A maldição do ‘Deus Dará” não está na Bíblia nem no gibi

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Fábrica abandonada - Foto Spirito Santo 2011

Na boca do Jacarezinho o inferno é grande

O Tio cronista, assim, do nada, visita o âmago da favela real

Um grupo de alunos mais chegados do Musikfabrik, todos músicos, com exceção de um, decidiu promover um encontro de congraçamento de fim deste  ano da graça de 2011. “Whíske com cerveja e outras milongas mais”, como diria o Jorge Ben sobre a festa do Charles Anjo45.

Saímos da Uerj em dois táxis fagueiros. Eu, Hugo, Chopa, Eduardo, o DJ Muhamed e o meu amigo Samuka, convidado fortuito, pego a laço ali, na hora. O inusitado do local escolhido – a favela do Jacarezinho, selvagem e indomada ainda – tinha tudo a ver com a música do ‘Charles’ e uma explicação prosaica: Hugo, o aluno uruguaio artista plástico, havia montado o seu ateliê justamente ali naquela favela, numa bem azeitada parceria com a associação de moradores local que exigiu dele, em troca do espaço, apenas que promovesse aulas de artes plásticas para as crianças da comunidade.

Beleza. Simples assim. Sem ONG, sem UPP ou edital, Hugo montou um excelente trabalho por lá. A articulação envolvia contatos particulares bem anteriores de Hugo, com um habitante dali, antigo ‘morador’ de nosso sistema prisional.

O ensejo do churrasco, totalmente informal como um grupo de músicos bem aprecia, foi articulado em minutos. Uma visita à birosca trailer de Dona ‘Mãe’ como o Hugo chama a proprietária, deixou os PMs super armados na entradinha da favela indóceis, nervosos. Afinal, o que faria por ali aquele bando de crioulos estrangeiros? Nada demais. Bastava não dar muita atenção a eles que a indocilidade logo se dissiparia, como se dissipou. Logo saíram com a patamo para longe dali, sumindo de nossa vista como uma chata aparição indesejada.

Dali mesmo da birosca de D. Mãe já saíram os litros de cerveja. Um garoto partiu com a missão que retornar com o carvão. Coisa de mais alguns minutos, ouvindo ainda o espoucar do foguetório aqui e ali, como GPS escandaloso avisando aos traficantes todo o trajeto da patamo da PM pelo entorno da favela e já estávamos refestelados em cadeiras, em torno de uma mesa improvisada com um gigantesco carretel destes de cabos de força da Light, felizes e tranquilos naquela nossa unidade de pacificação particular.

Ali, naquela tarde ensolarada e calorenta, num pátio imenso entre as ruínas de uma fábrica abandonada tive o grande prazer de promover o que talvez tenha sido – e para sempre será, presumo – o debate mais profícuo sobre o meu livro ‘Do Samba ao Funk do Jorjão’.

É que o pessoal era todo especialista, exatamente naqueles assuntos que o livro aborda: Gente preta, músicos, de certo modo sambistas e habitantes de ‘comunidades carentes’ no passado ou no presente. Gostaram muito do propósito do livro de desconstruir alguns mitos da história do Samba.

Fecharam questão com certos trechos, não tanto com outros e a animação da ‘mesa redonda’ informal foi se encorpando, gerando até o convite do líder comunitário da área para que o Tio aqui voltasse num outro dia para um debate com os integrantes da velha guarda da Escola de Samba Unidos do Jacarezinho. Imperdível esta, certo? “Mais velho’ empedernido e quase profissional o Tio aqui topou na hora.

E não duvidem. Distorço em nada os fatos nesta minha narrativa. A ‘mesa’ foi unânime em endossar aquela tese do Tio sobre a Ditadura Militar Seletiva. Lá para as tantas, mesmo ainda ouvindo o foguetório GPS da garotada do tráfico, João Carlos (nome fictício) líder comunitário local me saiu com esta:

_”…Eu sei que com os bandidos também é meio ditadura, mas é diferente. Esta filosofia ‘deles’ (os soldados da PM ou do Exército), esta disciplina militar não se coaduna com a nossa..”

Todos, sem exceção manifestaram o temor do que acontecerá depois de 2016, com o fim dos Jogos Olímpicos e a política de controle militar das comunidades carentes não for mais necessária aos interesses eleitorais, turísticos e esportivos das ‘ôtoridades’ constituídas. Todos temem por ali os efeitos caóticos de um previsível ‘Deus dará’ que se abaterá sobre as favelas do Rio de Janeiro.

