As linguas humanas nasceram na África, diz ‘Science’. Ué? Mas não nasceram na Torre de Babel?

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( ‘Torre de babel’, óleo de Pieter Bruegel)

Deve ser por isto que já tem etnolinguista brasileiro dizendo que não! Que não! Que a fala humana não nasceu na África não!

“Segundo o Antigo Testamento (Gênesis 11,1-9), torre construída na Babilônia pelos descendentes de Noé, com a intenção de eternizar seus nomes. A decisão era fazê-la tão alta que alcançasse o céu. Esta soberba provocou a ira de Deus que, para castigá-los, confundiu-lhes as línguas e os espalhou por toda a Terra.

Este mito é, provavelmente, inspirado na torre do templo de Marduk, nome cuja forma em hebraico é Babel ou Bavel e significa “porta de Deus”. Hoje, entende-se esta história como uma tentativa dos povos antigos de explicarem a diversidade de idiomas. No entanto, ainda restam no sul da antiga Mesopotâmia, ruínas de torres que se ajustam perfeitamente à torre de Babel descrita pela Bíblia”

                            (http://www.historiadomundo.com.br)

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Não esperaram nem a notícia esquentar e já nos chegam as restrições. ‘Etonolinguística‘ é uma lista da internet que eu sigo por dever de ofício (sou bisbilhoteiro profissional), mas pouco leio porque me parece um grupo de indigenistas “pouca prática” que julgam que a etnolinguística se resume a estudar linguas… indígenas do Brasil, de preferencia línguas mortas, faladas por meia dúzia de almas.

Sempre espero que pinte algum trabalho sobre kimbundo, umbundo, línguas africanas que informam uma parte do português do Brasil (mais do que qualquer língua indígena daqui), mas nada.

Agora, quando um estudo publicado na conceituada revista científica ‘Science‘ dá conta de que a fala  humana começou a se desenvolver a partir da África- o que é uma obviedade ululante, já que já se sabe que o ser humano nasceu lá – um etnolinguista brasileiro estrila, antes mesmo de ler direito a interessante teoria.

Como assim? Vale perguntar. Porque não na África?

E olha só que meigo:

A matéria saiu ontem em O Globo, mas eu já falava para a esposa em casa:

_” Aposto que o Ali Kamel não vai deixar barato”

Pronto: Bingo! Não deu outra. Nem 24 hs. Também O Globo de hoje, uma dupla de articulistas do time kamelista (um antropólogo da Ufrj e um sociólogo das Fiocruz replicam, mais uma vez a requentada pesquisa do geneticista mineiro Sergio Pena da Ufmg) que lida às avessas, supostamente prova que os negros do Brasil tem o DNA mais europeu do que africano, querendo, evidentemente desqualificar qualquer pleito por ações afirmativas baseadas na constatação evidente de que há racismo no Brasil.

(Veja a matéria de O Globo aqui)

E mais: A matéria tendenciosa de o Globo aparece já, hoje mesmo no site do Ministério daSaúde (via blog da Dilma)

Veja a repercussão no site governamental

Ay caramba! Já linkei ontem o Ali Kamel com o Exército Brasileiro (Bibliex) que publicou (com a nossa grana) o ‘best seller dele ‘Não somos racistas’. Agora linko uma matéria da ‘praia‘ editorial também kamelista (mais um líbelo anti cotas raciais) com o… Ministério da Saúde (e …espera lá…da saúde porque?) do mesmo Governo do Brasil.

Gentem! Pirei? Será que eu estou vendo coisas, esquizofrenicamente imaginando teorias da conspiração?

Mas calma aí: O Ali Kamel não um cara de direita? Mais calma ainda: O governo da Dilma não é de Esquerda? Mas…não, não, não me queimem a mufa: Nós, os brasileiros afinal, somos ou não somos racistas?

_” Estão me cafundindo!” _ diria Mussun, meu assessor de incongruencias reveladas.

Bem leiam aí o argumento do tal linguísta e durmam com um barulho destes

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(Extraído da lista de internet ‘Etnolinguística)

“Obrigado, Felippe, por compartilhar conosco a matéria da Folha. Este é outro assunto lingüístico que está circulando amplamente na imprensa no momento. Por exemplo, no NYTimes:

(Veja matéria original aqui)

Como (ex-)jornalista, eu acho lamentável o tratamento que os principais jornais brasileiros dão a tais assuntos. A Folha, em particular, é geralmente mal informada, extremamente superficial, e seus artigos tendem a ter este tom de embasbacamento acrítico frente ao cientista.

O NYTimes teve pelo menos o cuidado de entrevistar lingüistas — incluindo o Brian Joseph, um dos principais nomes da lingüística histórico-comparativa. Ótimo que a Folha tenha entrevistado um geneticista, mas seus palpites sobre lingüística histórico-comparativa no Brasil deveriam ter sido calibrados pela opinião de algum lingüista da área.

Um dos principais senões da ‘teoria’, para mim, é que parece basear-se na idéia de que a mudança lingüística se dá unidirecionalmente, em direção à simplificação no tamanho dos inventários fonológicos, quando, de fato, exemplos do contrário são comuns. Mesmo línguas estreitamente aparentadas podem diferir substancialmente na quantidade de fonemas (por exemplo, o português — em contraste com o espanhol — adquiriu uma série inteira de vogais nasais, a partir de vogais orais seguidas por consoantes nasais, geralmente em coda, que deixaram de ser pronunciadas como tais).

Mudanças na organização silábica podem levar ao desenvolvimento de séries completas de consoantes — como quando seqüências do tipo Cw e Cj resultam em séries de consoantes labializadas e palatalizadas, etc. — ou vogais, ou a tonogênese, etc.

Ou seja, para usar a linguagem da Folha, a teoria não parece ‘bater’ com o que se tem aprendido com o estudo do desenvolvimento histórico interno das famílias lingüísticas.

Mas estas são apenas observações ligeiras de alguém que ainda não leu detidamente o artigo da Science. Para uma resenha mais qualificada (de fato, um parecer) sobre o artigo, demonstrando algumas de suas limitações, dêem uma olhada no seguinte link:”

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Viram só? O cara nem leu direito o artigo desta que é uma conceituadíssima revista, referencia mundial no assunto e já sai questionando com meia duzia de conceitozinhos cabulosos.

Se presunção e arrogancia matasse… E, afinal de contas, porque será que ele questiona a teoria assim tão ressentidamente? Será que é só porque este salto qualitativo da humanidade se deu na África?

Estranho, não é não?

Spírito Santo

Abril 2011

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~ por Spirito Santo em 16/04/2011.

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