Ô ‘Escurinho’ Ziraldo… que merda é essa?

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Camisetas Ziraldo Fotocolagem de Spírito Santo

Eureca! Gilberto Freire é Flicts.

Escurinho  e direitinho como é (seria o sol de Caratinga?) o festejado cartunista Ziraldo Alves Pinto devia estar se achando um magnânimo caucasiano quando desenhou a camiseta deste bloco aí de cima , se declarando numa nota, franco defensor da tese do jornalista neo-racista Ali Kamel que prega que nós, os brasileiros “Não somos racistas”.

(O desenho do Ziraldo é o de baixo, o de cima é uma traquinagem minha mesmo)

“Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma neguinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista” (Ziraldo, explicando o conceito da camiseta)

Ora, nada mais irritantemente racista do que este sofisma cínico. Se não fôssemos racistas – ou se, pelo menos não houvesse alguma controvérsia a respeito – não seria necessário ficar negando isto assim, tão insistentemente, a toda hora com estas já tortas e roucas trombetas de Apipucos.

(Ou bem não se sabe o que é racismo ou não se tem espelho em casa: das duas uma)

Onde há fumaça (pode até ser um prosaico churrasco) e cheiro de queimado – óbvio – há fogo. A melhor solução é apagá-lo, controlá-lo e não fingir que o incêndio – ou o churrasco – é na casa do vizinho e não nos diz respeito.

Parece conversa de gente temerosa de que, ao perder os anéis o populacho em fúria lhes leve também os dedos. Como aristocracia com culpa no cartório ouvindo a ‘Marselhesa’ tocando no rádio ao longe e já de pernas bambas, diante dos pesadelos dando o trailer estrelado pela lâmina fria da guilhotina.

Calma gente! Calma Ziraldo! Na boa.

Não é, mas se fosse para nós, os supostamente ‘poucos‘ negros ressentidos deste país, sairmos por aí de catanas em riste, cobrando os nossos históricos direitos, na marra, você Ziraldo, escurinho como é, entraria nas cotas e por certo escaparia.

…Mas isto já é outra história (é que me esqueci até que já é quase Carnaval)

Die farbe von Herr Müllman

Está bem vou fazer de conta então que sou um destes gringos recém chegados para o ‘tríduo momesco’ (o enredo é bem batido e recorrente, vou logo avisando. Até eu, carnavalesco apenas de plantão, devo confessar.)

O gringo (vamos chamá-lo de Herr Müllman, está bem ?) desembarca e dá logo de cara com  com uma camisa destas aí, do bloco ‘Que Merda é Esta’ (e ele mesmo, surpreso se pergunta):

_”Was ist diese cheise?”

O que ele deduz da imagem? Ah! É claro que ele tira a conclusão mais simples deste mundo (e nisto o Ziraldo é fera, tremendo comunicador): Um coroa branco, sessentão, de terno e gravata, abraçado à uma jovem negra…desculpem, ‘mulata’… seminua significa o que? Que o Brasil é a terra da mais pura sacanagem, claro! Do Turismo Sexual mais deslavado e que o nosso mètier cultural mais especializado é a prostituição, sendo que neste particular as nossas negras…desculpem, as nossas ‘mulatas’…são as mais supimpas prostitutas.

Peguei pesado? Patrulhei o cara? Ta bom. Me dêem então uma tradução menos semiótica, mais inofensiva para o prosaico desenho dele.

E saibam que não me custa nada ponderar minhas colocações: Mark Twain, por exemplo, para mim não era racista coisíssima nenhuma quando escrevia nigger em seus romances. Quem chamava os negros da América assim, cheios de ódio eram os racistas do Sul. Mark Twain, minha gente – se liga, rapaziada! – criava personagens, nos contava com muita verve e picardia como eram as coisas naqueles tempos ainda de escravidão. Não se pode condenar o mensageiro pelo lado detestável da má notícia. Vivo repetindo isto por aí.

Lembrem-se: O Brasil é que era _ e é racista _ o Picapau do Sítio do Lobato não era branco nem negro: era amarelo.

É duro repetir tudo de novo, malhar o ferro frio da ignorância, da preguiça mental de gente digna da sapiência rala de verdadeiros Jecatatus.

Daí vem uns e outros – não se sabe se ingênuos ou maliciosos – naturalmente macaqueando o caso do Mark Twain – dizendo: _”Monteiro Lobato era racista!” _”Monteiro Lobato era racista!” só porque o escritor, de algum modo símbolo de minha – e talvez até da sua – infância, da infância de tanta gente enfim, colocou na boca de um personagem seu a palavra ‘Macaca’ (se referindo à Tia Anastácia).

