Excerpt from a Facebook convo on Brazil’s African history and cultural heritage

By Negarra Akili

A long title, but it gets the point across. Yesterday, I had the pleasure of being looped into a conversation by a new acquaintance about Brazil and the various African cultures that contributed to the current ethnic make up of the country.

The statement that started it all carried on as follows:

Cá entre nós, o Mov. negro no Brasil tem um desvio cultural profundo e renitente que faz com que se pense, erroneamente que tudo aqui de passado africano se refere á Nigéria e a Candomblé, quando, pesquisando a fundo se sabe que nossa negritude é quase toda de origem angolana.” (Spirito Santo)

Translation

“Just between us, the black movement in Brazil has a deep and stubborn cultural bias that makes one think, mistakenly, that the African past everything here refers to Nigeria and Candomblé, when researching the background at the root one knows that our blackness is almost all of Angolan origin.”

Conversations like these are almost always messy. This is an issue of cultural hierarchy and when the predominant culture is being questioned well there’s always an issue. Interestingly enough this was a very straight forward, not messy discussion composed of Brazilians and Angolans, with me being the only black American. I chimed in with a very basic take on the matter, which was (in Portuguese with English translation below):

“Isso não acontece só no Brasil. Quando as pessoas falam de Cuba eles falam só da Santeria, religião derivada das tradições Iorubanas. A realidade histórica mostra que os Congos foram mais numerosos na Cuba, com 400 mil Congos chegando na Ilha durante o tráfico, em comparaçãao a 250 mil Iorubas.

Os Congos também trouxeram as suas crenças espirituais. Em Cuba se chama Palo Monte, Palo Mayombe, Palo Judio, etc. Porque essa falta de conhecimento sobre os Congos nas Américas? Alguns dizem que a religão Ioruba era/é mais aberta à misturar com outras crencas e por isso ela foi se espalhando com mas facilidade.”

Translation

This doesn’t just happen in Brazil. When people speak of Cuba, they speak (almost) only of Santeria, a religion derived from Yoruba traditions. The historical reality shows that Congos were more numerous in Cuba with 400,000 Congos arriving to the island during the slave trade in comparison with 250,000 Yorubas.

The Congos also brought their spiritual beliefs. In Cuba they are called Palo Monte, Palo Mayombe,Palo Judio, etc. Why this lack of knowledge about Congos in the Americas? Some say that the Yoruba religion was/is more open to mixing with other beliefs and for this reason it spread easily.”

This issue interests me for three reasons: A. I was born in the Americas so this story is tied up with my story, B. I am always interested in identity creation, sustainability, transformation and C. I wonder often how one culture ends up winning, or being right and another doesn’t. In reference to my first reason, another discussant posted the following:

“Saindo do Brasil e indo pros EUA vejam o que disse a investigadora em antropologia cultural e cineasta americana Sheila Walker:

‘Os escravos oriundos de Angola participaram activamente na criação dos Estados Unidos de América (EUA)…’

‘Estudos mais recentes apontam três povos que interviriam na criação dos EUA, que são a tribo indígena Pawhattans, os ingleses e os angolanos; para comprovar este facto há vários registos disponíveis em museus, e até em cinema”, reafirmou.’

‘A presença angolana nas Américas, de acordo com a palestrante, estende-se desde a Argentina até ao Canadá, com maior incidência nos EUA, onde há uma forte presença do nome Angola na culinária, nas ruas e numa prisão, assim como muito dos seus hábitos, costumes, rituais, danças, entre outros aspectos culturais.’

Translation

“Leaving Brazil and going to the US, see what researcher said in cultural anthropology and American filmmaker Sheila Walker said:

‘Slaves from Angola participated actively in the creation of the United States of America (USA )…’

‘More recent studies indicate that three groups to be involved in the creation of the U.S., the indigenous tribe Pawhattans, the British and the Angolans, to prove this fact there are many records available in museums, and even in cinema, “he reiterated.”

“The Angolan presence in the Americas, according to the speaker, stretches from Argentina to Canada, with higher incidence in the U.S., where there is a strong presence of the name Angola in the cuisine, in the streets and in a prison, as well as many habits, customs, rituals, dances, and other cultural aspects.”

My opinion

As an American whose history isn’t easily traceable mainly because of the fact that my people were enslaved, it helps to shed more light on my ethnic make up. That is on a very basic level comforting and also empowering. Having an identity that has a very clear origin and not solely an origin which was purposely mired down in the muddiness of enslavement, forced labor, and racism is positive reinforcement for the maintenance of a healthy identity. For any person to be able to reach this information and use it for their betterment is quite simply and in my opinion a human right.

This conversation suggests that the black Brazilian identity is based on a culture which somehow managed to achieve high impact, even though the numbers were much fewer through an entire continent. I want to dig deeper into the process by which this happened, specifically as it relates to Yorubas and Congos, and dissect Yoruba culture to find out what about it allowed such high impact that has been maintained over centuries. The choice of one religion over another, is very often made by one person, or group of persons over another and thus, it is in my opinion always a political one. I’d be curious about the politics of the day in the places where newly transplanted Yoruba, seemed to overtake Congo culture.

This anthropological, sociological stuff warms my heart and serves as confirmation that a PhD program in Sociology is just an application away. Moving right along…

Oh and a brief note of clarification: I use Angola and Congo interchangeably which I shouldn’t. In the original conversation Angola was used as a generic term to refer to people of Congo origin. The Congo Kingdom extended as far south as the Kwanza river and many, if not the majority, of Congos that were sent to Brazil came from this region.

More to come on this.

