Brasil Bandido

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Junte os pontinhos e veja o país da “transpolítica”

”…Pensadores pós-modernistas franceses inventaram o termo “transpolítica” para se referir ao ultrapasse da política tradicional por formas novas de esvaziamento da democracia representativa. A “parapolítica” é outra coisa: não um termo reflexivo, mas a realidade da transformação de ações marginais ou ilegalistas em poder político…

                        (Muniz Sodré)

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Reciclo-me, mas só um pouquinho. Atentem também – ou fiquem sabendo – vocês que este post foi escrito assim, quase tintim por tintim, no já distante ano de 2008 (!) propositalmente, portanto nada a ver – juro por Deus! – com governo Lula e estas eleições semi acabadas. Foi só um pouquinho de pesquisa e premonição.  Só isto.

Acho também que o José Padilha nem sonhava que faria o filme Tropa de Elite 02  cujo argumento contém incrível semelhança com algumas passagens do que vocês lerão aqui.

Que os sensatos e comedidos insistam sempre, pacientemente, que é muito mais recomendável – faz bem à saúde – focar com melhores olhos os pixels azulados e edificantes da rede, do que ficar remoendo os tons marrons da malha suja, onde estão entranhadas as chagas mais comezinhas do dia a dia torpe deste nosso país, eu também sei intuir e compreender.

É exatamente por saber de tudo de isto que entabulei, lá atrás (este post original foi publicado no site Overmundo) esta conversa para lhes falar, assim, no sapatinho, acerca da impressão que se tem de que o Brasil está gestando em si mesmo, um certo tipo de sociedade mucho loca, com sintomas daquelas carcomidas por interesses bandidos de todo tipo, divididas em guerras entre grupos políticos mafiosos, que confundem o trato da causa pública com seus mais inconfessáveis interesses, com o beneplácito, no início pragmático e, logo depois, acovardado dos cidadãos ‘de bem’.

Vocês não notam isto não?

Pois é. A realidade brasileira às vezes é mesmo complexa demais, difícil de decifrar, não é mesmo? Se avexe não. Sabe aqueles joguinhos de ‘junte os pontos’, nos quais, depois de todos os pontinhos juntados aparece uma figurinha graciosa qualquer, um coelhinho, um gatinho? Faça como eu: Relaxe jogando um desses joguinhos?

Em nosso caso, não se garante ao final graciosidade alguma às figurinhas, mas que é diversão garantida, lá isto é. Tiro mais que certeiro no stress. Juntemos os pontinhos pois:

Pontinho 01
A revolta dos mercenários
C’os diabos! O meu exército escafedeu-se!

Tchan tchan tchan tchan…

Ano de 1822

Nos momentos decisivos da chamada Guerra de independência do Brasil, a repatriação de oficiais e soldados do exército português derrotado, criou um problema para D.Pedro I: Como manter a integridade territorial, a segurança do Império recém criado após a dissolução do exército anterior?

Ainda no calor da luta, o governo se viu obrigado a improvisar a organização de uma força armada de transição, não só para eliminar de vez a resistência portuguesa, mas também para se incumbir das demais tarefas de manutenção da integridade do império.

Sem povo – pelo menos, confiável – para montar um exército nacional, a ‘brilhante’ solução encontrada foi a compra de armas e navios além da contratação de mercenários europeus criando em 18 de janeiro de 1822 o Corpo de Estrangeiros, instituído como uma divisão do exército, formada por mercenários alemães (arregimentados pelo major Georg Anton von Schäffer na Europa), além de imigrantes suíços recrutados na própria Corte.

A segurança da Corte ficou à cargo de gajos germânicos, que formavam o 27o Batalhão de Caçadores de Alemães, conhecidos como “Os diabos brancos”, aquartelados na Praia Vermelha e dos outros gajos estrangeiros, suíços em sua maioria, que formavam o Batalhão de Granadeiros Estrangeiros, cujo quartel era o atual (êpa!)…Palácio Duque de Caxias.

