O nego véio Grupo Vissungo, 33 anos atrás em Curitiba

(OUÇA O ÁUDIO AQUI!)

A foto acima é um pouco mais antiga, 34 anos talvez. Nas ruas o pau da ditadura comendo solto.

O Grupo Vissungo neste ano aí, ainda se chamava ‘Saramiôlo‘ que foi o seu embrião. Pela ordem, na foto, Leninha Codó, Castro, Aldeoni, Eu (Spírito Santo) ao centro, Carlinhos Codó, o grande violonista Codó (Clodolado Brito, pai dos Codós da foto) e Antônio Codó.

Daí, um ou dois anos depois, não sei bem, apenas com Carlinhos Codó e arregimentando meu irmão Lula do Espírito Santo, formamos o Grupo Vissungo. A ida à Curitiba foi à convite da Fundação Cultural de Curitiba, à época dirigida por Jaime Lerner, arquiteto que depois virou um político célebre.

O show (memorável) unia o Vissungo à Clementina de Jesus que, recentemente saída de um derrame, coloquei numa cadeira de palhinha no centro exato doa arena-palco do Teatro Paiol, estrategicamente posicionada justamente abaixo da cumeeira do lanternin de vidro do teatro (um antigo paiol do exército colonial), num ponto onde havia uma acústica mágica, do outro mundo.

Engrosssando a trupe Vissungo o ator Jorge Crespo (que fazia um malandro hilário, espécie de mestre de cerimônias que fazia o elo de ligação entre as canções) e o pandeirista estreante Ilton Mendes, o ‘branco no samba’, que tomado ali, de vez,  pelo vírus, é hoje dono da mais emblemática casa de Samba do Rio de Janeiro (o ‘Candongueiro’ em Niterói)

Aramis Milarch, grande crítico de Curitiba, gravou tudo. Tenho tentado há anos localizar, sem sorte ainda, o áudio do show estupendo (um aluno surrupiou a fita k7 que eu tinha) com Grupo Vissungo & Clementina de Jesus, ela cantando pérolas da roça e da cidade que nunca havia cantado antes em lugar algum.

Tenho ainda hoje um k7 com o making off da seleção de repertório, feita na casa de Clementina (na época amargando injustificado ostracismo) num beco ao pé do Morro dos Macacos

Quando ouvi dia destes este áudio da entrevista feita pelo Aramis, achado na internet por acaso (e recentemente replicado pelo amigo Antonio Saraiva no Facebook), fiquei até meio assustado de ainda estar, até hoje, perseguindo, cavucando – e encontrando – as mesmas coisas, estas coisas de negro africano no Brasil que não acabam nunca.

“..Saudade, que me traz aqui
mas olha só, lembrança
recordação de ti”

(Samba de Bernardo Mãozinha, do início do século 20, cantado por Clementina na ocasião do show em Curitiba)

http://www.millarch.org/audio/grupo-vissungo

Anúncios

~ por Spirito Santo em 03/12/2010.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: