e daí para refinarias de cocaína instaladas nas margens dos principais rios da região..

 

A ONU, diante e protestos e pressões dos EUA e países da Europa, preocupadas com a insuportável instabilidade social da região, estuda o envio de ‘capacetes azuis’ para a área ocupada pelas Farcs.

 

Mandato de Dilma acaba, melancolicamente.

Lula, de óculos escuros, bermudão ‘cargo’ e uma cigarrilha cubana na mão, dá uma entrevista para a imprensa internacional, assumindo sorridente que jamais pensou em se recandidatar á presidência da República.

 

_” A minha missão eu já cumpri! Cada cachorro que lamba a sua caceta!”_ Diz ele grosso, eufórico e intraduzível, encerrando a entrevista com uma gargalhada rouca.

 

Querem mais?

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Ao que o leitor Will Teofilo , morador de New York protesta:

Pô! Vc ta trucidando minha vontade de voltar a morar no Brasil, de chegar, colocar e cantar aquela musica do Roberto Carlos “o Portão”…

Mas Dr.Pythako não se faz de rogado e consola o moço, não se sabe se se desdidizendo ou afirmando algo do que já desdisse, sim como não ou muito pelo contrário:

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De resto:

A Academia de Letras de Londres declara que o Tesouro da literatura oral universal denominado histórias da Carochinha‘, oriundas da Europa, mas desenvolvidas por velhas índias da tribo dos Kamaiurás, aqui do Brasil, são, na verdade, histórias muito mais do que reais.

 

Na mesma onda ou hora da verdade, Papai Noel em entrevista exclusiva à CNN assume que existe sim, nasceu no Brasil (em Santa Catarina), mas decide confessar, contrito: Os presentes que distribui nunca foram fabricados na Lapônia. Na verdade eles são mesmo…made em China

 

(e nesta hora o bom velhinho, muito ético e moralista que é, ruboriza as velhas bochechas)

 

Como nunca antes na história deste país, o Brasil é alçado a maior potência do planeta, confirmando a máxima do neuro cientista Miguel Nicolelis que disse em 2009: “O primeiro mundo é aqui!”.

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Querem mais? Ufa! Chega, né? Mentir para tanta gente cansa demais. Não sei como ‘eles’ (e vocês) aguentam.

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Em Outubro 2010, eu Spírito Santo que subescrevi, pela ditada inteligência e sapiencia de (veja currículum aqui) Pythako Täpate da Silva, meu mestre.

Mal D’África – Angola 1967


Rio-Angola: A ‘pacificação’ armada

Uma analogia impertinente

Eu sei que é altamente inconveniente. No momento as pessoas estão empolgadas com a paz que reina nos bairros da Zona Sul e Norte do Rio, cercados por favelas infestadas de gente e problemas sociais escabrosos.

Anos de violência urbana fermentada nestas favelas, parecem ter sido superados por meio de uma estratégia muito bem planejada e posta em prática pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, de maneira altamente eficiente, quase mágica: As Unidades de Polícia Pacificadora, as festejadas UPPs.

Permita-me, contudo não ser tão otimista ainda, pelo menos por enquanto.

Se você é um chato intransigente, do contra e meio estraga prazeres, faça como eu: Experimente analisar a questão através de uma analogia sarcástica entre dois modelos de ‘pacificação‘ de comunidades.

Este aí em baixo foi o utilizado pelo exército portugues para subjugar os rebeldes no início da guerra revolucionária anticolonialista na então colônia africana de Angola.

Guardadas as devidas proporções (as razões de ser da violencia armada) as semelhanças entre este modelo e o utilizado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro com as UPPs são até bem curiosas. Inquietantes até para um cara exagerado feito eu.

