Sorry Europa, mas na Música Pop o ‘pulo do gato’ é africano

African alls Stars - Cover

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É. Só esta resenha, uma mera ‘palinha’ já diz quase tudo.

O livro – uma das minhas bíblias desde 1990 quando o amigo-aluno do Ghana Kwame Opoku (eu, na época, ainda morando lá em Viena) gentilmente me presenteou – é um clássico dos clássicos.

(É. Maluquice para os  incréus de mim e os desafetos ‘sabe-tudos’ que me perseguem, mas euzinho, afro-brasileiro, leigo de quase tudo, tive sim um aluno de  marimba que era…africano do Ghana. Pode?)

…Aluno não, porque na verdade – Kwame, advogado na sede da ONU de Viena, filho de uma família nobre de Akra, havia estudado um pouco de piano num liceu da ex-colônia inglesa, estas coisas e, bem mais velho que eu, me ensinou muito sobre música africana, me abrindo toda a sua coleção de música tradicional e pop de todo o continente em fitinhas k7 e fitas VHS que me dava ao fim de cada aula, durante um lanche maravilhoso com banana frita com canela por cima, prosaico manjar dos céus. Figuraça.

Bem, foi Kwame, como disse quem me deu este mais que precioso livro.

Falo do profuso music-book: “African all stars – The pop music of a Continent’, de Chris Stapleton e Chris May (editado por ‘Paladin Grafton Books – London 1987)

Músico ou não-músico, quem não leu precisa ler urgentemente para entender como é que a banda toca, ou seja, quais são os grandes segredos estruturais da melhor musica pop internacional.

…”Western music generally accentuates melody and harmony, keeping the rhythm to a simplistic, time-keeping role. In Africa, no such separates existing: horns, keyboard and stringed instruments are exploited their for rhythmic potential, while many instruments which Western would considerers exclusively percussive, such as talking drums or bells, are tuned for different pitches and increase the melody feel of the music.

African music’s concept of timing is also completely different from that of Westerns music, which generally sticks to one common beat, say 4/4 or ¾. In Africa, a bell player in a percussion group will keep the time-line while the rest of the ensemble creates a complex interplay of different beats, from 3/4 to 6/8 , and 6/8 for 2/4, all at same time. “

Sacou? Não? Então leia abaixo na minha até que razoável tradução:

—————

“…A música ocidental geralmente, acentua a melodia e a harmonia, mantendo o ritmo com uma função simplista, básica, voltada apenas para a marcação do tempo.

Na África, não se separa estas duas coisas: Sopros, teclado e instrumentos de cordas são explorados também pelo seu potencial rítmico, enquanto muitos instrumentos que são considerados no ocidente como sendo exclusivamente de percussão, como tambores falantes ou cowbells e blocks, são ajustadas para diferentes frequências para aumentar a sensação melódica da música.

Na música africana o conceito ‘Tempo’ (ou mesmo  ‘Timming’ ) também é completamente diferente do conceito ocidental, que geralmente se fixa na manutenção de um ‘beat’ comum, único, 4/4 ou 3/4 , etc.

Na África, um tocador de cowbell em um grupo de percussão vai manter a linha do tempo básico (o ‘clic’, o ‘beat’), enquanto que o resto do conjunto vai criar uma complexa interação de batidas diferentes, a partir de 3 / 4  para 6/8, e  6/8 para 2/4, todos ao mesmo tempo”…

(Ao que digo eu: Gerando a vulgarmente chamada poliritmia, a conjugação harmonica de nossos jeitos de ser, todos eles, em um).

Sacou agora?

Canto a pedra sempre e, se preciso for posso até provar tim tim por tim tim: O conceito ‘Música Pop’, tal como o conhecemos, esta coisa da música impregnada no nosso dia a dia, provavelmente nasceu junto com a escravidão, no embalo da dispersão, como vírus, de certos valores culturais africanos indeléveis pelas Américas todas (a Diáspora africana), com cantigas ativas (e escalas e ritmos) específicas para nascer, para viver, para trabalhar, para amar, para casar, para crescer e para morrer , e a respectiva explosão por aqui desta musica socializada, coletiva, feita para ser trilha sonora da nossa vida em todos os momentos dela, no walkman da alma dela, espetada como um pen drive nela, até o fim.

Enfim o lado bom que toda coisa ruim tem.

African all stars – The pop music of a Continent. Ou – nas entrelinhas que eu ressaltei de enxerido que sou – de como a música de um continente pode ter se espalhado pelo planeta inteiro.

Spírito Santo

Junho 2011

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~ por Spirito Santo em 08/06/2011.

Uma resposta to “Sorry Europa, mas na Música Pop o ‘pulo do gato’ é africano”

  1. Valeu Mestre, sempre compartilhando o que sabe e o que tem para ensinar!

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