Eu vou! Porque não? Corruption in Brazil: Frivolous or serious protests.

Creative Commons LicenseTodo o conteúdo deste blog está assegurado sob uma licença Criative Commons.Foto Spírito Santo

Passeatas direitistas, esquerdistas, populistas e vice versas de montão

Eu fui! Claro que fui. E nem me surpreendi com o fato de estarem lá ‘apenas’ 3000 pessoas. Imagina! 3000 pessoas é gente pra caramba.

É que falavam em 30.000, confundindo facebook com facevida real. Eu tenho experiência disto divulgando shows da minha banda Vissungo. Os gatos que vibram cá dizendo efusivamente ‘_Eu vou! Eu vou!”enchendo a página do seu evento de promessas de bombamento, não vingam, não pingam lá, te enchendo de frustração diante da platéia meio vazia. Mas passa.

O show sempre tem que continuar.

É uma espécie de doença do nosso tempo: a confusão entre realidade e ficção, a sensação quase estúpida de que existe mesmo uma Matrix , uma ‘realidade’ virtual e que a gente pode, ao simples apertar de uma tecla, mandar um Mr. Smith qualquer de óculos escuros e terno preto gritar por nós “Fora Corrupção!” enquanto a gente toma um vinhozinho, um chopinho, um suco de laranjazinho, tranquilamente num bar da moda qualquer, enquanto o nosso avatar substituto, todo sestroso expressa a nossa indignação em gritos inflamados, reverberados com eco e repeteco, sacudindo uma frase odiosa qualquer daquelas que a gente colou no nosso mural virtual.

_”Morra Sarney! Morra  corrupto! Morra Cabral!”

Coisas deste nosso tempo, mas mesmo assim coisas de todo o sempre.

No fim dos anos 70 cansei de ver passeatas de certo modo minúsculas lentamente passando a mover montanhas com a sua fé santa pelo fim da ditadura. Todo povo é ‘maria-vai-com-as-outras” e só se move no início como lesma covarde que só fala grosso e ruge quando empurrada por alguma enxurrada de indignação qualquer, contra alguma coisa, nem sempre edificante.

É que não esqueci o quanto de escroto havia naquela fieira de velas acesas nas janelas dos prédios da orla da Zona sul do Rio em 1964.

Os pais desta mesma classe média indignada que se amontoou na Cinelândia agora, ontem, neste 2011 esquisito – acreditem! – se organizaram indignados contra João Goulart e as reformas de base, aquela tentativa tosca dele, do Brizola e de outros até certo ponto honestos indignados, de democratizar o Brasil com alguma urgência e marra (democracia esta que eles, os pequeno burgueses e burgueses conservadores daquele tempo, queriam que ocorresse nunca, jamais, em tempo algum)

Para alguns só mesmo lendo em ambíguos livros, mas eu vi meninos, ali, de cadeira, as passeatas e as manifestações (chamadas de Marchas da Família com Deus pela Liberdade’ ) que esta gente elitista, direitista, quase nazista montou abrindo o caminho para que os militares daqui – e o governo norte americano de lá – implantassem aquela ditadura militar sórdida, sangrenta e ignorante que durou mais de 30 anos.

Pois então se toquem: 3000 pessoas indignadas – para o bem ou para o mal – é uma enxurrada e tanto, uma tempestade anunciada, aquela nuvem escura se avolumando e se aproximando rápida, bola de neve pequenininha desembestando, que tanto pode soterrar a democracia de um lugar por 30 anos, como pode lavar o esgoto da pátria de toda a sujeira dos ditadores escrotos, dos populistas histriões escrotos e dos corruptos falastrões escrotos, principalmente estes que estão aí, no poder, no governo de plantão.

E vejam bem: É mesmo líquido e certo. Ninguém deve esquecer. A multidão nunca é sábia, mas ela é sempre ameaçadora para alguém (não se sabe nunca para quem) imprevisível e avassaladora no seu ‘sem mais nem menos’, na sua imprevisibilidade que, às vezes – como na Primavera Árabe, por exemplo – perde as estribeiras e deixa os déspotas mais pomposos com a bunda de fora e as calças na mão.

Corruptos, portanto tremei!

Ontem, anteontem, no dia desta ultima manifestação ali na Cinelândia, eu vi pelo menos um político de esquerda – e do PT! – de terno preto e sombrancelhas hirtas, assustadas, saindo da câmara dos vereadores acompanhado de assessores puxa-sacos, meio acovardados também, se esgueirando pelos cantos da multidão que vociferava:

_Cadeia neles!Cadeia neles! Cadeia neles!