Monteiro Lobato já morreu. Quem manda aqui sou eu… ou seja, nós todos, livres para lê-lo ou não lê-lo ao nosso bel prazer.

Menos detratores! Menos aprendizes de censores! É do que a literatura – e a cultura – brasileira mais precisa. Quem sabe aí que Monteiro Lobato, em certa época, foi o único admirador e incentivador do grande escritor negro – e anti-racista – Lima Barreto? Lobato se tornou o editor de Lima, se transformando no principal responsável pela nossa posteridade conhecer a vigorosa obra de um dos nossos maiores romancistas.

(E aqui num parentese essencial Ana Maria Gonçalves meio que me repreende respondendo a um comentário meu a um texto bem bacana que ela fez – e super lido na rede –  sobre o mesmo assunto- leia no link– ) Bem, a controvérsia é tão instigante que, se você leu a Ana Maria antes de ler este post aqui,  me fará a gentileza de ler o comentário que fiz lá,  respondendo ao pertinente questionamento dela)

“Ana,

Nem sei se você vai chegar a ler este comentário de tantos que este excelente post seu gerou. O fato é que vim aqui após um dos seus leitores ler um post meu sobre este mesmo assunto e me linkar com o seu.

Brilhante. Confesso que fiquei bastante tocado com as cartas de Lobato e o seu racismo orgulhoso. Receio até que o seu leitor me tenha linkado aqui por conta da defesa que fiz do direito de Monteiro Lobato de ter aquelas odiosas opiniões racistas que tinha, defesa a qual, mesmo profundamente tocado pelas suas informações eu reafirmo.

É que não considero seguro promover nenhum tipo de censura oficial, formal, institucional de qualquer opinião, seja ela qual for. São muitos os fatores envolvidos neste tipo de decisão e as informações odiosas contidas nos livros de Lobato (e não estou falando das crianças que o leram ou lerão) precisam existir também, a elas precisamos ter amplo acesso também para formarmos juízo de valor, inclusive, contra o veneno contido nelas.

Não concordaria, por exemplo que o desenho não menos odioso da camiseta do Ziraldo fosse pribido pela censura (como a palavra ‘merda’ contida nela foi). Do mesmo modo acho justamente condenável o que ele e o pessaol do Pasquim fizeram censurando e cometendo o assassinato cultural do Simonal.

O que eu gostaria mesmo é que as crianças do Brasil se vissem livres das eventualmente perniciosas idéias racistas contidas na obra de Monteiro Lobato, por conta da consciencia de todos nós, educadores e não educadores, na crença de que ele precisa ser lido, contextualizado e criticado, inserido enfim num processo educacional no qual todos possam aprender a ser livres para discernir, até poderem decidir se serão racistas ou não, progressistas ou não, segundo a sua própria consciencia.

Acho que a luta certa esta um pouco além de apenas suprimir o outro por algum tipo de força coercitiva.

Abs

E cá entre nós: mesmo sem saber muito sobre estas coisas, qual é o problema se relativizar isto tudo, pessoal? Pesar direito as sutilezas sórdidas de nosso racismo falsamente cordial? O simplismo, a impropriedade deste conceito tacanho de racismo que professam muitos negros e simpatizantes da luta anti-racista no Brasil, com esta meticulosa cata de ‘pelo em ovo’, este eterno buscar de ‘chifre em cabeça de cavalo’ é que acoberta, autoriza que o verdadeiro racismo viceje e prolifere (como este venenoso, dissimulado e virulento racismo direitista de Ali Kamel & Cia.)

Racismo não é uma bobagem. Racismo não é simples nem residual no Brasil. É câncer.

Repararam bem como o veneno pestilento pegou até o suposto ‘gente boa’ do Ziraldo, ‘Tio’ do ‘Pasquim’, ‘pai’ do ‘Pererê’, do ‘Tininim’, falando estas bobagens todas e desenhando estas ofensas tolas e ignorantes por aí, como se fosse a coisa mais inocente deste mundo?

Reparem também _ ô boca, a minha! – a curiosa composição social – étnica, por suposto – do bloco ‘Que Merda é esta?” desfilando por aí esta mensagem racista tão bem dissimulada. Bloco de maioria branca, pessoal. Vou logo dizendo na lata. Um destes blocos ‘de branco’ que pululando por aí, mostram para quem quiser ver o quanto a nossa sociedade ainda está dividida…até mesmo no Carnaval.