Aliás, o cenário dantesco da parte 01 desta maldição do ‘Deus dará’ estava ali para todo mundo ver.

A fábrica abandonada (existem várias por ali, como ruínas de uma cidade bombardeada por aviões inimigos numa guerra invisível) é realmente imensa. Um morador (por acaso irmão do ex presidiário, cria da comunidade) descreve um cenário de muita prosperidade no passado daquele local. A fábrica que se chamava segundo ele ‘Shop’ era uma grande confecção de roupas finas e empregava muitas centenas (ele disse alguns milhares) de habitantes dali e de outras localidades.

Para quem não sabe, a região, que compreende os trechos que margeiam as Avenida Brasil e a antiga Avenida Suburbana (hoje Avenida D. Helder Câmara) já foi um pujante parque industrial na década de 60 e 70 do século passado. Este Tio mesmo aqui que vos fala, foi operário metalúrgico na região em seus tempos áureos, ali pelo final dos anos 60.

Dá na gente uma sensação dolorosa de impotência testemunhar na visão ruinosa destas construções desdentadas e destelhadas, o desamparo absoluto ao qual foram relegadas estas pessoas, com o desmonte súbito daquele mercado de trabalho, provocado pela derrocada econômica das indústrias do Estado do Rio de Janeiro e a degradação urbana resultante, com o explosivo processo de favelização da região se agudizando, caracterizado, inclusive pela criação de verdadeiros condomínios de favelados em caóticas ocupações de muitas destas fábricas em ruínas.

Da esquerda para a direita, Muhamed o Dj, Samuka, Eduardo, um habitante do local, Chopa e Hugo, o uruguaio.

Da esquerda para a direita, Muhamed o Dj, Samuka, Eduardo, um habitante do local, Chopa e Hugo, o uruguaio (além do Tio atrás da câmera, claro).

Uma visão de caos bíblico.

Por razões que o uruguaio Hugo me esclareceu depois, ainda que por alto, a esperada ocupação desordenada das ruínas da fábrica ‘Shop” por hordas de favelados sem teto, jamais ocorreu.  Alguém, a associação de Moradores, presumo – não sei exatamente quem ou quando na verdade – destinou todo o espaço para atividades sócio culturais, entre as quais o atelier de Hugo.

A origem da legitimidade do poder institucional, com muita pinta de ser informal, que fez com que as pessoas obedecessem piamente a ordem de preservação do local é bem misteriosa. Se o próprio MinC/ IPHAN tivesse tombado o imóvel talvez não houvesse respeito maior.

Pude saber pelo mesmo Hugo que ali funciona agora também uma pequena fábrica de lajes pré moldadas a céu aberto, embora nenhuma obra de adequação do espaço (além do ateliê de Hugo que tem até ar condicionado!) seja visível no local que acumula lixo e entulho de anos e teve os telhados que cobriam os amplos galpões (valiosas telhas de amianto) , totalmente desmontados, com as estruturas de ferro à mostra, nos saques que ocorreram.

Enquanto fotografava as ruínas da fábrica, as palavras do líder comunitário sobre a Ditadura Militar Seletiva, ainda ecoavam na minha cabeça:

_”..Aqui não tem hora, aqui se eu quiser fazer uma festa de casamento de madrugada, um baile funk, uma roda de samba, a hora que eu quiser, soltar pipa, transportar tijolo, o que for eu faço. Aqui tenho liberdade. Os traficantes não interferem nisto aí não…

Fim de tarde, fim de festa. Partimos já meio bêbados para a Av. Suburbana à cata dos ônibus ou vans de cada um, tendo como guia – e escolta – o orgulhoso líder comunitário local. A descrição do impressionante interior, do âmago da favela do Jacarezinho que farei a seguir, foi uma experiência radical e quase inédita para mim que já conheci – e descrevi – o âmago de outras favelas do Rio.

_”É só lá com o negócio deles e pronto. E mais…bandido não esculacha morador, mulher, criança assim à toa não, bandido não rouba morador.” _ Dizia João Carlos, ecoando na minha cabeça.

A noite caía rapidamente, quando saímos das ruínas da fábrica. As vielas da favela, exíguas como artérias entupidas, se encaminhavam todas para uma rua também magrinha, uma ruela central na verdade com, no máximo uns três, quatro se muito, metros de largura. Uma rua tensa por si só e amedrontadora para nós, visitantes de primeira viagem.

