Wodaabe-Bororo. A beleza mora na diversidade

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Mulheres escolhem amantes em concurso de beleza no Saara

Calma, calma! Espera lá. Galera gay se aquiete! Segurem a franga!

Eles não são, definitivamente  ‘veadinhos‘, bichas loucas, saltitantemente provando que a “humanidade é gay desde seus primórdios”. Não é bem por aí. Se algo eles têm a provar é que a beleza mora mesmo na diversidade e as aparências que nos enganam, não podem servir assim, tão displicentemente de pretexto para a agitação destas bandeiras afobadas que tremulam por aí.

Cá entre nós, com civilidade e ternura, um pouco de homofobia também pode ser cultura. Porque não?

Eles não são também integrantes de um carnavalesco ‘bloco das piranhas’, marmanjos machões zoando a condição feminina com o melhor do nosso brasileiro bom humor eventual. É. Eles não tem quase nada a ver com o Brasil.

Desta galera aí – que tem história antiga ‘para mais de metro‘ – vieram para o Brasil uns poucos, um número irrisório. Durante um tempo, gente mais mulata era chamada por aqui de ‘negro fula‘ (de  ‘fulani’).  A cor da nossa cara com ódio também vem do nome deles: “Fulo de raiva’, sacaram?

Portanto vamos lá, sem frescura ou viagem nas asas da fantasia. O ‘pão-pão queijo-queijo’, o ‘timtim por timtim’ eu extraí de resenhas da wikipedia e da BBC (abra o link) autora de um dos muitos vídeos dos wodaabe que circulam por aí.

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“Os Wodaabe (Fula: Woɗaaɓe) ou Bororo são um pequeno subgrupo do grupo Fulani étnica. Eles são tradicionalmente nômades, pastores de gado e comerciantes na região do Sahel, oriundos das migrações que se estenderam do sul do Níger, no norte da Nigéria, nordeste do Camarões, e na região oeste do República Centro Africana. A população Wodaabe foi estimada em 1983 em 45.000 indivíduos. Eles são conhecidos por sua beleza (homens e mulheres), seus trajes elaborados e suas ricas cerimônias culturais.

O Wodaabe falam a língua Fula e não usam nenhuma linguagem escrita. Na língua Fula, woɗa significa “tabu”, e Woɗaaɓe significa “povo do tabu”. Às vezes a palavra é traduzida como “aqueles que respeitam os tabus”, numa referência para o isolamento desta da cultura mais ampla dso fulas oq ue sugere sua afirmação de que eles, os Wodaabe, mantêm tradições “mais antigas” que seus vizinhos fulas.

Em contrapartida, os demais fulas, bem como outros grupos étnicos da região se referem às vezes aos Wodaabe como “Bororo“, um nome algo pejorativo, traduzido para inglês como “gado Fulani“, significando “aqueles que habitam em campos de gado” (por extensão, pastores).

A fertilidade trazida pela chuva no deserto do Saara é comemorada com um concurso de beleza incomum, em que homens pintam o rosto e usam roupas especiais para impressionar juízas mulheres.

Os participantes do concurso são julgados de acordo com parâmetros vistos em muitas competições do tipo: altura, forma física, simetria facial e bons dentes. Os homens pintam os rostos e dançam por enhoras tentando impressionar as juízas, que podem escolher amaseus preferidos tre os competidores.

O ritual, chamado Gerewol, foi filmado pelo programa Human Planet da BBC e tem várias significados, segundo a antropóloga dinamarquesa Mette Bovin, que trabalha com os Wodaabe desde os anos 70.

O vermelho, que cobre o rosto dos participantes, é associado a sangue e violência e por isso só é usado em ocasiões especiais. O amarelo, usado por alguns dançarinos para criar detalhes no rosto, é a cor da mágica e da transformação.

O preto usado nos lábios e nos olhos é escolhido por ser o oposto do branco, que representa a morte. O batom é feito com ossos queimados de uma espécie de garça, associada pelos Wodaabe à expressividade.

“Ter charme –ou seja, expressividade e carisma– é algo muito valorizado em um jovem rapaz”, diz Bov.

Ao fim da apresentação, cada juíza escolhe seu vencedor e pode decidir tê-lo como amante, mesmo que ambos já tenham parceiros. Os vencedores são lembrados por anos após o concurso.

“Você dança o Gerewol para ganhar uma amante, mesmo que isso signifique roubar a esposa de alguém”, diz Djao, que conheceu a segundo mulher, Tembe, em um concurso anterior.

“Você pode casar com ela ou ter um romance com ela.”

Segundo a diretora do programa da BBC, Tuppence Stone, não há nenhum estigma ligado ao fato de que as pessoas quebram os votos do casamento temporariamente ou permanentemente durante o Gerewol.

“Os primeiros votos maritais na cultura Wodaabe são feitos quando o noivo e a noiva são muito jovens, então o Gerewol é uma chance para o amor”, diz ela.

Os Wodaabe não são polígamos, então para casar com um novo parceiro é preciso deixar o anterior.

Períodos de seca, conflitos e a recente insurgência da Al Qaeda no Norte da África fizeram com que essa antiga tradição seja raramente praticada.

Os clãs filmados pela BBC vivem em pequenos grupos nômades na fronteira entre o Chade e o Níger. Este foi o primeiro Gerewol para este grupos após seis anos de seca.

Apenas quando há água suficiente para centenas de pessoas no mesmo lugar, clãs Wodaabe isolados se reúnem.”

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Spírito Santo

Julho 2011

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~ por Spirito Santo em 18/07/2011.

3 Respostas to “Wodaabe-Bororo. A beleza mora na diversidade”

  1. A ignorância é a alma da violência.

    Vale ver o filme do Werner Herzog,
    WODAABE ( http://megaupload.com/?d=QFVK5FPN )
    ou o da National Geographic
    ( http://filespart.com/w/wodaabe.html ).

    Emil

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  2. Puxa, que incrível, esta ai uma boa lição para os conflitos matrimonias e as dores das traições conjugais dos ocidentais….rsrsrs.Pena que antes de respeitar e aprender, alguns seres humanos(?) egoisticamente destruam tantas culturas, por interesses bem pouco confessáveis.

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  3. retrato do século 18 de um homen fula:http://en.wikipedia.org/wiki/File:William_Hoare_of_Bath_-_Portrait_of_Ayuba_Suleiman_Diallo,_(1701-1773).jpg

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