Não queriam, de jeito nenhum um exército composto de ‘diabos negros’ ‘prata da casa’ e aí… deu no que deu:

“…Em junho de 1828, no Rio de Janeiro, durante o governo de D. Pedro I, (a Revolta dos mercenários) constituiu-se numa sublevação de tropas militares compostas por mercenários alemães e irlandeses. Iniciada em 09 de junho, ela foi reprimida quatro dias depois por soldados brasileiros e populares, entre os quais se incluíam muitos escravos capoeiristas da cidade…”

Fernando K. Dannemann nos conta:

…” Revoltados (com atrasos dos soldos e com os castigos físicos a que eram submetidos)…dirigiram-se ao palácio imperial, no bairro de São Cristóvão, pretendendo apresentar queixa contra o oficial e pedir sua demissão imediata…A partir daí…os mercenários praticaram todo o tipo de desordem e confusão, culminando por invadir e tomar conta do ministério do exército, (Palácio Duque de Caxias)…

…Ali eles…apossaram-se das armas…e se entrincheiraram…o comandante das Armas ordenou que as forças legais investissem…contra os rebeldes, procedimento que contou com o apoio de marinheiros franceses e ingleses cujos navios se encontravam atracados no porto, de populares e escravos (leia-se capoeiristas) na emergência, ali compareceram armados… Ao final do confronto, 12 mercenários estavam mortos e 50 deles feridos…”

Êpa, êpa! Mas o palácio invadido não é o mesmo Palácio Duque de Caxias, recentemente – vá lá, uma nota do autor: recentemente  no caso foi há dois anos atrás – apedrejado pela população do Morro da Providência, revoltada com o assassinato de três jovens, por traficantes do Morro da Mineira mancomunados com soldados do exército brasileiro?

(Dizem que os jovens foram ‘vendidos’ aos traficantes da Mineira (favela rival da Providência) pelos soldados do Exército, por uma considerável quantia  em dinheiro. Depois do escândalo nacional, os corpos foram achados escondidos num lixão em Caxias.)

Êpa! E sacaram também aquela outra citação sobre escravos capoeiristas? Milícia de escravos armados? Como assim?

Pois é isto mesmo: Um jogo de “junte os pontinhos”. Já havia avisado a vocês lá em cima.

Pontinho 02
As Milícias escravas
Uma ‘flor’ de gente

Carlos E. Líbano Soares falando:

“…O discurso contra a capoeira no século 19 se assemelha ao discurso contra o crime organizado, o tráfico de drogas. Um crime rendoso, com uma rede de proteção muito grande, com pessoas da alta sociedade envolvidas, protegendo e mantendo esses grupos e por isso garantindo a impunidade deles.

“…Cada freguesia do Rio tinha um grupo…Quando outro invadia seu espaço, era a senha para o confronto. Havia um controle informal, uma geografia inquieta semelhante à atual guerra das drogas. Assim como hoje há, no Rio, o Comando Vermelho e o Terceiro Comando, havia na época nagoas e guaiamus. Os nagoas dominavam a periferia, são grupos de origem africana, e os guaiamus dominavam o centro da cidade…”

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Ali por volta de 1870 o problema da violência urbana e do caos político-social protagonizado pelas maltas de capoeiras, compostas, em sua maioria, por adolescentes (escravos fugidos e negros de ganho desocupados, a maioria na faixa entre os 12 e os 17 anos), ficou tão agudo que a solução foi desmobilizar, violentamente os bandos, enviando os capoeiras, em massa, para a guerra do Paraguai. Com o regresso destes ‘involuntários da pátria’, livres da escravidão por direito, fardados, mas, ainda revoltados, o problema da violência urbana voltou, mais intenso ainda.

“…O Flor da Gente era um poderoso grupo de capoeira do Rio de Janeiro no século XIX. O grupo era tão poderoso que chegou a ser contratado por Duque Estrada Teixeira quando candidato ao governo da província do Rio de Janeiro. Para que Duque Estrada contratou o grupo de capoeira Flor da Gente? Na época, as eleições eram decididas no tapa mesmo e quem não votasse em Duque Estrada era ameaçado pelo grupo Flor da Gente…”

Na crônica da Revolta da Chibata (1910), junto com os degredados enviados pelo governo para serem escravizados – ou comidos pelos bichos – nos cafundós da selva amazônica, constavam dezenas, talvez centenas de capoeiristas.

Já conseguiram enxergar o esboço da figurinha que começa a aparecer no nosso jogo? Não? Pois siga em frente e junte mais pontinhos então.

