Brasil Afro #04 (final) Zumbi raptado: O mito quebrado

O grande encontro de 'Bois Caiman' onde começou a revolução do Haiti

O grande encontro de ‘Bois Caiman’ onde começou a revolução do Haiti

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A perna curta da farsa revelada

(Leia também – e logo – os posts #01, #02 e #03 desta série)

Foi igualzinho a um inquérito policial . As evidências foram todas, na medida do possível, levantadas e esmiuçadas. As suspeitas do nobre investigador que vos fala, atestadas pela pesquisa posterior (mesmo ainda com uma coisa ou outra a ser atestada), se mostraram absolutamente pertinentes, verdadeiras diria, de forma candente até, como se verá.

O lado frustrante da investigação é que as razões de ser da montagem desta farsa histórica é que jamais saberemos quem a montou exatamente nem porque, assim como jamais saberemos também como uma mosca tão gigantesca foi ‘comida’ pela historiografia – e pelo Movimento Negro – do Brasil.

Na verdade sobre isto saberemos algo sim (e nem precisará ser eu o palpitador). É que bem a propósito, enquanto atirava no que via, acertei no que achava que não veria: uma interessantíssima tese de mestrado que toca, de forma bem aguda até, exatamente na mesma questão que abordo aqui (a afirmação de que o Zumbi que cultuamos hoje é um mito sem fundamento, uma história totalmente inventada, sem pé nem … ops … cabeça).

Já explanamos isto num post anterior desta série, mas tenham o gostinho de ler o depoimento desta outra ‘testemunha’:

“…Havia oito documentos noticiando a existência de Zumbi, até o início da década de 1980…Contudo, esta documentação não possuía dados específicos sobre a biografia de Zumbi dos Palmares, tanto que os autores do período colonial e imperial chegaram a duvidar se havia mesmo um negro chamado Zumbi. Para eles o termo Zumbi se referia à denominação de um título honorífico no Quilombo.

“…A partir de 1981, Décio Freitas divulgou, ao longo de três páginas da terceira  edição do seu trabalho ‘Palmares, uma breve biografia de Zumbi’. Utilizando como fontes “várias cartas” do padre Antonio Mello de Porto Calvo, o qual informava a um amigo da cidade do Porto, que havia adotado e educado um menino negro chamado Francisco.

…”Entretanto, o autor Décio Freitas não forneceu informações relativas à localização, data ou o número de cartas que foram encontradas por ele nos arquivos portugueses”. Os autores militantes, entre eles Joel Rufino dos Santos e Ivan Alves Filho, mesmo sem tais referências propagaram esta biografia de Zumbi, dando-lhe publicidade, colaborando, inclusive, para a consolidação desta versão na historiografia.

Atualmente, esta biografia de Zumbi ganhou tal notoriedade que o nome Francisco foi incluído na lei federal 9.315, de vinte de novembro de 1996, que inscrevia o nome de Zumbi dos Palmares no Livro dos Heróis da Pátria.”

(Andressa Merces Barbosa dos Reis – Universidade Estadual Paulista – UNESP Faculdade de História, Direito e Serviço Social: Zumbi: historiografia e imagens -Franca – 2004 )

Embora não chegue a tocar direto na ferida que tocamos: a da farsa em si, as cartas do nosso baralho estão todas lançadas aí, no texto de Andressa: o que julgamos ter sido uma falha metodológica banal de nossa historiografia, motivada em nossa opinião, entre outras mais prosaicas razões – algumas muito bem apontadas pela tese de Andressa Barbosa – pelo racismo residual que contamina todo o pensamento intelectual brasileiro.

E nem vamos nos vangloriar aqui – junto com a Andressa Barbosa- de nosso faro investigativo de historiador (no nosso caso leigo): este aspecto cabuloso da história sempre esteve diante do nariz de qualquer pesquisador, bastava duvidar da inverossimilhança da historia oficial, questioná-la no que ela tinha de evidente absurdo.

…”Será preciso fazer a crítica dos discursos que falam o mito, ocupar-se das representações literárias e visuais para verificar em que medida o texto ou a imagem contribuem para a criação do fato mítico. Importante é revelar o que existe sob sua aparente naturalidade. Isto porque a perversidade do mito não está em deformar o objeto a que se refere, mas em fazer com que a deformação apareça como coisa natural. Tão natural e verdadeira que a verdadeira invenção pode parecer mais real do que o real.

