White skins, black mask -Nos Minstrels da América branca a patológica inversão de Fanon

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Black'n'blues a minstrel show creation 2010Do ‘Cara Preta’ ao Blackexplotation

“..Claro, os judeus são maltratados, melhor dizendo, perseguidos, exterminados, metidos noforno, mas essas são apenas pequenas histórias em família. O judeu só não é amado a partir do momento em que é detectado. Mas  comigo tudo toma um aspecto novo. Nenhuma chance me é oferecida. sou sobredeterminado pelo exterior. Não sou escravo da “idéia” que os outros fazem de mim, mas da minha aparição…”

 (Franz Fanon em “Peu noire, masques blancs”)

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Gente, é pura piração. Mas o que não é piração, loucura, insanidade galopante nesta patológica neurose branca chamada racismo?

A lebre, a lama no fundo do lago foi levantada pela estúpida frase de um ator galã da TV Globo outro dia, dizendo-se ardoroso fã de Sammy Davis Jr. porque ele, o ator norte americano – que por acaso era negro, feio, baixinho e caolho – quando representava ‘se transformava num homem branco de 2 metros de altura e olhos azuis’.

Ui! Porque não se cala?

Mas Rodrigo Lombardi, o bobo ator da corte global não é nenhuma aberração. Toda hora aparece gente falando estas abobrinhas racistas, com a ‘melhor das intenções’. É que isto é típico dos nossos modos brasileiros de sermos falsamente cordiais.

“_Quem se importa? Os negros não ligam para isto, nem reclamam. Qual o problema? Nós somos superiores mesmo. Nada de pessoal, tá bom?”

Mas é doideira sim, gente. Pura pancadice. Vocês precisam aprender a se tocar. Não é proibido falar o que nos vem à cabeça, expressar o que quer que seja até ser racista se admite que as pessoas sejam e afirmem ser, o país preza pela liberdade de opinião – pelo menos por enquanto- mas pensar antes de falar, ter convicção daquilo que se fala, ter bons argumentos para embasar uma afirmação cabulosa como esta, é uma norma básica da civilidade. Não dá mais para dizer que a cigana nos enganou.

O fato é que, refletindo sobre o incidente me ocorreu o quanto de hipocrisia ainda afoga os modos de convivencia nada sadios em voga nas relações entre pretos e brancos no Brasil. Os expedientes de exclusão racial são tão avassaladores, tão acachapantes que chega a ser revoltante o cinismo que engolfa qualquer discurso que negue a existencia de racismo no Brasil.

Não dá mais para engulir este sapo insípido.

Esta característica de conspiração surda, tácita, subreptícia que faz com que uma platéia e um juri de artistas de um programa de televisão, com milhões de expectadores finjam que o que o ator falou ‘não foi nada de mais’, as caras ‘de bunda’ de milhões de pessoas diante de uma afirmação grosseira de racismo expressa assim, com a maior ingenuidade ou frieza, faz o sangue de quem está atento ao assunto ferver nas veias.

Bem, daí danei a navegar de novo neste mar de negações da negritude. É impressionante o quanto de engov os nossos estômagos solicitam, exigem mesmo, para tentar afastar os engulhos de nojo que o racismo em suas variadas formas provoca em nós, os que o sofremos desde que parentes nossos, cada vez mais remotos, foram arrancados da África para cá.

Arghhh!

O tema sugerido pelo martinicano Franz Fanon em ‘Pele negra, máscaras brancas’, o estudo desta psicopatia da qual os brancos (e alguns negros) estão tomados, esta estúpida e amedrontada rejeição do outro e suas formas psicopatológicas, simbólicas, neuróticas enfim de negar, escamotear, trair, fingir, e até mesmo linchar, matar, queimar na fogueira o negro que há dentro de todos nós, não é coisa desde mundo não. Não é coisa de gente (pelo menos gente sã). É um atributo do mal mais profundo buraco negro, demoníaco, virulento, peçonhento, coisa do belzebu.

O tema – que ao que parece contamina tudo – avança aqui depois que postei algumas imagens com atores brancos pintados de negro, sugerindo, sarcasticamente que os atores ou atrizes ‘brancos’ que declaram sua hipócrita e piegas simpatia por atores negros – num mercado onde todo mundo sabe que negros não têm vez nem voz alguma – deviam mesmo é despir as suas máscaras, livrar-se do cinismo e assumir que são cúmplices deste estado de coisas aviltante.

