Enfim a tchiurma do “Casa Grande” no poder


MinC nas mãos da Turma do Jabá?

(Da série “avisar a gente avisa, né?”)

Pablo Ortellado para o ‘Correio da Cidadania” se referindo a tendencia da “nova” gestão de Ana de Hollanda no MinC, segundo ele aparelhado pela indústria cultural, :

“Mas num exercício de previsão eu diria que, no campo das comunicações, é possível aparecerem problemas na questão da internet. Com os interesses que a ministra já demonstrou representar, das grandes indústrias culturais, em particular a fonográfica, eu esperaria algum tipo de política no sentido de restringir, controlar, a internet, barrando o compartilhamento de arquivos e conteúdos. “

———————-

Nota: Jabá (“jabaculê”) para os íntimos é nome da propina paga ou recebida ‘por debaixo dos panos’ por autores, divulgadores e arrecadadores de direitos autorais na área da MPB desde os anos…sei lá…50.

———————-

Se quiser recapitular leia aqui hoje – o que euzinho já dizia lá atrás (com a mesma ilustração aliás), sozinho, desviando das pedradas até de amigos.

É que cresce a impressão para muitos de que um grupo de artistas da área (MPB) e também do cinema, estão ‘pautando’ as decisões de Ana de Hollanda, visando seus própios interesses privados que envolvem a manutenção das regras atuais regidas pelo Ecad e pela manutenção de privilégios eventuais representados pelo acesso facilitado destas pessoas a certificados de incentivos fiscais na área da Lei Rouanet . Ué? estavam esperando o que para acordar?

Auah, auah, auah! – diria eu rindo por último.

Prendendo o riso um pouco eu, de minha parte, chamaria a atenção dos reclamantes mais desmemoriados para aquela célebre reunião de adesão à candidatura da Dilma no Teatro Casa Grande. O que? Já se esqueceram? Não tem problema. Eu lembro vocês. A foto está bem aí em cima.

Como desconfiar não é acusar e nem é crime, desconfio sim como já desconfiava , e fortemente que os mais adesistas e atuantes na mobilização da classe artística naquele memorável e ‘cívico’ evento estão entre os agora beneficiados pelo MinC. Teria havido algum acordo espúrio em troca de cargos e vantagens justificando aquela ‘ideológica’ e ‘militante’ adesão? É só bater a lista dos poderosos hoje com a lista dos animadinhos de ontem para conferir.

Auah, auah, auah, auah auah! Auah, auah, auah, auah auah! – diria eu soltando o riso desbragadamente agora.

E os presentes ao ato, os pés de chinelo de outrora que acenaram bandeiras vermelhas atrevidas? Pois é, se tornaram em pouco mais de 100 dias os ‘descamisados’ de hoje, preteridos, desconvidados para o butin? O que dirá esta companheirada agora?

Para os ingênuos crédulos petistas, lulistas, ou dilmistas de outrora – aqueles que chamaram os incrédulos de ‘Serristas’ ou ‘direitistas arcaicos’ – para vocês sabidinhos sonhadores que amargam agora o caixa baixo de seu pontinho de cultura, a falta de assunto de seu bloguinho zero-oitocentos, o seu cedêzinho adiado, vocês o pessoal da senzala compulsória enfim, em verdade em verdade vos digo, cheio de moral:

_”Estão reclamando de quê? Agora guenta!”

Spírito Santo

Março 2011

Vissungo: Ou La renaissance nègro-africaine au Brésil


O ‘velho’ Vissungo nas ‘Oropa’

(Matéria em revista suíça: 1989)

Vissungo: Ou La renaissance nègro-africaine au Brésil

Gilbert Ciss

Compose essentiellement de professionnels d’origine africaine donc de “Pretos” comme on dit la-bas; ces musiciens brésillens se sont engagés de par leur musique dans ce combat aujourd’hul général au d. Brésll: Ie combat de l’affirmation et de l’identité de la culture négro•africaine comme partie intégrante de la pluralité culturelle du Brésil.

De la recherche dans les racines africaines, Vissungo pense arriver à imposer une autre vision de cette musique qui a toujours été considérée comme un sous produit culturel. En effet le mot “Preto” (Noir) au Brésil est assimilé a tout ce qui est négatif: vulgaire, grossier, sale, inculte, miséreux, etc… Le groupe tire son nom d’une langue bantoue, l’Umbundo. Vissungo (Chants de travail) a été créé en 1974 a Rio de Janeiro sous l’impulsion de Antonio José do Espirito Santo (42ans)•

Depuis, a leur actif, un travail cultural intense a travers le Brésil, quelques disques et musiques des bandes originales de films tel ce célebre long rnétrage sur I’escIavage “Chico Rei” du cinéaste brésilien Walter Lima Junior. A écouter Ia musique de Vissungo, I’on revit celle du célébre bissau-guinéen Joan Carlos Schwartz, aujourd’hui décédé, ou de l’angolais Bonga, ou encore d’autres du Mozambique, etc…

Venu de Rio de Janeiro en novembre dernier, le Groupe est venu offrir en cette, partie de I’Europe ou s’annonçait la saison froide, ia chaleur tropicale dela renaissance d’une “autre mais identique Négritude.

