A face de Zumbi – A luz e a sombra do kilombo: Uma iconologia palmarina

Homem negro com espada. 1640-1648 -autor deconhecido (talvez Albert Echout)

Homem negro com espada 1640-1648. Autor desconhecido (talvez Albert Eckhout)

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Retrato falado: Modelo bom é modelo vivo

Verdades nuas e mentiras cruas na iconografia do Brasil holandês.

Um arguto e simpático leitor chamado Daniel Jorge, me mandou diversas informações numa série de comentários que fez aos posts que ando escrevendo – meio que sofregamente confesso – sobre uma provável iconologia da história o Kilombo de Palmares oculta há séculos por mui estranhas razões.

Tudo começou com uma nota que inseri no meu livro ‘Do Samba ao Funk do Jorjão’ acerca de uma misteriosa embaixada enviada pela Rainha Jinga (Nzinga Mbandi) e o Soba do Reino do Kongo na década de 40 do século 17 ao chamado Brasil holandês, fato, aliás -e entre outros – solenemente ignorado pela historiografia  brasileira,  por aquelas razões aí de cima, as quais talvez só Freud explique.

A pista era muito tênue, mas eu apostei nela e me dei bem.

Pincei a informação numa breve notinha num site de um pesquisador de história angolana Helder Duarte e de um velho livro do folclorista Câmara Cascudo que sugeria o acontecimento da tal embaixada, descrita por ele como se fosse uma espécie de lenda colonial.

Não era. É um fato histórico de alta relevância, pra lá de importante para a nossa saga brasileira, paradigmático mesmo porque pode alterar em 360 graus quase tudo que a historiografia oficial do Brasil, descaradamente diz sobre o Kilombo de Palmares.

As descobertas e os indícios – que vão se confirmando com uma rapidez impressionante – são fantásticos. Primeiro, confirmando cabalmente que a embaixada (ou embaixadas) ocorreu mesmo (tenho inclusive o nome do navio de uma delas: ‘As Armas de Dortrecht’), encontrei o retrato do embaixador congolês, cujo nome português era D. Miguel de Castro  (todos os membros da aristocracia congolesa tinham nomes ‘cristãos’, inclusive a Jinga que se chamava também Ana de Souza).

D. Miguel (a fig. 1 do mosaico que fiz com a série de imagens aqui comentadas) está vestido impecavelmente à holandesa, numa tela de um conjunto de três, já que haviam duas outras com os servos de D.Miguel de Castro, do mesmo modo vestidos com roupas holandesas (fig 2 e 3) – atribuídas ao fabuloso pintor Albert Eckhout, integrante da comitiva de artistas que Maurício de Nassau trouxe ao Brasil, entre os quais o mais famoso ficou sendo Franz Post.

(A bem da verdade a atribuição das telas á Albert Eckhout nada tem de definitiva, pois alguns especialistas atribuem estas mesmas telas a outro pintor flamengo: Jasper Beckx. Resta confirmar a estada de Jasper na comitiva de seis pintores trazidos por Maurício de Nassau  (dos quais só ficaram notórios o paisagista Franz Post e o mui citado  Albert Eckhout) posto que as telas sugerem fortemente por sua temática, o período da dominação holandesa em Recife, Brasil)

Daí, feito sangria desatada – ou rastilho de pólvora aceso, sei lá – a coisa evoluiu muito. Já com o concurso de dois colaboradores de peso, Aristóteles Kandimba (que, além de angolano reside em Amsterdam, Holanda) e Rafael Cortes, um desgarrado aluno do Musik fabrik que, fã ardoroso de Eckhout, me apareceu magicamente com comentários brilhantes e – Oh, glória! – o livro “Albert Eckhout. Pintor de Maurício de Nassau no Brasil 163/1644”, do crítico de arte brasileiro Clarival do Prado Valladares com TODAS as telas atribuídas ao Eckhout feitas em Recife no início da década de 1640, em excelentes reproduções.

