Brazilian favela News. A feira atropelada

O caveirão vai à feira

Não vi, não sei quem viu, contei de ouvir falar

(O relato – e as fotos que o ilustram – foi escrito, a guisa de protesto por habitantes do Morro do Timbau, no Complexo de favelas da Maré, Rio de Janeiro. Ele descreve um grave incidente ocorrido lá, daqueles que ocorrem todo dia no submundo de nossa (in)segurança pública e nunca chegam aos jornais). A prova dee que ele realmente ocorreu é a narrativa por si mesma. Se você só acredita naquilo que saiu nos jornais, azar o seu. Acredite se quiser.

“Operação da Polícia Militar no Morro do Timbau, no Complexo de favelas da Maré acaba com feira e planta o terror entre feirantes e moradores”

“Na manhã dessa terça-feira, dia 1 de fevereiro de 2011, um blindado da Polícia Militar subiu o Morro do Timbau numa operação equivocada e aparentemente sem visar em momento algum garantia de segurança para as pessoas. O blindado subiu até a Praça mais alta da comunidade e nesta permaneceu até se movimentar e numa manobra desastrada derrubar, um muro.

Houve uma primeira troca de tiros com traficantes e em sua descida o veículo bateu na frente de um carro estacionado no local. Em vez de descer pelo caminho que subiu, o Policiais resolveram descer com o blindado pelo lado da Rua Nova Jerusalém, na qual, todas as terças há anos acontece a feira semanal da comunidade.

Na descida houve novamente uma troca de tiros e moradores e feirantes se esconderam dentro de casas e becos para se protegerem das balas. Mas o blindado desceu rumo à feira e todos tiveram que voltar a rua para ver o que estava acontecendo e tomar pé da situação. Mas os policiais não deram tempo para os feirantes pudessem tirar suas barracas. Os policiais deram ordem para os feirantes retirarem o resto de suas bancas e abrirem o caminho e logo em seguida o blindado abriu fogo em direção aos traficantes localizados em becos para cima do morro.

Assim, a Polícia, em vez de parar o blindado e proteger a Feira e a população, colocou a vida de feirantes e moradores em risco expondo-os no meio do fogo cruzado, coagidos tendo que obedecer às ordens violentas da Polícia de abrir o caminho e com a tentativa de salvar sua mercadoria.

Mas não tiveram a menor chance, pois o blindado avançou desabaladamente, passando por cima de todas as barracas e bancas da feira, derrubando produtos e equipamentos dos feirantes.

Estima-se que o total do prejuízo para os comerciantes esteja em torno de no mínimo R$ 3.000,00. Além de derrubar um muro e quatro carros terem sido perfurados por balas na lataria e nas janelas. Por muita sorte ninguém ficou ferido.

Após o caos deixado pelos Policiais, foram registrados diversos depoimentos dos feirantes”:

“_Sem o tráfico a polícia passa fome, por isso que fizeram isso, não ganharam o dinheiro. Era o que queriam com na operação !”_

“_Falaram se a gente não tirasse eles iam passar por cima, mas eles não deram tempo, o tiro tava comendo, o caveirão entrou e passou levando tudo. Meu prejuizo é de R$ 300,00!_”

“_Simplesmente eles vieram levando tudo, levou barraca ,levou lona, só não perdi mais porque vi eles chegando e tentei tirar o que pude, tenho prejuizo de R$120,00 contando com o meu dia de trabalho e sem contar com o perigo que a gente correu na hora, a gente tirando as coisa e eles atirando!_”

“_30 homens da polícia armados de fuzil e pistola e mais ou menos 50 feirantes com laranjas, verduras e cebola. Isso é um absurdo, perdi de R$ 80 a R$ 100, não só trabalho como também moro aqui, não aguento mais isso. Tem 3 meses que não venho trabalhar e quando chego é isso que acontece_”

“_ Olha minha filha foi bala para todos os lados, eles comecaram atirando estou tremendo até agora, aqui na minha barraca destruiu tudo você pode vê meu prejuizo perdi R$1.500 meu som esta todo quebrado, olha para o homem da barraca de remédios, o da barraca das verduras todos ficaram no prejuízo_”

“_Eu não perdi muita coisa, mas o pior é a falta de respeito, o perigo que todos passamos, toda semana é isso, o horário que a comunidade tá na rua isso acontece_”

Esse texto foi escrito por um grupo de pessoas que estavam no local na hora dos acontecimentos, as fotos tiradas por feirantes. Por questões de segurança todos que contribuíam com esse relato terão a garantia do anonimato.

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~ por Spirito Santo em 25/02/2011.

Uma resposta to “Brazilian favela News. A feira atropelada”

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