Chico Rei, o filme completo na rede enfim!

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Zenaide Zenah e Mário Gusmão

Chico Rei, o filme e a música (e as mumunhas) dentro do filme – Post #02

(Que está na rede está, mas já postei aqui dois links que pessoas compartilharam em  sites de vídeos que foram  apagados. Tente este🙂

O amigo Ricardo Beliel, dia destes pelo facebook:

…” Quando estavam filmando em Ouro Preto estive lá fazendo uma reportagem sobre o filme. Fiquei lá umas duas semanas e estava sempre com o Gusmão e a Zenaide, que eu já conhecia, e o Severo, que conheci lá, entre vários outros amigos que participavam como atores ou técnicos. Mas nessa época o filme já estava imerso por mil problemas de produção. Os produtores alemães brigavam com os produtores brasileiros e no final o filme foi sequestrado e levado para a Alemanha. Acho que o Walter nunca o terminou. Lembro que o contrato inicial era para fazer uma série que passaria na TV alemã e um longa para passar no Brasil. Nunca vi o filme. O que aconteceu?”

Oh, que sorte! O filme acaba de ser lançado na íntegra aqui na internet! Tinha aqui comigo uma cópia em CD, mas nunca tive coragem de compartilhar. É que este filme para o Tio é sagrado. É um dos meus ritos de passagem para me tornar o que sou.

Sei quase tudo sobre a história deste filme. Fiz um post grande sobre ele. Tá aqui no blog e vocês podem reler abrindo este link  antes de seguir por estas mais que completas considerações.

É que no intervalo entre o ‘sequestro‘ do filme, citado pelo Ricardo e a sua finalização fui convocado pela última vez pelo Walter Lima Júnior, eu e meu parceiro de Grupo Vissungo, o Samuka. Walter estava completamente só com seu sonhado filme, os copiões com locações inconclusas, praticamente sem grana, sem nada e precisava de alguma força.

O filme havia sido planejado pelos coprodutores alemães para ser uma mini série sobre escravidão, destinada ao mercado europeu a exemplo de ‘Raízes”, grande sucesso da época. O plano de Walter ao aceitar a direção da série era realizar um longa-metragem autoral. Deu quase tudo errado por problemas de gestão da produção como vocês verão a seguir.

Depois de muito tempo de espera e negociações que envolviam já a Embrafilme, Walter Lima conseguiu um acordo com os alemães: Ir à Hamburgo editar a tal mini série em troca dos copiões. Voltou com 54 hs de rolos de celuloide (!) que foram artesanalmente transformados (quem se lembra do que é uma moviola?) neste filme por ele e pelo verdadeiro ninja da assistência de montagem cinematográfica Mário Murakami. Uma loucura

A história do ‘sequestro‘ do filme é também muito interessante, confusa e controversa. As más línguas atribuíam os problemas da produção a uma jogada comercial da Provobis, produtora alemã do filme que, por sua vez, segundo as mesmas línguas perversas, tinha ligações com a mais mal falada ainda (e, supostamente direitista) Opus Dei.

A teoria da conspiração digna de um Código Da Vinci sugeria enfim que o filme – uma super, quase mega produção para a época – teria sido, numa jogada de alto risco, deliberadamente entregue a uma produtora amadora e inexperiente do terceiro mundo (a Art 4 de José Eugênio Müller Filho, cuja experiencia anterior mais significativa havia sido a produção de filmes dos ‘Trapalhões‘) para que desse errado mesmo e os espertos alemães colocassem a mão no seguro milionário feito na Sotebys (ou outra grande seguradora europeia) com este exato fim.

Impossível desvendar a verdade. A hipótese – que tinha mais pinta de lenda do que a própria ‘lenda‘ de Chico Rei – dava bem a medida da baixa credibilidade gozada pela produção cinematográfica brasileira deste início da década de 1980 (a produção do filme ‘Natal da Portela’ de Paulo Cesar Sarraceni, do qual também participamos, tinha um enredo bem semelhante).

