Mundaú, Cucaú e os cafundós do nego Judas Iscariotes #02


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"Negra", Albert Eckhout, Recife 1641

“Negra”, Albert Eckhout, Recife 1641

(Você, provavelmente já viu este quadro, mas não se ligou nos detalhes.)

Arco sem pua, a história do rei é que está nua

Tudo ainda por ser revelado acerca de Ganga Zumba, talvez o primeiro ‘Zumbi’

 “…Notável alvoroço que causou a visita daqueles bárbaros, porque vinham despidos e apenas com as partes naturais cobertas: traziam uns as barbas em tranças e outros com postiças barbas e bigodes, e outros raspados e sem mais nada; todos corpulentos e robustos, armados de aços e flechas trazendo somente uma arma de fogo. Vinha a cavalo um dos filhos do rei por trazer ainda aberta a ferida de uma bala que na peleja recebera.”

“…Todas as pessoas de família do rei e de seus cabos de guerra foram restituídas, ficando com o governador tão somente dois negros para cuidarem do filho mais velho do rei Gangazuma que se achava impossibilitado de viajar…”

(Pedro Paulino da Fonseca – “Memórias dos feitos que se deram durante os primeiros anos de guerra com os negros quilombolas de Palmares…”)

Todos os textos deste período não são, portanto explícitos a ponto de que se possa afirmar, ou mesmo sugerir que o rei Ganga Zumba estava entre os presos ou  tampouco entre os membros da comitiva que negocia a rendição. É lícito se supor, portanto que ele não participa, pessoalmente de nenhuma fase dos eventos do acordo, o que é surpreendente sendo ele o rei inconteste do Kilombo, destinatário até de cartas de dissuasão enviadas de Lisboa pelo próprio rei de Portugal.

Portanto, até ser dado como morto por envenenamento na ‘reserva’ de Cucaú, ninguém sabe, efetivamente do paradeiro de Ganga Zumba nesta época. Os textos que afirmam a sua participação nas negociações para o acordo ou a rendição parecem falar apenas por suposição, a maioria sugerindo vagamente que ele, Ganga Zumba, estaria ‘nas matas de palmares’, de onde recebia emissários dos portugueses.

Afinal, tendo um filho ‘mais velho’ e outro mais novo em condições de, supostamente representá-lo numa negociação de paz de tão grave importância para o Reino de Palmares, havemos de, apelando para a mais simples lógica supor que Ganga Zumba, este misterioso rei a quem todos se referem, mas que não aparece em nenhum dos eventos descritos, nem nos mais decisivos, já teria idade algo avançada, talvez um pouco além de 65 anos (nascido, por esta hipótese por volta de 1613, Ganga Zumba seria africano, mais precisamente angolano, com toda certeza).

(Eu costumo chamar – de forma ainda impertinente – a dinastia a que ele, Ganga Zumba teria feito parte de ‘Nkanga a Nzumbi’ –‘Zumbi’ para os íntimos- uma espécie de soba de uma série com funções reais, militares e sacerdotais semelhantes à dos sobas do antigo Reino do Kongo, depois que este foi influenciado pelo catolicismo português.)

De todo modo é difícil se imaginar um rei de terceira idade pelejando de espada e pistola nas mãos pelas matas da Serra da Barriga. É bem mais lúcido imaginarmos que o guerreiro ferido na perna, a quem se atribuía esta fibra e coragem guerreira fosse este filho (ou sobrinho) ‘mais velho’ do rei.

É mesmo possível que os incidentes de 1677 tenham pegado a comunidade kilombola em plena crise pela sucessão deste velho rei Ganga Zumba, de quem este filho ou sobrinho ‘mais velho’ seria o sucessor natural, o novo ‘Zumbi’. Não é improvável inclusive que tão propício momento tenha sido aproveitado pelos traidores de plantão para dar o seu golpe decisivo no velho rei.

O certo é que não existe a rigor nem mesmo qualquer prova de que ele, Ganga Zumba tenha sido sequer consultado a respeito dos termos da rendição, que afirmam ter sido pedida por ele (as fontes falam que foram enviados emissários, mas absolutamente não provam se estes realmente estiveram com Ganga Zumba e se tiveram bom termo em suas ameaças e intimações).

“…(O governador D. Pedro de Almeida) …’mandou um alferes doutrinado na disciplina d’aquelles desertos, e dissesse aos negros, que ficava preparando Fernam Carrilho para voltar e destruir as pequenas relíquias que tinham ficado…”

(Cons. Drummond, “Relação das guerras que fez à palmares…” Torre do Tombo)

Seis filhos do rei Ganga Zumba estariam entre os presos e mortos segundo este relato, um número bem alto, convenhamos.

Considerando-se também que, a esta altura as autoridades já possuíam a identidade da maioria dos parentes do Rei, obtidos evidentemente nos interrogatórios aos presos (duzentos segundo uma fonte) como seria o nome dos filhos (dois, sendo um o ‘mais velho’) que, supostamente desceram para Recife? Os dois que se entregam – seriam na verdade os mesmos como parece ser mais provável – que já haviam sido presos?

Quantos filhos teria o rei Ganga Zumba efetivamente se, além disto considerarmos que, segundo um dos relatos, pelo menos quatro haviam sido mortos nas refregas de 1677? Neste caso seria necessário identificar quem seriam os dois filhos que, no ato do acordo se dirigiram à Recife, o que lhe aumentaria a prole para oito filhos, apenas considerando os homens.

Há também uma controvérsia mais complexa ainda que é a possibilidade de alguns dos homens identificados nos documentos como sendo os muitos filhos do rei, serem na verdade seus sobrinhos. A evidencia fica mais provável quando se conhece as regras particulares de organização da família tradicional bakongo, origem sócio-cultural mais evidente da sociedade palmarina, na qual pelas regras de ‘kanda’, os sobrinhos (filhos da irmã do rei) é que aparecem proeminentemente na linha de sucessão, sendo por isto mesmo considerados como sendo filhos, do mesmo modo que os  filhos naturais do rei.

Outra curiosidade é que este citado ‘filho mais velho’ do rei (que como vimos bem poderia ser um sobrinho), aquele que chega a cavalo porque está ‘ferido na perna’, no ato da confirmação do acordo de Cucaú, após as comemorações pela obtenção da paz, é largado quase que sozinho na cidade, supostamente sob a guarda do governador geral afim de se ‘restabelecer do ferimento’. A hipótese deste filho ser na verdade a mesma pessoa que ficou ferida e largou as armas pelo caminho (aquele que todas as fontes afirmaram que seria o próprio rei) pode muito bem ser aventada.

Os questionamentos são muitos: Se os integrantes da comitiva estavam livres e o Rei em condições de negociar, já que o ferido era na verdade o seu filho mais velho, porque ele não aparece na comitiva que vai para o acordo nem aparece no rol dos presos?

Ganga Zona, o nego safado Judas Iscariotes

Alcagüete merece cacete. Ninguém se deu conta, mas foi ele sim.

O paradeiro de Ganga Zona também é estranho e não sabido desde a escaramuça em que um grupo de desgarrados quilombolas presos testemunharam que era ele quem os comandava quando o grupo foi interceptado na mata e derrotado.

Os textos são, portanto do mesmo modo omissos em apontar o suposto irmão do rei, Ganga Zona entre os quilombolas que se rendem e tampouco o identifica entre presos. Ganga Zona, segunda pessoa mais importante em Palmares segundo todas as fontes – uma espécie de ‘segundo rei’ segundo uma destas fontes – simplesmente teria desaparecido totalmente dos relatos nesta fase, para só aparecer, logo em seguida ao acordo, já como aliado incondicional das autoridades de Recife – contra  Zumbi e os demais quilombolas rebelados nas matas – o que nos faz supor que ele estaria já mancomunado com os dos portugueses desde o início.

(Na verdade, um destes vagos e apócrifos relatos afirma que no ato solene, o Te Deum mandado celebrar em Recife em honra do suposto acordo, Ganga Zona e, pelo menos um de seus filhos são batizados e adotam nomes portugueses, ambos passando a usar o sobrenome ‘De Souza de Castro’, copiado de Ayres de Souza de Castro, o governador anterior, tido a partir daí como padrinho oficial dele, Ganga Zona.)

Estes fatos truncados (a falta de pistas e citações sobre onde estaria Ganga Zona durante os eventos iniciais relacionados ao acordo) são muito estranhos também porque ele, Ganga Zona passou a ser, logo em seguida, como se viu, o mais entusiástico apoiador do acordo, trabalhando pelo cumprimento dele, sintomaticamente sob as ordens diretas do ex governador Ayres de Souza de Castro.

 Curioso também um dos textos afirmar que a família do rei Ganga Zumba virou ‘quinto do rei’ (ou seja, butim, ‘comissão’) e outro dizer que ‘todas as pessoas de família do rei  foram ‘restituídas’ (ou seja, libertadas).

“… Depois de retirados os quintos (a comissão) de El-rei, que recaíram sobre a mulher, filhos e netos do rei Ganga Zumba, e de dois moleques para Fernão Carrilho, que nada mais quis.”

(Pedro Paulino da Fonseca – “Memórias dos feitos que se deram durante os primeiros anos de guerra com os negros quilombolas de Palmares…”)

De todo modo, a maioria das fontes confirma que, de algum modo todos da família do rei porventura capturados foram efetivamente libertados. É curioso, contudo e observar que nenhum documento fala da chegada do rei, vindo das matas, para Cucaú com o resto dos seus que haviam escapado da refrega de 1677. As notícias de Cucaú só reportam uma suposta conspiração de lugares-tenentes.

