Manuel Casttels e a era da intercomunicação

Mordendo o pé da ‘contra mídia’, quem cochicha rabo espicha

 

“Caro Spirito Santo deixo-te este artigo de Castells, talvez aí nos compreenda:”

Sergio José Dias

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Anti hegemonia, se for à vera – como banana bem descascada – engorda e faz crescer.

Recebo esta prosaica mensagem aí de cima, originada ao que me consta, de um blog petista (ligado ao Movimento Negro) – um tanto fundamentalista por sinal a julgar pela grossura de sua verve editorial que vocês podem conferir neste link. A mensagem me vem a guisa de um comentário a este post que acabo de escrever sob o eventual aparecimento de uma estranha onda de ‘Contra Mídia’ no Brasil, com uma ainda embrionária, embora já preocupante tendencia para  um radicalismo proselitista, bem parecido, na intenção expressa – pelo menos para mim –  com fascismo do Estado Novo e outros velhos fascismos de ocasião.

Não faço ainda ideia de quem é a pessoa que tomou a decisão de mandar isto para mim (Sergio José Dias), ainda mais por meio deste modo inviesado, transverso. O fato de ser pessoa ligada ao Movimento Negro me constrange um pouco também.

É que nesta hora me dou conta do quanto esta corrente política fundamentalista que tento denunciar (quase bradando no deserto, reconheço) avançou no seio do Movimento Social do Brasil, a ponto de até eu, que sempre me vangloriei de ter estado nesta luta por tanto tempo, ter de me opor a este pessoal que, sei lá se por ingenuidade política ou por convicção ideológica, decidiu se atrelar a este proselitismo que tanto condeno.

È aquela história: Gente teimosa rema contra a maré. Às vezes chega à frente, às vezes se perde no mar.

Mas com tudo isto eu acho que, no fundo é bom sinal.  O tema central de nossas indagações é exatamente este: Como se comportam vias e canais  alternativos (transversos) de mídia, meios de formação de opinião enfim, hoje em dia, no contexto de uma sociedade ainda aturdida com a acachapante hegemonia de um sistema econômico baseado no lucro desmedido, que provoca uma espécie de crise de identidade político cultural, talvez ainda sem precedentes em nossa história.

Um ‘freio de arrumação’ que reconfigura em campos agora ambíguos (e não mais propriamente opostos), por exemplo, a Cultura Popular e a Cultura de Massa, a Democracia real e a Democracia Formal, as Grandes potências e as Pequenas Potências, num confuso souflê de conceitos, ‘prato-feitos’ para  boas teses, mas também para muitos aventureirismos sociais e políticos de ocasião.

(Talvez esteja nos faltando mesmo um conjunto de ideias adequado a estes novos turbulentos tempos).

Junto da lacônica e insinuante apresentação do destinatário (sugerindo leve e educadamente que fui eu que não entendi o espírito, o verdadeiro sentido ‘positivo’ deste ‘Forum de Mídia Livre’ do MinC) recebo a interessante e essencial matéria de Manuel Castells que com muito prazer reproduzo a seguir.

O mais curioso disto tudo – e neste caso sugiro que os amigos que não leram antes, leiam agora a matéria que suscitou esta ‘recomendação‘ a mim enviada pelo, imagino, jovem negro petista – é que o texto de Castells é muito bom mesmo e bastante pertinente para o caso (talvez o melhor a que tive acesso no ensejo de tocar nesta questão).

É bastante surpreendente para mim, portanto – e por certo o será para alguns leitores – como uma ideia justa e claramente exposta como esta de Castells, termina sendo manipulada e distorcida a ponto de passar a significar, exatamente o contrário daquilo que o autor pretendia que ela significasse.

Vejam como é assustador – e as pessoas, não sei por que, demoram demais a se dar conta disto – quando idéias como estas passam a embasar a estratégia de campanhas de propaganda política ou programas de aliciamento de adeptos e simpatizantes de uma corrente partidária qualquer, quando passam a servir enfim, a objetivos um tanto obscurantistas, antidemocráticos em suma,  bem diversos dos ventos de democratização da cultura e da livre circulação da informação, no sentido amplo e irrestrito que Castells tão brilhantemente nos sugeriu em seu texto.

