Titio, o ebó e seu ego mui pretensioso.

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Titio segundo a crítica 'especializada'

Titio segundo a crítica ‘especializada’

Chupa! Enfim alguém critica o tio besta escrevinhador

Está certo que provoquei. Afinal esta é a minha especialidade. Enfim alguém leu, meticulosamente e desancou o tio, malhou o seu estilo, os seus conceitos, principalmente a sua pretensão escrevinhadora.

No final eu respondi, pirracento, meio que escondendo a birra (vocês vão notar), mas segurando a onda.

Referindo-se ao ultimo post publicado aqui no blog (“O manifesto do Contra Ebó“) O comentário saiu numa página do facebook chamada, providencialmente “Candomblé Pesquisa‘. Tem muitas outras críticas lá (o povo dali não foi muito com a cara do Tio não). Compartilho, portanto apenas aquele comentário mais representativo do pensamento geral dos críticos, assim mesmo como o autor , o jovem Kleverton Almirante escreveu:

—————–

“O texto me seduziu a entendê-lo. Procurei fazer uma análise dele. MUITA GENTE NÃO VAI LER PELO TAMANHO, MAS QUEM LER VAI ENTENDER PORQUE. Cabe a nós aceitar, ou não, se ‘Santo’ que come palavra de ordem não é santo de nada não. Primeiro porque há uma História que nos reporta várias histórias africanas, afrobrasileiras e escravagitas de até dias de hoje.
Sim, foi feita abolição do trabalho escravo de negros, porém nossos cultos ainda se sujeitam às palavras de ordem de uma cúpula esbranquiçada. E não é querendo promover discriminação à pele branca, mas aos pensamentos que reprimem e repudiaram nossa luta afro-religiosa-cultural. Confesso que notei um texto impregnado da gordura de um alimentador de ego. O rebusco das palavras, as conotações e denotações, as mais variadas formas de transparecer intelectualidade, tudo isso me enoja quando se faz para alimentar o ego e para aparentar superioridade sobre os leitores.
A gama de hífens, parênteses e aspas que ele usa não é crime, mas irrita. Daí o autor começa citando um ebó (coisa de negro macumbeiro). O autor é negro, mas preferiu ser intelectual para não ser nem macumbeiro, nem enganado? Faça-me o favor! A pior parte é quando ele cita que ainda era jovenzinho e pensou “ser ou não ser”. De fato, uma criança superdotada era. Entretanto, citar o ebó não foi lá uma ideia genial. Para se manifestar contra ele, fazia-se necessário dizer que ao invés de estar arriando ebó ali com a comunidade afro-religiosa, ou de estar comendo as guloseimas arriadas como qualquer criança, ele preferiu vender a garrafa capitalizando dinheiro para assistir um filme que o daria o cacife necessário de entender as lutas da nossa vida faroeste. Bem, o filme de bang bang o proporcionou um big bang mental, brain storms e seja lá o que for.
De certeza! Isso é tão dialético: ele preferiu não ser negro macumbeiro para ser pensante capitalista – lutador de mercado. Ao optar por ser uma coisa, não está sendo outra, vice-versa e todo o direito tem. No entanto, ontologicamente, há uma coisa pior aí? Ele julga e considera uma coisa ou outra pior ou melhor? Digo: não é assim. Ele fez suas escolhas e não se julgue superior por elas, cada um traça seu caminho e ele não tem, por ser este “lido” senhor de vasto currículo, mais valor que minha mãe-de-santo desdentada filha de Óba-Aganjú. Coisas que me enojam, prepotências desnecessárias, orgulhos vis de coisas vãs quando tudo são vida e caminhos diferentes, cada qual com o seu. Concordo quando ele fala do sábio Fanon (advinho) e do axé de gabinete “impregnando as nossas demandas políticas reais todas com estes caôs caôs e eparrêis de butique”. Nos sujeitamos muito a isso.
É verdade e já era previsível. É notório que ainda persistem em nossas casas de axé os filhos conformados, acomodados e ascetistas, que não resistem às palavras de ordem (de calar nossas bocas, de parar nossos tambores, de proibir nossa indumentária) por falta de interesse, estratégia e senso de luta inteligentemente unida em prol do que é negro. Sim, do negro. Não do jeje, nem do banto, nem do iorubá, mas do negro. Falta a muitos a inteligência da união. Apesar de não gostar da construção do texto, parabéns por ele. Faz refletir.”
Kleverton Almirante

Nota (só para informar): O jovem Kleverton Almirante é de Maceió e nos informa em sua página que fala Português brasileiro, Língua iorubá, Língua hebraica e Língua fon.