Carros nem pensar. Não cabiam ali. O tráfego de veículos maiores que motos e bicicletas era virtualmente impossível por ali. Esta ruela central se torna mais exígua ainda com os atravancados estacionamentos de bicicletas, centenas delas amontoadas em pontos estratégicos, geralmente perto das dezenas de bares e pequenas lanchonetes que se amontoavam num dos cantos sem calçadas.

Há também uma formidável aglomeração de pessoas sentadas na rua. Nestes ‘points’ soturnos, as moças ficavam soltas em conversas animadas sabe-se lá sobre o que, novelas, cabelos, namoros, todas sentadas em cadeiras comuns ou caixotes, como se todos por ali tivessem decidido sair para a rua ao mesmo tempo, largando as pequeninas casas com as janelas escancaradas, naquele calor estúpido que fazia.

Existe um serviço de transporte de tralhas de todo tipo em carrinhos artesanais construídos com carcaças de geladeiras velhas e chassis de madeira. Presenciei a tortuosa tentativa de três meninos esquálidos empurrando um carrinho destes, carregado de entulho de obra, por uma rampa estreita acima.  O esforço desconjuntado que faziam resfolegantes em sua magreza meio mórbida, me deu a impressão de que eram garotos viciados tentando fazer alguns trocados para comprar pedras de crack.

Já com a noite inteiramente caída, já que não havia o menor sinal de iluminação pública por ali, deu para notar que uma escuridão pesada cobria aquelas ruelas, uma escuridão selvagem e opressiva porque era entrecortada, abruptamente, a todo o momento pelos faróis das centenas de motos que cruzavam para lá e para cá, motos, centenas de motos era o que mais se via por ali. Cruzei em certo momento com uma moto ‘Ninja’, verde limão, de última geração.

Naquela escuridão opressiva para mim, imprecisa nem olhei – e por isto não vi – os rostos nem quaisquer outros detalhes dos ocupantes das motos, se estavam ou não armados, suponho apenas que muitos deviam ser moto taxistas afobados ou mesmo meninos traficantes em missões patrulhamento.

Mas existiam também os transeuntes, centenas deles, como um formigueiro de gente sem rumo definido, cujos rostos só eram entrevistos em flashs dos faróis das motos ou pelas lâmpadas incandescentes de um ou outro quiosque de cachorro quente espalhados por ali. Quase como luz negra de bailes funk.

Impressionou-me demais a juventude, claramente predominante daquela multidão fervilhante e animada por não se sabe o que. Aquela sensação de geração perdida acuada, oprimida naquela ruela sufocada de mazelas e impossibilidades absolutas, sem futuro algum. Esta sensação de inutilidade me assaltou ali, ainda sem tristeza alguma.

No trajeto passamos por uma área mais movimentada onde havia uma grande quadra de esportes depauperada como tudo por ali. Era o entorno da estação de trens o centro do que havia sido outrora o Bairro do Jacarezinho, já agora engolfado totalmente pela favela.

De repente um trem apareceu resfolegante e ‘Eduardo’ e ‘Chopa’, como gatos de rua – apesar de já beirarem os quarenta anos – escalaram o muro e, rapidamente se enfiaram por um buraco da tela de proteção da estação, desaparecendo dentro do trem que os levaria à Baixada Fluminense.

Eu e Muhamed, o DJ, seguimos então ainda um pouco mais além, sempre escoltados pelo líder comunitário, conversando animadamente. O ponto ‘pitoresco’ final de nosso longo trajeto foi a travessia da linha férrea, notória por ser o limite da constrangedora cracolândia do Jacarezinho. Olhando para a esquerda, perscrutando a escuridão profunda do local podemos ver o espoucar ansioso de dezenas de isqueiros acendendo cachimbos de crack como pirilampos da morte.

Já na hora de entrar na van, testemunhamos ainda discussões entre viciados em crack que pediam dinheiro aos motoristas, sofregamente, enquanto os já dopados pela droga se espalhavam pelas calçadas como monturos de lixo.

Foi a hora que a tristeza bateu fundo e senti alívio de estar me afastando dali, de não ser dali, de não suportar mais conviver com aquilo ali.

Não sei, honestamente como aquelas pessoas suportam aquela situação absurda. Lembrei-me daquela explosão de atos de vandalismo promovidas por traficantes um pouco antes da invasão do Complexo do Alemão pelas forças policiais. A maioria dos comandos de meninos terroristas, munida com garrafas pet cheias de gasolina, partiu dali, daquele antro de mazelas indizíveis da cracolândia do Jacarezinho.