De fato mesmo (pois o titio estava lá para presenciar in loco) só a profunda crise que se abateu sobre a produção na fase de Ouro Preto. O nababesco tratamento dispensado à equipe e ao elenco já era uma pista clara de que podia ‘dar merda’, mas quem se preocuparia com isto àquela altura?

Os prejuízos deixados na cidade pela Art4 foram astronômicos, quase colocara a cidade, cuja economia, naquele período dependia inteiramente da verba de Chico Rei, à falência. As locações acabaram se transformando, isto sim, num veio de ouro às avessas.

Do que vi com estes olhos e posso contar tem, por exemplo o desespero de grandes atores e atrizes como Maria Fernanda, Nelson Dantas e Othon Bastos, monstros sagrados de nosso cinema na época, praticamente largados como reféns no hotel: Fugiram todos os responsáveis pela produção brasileira. Soube-se então do sumiço também, dias antes dos brasileiros, dos atores e executivos alemães, que se mandaram com os copiões, as malas e as cuias para a Europa.

Presenciamos também, nestes mesmos dias, uma inusitadíssima passeata do pessoal da figuração de Ouro Preto e cidades vizinhas, a galera que fazia as vezes de ‘população escrava‘ do filme. Queriam porque queriam como todos por ali, receber pagamento.

Eu e Samuka, macacos ‘véios’ remunerados de antemão, estávamos ao lado de Mário Carneiro (grande fotógrafo do filme junto com o José Ventura) quando a turba de ‘escravos‘ enfurecida olhando para os cabelos claros (já grisalhos) dele e sua alta estatura gritaram em coro:

 _ “Alá! É ele! O alemão!”

Nós, os ‘negros de ganho’ não trabalhamos sem ganhar não.

Foi difícil convencer a turba de ‘escravos‘ a não linchar o pálido e saudoso Mário Carneiro, brasileiríssimo e um dos maiores fotógrafos de cinema do Brasil.

A crise a esta altura era já tão profunda que nós do Grupo Vissungo, por ocasião da produção da cena final, já assumida pela Embrafilme (que havia passado a controlar a gestão financeira do filme) indispensáveis que nos havíamos tornado, responsáveis que havíamos ficado pela arregimentação da figuração de congadeiros e os instrumentos musicais ‘africanos‘ a serem usados na cena, exigimos num contrato radical que a cena só aconteceria se recebêssemos, em cash, 100% do pagamento 2 hs antes da locação. Concordaram.

(Soube mais tarde que fomos uns dos poucos – senão os únicos – a não tomarem calote, coisa mais do que corriqueira em produções nacionais)

Nossa participação nesta fase inicial em Ouro Preto, é importante ressaltar, seria totalmente voluntária e não remunerada, pois visávamos, estrategicamente ganhar o direito de compor e atuar na trilha sonora do filme, o que, ao final de tudo, deu totalmente certo.

A incrível excelência do tratamento dado ao elenco e à equipe de produção – mordomia mesmo, no melhor sentido da expressão – já era, contudo quase que uma remuneração. Tínhamos reserva cativa num dos melhores hotéis da cidade e as refeições nababescas, regadas à cerveja e wíske à vontade eram feitas no melhor restaurante da cidade.

Tão certo deu esta nossa estratégia que antes mesmo de se pensar sequer em planejar a trilha sonora, já estávamos contratados (e agora com excelente remuneração) para construir os instrumentos musicais de cena (que podem ser rapidamente vistos na cena final), a partir da minha pesquisa pessoal que se chama hoje Musikfabrik sediada na Uerj) e que, estava do ponto de vista profissional, literalmente começando ali.

Envolvidos até os ossos em nossa pesquisa sobre Congadas mineiras, já cobertas as áreas mais ao sul, na direção de Belo Horizonte (acompanhados pela fotógrafa Maria Helena Matos de Almeida que documentava as nossas coletas de campo) cuidávamos agora da área de Minas Gerais que tinha acesso pela rodovia Fernão Dias. A ideia era planejar um novo trajeto de coletas futuras nesta região. Foi assim que chegamos à Ouro Preto, atrás das congadas locais, coincidentemente ao mesmo tempo em que as locações de Chico Rei ali se realizavam.