“…Começaram desde logo as defecções entre a gente de Ganga zuma. Vários chefes se reuniram secretamente e planejaram o envenenamento do soba negro e dentre eles se destacaram João Mulato, Canhongo, Amaro e Gaspar, apesar da relutância de Gangazona, irmão do rei e fiel aos termos do acordo de paz

(Mario Martinsde Freitas, “O Reino negro de Palmares, Ed.Bibliex, 1988)

“. ..Que se reduza (Zumbi) à obediência das nossas armas buscando o seu tio Gangazona para viver na mesma liberdade com toda a sua família que goza o dito seu tio que foi só o homem que soube guardar a sua palavra…”(segundo se depreende, diz Martins, esta ordem foi feita por intermédio do régulo Gangazona, que a fez chegar por um de seus homens a o rei ‘Zambi’)

 (Bando de Manoel Lopes em 6 de Março de 1680 – citado pelo Barão de Studart – apud Historia do Brasil de Rocha Pombo)

E se este homem ferido que ficou detido pelos portugueses fosse mesmo o próprio o ‘Zumbi’ ‘da vez’? Como teria ele escapado da suposta armadilha de Ganga Zona e dos portugueses, largado só em um quarto, vigiado provavelmente por soldados?

“…Cativaram (prenderam) o Acaiuba com dois filhos do rei, um macho chamado Zambi…”

E vejam que incrível: Um destes textos oficiais, lançado como agulha em palheiro no meio dos calhamaços da Torre do Tombo, dá a este rei ferido na perna em combate, cabalmente o nome exato de ‘Zambi’, mesmo nome de um dos filhos aprisionados do rei no incidente de 1677!

..Ahí foi ferido de bala o general das armas Zambi, negro de singular valor, grande animo, Constancia admirável e inimigo capital dos brancos; ficou vivo, porém aleijado de uma perna…”

(Expedição primeira de D.Pedro de Almeida e cap. Mor Manoel Lopes Galvão em descrição de Pedro Paulino da Fonseca)

Seria ele o Zumbi, o Nkanga a Nzumbi mais afamado, aquele não se entregou jamais e comandou a segunda saga palmarina que, gloriosa só termina no alvorecer do século seguinte?

Eletrizante investigação!

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Pois é. Bem mais de 300 anos atrás. Os documentos do inquérito estão velhos, amarfanhados, mofados e frios… tombados. As traças deles berram ainda as mesmas mentiras polidas que as autoridades infiéis e corruptas queriam que nós, na posteridade delas, acreditássemos. São papéis que sofreram também a surra inclemente – e não menos infiel- das releituras e recriações de doutos e não doutos historiadores (entre eles eu). Mas eles, os papéis nos falam sempre algo mais nas suas entrelinhas.

Bem sei. A verdade absoluta jamais será desvendada, mas a história sobrevive mesmo é destas nossas dúvidas quase vãs.

Neste particular, em se tratando de Brasil, pelo menos eu estou cansado de ser enganado… Vocês não?

E como este caso nunca será encerrado mesmo, fica aqui o mais que improvável fim.

Spírito Santo

Maio 2011
(Leia o post #01 aqui)

Palmares, Mundaú, Cucaú e os cafundós do nego Judas Iscariotes #01


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A foto é do século 19, na Guiné Bissau. A casa ao fundo, contudo - garanto -  tem muito a ver com as construções descritas pelos cronistas como sendo as do Kilombo de Palmares.A foto é do século 19, na Guiné Bissau. A casa ao fundo, contudo – garanto – tem muito a ver com as construções descritas pelos cronistas como sendo as do Kilombo de Palmares. Foto: Agencia Geral do Ultramar Portugues

Palmares reloaded

Mais uma investigação dos autos do processo

Na crônica dos incidentes ocorridos em Palmares entre 1675 e 1680 há muita confusão entre os dados referentes aos ataques e expedições punitivas aos kilombos, repararam não? Claro. Ninguém repara mais nestas coisas.

Eu sei muito bem disto. Todo mundo acha que está cansado de saber a história do Kilombo de Palmares (desculpem escrever com ‘k’, mas a razão é pra lá justa: Liberaram o uso do ‘K’ no Brasil, sabiam?) e ficam mudando de canal toda hora que o assunto rola. Nada a ver esta sabichonice desavisada.

Aliás há e haverá um sem fim de porquês a serem sabidos nesta história. É que, cá entre nós – li muito sobre o tema hoje – acabei achando que sobre Palmares a gente não sabe mesmo é nada, chongas!

É que vocês, a gente, a maioria das pessoas lê, lê história, se ufana do país naquele ‘uh tererê’ nacionalista, futebolístico, mas no final não pergunta nada e então… babau! Se uma história for mal contada – e como a versão corrente desta história é esfarrapada! – vai acabar ficando por ali mesmo, na periferia do assunto, no ramerrão.

Quem se importa com uma história de escravos que ficaram fugidos, escondidos no mato – quiçá sem cachorro – sei lá, por quase um século? Ora, é como enredo de Escola de Samba. Qualquer história serve, não é não? O que importa é que o Samba empolgue a rapaziada da escola na Sapucaí?

O certo é que sinopses e sinopses de carnavalescos depois, ainda hoje ninguém sabe mesmo, à vera, como foi e o que ocorreu em Palmares. A descrição mais perto da verdade que eu vi – e poucos leram, eu sei – foi a do holandês João Blaer  que visitou a capital do reino africano na Serra da Barriga, por acaso abandonada, ali por volta de 1644 e a descreveu, nos deixando uma visão curiosamente semelhante à de qualquer reino africano, da área do Reino do Kongo, da época.

“…Este Palmares tinha meia milha de comprido e duas portas; a rua era da largura de uma braça, havendo ao centro duas cisternas, um pátio onde tinha estado a casa do seu rei e era presentemente um grande largo no qual o rei fazia exercício com sua gente; as portas destes palmares eram cercadas por duas ordens de paliçadas ligadas por meio de travessões…”

“…No interior das muralhas, alinhavam-se as cabanas …e em torno de uma praça maior que se fazia de mussamba, ou palácio do rei do quilombo. Em alguns arraiais encontravam-se igrejas, ou melhor, pequenas capelas toscas onde eram veneradas certas imagens de santos…haviam grandes armazéns de víveres, abastecidos excepcionalmente em épocas anormais…A casa do rei servia também de casa do conselho e de quartel. Tinha ele sua guarda pessoal, os seus ministros, muitas mulheres e grande número de escravos…”

 (Rocha Pombo, “História do Brasil” citando ao que parece, João Blaer)

 “…e ali encontramos um negro cheio de boubas em companhia de uma velha brasiliense, escrava da filha do rei, que nos disseram que nas vizinhanças ainda corriam outros negros, pelo que acampamos ali e com vinte homens batemos o mato, chegando á casa da filha do rei, que nela não estava, queimando-a.”

 (Doutor Alfredo de Carvalho, ‘Diário de operações da expedição de João Blaer”)

 Dos holandeses pouca coisa há até agora sabida ou traduzida. Ando esquadrinhando com a minha lupa os formidáveis detalhes dos quadros de Albert Eckhout e Franz Post. Sobraram-nos em profusão, contudo, calhamaços e mais calhamaços de dados de fontes oficiais portuguesas amontoados na Torre do Tombo em Lisboa.

 “…Aos 22 de janeiro de 1676 (Manoel Lopes Galvão no comando) deram a uma populosa cidade de mais de 2.000 casas (no mínimo 6.000, talvez mais de 7.000 habitantes), bem guarnecida, e depois de mais de suas horas de renhida peleja com valor de parte a parte, puzeram os nossos fogo a algumas casas, que sendo de madeira e palha, arderam velozmente, tornado medonho o sítio…”

“…Ao longo desta distancia de cinco léguas o (kilombo) de Aroturene; e logo para a parte do leste dois mocambos chamados o das Tabocas; e destes ao noroeste quatorze léguas o de Dambrabanga, e ao norte deste oito léguas a Cerca chamada Subupira; e ao norte desta seis léguas a Cerca real chamada do Macaco; a oeste desta cinco léguas o o mocambo do Osenga, e nove léguas da nossa povoação de Serinhaém para noroeste a Cêrca do Amaro; vinte e cinco léguas das Alagoas o palmar de Andalakituche, irmão do Zambi…”

 (Conselheiro Drummond, “ relação das guerras que se fez aos palmares…”)

Curiosamente, uma descrição do Conselheiro Drummond, baseada na “Relação das guerras feitas aos Palmares…” encontrada na torre do Tombo, narra uma expedição 23 de setembro ou 21 de Novembro de 1675, com texto quase literalmente idêntico- e outras filigranas – com ligeiras variações na quantidade de presos  para mais em relação uma suposta expedição em 22 de janeiro de 1676 (ambas com comando atribuído a Manoel Lopes). Muito provavelmente estas duas expedições estão sobrepostas e foram apenas uma, com datas confundidas.

Outra suposta expedição em 1677 (Fernão Carrilho) tem, contudo dados também muito idênticos, com pequenas variações (muitos comandantes são presos e o rei foge ferido na perna, desta vez por uma flecha). O mais sintomático é que as três descrevem, de maneira incrivelmente idêntica o fato do rei Ganga Zumba ter sido ferido e ficado coxo, o que, cá entre nós, é uma ‘bandeira’ enorme. Uma pinta clara de armação ou engodo.