Ocorreu-me também que os atos, praticamente não visaram nenhum ataque direto á propriedade privada, como foram os motins de negros dos anos 70 nos EUA, por exemplo.

Tristezas não pagam dívidas.

Perdemos tudo por aqui, até as chispas de ideologia que poderiam eventualmente motivar a violenta – e neste caso – justa indignação destas pessoas como aquelas que vi ontem. Engolidas pela iniquidade que controla a nossa sociedade, elas podem matar ou morrer para defender um paiol de drogas consumidas pelos bacaninhas da Zona Sul, podem explodir e matar incendiadas as pessoas, quaisquer umas, quem estiver por perto por uma maldita pedra de crack, mas não atacam jamais, em grupo, coletivamente, os responsáveis diretos por sua desgraça. Não têm, como se diz, consciência social.

Morte anunciada, a pacificação destas almas todas não é uma probabilidade real, factível. O plano nunca foi resgatá-las deste inferno. Nunca será. Ao contrário a permanência delas ali, ad infinitun é o projeto de sociedade que endossamos. Cercadas, mais acuadas ainda, vão ser transferidas – ou não – para um inferno alternativo qualquer.

E que Deus tenha se apiede de suas almas.

Spirito Santo

Dezembro 2011

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~ por Spirito Santo em 14/12/2011.

8 Respostas to “A maldição do ‘Deus Dará” não está na Bíblia nem no gibi”

  1. Anna,

    Ainda bem que existem as pessoas questionadoras como você. Senão aí é que a vaca iria mesmo para o brejo. Pois este é exatamente o nó de nosso problema: É preciso que a quantidade de questionadores aumente na mesma proporção do problema que é enorme (o problema principal diria, porque eles, os problemas, são tantos…)

    A escravidão no Brasil criou um corte tão profundo na sociedade que, com a exceção de uma ou outra, as pessoas, os descendentes como nós, estão completamente engolfadas pela ideologia escravista de mais de um século atrás, esta submissão renitente, esta espécie de cegueira, este medo mesmo. Você tem razão quando percebe que os brancos também estão, apesar das vantagens que têm com um sistema que, materialmente os privilegia, presos a mesma armadilha. Uns jogados contra os outros com o patrão sempre movendo os cordãozinhos. Imbecilizados todos, podiam ter muito mais e se submetem ao sistema por tão pouco.

    É um chavão a gente dizer que é um problema é a Educação, mas é verdade. A questão, contudo é que o sistema não deixa de educar porque é ineficiente e desleixado como se costuma imaginar. O sistema, deliberadamente está voltado para DESEDUCAR, CONTROLAR, DESMOBILIZAR.

    A Lélia – que conheci pessoalmente – é uma prova viva de que há uma estratégia articulada para neutralizar, invisibilizar, tornar impossível qualquer reação contra o racismo sistemico que nos oprime.

    E falo da Educação popular, bem entendido já que a mera ascenção de um ou outro pretinho ou pretinha à universidade, a experiencia tem demonstrado, não resolve esta questão ideológica. A maioria se bandeia para o lado de lá e a favela da maioria nunca muda de lugar.

    Muito a se fazer, poucos com a compreensão do que fazer.

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  2. É Spirito, a poucos dias me vi em eu ma situação que denota como esta consciência social da qual vc falou me tocou profundamente, pois levei três dias para “a ficha cair”. Sou meio debatedora, aapesar de não parecer, então vi que meus direitos, além de não serem respeitados, não valiam o preço pago por eles. Neste momento resolvi fazer um abaixo assinado e durante dias dei uma de baleiro de ônibus: Prezados usuários venho aqui lhes propor a feitura de um abaixo assinado contra retirada do ar condicionado de nosso ônibus… Bem recebi olhares de espanto, de nojo, de desdém entre outros positivos. Não conseguindo ficar engasgada falei: “Sabem o povo? O povo, aquele que exixte na democracia? Somos nós!!!
    A facada final foi um motorista dirigindo um ônibus com as pernas fervendo apesar do ar, me dizer que eu só pensava no nosso lado, que tinha que ver o lado do patrão também.
    Falei raivosa e com tristeza: “O que esta acontecendo? Ainda temos feitores e capitães mato no séc. XXI. A consciência social não existe efetivamente, nem nos que se acreditam nórdicos e com mais acessso às boas coisas que podem comprar.
    E além disso como se pode desmontar o sistema de ensino de um povo e querer que o mesmo seja capaz de elucubrar ou engendrar algo que é dado de forma vaga, isso quando não é completamente apagada de nossa memória, como no caso da Lelia na PUC-Rio onde não se encontra nem nome, nenhum estigio dela e seu trabalho para implementação do Dep. de Soociologia e Política.
    A dor é colocada em

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  3. Olá, Sr. Spirito Santo!

