O Alemão é o campeão!

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O próximo front anunciado

Agora sim: A ficha caiu (e a gente nem havia se dado conta).

Também não é para menos. São tantas emoções que a gente nem teve tempo para juntar as pontas de uma questão tão prosaica: É óbvio que, diante da eminência irrevogável do Brasil promover os dois mais importantes eventos turísticos esportivos de sua história (negativo! A Copa de 50 não conta. Pode dar azar) que alguma medida extremada teria ser tomada. Um choque cultural, de realidade, um ‘freio de arrumação’ costuma ser a única saída numa hora destas.

Bem a opção adotada foi a mais estúpida, a gente já sabe: Uma guerra fake e midiática.

É, portanto já diante da porta arrombada que a gente vai juntando os caquinhos de lucidez para tentar entender para onde afinal está indo este nosso barco. Desviando com dificuldade dos tanques de guerra, dos camburões e das toneladas de maconha que colocaram na nossa frente, quase esfregando na nossa cara a estrondosa vitória da tropas federais.

O papo é velho já, mas esta vocês não sabiam – nem eu : Por pura ironia do destino: O lado mais… complexo do acordo que promete a ‘paz’ no Rio pode ser… Alemão

Was ist den los?

Não conseguem juntar os fatos? Vou puxar pela memória de vocês então,  está bem?

‘Acabei de receber esta declaração assinada pelo Sr. Daume e o Sr. Brundage: “A paz das Olimpíadas foi destruída por um ataque assassino, cometido por terroristas criminosos. Todo o mundo civilizado condena e repudia esse ato de barbárie. Como homenagem às vítimas e em sinal de simpatia pelo destino dos reféns ainda presos, os eventos programados para esta tarde serão suspensos. O Comitê Olímpico Internacional e o Comitê Organizador, juntamente com os participantes, irão realizar um serviço em memória das vítimas na Estádio Olímpico às 10 horas de amanhã, 6 de setembro. Esta cerimônia pretende deixar claro que o espírito olímpico é mais forte do que a violência e o terrorismo.”

Porta-voz das Olimpíadas, Hans Klein, às 4 da manhã de 5 de setembro de 1972.

A operação policial

Como se viria a constatar (depois das Olimpíadas de Munique em 1972), as forças policiais alemãs estavam muito mal preparadas e a situação fugiu do seu controle. Uma tentativa de libertação dos reféns levou à morte de todos os atletas, além de cinco terroristas e um agente da polícia alemã.

Os três terroristas que sobreviveram ao ataque foram encarcerados. O governo alemão federal ficou altamente embaraçado pelo fracasso e pela demonstração de incompetência da sua polícia. A operação foi mal planejada e foi executada por agentes sem qualquer preparação especial.

A idéia da operação era eliminar os terroristas num aeroporto próximo de Munique, o Fürstenfeldbruck. No entanto, os poucos políciais colocados nas torres do aeroporto não tinham capacidade de fogo suficiente para executar a tarefa, não dispunham de comunicações de rádio entre si para coordenar os disparos e foram surpreendidos por um número de terroristas superior ao esperado.

Após um tiroteio que durou 45 minutos, entre a polícia e os terroristas, um dos terroristas decidiu atirar uma granada contra o helicóptero em que se encontravam os reféns, matando os últimos sobreviventes. A divulgação dos pormenores do atentado, seguida atentamente pela mídia internacional, causou um forte abalo na imagem da Alemanha Federal no exterior. Os três prisioneiros não chegaram a ser julgados.

A 29 de Outubro de 1972 foi desviado um avião da Lufthansa por um outro grupo terrorista, sendo exigida a libertação dos três terroristas aprisionados. Curiosamente, entre os passageiros desse misterioso vôo da Lufthansa não havia nenhuma mulher nem criança. Os reféns eram todos homens adultos. Soldados alemães conseguiram libertar os reféns e mataram os sequestradores.

Consequências

Pouco depois do massacre dos atletas, o governo alemão decidiu fundar uma unidade policial contra-terrorista, o GSG 9, para lidar melhor com situações semelhantes no futuro. Esta unidade se transformou num exemplo mundial no combate ao terrorismo.

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Sacaram? Ainda não..Ah, sim! Desculpem. É  que falta a peça principal do quebra-cabeças:

“Brasil e Alemanha firmam acordo de cooperação para a Copa e Olimpíadas”

Qui, 03 de Dezembro de 2009 14:24
Presidente Lula se reuniu com a chanceler alemã Angela Merkel nesta quinta-feira

O Brasil e a Alemanha firmaram nesta quinta-feira (3) acordo de cooperação para a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O acordo prevê a ampliação e a modernização da infraestrutura brasileira, e a transferência de experiência na área de segurança pública, adquirida pela Alemanha com a realização da Copa de 2006.

“Nós vamos ensinar o que o Brasil quer aprender. É importante que haja uma cooperação entre os torcedores e a polícia”, destacou a chanceler alemã Angela Merkel em entrevista coletiva após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ela disse que os policiais de todos os países que participaram da Copa de 2006 foram à Alemanha dar apoio à segurança do evento. Segundo ela, a medida facilitou o contato com os torcedores. A chanceler alemã citou ainda a transmissão dos jogos em telões montados nas ruas das cidades que sediaram o evento, o que poderia ser feito também no Brasil.

O presidente Lula admitiu “problemas gerados por questões sociais”, mas defendeu o Brasil como sede da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Ele atribuiu à “índole extraordinária do povo brasileiro” o sucesso da Copa, mas advertiu que o resultado da partida final pode causar “um probleminha” em matéria de segurança.