Vejam como, ao que tudo indica, acontecendo agora mesmo diante de nossos olhos, o indefectível ‘jeitinho‘ brasileiro vai transformando em artifício perverso também as nossas maneiras de ler o mundo e o país. Contrapondo maniqueístamente, em campos de guerra, a Mídia empresarial e a Contra informação populista (quase fascista, pois) manobrada pela cabeça de sabe-se lá que deformadores de opinião, a luz sabe-se lá de que interesses, gente que artificiosamente, capciosamente, com o pretexto de democratizar os meios de informação, vai tornando toda a informação disponível, venenosa e propositalmente vulgar, primária, para enfim, pela reiteração de mentiras deslavadas, manter-se ou perpetuar-se no poder.

Se quiserem discordar discordem, é claro, mas não deixem de ler com toda atenção as entrelinhas do texto de Castells bem como os links dos blogs petistas desta ‘Contra Mídia’, links que disponibilizo aqui e na outra matéria citada, neles observe as recorrentes e grosseiras e distorções das idéias sobre ‘Mídia Livre’, tornadas por estes grupos palavras de ordem virulentas, que qualquer um pode observar por aí, sendo trombeteadas aos quatro ventos como verdades ‘absolutas’ – dogmáticas, religiosas quase – nos bate papos e posts de sites de relacionamento como o Facebook, por exemplo.

Observe sobretudo – uma curiosidade que só me ocorre agora – que ‘independente, palavra chave de nossa questão, de modo sintomático,  quase nunca aparece nestes blogs petistas, que nos bombardeiam com sua propaganda).

Ao que tudo indica, este (para usar um conceito que, infelizmente vai se tornando muito corriqueiro entre nós) fundamentalismo político-evangélico que nos espreita,  já vai mostrando as suas unhas pouco polidas há algum tempo, sem que a gente dele se apercebesse. Ele parece se basear em princípios e leis da propaganda básicos e não muito complexos (já disse: Golbery os chamava de ‘Propaganda subversiva Adversa’), mas não são de modo algum uma obra de amadores e muito menos de intelectuais e políticos ingênuos.

Talvez seja por isto que Manuel Castells, o comunicador libertário vem sendo tão lido, para ser depois desdito, desconstruído e posto às avessas como uma invenção maquiavélica do Grande Irmão do Orwell, mostrando na Teletela uma ilusão qualquer, falsa sim, mas que como uma droga poderosa – um ‘crack’ virtual , ópio do povo – serve para incendiar e congregar as massas contra o que o Poder de plantão julgar ameaçador à sua hegemonia.

Mídia ‘Livre’… porém bem dirigida. Quem se importará?

(Nossa! Sem exagero: como o 1984 do George explica bem este momento.). Vamos ao Castells então que é melhor:

Spírito Santo
Outubro 2010

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Manuel Castells
(Extraído de Le Monde diplomatic)

(Os grifos são meus)
Tradução: Márcia Macedo

“Por que os blogs, o RSS e outras tecnologias podem mudar os padrões de informação com que a humanidade se acostumou há séculos. O que isso tem a ver com a crise da política tradicional e a possibilidade de uma alternativa” [1]

Manuel Castells

“A informação e a comunicação sempre foram vetores dos poderes dominantes, dos poderes alternativos, das resistências e das mudanças sociais. O poder de influência sobre o pensamento das pessoas – que é exercido pela comunicação – é uma ferramenta de resultado incerto, porém fundamental. É apenas através do exercício da influência sobre o pensamento dos povos que os poderes se constituem em sociedades, e que as sociedades evoluem e mudam.

A repressão física ou mental é certamente uma importante dimensão do poder dominante. No entanto, se um povo modifica radicalmente seu modo de ver as coisas, se ele passa a pensar de maneira diferente e por si mesmo, não há poder que possa se opor.