Dava pra ver na cara aparvalhada do político petista uma aura de medo aturdido diante do fato de que aquela causa, aquela bandeira cívica desfraldada ali na Cinelândia, não podia mais ser por ele abraçada, apropriada, porque ela era CONTRA a política institucional, convencional que se acanalhou de vez.  A manifestação era contra ele,’ O’ político! A manifestação contra a corrupção era contra os políticos TODOS do Brasil.

E esta é, até agora, a única proposta definitiva contida no desfraldar desta bandeira.

Políticos convencionais tremei!

É. A multidão é cega, emotiva e temperamental. O amor que a multidão tem pela política é visceral. Quando não é imoral (oportunista) como agora, é religioso.

Getúlio Vargas, Hitler, Mussolini, Brizola, Lula, todo político falastrão, histrião, honesto ou não, galvaniza as massas, mas fatalmente morrerá na praia do ostracismo ou da tragédia. A multidão é infiel e covarde.

Você pode comprar a multidão – como o PT lulista-governista fez agora –  aparelhando o movimento social todo, acanalhando, comprando grupos organizados, antes autônomos com benesses, cooptando lideranças com favores, cargos, empregos.

Mesmo nesta alentada Primavera Árabe a gente viu isto: Adeptos puxa sacos, funcionários de um Mubarak destes da vida, invadindo as praças, a pé ou montados em camelos, chutando, prendendo e arrebentando manifestantes desarmados.

A gente vê isto agora mesmo no fantasma do Kadafi resistindo em algum buraco de bueiro, defendido por mercenários negros retintos, que parecem vindos sabe-se lá de que país vizinho e vê também, como seqüela ambígua do avanço rebelde, o CNT sendo acusado de genocídio contra estes negros, porque sem se saber mais quem é mesmo rebelde ou quem é mesmo mercenário, todos os negros retintos que estiverem na Líbia passaram agora a ser  pau mandados de Kadafi , automaticamente condenados a morrer como traidores da liberdade.

Fazer o que? A multidão, comprada ou não, depois que desembesta é sempre cega. Melhor não atiçá-la com a vara curta da desfaçatez.

Mas não tem jeito: Há um ponto de esgarçamento e de ruptura, no amor das multidões por este abaixar a cabeça que os populistas usam de montão. Aceitar a cooptação, as vantagens clientelistas dadas com uma mão e tomadas com as duas (como esta coisa constrangedora chamada ‘Bolsa famíla’) é típico das multidões em muitos casos, mas o instinto da liberdade fraudada às vezes explode em incidentes fortuitos, tipo nada a ver.

Coisa de momento. Uma chispa súbita e… pronto.

O dia do ‘saco cheio’ das multidões pode demorar, mas é inexorável. Sempre chega o Dia do ‘Chega! O dia de tocar  o ‘foda-se!’, ‘chutar o pau da barraca’, o ‘balde’, dar um pé na bunda de alguém que encheu o nosso saco. Este dia está sempre ali, na curva do amanhã dos sacripantas que usam a multidão para se eleger, reeleger e, eternamente se locupletar.

_“Morra Sarney!”_ estava escrito numa placa da Cinelândia agora mesmo.

E notem bem: O leit motiv das constrangidas manifestantes atuais pelo combate à corrupção – não sei todo mundo sabe – foi o fato alardeado por um jornalista do diário espanhol ‘El País’ – nos chamando às falas – de que aqui se mobiliza milhões de manifestantes em frívolas e inconsequentes paradas gays, enquanto nós (…nós quem, cara pálida?) o resto do tempo, diante de coisas mais graves, nos mantemos mudos e cúmplices, mesmo carecas de saber dos impressionantes níveis de corrupção estatal, por exemplo.

Claro está, portanto, que as manifestações populares não são santas procissões religiosas, mas isto não importa muito em caso algum. Nem sempre elas são exatamente ‘populares’ e – o que é mais significativo –nem sempre são justas e democráticas, mas a gente precisa delas participar para nos sentirmos membros de uma comunidade, de uma nação, patidários de uma idéia qualquer que move o nosso mundo.