Incrível, mas os fatos repetidos, ao que parece, simplesmente copiados uns dos outros, em diferentes relatos são quase que rigorosamente iguais dando-nos a impressão – ou quase certeza – de que duas das três expedições, na verdade jamais aconteceram. O que é mais grave é que o fato traz também muitas e sérias dúvidas sobre a veracidade de todos os outros dados e documentos portugueses avaliados até então.)

“... A maioria dos historiadores afirma que a tropa de Carrilho em 1676 matou muitos, mas não menciona o número de mortos, a não ser a de uma escrava que acompanhava a mãe do rei, que nem viva ‘nem morta apareceu’”

O rei Gangazuma conseguiu escapar com vida ao combate e fugiu para o mocambo do Amaro, bem no interior, deixando em mão dos inimigos a sua espada e uma pistola dourada…”

(Mario Martins de Freitas, citando o Mestre de Campo D. João de Souza em 1677/79, referindo-se às escaramuças anteriores ao tratado de Cucaú e à suposta rendição de Ganga Zumba:)

 “…Depois deste encontro queimaram os nossos mais alguns mocambos, e nestes prenderam-se vinte e seis negros, matando-se alguns, entre os quais dois chefes, sendo um deles sobrinho de Gangazuma, e o ouro irmão do Bangola; também prenderam a mulher do Ganga Zona, com dois filhos mestiços.”

 (Pedro Paulino da Fonseca – “Memórias dos feitos que se deram durante os primeiros os primeiros anos de guerra com os negros Kilombolas de Palmares…”)

 Fuçando ainda mais se pode deduzir que a morte de mais e mais parentes (neste caso acima um sobrinho que é chefe de mocambo) de Ganga Zumba, fato muito recorrente em todos os relatos, percebemos entre outras coisas que existe um núcleo de poder de natureza familiar bem determinada, que reveza os seus membros no comando de Palmares, segundo regras semelhantes as que estavam em vigor nos reinos africanos similares, principalmente os da área bakongo (Kongo, Nsoyo, Ndongo, Matamba, Loango, Nsundi, etc…).

E este ‘Bangola’, quem seria? A expressão significaria o mesmo que ‘Rey’ ou soba? Instigante demais a semelhança entre esta palavra (retirando-lhe o prefixo ‘ba’) e ‘Ngola’, título dos sobas dos reinos de Matamba e Ndongo na mesma época, entre os quais a mais afamada foi a Rainha Nzinga Mbandi. Neste caso o preso seria também irmão do Gangazona, cuja mulher aliás – que era branca- está entre os presos nas escaramuças, junto com os dois filhos mulatos do Ganga Zona)

A desagregação e o degredo incerto da família do rei

O paradeiro desconhecido de todos após os ataques:

 “…Cativaram (prenderam) o Acaiuba com dois filhos do rei, um macho chamado Zambi e outro por nome Acainene (que uma outra fonte diz ser o nome da rainha-mãe e não de um suposto filho do rei), e entre netos e sobrinhos que se cativaram, seriam 20; pareceo (pereceu) também o Tuculo filho também do rei, grande corsario e o Pacassa, grandes senhores entre elles, o rei…se retirou fugindo, tão arrojadamente que largou uma pistola dourada, e a espada que usava; e foi vez geral que uma flecha o ferira com o ferro…

 (Conselheiro Drummond, “Da ‘Relação das guerras que se fizeram à Palmares…’)

 “…Alguns militares afirmam ter morrido no ataque á Subupira ‘um irmão do seu intitulado rei (Ganga Zumba), que era o terror dos moradores de Porto Calvo”.  (Que alguns dados dão conta se chamar Ganga ‘Muiza’.)

(Ivan Alves Filho – “Memorial dos Palmares”)

 Na intrincada rede de relações familiares que aparece embaralhada nos relatos, existe também a hipótese de Ganga Zona ser na verdade, cunhado de Ganga Zumba, o que faria mais sentido se formos considerar as regras tradicionais de sucessão nobiliárquica oriundas da cultura bakongo, a qual a cultura palmarina – na ausência total de outra referencia – forçosamente devia se reportar. Nela o ‘tio’ também era – e é – quase rei.

O fato é que, a julgar pelo cruzamento dos dados de todas as fontes a que se teve acesso, praticamente toda a família real de Palmares – com exceção do rei Ganga Zumba – foi aprisionada e feita refém ou morta em 1677. A lista de parentes de Ganga Zumba presos ou mortos é muito extensa, pois, se conta nela no mínimo 20 pessoas (uma fonte chega a indicar que este número de 20 diria respeito apenas aos filhos e netos do rei, sendo o número total muito maior).

Esta informação será importante mais adiante (este post terá duas partes) quando tentarmos identificar quem são os personagens que, supostamente teriam descido da Serra da barriga para negociar os termos de uma rendição.

“…E como num numero de prisioneiros se descobrisse um negro por nome Mateus Ndambi e a mulher deste, Magdalena Angola, ambos de avançada idade que se diziam sogros de um dos filhos do rei, …mandou-os que se fossem embora para os seus que ficaram dispersos pelo palmares e que lhes dissessem que esperassem por eles e seus soldados…”

…”e outros prisioneiros por que se soube que comandava-os o Ganga Zona (irmão do rei) negro poderoso e tido no Palmares como rei também, o qual, desesperado da resistência e do aperto,que por da sua má sorte e infelicidade, para evitar o perigo certo.”

 (Pedro Paulino da Fonseca – “Memórias dos feitos que se deram durante os primeiros os primeiros anos de guerra com os negros Kilombolas de Palmares…”)

O trecho demonstra que, pelo menos até o ataque de Fernão Carrilho, Ganga Zona não parecia ser um traidor – e creiam, ele realmente o foi… pelo menos que se soubesse. Esta é a principal constatação deste post

“…e lhes apresyonou duzentos negros a rainha, e dous de seus filhos do Rey, matando-lhe quatro filhos e seu mestre de campo, e alguns potentados, largando o Rey as armas por escapar…”

“…Era intenção de D.Pedro de Almeida levar para Portugal e depositar aos pés de El Rei a desgraçada família  do rei Ganga Zuma e sobre os seus sofrimentos obter novos louros e honras. Para este fim recebeu ordem Fernão Carrilho para levar as presas do quinto de El-rei (‘mulher, filhos e netos do rei Gangazumba’) para Recife, onde, em praça pública foi recebido pelo governador e seus auxiliares de governo e pelo povo, com extremas demonstrações de regozijo e alegria, e pomposas festas adredemente preparadas

(Mario Martins de Freitas, ” O Reino negro de Plamares’, Ed.Bibliex 1988)

Ora, este documento parece atestar, de forma quase inquestionável, que os prisioneiros – a família do rei no caso- foi levada à Recife como troféu, em data previamente determinada.  A descrição desta exibição pública dos prisioneiros bate com as outras descrições que afirmam que o mesmo grupo  era formado por quilombolas que  ‘se renderam’ por aceitarem uma proposta de paz, por eles mesmos solicitada.

Numa estranhíssima confusão se fica sabendo então que o dilema crucial passa a ser escolher apenas uma entre as seguintes opções: OU o destacamento de Kilombolas que chega para ‘negociar’ a rendição depois da refrega de 1677 era composto por parentes do rei que NÃO haviam sido presos, OU (o que parece ser mais factível) todos os parentes estavam efetivamente aprisionados e foram levados para Recife por Fernão Carrilho, seguindo as ordens de D.Pedro de Almeida (o governador geral recém empossado) sendo talvez esta suposta negociação uma farsa política urdida por alguém ou distorcida por equivocadas releituras, posteriormente elaboradas por cronistas e historiadores.

O fato é que fica patente que praticamente TODA a família real de Palmares (mãe, filhos, talvez a irmã, sobrinhos e netos de Ganga Zumba foi capturada, quem sabe também o próprio rei) ou morta. É também curioso este fato da família inteira – talvez meia centena de pessoas – ter sido surpreendida assim, simplesmente por um ataque súbito. É muito forte a impressão de que o ataque deve ter contado com algum tipo de ajuda interna, alguma traição no meio da cúpula palmarina, quem sabe?

…” O rei Gangazuma, por se julgar, com a própria experiência, incapaz de resistir a outros assaltos, ou receiando da adversa fortuna, ou por outras intenções que não podemos descortinar, aceitou a proposta de D.Pedro; e aos 18 de junho, em um sábado, à tarde, véspera do dia em que na paróquia de Recife se fazia a festa de Santo Antônio de Lisboa, entrou na praça o alferes que havia ido naquela comissão, trazendo em sua companhia dois filhos do rei e mais dez negros dos mais importantes daqueles Kilombos, que vinham na forma proposta se prostar aos pés de D. Pedro, enviados pelo rei Gangazuma para que, em seu nome lhe rendessem vassalagem,”

(Mario Martins de Freitas, ” O Reino negro de Plamares’, Ed.Bibliex 1988)

Ora ora! Não existe rei Ganga Zumba algum na lista dos membros da suposta delegação palmarina.

Há muitas outras incongruências nos relatos. Se a maioria das pessoas da família do rei e mais seus cabos de guerra estavam presos quem são os ‘dois filhos do rei e mais dez negros dos mais importantes daqueles Kilombos’ que teriam descido para fechar o acordo?