Lá havia um povo inteiro espoliado pelo colonialismo, tentando se libertar por meio das armas, numa luta com fundas raízes na história africana, remontando já mais de trezentos anos. Aqui, uma maioria de pobres – e vejam que pitoresco – descendentes daquele mesmo povo angolano, excluídos ainda hoje de tudo, tentando sobreviver à custa de vários expedientes deseperados, entre os quais, uns poucos optaram por fazê-lo por meios violentos, portando armas pesadas na defesa de cidadelas largadas no mundo, cuja economia é oxigenada ou se se baseia – quase que inteiramente – no comércio de drogas e outras atividades ilícitas.

No filme sobre a guerra de Angola, é bastante pungente a imagem das ‘forças’ rebeldes subjugadas, esfarrapadas, integradas por velhos e crianças, a está época (início dos combates), exatamente como os traficantes do Rio de Janeiro, não passando muito de pequenos bandos armados.

Pode ser impertinencia da minha parte, mas as imagens mostrando o comportamento ordeiro e submisso de pessoas que parecem ser aqueles mesmos rebeldes antes aprisonados, agora vestidos como brancos e aparentemente felizes em um campo de concentração colonial é incrivelmente parecida com as imagens da atual propaganda governamental que a gente vê na TV, mostrando as quiçá felizes comunidades ‘pacificadas‘ pelas UPPs do Rio de Janeiro.

Existem muitas outras diferenças nos dois eventos, claro. A principal delas, aliás, é bastante sutil:

Portugal perdeu a guerra.

O documentário italiano – também, como se vê uma peça de propaganda (colonialista) – se chama ‘Mal d’ Africa’. Ele foi realizado por Stanislau Nievo em 1967 em Angola, logo após iniciada a insurgência das frentes guerilheiras UPA e MPLA, vitoriosas ao termo da guerra, em 1975.

Para os os quase angolanos daqui a luta, quase infinda, continua. A vitória, contudo é certa.

Veja este emblemático e impressionante documentário (em duas partes) logo abaixo:

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Multipicai as UPPs e livrai-nos do mal, amém


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ôpa! Aqui vai uma ressalva de última hora:

(Adendo muito previsível a um velho post (leia no link) deste vosso criado, o qual  quisera eu, sinceramente  pudesse ser negado, desmentido,  revisto, rasgado como impertinentee deletado de nossas pobres almas cúmplices).

Tem jeito não.  Ao relento, na pista, na chuva, o que fazer para não se molhar?

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“Barracão de zinco sem telhado,
sem pintura lá no morro, barracão é bangalô…”

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Com esta nova onda de UPPs tem uma galera aí, ensandecida,  me propondo a correção daquelas minhas, quiçá exageradas e alarmistas previsões sobre o enfavelamento progressivo da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

_ “Favela não é problema. A favela é solução!”

Já ouvi esta frase por aí, várias vezes da boca de algumas polianas amigas, protegidas atrás de um ‘caveirão’ qualquer. Temiam apenas as balas perdidas e os tiroteios que enfeiavam favelas, potencialmente fashions, ‘turísticas’? E o resto do que as favelas são?

_” O resto é o resto! Vai no passo a passo, num processo de pacificação que se iniciou.”

Dizem as polianas, como hárpias. Dá vontade de exportá-las’ para o Afeganistão incandescente que são as favelas do Jacarezinho, da Vila Cruzeiro, da Zona Oeste da cidade, só  para elas verem o que é guerra a ser pacificada. Choque cultural, é do que precisam.

Mas não. Acham meigo e singelo, haver turismo cultural em favela. Circuito ‘Miséria light’? Meu Deus do céu!

Corra! Corra! (dirá o anúncio) Espaço vip! Almoço pitoresco na laje da pensão da Tia Filó, com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas, ao fundo!

_” Cara! Parece a Grécia, ô meu!”_ Dirá o turista paulista, eufórico.

Quando eu vi aqueles jeeps de safari na África circulando pela zona sul do Rio, vindo ou indo para a favela do Vidigal, algo assim, sei lá,  logo pensei:

_” Ih!! Vem mais escrotidão da grossa por aí”

E vieram as UPPs.