Digo TODAS para não dizer…quase todas,  porque vivo achando por aí muitas telas holandesas de autor desconhecido – como esta aí de cima – as quais, pela época, o estilo, os fortes indícios de terem sido pintadas no Brasil, podem muito bem ser atribuídas à Eckhout)

Rato véio e chafurdador que sou desde sempre, encontrei na internet logo em seguida, uma tela de uma mulher de meia idade, vestida também à holandesa (fig 7) e com um suvenir de ouro a ser entregue á alguém. A anoninimidade do autor do quadro desanimava, mas o estilo, para mim já familiar do pintor, além do contexto lógico expresso pelas roupas holandesas da mulher, e o objeto ofertado me davam a forte impressão de que o quadro devia fazer parte daquela mesma série que dizem ter sido pintada por Eckhout em Recife.

E não parou por aí a série de descobertas por que ontem mesmo Daniel Jorge me apareceu com mais esta:

“Existe tambem uma ótima pintura do século 17 retratando um africano, comerciante de escravos ” (veja de novo, com zoom ou lupa se possível, a incrível imagem principal que ilustra este post).

Quase pirei. Na imagem – com certeza a mais impressionante de todas – o mesmo estilo a mesma época assinalada na descrição oficial do museu e o mesmo detalhismo perfeccionista, quase neurótico (veja a tradução a baixo) da arte de Albert Eckhout, pintor ‘verista’ de Nassau.  Um quadro que  instiga mesmo inúmeros mistérios.

Homem negro com espada”, pintura flamenga de autor desconhecido (descrição oficial holandesa)

“Óleo sobre tela Coleção do  Sr. e Sra. S. Nijstad, de Den Haag, esta pintura poderosa de um homem orgulhoso é cheia de enigmas. A identidade do pintor é desconhecida, assim como a identidade do homem no retrato e sua função.

Ele por vezes tem sido descrito como um comerciante de escravos, em virtude de sua espada e ar ameaçador. Suas roupas e os brincos são de origem ocidental, enquanto a sua espada e broche podem ser portugueses…

Sem perder tempo, larguei tudo que tinha a fazer para, instigado que fiquei para enveredar por esta nova trilha ou pista. Fui logo dando uma boa futucada naquele site onde Daniel havia encontrado a imagem. Já sabia da exposição Black is beautifull (realizada em 2008 pelo Museu Nacional de Amsterdam no Rijksmuseum de umas matérias sobre ele que achei do Brasil, mas não tinha visto todo o site original que é fabuloso.

Parti para traduzir alguns textos – que são excelentes – e escrevi por fim, no mesmo embalo esta matéria – mais uma, ufa! – para vocês sobre o tema que é (já deu para vocês notarem)  apaixonante demais.

A verdade infeliz, é que à medida que se vai descobrindo e revelando estas imagens, a gente vai confirmando que – desculpe insistir – a historiografia brasileira – não só a oficial, mas infelizmente toda ela – passou batida por esta iconografia riquíssima por razões bem esquisitas. Como nunca se deram conta disto? De qualquer ângulo que as observemos estas descobertas são impressionantes. Porque os indícios candentes que elas sugerem não foram esmiuçados por quem de direito (aqueles que, se julgam ‘cientistas’ sociais)?

Como vocês devem saber, os pintores holandeses que vieram com Nassau foram contratados para fazer – e brilhantemente fizeram obras de valor etnológico inestimável no caso dos retratos, quase que únicos em sua época.

Nesta busca, na medida em que me deparava com certezas estimulantes, como por exemplo, conseguir provar com os retratos do embaixador do Kongo, que uma embaixada angolana ou congolesa – africana portanto – realmente esteve aqui (pelo menos uma destas viagens de angolanos, num total presumido de três, ocorreu na época de Nassau para Recife e Amsterdam, bancada pela Cia das Índias Ocidentais) fiquei também com muitas dúvidas que me instigam mais ainda como se vê.

Tenho a impressão, por exemplo, que o retrato de D. Miguel de Castro (Fig 1) e os outros dois de seus servos (Fig 2 e 3 ), que não estão assinados tudo indica que são, mas podem não ser de Eckhout. Percebi também, contudo que cinco destes quadros que encontramos (entre os quais este que Daniel me mandou ontem) parecem ser do mesmo pintor, realizados na mesma época e no mesmo local (a cidade de Recife no Brasil holandês).