“Nós temos o trauma de 1950, quando ganhamos de todo mundo, mas perdemos do Uruguai na final. Se a gente estiver em situação boa, estiver na final e perder, não sei como o torcedor vai se comportar”, brincou o presidente.

Informações atuais sobre as relações bilaterais Brasil – Alemanha

“As relações Brasil-Alemanha estão amplamente consolidadas nas áreas política, econômica, cultural e social. Elas se baseiam em valores comuns e opiniões conjuntas sobre questões internacionais. No plano de ação da parceria estratégica conjunta alemã-brasileira (maio de 2008), ambos os países assinalaram sua decisão de continuar ampliando a cooperação bi- e multilateral. Estas relações estão intercaladas na parceria estratégica entre a União Européia e o Brasil.

(Dois ítens chave para se entender a questão do acordo Brasil-Alemanha para a segurança pública da Copa de 2014)

2 – Memorando de Entendimento entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Federal da Alemanha sobre Cooperação Econômica, sobretudo nos Domínios da Infraestrutura e da Segurança, com Vistas à Copa do Mundo Brasil, em 2014, e aos XXXI Jogos Olímpicos e XV Jogos Paraolímpicos no Rio de Janeiro, em 2016;

4 – Declaração Conjunta de Intenções sobre Cooperação em Matéria de Segurança Pública entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Federal da Alemanha;

Juntaram os fatos?

Isto mesmo. Existe muita mais coisa envolvida nesta Guerra do Rio do que imaginávamos. E nem adianta espernear, fugir pelo esgoto, rezar. Estamos irremediavelmente engolfados por interesses muito além daqueles que regem a nossa prosaica – apesar de violenta – vidinha de cidade sul americana.

É provável supor inclusive que os interesses econômicos espetaculares envolvidos vão forçar a eclosão de um paradigma, de uma mudança radical dos modos de ser de nossa cidade, para o bem ou para o mal. (O problema é que se for para o mal – como, infelizmente acreditamos que será – mergulharemos numa era de incertezas sem saídas previsíveis). Não há jeito de escapar:

A Copa do Mundo  e os Jogos Olímpicos – os próximos seis anos, para resumir – serão decisivos para as nossas vidas. A discussão será interminável. Cada vez mais assuntos relacionados à Copa e aos Jogos Olímpicos dominarão o nosso dia a dia sem que nenhuma posição conclusiva possa ser estabelecida sobre este assunto antes de 2016.

Eu de minha parte, enquanto niilista assumido e inconformado, gostaria de chamar a atenção de todos para a necessidade de se lutar – já, imediatamente e sob as formas que se fizerem necessárias- contra o inevitável cerco que, sob a máscara cínica da ‘pacificação’ as populações periféricas à área dos jogos sofrerão notadamente aquelas que habitam os chamados complexos de favelas próximos às linhas Amarela e Vermelha, vias de acesso essenciais ao livre fluxo de turistas estrangeiros.

Não é difícil se observar que, ao que tudo indica, já está em pleno curso esta sujeição a que parte da população da cidade do Rio de Janeiro estará cada vez mais submetida. Já se pode apreender isto, as linhas de comando, aqui e ali no conteúdo cifrado dos discursos da autoridades.

A imposição nestas comunidades de regras militares de convivência típicas de cidades sob estado de sítio, com todas as implicações sociais, culturais e políticas que isto pode significar, sob o pretexto de impedir a volta das gangs de traficantes é uma realidade que, ao que parece é irrevogável em médio prazo. Apenas os ingênuos mais renitentes e os cínicos – que são muitos por aqui, infelizmente – podem supor que os avassaladores interesses envolvidos serão desviados de sua rota a fim de se adequarem às não menos avassaladoras necessidades sociais destas comunidades.

O mais inquestionável argumento contra a falácia de que ‘depois da invasão virão as políticas públicas’ é de uma obviedade constrangedora: Os recursos supostamente disponíveis para as tais políticas públicas que ‘viriam’ estão já, totalmente comprometidos com os planos de implantação de uma infraestrutura para os jogos (estádios, vias públicas, vila Olímpica, reforma e expansão da rede de hotéis, transportes e – com a máxima ênfase –  segurança pública).

A opção já foi feita. As autoridades responsáveis por toda esta iniquidade anunciada foram (re) eleitas pelo povo, que exerceu o seu cinismo, seu oportunismo ou ingenuidade a tempo e a hora. As máscaras, portanto cairão, mas a Inês deste caso já está morta. A sorte, portanto, já está lançada.

É sob esta linha de raciocínio que sugiro que se inicie logo um debate que proponha alternativas para conter esta crescente onda de militarização de nossa vida pública – o advento de um Estado PolicialMilitar – com parte de nossa população (cerca de 1/3) passando já agora a estar submetida ao que podemos chamar de ‘Ditadura Militar Seletiva’, já que parte das comunidades ditas faveladas estarão dominadas – no mínimo até 2016 – pelo exército e forças policiais, enquanto que uma outra parte já está controlada por milícias armadas que são, do mesmo modo, micro-estruturas ditatoriais militarizadas.

Eu sei. O individualismo é a regra chave de nossa sociedade. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. É exatamente por isto que chegamos ao ponto em que estamos, mas é bom frisar que a omissão destes 2/3 da população abrigados – e neste sentido cúmplices – pelos eventuais benesses destes interesses e vantagens trazidos pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos, vai trazer com toda certeza amargas consequências para o futuro próximo de toda a cidade.

‘Não existe almoço grátis’ ‘Deus não dá asa à cobra’.

Spírito Santo/ Dez 2010

(Informações sobre o acordo Brasil-Alemanha repassadas por Ras Adauto- Berlin)

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~ por Spirito Santo em 12/12/2010.

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