Alto lá! Antes de me tachar de ‘racista ao contrário’ (outro sofisma dos neo-racistas) entendam melhor o que digo.

Afinal, o Carnaval é sim democrático. Brancos e negros têm o mesmo direito de brincar nos blocos, patatiti patatá, mas…me expliquem uma coisinha só: como conseguem separar assim tão bem separadinhos tantos brancos num, dois, três, dezenas de blocos na zona sul do Rio? Tá… eu sei…tem um pretinho ou outro por ali, geralmente na bateria, mas qual é ‘véio’? Como conseguem fazer isto? Blocos de maioria esmagadora branca. Blocos de ‘maurícios’ (como disse um irônico amigo meu). Como fazem isto? Carnaval partido assim pode?

Bem sei. São perguntas que se quer calar.

Como estas coisas não são de hoje, me lembrei agora mesmo, no ato, de uma festa do Bonfim em Salvador, Bahia, da qual participei ali por volta dos anos 80…do século passado. Conhecemos na véspera uma rapaziada num botequim da Ladeira da Preguiça. Eram batuqueiros de caminhões. Altos papos, aquela confraternização baiano-carioca boa. Batuqueiros irmãos, por se assim dizer. Nós batuqueiros turistas, sem nada a perder. Não deu outra: Fomos convidados a subir nos caminhões deles na manhã seguinte.

Corremos o cortejo e fomos achando os amigos por ali. Eufóricos nos mandaram subir. Eufóricos subimos. Bem, reparamos que eles estavam atrás de uma corda, mas pensamos, irresponsavelmente:

“_E daí?”

Não houve tempo de dar mais do que umas poucas baquetadas. Uma mal encarada moça fina, nariguda como uma Maria Betânia mais clarinha, toda de branco, com empáfia evidente nos apontou o outro lado da corda.

“_ Como assim?!”_ pensamos de novo, cariocamente.

_”Ali! Ali é que é o lugar de vocês!”_ disse ela sem muita cerimônia.

“_ Atrás da corda?! Porque?! Que pachorra! Somos convidados!”_ pensamos.

(Devíamos ter perguntado a ela: “_Que merda é esta?”)

Descemos revoltados. Entramos em outro caminhão de outros amigos. De novo expulsos. Para encurtar a história, eu e Samuka, meu parceiro, fomos expulsos de três caminhões. No último, antes de descer, só de raiva, chegamos a afrontar uns fortões, maridos, noivos ou namorados das ‘rainhas brancas’ dos caminhões do Bomfim.

Não vi axé nenhum naquilo não.

Exagerei? Viajei, indo até na Bahia? Que nada! Se eu fosse escrever mesmo o que pensei quando vi o desenho do Ziraldo este post ia ficar impublicável.

Ziraldo, o equivocado, o redondamente enganado cartunista nacional, no ímpeto de macaquear Kamel, Freire e Monteiro Lobato (e sua simbólica macaca ‘pós colonial’) no fundo no fundo, pensa que o macaco – ou a macaca – é o outro, e que por isto pode ofendê-lo assim, sem mais nem menos e sem culpas.

Pode não.

E calma aí com a alegoria, pessoal! Neste carro alegórico não tem destaques. Macacos, que eu saiba, somos todos nós.

Sem querer ser grosso (mas já sendo) poderia repetir para o Ziraldo uma frase nada meiga que ouvi de uma moçoila branca destas aí quando eu, ainda um adolescente romântico ousei mandar-lhe um bobo galanteio. Disse ela pra mim, reagindo enojada, cheia de ódio:

_” Tu não se enxerga não, seu macaco?”

… Magoei. Jamais esqueci. Não achei aquilo nada Flicts não.

Spírito Santo
Fevereiro 2011

(Leia também o excelente texto  ‘O racismo de Monteiro Lobato‘ de Alex castro)


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~ por Spirito Santo em 14/02/2011.

9 Respostas to “Ô ‘Escurinho’ Ziraldo… que merda é essa?”

  1. Jana,

    Tá tudo muito bem, mas esta história de ‘censura’ e de achar que quem tenta ponderar esta história do racismo do Lobato quer manter o ‘status quo’ é meio ingênua. É preciso ler todas as entrelinhas. Ninguém precisa ser intelectual para entender que simplismo não ajuda a resolver nada. Quando você, repetindo o Gabriel pensador endossa a frase “aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços” já começa a esbarrar num equívoco clássico. isto não explica o racismo e sobre o foco do racismo, existem sim ‘negros’ e ‘brancos’.