‘Bota Abaixo 2, a missão

Quisera eu, sinceramente estar errado, mas sabe o que eu acho? As UPPs me parecem um aperfeiçoamento daquele ‘Bota abaixo’ de 1904 um apartheid de tipo novo, agora insípido e inodoro, asséptico, revisto e aumentado.

Sabem da história? (se não leu ainda leia agora neste link)  Pereira Passos, o prefeito da época, depois de uma foribunda campanha da elite ‘esperta, ‘smart’ do Rio da Belle Èpoque (início do século 19) clamava em seus discursos que a cidade devia ‘civilizar-se’.

O centro do Rio era uma ‘muvuca’ enorme. O povo, por pura necessidade como sempre, habitava um amontoado caótico de casas e barracos precários (‘cabeças de porco’, dizia-se) no que é hoje o centro comercial e financeiro da cidade.

O quadro de explosão populacional no local, cujo perímetro era limitado, exatamente por este trecho compreendido entre as ruas Direita (Primeiro de Março) e Mata Cavalos (Riachuelo), a Rua Larga (Mal Floriano) e o Campo da Aclamação (Campo de Santana), era previsível desde os tempos da Corte, onde por razões óbvias, todo mundo queria estar ou morar, desde negros de ganho, escravos fugidos das fazendas de café, negros livres até comerciantes, vendedores de tudo, marinheiros, funcionários públicos e todo tipo de gente.

A imagem mais parecida com o que seria aquilo hoje em dia, como referencia, poderia ser a de uma grande cidade destas da Índia atual, a parte mais pobre de Mumbai, algo assim.

Logo, ‘civilizar-se’ poderia ser a criação de um plano diretor, com um projeto habitacional decente, expandindo a cidade para um perímetro mais extenso, mas não. Havia um mangue enorme, entre onde hoje é o Campo de Santana e a Praça da Bandeira atual com o mar no outro extremo. No entorno uma cadeia de morros, alguns já tomados por quilombos, tudo isto tornando o custo de obras de expansão da cidade muito maior do que os eventuais bons interesses das autoridades. A solução ao que parece nem foi cogitada. Decidiram simplesmente então, expulsar os habitantes do centro dali, porta afora. Tacaram fogo e demoliram tudo, sem mais conversa.

Vale repetir:

“…De uma hora para outra, a antiga cidade desapareceu e outra surgiu como se fosse obtida por uma mutação de teatro. Havia mesmo na cousa muito de cenografia”.
(Lima Barreto em As Bruzudangas , 1923)

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…”Lá não existe felicidade de arranha-céus
Pois quem mora lá no morro
já vive pertinho do céu…”

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Nasceram assim as nossas favelas urbanas e toda a nossa infecta periferia. Um problema empurrado com a barriga gorda de nossa elite da época que se estende até hoje, multiplicado por mil.

(Agora já dá para você ter uma idéia mais clara do que eles estão fazendo hoje, não dá não? )

Empurrando as pessoas para mais longe um pouquinho, para a periferia da periferia, é o que eles estão fazendo. Começaram tirando a economia ‘invisível’ e estrutural das favelas (o dinheiro do tráfico de drogas e outras clandestinas ‘táboas de salvação’) economia esta administrada, gerida pela maluca bandidagem, a partir dos rios de grana que recebe de sua rica clientela: a classe média ‘fashion’ da zona sul.

Expulso o traficante, a única economia resultante será qual? Dá para saber? Eu aposto que, a princípio,  será a especulação imobiliária, as pessoas vendendo suas casinhas e se mudando para longe dali, para outra freguesia, exatamente para onde já foi a bandidagem.

Traficantes e milícias (que já estão instaladas nos bairros da Zona Oeste) dividirão cidadelas entre si e uma nova conjuntura bandida se organizará (sistema de fornecimento de drogas ‘delivery’, seria?), mantendo a economia do tráfico, agora livre da vizinhança com a violência, funcionando como sempre.