Mosaico Eckhout - Upload Spirito Santo

Mosaico Eckhout – Upload Spirito Santo

Mitos e iconoclastias, fantasmas e fantasias

A fabricação dos ‘zoombies’ (aqueles dos filmes norte-americanos)

No conjunto de imagens que analizei (vejam todas na ilustração acima) há também tapeçarias atribuídas à Eckhout (fig. 6, 8 e 9) com outros indícios do mesmo modo esclarecedores. Observem por exemplo o elmo na cabeça de uma rainha que desfila de rede por uma selva bruxuleante é o mesmo que está repetido em muitas imagens de autores diferentes. Daniel percebeu que o mesmo elmo era o indício forte de que a figura foi copiada de um desenho do século anterior, que retrata uma suposta rainha de Ouidá (‘Oiudah’/’Ajudá’) de pé portando na cabeça o tal ‘elmo real‘.

O mesmo elmo contudo, observei de minha parte, encimava também a cabeça de uma imagem do rei do Kongo D.João I, o ‘D. João da Selva’ ou da ‘Silva‘ (na verdade o soba Nzinga a Mbemba, filho de Nzinga Nkuwu, anfitriões bakongo de Diogo Cão no século 16. A repetição recorrente do tal elmo, em contextos geográficos e históricos tão distantes quanto a fortaleza de Ajudá (Forte de “Oiudah“, no Dahomey, hoje Benin) e o Reino do Kongo em seus primórdios colonialistas,  nos indica que as tapeçarias podem não ter lá este valor etnológico todo, não passando mesmo de meras idealizações mirabolantes, interesssadas em ressaltar o exotismo da África mítica, ‘para inglês ver’, uma deformação da fidedignidade dos quadros da safra anterior.

(Com efeito uma das fontes pesquisadas sugere que as tais tapeçarias foram encomendadas por Nassau para pagar dívidas contraídas pela Cia. das Índias Ocidentais com a Alemanha.)

O mesmo, contudo não ocorre com os retratos da fase anterior. Eles são ao que tudo indica cópias fiéis de modelos vivos, pessoas que realmente existiram. No caso da mulher de meia idade com o relicário de ouro na mão (Fig. 7), chamou muito a minha atenção, além do estilo inconfundível e similar ao dos outros retratos que documentam a embaixada do rei do Kongo à Recife, o fato dela estar também vestida à holandesa.

É muito provável, portanto que o retrato desta mulher, uma aristocrata congolesa certamente, faça parte do conjunto de telas atribuídas a Eckhout realizadas por ocasião da embaixada. A única certeza que não se tem é se os quadros todos foram feitos aqui, ou na estada da comitiva em Amsterdam. Presumo que tenham sido feitos aqui sim, pois não há registros da estada de Eckhout na Holanda no mesmo período em que esteve aqui, sabe-se inclusive que os quadros desta série foram presenteados por Nassau ao príncipe da Dinamarca, logo após a saída dos holandeses do Brasil.

A hipótese de estes retratos serem de autoria do mesmo pintor  – todos sem assinatura – embora apenas três sejam atribuídos á Eckhout– , é factível e lança uma luz surpreendente sobre a figura deste último retrato (o que encima este post). Mas os outros são, do mesmo modo inquietantes como este, por exemplo:

Mulher Africana, Eckhout. (descrição original holandesa)

“O cenário é a costa brasileira em meio a plantas e flores nativas. Ela pode ser identificada como africana pelo tecido da saia, seu chapéu e sua cesta, que são típicos do povo Bakongo. Suas jóias e vaso são de origem européia. Estudiosos europeus ficaram fascinados com a cor da pele clara do bebê Africano sugerindo que as crianças africanas, provavelmente cresciam ficando progressivamente mais escuras.”

Contudo, com os demais quadros assinados por Eckhout (‘Guerreiro Negro‘ – fig. 5- e ‘Mulher Negra‘- fig. 4-) que não são retratos fiéis a um modelo vivo, alguns cuidados adicionais precisam ser tomados. Alguns críticos e analistas – brasileiros principalmente- insistem em afirmar sempre que as figuras de negros não escravos (coisa incomum na iconografia sobre a escravidão no Brasil) não foram retratadas no Brasil holandês.