(Ops, titio mal fala o português carioca)

Daí titio respondeu, quase sem retaliar:

“Tá aí. Gostei. Principalmente do Kleverton, pela atenção meticulosa e pela franqueza. Raro, muito raro ser lido e comentado, criticado assim. Reclamei disto ontem mesmo por aí. As pessoas leem, mas geralmente se omitem nas respostas e não debatem.

Achei muito curiosas – e estranhas – as críticas ao estilo, algumas até muito pertinentes, pois eu também reluto em gostar de certas características desta forma de escrever. Mas as pessoas precisam ser um pouco mais pacientes e tolerantes (preguiça não vale como desculpa neste caso, certo?) diante das novidades, mesmo as questionáveis. A fila precisa andar.

Afinal, é óbvio que eu estou tentando uma maneira diferente de dizer as coisas sem tratar as pessoas como estúpidas. O fato de alguns não entenderem um texto não quer dizer, exatamente que ele é assim tão ruim.

As críticas que classificam o texto de ‘pretensioso’ eu aceito também, mas com a mesma ressalva: tem gente que gosta. Com um tema desta profundidade, difícil agradar a todo mundo.

Importante ressalvar também que recebo muitos comentários com opiniões exatamente opostas a estas. O que confunde muito o criticado. Tem gente que diz que adora e vocês detestaram. paciência. Afinal como entender que uns achem a escrita legal e outras a detestem. Deve ser por conta da ironia, recurso que, confesso, adoro.

Mas gostei sim de ser criticado. Sinceramente. Vou até aparar certas arestas nos próximos posts. Só não garanto parar de rebuscar, arriscar novas maneiras de dizer as coisas, porque senão…pra que escrever?

Escrever claro, agradando a todo mundo, me desculpem é coisa para escriturário.

De resto, considerando o nome da página (“Candomblé Pesquisa”) só me ressenti de não terem debatido, exatamente o tema em questão e terem preferido malhar o autor. Afinal, será que o estilo ‘rebuscado’ atrapalhou tanto assim a compreensão?

Posso, se quiserem fazer uma tradução.”

Ops!

Spirito Santo

Julho 2012


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~ por Spirito Santo em 07/07/2012.

2 Respostas to “Titio, o ebó e seu ego mui pretensioso.”

  1. Seiji,

    Demorei, mas foi por uma boa causa. Acabei de postar material novo sobre o assunto. É muito controverso o tema. Não há muito material sistematizado sobre esta minha tese que nada tem de emocional ou leviana. Não tenho sentimento anti nagô coisa nenhuma. Não é simples assim, como numa partida de futebol, oito ou oitenta.

    Tenho certeza que lendo isto, abrindo os links que coloco,,para embasar a minha argumentação, você vai compreender melhor.

    Senão me aponte os pontos que você questiona que tento explicar melhor.

    Aqui vai o link:https://spiritosanto.wordpress.com/2014/01/20/a-guerra-a-academia-e-a-impureza-nago/

    Grande abraço

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  2. Oi Spirito Santo, eu acompanho as suas postagens há algum tempo. E, algumas vezes, eu sinto um sentimento anti-nagô em algumas de suas produções. Isto é, você é muito parcial quanto à angola diante do iorubá. Logo, eu penso que isto acaba afligindo outros leitores.

    O que eu disse é a descrição de uma sensação causada por algumas palavras já testemunhadas. Talvez eu esteja errado das minhas convicções, sem drama algum.

    Resumindo, eu gostaria de aproveitar esta publicação, e questionar você: este sentimento nas palavras é verdadeiro?

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