(Maria Alice Milliet –“.Tiradentes”, 2001- Citada por Andressa Barbosa em sua tese)

Sei que vocês não aguentam mais esperar. Vamos logo então quebrar a louça desta sala:

O Zumbi fake total : As conclusões do inquérito

Disse e agora afirmo: A tese de Décio Freitas, como suspeitávamos é totalmente falsa.

Todos os elementos levantados  acerca da identidade e da biografia do menino Zumbi, de sua suposta captura até sua vida até os 15 anos em Porto Calvo são meras deduções ou suposições de Décio, o historiador, até hoje nossa referencia maior sobre o assunto.

A partir de uma informação vaga de que uma história assim havia realmente ocorrido (e, podemos agora atestar, não era uma lenda urbana como eu mesmo havia sugerido) Décio, empolgado com o caráter bombástico da informação (e mesmo sem ter ainda elementos para confirmá-la) resolveu divulgar a notícia. Pura vaidade de pesquisador pioneiro. A partir da falsa informação de que as tais cartas teriam existido – e se perdido – Décio deduziu então que um menino negro criado por um padre católico só poderia ter sido educado em latim, podendo ter sido coroinha, etc., etc.

Tudo faria sentido se a existência das cartas não fosse uma farsa total. Mas tudo sobre estas cartas é farsa sim. Ridícula e descaradamente a história das cartas do padre Melo é deslavada – e quase criminosa – mentira.

Quem teria repassado a história para Décio Freitas o fez ali por volta de 1980, ocasião de sua estada em Portugal na Torre do Tombo. A tal Condessa Schönborn (ou Marquesa de Cadaval) é uma suspeita mais que provável já que o próprio Décio Freitas atribui a ela (ou pelo menos insinua) a origem da informação. Mas teria realmente sido ela a informante?

Jamais saberemos.

(Se quiser recapitular, leia de novo os detalhes da montagem da farsa aqui no post #02 desta série)

É curioso se supor, entretanto que um pesquisador experiente como Décio Freitas (um historiador símbolo da minha geração) não tenha desconfiado do não aparecimento de documentos tão relevantes quanto estas cartas durante incríveis 300 anos! Como pude constatar nesta minha ainda rasa pesquisa, as fontes são vastas e profusas. Contudo, como todo mundo está careca de saber, o pior cego é aquele que não quer ver.

Como seria possível que ninguém, nenhum pesquisador antes dele, português, holandês ou mesmo brasileiro tenha se deparado com tão relevante informação? Como se embarcou nesta história se não existia nem mesmo boatos sobre este suposto fato, nenhuma lenda urbana, um fiapo de trova, uma quadrinha de cordel, nada.

Tivesse Décio se aprofundado um pouco mais na pesquisa teria esbarrado, fatalmente com a evidencia que nós localizamos, uma conclusão óbvia até demais, que desvenda toda a farsa logo na primeira linha de seu enunciado, como os leitores verão a seguir.

Enfim, com vocês, o tcham, tcham, tcham, tcham da incrível farsa do Zumbi fake!

Daria mesmo um filme esta história absolutamente verídica:

(Tela preta ou vermelha. Letreiro inicial rolando):

Situando a conversa, um velho metido a sábio já mais que sessentão (eu mesmo) explica:

(O conceito bakongo -povo matriz dos angolanos, entre outros povos da região – da ‘Kanda’ significa pelo que presumimos, etimologicamente ‘marca consanguínea ou parentesco’. É um conceito parecido com o do clã europeu, porém um pouco mais complexo. A palavra Kanda neste caso nos remete a regras de sucessão e hereditariedade, que no caso do antigo Reino do Kongo obedeciam a rígidas e complexas linhas, originalmente ditadas pela via matrilinear, rompidas pelo clã dos Ki-Mpanzu, motivo aparente da guerra civil da qual portugal, maquiavelicamente se aproveitou).

O Reino do Kongo (1400-1888. Kongo dya Ntotila ou Wene wa Kongo em Kikongo, na língua básica local, na época) foi um reino africano localizado na região central da África ocidental onde se localizam agora o norte de Angola, Cabinda e a parte ocidental da República do Congo.

O reino era composto de várias províncias, a partir de certa época no século 15 centralizadas num reino governado por um monarca chamado de Manikongo (grafia do século XVI para “Mwene Kongo, ‘rei’, mandatário do Kongo) de ascendencia Bakongo.  Sua esfera de influência se estendia para os estados vizinhos, como Ngoyo , Kakongo, Ndongo e Matamba.