Esta é a principal pergunta que não quer calar: Seriam elas as mesmas pessoas que estavam presas e foram simplesmente levadas como troféus para Recife em hora politicamente propícia? Há algo de muito estranho também no fato deste filho do rei – ‘o mais velho’, como dizem as fontes – ter ficado retido em Recife quando todos os reféns foram libertados para serem concentrados nas terras de Cucaú.

Preso? Morto? Foi resgatado? Teria conseguido fugir? Se não, que fim teria levado o tal  filho ‘mais velho’ do rei?

Humm!

(E como este caso talvez nunca seja encerrado… fui, mas volto logo num segundo e – quiçá – derradeiro post sobre este formidável assunto)

(Aliás  vocês podem acessar o post #02 aqui mesmo neste link)

Spírito Santo

Maio 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abdias: O Exu revoltado no Kalunga-Orum


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Abdias menino (upload de Elisa Larkin com intervenção de Spírito Santo)

Abdias menino (upload de Elisa Larkin com intervenção de Spírito Santo)

E o  velho-novo Abdias então se fez Abnoite para entrar na história.

“O que é um homem revoltado? Um homem que diz não. Mas ao negar-se não renuncia: é também um homem que diz sim desde seu primeiro movimento”

(Albert Camus – ‘L’Homme Revolté”)

Li muito Abdias do Nascimento ali pelos meados dos anos 70. Depois de amargar uma prisão por ter me insurgido romanticamente contra as injustiças sociais ‘genéricas’. Eu estava nesta época descobrindo que, além de ser pobre, ser negro também era um problema crucial ao qual eu, e minha rebeldia atávica estávamos irremediavelmente envolvidos, atados e que eu precisava entender logo o que fazer para sobreviver são e lúcido no meio disto tudo, antes de me perder por algum caminho sem volta.

(Os trechos todos em itálico a seguir são do livro ‘O negro revoltado’ de Abdias do Nascimento –  GRD, 1968 –  baseado e contendo os anais do I Congresso nacional do Negro, realizado no Rio de Janeiro entre 26 de Agosto e 4 de Setembro de 1950, organizado por Abdias, Guerreiro Ramos e Edison Carneiro.)

Já dizia ele nos Abdias:

 “Duas correntes mais significativas sobressaíram (no congresso): A maioria, constituída do povo negro, pessoas destituídas de títulos acadêmicos ou honoríficos; e do outro lado, os que se auto intitulavam ‘homens de ciência”. A camada popular e o grupo dos ‘cientistas’, ao final do congresso, se chocaram violentamente.”

Depois me esqueci do Abdias. Fui. Mergulhei em novas experiências aprofundadoras, na opção pelo filtro fantástico da Arte, que ampliando a minha visão de mundo, avançando para a lógica cultural das revoluções africanas que me instigavam a lutar com as armas da canção eu fui, porque não?

E elas, as revoluções dos poetas e músicos africanos, fervilhavam mesmo, aqui e ali (menos aqui) explodiam, vitoriosamente e enchiam de esperança e certezas a minha ansiedade para ser logo uma pessoa menos irrelevante, menos banal e conformada nesta vida. Doce presunção juvenil.

…Miscigenação nunca foi sinônimo de ausência de preconceito. Daniel Guerin, um francês que estudou a situação do negro norte-americano, anota que ‘quase todos os negros americanos – 80%, calcula-se) são, na verdade, mulatos’ está aí destruído o mito de que a mistura de raças é contraprova do racismo.

O imperativo fusiológico, as condições sócio-econômicas, levaram o português ao comercio sexual com a negra. Nada prova a favor de sua índole ser isenta de preconceitos. Os resultados deste processo biológico aí estão à face de quem quiser ver:Um simulacro de democracia racial elevado à categoria de tabu, fetiche…”

Me lembro claramente de ter estado junto do Abdias do Nascimento, em eventos do Movimento Negro durante esta época. Num deles, na praça de alimentação do Shoping Center da Gávea, durante um show do grupo Vissungo, Abdias me apareceu lá para as tantas dançando glorioso, vestido de Exu das Sete Encruzilhadas, com uma capa vermelha esvoaçante assustando a empáfia militante de uma garotada radical negro-careta que achava que a causa tinha que ser carrancuda para se dar ao respeito.

Na hora gostei, mas só agora me dou conta de que Abdias sabia muito bem o valor que a cultura tem como estratégia de luta contra iniqüidades como o Racismo, por exemplo. Afinal – que distraído eu era! – Abdias, Guerreiro Ramos e Aguinaldo Camargo (outra grande figura, intelectual e ator fantástico) faziam, exatamente isto nos anos 40, 50, 60 como Teatro Experimental do Negro.

“…Outro fundamento da revolta é algo que ultrapassa o desprêzo da pele preta: Trata-se do esmagamento da cultura trazida pelo africano, cujos valores foram sumariamente proscritos de nosso complexo espiritual-cultural. Numa conferencia na ABI, patrocinada pelo TEN, Katherine Dunham teve a oportunidade de afirmar judiciosamente que a mais sensível das formas de privação e esbulho é essa que provoca a inanição espiritual resultante do seccionamento dos liames da origem e da tradição..”

Fui, já nesta rota de esquecimento, lançando o Abdias naquela prateleira das inspirações essenciais, porém já superadas, lendo que estava agora as teses mais antenadas com a idéia da cultura como arma política, em obras de artistas-guerrilheiros como Amílcar Cabral e Agostinho Neto, ouvindo Rui Mingas e José Carlos Schwartz , não menos guerreiros, cantando o orgulho das revoluções africanas recém vencidas.

Sim. Foi assim que fui me desavindo daquele movimento negro dos 70 que, presunçosamente tentava superar o ‘velho’ Abdias e seus companheiros da geração dos anos 50. Um ‘novo MN’ que começava a ratear naquele seu arrivismo norte-americanista, namorado já por aquela esquerda meio sindicalista, pseudo-socialista, mas também racista ainda em seu pequeno-burguesismo de vanguarda auto proclamada que por fim, logo depois da anistia em 1979, acabou por engulir o movimento negro todo como um picolé de chocolete que se dilui melento, se derrete, transformado que foi em manancial de quadros para o PT e outros partidos de esquerda (e depois até mesmo de diretita) num melê de entidades negras subalternas de dar dó.  A luta contra o racismo era secundária, a prioridade era por a esquerda no poder, diziam eles.

“… Integração social assim compreendida não deve, pois, ser confundida com o embranquecimento compulsório, o desaparecimento do negro e da negritude nos quadros étnicos de uma maioria predisposta à tragá-los.

Extinguem o negro manipulando o regime emigratório, na imposição de um estado permanente de miséria, na hipertrofia da miscigenação, como valor mais alto de nossa civilização. Não resta a menor dúvida: é o fim da raça negra no Brasil.

A integração não-racista que pregamos é outra. Corresponde à abertura de oportunidades reais de ascenção econômica, política, cultural, social, para o negro, respeitando-se a sua origem africana…”

E o que diremos nós nestas nossas Abnoites?

Hoje pela manhã, comovido, pensando na morte deste mestre de muitos de nós, reli os textos dele. Incrível como o seu agudo pensamento ficou cravado em nós. Abdias é lâmina de fio perene. Enquanto houver racismo no Brasil a sua voz estará cortando os ouvidos dos cínicos.

Imperativo repetir para vocês o Abdias dos anos 50 (ano do I Congresso do Negro do Rio de Janeiro) e o mesmo negro revoltado de sempre no ano de 1968, plena ditadura militar, refletindo sobre estes mais de 20 anos de luta quase solitária contra os iníquos e mais sórdidos que insistem em desconversar o racismo.

“A posição de certos negros lembra o personagem do romancista Ralph Ellison: O homem invisível (Invisible Man). Trata-se da história de certo negro que tentou não ser visto pelos outros, já que sua côr negra lhe trazia coação, perseguição, discriminação, enfim, todos os sofrimentos. Tornando-se invisível estaria resolvido o problema. Perdendo a identidade deixava de ser realidade para os olhos dos outros, não sofreria mais. Ele seria o não-ser, o não-existente, para os outros. Não previra, porém, que ninguém – nem o negro – consegue não existir existindo.

Agora ele quer ser percebido, quer tornar-se realidade para os outros. Ilumina sua habitação de negro pobre, mas nada consegue, nada ocorre, nada se modifica. A luz só o ilumina para ele próprio, já que resolveu o problema para si mesmo, sem procurar resolvê-lo para sua gente de forma coletiva.

O problema continua: ninguém existe só e isolado de sua comunidade. Somos seres em relação. Transitivos. E isto é válido para para os membros de uma família, de um povo, das nacionalidades, da comunidade humana. Este é o sentido de nossa revolta.”

Quem de nós não conhece um invisible man (ou invisible woman) assim?

Como foi penoso descobrir, por outro lado que o que de mais moderno se pode falar sobre o assunto anti-racismo, em grande medida continua a ser o que ele, ardorosamente já trombeteava lá naqueles remotos anos 40 e 50.  Como é desanimador perceber o quanto ainda estamos longe de nos entender e superar esta questão insidiosa do racismo, este marco de nossa anti-democracia que envenena e engolfa em ódio afetividades e sentimentos.

