Eu escritor e meus mitos de pés quebrados.

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O Tio-Kota que fez um livro, mata a cobra e mostra o pau

(A guisa de dedicatória e autógrafo para todos os eventuais leitores que virão)

Bem amigos, o livro está aí. É ver para crer. Ele se chama ‘Do Samba ao Funk do Jorjão‘ e pode ser conhecido um pouco nesta resenha de lá ou nesta auto resenha daqui.

Todos nós, agnósticos devotos fiéis e ferrenhos de São Tomé que somos bem o sabemos: Deus não é éter nem vento, nem poeira cósmica, se pode até garantir.

Redemoinho tampouco. Deus não é aurora boreal, nem raio nem trovão. Deus est machina, movimento. Deus é vida no sentido de que vida é a fila que anda. E pelo menos neste caso do meu livro a fila andou e a minha vez chegou. Agora sim é a hora de comentar, ressalvar, me regalar de falar, me jubilar.

É por isto que como a fé que não costuma ‘faiá’, no afã de tudo provar por ‘a’ mais ‘b’, nós os agnósticos movemos pauzinhos que às vezes até parecem montanhas. Ai! Como dói no lombo do leigo autodidata – que é o que os agnósticos são – este peso de teimar – e provar – saber o que ninguém voluntariamente lhe ensinou.

“_Como assim? Estudou onde? Se formou onde? Quem te orientou?”

Na pretensão de sermos o implacável deus de nós mesmos, ai como sofremos dando murros em ponta de faca. Um boi para não entrar na briga, mas – como mula que empaca – descrentes de tudo na hora de atestar algo que mal sabemos o que é, damos uma boiada enorme para não capitular. Teimosia de ‘só matando’, daquelas de exultar quando sobreviventes ficamos, já no lado de lá da superação de um desafio, prontos para gritar aliviados:

“_Ufa! Caramba! E não é que deu certo!”

(Pois é. Foi assim mesmo que o leigo do tio aqui se sentiu nos anos todos que penou para fazer este seu livro.)

E você sabe o que é um leigo, certo?

Não o que um leigo é, assim diretamente, porque isto é fácil, está até no dicionário: leigo é a qualidade sem problemas daquele que, simplesmente não é adepto iniciado em coisa alguma, quase de escola alguma, nenhuma religião, seita de porra nenhuma, aquele que é outsider porque não consegue ser – sabe-se lá porque – seguidor de dogma ou cânone algum. O desqualificável, o desentrosado de esquemas, o ‘fora de esquadro’ enfim.

Aí seria fácil entender.

Falo, contudo do complexo definir do que de ruim um leigo pode ser para os homens de má vontade. Falo do que se pensa que um leigo é: O Bicão, o um-sete-um presunçoso, o entrão metido a sabichão que desqualifica o saber alheio. Sabem como é: Seguir a regra, o estabelecido é sempre mais seguro. A ‘norma culta’ aliás, de certo modo é bem isto aí, certo? A bíblia Sagrada a ser rezada, de pau mandado. Dogma. O que não estiver previsto ali, simplesmente não aconteceu ou não acontecerá.

A principal muralha a ser rompida nesta minha jornada foi isto aí sim : Provar para as pessoas de má vontade que o leigo também sabe, que o leigo também vê.

Como os leigos só o são por que… não são, nada que possa ser identificado, catalogado, classificado, comprovado, difícil pegá-los numa esquina qualquer dessas, comuns. Sim, porque os leigos não tem diplomas, certificados, medalhas, troféus, grifes, selos de garantia ou qualidade, chancela.

Mas os leigos, embora não pareçam, geralmente são o que dizem ser. Acredite quem quiser.

A pessoa ‘normal’, a iniciada, formada, sacramentada, se prepara –‘maria-vai-com-as-outras’ que é – por opção, vai sendo treinada para ir com boiada, almeja até que alguém diga o que ela é… mesmo que não seja. Quando alguém enfim sacramentando –  a diz o que ela é então, pronto: o bacalhau daquela titulação alheia basta e lhe enche de um orgulho até maior que o meu.

Ser mesmo, portanto para a pessoa ‘normal’ não é bem a questão.

O leigo não, coitado. O leigo se perde pelo caminho tentando ser, sufoca de insolação, sente sede, tenta uma trilha, um atalho qualquer. O leigo se vira. Como cego em tiroteio segue os ruídos do meio, os cheiros, os corrimões. É por isto que o leigo dá, ali no calor da briga, o único boi que tem na rédea e depois, questionado pelos incrédulos entrega uma boiada inteira que nem tem, que está tranqüila lá no pasto de outro dono, só para não sair da refrega, porque prefere mergulhar sozinho no desfiladeiro de si mesmo para realmente saber quem é na multidão. Ser para si mesmo é o que importa.

O leigo autodidata é assim, se alimenta desta integridade meio babaca de ser mesmo o que diz ser. Ele é o maluco que diz:

“_Foda-se o rebanho! Foda-se a boiada! Foda-se o matadouro. Eu sou mais eu!”.

Portanto, quando você estiver folheando este alfarrábio orgulhoso que acabo de publicar, pense nisto. Mais do que o conteúdo prosaico que ele possui, mais do que as questões discutíveis que ele propõe, tente sentir o quanto tem nele de vontade de dizer alguma coisa que, por acaso ninguém disse, ou desmentir alguma coisa que alguém, provavelmente bem intencionado torceu, moeu ou mesmo mal intencionado mentiu, inventou. O quanto tive – e partilhei – de prazer de descobrir alguma pista que estava ali e ninguém viu,  mapa para a entrada escura de alguma mina de ouro mal lavrada, a intenção enfim de ajudar, um pouco que seja, os meus semelhantes a descobrir o que são -ou não são – ou podem vir a ser… ou não.

E considere a possibilidade de com você ser assim também. Pelo sim e pelo não.

Apesar de tudo e de todos, o motor da vida bem vivida – mais do que ser o que querem que a gente seja – parece que é mesmo ter perseverança para, mais cedo ou mais tarde,  nos transformarmos mesmo naquilo que sonhamos ou – ou decidimos – ser. E que assim seja.

Bem, fica isto tudo então aí, dedicado e autografado. Com um grande e emocionado abraço do,

Spírito Santo

Outubro 2011

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Onde?

O livro está – ou pode ser encomendado – nas livrarias Cultura, Travessa, Saraiva e FNC. Versão E.book no site da Amazon.com  (e no site de todas as livrarias citadas). A edição é da KBR Digital.

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~ por Spirito Santo em 14/10/2011.

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