É ou não é o mesmo ‘Bota abaixo’ (ou ‘Bota fora’) de ontem, com mais requintes de crueldade?

A primeira impressão é ótima. Num passe de mágica a PM invade de forma teatral, ‘sorrateira e seletivamente‘ certas’ favelas, expulsa a bandidagem num passe de mágica (na verdade ‘espanta’ a marginália para longe) e assume o terreno com medidas cosméticas e muita maquiagem mescladas com supostas obras sociais (entre as quais a mais supimpa é a graninha extra que uns e outros ganham alugando lajes-cenográficas para a rede Globo filmar bucólicas novelas de Romeu e Julieta).

(Sobre as áreas comandadas pelas milícias, quase nenhuma conversa se ouve)

E a negadinha sem camisa, lotando a laje do Michael Jackson no Dona Marta, batucando um hip hop tosco em latas velhas, feliz da vida com os spots de propaganda rolando na TV à toda hora:

_ “Crianças, tenham esperança! Tudo vai mudar!”

Bem, não lhes parece fácil demais não? Não se criou programa de geração de empregos algum. Nem plano habitacional, nem escola, nem saneamento básico, nada, nada mesmo. Não se investiu praticamente em coisa alguma ligada a verdadeira redenção social das pessoas daqueles locais. Como então – que passe de mágica seria este!..ou seria uma passada trágica? – o problema social mais grave de nossa cidade, as violentas favelas, assim do nada, tomou ‘doril’ e pluft! sumiu?

‘Anh?! Como foi isto? Mister ‘M‘ que nos explique o truque. Para onde foram aquelas bárbaras gangs todas, aquela meninada seca de cocaína até na alma, super armada, magrela de correr pelos becos com fuzis de última geração; os bolsos dos bermudões ‘cargo‘ cheios de munição. Sim, porque, curiosamente nem mesmo presos ou perseguidos estes solertes marginais foram.

E o tráfico de drogas, como eu já disse, emprego direto ou indireto de muitas pessoas destas favelas, se deslocará para onde o seu ‘movimento‘? E porque as áreas ‘pacificadas’ são também, curiosamente apenas aquelas situadas em áreas nobres da cidade ou no trajeto do aeroporto? Será que é porque as Olimpíadas e a Copa do Mundo estão chegando aí?

E os estoques de drogas que estavam armazenados nestas cidadelas do crime? Que fim levaram todas as refinarias clandestinas ali homiziadas? Todos os ‘esquemas’ e todas as ‘bocas’ para onde foram? E todos os baseados, todos os pacotes e todos papelotes? Onde será que a clientela está se abastecendo com a cocaína e a maconha de cada dia que, continuam a rolar soltas pelas noites dos ‘baixos‘ e ‘altospoints da gente descolada e bronzeada que borboleta por aí.

E eu? Porque será que reclamo? Afinal não está dando tudo certo?

_”Viram só como nas favelas ficaram apenas a gente humilde, simples e trabalhadora, que agora está livre de todo mal amém?” _ Dizem as polianas cínicas, com desdém.

Mas é que uma dúvida me assalta… uma a não, duas, três, quatro, uma revoada de dúvidas atrozes: Será que assim que vier a inevitável valorização imobiliária destas áreas, encostas paradisíacas com vista de 360 graus para a orla das praias mais bonitas do planeta, os imóveis – se  é que caixas toscas  de tijolos podem ser chamadas assim – vão mesmo continuar pertencendo aos mesmos habitantes-proprietários? Ué? Mas será que eles são mesmo proprietários e têm títulos de suas ‘posses‘? Duros, quase miseráveis (senão não morariam ali, certo?) eles têm alguma condição de esnobar as propostas irrecusáveis que, muito provavelmente receberão?