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Fotos (uploads) de Elisa Larkin do Nascimento

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Autobiografia

EITO que ressoa no meu sangue

Sangue do meu bisavô pinga da tua foice

Foice da tua violação

ainda corta o grito da minha avó

LEITO de sangue negro

Emudecido no espanto

Clamor de tragédia não esquecida

Crime não punido nem perdoado

Queimam minhas entranhas

PEITO pesado ao peso da madrugada de

                                                    Chumbo

Orvalho de fel amargo

Orvalhando os passos de minha mãe

Na oferta compulsória de seu peito

PLEITO perdido

Nos desvãos de um mundo estrangeiro

Libra…escudo…dólar…mil-réis

Franca adormecida às serenatas de meu pai

Sob cujo céu minha eseprança teceu

Minha adolescência feneceu

E minha revolta cresceu

 (Abdias do Nascimento em “ Axés do sangue e da esperança (okiris)”-Edições Achiamé/Rioarte, escrito em Bufallo, EUA em 1981)

—————

(Para quem ainda não sabe, ‘Kalunga‘ para os povos da Angola atual e seus milhões dedescendentes no Brasil é o meio líquido, um lugar mítico e impreciso, volátil, que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos. ‘Orun‘, pelo que imagino é coisa parecida para os yorubas e para os adeptos do Candomblé no Brasil. Para as duas palavras o sentido de ‘Céu‘ ou mesmo ‘Paraíso‘, cai muito bem.)

Spírito Santo

Maio 2011

Fajutos Robin Hoods. Será que os mesmos cães que ladram são os que integram a caravana?


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Teoria da Confirmação…quer dizer…da Conspiração #01:

Eu, mais ou menos por aí, afirmando num post, na época da eleição da Dilma e levando pedradadas e cusparadas de petistas roxos:

“A Casa Civil da presidencia da República nos governos do PT é o cérebro da máquina de roubar que o partido no governo, portador do pecado original do stalinismo de resultados, mantém como…’Esquema de finanças’.

(O Post – acho que uma série de dois posts – se chamava Brasil da Máquina doida desembesta em 2011).

Ora, qualquer velho militante de esquerda sabe como funciona um ‘esquema de finanças’ de partido clandestino. É aquela teoria do ‘Robin Hood‘ na qual alguns quadros selecionados, do heróico e revolucionário partido (ou grupo, ou bando) rouba dos ricos ‘para dar aos pobres’. No tempo da ditadura o caso mais emblemático foi o do funcionário do Branco do Brasil Jorge Medeiros Valle que usando de artifícios contábeis, desviou cerca de dois milhões de dólares para a guerrilha que enfrentava o ditadura militar brasileira.

“Jorge Medeiros Valle ficou conhecido na imprensa, entre os guerrilheiros e nos órgãos de repressão, como “o bom burguês”

Consta que o funcionário, não ficava com nem um centavo para si, mas a gente sabe muito bem como é o Brasil, as coisas aqui mudam rápido e da água para o vinho.

Como se viu agora neste nosso constrangedor presente, só escapou de escândalo dos abatidos na Casa Civil em pleno vôo a – com todo respeito – Dona Dilma, mas só os tolinhos do pau oco é que se esqueceram da assessora dela Erenice Guerra que, feita titular depois da atual presidente, logo se mostrou mais suja do que pau de galinheiro, antes mesmo de esquentar a cadeira, ou seja, já devia estar operando, como testa e ferro de alguém há muito tempo.

Não se esqueçam também que Zé Dirceu (também um bem sucedido…consultor corporativo) era o candidato virtual do PT à presidencia do Brasil, como também foi cogitado o nome do Palocci até que por fim se escolheu Dona Dilma, todos membros da confraria da Casa Civil.

Se querem mesmo saber, sigam os escândalos cíclicos inclusive em sua natureza de malha milionária de fornecedores (identificáveis) de uma grana preta que ninguém nunca sabe quem deu, quanto deu e porque deu.

A única ponta que aparece é o enriquecimento dos titulares da pasta ou de seus familiares que alegam sempre terem feito jus a vultosas comissões por desempenho em misteriosas consultorias, com mais vultosas ainda “cláusulas de sucesso” ( a bolada aumenta se o lobby for bem sucedido). Uma cachoeira de dinheiro, uma bufunfa das arábias. No caso de Palocci a maior parte da grana preta foi paga a empresa dele com o sujeito já titular da Casa Civil. Como assim? E ninguém via, ninguém viu?

É… não se fazem mais ‘Robin Hoods’ como antigamente. Os bandidos nem se escondem mais na floresta de Sherwood. Estão tranquilos, sentados nas salas e ante salas e do castelo do sheriff.

Avisar a gente avisa, né? 

Spírito Santo

Maio 2011

Brasil de fato bantu


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Rugendas:Caminho que leva ao Arraial do Tijuco (Diamantina, MG) seculo 19…”Ho, ho, ho! Caiu o mito da supremacia nagô”

Inventei este refrão de samba enredo aí só para zoar os críticos e me divertir.

É que…Ah, ah, ah!.. Cansei de ser chamado de maluco, inculto, estúpido e analfabeto quando falava , já ali pelos anos 70, baseado nas pesquisas do Grupo Vissungo pelo interior do país, que a cultura negra do Brasil é, majoritariamente bantu.

Esta eficiente linguísta Yeda Pessoa de Barros que vocês lerão logo abaixo, aliás, é praticamente a única academica brasileira do ramo linguística a estudar em profundidade os VISSUNGOS, cantos bantu dos negros escravos mineradores da periferia de Diamantina, MG, terra de meu pai, oriundos da região africana ocupada hoje, em grande parte por Angola, provavelmente da área do que é hoje as províncias de  Huambo, Benguela (porto principal de translado de escravos angolanos para o Brasil no século 19) e adjacencias.

Como no Brasil, por razões que Yeda coloca bem claramente como sendo um muito pouco doutoral etnocentrismo, recorrente de nossos filólogos academicos (etnocentrismo este que já identificamos e abordamos aqui em vários outros posts) se montou uma imensa bibliografia calcada em meras conjecturas e mistificações que afirmavam, irresponsavelmente uma discutível supremacia nagô-yoruba em nossa cultura (um vício academico-racista instilado em nossa universidade – podemos afirmar hoje com toda certeza – pela controversa, embora seminal etnologia eugenista de Nina Rodrigues no fim do século 19).

Um alívio para nós que os estudos etnológicos brasileiros, relacionados a imensa contribuição africana na formação de nossos modos de ser e viver, sejam reencaminhados a seus mais corretos trilhos.

Para mim alívio pessoal e regozijo porque, cá entre nós…Nada como rir por último.

Minas só, não. O Brasil é bantu.

(Matéria original  em Quilombo.com.br )

Por volta de novembro de 2002, os confrades Falabella e Lasmar, do Instituto Histórico e Geográfica de Minas Gerais – IHGMG, enviaram-me matéria publicada no Jornal do Brasil, onde pude ter notícia da maravilhosa pesquisadora e etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro.

Currículo nacional e internacional para acadêmico nenhum botar defeito, Yeda, no dizer da jornalista Eliane Azevedo, explodiu a polêmica: “o idioma que se fala no Brasil não é europeu. Trata-se de um português africanizado – uma extraordinária convergência entre o banto (grupo etnolingüístico da África meridional) e a língua de Camões.

”No encontro entre as línguas africanas e o português arcaico, em lugar de surgir um conflito, houve um nivelamento, um processo de africanização”, garante a ex-diretora do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integrante do Comitê Científico Brasileiro do Projeto Rota do Escravo, da Unesco.

Yeda não poupa filólogos e estudiosos acadêmicos para apontar que só o preconceito etnocêntrico fez com que palavras que garante ser banto, como mocotó e moranga, tenham atribuição indígena nos dicionários. E que só se estudou a cultura iorubá porque era um povo que tinha escrita[4]. ”Chegou-se a um estereótipo de que os iorubás eram superiores. Zumbi dos Palmares era banto, mas, no filme de Cacá Diegues, os palmarinos falam iorubá, quando não havia um deles ainda no Brasil”, argumenta, furibunda[5]. A tese de Yeda está exposta no recém-lançado Falares africanos na Bahia (Topbooks, 368 págs.) – que o colunista do Jornal do Brasil Millôr Fernandes classifica como sua ”atual bíblia”.

Yeda tem mesmo total razão.

Segundo números tabulados por Maurício Goulart[6], o maior pico de sudaneses ocorreu em 1720, 60,22% da população negra, quando começou a decrescer velozmente ante o crescimento dos bantus que chegaram a ser 86,41% em 1790, contra apenas 13,59% de sudaneses. 

   DÉCADA SUDANÊS

% S/TOT

BANTU

% S/ TOT

TOTAL

MÉDIA ANO    
1701-1710

83,700

54.46

70,000

45.54

153,700

15,370

1711-1720

83,700

60.22

55,300

39.78

139,000

13,900

1721-1730

79,200

54.14

67,100

45.86

146,300

14,630

1731-1740

56,800

34.20

109,300

65.80

166,100

16,610

1741-1750

55,000

29.71

130,100

70.29

185,100

18,510

1751-1760

45,900

27.10

123,500

72.90

169,400

16,940

1761-1770

38,700

23.51

125,900

76.49

164,600

16,460

1771-1780

29,800

18.47

131,500

81.53

161,300

16,130

1781-1790

24,200

13.59

153,900

86.41

178,100

17,810

1791-1800

53,600

24.19

168,000

75.81

221,600

22,160

1801-1810

54,900

26.62

151,300

73.38

206,200

20,620

TOTAIS

605,500

32.01

1,285,900

67.99

1,891,400

189,140

Méd/Década

55,045

32.01

116,900

67.99

171,945

17,195

Mas não é só. Duas questões há a acrescentar: a) os números acima provavelmente abranjam também São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso e não apenas as Minas, onde é provável que o número de sudaneses fosse menor ainda; b) no caso de Minas, não só os pretos eram em maioria bantu, como os próprios brancos, mormente os chamados de “ilhéus”, cuja maioria, na verdade vinha de Angola, Moçambique e outras possessões bantos da África, de onde conheciam as línguas por serem naturais ou moradores de longa data nessas colônias portuguesas.