Pontinho 03
Luta Democrática
A máfia nordestina e outras máfias

…Tenório Cavalcanti foi um dos muitos migrantes que vieram do Nordeste para a Baixada. Lá, enriqueceu e tornou-se uma poderosa figura política, criando um sistema clientelista e apoiando-se na violência como estratégia de conquista e manutenção do poder tanto econômico quanto político. A sua volta, montou-se uma “densa rede de relações pessoais, de amizade, parentesco e patronagem, trançada pela reciprocidade, a dependência, a lealdade e a deferência, tendo no líder seu fio central”…

Em torno de sua pessoa, criou-se toda uma mistificação, apoiada na construção de uma personagem para Tenório, que passou a ser conhecido pelo uso de suas inseparáveis capa preta e sua metralhadora “lurdinha”, bem como pela fama de “ter o corpo fechado”, por ter conseguido escapar ileso de uma série de conflitos a bala.

“…Para complementar ainda mais essa imagem, um episódio ocorrido em julho de 1962, que ficou conhecido como o “quebra-quebra”, ocupou por semanas as páginas dos noticiários, associando a região à falta de segurança e à prática da violência. Na verdade, a sucessão de depredações e saques ocorridas na Baixada no dia 5 de julho de 1962 fizeram parte de um contexto histórico de “revoltas populares” em todo o estado do Rio de Janeiro.

“…Este episódio, segundo Marlúcia dos Santos Souza, teria marcado o surgimento de milícias pagas pelos comerciantes locais para garantir a segurança de seus estabelecimentos. ‘… em 62, com o saque, as polícias privadas atuaram como repressores das revoltas e como mantenedoras da ordem.’ A partir deste contexto, marcou-se o início da ação de “grupos de extermínio” na região, como vão demonstrar Josinaldo Aleixo Souza e José Cláudio Alves Souza.

Segundo este último, “desde o golpe de 1964, sobretudo a partir de 1967, a Polícia Militar vinha assumindo um papel coadjuvante na repressão montada pela ditadura …”, o que a levaria a atuar diretamente na formação de “grupos de extermínio”. A ação desses grupos, porém, se efetivaria de forma mais veemente a partir da década de 70…”

Ah… Para quem não sabe, a famigerada figura do Tenório Cavalcante mantinha um jornal popularíssimo na época (décadas de 60/70) denominado, ironicamente, ‘Luta Democrática‘ (veja a foto no link).  Espirituoso a mais não poder o povo da época dizia sobre o jornal:

_”Se espremer sai sangue!”

(Leia também neste mesmo blog Favelópole’ )

Pontinho 04
Welcome to Congo!

Ano de 1998

“Welcome to Congo”, escreveu um jornalista gringo num quadro negro durante uma coletiva de imprensa nos jogos Panamericanos no Rio, lembram? Cairam de pau no cara, pelo desplante de fazer uma comparação que, cá entre nós, era totalmente pertinente.

Cairam de pau não exatamente por causa do sentido irônico da brincadeirinha – uma associação abusada entre a as guerras civis na África e a nossa violencia urbana-  o que não gostaram mesmo foi dele ter nos associado a negros africanos.

O Rio de Janeiro é uma cidade com um explosivo problema de segurança  pública – como negar?- localizado, exatamente, em suas áreas mais carentes (segundo diz o velho ramerrão, por falta de políticas públicas), áreas estas que foram sendo, progressivamente, ocupadas por grupos armados, a princípio identificados, genericamente, como Comandos de Traficantes (em bom português, milícias armadas, portanto).

De uns tempos para cá, a situação, por si só já muito dinâmica por culpa da renitente e oportunista omissão das ‘autoridades constituídas’, evoluiu para o perigoso estágio da cooptação ou da simples corrupção de indivíduos integrantes das forças de segurança convencionais (Polícias Militar e Civil) que passaram a se mancomunar com as facções criminosas tradicionais.

A tal dinâmica dos acontecimentos tinha, inclusive, um viés tenebroso, prenúncio do que viria: Engrossando o caldo do equilibrado conflito entre Comando vermelho e Terceiro Comando, aparecia como uma cunha para fracionar a clássica dicotomia polícia-bandido, uma nova facção denominada, sugestivamente, A.D.A ou ‘Amigos Dos Amigos’ ou seja, uma organização clandestina  que poderia abrigar integrantes de qualquer uma das partes em conflito, inclusive policiais, desde que partidários de um pacto de cooperação.

E assim ‘evoluímos’ para um estágio no qual passou a não existir mais diferença perceptível entre os modos de agir de policiais e bandidos (no que diz respeito à prática de delitos criminosos, roubos, assaltos e assassinatos, bem entendido).

Chegamos então, infelizmente, no curto espaço de menos de cinco anos, se muito, a um ponto de difícil retorno, no qual as próprias instituições policiais se organizaram (ou se ‘desorganizaram’) em braços clandestinos, que a população denominou a princípio de Polícia ‘Mineira’.