Vil, desprezível são mesmo as palavras mais suaves com que se pode classificar  a cultura brasileira neste aspecto.

Franz Fanon não acreditaria.

Hoje mesmo vi assim de relance na TV o ainda menino Douglas Silva, promissor ator em Cidade Deus de Fernando Meirelles assumindo junto a Renato Aragão e os Trapalhões na TV o eterno e esteriotipado posto de ‘preto estúpido’, o ‘Moleque Tião’ infantilizado e alcóolatra que, entre tantos outros,  foi do cômico Mussum.

O karma de Douglas (como já foi do insuperável Grande Otelo), tenha a qualidade artística que tiver, é acabar sendo mesmo apenas mais um Mussum, mais um minstrel invertido de pele negra com máscara negra, ao fim de tudo o preto macaco que um dia lhe destinaram ser.

Não encontrei muitas referencias sobre o assunto destas ‘máscaras pretas’ por aquí. Nem mesmo na internet onde –coisa impressionante! – perguntas em portugues sobre as agruras dos atores e atrizes negros geram sempre informação quase nenhuma. Imagens esparsas, sendo uma do ator-galã Sergio Cardoso pintado de preto na novela A Cabana do pai Tomás’ da TV Globo são as poucas referencias que se encontra nesta envergonhada história da exclusão imagética do negro no Brasil.

Triste novela de brancos covardes, cuidando constrangedoramente de salvar ‘o seu’, se pintando até de preto para viver, se preciso for.

Encontrei contudo, perguntando em inglês, uma profusão enorme de imagens e vídeos do mesmo fenômeno racista na América. Bons termos de comparação para se enxergar o que o meio artístico brasileiro, o nosso maisntream caboclo tanto tenta esconder, alguma informação ao menos acerca das sórdidas razões que impedem atores e atrizes negras de representar a nossa nacionalidade por aí.

Para além do apagão de nós mesmos, portanto, vamos a uma outra visão do tema sem os óculos  baratinhos e embaçados das  “óticas do povo, morou?”

Você já ouviu falar de um judeu lituano pintado de preto chamado Al Jolson?

“..Chego lentamente ao mundo, habituado a não aparecer de repente. Caminho rastejando. Desde já os olhares brancos, os únicos verdadeiros, me dissecam. Estou fixado. Tendo ajustado o microscópio, eles realizam, objetivamente, cortes na minha realidade. Sou traído. Sinto, vejo nesses olhares brancos que não é um homem novo que está entrando, mas um novo tipo de homem, um novo gênero. Um preto..!

(Franz Fanon em “Peu noire, masques blancs”)

E do extraordinário fenômeno dos Minstrels do qual Jolson foi uma fulgurante proeminencia? Já ouviu falar? Veja então este vídeo aqui: ‘Al Jolson and Minstrels show“.

Claro que sim. Você já ouviu falar. É inimaginável que isto tenha ocorrido, mas a América racista gerou sim, neste período – entre o fim do século 19 e o os primeiros anos do século 20 – um gênero fabuloso de show business (veja as imagens e vídeos fantásticos que inseri aqui no post) no qual, com o deliberado intuito de disseminar o racismo e o ódio contra negros, uma quantidade enorme de atores, músicos, cantores e produtores brancos, com um senso de desumanidade digno de animais, se puseram a representar, de forma esteriotipada, como caricaturas escatológicas, grosseiras mesmo, o comportamento de negros ex-escravos e trabalhadores pobres de seu próprio país.

Estúpidos e ignorantes, movidos por uma espécie de medo doentio, linchavam assim a – para eles – odiosa imagem do negro, quando não linchavam e incendiavam estes mesmos negros ao vivo e a cores, exultando e aplaudindo como bestas feras, em ambos os espetáculos de selvageria que promoviam para seu mais fútil e torpe deleite.

Pois bem, com você então, respeitável público o texto denso sobre estes torpes ‘Caras Pretas’ que eu mesmo canhestramente traduzi extraido deste interessante site (veja no link).

Os Blackfaces Minstrels

 “Os personagens do blackface minstrels desempenham um papel significativo na divulgação de imagens, atitudes e percepções racistas em todo o mundo.

Cada grupo de imigrantes era estereotipado no palco de um salão de música durante o século 19, mas a história do preconceito, da hostilidade e da ignorância em relação às pessoas negras teve uma proeminencia e longevidade únicas na história destes estereótipos.