Neste sentido, não nos esqueçamos de que hoje não é mais mera tese de que o povo brasileiro, até a descoberta das Minas, falava quase que exclusivamente a língua geral. Assim, no outro lado da moeda, mais uma vez acertou na mosca a maravilhosa etnolinguista: “(…) o africano adquiriu o português como segunda língua e foi o principal responsável pela difusão da língua portuguesa em território brasileiro”[7]. Evidente que convivendo com os portugueses em Angola e Moçambique, esses bantus tinham pelo menos alguma noção do português, quando não o falavam correntemente.

[4] Yorobás não tinham escrita coisa nenhuma. Como ensina Yeda, islamizados que eram, só faziam copiar textos do alcorão em língua e caracteres árabes. 
[5] O filme de Cacá Diegues teve que ser redublado, tirando-se-lhe a língua yorubá. 
[6] Estimativa de Maurício Goulart, in Devassa da Devassa, de Keneth Maxwel, 1995, 4ª Impressão, pgs. 290/291. 
[7] Falares Africanos na Bahia, pg. 78.

OSAMAGATE: File good is file dead


Ainda sobre a malhação do Judas Obama, o infiel

O conceituado Bob Woodward (ele mesmo, aquele do caso ‘Watergate) informa hoje nos jornais:

…Na Situation room na Casa Branca, no domingo à noite, o presidente e seu time de segurança nacional assistiram a um vídeo da operação, sem som…”

Ou seja: Como eu já havia sugerido antes, aquela foto com Hillary “chocada” (segundo ela mesma, que não se lembra do que pensava naquela hora, apenas controlando uma tosse crônica motivada por uma alergia recorrente para ela no início da primavera) e Obama ‘acuado’ num canto, não seria a transmissão ‘ao vivo’ da operação que matou Osama coisíssima alguma, afirmação apressada de alguns que insistiam em desqualificar a liderança de Obama na operação, colocando-o como um fantoche do Pentágono e da CIA.

A foto é oficial, da Casa Branca. Não me parece que pretendessem ser fotografados – ou que divulgassem fotografias comprometedoras – durante uma ação violenta e de desfecho imprevisível como aquela. Eu aposto que a foto flagra a exibição do vídeo pre gravado citado por Bob Woodward. Minha pista é clara: Um proeminente participante (um almirante, fardado) está ligado a um note book, provavelmente operando a exibição. Se fosse ao vivo ele também estaria vidrado no telão.

A matéria de Woodward (que pode ser lida na íntegra em O Globo entre outros jornais) esmiuça os detalhes da operação desde o início, com muita objetividade e sem as ‘abobrinhas’ difamatórias dos anti-obamistas de plantão.

Outras matérias que começam a analisar mais friamente a operação, vão nos dando conta de que as informações cruciais para a localização de Osama (aquelas que baseadas na identificação do nome do principal mensageiro dele, segundo dizem teriam sido obtidas sob tortura) já estavam levantadas bem antes de Obama assumir, ainda no tempo do governo Bush portanto, ele sim o torturador contumaz de presos de Guantánamo.

Há que se considerar também que as íntimas – e milonárias – relações estabelecidas entre os órgãos de informação do governo paquistanes e a CIA (e por conseguinte o Pentágono), decisões apenas mantidas por Obama, já que foram estabelecidas também no governo Bush, são relações extremamente suspeitas. Não é sob nenhum ponto de vista admissível ou justificável que no contexto do acordo de cooperação entre os dois governos não se tenha conseguido localizar o paradeiro de Bin Laden durante aqueles 5 anos  em que o terrorista-mor esteve homiziado naquele esculhambado cafofo de tres andares, cercado de quartéis das forças armadas do país.

Quem acredita numa balela destas?

As circunstancias absurdas da permanencia de Bin Laden, por tanto tempo ali pertinho da capital islamabad, só pode ser razoavelmente explicada pela disposição do governo paquistanes de protege-lo e (o que poucos ainda acreditam, mas eu cogito sim) a vista grossa, a anuencia de poderosas autoridades do governo norte americano que…vamos combinar… com toda certeza mandavam e desmandavam em toda a estrutura de inteligencia montada no Paquistão  desde o início da caçada, logo depois do 11 de Setembro. Colocar o governo paquistanês agora, de bode expiatório, X9, como estão tentando colocar o Obama, não colará nestas minhas cogitações. Duvido e faço pouco.

Por isto sugiro aos antiamericanistas roxos e sem noção: Menos…menos.

Vai ser necessário juntar todas as ensanguentadas peças do quebra cabeças poítico e ideológico que envolveu o desfecho do caso Bin Laden. Neste conjunto de peças, considerando-se que não havia nenhuma outra hipótese de Osama ser pego senão no âmbito das duas opções ‘vivo’ ou ‘morto‘, as únicas certezas até agora são que o governo Bush plantou e cevou todas as infâmias do caso, alguém no âmbito de seu governo acobertou e protegeu Osama por razões que talvez jamais se venha a desobrir quais foram e será preciso muita astúcia e sangue frio político para desconstruir o veneno da vingança instilado na política externa norte americana depois do 11 de Setembro.

Remember o incensado John Kennedy na Baía dos Porcos. Remember – mal comparando- o caso PC Farias no Brasil.

File good is file dead.

Spírito Santo

Maio 2011

‘MinC contra Google’? Ué? Mas não era ‘Autores contra Ecad?’


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Direito autoral no Brasil:Um processo rumoroso cheio de advogados ‘um-sete-uns’ e ‘joões-sem-braço’

 …”Mas na hora de distribuir conteúdo – vamos falar de música, especificamente -, o Google (e qualquer outro provedor) precisa pagar direito autoral, de acordo com legislações vigentes no mundo inteiro. Isso representa custo alto, dado o volume de informação em movimento. E aí entra o “facilitador” Creative Commons, um formulário pronto, que basta preencher e – eureca! – o autor abre mão de seu direito em troca da garantia (na verdade, nenhuma) de estímulo para divulgação da obra, uma vez que não há custo para quem a vai divulgar – e o verbo “divulgar” é usado eufemisticamente no lugar do que de fato é posto em prática: negócio. O conteúdo é negociado, não é “divulgado”. Ele é trocado pelas informações sobre seus gostos e preferências para orientar a publicidade que você recebe quando abre determinada página.”

Muito boa a análise do Mauro Dias em seu blog, desde que se observe que ele defende apenas um dos lados da questão e omite alguns aspectos imortantes do assunto. O grande equívoco para mim é que ele deixa de aprofundar a questão das licenças Criative Commons pelo lado fundamental das mesmas que são os seus variáveis termos específicos.

Eu por exemplo, que uso as referidas licenças, o faço porque tenho amplo controle do que postei acessando a busca do Google, verificando que só estão circulando conteúdos que eu autorizei que circulassem.  Posso também, com uma simples clicada bloquear os conteúdos que disponibilizei, embora não possa controlar totalmente as cópias que fizeram deste conteúdo, á minha revelia.

Numa destas oportunidades, um site acadêmico de uma universidade do Rio de Janeiro que não vou dizer o nome, disponibilizou uma pesquisa histórica particular que eu havia postado  (uma entrevista com uma ex-escrava) omitindo, deliberadamente o crédito à minha autoria, o que induzia o leitor a atribuir a referida pesquisa ao departamento de história da tal universidade. Feita uma reclamação por email, o tal post sem o crédito sumiu do site.

Posso, contudo afirmar que a quantidade de cópias aleatórias de meus posts se reduziu drasticamente depois que passei a colar o selo da  Criative Commons no início das matérias. Posso então controlar inclusive este aspecto, os das cópias de posts não autorizadas ou não creditadas, pois, as replicações porventura lesivas aos meus interesses, serão do mesmo modo localizadas no mesmo Google, me permitindo acessar e, caso queira, acionar os infratores localizados.

Se houver, como Mauro Dias afirma lucros auferidos pelo site (Google) ao disponibilizar os meus, os seus, os nossos conteúdos (o que é realmente lógico e provável que ocorra) poderemos um dia – nós e milhões de outros produtores de conteúdos – por garantia dos termos da própria CC, reivindicar nossos direitos. Considero as licenças CC por isto mesmo e pelo que me consta até agora, um dispositivo precário sim, mas muito útil – até por ser na área da internet o mais prático – de controle dos meus eventuais direitos autorais, e não o contrário.

O ‘x’da questão é que ninguém ainda sabe como e quando esta jurisprudência se criará.   Ou seja, não são as licenças CC as vilãs da história. A vilania está do lado dos grandes provedores, acobertados pela falta de uma nova jurisprudencia adequada à fluidez das mídias no contexto da rede, da Internet.

Mas é preciso sempre lembrar (vivo afirmando isto por aí): O que gera direito autoral não é a criação do autor em si, já que esta é intangível. O que gera direitos é a coisa física, tangível (literalmente aquilo que dá para pegar com a mão), reproduzida por meio de algum tipo de mídia, contendo uma cópia da criação. É esta cópia que chamamos de ‘conteúdo’ na internet. É a comercialização destas cópias-conteúdos que materializa os direitos autorais de quem quer que seja, o comprovado autor da obra original que foi copiada, multiplicada.

