“Rosa Parks bus”. Justiça diz sim às cotas raciais no Brasil!

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http://www.communitygrows.org/2010/07/rosa-parks-garden/

Neo racistas, batidos, saltam fora do ponto pra morrer na praia.

Funk não. Vale um ‘Samba fox blues’: Guitarra, pandeiro e tamborim.

A letra diria algo assim:

Maiô rasgado, a Garota de Ipanema se esconde atrás do alambrado que esconde uma obra da Copa do Mundo e de lá vê a praia sendo invadida pelo criouléu.

_”Ô, my god!”

A ‘black galera” saltou em bando de um ônibus ‘piratão‘, amarelão, dirigido por uma velhinha chamada Rosa Parks. A velhinha com um sotaque esquisito, toda abusada, voz esganiçada, grita da janela do motorista para os mauricinhos e patricinhas que gastando a beleza nos bares da orla, olham para o ônibus caidaço, assustados:

_”Dá licença! Sai!Sai!Tira estes carros de bacana daí! A vaga está reservada. O ‘Bus da Rosa Parks’ vai estacionar aqui!Sai!Sai! –grita a velha, buzinando.

Maior burburinho. A galera negadinha partindo para a praia na maior animação, festejando sei lá o que.

Pra quê? A mauriçada e a patriçada assustada com aquele furdunço, aquela batucada exuberante, debandaram em polvorosa. Helicóptero da TV Globo filmando lá de cima, flash no plantão do ‘Bom Dia Rio”, edição extraordinária, com aquela musiquinha de terror. Não deu outra: a brancaiada pensou que era um arrastão, uma revolução haitiana, sei lá, que o morro tinha descido para o asfalto, como naquele samba pesadelo deles. Um “Pânico na TV” só.

_”Ô, my God!”

(Mas olhem bem vocês: Quando derem vez ao morro, toda cidade vai cantar)

Depois amainou. Deu até um ventinho de maresia, bem gostoso. As patricinhas voltaram, ficaram lá no cantinho delas, perto de um quiosque, os crioulinhos mais abusados fazendo ‘psiu‘ para elas, chamando elas de gostosas, os mauricinhos parrudos, escondendo as caras atrás das latas de energético, com medo de reagir e o criouléu, cheio de marra, cismar de engrossar.

Sabem como é: Isto aqui é um novo Brasil agora. As coisas acabam por se ajeitar, com o tempo, agora que preto tem também o seu lugar e que o lugar não é mais aquele gueto tão tão distante, apartado lá em ‘deus me livre’, não é mais  aquela favela lá no alto, aquele complexo do Alemão.

UPP é o cacete! Agora é rumo à pacificação real.

Acenei pra velhinha empolgado. Ela, me vendo velho também, que nem ela, respondeu piscando um olhinho, toda saidinha.

_”Eu heim! Vê se pode?”_  pensei eu, saindo de fininho, metido à garotão: “_  Só me faltava esta. Quem gosta de coroa é defunto, sô!”

Foi daí, pra disfarçar, que peguei o jornal de ontem e li:

Os três sofismas da derrotada Yvonne Maggie em seu último artigo contra as cotas em O Globo:

..Os brasileiros que como eu, nos meus dezesseis anos e até hoje, não se veem e não foram legalmente divididos em brancos e negros, em sua grande maioria não aceitam as leis raciais.

Mas quem os representa? Na audiência pública realizada em 2010 no STF a maioria dos convidados a se pronunciar era favorável às cotas raciais. Neste julgamento que se avizinha apenas duas vozes estarão defendendo a posição de Rosa Parks”

(Sofisma 1: Rosa Parks que se insubordinou contra a segregação racial desafiando a proibição de sentar no lado do ônibus reservado aos brancos, nunca declarou que seria contra as cotas raciais ou fez qualquer afirmação a favor da miscigenação como paradigma de coisa alguma. Yvonne se aproveita de forma eticamente desonesta do nome de Rosa fraudando o sentido do ato dela (e de quebra atacando Obama)

“.. A maioria quer reforçar a “raça” para depois extingui-la. Nem sempre a posição majoritária prevalece nestas situações, mas neste caso temo pela sorte do povo brasileiro, que preferiu ao longo de séculos se pensar a partir da metáfora dos três rios que se juntam em um novo e caudaloso”…

(Sofisma 2: Não existe nenhuma evidência de que o ‘povo brasileiro’ tenha ‘se pensado’ (rs rs rs) a partir do Mito as três raças. Isto sempre foi sim o pensamento oficial, o pensamento imposto por uma corrente de pensamento acadêmico elitista a qual Yvonne faz parte, a corrente do “Elogio à mestiçagem’. A evidencia da miscigenação servindo de pretexto para perpetuar o racismo contra os ‘não brancos’. E cá entre nós: esta versão do mito das três raças – ”três rios que se juntam em um novo e caudaloso”- é uma metáfora, piegas, cínica e oportunista, além de falaciosa.

…”que não criou (o povo brasileiro) leis segregacionistas e não proibiu o casamento entre pessoas de cores diferentes. Será mesmo que estes juízes conhecem suficientemente a História para decidirem sobre o destino de todos os brasileiros? “

(Sofisma 3: Ora, este artifício de colocar palavras na boca de terceiros é típico de gente que se vale de sofismas e falácias. Jamais seria o ‘povo brasileiro’ quem criaria leis contra o que quer que seja, como as segregacionistas, que proibiriam os casamentos inter raciais etc. Os juízes do Brasil é que criariam isto. Mas não o fizeram, e sabe-se muito bem agora porque.

Não o fizeram não porque o sistema era bonzinho. Estas leis não foram criadas simplesmente porque se estabeleceram após a Abolição barreiras sociais muito eficientes, terríveis, intransponíveis, que travaram a ascensão do negro até ontem, quando aí sim, por força da lei, se desmontou esta peça chave do nosso sistema de racismo: a exclusão social de pessoas do acesso à educação por conta de sua origem racial, peça do sistema racista brasileiro que a branquela Yvonne, neo racista que é, pretendia manter inalterada.

…E, finalmente a pergunta – agora inútil – que não quer calar: Quem seriam os dois juízes (as ‘duas vozes’) contra as cotas as quais Yvonne se referia?

————

Rosa Parks, se viva fosse, ontem estaria em Brasília com o Spike Lee. Vendo a Yvonne na rua,, rabinho entre as pernas,  por certo lhe diria:

_”Perdeu branquela, perdeu! Agora pede pra sair. Vaza! Se manda. Levanta do meu ônibus e pega a sua limusine. Aqui não tem lugar para neo racistas não. Sai da frente que atrás vem gente.”

(…E foi daí que aquele ônibus ‘piratão‘ veio parar no Rio)

Spírito Santo
Abril 2012

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~ por Spirito Santo em 27/04/2012.

2 Respostas to ““Rosa Parks bus”. Justiça diz sim às cotas raciais no Brasil!”

  1. Ih! Que honra! O Braz por aqui? Grande abraço, parceiro. O livro vai bem. Só falta vender.

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  2. Valeu, Spirito Antenado! Sincopado, sempre.
    a) o Velhote do Lote

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