Mas isto não é desculpa para você não participar delas – e não apenas das frívolas, inconsequentes porque – cá entre nós- bloco de Carnaval não muda governo algum nem impulsiona mudanças. Tolos são os que acreditam que as manifestações mais bombadas, principalmente por serem inofensivas – e por esta clara razão, oficialmente consentidas – como o caso das paradas gays – tem alguma coisa a ver com revolução e mudança.

Desaparelhe-se! Desce deste troninho, sai deste gueto mermão!

Saindo da Cinelândia matutando sobre estas coisas todas que pincelo aqui, passei por um grupo de bombeiros que, recém saídos da manifestação geral na Cinelândia haviam se instalado nas escadarias da Câmara dos Deputados, na Praça XV, onde se encontram acampados, protestando contra o governo Estadual do odiado Sergio Cabral que os oprime e humilha como todo mundo, pelo menos aqui no Rio, já deve já estar sabendo.

Bem perto, ao lado do Museu do Paço Imperial, outro grande grupo de pessoas comuns, nem sei se também saídas da Cinelândia, confabulava animadamente sobre não sei o que.

Uma amiga, antiga militante do Movimento Negro lamentou comigo sobre a quase total ausência de negros na manifestação, fato nada estranho para mim. Certo. O perfil típico dos manifestantes era o de pessoas bem de vida, bem nutridas, a maioria branca de meia idade. Povo mesmo, deste típico, pobre negro, mal vestido só uns poucos, bem poucos (este que fotografei aí em cima era um dos poucos estranhos no ninho)

Bem. A gente sabe que povão mesmo, deste que se exige a participação para se afirmar que uma manifestação é realmente popular, não participa de passeatas como estas. Nunca participou. Foi daí que eu reparei que nas mãos dela, desta minha amiga, havia um flyer de divulgação de um tradicional evento cultural promovido por uma instituição deste Movimento Negro Oficial. Evento inclusive do qual este ‘povão’ idílico também não participa, claro.

Entre os apoiadores do tal evento o nome de notórias instituições oficiais do governo petista (ou peemedebista, sei lá) do governo que aí está enfim. Charada matada.

Ora, assim a explicação fica límpida para nós: Não há quase negros nestes eventos e manifestações como não também há sindicalistas, militantes de entidades estudantis, etc. Isto se dá por várias razões, entre elas o fato de que, cooptados, paus mandados engolfados pelo formidável aparelhamento do movimento social meticulosamente perpetrado pelo PT, sindicatos, entidades do Movimento Negro, ONGs, Instituições estudantis – como a UNE e a UBES – não vão comparecer ou apoiar – por enquanto – nenhuma manifestação espontânea contra este governo tão ‘prestativo‘, tão ‘providencial‘ para certas castas sociais.

Calma. A batata deles precisa assar um pouco mais.

Mas elas, estas organizações ‘populares’ tuteladas, cometem um erro suicida porque estão se desqualificando como representantes da indignação popular e começam já a se desmoralizar, a se esvanecer na bruma de seu conformismo interesseiro. Os políticos convencionais, todo mundo sabe, já se desmoralizaram. A bola da vez será este movimento social amarrado em seu constrangido ‘rabo preso’.

Desaparelhe-se! Desce deste troninho, sai deste gueto mermão!

É perceptível já, pelo bom resultado das presentes mobilizações iniciadas nas redes sociais, que um novo e oxigenado movimento social está nascendo no Brasil.

Os pequenos grupos de indignados independentes, bombeiros, grupos organizados nestas redes sociais, ao que parece começaram já a faxina real, o resgate moral do movimento social autêntico, aparecendo aqui e ali em células dispersas ainda, mas de grande potencial de explosão.

Corruptos titulares, oficiais e corruptos ‘pau-mandados’ do movimento social aparelhado, tremei. 3000 cabeças aqui, 3000 cabeças ali, podem muito bem, se quiseram derrubar a meia dúzia de cabeças podres que vocês são.

O trator da ética na política e na vida pública do Brasil em geral, a hora do ‘Fora nojentos cachorros da Corrupção’ vem aí raspando a esteira – com cascos de touro raspando o chão, puto da vida, babando seu veneno mortal.

Com a chapa esquentando a batata desta gente assando. Se você não bota o azar é seu, mas eu boto fé e lenha nesta fogueira.

Eu vou!

Spirito Santo

Setembro 2011

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~ por Spirito Santo em 22/09/2011.

