Plantão de Bobagens 01 e 02

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Tá legal. É abobrinha sim, mas vejam bem: É recheada!

No ar:

O Plantão de Bobagens

(sempre sob o patrocínio da inconseqüência e da absoluta falta do que dizer)

Bobagem número 1

O orgulho

Aquele que reflete:

_” O orgulho é como colesterol. Tem o bom e o ruim. O bom é aquele orgulho que te salva da depressão absoluta, aquilo que se chama de auto estima, amor próprio, instinto de sobrevivência, essas coisas. Você toma bordoadas da vida, enfrenta a má sorte, a má fase e segue de pé, catando cavaca mas sem se estabacar no chão.

O sujeito que tem o bom orgulho sabe que tem atributos para insistir, continuar a viver. É o cara que tem energia interior, perseverança porque acredita em si mesmo, nas poucas, mas fundamentais, qualidades do seu ser.”

O que ouve:

_ “E o mau orgulho?”

Aquele que reflete:

_” Ora, o mau é o falso orgulho. É que orgulho mesmo, de verdade, só existe um. Acho que é como colesterol também. Acho que um dos dois devia ter outro nome. O mau orgulho é aquele que serve de capa, de camuflagem para a insegurança, pro recalque. É um dos sentimentos mais baixos que um ser humano pode sentir, sabia? Um horror.

O mau orgulho é aquele traço de caráter que faz o sujeito ser intolerante, prepotente, autoritário. Sabe os ditadores? Pois é. São portadores potenciais de mau orgulho. O sujeito não tem coragem de enfrentar os desafios da vida, se expor, competir. É um fraco. Tem como principal meio de vida, principal estratégia, colar em alguém que ele imagina que tem os atributos que ele pensa que não tem. É como um parasita. Sabe? Gruda na árvore e fica ali, sugando a seiva que a outra elaborou com tanto esforço, até secar a coitada, até morrerem os dois.

O portador do mau orgulho, na verdade, é um covarde, um doente, meio psicótico. Sofreu um trauma qualquer na infância, uma dificuldade assim mais forte, geralmente uma rejeição e pronto, em vez de superar o percalço, enfrentar o problema, decide fugir por um desvio, buscar um atalho.”

O que ouve:

_ Atalho? Mas e daí? Que mal há em cortar o caminho?”

Aquele que reflete:

_” Ah. Pensa, cara! Você vai descobrir que o problema é que o atalho do mau orgulhoso é maquiavélico, se baseia em ser uma sombra, um duas caras, sabe como é? Ou então ele te persegue e passa como um trator por cima de você, te atropela sem nenhuma hesitação. Ele pode ser um cara muito nocivo, sabia? Porque, ele é basicamente um egoísta. Quer um exemplo?

O mau orgulhoso tem pavor que a sua personalidade insegura seja percebida por alguém. O que ele faz? Fica autoritário, não deixa ninguém falar. Os bom-orgulhosos mais experientes sabem como agir nestes casos, largam ele de mão, falando sozinho mas, os menos avisados, geralmente mau orgulhosos também, se juntam em torno dele como mariposas na lâmpada, criando as condições para ele exercer sua prepotência.

Você pode não saber mas, grandes flagelos sociais já foram perpetrados por verdadeiras hordas de malucos mau orgulhosos. O racismo, o Nazismo, essas coisas, geralmente são gerados na cabeça de um doido desses. O cara foi chamado de feio, de orelhudo no colégio e pronto. Guarda aquela mágoa á vida inteira, é capaz de almejar obstinadamente a presidência da república só para poder provar que os “Orelhas de Abano” são superiores a todos os outros. O cara pode mandar exterminar todos os “Orelhas Pequenas” só por causa desta sua covardia infantil.”

O que ouve:

_“ Você tá maluco!”

Aquele que reflete:

_” Tá bom. Vai dizer que você nunca teve um amigo, um conhecido assim? Uma namorada,? Um chefe? Eles te levam a loucura, cara. São críticos agressivos, especialistas em descobrir seu pontos fracos para minar sua auto-estima. Para quem é religioso, são como o diabo tentando convencer Deus a fazer algumas maldades. Tudo pra te espezinhar, te diminuir, sim, por que, o maior temor deles é ter que se defrontar com um bom orgulhoso que tope a briga e acabe descobrindo sua fraqueza.

O mal é que os bons orgulhosos costumam ter uma generosidade enorme, bem babaca e acabam sendo compreensivos demais, perdoando as armações desses malucos. Senão, não ia ter jeito, haveriam guerras majestosas entre os orgulhosos dos dois lados.
Pode crer.”

Bobagem número 2

Um urso do Baú.

O filho de um conhecido do Raul Seixas me contou uma cena antológica que, talvez não tenha sido registrada por ninguém ligado ao assaz mitológico artista.

No auge de sua dramática decadência de viciado em todas as drogas do mundo, Raul vivia muito em Miguel Pereira, interior do Rio, onde ele e um de seus parceiros tinham casa. Dizem que Raul vivia bêbado, perambulando pela cidade como um mendigo, e tinha que ser sempre recolhido pela mulher ou algum amigo, emborcado numa calçada qualquer, a qualquer hora do dia ou da noite.

Num desses dias, ele surrupiou um casaco de peles da sogra (um vison, penso eu) vestiu aquilo e saiu bêbado pelas ruas de Miguel Pereira. Os vira-latas da rua, vendo aquele enorme, estranho e peludo bicho cambaleante, atacaram Raul em bando, como uma matilha de lobos atacando um urso.

Morderam loucamente o casaco, até destroçá-lo, fazendo-o em tiras completamente. Deixaram o urso lá, prostrado, vencido, arfando aquele bafo de caverna que os ursos tem e saíram pela rua latindo eufóricos, vitoriosos.

Raul ao que parece saiu incólume. Sabe-se lá porque Deus sempre protege os bêbados e as crianças.

Da reação da sogra, pouco se soube (fazer o sinal da cruz antes de imaginar)

A cena, presenciada apenas por poucas pessoas e rigorosamente verdadeira (apesar do seu aspecto totalmente surrealista) talvez seja uma das mais fiéis representações daquela alma insólita e genial que foi o Raulzito. Bons tempos nos quais os malucos tinham beleza.

(E esta não foi uma bobagem clássica; na acepção da palavra.)

Por hoje é só.

(O plantão de Bobagens pode voltar a qualquer momento, em seu horário normal ou em edição extraordinária.)

Spírito Santo

Abril 2011

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~ por Spirito Santo em 14/04/2011.

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