As concepções de artistas negros percebidas pela América branca foram moldadas por caricaturas zombando de negros. Por mais de cem anos a crença de que eles, os negros eram racial e socialmente inferiores foi assim difundida e fomentada por uma legião de artistas tanto brancos como (alguns poucos) negros em performances de ‘blackface’ (“Caras Pretas”).

Blackface nos Minstrel’s Shows

http://youtu.be/h-1mo9j7it8

A maquiagem ‘blackface’ era uma pintura a base de cortiça queimada misturada a uma camada de manteiga de cacau ou pintura de graxa preta. Nos primeiros anos lábios vermelhos exagerados eram pintados em torno de suas bocas, como os de palhaços de circo de hoje. Nos anos posteriores, os lábios eram geralmente pintados de branco ou sem pintura. Os trajes eram geralmente berrantes com combinações exóticas de formas exageradas; casacos de rabo de andorinha, calça listrada, chapéus de grandes dimensões.

Platéias brancas, no século 19 não aceitariam artistas negros reais no palco a não ser que eles usassem também maquiagem blackface. Um dos primeiros negros a representar com maquiagem blackface para audiências brancas foi o e inventor do ‘stap shoes’(sapateado), William Henry Lane, o ‘Mestre Juba’ . O talento e a habilidade de Lane foram tão extraordinárias que ele se tornou famoso a ponto de, eventualmente, representar de cara limpa, ou seja, com sua própria pele.

Estereótipos racistas contra os negros

Originários das estereotipadas caracterizações feitas por atores brancos representando escravos das plantações e negros livres durante a era dos shows menestrel (1830-1890), as caricaturas imprimiram tão firmemente certos preconceitos no imaginário americano que o público criou uma expectativa ruim sobre pessoas de pele escura, não importando muito com seus antecedentes a ponto de se conformarem com um ou mais dos estereótipos abaixo relacionados.

Jim Crow’

O termo Jim Crow nasceu em 1830, quando um artista branco menestrel Thomas “Daddy” Rice, se apresentou com o rosto enegrecido com pasta de carvão ou rolha queimada cantando a letra da canção “Jump Jim Crow”.

Zip Coon

Realizada pela primeira vez por George Dixon em 1834, ‘Zip Coon’ era uma paródia ridicularizando os modos de ser de  um negro livre. Ele seria uma figura arrogante, ostentosa, vestindo-se em alto estilo e falando uma série de besteiras e trocadilhos que estragavam a sua tentativa de parecer uma pessoa ‘digna’ (como os brancos seriam).

‘Jim Crow’ e ‘Zip Coon’ eventualmente eram fundidos em um único estereótipo, chamado então, simplesmente de “coon”.

Mammy
Mammy  (‘Mamãe’) é uma fonte de sabedoria terrena, que é ferozmente independente e não tolera respostas malcriadas. Apesar de sua imagem ter mudado um pouco ao longo dos anos, o estereótipo sobrevive. Seu rosto ainda pode ser encontrado em caixas de pancake até hoje.

Uncle Tom (‘Pai Tomás’ ou ‘Pai João’no Brasil)

Os ‘Toms’ são tipicamente bons, gentis, religiosos e sóbrios. Imagens dos Tios Toms eram as preferidas para ilustrar anúncios e embalagens pelos fabricantes de  alimentos, cereais principalmente. A imagem de um “Tio Ben” (o mesmo que ‘Tio Tom’) ainda hoje é sendo usado para vender arroz.

Macho (o’negão’ no Brasil)

O ‘Buck’ é um grande homem negro muito orgulhoso e, às vezes ameaçador, sempre interessado em seduzir mulheres brancas.

A Puta / Jezebel ( a ‘mulata piranha’  do Brasil)

A tentadora. Durante a era menestrel, as ‘putas’ eram tradicionalmente um homem em trajes femininos. No cinema, ‘putas’ eram geralmente mulheres pardas (‘mulatas’, exatamente como no Brasil).

Mulato/a
Um mestiço do sexo masculino ou feminino. No cinema, muitas vezes retratado como uma figura trágica que, intencionalmente se passa por branca até qualguém descobrir que ela tem ‘sangue’ negro ou ser desmascarada por um outro personagem, geralmente negro.

Negrinho (‘moleque’ no Brasil)

Os ‘moleques’ tem olhos esbugalhados, cabelos despenteados, lábios vermelhos e bocas parecendo fatias enormes de melancia. Esses estereótipos foram firmados durante a era dos minstrels e transitaram muito em vaudeville e no cinema.