Torturar um corpo é bem menos eficaz do que moldar um pensamento. Eis o motivo pelo qual a comunicação é a pedra de toque do poder. O pensamento coletivo (que não é a soma dos pensamentos individuais em interação, mas sim um pensamento que absorve tudo e é difundido por toda a sociedade) se elabora na comunicação. É da comunicação que vêm as imagens, as informações, as opiniões e é por meio desses mecanismos de comunicação que a experiência é divulgada e transmitida ao coletivo/na coletividade.

Tudo isso se aplica fortemente em nossas sociedades, no seio das quais as redes de comunicação atravessam todos os níveis, do global ao local e do local ao global. Conseqüentemente, as relações dentro do poder dominante, elemento que constitui toda e qualquer sociedade e determina suas evoluções, são cada vez mais elaboradas na esfera da comunicação.

Mídia é poder, mas manipulação tem limites

Na sociedade contemporânea, a política depende diretamente da mídia. As agendas do sistema político e mesmo as decisões que dele emanam são feitos para a mídia, na busca de obter o apoio dos cidadãos ou, pelo menos, atenuar a hostilidade frente às decisões tomadas.

Isso não quer dizer que o poder se encontre incondicionalmente nas mãos da mídia, nem que o público tome posições em função do que é sugerido pela mídia. Pesquisas em comunicação mostraram há muito tempo até que ponto o público é ativo e não passivo.

Além disso, os meios de comunicação possuem, internamente, sistemas que controlam sua capacidade de influenciar o público, pois antes de qualquer coisa, eles são empresas submetidas aos imperativos da rentabilidade e precisam ter audiência ou estender sua difusão. Em geral, eles são diversificados, competitivos, e devem ter tanta credibilidade quanto seus concorrentes. Eles frequentemente se impõem outras restrições, no que diz respeito à ética profissional ou jornalística (mediadores, conselhos de ética, etc.). Um meio de comunicação não é, portanto, algo fadado a distorcer ou manipular informações.

No entanto, precisamos focar nossa atenção nas tendências. O jornalismo militante, ideológico, a mídia engajada, por exemplo, foi durante muito tempo tido como uma mídia sem a qualidade da «objetividade» — logo, sem consumidores. Os jornais que se denominam «órgãos de partido» praticamente desapareceram ou enfrentam graves crises de distribuição.

No entanto, a situação começa a mudar: o militantismo ou engajamento ideológico pode se tornar um modelo altamente rentável. Por exemplo, a Fox News, uma das principais redes de televisão dos Estados Unidos (filial da News Corp, que pertence a Rupert Murdoch), conquistou uma grande parte da audiência conservadora norte-americana ao defender, sem a menor preocupação com a objetividade, as teses dos neoconservadores favoráveis à invasão do Iraque, em 2003.

A segunda tendência que pode ser observada atualmente está na perda da autonomia por parte dos jornalistas profissionais com relação aos seus empregadores. Nesse âmbito joga-se boa parte do complexo jogo das manipulações midiáticas.

Um estudo recente procurou explicar que, em meados de 2004, 40% dos norte-americanos ainda acreditava que o Sadam Hussein e a Al Quaeda trabalhavam lado a lado e que Saddam possuía armas de destruição em massa no Iraque. Isso um ano depois de o contrário ter sido provado. Esse estudo enfatiza as ligações entre a máquina da propaganda do governo Bush e as produções do sistema midiático.

Quando a omissão é a arma decisiva

No entanto, isso tudo é apenas a ponta do iceberg, pois a maior influência que a mídia exerce sobre a politica não é proveniente do que é publicado, mas do que não o é: de tudo o que permanece oculto, que passa desapercebido. A atividade midiática repousa sobre uma dicotomia: algo existe no pensamento do público se está presente na mídia. O seu poder fundamental reside, portanto, na sua capacidade de ocultar, de mascarar, de omitir.