Logo denominadas pela imprensa, mais apropriadamente, de ‘Milícias’, estas ‘Mineiras’ (o nome – que evoca a truculência da polícia de Minas Gerais em décadas anteriores – se popularizou na Baixada Fluminense na década de 70) são instituições paramilitares que, estimuladas pela ‘vista grossa’ da classe média, cada vez mais rapidamente, vão usurpando, sob o pretexto de cuidar da segurança privada, do controle de todos os tipos de serviços públicos, historicamente negligenciados pelas autoridades legalmente constituídas (além de serviços privados, é claro).

No contexto desta situação dramática, alguns especialistas em segurança pública (omitindo o fato da falta de políticas públicas ser a causa evidente de todos estes males) vinham solicitando há tempos, a intervenção das forças armadas. O governo federal, por intermédio do Ministério da Defesa, do congresso Nacional e do próprio Exército, tem relutado, alegando não ser esta função constitucional das forças armadas, embora elas atuem com esta função no Haiti, por solicitação da ONU e – cala-te boca- tenham atuado, exatamente, assim num incidente tragicamente conhecido ocorrido no Morro da Providência – alguém aí se lembra?

Aquele dos jovens assassinados (o projeto de ‘maquiagem’ de fachadas de casas da favela, denominado Cimento Social, bancado pelo Ministério das Cidades do Governo Lula (uma das primeiras obras do PAC), era da cota de interesses eleitorais do Senador Marcelo Crivela, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, aliado de Lula)

Para agravar o quadro, estas autoridades constituídas, começaram a assumir, a partir do Governo Collor de Mello, cada vez mais claramente, modus operandi muito semelhante ao de instituições de caráter mafioso, criando uma espécie de sociedade bandida, anômala.

Duvidam? Vão pagar pra ver?

Bye Bye Brasil
Este é um país que vai pra frente?

Como se sabe o fenômeno não é simples. Possui fundas raízes no arcaísmo de nossa estrutura social, sempre calcada na injustiça social a qualquer custo, gerando tudo que aí está, há séculos e séculos, amém.

Se juntarmos mais ainda os pontinhos, veremos as figurinhas do misticismo político-religioso de Antonio Conselheiro e do Padre Cícero, ligados com os do protocomunismo da Coluna Prestes, passando pelo banditismo do Capitão Lampião. A cada conjunto de pontinhos juntados, quantas e quantas elucidativas imagens vamos conseguindo formar.

É o Brasil Bandido mostrando a sua feia cara.

O curioso é que os pontinhos mais incríveis – principalmente, por suas inquietantes ligações com a nossa conversa – são aqueles ligados ao místico Conselheiro.

Ele foi, todo mundo sabe, aquele beato piradão, espécie de bispo de uma seita inventada ali, na época (um ícone invertido do impoluto senador de nossa história). Ele mesmo, o líder da cidadela rebelde da primeira favela mítica, guarnecida por uma milícia popular, que lutou contra as mesmas injustiças sociais clássicas, vigentes no modelo social brasileiro, enfrentando encarniçadamente o mesmo Exército Brasileiro até ser massacrada.

Pois não é que foi aqui, no Rio de Janeiro – santa coincidência! – que alguns soldados veteranos daquelas mesmas batalhas contra o Conselheiro, desengajados, sem soldo e largados à própria sorte pelo… Exército Brasileiro, não tendo outra alternativa de sobrevivência ocuparam as encostas de um certo morro bem perto da perímetro urbano da Corte?

O morro passou a se chamar ‘da Favela’, em alusão à presença na vegetação do morro da ‘fava d’anta’ (dimorphandra mollis Benth), leguminosa típica do cerrado brasileiro, também conhecida, no diminutivo, como favela, da qual os veteranos soldados tinham muitas lembranças dos tempos de Canudos, por causa da localidade existente na região dos combates chamada, pela mesma razão, Alto da favela.

Com a generalização do nome Favela, por conta da pauperização do Brasil urbano e a palavra passando a denominar qualquer conjunto de habitações miseráveis, o local fundado pelos veteranos de Canudos, mudou de nome, passando a se chamar, não Nova Canudos, como deveria, mas… ‘Morro da Providência’.

Êpa, êpa! De novo?