(O controle da propriedade intectual – a obra quando copiada, replicada – pelo próprio autor é, aliás algo que incomoda muito aos intermediários. Estão indóceis como marimbondos enxotados da casa. De que eles vão viver se nós mesmos pudermos controlar isto?)

O Google só disponibiliza o que os autores de conteúdos voluntariamente postam na rede. Estes, na falta de outra garantia melhor, se o quiserem utilizam o abrigo – precário ainda, como já reconhecemos, mas apenas por falta de melhor alternativa – das licenças Criative Commons, declarando que NÃO autorizam a exploração comercial de suas obras.

E outra coisa: O fato do Google, das licenças CC e outros dispositivos da internet não serem brasileiros é, obviamente uma alegação fruto, ou da ignorancia ou da má fé. A internet é planetária em si mesma. Quem não sabe disto? Não existe, pelo menos em tese, importância alguma se algo é brasileiro, inglês, javanês, paquistanês ou norte americano neste caso.

Lógico está, portanto que  os provedores de conteúdos (O Google, por exemplo, como Mauro Dias sugere) que auferirem lucro direto ou indireto, comprovável destas obras licenciadas, em teoria, estarão expostos a algum tipo de demanda jurídica, que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser resolvida… e como sempre por pressão dos criadores eventualmente lesados.

Mas convenhamos, permitam-me insistir: A disponibilização que o Google faz, além de ser autorizada pelos criadores, pelo simples ato de postarem, não é o dispositivo que confere tangibilidade a estes conteúdos. O território é difuso, muito difuso, na verdade qualquer site ou blog funciona como um pequeno Google ou Wikipedia, ou lá o que seja, disponibilizando conteúdos criados ou não por terceiros. Todos ‘estão’ piratas nesta história.

Este caráter bucaneiro da rede é sistêmico. Procurar a cabeça da hidra ladra é o mesmo que procurar no fundo do mar a mão amputada do Capitão Gancho.

Quem neste ambiente ambíguo da rede estaria conferindo tangibilidade à replicação de conteúdos? Muito provavelmente será deste elemento da equação que teremos que cobrar direitos autorais um dia, cabendo a ele, se convenientemente pressionado, numa reação em cadeia, cobrar dos provedores tipo Google, Wikipedia, Picasa, Facebook, etc.que, por sua vez terão que  cobrar algo dos demais elementos do sistema que, num ‘freio de arrumação’ mais ansiado do que previsível em algum prazo, organizará de novo a questão dos direitos autorais (bem entendido que nada será como antes neste setor).

Ora, toda esta pendenga nada tem a ver com as licenças Criative Commons. O que parece estar ocorrendo neste caso do Minc-Ecad é que os interessados nos sistemas de comercialização convencionais (por exemplo e no caso, os CDs físicos e os direitos de execução em rádios, clubes etc. ) e seus intermediários estão demorando a perceber que o seu poder de auferir os lucros astronomicos que auferiam, se utilizando de mecanismos mais que discutíveis de arrecadação e distribuição de direitos (como ocorre com o hoje famigerado ECAD do Brasil), vão mudar drasticamente e eles terão que, mais cedo ou mais tarde, ceder os anéis para não perder os dedos.

Basta olhar atentamente a foto no Teatro Casa Grande dos artistas que apoiaram a eleição de Dilma Roussef e pinçar as carinhas mais entusiásticas de gente da MPB que uma ou outra – muitas na verdade, as quais não enumero para não parecer leviano – já avisadas de que um provável acordo os colocaria no poder fecharam com o PT.

Este poder barganhado (que desalojou o pessoal da gestão anterior, a tendencia Juca-Gil), estamos podendo entender agora, parece ser o de manter o esquema de distribuição de direitos autorais do Ecad, inalterado além de estimular algum tipo de controle governamental sobre a circulação e a disponibilização de conteúdos na Internet.

Escandaloso acordo este, oportunista de doer, não acham não?  Tanto que uma gritaria sem tamanho mexeu com a placidez da – dizem que autista – nossa tão calma ministra que agora, em mais uma saia justíssima, comunica que o MinC passará a fiscalizar o … Ecad. Como assim? Quer dizer que a ministra agora, em vez de apoiar fiscalizará, exatamente o grupo que, pelo que todo mundo diz a colocou e mantêm no poder? Não estariam estas bolas trocadas?

Não entendeu? Pois então leia este post. Ele é essencial para se compreender, minimamente o embróglio em que o MinC da moça de nome batavo se meteu.

“…O Ecad é administrado por dez associações. Por lei, seria uma entidade “sem fins lucrativos”. Em 2010, arrecadou nada menos do que R$ 432,9 milhões, e distribuiu aos artistas R$ 346,5 milhões. Isso significa que a diferença – volumosos R$ 86,4 milhões – teriam sido utilizados para cobrir despesas administrativas. Foram beneficiados 87.500 artistas, de um total de mais de 350 mil fi liados (75% dos autores, portanto, não receberam nada). A justificativa do Ecad, nesse caso, é que os 87.500 são os únicos que criam e interpretam obras musicais com potencial econômico. Das obras contempladas, quase um quarto são estrangeiras. Para entender esses dados, é preciso fazer um raio-x minucioso na estrutura do órgão. Entre as dez associações que o administram, duas comandam praticamente sozinhas o processo. A Associação Brasileira de Música e Arte (Abramus) e a União Brasileira de Compositores (UBC) têm, juntas, 29 dos 37 votos da assembleia decisória (78,4%).”

Ninguém sabe ainda no que isto vai dar – nem mesmo como vai se dar – mas uma coisa é preciso entender: A fila anda. Os criadores de conteúdos (músicas, textos, fotos, etc.), os maiores interessados vão ter que se movimentar, se organizar, pressionar antes que o aventureiros (a turma insatisfeita de arrecadadores atuais) se aposse do sistema e o deforme de novo em seu próprio benefício.

Tudo é possível numa ilha de piratas em conflito (convém rezar também para que não haja nenhum vulcão adormecido nesta exígua ilha).

Só posso afirmar uma coisa: Eu presenciei – e até mesmo participei –  das reuniões e das discussões libertárias e modernizadoras  enfim, que no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro redundaram na então festejada criação do ECAD nos anos 70. Participei inclusive, com o Grupo Vissungo de muitos eventos e shows pelo Brasil a fora, Curitiba, São Paulo, etc. levando a mensagem da moralização da arrecadação e distribuição de direitos autorais, controlada na época por um famigerado grupo de arrecadadoras organizadas num cartel mui guloso.

Eu disse cartel mui guloso?

A entidade que puxou as discussões se chamava ‘Sombrás”. Dela participaram ativamente, muitos dos que agora se aferram, com unhas e dentes ao Ecad atual – tendo, segundo se diz por aí – a ministra da cultura Ana de Holanda como representante – na defesa do comprovadamente viciado esquema de arrecadação de direitos atuais que assumiu esta forma de hidra interesseira e corporativa (às  sombras) que a velha ‘Sombrás”  denunciava nos românticos ‘anos  de chumbo’.

É…tsc, tsc, tsc… o esquema de hoje tem uma melancólica semelhança com o vergonhoso sistema ladrão dos anos 70. Tomara que, se em se tratando de acordos eleitorais a casa da mãe joana seja só a do Minc.

Do pulsante coração de estudante bêbado, abraçado ao equilibrista ali naquele clube da esquina, parece que sobrou apenas a nossa cara de babaca.

Como endireitar tão bolorentas e ‘bregas’ canções se “..nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam mais?…”

Spirito Santo

maio 2011

Matem! Derrotem o infiel Barack Hussein Obama!


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Vai entender este mundo cão?

Obama pega Osama e vira caça da mídia ocidental e dos fundamentalistas do mundo inteiro.

Olha…Esta carga de pressão acusatória, individualizada contra o Obama é, além de escandalosa muito perigosa, um tanto irresponsável diria. Do que eu ouvi falar a expressão contida na ordem de pegar Bin Laden foi capturar ‘vivo ou morto’, uma exortação clássica e realista neste caso. Não acredito que um presidente ordenasse o assassinato sumário de alguém. Nem mesmo Bush seria tão estúpido. Seria preciso provar cabalmente esta acusação – de que Obama ordenou que matassem Osama – para ela ser levada a sério.

A foto do alto comando assistindo a cena do ataque à casa de Bin Laden é controversa mesmo (nem mesmo é possível se afiançar que eles estão assistindo a ação ao vivo). A posição retraída de Obama, num canto discreto da sala junto a seu staff, dá a impressão de que ele teve uma atuação escundária e subalterna no ato. Ressaltando que esta coisa de ‘comandante em chefe‘ sempre me pareceu mais retórica do que real (afinal presidentes tem assessores militares com a função de pensar as soluções mais radicais), acho que devíamos onsiderar também que ele estar de jaqueta dos Seals á frente da mesa com ar de comandante, não iria mudar muita coisa. Podia até piorar a imagem de assassino que querem lançar sobre ele.

O que está me causando mais estranheza, contudo é que todas estas denúncias de que Obama teria dado ordens para torturar pessoas para obter informações sobre o paradeiro de Bin Laden são, além de velhas, algo dubiosas no sentido de que não se sabe exatamente quando estas ordens foram dadas e efetivamente quem as teria dado.