Esta insistencia em afirmar sem provar por ‘a’ mais ‘b’ que as telas não se referem ao Brasil é quase neurótica em alguns casos. Encontrei verdadeiros laudos técnicos de botânica (no livro de Clarival do Prado Valladares) solicitados pelo autor para tentar provar, por exemplo que as palmeiras que aparecem nos quadros não pertenceriam à flora brasileira, o que retiraria os personagens negros das telas do contexto do Brasil, o que as descrições oficiais, holandesas, de todos os quadros, ao contrário,  já assumiam literalmente.

E a respeito de palmeiras, aliás, vamos combinar: A região do kilombo de nossa história, que existia no contexto destas mesmas paisagens de Recife se chamava exatamente…Palmares!

E ora ora, que se saiba, tecnicamente as descrições oficiais, originais de quadros desta importancia, são documentos históricos indiscutíveis. Quais foram as intenções que justificaram as tentativas de falseamento destes indícios? Vai saber.

A possibilidade, que já levantamos num post anterior pode ser fortemente corroborada também – no caso da ‘mulher negra’ – pelo cenário que parece ser uma praia de Recife e pelo detalhe riquíssimo do chapéu que Daniel Jorge, lendo a descrição oficial do quadro observou, ser um chapéu tipicamente bakongo, comum na época e que, neste caso estaria sendo usado por  uma mulher com todo o jeito de ser uma não escrava -com um filho ‘pardo’ – em plena capital do Brasil holandês!

O caso mais patológico destas omissões e falsificações brasileiras é da famosa tela denominada pela crítica de arte do Brasil como ‘Mameluco’ (geneticamente a mistura de branco com índio), uma ilustração que muitos conhecem por ser recorrente em livros de história nas partes relativas à invasão holandesa. Mas vejam que curiosa a descrição holandesa:

Mulato“, Eckhout (descrição oficial holandesa)

“Esta pintura de um mulato consta de uma série de onze imagens em que Albert Eckhout fez retratando os habitantes do Brasil. Juntos, eles mostram a hierarquia social na sociedade ao tempo do Governador-Geral Johan Maurits von Nassau-Siegen (1604 -1679).

A pintura de Eckhout é uma das primeiras representações de um mulato, o termo usado neste período para designar um indivíduo fruto de pais,  um branco e o outro negro. Embora o homem tenha cabelo crespo e lábios salientes, o bigode e a barba loira estão evidentes, enquanto seus olhos são castanho claro. Eckhout, assim, sugeriu uma mistura de pretos com brancos. “

Ora, como se vê, a descrição oficial da tela  (que, como seria normal, deveria ser diretamente referida sempre por fazer parte da obra) diz cabalmente o que o personagem descrito é, discorrendo inclusive sobre a intenção precípua do pintor de detalhar fielmente as características, digamos assim, étnicas da população recifense da época, ou seja, a existência já de miscigenação entre negros africanos e brancos portugueses no Brasil do século 17.

Mas me eximo aqui de especular qualquer coisa sobre esta talvez… maluquice eugenista de nossos doutos, distorcendo até a descrição oficial de uma tela do século 17. Só afirmo de resto que, quer queiram ou não queiram alguns, é bem provável que as telas se refiram ao Recife holandês sim. Os indícios que atestam isto nos aparecem em profusão.

É mas…e quem será este o negão marrento com a espada heim, gente! O retrato só falta falar.

Acho mesmo muito difícil, por exemplo, que ele seja como sugere a descrição holandesa, um mero ‘traficante escravos‘ ou mesmo que a tela tenha sido pintada  na África. Não se tem notícia de pintores holandeses em Angola ou em qualquer lugar da África portuguesa na época (a exceção é Olfer Drapper que, na verdade era um desenhista-gravurista e não fazia retratos).

É óbvio que o homem – que, curiosamente pelo coque e os brincos que usa pode ser confundido um pouco com – ops! – uma mulher de hoje em dia, só foi retratado por que era uma personalidade proeminente, muito importante no contexto social daquela época.

A guisa de apagar logo possíveis controvérsias posso mesmo assinalar que negros livres, aristocratas, sobas de reinos aliados, ou mesmo homens comuns a serviço dos europeus se esmeravam em se vestir como europeus, com suas fardas e casacas (como era o caso do ‘assimilado’ Henrique Diasfig 10 – por exemplo) e não da forma despojada, irreverente, displicente mesmo, como a que este homem altivo exibe no quadro.