    Pense bem: Se não existem raças como poderia existir mestiços, seres ‘misturados’? Este é exatamente o problema. há algo errado aí com este novo chavão ‘pano-quente’. As pessaos já sabem disto tudo, que não existem raças, mas continuam arranjando uma forma de continuarem racistas ou omissas.

    Bem, no meu caso preferi relativizar o racismo de Lobato (que o foi no remoto passado e até já morreu) para ressaltar o racismo de Ziraldo (que está aí, bem vivo e ativo como formador de opinião)

    A ‘coisa certa’, aquela precisa ser feita logo, pode não ser assim tão simples como alguns parecem imaginar.

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  2. Creio que na Alemanha, aquela da 2ª guerra mundial, muitas pessoas pensavam como Hitler. E o que foi que aconteceu mesmo?
    Que Monteiro Lobato era um racista, isso ficou claro pelas provas históricas e incontestaveis que ele mesmo deixou e que Ana Maria apresentou, que o Ziraldo sempre viu o racismo com uma estranha naturalidade é fato. O que eu não entendo é como em pleno século XXI um assunto (UMA DISCRIMINAÇÃO) que deveria ser sim CENSURADO atrai tantos seguidores e propagadores. Vamos refletir, nada nos impede.
    Somente é claro, a necessidade de se mostrar intelectual e fazer uso de palavras refinadas e parecer ser “o cara”.
    Por favor caros irmãos brasileiros deixemos de servir ao status quo.
    Segue uma música do Gabriel O PENSADOR, para nossa reflexão;
    Racismo É Burrice (nova Versão De Lavagem Cerebral)
    Gabriel O Pensador
    Composição : Gabriel O Pensador

    Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
    “O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar”
    Racismo, preconceito e discriminação em geral;
    É uma burrice coletiva sem explicação
    Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
    Mas demonstra claramente
    Infelizmente
    Preconceitos mil
    De naturezas diferentes
    Mostrando que essa gente
    Essa gente do Brasil é muito burra
    E não enxerga um palmo à sua frente
    Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
    Eliminando da mente todo o preconceito
    E não agindo com a burrice estampada no peito
    A “elite” que devia dar um bom exemplo
    É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
    Num complexo de superioridade infantil
    Ou justificando um sistema de relação servil
    E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
    Não tem a união e não vê a solução da questão
    Que por incrível que pareça está em nossas mãos
    Só precisamos de uma reformulação geral
    Uma espécie de lavagem cerebral

    Racismo é burrice

    Não seja um imbecil
    Não seja um ignorante
    Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
    O quê que importa se ele é nordestino e você não?
    O quê que importa se ele é preto e você é branco
    Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
    Se você discorda, então olhe para trás
    Olhe a nossa história
    Os nossos ancestrais
    O Brasil colonial não era igual a Portugal
    A raiz do meu país era multirracial
    Tinha índio, branco, amarelo, preto
    Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
    Barrigas cresceram
    O tempo passou
    Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
    Uns com a pele clara, outros mais escura
    Mas todos viemos da mesma mistura
    Então presta atenção nessa sua babaquice
    Pois como eu já disse racismo é burrice
    Dê a ignorância um ponto final:
    Faça uma lavagem cerebral

    Racismo é burrice

    Negro e nordestino constróem seu chão
    Trabalhador da construção civil conhecido como peão
    No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
    É revistado e humilhado por um guarda nojento
    Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
    Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
    O preconceito é uma coisa sem sentido
    Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
    Me responda se você discriminaria
    O Juiz Lalau ou o PC Farias
    Não, você não faria isso não
    Você aprendeu que preto é ladrão
    Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
    E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
    Porque se ele passa fome
    Sabe como é:
    Ele rouba e mata um homem
    Seja você ou seja o Pelé
    Você e o Pelé morreriam igual
    Então que morra o preconceito e viva a união racial
    Quero ver essa música você aprender e fazer
    A lavagem cerebral