A necessidade de algo ter de existir na mídia para existir politicamente induz uma relação orgânica à linguagem midiática, encontrada tanto na televisão quanto no rádio, na mídia impressa ou na internet. Os meios de comunicação em massa fazem uso de um jargão específico que não chega a ser um dialeto próprio, mas algo semelhante.

A mensagem midiática mais simples e também a mais poderosa é a imagem. E o rosto é a mensagem mais simples que a imagem pode transmitir. Sendo assim, existe uma ligação orgânica entre a midiatização da política, a personalização da mídia e a personalização da política. A partir do momento em que se passa a cultivar uma vida política baseada em querelas pessoais e de imagem ou em manipulações midiáticas, os programas de governo perdem sua importância, pois ninguém se refere a eles e os cidadãos não lhes dão mais importância (com toda a razão).

O triunfo da «personalização» da política reside no fato de que a forma mais convincente de combater uma ideologia passa a ser o ataque contra a pessoa que encarna uma mensagem. A difamação e os boatos tornam-se uma arte dominante na política: uma mensagem negativa é cinco vezes mais eficaz do que uma mensagem positiva. Todos os partidos utilizam essa estratégia: eles manipulam e até mesmo fabricam informações. E não é a mídia quem cuida disso. Esse trabalho cabe aos intermediários, às empresas especializadas.

O resultado é uma ligação direta entre a «midiatização» da política, sua personalização e a difamação ou a prática do escândalo político, cuja banalização acarretou, nos últimos quinze anos, assassinatos de pessoas eleitas, crises de governo e até mesmo de regime político.

Isso nos leva à atual e profunda crise da legitimidade política em escala mundial, uma vez que há uma ligação forte e evidente, mesmo não sendo exclusiva, entre a prática do escândalo, a midiatização exacerbada da cena pública e a falta de confiança por parte dos cidadãos no sistema. Essa desconfiança pode ser ilustrada por uma pesquisa feita pelos serviços da Organização das Nações Unidas (ONU) segundo a qual dois terços dos habitantes do planeta afirmam não se sentir representados pelos seus governantes.

Intercomunicação e crise de legitimidade política

Trata-se, então, de uma crise de legitimidade. Mas embora o mundo afirme não ter mais confiança nos governos, nos dirigentes políticos e nos partidos, a maioria da população ainda insiste em acreditar que pode influenciar aqueles que a representam. Ela também crê que pode agir no mundo através da sua força de vontade e utilizando seus próprios meios. Talvez essa maioria esteja começando a introduzir, na comunicação, os avanços extraordinários do que eu chamo de Mass Self Communication (a intercomunicação individual).

Tecnicamente, essa Mass Self Communication está presente na internet e também no desenvolvimento dos telefones celulares. Estima-se que haja atualmente mais de um bilhão de usuários de internet e cerca de dois bilhões de linhas de telefone celular. Dois terços da população do planeta podem se comunicar graças aos telefones celulares, inclusive em lugares onde não há energia elétrica nem linhas de telefone fixo.

Em pouco tempo, houve uma explosão de novas formas de comunicação. As pessoas desenvolveram seus próprios sistemas: o SMS, os blogs, o skype… O Peer-to-Peer ou P2P torna possível a transferência de qualquer dado digitalizado. Em maio de 2006, havia 37 milhões de blogs (em janeiro de 2006, havia 26 milhões). Em média, um blog é criado por segundo no mundo, o que significa 30 milhões por ano…55% dos blogueiros continuam a alimentar seus blogs até 3 meses depois deles terem sido abertos. A quantidade de blogueiros é 60 vezes maior do que era há seis anos. E ela dobra de seis em seis meses.

Como, no início, a língua inglesa era o idioma dominante na internet, atualmente, mais de um-terço dos sites da web são em inglês. O chinês vem em seguida, depois o japonês, o espanhol, o russo, o francês, o português e o coreano… O que realmente importa não é tanto a existência de todos esses blogs, mas a ligação que há entre eles, e o que eles condensam e difundem com a totalidade de interfaces comunicacionais (esta interligação é viabilizada pela tecnologia RSS.