Chama a nossa atenção, fortemente também – e observem como isto impressionou bastante quem faz a descrição original da tela – a expressão petulante e o soberano orgulho do retratado.

..Uma coisa é certa, porém: o pintor criou um retrato original de um homem negro formidável, senhor de si.”

E se ele for, como insinuo que seja um líder rebelde retratado em pleno Brasil holandes, em Recife mais precisamente, que atribuição ou função vocês dariam a ele senão a de um guerreiro não escravo, um líder rebelde, um chefe quilombola?

Pode ser que ele tenha sido até mesmo um importante líder quilombola. Porque não? Não havia nenhum outro líder negro rebelde mais proeminente que Zumbi naquela época e naquele contexto. Seria este jovem rebelde um daqueles ‘Nkanga a Nzumbi, ‘Zumbis’ de Palmares (não se iluda. Eles foram vários entre 1620 e 1700) da nossa história real , tão carente de imagens de heróis verdadeiros?

Já pensaram? Seria esta mais uma descoberta do tio, daquelas, fantásticas?

Spirito Santo

Junho 2011

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Nota fortuita assaz esclarecedora, quase definitiva nesta referência:

Revta bras. zool., S Paulo 3(5) :249-326 28.vi.1985

ARTE E CmNCIA NO BRASIL HOLAND~ THEATRI RERUM NATURALIUM BRASILIAE: UM ESTUDO DOS DESENHOS *
PETRONELLA J. ALBERTIN”

“Para uma melhor compreensão da problemática existente em torno dos desenhos, é indispensável tomar conhecimento das pessoas que trabalharam no Brasil, durante a estada de Maurício de Nassau, e que de um ou outro modo podem ter contribuído para a formação da coleção de desenhos do Theatrum.

As discussões sobre o número e a identidade dos artistas que se integra- ram à comitiva de Nassau ainda não chegaram a conclusões unânimes.

Com certeza podem ser somente aceitos os nomes de Albert Eckhout e Frans Post. Ambos são citados na “Lijste van de domistiquen ant hoff van Sijn Extie Johan Maurits van Nassau.. op den 1 Apdl 1643 genietende de vrije taefel” 5 (Lista dos domésticos que tinham acesso à mesa na corte de sua Excia. João Maurício de Nassau a 1 Abril 1643). Citados sob os números 15 e 16 encontram-se respectivamente “Elbert Eechout (e) Frans Post beijde met jongen” 6 (Elbert Eechout e Frans Post ambos com ajudantes) . No entanto, continua sendo intrigante o fato de Maurício de Nassau ter escrito, em carta ao Marquês de Pomponne, q”e “dans mon service le temps de ma demeure au Brésil, six peintres, dont chacun a curieusemente peint à quoy ii estoit le plus capable . .. “.7

Esta passagem é tanto mais intrigante por a palavra “peintres” dar margem a diversas interpretações.

Sob esse termo geral, poderiam ser incluídos não somente artistas como Eckhout e Post, mas talvez também os cartógrafos e/ou os desenhistas de cunho mais científico como um astrólogo ou um botânico. Por Maurício de Nassau ter enfatizado que cada qual trabalhava “de acordo com sua capacidade ou especialidade”, poderia ser um argumento para aceitarmos que com “pein- tres”, de fato, não se deva entender somente artistas.

Albert Eckhout (Groningen cerca de 1610 – Groningen cerca de 1664)
Dos artistas que, com certeza, integraram a comitiva de Maurício de Nassau, de quem menos sabemos é Albert Eckhout. Segundo os escassos e inseguros dados biográficos encontrados sobre sua pessoa, teria nascido em Groningen, onde também veio a falecer. Nada ainda é conhecido sobre sua obra antes de partida para o Brasil. Ainda não se sabe ao certo como se estabeleceu contato entre Maurício de Nassau e Albert Eckhout.

Segundo H. E. van Gelder é possível que tenham entrado em cantata através de Jacob van Campen, que trabalhava nos projetas para construção da Maurits- huis.
Albert Eckhout, provavelmente contratado como retratista, partiu junto coro Maurício de Nassau em 1636. Aqui dedicou-se a retratar seres humanos e animais. Durante sua estadia no além-mar fez muitos desenhos mais tarde Absorvidos na composição de seus quadros.