Mas não é aquele mesmo Morro da Providência no qual uma tropa do mesmo Exército Brasileiro sequestrou e levou à morte aqueles três jovens, no incidente que, como dissemos acima, levou a população do local (em certa medida descendente dos veteranos de Canudos), a invadir o Palácio Duque de Caxias, sede do comando militar leste, outrora (e bota outrora nisto) invadido pelos gajos alemães e irlandeses, os tais  ‘Diabos Brancos’, logo após a nossa independência de Portugal?

_ “Ai, Jesus! Mas estes gajos de antão estão a me confundir, ô Pá!” – Diria o nosso nada parvo e bom imperador, num antes tarde do que nunca, quase a sentir a ficha cair .

Roda viva. Círculo vicioso: Independência, favela, nordeste, Canudos, Lampião, Exército, Governo,  providência, presidentes (e onipresente Lula na fita), bispos, seitas, máfias, sequestros e chacinas, balas achadas e perdidas, num verdadeiro suflê de sangue, suor e lágrimas.

Viram só, que incríveis coincidências formam o nosso ‘muderno’ Brasil profundo?

Bastou juntar os pontinhos.

Existem algumas maneiras de escapar de uma situação como esta. Você pode se deitar na calçada e esperar mais um tiroteio passar; você pode fugir pelo bosque escuro da floresta da Tijuca e deixar marcado o caminho percorrido com bolinhas de miolo de pão; pode mostrar para a bruxa que te sequestrou, o delgado rabo de um ratinho, para ela pensar que você está muito magrinho ainda para ser comido; pode sair correndo em zig zag; pode enfim, esbugalhar os olhos e se fingir de morto, sei lá tantas coisas…

(Tomara que eles, já perdendo o controle da situação, não venham com a idéia de jerico de contratar, de novo, uma milícia de mercenários estrangeiros.)

Se bem que, a esta altura dos acontecimentos, juro que até eu – como D.Pedro I – iria adorar dispor de um exército para chamar de meu.

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(Bem cabe aqui um necessário adendo de hoje em dia, 2010: Novidades candentes não previstas pelo post de 2008):

Como todo mundo já sabe, o Brasil, surpreendentemente ganhou em 2009 o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Os dois eventos, rapidamente mobilizaram as autoridades para atacar de algum modo o caráter explosivo dos nossos renitentes problemas de segurança pública.

Solução mágica inventada: As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), espécie de postos avançados de segurança pública que estão ocupando, gradativamente, todas as favelas da Zona Sul e das favelas localizadas nas encostas dos morros da Zona Norte. A idéia é bastante inteligente no que se propõem: Rechaçar as facções de traficantes para longe da área turística e do entorno de onde as competições ocorrerão.

Os especialistas, contudo informam que, como o problema fundamental do tráfico de drogas e de armas não está sendo atacado (os bandidos estão, simplesmente se mudando para a periferia, com todo o seu estoque de armas e drogas), o problema a médio prazo, pode ter desdobramentos imprevisíveis.

As balas, como se sabe, continuam perdidas.

Spírito Santo

2008 com pequenas correções em Outubro de 2010

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~ por Spirito Santo em 04/10/2010.

2 Respostas to “Brasil Bandido”

  1. Oi Cris!

    Acho que você era quem estava ao lado, conversamos um pouco sobre estas coisas aí do blog. O contato é este mesmo, vai para o meu email convencional direto. este texto tem dois anos já. Republiquei porque achei incrível como ele ainda está atual.

    Dei uma cortada em umas partes porque saiarm do contexto um pouco (tinha um dos ‘pontinhos’ que falava, mais explicitamente sobre o que era o projeto do Bispo Crivela, bancado pelo Min. das Cidades/Exército Brasileiro no qual morreram tres rapazes)

    Bem é bem apocalíptico, mas o chato é que foi ficando bem real (o filme novo do José Padilha, como disse na matéria, flagra isto tudo que falava, ocorrendo agora)

    No mais, a exposição está lá, firme forte, até o dia 22. Pinta lá que você vai gostar muito. O texto do catálogo é do Samuel.

    Abs

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  2. SpiritoSanto, como vai? Sou Cristina, nos conhecemos na comemoração de aniversário do Samuel Araujo. Acredite se quiser, ontem, na votação, achei o papel onde você escreveu esta página. Não encontrei link para “contato”, então deixo esta mensagem como comentário desse texto interessantíssimo que liga pontos, mas tem que me explicar melhor. Bom, acho que perdi sua exposição de instrumentos na UERJ, já deve ter passado. Mas mande um alô ou me visite no Facebook, em estadia provisória, um abraço, Cristina.

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