    Racismo é burrice

    O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
    É o que pensa que o racismo não existe
    O pior cego é o que não quer ver
    E o racismo está dentro de você
    Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
    Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
    E desde sempre não pára pra pensar
    Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
    E de pai pra filho o racismo passa
    Em forma de piadas que teriam bem mais graça
    Se não fossem o retrato da nossa ignorância
    Transmitindo a discriminação desde a infância
    E o que as crianças aprendem brincando
    É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
    Nenhum tipo de racismo – eu digo nenhum tipo de racismo – se justifica
    Ninguém explica
    Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
    Todo mundo que é racista não sabe a razão
    Então eu digo meu irmão
    Seja do povão ou da “elite”
    Não participe
    Pois como eu já disse racismo é burrice
    Como eu já disse racismo é burrice

    Racismo é burrice

    E se você é mais um burro, não me leve a mal
    É hora de fazer uma lavagem cerebral
    Mas isso é compromisso seu
    Eu nem vou me meter
    Quem vai lavar a sua mente não sou eu
    É você.

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  3. Pô, Thiago1

    Que bom que você gostou e entendeu a alma do negócio. Este tema é cabeludo pra caramba, a gente nunca sabe se está vendo ele pela frente ou por trás.

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  4. Vou falar mais aqui de meu encantamento por este tema ser, agora, em nossa época, realmente debatido por dignos pensadores. E com uma toada digna do verdadeiro conceito de civilização, e não a “civilização” que nos extirparam e nos enfiaram pela goela, a fogo, espada, ideologia e cinismo. É um prazer conhecer este espaço Spirito Santo

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  5. Caríssimo Spirito Santo! Valeu pela visita ao Trator Desgovernado e por seu comentário. Respondi lá e respondo aqui: é muito bom encontrar pessoas inteligentes, talentosas e capazes de analisar as coisas de forma lúcida. Obrigada!

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  6. Pois é. refletir é a nossa única saída de túnel com luz no além. A estratégia para esta luta exige, contudo que o sentimento seja transformado em energia medida. Eu, de minha parte prefiro demorar procurando a veia certa para aplicar a agulha mais aguda. É nesta intenção…estratégica… que ando escrevendo muito sobre isto.

    Pelo que percebo, o racismo no Brasil é uma urdidura muito mais complexa do que aparecem nestas denúncias ‘cosméticas’ que a maioria das pessoas faz por aí (Monteiro Lobato, Ziraldo…). Antes de mais nada a gente precisa desmontar toda a máquina, desconstruí-la, como uma bomba prestes a explodir, para depois lançá-la ao mar.

    O fato é que nenhum de nós sabe ainda como fazer isto. temos que aprender juntos. Deixo aqui o link de uma destas minhas tentativas de achar o pino da bomba. Tem muita coisa escrita sobre isto lá. Vou lendo também voce lá no seu blog e a gente vai se falando por aí:

    https://spiritosanto.wordpress.com/2008/09/23/um-dois-feijao-com-arroz/

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  7. Entendi a sua posição, Spirito Santo. Só não estou conseguindo separar o sentimento (o racismo) da pessoa (o racista). Vou pensar. Obrigada pela interlocução.

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  8. Uma moça (Ana Maria Gonçalves) me foi linkada por este leitor no meu blog. Fui lá e comentei o formidável artigo dela. Por incrível que pareça ela, entre 96 comentários para ler, respondeu:

    “Spirito Santo, fui lá ler seu texto também. Mas ainda não consigo defender o direito de ninguém ser racista. Nem na época de Lobato, nem agora. Defender isso não seria aceitar que pessoas continuem sofrendo com o racismo? Ou seja, defender que alguém possa ser racista, não seria defender que ele possa exercer seu racismo? Isso o torna contra ou a favor da lei que criminaliza o racismo?”

    Meu recorte porém é simples: Monteiro Lobato era um escritor racista, Ziraldo é um designer racista, mas não quero e não autorizo nenhuma censura ao trabalho opinativo deles, da mesma forma que não admito censura ao meu, à minha opinião. Isto, é claro, não é uma garantia de que eles podem discriminar e excluir pessoas. As questões que tipificam o crime de racismo precisam ser precisas e objetivas. É preciso ‘fazer a coisa certa’ para não banalizar um direito

    Quero combatê-los de peito aberto e vencê-los. Sem a ajuda de governo algum, de coerção superior alguma. Gosto de ar e de liberdade. Quem for fraco, que se arrebente.

    (Bem…por razões de foro íntimo, Ana Maria Gonçalves me solicitou que a autorizasse a suprimir este comentário de seu blog. Autorizei, é claro.)

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  9. leia o artigo no blog:
    http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php

    abs

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