Noruega ou Brasil? Afinal onde estará Canaã, a terra prometida?

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O 19 definitivamente é mesmo o século que não acabou.

Essa política provou ser catastrófica para o Brasil e outros países que institucionalizaram ou facilitaram uma mistura de raças entre asiáticos/europeus /africanos. O Brasil se firmou firmemente como um país de segundo mundo com um nível extremamente pobre de coesão social.
Os resultados são evidentes e manifestados num alto grau de corrupção, baixa produtividade e um eterno conflito entre várias ‘culturas’ competindo, enquanto a miríade de ‘sub-tribos’ criadas (preto, mulato, mestiço, branco) paralisa qualquer esperança de sequer alcançar o mesmo nível de produtividade e igualdade de, por exemplo, Escandinávia, Alemanha, Coreia do Sul e Japão.
Vendo a falta de coesão social do Brasil, e a produtividade média do brasileiro médio, é evidente que uma aproximação similar na Europa seria devastadora e retardante nacionalmente, sem mencionar que seria um grave crime (genocídio) em contribuir de qualquer maneira para a aniquilação, desconstrução e genocídio dos povos indígenas que são nórdicos por definição”.
(Trechos da página 1123 do manifesto de 1500 páginas atribuído ao maluquete noruegues Andres Bhering Breivik)

Você leu o Romance ‘Canaã’ de Sílvio Romero?

Graça Aranha
” Nascido em 1868, ficou conhecido como uns dos primeiros fundadores da ABL, mesmo sem ter publicado nenhum livro. Obra mais conhecida: Canaã. Esta conhecida como o primeiro romance brasileiro ideológico. Foi um dos grandes influênciadores do pré-modernismo na literatura brasileira. A primeira edição de Canaã foi editada na França em 1901 e lançado no Brasil em 1902″

É de cabelos em pé que compartilho este trecho de resenha do romance com vocês:

…”A mesma ordem de idéias, de indistinção entre raça e cultura ou de subordinação desta àquela, é a que vamos encontrar nas páginas de Canaã, de Graça Aranha, mas não em registro monódico, como em Sílvio Romero e Euclides da Cunha.

Por se tratar de um romance de idéias, elas ali aparecem em registro polifónico, dialeticamente contrapostas umas às outras. A defesa da causa racista fica por conta de Lenz (personagem do romance), jovem imigrante alemão cuja figura foi talhada pelo figurino nietzschiano, e que é secundado nisso, com menor veemência, pelo brasileiro Paulo Maciel, um juiz municipal bovaristicamente inconformado com a vida de província e descrente do futuro de sua pátria. A refutaçao do racismo incumbe a outro imigrante alemão, Milkau, cuja voz solitária tem a vantagem de ser a do protagonista do romance e seu principal foco narrativo.

Ainda que não chegue a falar em termos explícitos dos arianos tão estimados por Sílvio Romero, Lenz estava pensando implicitamente neles quando, numa noite de insônia pouco depois de sua chegada ao Espírito Santo, tem uma visão dos “batalhadores eternos” da “antiga Germânia” desembarcando em terras brasileiras, “com sua áspera virgindade de bárbaros”, para nelas fundar “um novo império” e as cobrir com os seus “corpos brancos”.

A idolatria de Lenz pela “tendência imperial, a fibra belicosa, a expansão universal, a tenacidade, o gênio militar, a disciplina” dos seus compatriotas teuto-arianos se faz acompanhar, como não poderia deixar de ser, de um completo desdém pela inferioridade racial dos povos não-arianos e, principalmente, dos mestiços.

No brasileiro ele vê tão-só um híbrido incapaz de progresso, com o que se mistura, num mesmo estereótipo, a noção de progresso como fruto da capacidade genésica ou criativa do homem com a idéia subliminar de o híbrido ou mestiço humano ser pouco ou de todo infecundo, esdrúxula inferência zoológica que, louvado em Broca, Sílvio Romero parece ter também perfilhado.

Por não acreditar Lenz que sobre a mestiçagem ou “fusão com espécies radicalmente incapazes (…) se possa desenvolver a civilização”, tem ele como ponto pacífico que o “problema social para o progresso de uma região como o Brasil, está na substituição de uma raça híbrida, como a dos mulatos, por europeus”; a imigração tem para ele, portanto, menos o sentido de um encontro e interpenetração de culturas diferentes que de uma política de tabula rasa em que uma cultura superior vem erradicar totalmente uma cultura inferior para substituí-la.”

(Leia aqui, na íntegra o excelente artigo Canaã: o horizonte racial de José Paulo Paes de onde extraí a alentado trecho da resenha de Canaã.)

Brrruuu! Um romance de terror?

Você não viu nada semelhante a isto, este pensamento crítico-racista sobre os males da sociedade brasileira – igual a fala do personagem Lenz  do Graça Aranha -agora mesmo sendo divulgado por aí, prato feito da imprensa internacional?

É isto mesmo! Parece que foi o Lenz que escreveu o manifesto do Andres Bhering Breivik. O pensamento de um é o focinho do outro. Cuspido e escarrado, gente!

O texto de Breivik – página 1123 das suas 15180 páginas mórbidas – é quase uma cópia reciclada do texto de Graça Aranha (Breivik como o personagem Lenz), seguido por Gilberto Freire quando inventou a farsa da Democracia Racial (extraída das falas do personagem também alemão – o patrão bonzinho –  Milkau).

Gente…me deu um medão danado…estou tremendo até agora enquanto escrevo, ao descobrir a semelhança esquisita entre os dois textos um do século…19 outro do 21, projetando coisas bárbaras para ás vésperas do século…22!

Será que quem escreveu aquilo lá, por ele, leu este romance ‘Canaã’? Será que leu Sílvio Romero? Leu Nina Rodrigues? Leu Gilberto Freire? Será que há mesmo uma direita literária, acadêmica, um pensamento intectual de viés ideológico barrigudo de hegemonias, conspirando incansavelmente, urdindo barbaridades contra os ‘não-brancos’ impuros e ‘infiéis’ do Brasil, um neo-neo-nazismo integralista, uma AlQuaeda branca se reciclando por todo o sempre –  ainda hoje, portanto – como uma hidra grego-baiana de mil cabeças?

Quem será que orientou esta parte do manifesto do doido de Oslo, meu Deus? Teria sido um doido brasileiro? Ou seria um insano  portugues? De Graça Aranha a Andrés Breivik – repetindo assustado – já se vão mais de um século, pessoal! É  longa demais a gestação destes podres ovos de serpente, não acham não?

(Esta indefesa suspeição de que foi alguém dentre nós me assusta muito, se querem saber.)

Spírito Santo

Julho 2011

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~ por Spirito Santo em 28/07/2011.

2 Respostas to “Noruega ou Brasil? Afinal onde estará Canaã, a terra prometida?”

  1. é realmente assustador, cabe a nós como sociedade impedir que o câncer do racismo prevaleça em nosso país

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  2. Tá com medinho tá? Pois eu também estou, e o pior é que não dá pra pedir pra sair. Essa ideologia ai é velha e horrenda, e não é nada difícil de não ter brasileiro metido nisto ai não. Outro dia no face alguém havia postado uma denúncia de um site em plataforma no exterior de um suposto partido nazista brasileiro, poucos dias antes desse direitista ai matar esse monte de gente. Cruzcredocoisaruimsaifora…..affff

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