———–

One Response to Excerpt from a FB convo on Brazil’s African history and cultural heritage

Spirito Santo says:
4 November 2010 at 20:15

Muito boa a sua reflexão Negarra (desculpe comentar em portugues) sob o aspecto controverso daquela conversa, nos termos apressados com que ela se deu num simples forum de internet. A questão é sim bem mais complexa do que parece e deve ser, presumo não tão diferente, do que ocorre aí nos EUA.

O fato é que ponto que toquei é um tabu absoluto por aqui. Não há muitos questionamentos acerca desta aventada ’supremacia nagô’, mesmo nos meios acadêmicos mais avançados. Ao que parece é cômodo para ambas as partes (brancos e negros) trabalhar com fundamentos culturais mais radicalmente exóticos, opostos, mesmo que sejam ‘inventados’ a partir de referencias historicas pouco prováveis, quando se estuda mais a fundo a questão.

Só agora se começa a vislumbrar algumas pistas de que, por alguma razão que ainda não se pode afiançar exatamente qual seja (eu lanço cá as minhas hipóteses), parte fundamental da herança cultural dos negros do Brasil foi subestimada, escamoteada nos livros e no nosso pensamento intelectual – inclusive por intelectuais do Mov. Negro como ressaltei – em troca da superestimação destes elementos ‘nagô’ ou ‘sudanêses’ aos quais me referi.

As pistas, para a nossa sorte estão todas salpicadas aqui e ali na cultura oral do país, na nossa música, na linguística, em nossa cultura popular enfim (onde esta suposta polêmica é inteiramente desconhecida) e é delas que nos chegam as melhores confirmações, dúvidas e indagações de que há algo de errado nesta história, algo a ser revisto em nossas mentes acerca desta questão tão cara a nossa identidade, tanto de brasileiros quanto de angolanos (e daí, com certeza veio a paixão dos debatedores em opinar sobre o assunto).

Como estas coisas costumam se relacionar a questões superestruturais ligadas ao racismo que nos oprime a todos, imagino que algo parecido deve ocorrer com vocês, negros da América do Norte. Obrigado por replicar tão interessante conversa no seu blog.

Grande abraço,

Spírito Santo

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~ por Spirito Santo em 04/11/2010.

2 Respostas to “Excerpt from a Facebook convo on Brazil’s African history and cultural heritage”

  1. Que interessante! Parece que estamos falando da mesma coisa, da mesma dificuldade de acesso às nossas ‘raízes’. Vê só que engraçado: Sempre me intrigou bastante a impressão de ser muito pequena a projeção da cultura africana no âmbito da cultura geral dos negros daí. Há muito disto nos Work songs, Godspels e Spirituals e etc., mas a marca profunda da religião branca-protestante tolda um pouco isto e nos causa, as vezes um preconceito totalmente impertinente. Nunca soube a que atribuir isto. Para mim que sou músico é muito perceptível a negritude ou a africanidade das escalas, dos modos musicais, mas sempre me intrigou a falta de algo mais organico como o que temos aqui no Brasil e em Cuba.

    Este assunto é muito importante que vocês aí aprofundem. Pode parecer contraditório, mas acho que a chave da identidade africana, de vocês (a essência dela) está aí sim. com toda certeza, talvez muito mais do que no Lukumi (que presumo, veio com a proximidade de Cuba e não da herança africana, diretamente) É como a gente aqui vê os negros daí, o Jazz negro, o Blues negro, etc.

    Falo disto em meu livro – e é instigante poder associar isto ao que você falou – : Uma das causas subliminares da subestimação que os intelectuais, negros e brancos, praticam contra a cultura bantu (dos ‘angolanos’ como digo) penso eu que reside no fato dela ter ligações profundas com o catolicismo português, misturado ás religiões africanas dos reinos do Kongo e Angola, pelo menos no seio da nobreza daqueles reinos, desde o século15). É, ao que parece isto que também ocorre com vocês, por conta do protestantismo.

    Embora você tenha toda razão quando observa que temos aqui a chance de fazer abordagens mais específicas por força da pujança de nossas heranças culturais ainda ativas, infelizmente não estamos tão envolvidos nesta discussão não, porque caimos numa armadilha inversa: negamos a cultura bantu que nos é quase hegemônica, por ser ela afro-católica, talvez, e colocamos em seu lugar uma ficção etnológica quase que inteiramente criada, inventada por intelectuais brancos (tal ‘reducionismo Nagô’ do qual falei).

    No fundo acho que estamos diante dos mesmos desafios: temos que pesquisar muito para estabelecer a nossa verdade etnológica, a nossa africanidade real, uma visão mais clara deste passado que nos colocará, enfim diante de nossa alma autêntica e, por conta disto, muito mais forte.

    Que bom que somos gente disposta a isto e somos muitos.

    Grande abraço!

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  2. Continuo pensando nesse assunto. Nos EUA os que falam desses assuntos são os intelectuais e as pessoas que professam de Santeria (também chamado Lukumi).
    O que me interessa muito é o fato que no Brasil (pelo menos certos grupos de brasileiros) chegou já à uma conversa tão especifica. O fato que pode discutir e provar que a herância do Brasil negro vem dos Congos e não só os Nagôs é incrível e muito importante. Pra nós é dificil aprender de qual fazenda vieram os nossos antepassados antes de ser liberados depois da guerra civil. Pior ainda tem bastante negro que não sabe a historia e não quer saber. Ainda estamos tentando educar nossos filhos que eles aprendem que ante de ser escravo tínhamos civilizações avançadas na África.
    Enfim, a luta sempre continua, né?

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