A Mass Self Communication constitui certamente uma nova forma de comunicação em massa – porém, produzida, recebida e experienciada individualmente. Ela foi recuperada pelos movimentos sociais de todo o mundo, mas eles não são os únicos a utilizar essa nova ferramenta de mobilização e organização. A mídia tradicional tenta acompanhar esse movimento e, fazendo uso de seu poder comercial e midiático passou a se envolver com o maior número possível de blogs. Falta pouco para que, através da Mass Self Communication, os movimentos sociais e os indivíduos em rebelião crítica comecem a agir sobre a grande mídia, a controlar as informações, a desmentí-las e até mesmo a produzi-las.

Reaberta a batalha mais antiga da História

O movimento altermundialista contra o capitalismo global, com toda a sua diversidade, utiliza há muito tempo a internet e todos os recursos da Mass Self Communication – não só como ferramenta de organização, mas também como um espaço para debates e intervenções. Também foi desenvolvida por esse mesmo meio uma capacidade de exercer influência sobre a mídia dominante, passando pela Indymedia ou uma série de outras redes alternativas e associativas.

A constituição de redes de comunicação autônomas chega também aos meios de comunicação mais tradicionais. As televisões de rua e as rádios alternativas – como a TV Orfeo em Bolonha, a Zaléa TV em Paris, a Occupen las Ondas em Barcelona, a TV Piqueteros em Buenos Aires – e uma enorme quantidade de mídias alternativas, ligadas em rede, formam um sistema de informação verdadeiramente novo.

Mesmo o ex-presidente dos Estados Unidos, Albert Gore, aderiu a essa tendência, criando sua própria rede de televisão, na qual atualmente cerca de 40% do conteúdo é alimentado pelos telespectadores. As campanhas presidenciais também se renderam à influência desse novo meio de comunicação. Por exemplo, em 2003-2004, a candidatura de Howard Dean não teria decolado se não fosse a sua capacidade de mobilização por meio da internet .

Em segundo lugar está a «mobilização política instantânea», via telefone celular, que aparece há dois anos como um fenômeno decisivo.  Essa «onda» mobilizadora, apoiada por redes de comunicação entre telefones celulares obteve efeitos impressionantes na Coréia do Sul, nas Filipinas, na Ucrânia, na Tailândia, no Nepal, no Equador, na França… Pode obter um efeito imediato, como em abril passado na Tailândia, com a destituição do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra pelo rei Bhumibol Adulyadej. Ou na Espanha, com a derrota, nas eleições legislativas em março de 2004, do Partido Popular de José Maria Aznar. A suspeita de que as autoridades estivessem manipulando informações, com o intuito de atribuir ao ETA a culpa pelos atentados em Madri, fez com que uma infinidade de mensagens circulasse pelos telefones celulares. Isso resultou na organização de uma enorme manifestação, em um dia no qual, teoricamente, devido ao choque e ao luto, seria impossível falar sobre política.

Isso não quer dizer que tenhamos de um lado a mídia aliada ao poder, e de outro, as Mass Self Media, associadas aos movimentos sociais. Ao contrário: cada uma opera sobre uma dupla plataforma tecnológica. Mas a existência e o desenvolvimento das redes de Mass Self Communication oferecem à sociedade maior capacidade de controle e intervenção, além de maior organização política àqueles que não fazem parte do sistema tradicional.

Neste momento em que a democracia formal e tradicional está particularmente em crise, em que os cidadãos não acreditam mais em suas instituições democráticas, o que percebemos diante da explosão das Mass Self Communications assemelha-se à reconstrução de novas formas políticas, mas ainda não é possível dizer no que elas resultarão.

No entanto, de uma coisa podemos ter certeza: a sorte da batalha será jogada no terreno da comunicação, e terá peso a nova diversidade dos meios tecnológicos. Sem dúvida, essa batalha é a mais antiga de toda a história da humanidade. Desde sempre, ela visa à liberação de nosso pensamento.

Tradução: Márcia Macedo

Publicado originalmente no Le Monde diplomatic

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~ por Spirito Santo em 25/12/2010.

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