Eu, pelo menos, acredito piamente que o paradeiro de Osama já era notório e sabido para a CIA e o Pentagono, pelo menos há cinco anos, o que colocaria as seções de tortura na conta do governo Bush.

Afinal, de onde vieram estas informações, agora tão insistentemente associadas à esta ordem (que supostamente teria sido dada por Obama) para que ‘executassem’ sumariamente Osama Bin Laden, informções também ligadas maliciosamente à maneira como ele teria sido morto, se assim ou assado enfim? Para mim isto tudo soa mais como uma campanha difamatória oportunista e um tanto fora de propósito… pelo menos honestos propósitos.

Me lembro claramente o quanto estas denuncias são requentadas. Elas nos chegaram bem mais vívidas na época de George Bush e tenta-se, sei lá quem, lançar agora toda a responsabilidade sobre o Obama, ficando Bush e sua turma livre leves e soltos, justo eles, aqueles que realmente lançaram esta doutrina do ‘prende e arrebenta‘ , Guantanamo, técnicas ‘avançadas’ de tortura e interrogatório e outras meiguices e carinhos político-policiais.

Está bem: Obama não desmontou a máquina de Guantanamo e do Afeganistão – a ‘Guerra ao Terror ‘- Mas vai saber porque?

Chamo a atenção, portanto, para o aspecto político destas acusações de agora, que beneficiam nitidamente o partido Republicano (que é a direita nos EUA, não se esqueçam!), obviamente o maior interessado em se livrar da responsabilidade do que fez no Iraque, Guantanamo e Afeganistão lançando toda a lama sobre o Obama e ganhar votos do eleitorado mais á esquerda.

Repito. Acho que no contexto norte americano, numa estratégia de entregar anéis para não perder os dedos, Obama fez a coisa certa.

Afinal, queriam o que? Que Bin Laden ficasse eternamente solto por aí? Queriam que ele fosse preso vivo, mesmo que não aceitasse esta hipótese ou já estivesse determinado a não se render? Se a ordem – pertinente, no caso – era pegá-lo vivo ou morto, como – e por que – questionar a lisura da ação se, efetivamente, como todo mundo esperava, ele foi pego?

Duvidar de sua morte ou da ética de sua rendição, procurar elementos para provar que a ação foi covarde, ilegal (?) ou truculenta, que as pessoas presentes – familiares e guarda costas de Osama-  foram trucidadas, sem chance de defesa, que sentido – ou intenções – têm todas estas reservas e questionamentos, assim tão gratuitos e sem fundamento? Em se tratando de Bin Laden, esta onda de indignação – pelo menos aqui no ocidente – não pega um pouco mal não?

Apenas desconfio, mas gostaria sinceramente de saber de onde vem realmente esta má vontade extrema, esta desconfiança (muito mal disfarçada de anti-americanismo renitente) para com Barack Obama, esta torcida quase mórbida para que ele – o indivíduo Obama , bem entendido – fracasse, se desmoralize para que ele, já que não ‘fez na entrada’, ‘faça na saída’.

As condições objetivas para o assassinato cultural – ou mesmo um atentado à vida –  de Barack Obama pode se configurar neste contexto mórbido que conjuga, configura coincidentemente, inimigos de varios matizes, com e sem turbantes.

Que Alah o proteja!

Pense nisto.

Spírito Santo

Maio 2011

Atenção galera ‘libertária’: Bin Laden se chama OSAMA e não OBAMA, valeu?


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Vou logo avisando : Eu NÃO rompi com o Obama. Por razões bem básicas.

Primeiro por que sei que ele não é o Presidente do Mundo, no sentido em que governa segundo os interesses daqueles eleitores de lá, que estavam fazendo aquele carnaval de rua. Se ele defendesse os nossos supostos interesses (anti americanistas por tradição e as vezes até por babaquice) não seria siquer eleito. Acho, inclusive estratégico para o desenvolvimento da democracia no mundo que haja um presidente negro nos EUA. Obama não é um político de direita e isto é o único requisito fundamental neste momento, pelo menos para mim.

Segundo porque não acredito que fosse possível pegar Bin Laden vivo. Vi uma entrevista de um ex guarda costas dele que afirmou que a sua função seria, exatamente executá-lo diante da eminencia dele ser preso. Considero irrelevante saber como Bin Laden tombou morto e o fim dado ao seu corpo, porque jamais saberemos, realmente o que ocorreu. Tenho certeza absoluta de que os interesses envolvidos e sua morte vão muito além do que imagina a nossa vã ideologia.

E tem também aquela história: No Brasil se mata inocentes todos os dias em ‘autos de resistencia’ e não vejo gritaria alguma dos ‘libertários’ de plantão. Ah…já sei, os assassinados são traficantes pés de chinelo, mas cá entre nós…esta desculpa nem em favela com UPP cola mais, certo?

Terceiro: Bin Laden durante…sei lá…5 anos estava tranquilão naquela casa cercada por VINTE quartéis das forças armadas paquistanesas (eu disse VINTE sim!),  forças armadas estas, principais aliadas dos americanos na guerra do Afeganistão. O homem mais perseguido do mundo em toda a história estava lá  protegido, segundo imagino por algum acordo com altas figuras do governo americano.

Acho muito remota a possibilidade do governo norte americano, a CIA, o pentágono e o governo do Paquistão não saberem onde Bin Ladem estava. Se esta minha suposição proceder, Obama teria se insurgido contra um esquema sórdido e antigo , talvez ligado aos segredos comprometedores que Bin Laden detinha consigo, desde que foi aliado dos americanos na guerra dos muhajedins contra os russos no Afeganistão (dizem que ele era, na verdade, agente da CIA), é bastante provável enfim que um acordo entre os que protegiam o Osama e os que precisavam dar uma satisfação á sociedade norte americana ocorreu.

Obama se deu bem neste acordo. Osama perdeu. The end?

Se interesses norte americanos haviam e Obama agiu contra eles, favorecido por alguma mudança na conjuntura política no Oriente Médio, por exemplo, ele teria agido a favor dos interesses de seus eleitores, mesmo sendo interesses de vingança que eu – cá entre nós e sem hipocrisia – considero até legítimos neste caso. Pelo que me consta, estes interesses dos cidadãos norte americanos – a vingança contra Bin Ladm e a Al Qaeda – não ferem interesses brasileiros. Se ferem alguma ética – e ferem sim – esta é uma outra questão cuja responsabilidade não pode ser seriamente atribuída a um indivíduo (Obama no caso).

A nação que nunca assassinou um herói de uns que para os outros era um bandido inimigo, que atire a primeira pedra.

A galera daqui releva e perdoa um monte de barbaridades dos ultimos governos brasileiros, não só assassinatos de inocentes a tiros, mas também o assassinato seletivo de milhares e mlhares de pessoas por força de políticas clientelistas, maquiagem de estatísticas e outras maracutais malandras, desmascaradas sempre tempos depois, inspiradas e motivadas, não raro por interesses corruptos das mais diversas ordens, á esquerda e á direita de nossos sonhos.

Como não somos norte americanos não dá pra sair por aí elogiando euforicamente o Obama pelo ato não, claro, afinal um cidadão foi assassinado e se esperava que ele fosse preso e julgado, as prerrogativas da lei e do direito internacional foram, de novo quebradas (lembrei agora do Mossad israelense caçando nazistas assassinos por aí) mas é preciso considerar que se tratava de um assassino confesso, acusado de matar covardemente mais de 3000 pessoas.

Acho que é preciso cuidado na oposição cega ao presidente americano atual. Afinal dá muito na pinta que uma parte consideravel de pessoas ‘de esquerda’ por aqui odeie o Obama  de paixão muito mais do que odiava o Bush e (o que é bem estranho) exigindo dele, Obama um comportamento de Santo Antônio dos pobres, um Dalai Lama universal, um Mahatma Ghandi do pelourinho, o Mandela do planeta, algo assim acima do bem e do mal só porque ele é um negão de centro esquerda governando o país mais rico do mundo.

Menos, menos. Não vi ninguém defendendo assim tão veementemente o Sadam Hussein, caçado como um cachorro e enforcado com toda certeza por uma ordem final do Bush que – se liga, galera! – foi quem endossou também a invasão do Afeganistão na caça de um Bin Laden que como se viu agora, estava tranquilamente homiziado no país ao lado. Afinal, foi o Bush quem inventou aquela farsa toda das armas de destruição em massa, não se lembram não?

Aliás, vamos combinar: A gente já teve um presidente aqui,recentemente mui amigo do Bush, aquela excrescencia presidencial da direita do Partido Republicano dos EUA, principal responsável por todas estas barbaridades atuais cometidas pelas tropas americanas no Oriente Médio.Gente!

Vamos ponderar: O bandido terrorista e assassino era o OSAMA, tá? Barack OBAMA é, apesar daqueles que não o toleram, O CARA , nesta parte da história, o” homem que matou o homem que matou o homem mau”.

Desculpem a franqueza assim, numa hora destas, com o Obama sorridente e a cara fake estraçalhada do Osama emoldurada no vídeo. É que fico muito desconfiado desta campanha generalizada da imprensa (a brasileira, pelo menos) nesta sanha quase neurótica, de tentar desqualificar a ética desta operação que culminou com a morte do Bin Laden.

Ficam enchendo o meu saco analisando as incongruencias dos meios utilizados na ação,  obscurecendo a natureza abrangente – e talvez até irrecorrível – dos fins.

A justiça é cega, surda e muda. As vezes ela morre atropelada.

Spirito Santo

Maio 2011