No final de 1800 um dos espetáculos de entretenimento blackface mais populares foi a adaptação da Cabana do Pai Tomás, um conto antiescravidão. ‘A Cabana’
(legítima expressão do que mais tarde se convencionou chamar de ‘Circo-Teatro’: nota minha), era uma mistura de show menestrel, circo e zoológico, com cães treinados, pôneis, e até um crocodilo que se  manteve o espetáculo mais popular nos Estados Unidos por mais de um século.

“…Em uma das reviravoltas mais curiosas e interessantes da história do show business, na primeira metade do século XX, os principais praticantes da tradição menestrel no velho estilo blackface eram artistas negros, que tinha começado no show business usando maquiagem blackface – literalmente ou figurativamente – e se mostraram relutantes em abandoná-lo.

Além do mais, eles tinham pouca ou nenhuma chance de escolher papéis melhores do que os que lhes eram oferecidos. Já com década de 1950 bem avançada, atores negros do sexo masculino estavam limitados a papéis estereotipados: ‘Coons’, por exemplo, Stepin Fetchit, Mantan Moreland e Toms, os mais famosos foram Bill “Bojangles” Robinson e Eddie “Rochester” Anderson. Da mesma forma, os papéis no cinema apenas para mulheres negras foram os de criadas e mammys. A ‘mammy’ mais famosa foi Hattie McDaniel.

Cinema mudo.

Os filmes sempre foram um meio poderoso para a propagação de estereótipos raciais. Os primeiros filmes mudos, como ” The Wooing and Wedding of a Coon” em 1904, “O Escravo“, em 1905, “A Série Sambo” 1909-1911 e “The Nigger” em 1915 apresentavam os mesmos estereótipos de sempre através do meio novo e excitante do cinema.

A estréia de “O Nascimento de uma Nação” em 1915 marcou uma mudança na ênfase de estereótipos como ‘Jim Crow’ e o ‘Negro Selvagem’. No filme de D.W. Griffith, a Ku Klux Klan resgata a Sul – e as mulheres do Sul  em particular – de negros selvagens que conquistam poder sobre os brancos com a ajuda de aventureiros do Norte.

Griffith mais tarde admitiu que seu filme foi projetado para “criar um sentimento de repulsa em pessoas brancas, especialmente as mulheres brancas, contra homens de cor”.

Filmes raciais

Os negros do norte responderam a “O Nascimento de uma Nação” produzindo seus próprios filmes. Os “Filmes Raciais” se refereriam invariavelmente a assuntos do interesse dos negros e eram produzidos, pois, exclusivamente para o público negro.

Apenas agumas pequenas empresas independentes de Blackfilms sobreviveram à Grande Depressão. Com  a elevação dos custos adicionais de produção, associados a mudança na tecnologia dos filmes mudos para os sonoros só com a criação de Hollywood, que entrou em cena e assumiu o controle do cinema negro, surgiram novamente condições de financiamento para este tipo de filme. Os Filmes raciais, a partir de então se transformaram de entretenimento orgânico, diretamente voltado para negros em filmes de padrão Hollywoodiano mais convencionais, como westerns, dramas e musicais e filmes policiais ou de crime, apresentando um elenco de negros.

Cartoons racistas

Entre 1930 e 1950, os animadores da Warner Brothers, Walt Disney, MGM, Merrie Melodies, Looney Tunes, RKO, e muitos outros estúdios independentes, produziram milhares de cartoons que perpetuavam os mesmos velhos estereótipos racistas contra negros.

Este período é conhecido como a idade de ouro da animação, e até meados dos anos 1960, cartoons eram exibidos antes de todos os filmes longa-metragens. Mais tarde, estes mesmos cartoons cumpriram um longo ciclo de sucesso por décadas na TV aberta ou a cabo.

Eventualmente, os cartoons mais claramente racistas eram retirados da televisão ou editados para atenuar seu conteúdo grosseiramente preconceituoso, mas muitos deles estão ainda hoje disponíveis na internet. Para as audiências modernas, muitos desses desenhos são bastante chocantes, pois ilustram graficamente como o racismo generalizado e institucionalizado na nossa cultura – a cultura norte americana, no caso – acontecia a bem pouco tempo atrás.