    Estamos passando por aqui para ratificar um agradecimento que fazemos varias vezes:

    Obrigado a DEUS por ter o senhor presente na vida de nossa companhia de teatro;

    As palavras são as mesmas de sempre, mas o sentimento e a sinceridade estão sempre se renovando por ter o carinho e admiração do senhor por nossos trabalhos!

    Desejamos que o senhor, sua família e seus amigos tenham

    UM FELIZ NATAL E UM FELIZ ANO NOVO!

    E que DEUS possa ainda mais nos honrar com as belezas dos trabalhos do senhor para sempre!

    Clemente.

    Cia. De Teatro Atemporal.

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  4. A minha colocação é bem simplista, reconheço…e é apenas uma visão emocionada do problema. Claro que eles têm consciência social – alguma pelo menos – qualquer grupo social tem. Como você diz talvez eles não saibam como agir. Fiz uma musica que ando cantando por aí no vissungo denominada ‘kilomboloko’ na qual digo que as favelas rebeladas dos traficantes armados são quilombos que enlouqueceram.

    Andei lendo também que, no original, de verdade todo quilombo era assim. Do ponto de vista da sociedade ‘externa’, sem o romantismo historicista de hoje em dia, eles eram bandos de bandidos armados que traficavam alguma coisa e roubavam, corrompiam os vizinhos, os comerciantes com vantagens ou ameaças, etc. ou seja, se formos avaliar friamente consciencia social é um troço muito relativo mesmo. As pessaos sobrevivem como podem, como são obrigadas a viver.

    Na verdade a gente sonha é que esta força que pode ser acumulada pela simples união e organização destas pessoas sirva para retirá-las deste impasse miserável. É sonho dos anos 70, aquele que ‘acabou’.

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  5. Mas será que não têm mesmo, como se diz, consciência social? Ou não sabem ou não tem como agir?

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  6. O que dizer para o Guellwaar se a sua fala é apenas a opinião de um crente otimista? Que Deus o ouça então.

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  7. Essa certeza de um não devir, alicerçada na evidente ausência de um projeto político voltados às nossas quebradas, deveria ser desmotivadora, mas te confesso ainda acreditar, não me peça indícios, em uma possível trasnformação desse quadro… Não me peça detalhes, tampouco prazos.

    O medo do niilismo, provocado pela realidade das cracolândia daí, acolá e daqui, da proliferação das evangélicas, daí e daqui e acolá, da negligência de direitos de acolá, daqui e daí, me deixa convencido da necessidade de ações mais agressivas por parte dos movimentos sociais, especialmente o Movimento Negro. Daí, o nada tenta mais uma vez me tomar, diante da quantidade de gente vendida/comprada pela idéia de poder que a participação nos governos acenam. Ainda assim, busco manter o viço da esperança, cara, contra todas as estatísticas, mesmo aquelas fabricadas em escritórios para satisfazer a sanha dos organismos internacionais. Me arrisco na esperança, mano velho. Sou dependente disso.

    À todos aqueles controles psiquicos do Estado, As cracolândias, evangélicas e ausência de direitos básicos nas comunidades pretas, me aferro a esperança injustificada, simplesmente por considerar que, se ainda há pessoas que conseguem fazer relatos ricos em detalhes como esse, sem desprezar os principios éticos em suas narrativas e demonstrar angústia em oposição a banalização ingênua de que o “gueto é isso mermo, brow!”, tudo me parece ainda possível, até uma virada de mesa a nosso favor, a favor dos nossos.
    É isso, mano velho, seria egoísta, desfrutar de sua crônica e não registrar o que gerou em mim. O externo assim, sem correções e errante, talvez, mas sem vacilações. Você me fez lembrar minha infância na Baixada, lá no meu Gato Preto, onde somente quatro ou cinco, de minha geração, permanecem do lado de cá da vida.

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  8. *QUANTIDADE de gente vendida
    **relatos RICOS
    *** PERMANECEM do lado de cá

    Obs. Como disse, não fiz correções, se puder fazer no momento da moderação, te agradeço. O texto soltou choro aqui mano. Abraços…

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