Do que pude saber,  de novidade real mesmo só as indústrias de tinta envidando todos os seus esforços de… responsabilidade social na pintura das fachadas das áreas UPPeizadas. São cores bem vivas, quase primárias, alegres enfim seguindo em tudo, aliás, uma moda que  foi – talvez ninguém se lembre mais – lançada pelo Bispo Macedista da IURD Marcelo Crivela no Morro da Providência, no escroto Projeto  denominado Cimento Social (embrião das UPPs) no qual, num incidente bárbaro e sangrento,  três jovens inocentes foram entregues por uma patrulha do exército brasileiro travestida de ‘Força de Segurança’ (vendidos, dizem, por algum dinheiro) como troféu de guerra, para traficantes de uma favela rival.

Os garotos foram torturados, massacrados e lançados numa caçamba de lixo perto do Morro da Mineira para logo depois, quando a coisa ameaçou feder com um escândalo Federal, terem os corpos desovados num lixão em Gramacho, num município vizinho e vilipendiados com a pecha de bandidos (o que as famílias afirmam, veementemente não eram) que mereceriam mesmo morrer, estraçalhados como cachorros vadios como foram.

(As vezes dá vontade de vomitar em cima desta gente)

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…”Tem alvorada, tem passarada no amanhecer
sinfonia de pardais anunciando o anoitecer…”

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(Não espalhem não e nem falem por aí que fui eu que falei, mas pelas notícias publicadas pela imprensa na época do tal ‘Cimento Social’, como não podia deixar de ser, o Ministério do Exército do Brasil (sob a fachada do Ministério das Cidades) entrou na malfada parceria com o já então senador bispo-macedista, com o aval da Presidência da República, já que Lula da Silva, era aliado de Crivela na eleição da época – como o é, aliás, até hoje)

O Projeto existiu no Morro da Providência (a emblemática ‘primeira favela’) . Os garotos foram mortos no Morro da Mineira. Ninguém foi acusado ou punido. Crivela continua Senador do Lula e o Lula…bem o Lula é O Cara, certo?

Se Marcelo Crivela – o pai das UPPs – é um bispo do Reino de Deus em que purgatório estarão estes garotos pagando o azar de terem esbarrado com os interesses de um senador da República do Brasil?

Dá pra confiar na lisura e na pureza de propósitos desta gente? Sei não. Parece mais com limpeza étnica no Kosovo (sem o massacre físico, real) Acho que neste formidável ‘bota fora’ a pobre e já tão gigantesca periferia é que se expandirá! Com tantas UPPs e UPAs já anunciadas…haja periferia!

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…”E o morro inteiro
no fim do dia
reza uma prece Ave Maria…”

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(As quadrinhas, piegas de doer – vocês já sabem – são do clássicoAve Maria No Morrode Herivelto Martins)

Spírito Santo
Agosto 2010

Pierre Verger – Mensageiro Entre Dois Mundos (1998)


Nascido em Paris, dia 4 de novembro de 1902, filho de uma abastada família de origem belga e alemã, Pierre Verger chegou a Bahia em Agosto de 1946 e a partir de então passou a dedicar sua vida ao estudo da forte e complexa relação existente entre a África e a Bahia.

Realizou um extenso trabalho etnológico retratando o povo, seus costumes e principalmente as religiões Afro-brasileiras. Seus trabalhos lhe valeram o título de Doutor em Etnologia pela Universidade de Paris, Sorbonne, e também o de Babalaô pelo Candomblé .

Seu acervo fotográfico, de valor inestimável, conta com cerca de 65 mil negativos e é uma importante referência para a Fotoetnografia do Brasil. Este site é uma homenagem ao trabalho de Verger e uma pequena mostra de suas fotografias.

Pythako Täpate- Curriculum Vitae


Curriculo late:

Pythako Täpate da Silva nasceu em Bremem Alemanha em 23 de julho de 1933. Filho de um carpinteiro brasileiro com uma funcionária do Ausländer Amt da cidade. A família fugiu da Europa para o Brasil com Pythako ainda adolescente, em meio a boatos dos vizinhos de que as famílias com estrangeiros não arianos iriam ser deportadas para campos de concentração.

