TV Axé e babado forte de Xangô. Coitada da epistemologia nagô

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As ‘raízes’ do Candomblé fake a gente vê na TV
Axé babá caô caô, sem mestre.

A moça amiga e vizinha Paula Estrela me pergunta pelo facebook, me repassando o link de um tal de “Premio Korin Axé” :

“ _E aí, conhece? É confiável?”

Chato que sou fui lá e vi.

Rs rs rs rs! Fala sério! Religião, em geral já um negócio que, pra se confiar, exige cuidado. Imagina isto aí: Um cidadão brasileiro, tipo branco, com uma fala semi analfabeta, com cara de 171 (não que ele necessariamente o seja) , fantasiado de africano da Nigéria vendendo peixes religiosos como um pastor evangélico vagabundo destes aí (com todo respeito) vende, sugere o que para vocês? Confiabilidade? Tem alguém cego aí na sala?

Sessão de descarrego será que cura cara de pau?

Engraçado: Reparem que eles evitam falar a expressão ‘Candomblé‘ (usam ‘Umbanda‘, com certeza porque a palavra calaria a eventual cobrança dos ‘puristas‘, pois ‘Umbanda‘ se refere a uma religião ‘brasileira‘, desta terra ‘mestiça‘, na qual, obviamente brancos podem participar. É o início, a essência do caô. Fazem o mesmo com a Capoeira, com o Maracatu, com os blocos de Carnaval de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, etc. É da natureza predatória da sociedade ‘branca‘ brasileira, onde a lei geral é tirar vantagem em tudo, até mesmo da cultura dos chamados ‘oprimidos‘ (ai este marxismo de botequim que não me larga!).

Moral zero, ética zero, sem-vergonhice a mil.

Reparem também, contudo como eles usam todo o look e os ritos do ‘culto dos orixás’ supostamente puro. Além das roupas os chavões, o panteão supostamente yoruba do ‘culto nigeriano‘, ‘ ancestral‘, tudo. Ao fundo das falas tatibitatis deles, muitas imagens de arquivo com autênticas práticas religiosas da Nigéria, para dar credibilidade ao ‘caô- caô’ geral.

Eparrêi!”

Fui lá ver, viram? Eles têm esta tal de ‘TV Mojubá’ com um monte de armações apresentadas por um tal de Walmir de Omulú, figuraça mais analfabeta ainda, que distribui o prêmio ‘microfone de ouro’ o qual diz ele lá, desmunhecadamente, é um prêmio de ouro maciço, 18 quilates. Já pensaram no preço que custaria um mimo destes? Ui!

“A entrega do prêmio ‘Korin Axé’ atrasou”, fala ele no a ar, porque a firma contratada não honrou o pedido e ‘eles‘, uma tal de ‘comunidade de Oswaldo Cruz’_meteram a mão no bolso”, se cotizaram e compraram as joias (tem um ‘microfone de prata’ também).

Desculpem esta já velha franqueza do Tio, mas tirando o fato dos ‘sacerdotes‘ 171s desta onda aí serem ‘brancos(‘ou quase brancos’, como diria o Caê Velô) tirando a cara de pau absoluta deles, as aparências ‘teatrais‘ todas, o ‘mise em scene’ as mumunhas histriônicas do culto, em nada se diferenciam do chamado ‘Candomblé autêntico de negão‘, que no modesto entender do Tio, chato de galocha e ‘pra dedéu‘, cai na sua própria armadilha, urdida no velho peixe vendido lá atrás, no século 19, da tal da ‘hegemonia”, da bufona “supremacia nagô”.

Ôh, ôh, ôh, Xangô fake se ferrô!

Desculpe falar, mas quando tio comenta aqui qualquer coisa sobre o Candomblé, na boa, no intuito de promover algum debate, sem papas na língua, aparece logo um monte de críticos irritadinhos, intelectualíssimos, sabichoníssimos, a me admoestar, a me chamar de ‘sacrílego‘. Ora, ora, numa hora destas, com esta TV Mojubá no ar, aí fazendo gato e sapato da religião hegemônica e supostamente ‘pura‘ do negro do Brasil, ninguém aparece.

O bom macaco cuida sempre do próprio rabo, não é não?

Spírito Santo

2012

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~ por Spirito Santo em 24/07/2012.

2 Respostas to “TV Axé e babado forte de Xangô. Coitada da epistemologia nagô”

  1. Pois não é? Canso de achar e compartilhar dados estatísticos e/ou historiológicos como este que você nos repassa agora. Certa vez dei uma lida minuciosa em partes de um texto de um dos nossos maiores historiadores, o João José Reis e encontrei lá um monte de distorções que visavam, aparentemente reforçar esta grande besteira.

    O fato é que, pelo que tenho percebido, desde a invenção do Candomblé no século 19, existem interesses sutis na criação e na manutenção desta mistificação. No início a invenção desta farsa estava ligada inclusive aos interesses de ricos comerciantes negros (alguns até traficantes de escravos), oriundos de Lagos, Nigéria e sediados na Bahia. Depois, como nos dias de hoje parece que surgiram interesses ligados à disputa por verbas de pesquisa acadêmica, recorrentemente voltadas para a suposta ‘cultura nagô’ no Brasil, além de interesses menores ligados ao elitismo recorrente do Movimento negro oficial e à instancias ligadas á seita do Candomblé, propriamente dito.

    É polêmica ‘pra mais de metro’, como se diz.

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  2. Fala aí Spirito Santo, essa besteira de nagôs ainda contamina muitos historiadores brasileiros, recentemente li o fantástico livro O Rosario dos Angolas de Lucilene Reginaldo, na pagina trezentos do livro ela traz registros dos anos de 1741 a 1799 da cidade de SALVADOR com uma lista da origem dos escravos africanos falecidos na cidade baiana naqueles anos, dos 19297 escravos registrados 10443 eram de Angola e apenas 392 eram da Regiao da Nigeria dos chamados Nagôs.

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