A Bibliografia oculta de Nina Rodrigues, o pai dos ‘negrólogos’ do Brasil

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Pé de pato mangalô três vêiz.

Conselho de Tio leigo abusado:

Ao lerem estes ‘negrólogos’ aí, os mais referendados, indicados, incensados, bibliografados, amarrem a bibliografia deles pelos sete lados.

Sei que alguns – notadamente os que já se imaginam doutos – acham que dizer isto é chover no molhado, mas aviso aos navegantes que estudam cultura negra do Brasil – notadamente gente universitária formanda, mestranda ou doutoranda em geral: Quando indicarem para vocês – entre outros – a leitura de Nina Rodrigues, Arthur Ramos, estes ‘clássicos’ precursores de nossas ciências sociais, hum…orelhas em pé, tá?

É. leiam a bula ou seja: Tenham o cuidado de ler também aqueles títulos deles que NÃO estão sendo indicados, aqueles mais difíceis de encontrar. É que neles é que está o pulo do gato – preto – ideológico, as páginas ‘negras‘, se é que me entendem.

O pé atrás neste caso engorda e faz crescer, sabiam? Não deem este mole de se arriscar a entregar o ouro para o bandido.

Tomei a liberdade então de fazer uma lista aqui para vocês, extraída aliás de um artigo do próprio Arthur Ramos, para quem não sabe discípulo fervoroso de Nina e considerado – ele Arthur – o pai incensado da assaz intrépida antropologia tupiniquim.

(Calma ‘dotôzinho’. O Tio sabe que você já sabe o que só alguns poucos sabem – que o Nina ‘era isto e aquilo sim, um preconceituoso e tal, mas… mas…afinal era um cientista social relevante, importante e fundamental, de ponta em seu tempo, um precursor dos estudos sobre o negro no país, um intelectual respeitável que não pode ser desconsiderado assim, patati patatá’.)

Sei. Ah, tá.

Mas será que o dotôzinho sabe tudo mesmo sobre o Nina ? Ou, melhor ainda: Se nós estes alguns poucos o sabemos, não seria de bom tamanho todo mundo saber também?

Pois então tá. vou batê pra tu pra tu batê pra tua patota:

Marotamente, pensando em quem estava boiando ainda na questão, assinalo então em vermelho, o sentido gritante das temáticas das teses eleitas ou preferidas por nosso ‘herói’ Nina Rodrigues (e por Arthur Ramos também) os tais fulcros de suas ideias fundamentais.

Surpreendam-se. As evidentes intenções racistas estão lá, eugenistas, profunda e arraigadamente inseridas nos estudos deles. Elas, as malévolas intenções estão lá claramente expressas, sem sutileza alguma.

Incrível, mas acho que eles acreditavam – Nina, Arthur e outros tantos doutores, de hoje até –  piamente que os retratados por sua..patológica… ‘etnologia‘ pré nazista jamais aprenderiam a ler ou a escrever um dia. Falavam para seus pares, assim, sem pudor algum.

Não acham preocupante que sejam estas as ideias  que, praticamente fundam a antropologia brasileira no campo da…’negrologia‘?

Não? Fala sério!

Ora, e espera lá…se estas ideias ‘fundam‘ – e que se saiba, nunca foram realmente revistas –  não é mais do que óbvio que elas podem estar imiscuídas em muita coisa que nos mandam ler por aí?

Sim. Há um perigo enorme morando nesta história. É que existe uma lei nova por aí (a 10639, vocês já sabem) que obriga –  ou sugere, sei lá – o ensino da cultura negra em escolas do país. Já pensaram o que este veneno bibliográfico, estes ‘fundamentos’ pseudo etnológicos, diluídos por aí não podem fazer com a nossa cabeça?

A Cabeça de nego com esta pólvora toda explode, gente!

Creiam. Por razões tão esdrúxulas que este humilde post de internet não pode aprofundar agora (mas o Tio aprofunda no seu livro), o melê que fizeram, sabe-se lá quem  (a cultura dominante, a academia, os oportunistas pretos e brancos de todas as ocasiões) com a cultura africana no Brasil é tão grande, mas tão grande que – como a Mangueira, a  escola de Samba- “nem cabe explicação.”

Desculpem a referencia fortuita e o açodamento da enfase, mas sabem como é: tem doutor que é cego, gente!

Trabalhos destacados de Nina Rodrigues sobre o negro e o mestiço brasileiros:

Antropologia patológica: os mestiços, Brasil Medico, 1890
As raças humanas e a responsabillidade penal no Brasil, 1ª ed. Bahia, 1894
– 2ª ed. de Afranio Peixoto, Rio, 1933
Métissage, dégenerescence et crime, Arch. d’Anthrop. crim., 1898
Nègres criminels au Brésil, Arch. di psich., scienze penali e antr. crim., vol. XVI; L’animisme fétichiste des nègres de Bahia, Bahia, 1900
– La paranoia chez les nègres, atavisme psychique et paranoia, Arch. d’Anthrop. crim., 1902
– Contribuição ao estudo dos índices osteometricos da raça negra, Rev. dos Cursos da Fac. de Med. da Bahia, 1904
Vários trabalhos publicados em revistas diversas depois reunidos num estudo de conjunto sobre O problema da raça negra na América Portuguesa, que deixou incompleto.

E nas palavras do próprio Arthur Ramos:

Com o material deixado pelo malogrado mestre e documentos encontrados no Instituto Nina Rodrigues, Homero Pires recompôs Os Africanos no Brasil, Rio, 1933

(Nota de Arthur:). Esta nota é prolongada na edição de 1940 com: “Em 1934, editei O animismo fetichista dos negros baianos, de que só existiam artigos esparsos e a edição em francês. Em 1939, recompus a obra, deixada inédita e inacabada, As coletividades anormais (Vols. II e XIX da Biblioteca de Divulgação Científica) NR.”

————–

Na veia. É simples a dica do Tio: Se você quer mesmo aprender, futuque, duvide, critique, questione o mestre, aperte o doutor.  Se o teu interesse for apenas um diploma no peito, um título pra chamar de seu, então – paciencia! – relaxe e faça apenas o que o seu mestre mandar.

Sintam  e vivam o drama por si mesmos.

Spírito Santo

Janeiro 2012

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~ por Spirito Santo em 24/01/2012.

2 Respostas to “A Bibliografia oculta de Nina Rodrigues, o pai dos ‘negrólogos’ do Brasil”

  1. Bondade sua. O teu também alegra os olhos e a cabeça da gente.

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  2. E que Blog maravilhoso!

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