En concert au Centre International de Vienne (VIC) le 11 novernbre 1988, ces musiciens ont de loin, depar leur modeste contribution, donné de. I’espoir a ces millions d’enfants a travers le monde pour lesquels I’UNICEF se bat sans relãche. La totalité della recette du concert, organisé par le Groupe Africain (African Society) des, Organisations Internationales at Vienne, a été en effet offert a I’UNICEF a travers lIe Comité national d` Autriche

in `Regards Culturels`- Geneve – Mars – Avril 1989

Grupo Vissungo tem crédito ‘garfado’ e protesta!


A página deste site que disponibiliza (à nossa revelia) a trilha sonora do filme Chico Rei (1985) de Walter Lima Júnior traz uma excelente resenha, excetuando-se apenas um equívoco grave: o Grupo Vissungo foi o co-autor da trilha sonora, responsável pela pesquisa, composição e  tratamento (arranjos, fabricação de instrumentos tradicionais, etc.) de toda a parte de música ‘africana’, cabendo à WagnerTiso, exclusivamente a parte de música européia.

As participação de Milton Nascimento foi apenas episódica, cantando duas músicas-tema compostas por Wagner Tiso, do mesmo modo que Clementina de Jesus que participou cantando a introdução de uma música por nós composta e um ponto de vissungo original, também conosco, no que foi o seu derradeiro trabalho em estúdio, sua última gravação.

No caso do disco, o erro foi proposital, pois, se deveu à decisão do produtor de criar – por discutíveis razões mercadológicas – uma espécie hierarquia de créditos que ressaltava as figuras mais famosas da lista de artistas, no caso os nomes de Milton Nascimento e Wagner Tiso.

Outro equívoco grave é que a trilha sonora do filme recebeu dois importantes prêmios internacionais (Bogotá, Colômbia e Ghent na Bélgica) prêmios estes aos quais como co-autores da trilha fazemos jus, embora jamais nos tenham sido entregues ou mesmo a nós informado sobre no que consistiram, se foram medalhas, estatuetas, certificados ou mesmo dinheiro, nada. O certo é que, do mesmo modo que ocorre nesta resenha, a mídia sempre atribuiu, recorrentemente os créditos apenas à Wagner Tiso, o que não é, de modo algum correto.

Esta mesma omissão ocorreu também no Dicionário de Música Popular de Ricardo Cravo Alvin no qual estas mesmas informações faltavam no nosso currículo, e só foram corrigidas após termos alertado os responsáveis.

“Prezado Spírito Santo,

Muitíssimo obrigada por seu contato. É sempre reconfortante poder contar com a participação de todos no sentido da correção de eventuais erros que possamos cometer por conta de informações coletadas em outros veículos. Estou compartilhando sua mensagem com meu supervisor, Ricardo Cravo Albin, e também com os demais pesquisadores que integram a nossa equipe, Paulo Luna, Geralda Magela e Euclides Amaral (um dos quais é responsável pela redação deste verbete), para que o erro seja imediatamente corrigido.

Um abraço,”

Reproduzimos abaixo a única matéria da imprensa que nos deu o crédito merecido:

…”O épico Chico Rei deu continuidade ao projeto de um cinema histórico mais atento às elaborações mitológicas que ao rigor das versões acabadas. Lima Jr. usa a história do primeiro escravo a se tornar dono de ouro no Brasil para investigar as suas próprias raízes negras.

O Grupo Vissungo, em sua fusão de arte e militância, teve papel decisivo na formatação sonora do filme, que ainda mobilizou ícones da música negra brasileira como Milton Nascimento, Clementina de Jesus, Naná Vasconcelos e Geraldo Filme. “Trecho do artigo “um cinema que quer ser música”

de Carlos Alberto Mattos Publicado na revista Veredas (CCBB/Rio, Nov-2000)

Você pode obter mais informações sobre o Grupo Vissungo também na wikipédia neste link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_Vissungo

Gostaríamos, por favor, de ver também desta vez corrigido este equívoco, neste mesmo sentido solicitamos aos amigos que nos ajudem a divulgar esta informação em nome da verdade.

Obrigado

Spirito Santo (Grupo Vissungo)

———————

(Na foto de still de Maria Helena Mattos de Almeida, Grupo Vissungo ensaia cena final do filme ‘Chico Rei’ com congadeiros reais arregimentados pelo grupo em duas cidades do interior de Minas Gerais. Em destaque instrumentos musicais fabricados pelo grupo especialmente para a cena.)