Sacam o filme do Bergman? Será que serpente tupiniquim bota ovos?

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As unhas do racismo do Brasil estão aparecendo. Caraca! Elas são sujas de doer!

O comentário abaixo foi extraído de um destes fóruns de facebook por aí, hoje mesmo. É, pois conversa muito recente. O post no qual ele foi inserido está rolando aí, ao mesmo tempo em que se debate as patuscadas racistas da família Bolsonaro.

Pincei o comentário e inseri meus pitacos isoladamente porque, pelo visto é um pensamento dissimulado, enrustido – o que o faz apavorante – por demais recorrente no comportamento da classe média do Brasil.

Mais que a iniquidade cinicamente expressa assusta também a presunção desta gente de que está realmente certa, de que o que pensa é moderno e inteligente. É assustador concluir que estas pessoas tem nível universitário, foram escoladas, formadas por nossas universidades, muitas têm títulos de mestrado, doutorado, dirigem instituições, comandam políticas públicas…

Ignorância? Estupidez? Como pode acontecer isto? Mama mia!

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Marilia Araujo

OLHA SOU CONTRA AS COTAS SIM. PRA MIM ISSO É UMA FORMA DE RACISMO. SE VC É BOM, NAÕ IMPORTA SE NEGRO, BRANCO, PARDO OU AMARELO.CONHEÇO PESSOAS QUE VIVIAM MAL, SE ALIMENTAVAM MAL E HOJE SAÕ PESSOAS INSTRUIDAS.SE VC FALAR EM COTAS PELA CONDIÇÃO SOCIAL.. AI OK. UMA PESSOA Q NAÕ TENHA GRANA, CONSIGO A COTA,INDEPENDENTE DA COR DA PELE.AI OK, MAS COTA SO PELA PELE,É RACISMO SIM.”

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A oposição entre ‘condição racial’ e ‘condição social’ é um sofisma clássico usado por racistas do Brasil como argumento. Mas é uma falácia que não resiste, contudo ao mais primário dos questionamentos.  Racismo e exclusão social são instancias diferentes de um mesmo contexto. Uma é a corda, a outra a caçamba.

Uma (a condição racial) é a causa, o pretexto para excluir pessoas. A outra (condição social) é o efeito, a exclusão perpetrada. É óbvio que, neste caso para acabar com o efeito (a renitente exclusão social de ‘não brancos’), é necessário atacar a causa (o racismo).  É impossível separar uma da outra porque não são instancias comparáveis. Insistir em misturá-las, só se for por estupidez… ou má fé.

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Marilia Araújo,

“QUANDO FALEI DA COR DO NOSSO NEGRO, É PORQUE AQUI NOS TEMOS A MAIOR MISTURA DE RAÇAS . E ISSO É LINDO DE SE V. O NOSSO NEGRO TEM PELE MARRON , NA SUA MAIORIA. NA AFRICA VC V O NEGRO, NEGRO. AQUELE PRETO Q BRILHA. ISSO TB VALE PRO BRANCO. LA NO SUL DO BRASIL ATE QUE TEM UNS BRANCOS, MAS AQUI??? AQUI SOMOS A MISTURA LINDA.EU POR EXEMPLO, SOU NETA DE EUROPEU COM INDIO.JA MEUS FILHOS TEM SANGUE NEGRO, E POSSO TE GARANTIR SOMOS POR D + INTELIGENTES. É A MISTURA QUE TRANSFORMA. QUE FAZ MULHERES E HOMENS BONITOS POR FORA E FOR DENTRO. A SEGUNDA GUERA MUNDIAL POR EX: SE FALA Q FOI POR ETINIA. FOI NADA.. FOI POR QUESTÕES FINANCEIRAS. OS JUDEUS SEMPRE TIVERAM DINHEIRO E SEMPRE TERAÕ. PARA O ALEMAÕ ESSE FOI O PROBLEMA. O COMANDO DA GUERRA , NEM ERA TEDESCO, ERA AUSTRIACO..A QUESTAÕ RARAMENTE É RACIAL,É FINANCEIRA.”

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Outro conceito caro ao racista do Brasil é a insistência na defesa do conceito conhecido como ‘Elogio à mestiçagem’, (e como se aferram, como insistem nisto!) uma tentativa desesperada de neutralizar as reivindicações de negros que afirmam que HÁ racismo do Brasil, afirmando em oposição que ‘não existem negros no Brasil’,  apenas mestiços.

O conceito é, obviamente outra falácia porque o que se conhece no Brasil como ‘negro’ (ou em qualquer parte do mundo) não é uma categoria racial em si, universalizável (até porque raças não existem) mas sim o conjunto de pessoas ‘não brancas’ havidas e tratadas como sendo negras para efeito de nossa peculiar estratificação social, ou seja, como critério usado pelos que estão acima da pirâmide social, para categorizar pessoas e definir por meio de não-políticas claras ou dissimuladas o lugar a elas reservado na sociedade.

Para complicar mais ainda, o conceito ‘elogio à mestiçagem’ é claramente eugenista (e como cansa ter que repetir isto!), pois, propõe que a ‘mistura’ de seres humanos (que teria sido bem sucedida no Brasil) ‘depuraria’ a raça… humana, gerando pessoas ‘melhores’, ‘mais bonitas’, ‘mais inteligentes’, etc. características das quais o comentário enfático e eloquente desta senhora está coalhado.

A parte final do comentário dela então é mais emblemática ainda porque vem fortemente marcada por um sentimento de antissemitismo muito mal disfarçado, cunhando um conceito de germanismo totalmente fora e propósito, ignorante mesmo porque não reconhece – ou desconhece – a estreita relação entre Áustria e Alemanha na definição da ‘pátria alemã’ para os nazistas, considerados por ela, ‘um tedesco com problemas’.

Muita calma nesta hora. Esfregue os dedos antes de tentar desmontar a bomba. Esta gente, ao que parece, dá em árvore no Brasil. Vão morrer se esguelando, atirando. Vai ser ‘pedreira’ tirar esta crosta arcaica encrustada na alma deste pessoal.

Puif!! Os ovos desta serpente vão dar o mais intragável dos omeletes.

Spírito Santo

Abril 2011

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~ por Spirito Santo em 03/04/2011.

Uma resposta to “Sacam o filme do Bergman? Será que serpente tupiniquim bota ovos?”

  1. Grande Spírito Santo! O que admiro é sua paciência e dedicação a nos explicar e depurar as falácias que a ignorante nos disse. É muito frequente esses pensamentos, se assim podemos dizer, dos que pagam de bom entendedores, mas que, no discurso vemos os maiores racistas! Olha, ” Vai ser ‘pedreira’ tirar esta crosta arcaica encrustrada na alma deste pessoal.” E como vai e está sendo!
    abraços

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