Filmes Blacksploitation

A década de 1970 também viu o ressurgimento de filmes adaptados para o público negro em um gênero chamado “Blacksploitation”,(‘Exploração do negro’). “Sweet Sweetback’s Baadass Song” (1971) estrelado por Melvin Van Peebles, que também escreveu, produziu e dirigiu, foi o precursor do estilo..

No filme, o personagem central é uma prostituta negra que é forçada a fugir depois que salva um jovem Pantera Negra que estava sendo espancado por dois policiais brancos corruptos. O filme é muitas vezes creditado como iniciador do gênero blaxploitation porque o seu sucesso provou que havia um mercado lucrativo para tais filmes. O filme custou apenas US$ 150.000 – a maior parte colocado por Peebles – e arrecadou mais de US$ 15 milhões. ‘Superfly’, ‘Shaft’, ‘Blackula’, ‘Black Caesar’, ‘O inferno no Harlem’, ‘Black Gestapo’, ‘Foxy Brown’, e muitos outros rapidamente seguiram o sucesso do filme de Peebles.

A maioria dos filmes Blacksploitation eram pequenas produções independentes que lidavam com o crime e os efeitos das drogas ilegais em cidades do interior. As causas geralmente eram retratadas como sendo uma consequencia do racismo branco e da exploração dos negros pobres. Policiais e políticos brancos foram retratados como corruptos, forçando anti heróis negros a tomar a justiça em suas próprias mãos.

Exagerando nas cenas de sexo explícito, nudez gratuita e violência, bem como nos estereótipos de cafetões, prostitutas e criminosos negros, os filmes Blacksploitation, geraram uma revolta liderada por líderes negros que pôs fim a este tipo de filme na década de 1980.

Brancos de alma preta

(no mal sentido)

Soube que para representarem hindus na novela ‘Caminho das índias’ de Glória Peres, a maioria dos atores da Globo – que são, majoritariamente brancos – se submetiam a seções periódicas de bronzeamento artificial (e o Rodrigo Lombardi, claro, era um deles). Ele não chegava a virar um crioulo hindu baixinho e caolho não, mas eu ficava matutando no que um hindu real pensaria daquelas máscaras acinzentadas de hindus de fancaria.

Pintada à graxa ou rolha queimada ou mesmo bronzeada artificialmente o certo é que a provação da invisibilidade do negro no cinema e na TV do Brasil, pelo visto prosseguirá ainda por muito tempo. A razão principal de sua eternização a gente já sabe: Para aparecer na TV e no cinema o negro teria que, não só se conformar com a sua representação continuar a ser feita por atores (e roteiristas, e diretores) brancos ‘pintados’ ou travestidos de pretos, mas agora muito mais que isto, teria que se transformar num passe de mágica num branco de 2 metros de altura e olhos azuis.

Como isto é uma mágica que nem o cinema consegue ainda fazer, aos negros artistas do Brasil caberia– simbolicamente, claro já que não somos tão selvagens como poderíamos ser –  fazer o que fez Tião Medonho no filme de Roberto Farias “Assalto ao Trem Pagador” e dizer para os Nilos Perus que se apropriaram de nossa auto imagem e lincham, besuntam de graxa a nossa alma e a nossa cara real:

_”Vamos! Joga logo ele no rio que é pros peixe comê os zóio azul dele!”.

Spirito Santo

Setembro 2011

Nota: A excelente página aqui traduzida em parte, chamada ‘A Brief History of Blackface” não está linkada porque aparece agora, por alguma razão como ‘conta suspensa‘.

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~ por Spirito Santo em 11/09/2011.

4 Respostas to “White skins, black mask -Nos Minstrels da América branca a patológica inversão de Fanon”

  1. Valeu, Patricio. Boas dicas. Conheço os dois filmes. O de Spike então tem, rigorosamente tudo a ver com este post.
    Abs

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  2. 2 filmes que vale a pena ver:
    a negação do brasil, do joelzito
    bambbozed, do spike lee
    o primeiro é um documentário sobre o negro nas novelas brasileiras.
    o segundo é uma ficção onde negros se pimtam de preto para eles mesmos reproduzirem os estereótipos.
    ambos terriveis, porque verdadeiros.
    abraços

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  3. Parabns…. uma boa leitura para pensar a vida… e para tocar a semana entendendo a importância de socializar em nossas comunidades para gurizada esse saber, essa inquietação ….. axé

    Valeu…..

    Ismael silva

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  4. Al Jolson=jim crow

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