A derrocada deste formidável Reino, região-pátria e origem da maioria esmagadora dos africanos que vieram para o Brasil, se deu em 29 de Outubro de 1665.

Abertura – Interior. Noite – Castelo do Rei do Kongo

Em 1661 morre no Kongo o Rei Garcia II (nome cristão de Nkanga-a-Lukeni) deixando a coroa para António, seu filho mais velho (cujo nome bakongo é Nkanga a Nvita). Adotando o nome real de Antonio I, o novo rei assume determinado a expulsar os portugueses de Angola.

(Um esclarecimento se faz muito muito importante para os leitores brasileiros nesta hora: O rei D. Antonio I, Nkanga a Nvita, segundo muitos relatos vinha a ser de algum modo parente de Nzinga Mbandi, a Rainha Jinga, morta em 1663. Na verdade, estas evidências batem fielmente com as tais regras de partilha dos sobados ligados ao Reino do Kongo, baseadas em seculares vínculos de kanda ou parentesco que, direta importancia e muita relevancia tiveram para a história dos angolanos que durante este turbulento período, vieram como escravos para Pernambuco, Brasil).

Cena 01 – Exterior. Dia – Cena cruenta da Batalha de Mbwila

“O pretexto para a primeira invasão do Kongo, que data de 1665, foi a recusa do rei de permitir a livre prospecção de ouro e cobre, se bem que o seu predecessor tivesse de fato cedido esse direito aos Portugueses. O manifesto de Guerra do manikongo sobreviveu nos arquivos portugueses. Ainda hoje tem um tom valente e marcial:

“ Ouvi o mandado que manda o rei assentado no trono do Supremo Conselho de guerra: que toda a pessoa de qualquer qualidade que seja, fidalgo ou mecânico, pobre ou rico, capaz de poder menear armas ofensivas em todas as vilas, Cidades e lugares de todos os  meus Reinos, Provincias e Senhorios, se vão logo nos primeiros próximos dez dias depois de lançado este pregão, e bando real, alistar a seus capitães, Governadores, Duques, Condes, Marqueseses, etc., as mats Justiças e Oficiais a oles presidentes, para (…) defender nossas Terras, fazendas, filhos e mulheres, e nossas proprias vidas e liberdades de que a nação portuguesa se quer empossar e senhorear.”

(Basil Davidson – Mãe Negra- Edições 70 – Lisboa)

Na batalha (29 de Outubro de 1665) que se seguiu, comandada por André Vidal de Negreiros, português famoso como rico senhor de engenho e general na guerra contra os holandeses no Brasil,  ficou conhecida com batalha de Mbwila.

(O fato de André Vidal de Negreiros – o nome já diz tudo – ter nascido na Paraíba, Brasil – é preciso deixar claro para os mais distraídos – não o torna um ‘heroico’ brasileiro pois éramos nesta época ainda uma colônia de Portugal)

…”De Pernambuco foram governar o Reino de Angola, depois de restaurada a soberania portuguesa, João Fernandes Vieira (1658-61) e André Vidal de Negreiros (1661-66), levando ambos consigo soldados veteranos das batalhas dos Guararapes. André Vidal levantou em 1664 em Luanda a Ermida de Nossa Senhora de Nazaré, ao que se presume “em cumprimento dum voto à Virgem feito possivelmente durante um temporal ocorrido na sua viagem para Angola”, pois nela se acha um painel de azulejo representando um navio prestes a naufragar; é aí que se conserva o outro célebre painel, também de azulejos, figurando a batalha de Ambuíla na qual forças portuguesas e nativas, durante o governo de Vidal, venceram as tropas muito superiores em efetivos do Rei do Congo, D. Antônio Manimulaza (“mwene – mu -nlaza”) morto em combate e cuja cabeça foi solenemente depositada na própria Ermida).

(José Antônio Gonçalves de Mello · Biblioteca Virtual 

“…Uma vanguarda de 10. 000 homens comandados pelo duque de Mbamba, chegou à frente do quadrado português, com os mosqueteiros e as peças de artilharia. O Rei deu-lhes ordem para atacar. O avanço da massa inimiga assustou a “guerra preta” do lado português e cerca de 4000 pretos puseram-se em fuga.

O quadrado português aguentou o embate e as peças de artilharia começaram a despejar fogo e a semear o pânico. A vanguarda congolesa recua, destroçada. O Rei do Congo fica furioso e comanda pessoalmente nova carga, seguido pela sua fidalguia, e por toda a mole humana das suas tropas.