No Brasil Pythako estudou em diversos colégios alemães por quase toda a vida, sendo diplomado em Ciencias Políticas e Filosóficas pela Universidade de Viena e em Protohermeneutica Filosófica pela universidade de Chinatooga Fields, Califórnia.

Pythako foi indicado para exercer diversos cargos em governos estaduais e federais (tendo sido inclusive sondado para ser vice ministro da Educação no governo do falecido Tancredo Neves), mas sempre recusou todo e qualquer convite alegando sua crença política principal, o Anarquismo.

Vice Reitor demissonário da Universidade de Brasília, antes mesmo que viesse a público sua efêmera nomeação pela ditadura militar em 1978, Pythako tem se dedicado desde então ao jornalismo militante sendo comentarista de política institucional em importantes sites e jornais legais e clandestinos no Brasil e na Europa, onde é conhecido pelo seu estilo cortante e sarcástico que lhe valeu na Inglaterra o apelido de ‘Dr. Mordacy’ .

(Fonte: Anuário das idiossincrasias da política universal– Edição de 1998- Editora ‘Leva e traz’ S/A)

O Rio das UPPs em tres tempos


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“A Milicia é o monstro que tomou conta do Rio, diz Paulo Lins, autor de ‘Cidade de Deus’ ”

(Leia Paulo Lins na íntegra aqui. Leia também o post irmão deste aqui neste link

O “Bota Abaixo”- Século 21

Tempo 1:

As UPPs são o bem e o mal em si. A idéia do estado policial presente também nas favelas, a democratização da segurança pública, é o lado bom, mas é só.

O chato é que o lado do mal é bem mais amplo e complexo: Elas, as UPPs nascem de uma estratégia imperativa e imediatista (criar um cinturão de segurança onde vão acontecer os jogos da Copa e das Olimpíadas), logo são seletivas: Visam ‘pacificar’ a Zona Sul e Zona Norte. Outra questão é que elas não visam combater as causas, pois não tocam na exclusão social, no desemprego, na falta de infraestrutura, equipamentos de saúde (as UPAs são uma ação de caráter apenas emergencial), e saneamento básico dos bairros (a não ser cosmeticamente com obras de fachada) não promovem uma política habitacional, e nem combatem o tráfico de drogas e armas, apenas os expulsa para a periferia.

No geral, considerando-se as suas limitadas proporções, as UPPs são muito parecidas com a política de segurança aplicada pelos EUA durante a ocupação de Bagdá no Iraque.

Tempo 2:

Os problemas estruturais das favelas (entre outros a falta de uma política habitacional maciça) estão sendo transferidos, portanto para a periferia para onde os bandidos estão se asilando e para onde, em certo prazo, os favelados também irão, expulsos pela especulação imobiliária, já que a valorização das áreas faveladas ‘pacificadas’, principalmente na Zona Sul deverá ser explosiva em certo prazo.

Tempo 3:

Aí, nestes megaconglomerados periféricos de favelas (‘Complexos’) o estado imagina que as milícias cumprirão o papel de controlar as coisas por meio de seus métodos ditatoriais (como já fazem na Zona Oeste da cidade). Os problemas estariam deste modo isolados numa periferia real e concreta, bem distante.

O problema crucial da segurança pública do Rio que sempre foi a promiscuidade residencial entre pobres e ricos habitando uma mesma área – como uma mega ‘Casa Grande unida a uma mega Senzala’- estaria deste modo sanado, como numa versão moderna do ‘Bota Abaixo do Prefeito Pereira Passos em 1906, já que os pobres, como já disse, em algum prazo, pressionados por ofertas irrecusáveis, venderão a preço de banana as suas habitações precárias e também se mudarão.

Cruel e Maquiavélica solução. Está até no programa do provável governo de Dilma Roussef como modelo para ser universalizado, aplicado no país inteiro. Mas existem duas questões que não querem calar:

1- O Brasil inteiro continuará injusto e violento e terá imensas periferias controladas por milícias, com ‘UPPs’ limpando’ os territórios próximos aos bairros da elite?