8 Respostas to “Eu vou! Porque não? Corruption in Brazil: Frivolous or serious protests.”

  1. PELO TELEFONE- Adaptação e repulsa a uma roubalheira
    O CHEFE DE POLICIA PELO TELEFONE MANDOU AVISAR
    QUE LÁ EM BRASILIA TEM UMA CASA TORTA QUE ELE VAI FECHAR
    CASA DE TOLERANCIA, DOLAR NA CUECA CASA DA LAMBANÇA
    OCA DA GANDAIA/DA MARACUTAIA/ DA REPUGNANCIA
    (AI AI AI..)O DINHEIRO NÃO FIQUEI CO ELE NÃO/DEI PRO MEU JAARDINEIRO/ MAS FOI COM BOA INTENÇÃO
    OS DONOS DA CASA TORTA/ QUEREM FAZER COM O POVO
    O QUE FAZEM COM AS ESPOSAS / E COMPRAR VOTO DE NOVO
    O NOME DA CASA TORTA / E VC QUE VAI DIZER/ É CASA DO ….BARALHO / OU JÁ CONTO PRA VOCES
    É RANDEVU/ É FUCK YOY/É PUTEIRO/ É GAYCURUS/TERMAS DE LUXO
    É MUITO LIXO/VILA MIMOSA É MERETRICIO
    É MENTIRA É QUADRILHA É MALICIA É MILICIA/
    É COMANDO É DESMANDO/ É CONGRESSO É RETROCESSO

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  2. Talvez coubesse uma sessão de terapia em grupo aos nossos políticos. Pela contínuo viver dos atos passados, como se só estes justificassem e validassem seu papel social.
    E entre beber petróleo e comer goiabada cascão, eu prefiro goiabada. Até pq petróleo não se bebe.

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  3. Pois é Natalia,

    Acabou-se o que era doce. Quem comeu que regalou-se.

    Ficou tudo assim meio amargo mesmo, você tem toda razão. Estamos meio que andando em círculos, vivendo de passado como os museus. Eu vivo – e parece que vou morrer assim – impressionado com a capacidade que o Brasil tem de se manter agarrado às velhas e arraigadas maneiras de ser submisso sempre a algum coronel de ocasião. Me impressiona o quanto este coronel-mor pode ser qualquer sacripanta que se apresente como o mais bem falante, o mais obediente a tudo que seus mestres ocultos mandarem.

    Acho que adoentados estamos todos nós. Melhoras e saúde pra você e pra nós todos. É só o queme cabe desejar.

    Bjo

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  4. Vê hoje o caso da professora baleada pelo aluno de 10 anos, que já a tinha ameaçado previamente.
    Estou em sala de aula, e vejo o clima de tensão. Vejo meus alunos jogando com palavras, poqueando e provocando de forma não ingênua. Criando situações embaraçosas premeditadas.
    Escuto a fase clássica: – Esse que é mais fácil e não:-Esse que gostei, ou outra coisa qualquer.
    Vejo o silêncio nas repartições públicas, e a fuga para o Oba-Oba.
    Se eu acredito? Não sei, mas vou tentar ir na próxima manifestação.

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  5. Explicando melhor: Nelson Rodrigues quando era tachado de reacionário pela previu de forma consciente o que iria acontecer nas suas crônicas. Como um bom conhecedor da alma humana, e da cultura nacional. E agora…

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  6. Penso que depois de passada a euforia das diretas já, que ví, ainda criança na Cinelêndia, acreditamos (ou acreditaram) que a democracia estaria consolidada. Como digo aprendemos a fazer política com os coroneis etc. e mudar uma forma de pensar e agir arraigada durante séculos, exige constante avaliação e debate do processo democrático, que não se consolida; é um eterno processo.

    De repente ví a democracia eufórica, mas com os pés de barro da nossa cultura patriarcal, coronelista e escravista.Enfim penso que é um processo, e o meu medo maior, é o distanciamento que todo o debate tomou.

    Ficou centrado aos personagens que “faziam a história” com H maiúsculo.
    Como disse, acho que permeou as relações, claro, parece chover no molhado falar isso, mas a questão vai além da propina.

    Gosto das crônicas do Nelson, quando era tachado de reacionário, nas entrelinhas, vejo que ele previu o que iria acontecer , e é fato.

    Abração Spírito, tô em falta, sumida, meio adoentada, quando melhorar apareço.

    Bjo

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  7. falow e disse liderança. O Gabeira também deu o parecer dele muito nessa direção veja aí http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

    Abração e eu to nessa também

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  8. É isso aí, Spiritu! Sábias (e proféticas?) palavras.

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