Uma bala perdida atinge o Rei que, ferido, cai por terra. Um quilamba do lado português identifica-o e, com um golpe certeiro, corta-lhe a cabeça e ergue-a espetada numa lança. O desânimo é geral entre os congoleses, deixam de combater e tentam fugir, mas são perseguidos pelas “guerra preta” que os chacina.

Os portugueses lamentam a deserção dos 4 000 pretos, que lhes teriam permitido fazer milhares de prisioneiros, que seriam vendidos como escravos. Na refrega, houve do lado português, 12 feridos brancos, 25 pretos mortos e 250 feridos.

Do lado congolês, morreram mais de 5 000, dos quais 98 titulares e mais 400 fidalgos. Entre os mortos, o (negro) Padre Manuel Rodrigues (que suponho ser o membro da elite intelectual congolesa Manoel Raboredo: Nota do Titio) confessor do Rei e Fr. Francisco de S. Salvador, o capelão mulato. Foram feitos prisioneiros o Capelão-mor Manuel João de Medeiros, Francisco, filho do Rei, de um ano, e dois filhos de Afonso, cunhado do Rei, Álvaro, de 6 anos e Pedro, de 7.

Entre os despojos, estava a coroa de prata dourada com pedraria, que fora oferecida ao Rei Garcia II, por Inocêncio X e transportada para o Congo pelo Capuchinho Giovanni Francesco da Roma.

Após a batalha, Lopes de Sequeira enviou homens ao Outeiro do Embo descobrir as minas e recolher amostras. Terminou ali a lenda da existência de ouro ou prata no Congo. O minério era malaquite (carbonato de cobre).

A batalha de Mbwila marca o início da decadência do Reino do Congo.“

Cena 02 – Exterior. Dia – Cena cruenta da derrota do rei do Kongo

Com António I decapitado, sua coroa – que segundo dizem era de latão – e o cetro real foram enviados para o Brasil (segundo alguns relatos estes objetos foram roubados em Pernambuco e posteriormente achados e levados para Portugal como troféus).

Muitos integrantes da nobreza Kinlaza (a kanda ou ‘Casa’ de D.Antonio) foram mortos na batalha ou aprisionados. Ao final da disputa o Reino esfacelou-se completamente e muitos Bakongo (etnia predominate) entre eles nobres congoleses da Kanda Kinlaza,  foram vendidos como escravos para o Brasil, levados, provavelmente para Pernambuco. Leia o trecho abaixo com a sua lupa mais arguta:

O herdeiro do trono do Kongo o menino, quase um bebê, batizado como Francisco Menezes (Nkanga a Makaya) foi levado para Luanda junto com os despojos do pai, provavelmente sob a proteção dos padres brancos e até mulatos citados como prisioneiros na batalha, os quais ligados à Propaganda Fide, importante congressão missionária do Vaticano (uma espécie de CIA da época) com certeza foram resgatados e libertados.

A farsa está provada. O mito quebrado: É este Francisco angolano o verdadeiro ‘filho do rei negro‘ criado e educado por estes padres capuchinhos.

…”Com cerca de 20 anos ele retornou ao Congo, onde viveu com sua tia, a rainha Ana Afonso de Leão. Como príncipe herdeiro, (Francisco Nkanka Makaya) de Menezes poderia facilmente ter reclamado do trono congolês para si, mas ele não o fez. Quando D’Atri perguntou-lhe porquê, Menezes explicou que ele nunca poderia ser rei porque ficara “muito parecido com um Português“.

A um português jamais seria possível ser rei (no Kongo) “porque se ele tivesse um porco não aceitaria dividi-lo e o manteria para si, para sempre”, e que ele “iria ao redor a fazer exigências e a comer sozinho” comportamento que, segundo  d’Atri assegurou aos seus leitores, era bem contrário ao da nobreza congolesa, cuja vocação para compartilhar era “verdadeiramente apostólica.”

(John K. Tornthon citando  entrevista  do príncipe Francisco de Menezes Nkanka Makaya, filho de D. António I do Congo, ao missionário capuchinho Marcellino d’Atri em 1695)

Cena final– Brasil Afro: A saga real dos Nkanga a Nzumbi de Palmares

Durando de 1665 – logo após a batalha de Mbwila – até 1709 a guerra Civil do Kongo se caracterizou como um conflito entre castas rivais na disputa pelo controle do reino. A guerra envolveu partidários da kanda (Casta ou clã) Ki-nlaza (a qual pertencia D.Antonio I) contra a a kanda Ki-mpanzu. Numerosas outras facções como o de Casa da Água Rosada Kibangu ou Silva do Soyo entraram na briga aderindo a um ou a outro lado, as vezes alternando-se entre ambos, até o Reino ser completamente anexado por Portugal.