2- Este plano dará certo durante quanto tempo? E quando a bolha de violência estourar, ela terá um caráter nacional, generalizado como está tendo no México de hoje?

Spírito Santo
Outubro 2010

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Leia também o post irmão deste aqui neste link

Patrulha ideológica às avessas



Voltando à cumplicidade dos intelectuais

Ninguém em sã consciência está deixando de observar que, afora a suja política brasileira atual como um todo, há certa onda de irresponsável amoralidade nesta enorme popularidade do presidente Lula e de sua campanha a reeleição por meio de uma candidata preposta.

Afinal, dando respaldo a esta candidatura, ajudando a construí-la e vendê-la para a população, está um grupo bem articulado de pessoas adultas e letradas, muitas delas renomados intelectuais e artistas que, de modo algum podem ser vistos como ingênuos idealistas iludidos pela propaganda. Não são cegos.

Com – vá lá – honrosas excessões como Oscar Niemeyer, por exemplo, ao que parece não são mais aqueles idealistas do passado. São pragmáticos agora. Os índices de aparelhamento da máquina pública por parte do governo na área da Cultura, mesmo com a suposta abrangencia democrática da Lei Rouanet, são enormes. Basta frisar que os maiores patrocinadores via lei Rouanet são as grandes estatais (Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Correios, etc.).

De certo modo, se observarmos bem atentamente, a maior parte do controle da cultura do país está sob as rédeas do Estado. Isto não é um mal em si, claro. Tem lugares em que assim funciona. O ‘Mercado’, afeito a vários interesses, não consegue gerir bem ou democraticamente estas questões.

A questão é saber – e decidir nas eleições – QUEM é este Estado. A idoneidade de quem governa.

Quem for idealista que atire a primeira pedra

O fato é que muitos são cúmplices do que está instalado, isto sim. Assumiram claramente esta posição que é, sobre vários ângulos, indesculpável. Embora tenham todo o direito de duvidar da idoneidade dos seus opositores ligados ao PSDB, sabem que as denúncias existentes no Ministério público contra o PT são graves e factíveis, sabem também que os sucessos exclusivos dos 8 anos do governo Lula ou são inexistentes ou são exagerados pela propaganda e que, tanto quanto as de Serra, muitas promessas de campanha atuais são irrealizáveis, mas fingem que não sabem para ganhar a eleição.

Estão agora juntos que nem pão quente ao lado do governo. Ao que parece temem o desmonte do esquema atual por um governo que não seja o do PT. Sabem do mesmo modo e por outro lado, o risco institucional que certas idéias expressas pelo PT representam para o futuro imediato do Brasil. O mais estranho é que o histórico das lutas passadas, protagonizadas por muitos deles, não se coaduna com este flerte com idéias tão atrasadas. Sabem, portanto muito bem o que estão fazendo: Brincam com o fogo.

Sabem também, com toda certeza que ondas de progresso econômico – temperados com clientelismo de ocasião – não são exatamente parâmetros válidos de boa gestão governamental nem garantia de boa maré econômica ou financeira em médio prazo.

É bom que se recorde que os índices de popularidade de todos os déspotas do tempo da ditadura militar (Castello Branco, Costa e Silva, Junta militar, Garrastazu Médici e João Figueiredo) – exatamente como ocorre agora com este índice de 82% do Lula – era altíssimo e que o chamado ‘Milagre Econômico’ da Ditadura deixou marcas profundas em nossa economia – e em nossa cultura e na sociedade em geral – por muitos anos à frente.

Sabem de tudo isto, mas cada qual, talvez por força de alguma razão muito particular ainda omissa, resolveu justificar e apostar na adesão irresponsável ao que pode vir ser o atraso. Quem se importa? Farinha pouca meu pirão primeiro.

Gostam de levar vantagem em tudo, morou?

Spírito Santo
Outubro 2010