Das obras a ele atribuídas algumas se encontraIV no National Museet de Copenhague.lO As características do Trabalho de Eckhout são mais fáceis de analisar através de seus quadros em Copenhague, principalmente por meio das oito grandes telas, assinadas e datadas em 1643, nas quais é apresentada a população nativa do Brasil.”

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Junho 2011

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~ por Spirito Santo em 02/06/2011.

9 Respostas to “A face de Zumbi – A luz e a sombra do kilombo: Uma iconologia palmarina”

  1. Não. Com certeza não é uma mulher. A legenda original da tela é enfática a este respeito. Comento isto no post. A impressão que se tem é porque o vemos como uma mulher de HOJE EM DIA. O fato dele não ter barba ajuda nisto aí, mas o look dele era muito comum (coque nos cabeelos e brincos) em homens da época, principalmente aventureiros e rebeldes como ele é descrito.

    Com certeza não é uma mulher. Isto é um problema para a hipóteses de se rever, por exemplo, a imagem dos zumbis de nossa história. Como aceitar a imagem de um herói, masculino portanto que se parece com uma mulher de hoje em dia?

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  2. Antonio , ou esto tendo visões ou este homem negro , que seria Zumbi , é ou não é , pelos traços marcadamente femininos , uma mulher ?

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  3. Vista da capital do reino do congo (infelizmente a imagem é pequena): http://detoursdesmondes.typepad.com/photos/uncategorized/sao_salvador_17.jpg

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  4. Alagoas na época do Quilombo dos palmares:http://consorcio.bn.br/slave_trade/iconografia/icon1024869p41g.jpg

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  5. Daniel,

    Esta ultima imagem foi muito ilustrativa. Respondi com um novo post, de tantos detalhes que ela me sugeriu.

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  6. encontrei uma pintura atribuida a Albert Eckhout mostrando um africano que aparentemente não é um banto:http://www.dorotheum.com/en/auction-detail/auction-8203-alte-meister/lot-902404-albert-eckhout.html

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  7. Daniel,

    Não conhecia esta história não. A mais antiga embaixada de que tive notícia foi a do filho de Nzinga Mbemba que foi á Roma em 1618, por aí, para ser sagrado bispo. Vou ler. Já vi que é mais lenha para a nossa fogueira.

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  8. Pintura fantastica do francês Edouard Antoine Renard mostrando um escravo de rebelando no navio negreiro:http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.ac-grenoble.fr/lycee/diois/Latin/IMG/jpg_1701-1800_E-A-_Renard_rebellion_d_un_esclave_sur_un_navire_negrier_Huile_sur_Toile_99x83_cm_La_Rochelle_musee_du_Nouveau_Monde.jpg&imgrefurl=http://www.ac-grenoble.fr/lycee/diois/Latin/spip.php%3Farticle2824&usg=__pWYKo_FioMepr5e_zMrUuzmeptA=&h=2807&w=2281&sz=1069&hl=pt-BR&start=0&zoom=0&tbnid=wxQn9FpwdlzJzM:&tbnh=134&tbnw=110&ei=Fg3oTe_-CsPYgQfKotXACg&prev=/search%3Fq%3Drebellion%2Besclavage%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26safe%3Doff%26sa%3DX%26rlz%3D1R2WZPC_pt-BRBR396%26biw%3D1600%26bih%3D755%26tbs%3Disz:l%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=427&page=1&ndsp=37&ved=1t:429,r:2,s:0&tx=82&ty=96&biw=1600&bih=755

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  9. Você conhece a historia do embaixador Antonio Emanuele Ne Vunda do rei Álvaro II do congo? ele liderou uma missão diplomática a roma, ele passou pelo brasil, espanha, e chegou a roma em 1608, mas morreu dias depois por complicaçoes médicas, uma pintura e uma estatua foram feitas em sua homenagem:http://www.specchioromano.it/fondamentali/Lespigolature/2007/OTTOBRE/Uno%20sventurato%20ambasciatore%20del%20Congo.htm http://www.imageoftheblack.com/gallery.html#

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