Talvez seja possível provar um dia, pois existem muitos indícios a este respeito. Este formidável reino pode ter sobrevivido no Brasil com Ganga Zumba (Nkanga a Nzumbi) e os vários Nkanga a Zumbi que se sucederam até a virada do século 17 para o 18.

Curiosamente o ato final do Kilombo de Palmares se deu no mesmo ano em que Francisco Nkanga Makaya, o verdadeiro menino sequestrado declarou ao padre Marcelino D’Atria não pretender reivindicar seu direito ao trono do Kongo: 1695.

O fim do Mito é o ‘Mico’

Já saindo do cinema virtual desta história tão exemplar, finalizamos constatando constrangidos – como fez Andressa Merces na citação que inserimos no início deste post –  que as conclusões dos cronistas do período colonial, portugueses e holandeses, acerca do termo Nzumbi dizer respeito á uma dinastia – uma ‘kanda’ – estando corretas desde o início foram sendo –  isto sim –  desconstruídas, falseadas grosseiramente até os nossos dias pela historiografia ‘culta’ que os sucedeu.

Não seria o caso de agora investigarmos como, por que – e por quem – esta decomposição da memória de nosso passado africano ocorreu?

Bem isto é motivo para outro inquérito. Quanto ao caso do Zumbi Fake que nos trouxe até aqui, este está por fim cabalmente elucidado. O entregamos agora a soberana decisão do júri popular.

Nestes termos pedimos deferimento e FIM

Spírito Santo

Novembro 2010

———-

Se você curte analisar bibliografias e notas de rodapé, este texto possui uma relação bem completa deste tipo de referencia que você pode ler neste link

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~ por Spirito Santo em 12/12/2010.

6 Respostas to “Brasil Afro #04 (final) Zumbi raptado: O mito quebrado”

  1. Pois é, José,

    E veja: Este é apenas um dos muito eventos históricos ligados á história africana envoltos em brumas no Brasil. Praticamente todos eventos deste tipo sofreram distorções e mistificações ao longo da história com interesses os mais diversos, entre estes o racismo.

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  2. Realmente é uma visão de Zumbi completamente diferente daquela que conhecemos.

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  3. É mas no fundo não é bem por modéstia não. É que – ah, você, professora também sabe tanto quanto eu – a gente ensina e aprende, sempre ao mesmo tempo. Se você repassa o que sabe, abre diálogo com muitos outros que também sabem algo e tem algo a aprender. A rede fica imensa e todos vão aprender muito mais e mais rapidamente sobre tudo que cair naquela rede.

    De todo modo o elogio é de honrar qualquer um. Devolvo ele pra você.

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  4. O que eu acho mais incrível, além das novidades que você garimpa, é essa total despreocupação em não se envaidecer com suas pesquisas como se fossem um troféu. Enquanto muitos guardam a sete chaves algum conhecimento, que as vezes por ofício teriam obrigação de compartilhar, você simplesmente e generosamente transborda para quem quiser suas deixas. Lições de um verdadeiro Mestre.

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  5. Rafa,
    Bem entendido que minha questão com o academicismo é de forma e metodologia. Lembre-se que teses acadêmicas em sua esmagadora maioria quase não são lidas por ninguém e morrem já no nascedouro. A banca avalia e a tese some, vai prum limbo destes aí. Para isto aí que eu pesquiso chegar nos livros é fácil (este deve ser o meu segundo livro, espero) pois é só publicar. Para chegar nas escolas é mais difícil porque os filtros são academicistas. Mas é possível que o vírus (publicado, é claro) do mesmo modo que pegou você, rs rs rs rs! possa ir pegando outros pesquisadores que daí, de forma indireta vão fazer a tese, de algum modo, chegar nas escolas. É um processo de formiga este aí – difícil – de quebrar mitos tão arraigados. A gente faz o que pode.

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  6. hum… parece mais do que plausível. o tempo nos há de reforçar a sua hipótese. muito, muito bom.

    agora, a questão: sei que você não gosta dos academicismos, mas tem que avalizar isso aí pra poder chegar nos livro e escolas. como pretende fazer? ou vai deixar pra outro?

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