Brazíu brazilêro: O país ‘Pai dos Burros’ e suas arraigadas bruzundangas

(Na foto crianças dalits-párias-numa sala de aula na…Índia (ops! pensei que fosse no Brasil)

Já sabíamos, mas ouvir assim como ouvi no rádio dia destes de uma fonte especializada é desolador.

(E nem foi esta fonte aqui não porque esta é a oficial, aquela que mente ou doura a pílula)

“Vejamos um quadro da situação do ensino. O Brasil investe por ano, apenas 3,2% do PIB. Segundo dados do MEC, este percentual foi de 4,4% em 2006. Difícil encontrar o valor exato, de qualquer forma, é pouco para um país considerado “Em Desenvolvimento”.

Se comparado ao investimento da Coréia do Sul, ficamos muito longe. Este país investiu 10% do seu PIB durante 10 anos. Lá, para ser professor é preciso prestar um dos vestibulares mais difíceis do país e apenas 5% dos candidatos são aprovados, e é obrigatório ter Mestrado.

No Brasil, 28% dos professores não têm curso superior. O salário de um professor na Coréia equivale a R$ 4.000,00 por mês em início de carreira, no Brasil, R$ 1.500,00, 37% abaixo da média dos profissionais com diploma. Um estudante na Coréia passa, em média, 9 horas por dia na escola, o estudante brasileiro, apenas 5 horas por dia. (Fonte de dados: MEC e Revista Exame de 31/12/08).

Sim senhores, vovô não viu a uva. Os quadros de profissionais de educação do Brasil são ocupados por aqueles que foram os alunos menos preparados de nossas escolas, os mais mal formados entre estes, sendo os que, em conseqüência ganham os menores salários em comparação com as pessoas com profissões equivalentes, mesmo as com terceiro grau.

É desolador concluir, por conseguinte que, obviamente as pessoas que formam estes profissionais nos cursos normais e nas faculdades de educação de nossas universidades, inclusive – com todo respeito – os doutores em Educação que os tornam mestres ou os doutoram, são oriundos, com raríssimas exceções desta mesma máquina de baixa excelência constrangedora.

Verdadeira fábrica de deseducação e emburrecimento nacional.

E a constatação mais trágica: A péssima qualidade de nossa Educação (pública ou privada, diga-se quando comparada com o resto do mundo) não é, como se costuma simplificadamente deduzir, apenas uma questão ligada aos baixos salários dos professores, mas muito antes disto um problema intrínseco ao sistema que está carcomido desde a base.

Considerando-se ser a má formação dos alunos desde as classes mais elementares a raiz de todo o problema, para se ter alguma chance de resolvê-lo teríamos que fechar os olhos e desistir do mal sem remédio, do que já está feito e cabado para passar a investir apenas na base do sistema, rezando d epés juntos para que num prazo, sei lá, de 15 anos, com muito rigor gerencial, se possa ter professores de cursos normais e universidades bem formados e capazes de, num espaço de mais uns 5 anos (ou seja 15 no total) revolucionar as bases de nossa Educação para que nos 5 anos seguintes, termos o sistema saneado, dslanchando um circulo virtuoso.

20 anos, no barato, é o que precisamos para nos igualarmos aos países mais ou menos desenvolvidos, neste aspecto fundamental para uma sociedade que quer crescer de verdade, sem elite predadora, sem doutores em ladroagem, sem a desavergonhada ineficiencia geral que nos carateriza.

Considerando-se que o sistema brasileiro, os governos, as instituições afins em suma,  não demonstram o menor interesse – ou mesmo compreensão sobre a real natureza e a devastadora gravidade do problema – a ponto de investir pesadamente em Educação elementar (todos os recursos disponíveis são gastos com programas clientelistas de renda mínima e corrupção institucional), pode-se deduzir facilmente que não temos nenhuma chance de ainda nesta geração, sair desta lama.

É por isto que, não sendo um masoquista-  muito pelo contrário – confesso que desisto deste assunto. Com cerrteza não estarei vivo quando alguma luz surgir neste horizonte…se é que um dia alguma luz se acenderá neste túnel sem fim.

Garanto, afirmo e assino em baixo que os da minha geração e a desta seguinte à minha, esta  que se esvai também na ignorância, podem esquecer o assunto.

Trabalhei mais ou menos perto de Darcy Ribeiro nos Cieps, tive ali contato com algumas práticas  e baseadas nas idéias seminais de Anísio Teixeira e de outros educadores e pensadores progresistas. Vi, funcionando na prática as melhores ações visando revolucionar a nossa Educação pública, funcionando a pleno vapor para, logo em seguida serem sabotadas, dinamitadas de dentro das próprias universidades, por foribundas campanhas de doutores do atraso, que apostavam – como apostam ainda hoje, no caso das cotas para a educação –  no elitismo secularmente sórdido com que tentam atravancar o  país, na defesa estúpida de seus oxidados anéis.

Certa vez, inspecionando um Ciep logo depois da administração de Darcy Ribeiro ouvi um funcionario me contar que uma comitiva do secretário seguinte fez uma grande fogueira onde foram qeimados os uniformes e o material escolar dos alunos, comprados pelo governo anterior.  As cameras VHS e o equipamento de som, material que havia sido instalado em todos os Cieps, foram recolhidos pela tal comitiva ao depósito público estadual, onde desapareceram, distribuídas entre autoridades e cupinchas sacripantas, como butim.

Num país ‘Pai dos Burros”, travestido de madrasta de crianças a serem deseducadas, a Educação no Brasil é um assunto que assassino em mim, sem nenhuma culpa, sem qualquer remorso.

Próxima mazela, por favor.

Spírito Santo

Setembro 2011

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~ por Spirito Santo em 19/09/2011.

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