O veio de ouro e o arsênico revelados

Chegando em Ouro Preto, quem nos apresentou ao Walter Lima foi o meu velho amigo – e quase sósia quando jovem – José Ricardo D’Almeida, à época casado com uma pessoa ligada à produção do filme. Nosso encontro com Walter Lima foi, literalmente cinematográfico: Dentro de uma antiga mina de ouro desativada, a 315 metros chão a dentro, nas cercanias de Mariana, cidade vizinha à Ouro Preto.

Na cena, da qual nunca me esqueci, estavam Antônio Pitanga (hoje meu colega como artista visitante da Uerj), o sergipano Severo D’Acelino (o Chico Rei do filme), o saudoso Haroldo de Oliveira e outros ‘escravos‘, enfurnados todos entre as pedras no cenário opressivo daquela que representava a histórica e lendária Mina da Encardideira. A cena mostrava o encontro do veio de ouro que ensejou a redenção de Chico e seus malungos todos.

Me lembro nitidamente da transparência absoluta de um lago que havia no interior da antiga mina e da informação prestada por alguém da equipe – não sei até hoje se fundada – de que a água do lago continha arsênico. Vagamente me lembro também de que Walter, enfurnado no interior da mina por vários dias, escravo de seu próprio filme que era, teve que ficar afastado das locações na mina por um tempo, supostamente intoxicado por algo na longa exposição aos ares insalubres do local.

O filme tinha sérios pecados originais encravados no argumento anterior escrito pelo novelista da TV Globo na época Mário Prata. Este argumento era baseado por sua vez num romance muito fantasioso de Agripa de Vasconcelos, além de indicar para as opções de pré produção – como ainda hoje é recorrente – um projeto calcado demais em mitos e chavões estéticos nagoístas (yoruba, nigerianos) do Candomblé, incompatíveis com a história bantu do Chico Rei e a cultura negra de Minas Gerais em especial.

Aliás, Providencialmente, foi o fato de apontarmos nossa pesquisa, exatamente para este aspecto em especial da questão – o equívoco da opção por uma estética baseada no mito da ‘supremacia nagô‘, o que estimulou Walter Lima a nos convidar para esta consultoria totalmente voluntária, solidária mesmo, já na primeira noite em que conversamos, numa agradável bebericação da cachaça mineira “vale do jequitinhonha” com mel num bar na praça central da cidade.

Foram diversas seções de consultoria informal. No auge das locações, mais ou menos a cada 15 dias, Walter mandava a produção convocar no Rio, eu e Samuka, para acertarmos alguns detalhes e minúcias digamos assim, ‘etnológicas‘ da produção.

Um dos incidentes mais curiosos de toda esta nossa experiência, aliás, foi o surdo conflito instalado entre nós e o elenco ‘africano‘ do filme, que tendo como guru o fantástico ator Mário Gusmão, havia sido arregimentado quase todo em Salvador, Bahia.

É que com a nossa chegada influindo nas decisões ‘etnológicas‘ da direção do filme, a consultoria também informal que eles mesmos, os baianos, faziam, principalmente àquela ligada às danças e ao figurino, tudo baseado, quase inteiramente nas coisas mais recorrentes do Candomblé e da Capoeira da Bahia, tiveram que ser revistas. A esta altura Walter Lima já estava, irremediavelmente convencido de que seria um erro terrível um filme de pretensões históricas tão evidentes, apostar em dados etnológicos distorcidos ou impertinentes.

Bantu versus nagô na negra serra mineira

Foi assim então, e por conta desta constatação etnológica, que fomos contratados para criar e produzir toda a cena final do filme, para a qual sugerimos – e efetivamente levamos para Ouro Preto – dois grupos de congadeiros reais, arregimentados em duas cidades que serviam de base para nossas pesquisas (Oliveira e Machado). A decisão modificava radicalmente a participação do elenco negro, principalmente do grupo de apoio formado pelos baianos citados, que não teriam tempo de se adaptar às danças performances de trato puramente bantu, forte característica cultural dos figurantes mineiros e, de certo modo teriam que ficar discretamente afastados da cena final.

A decisão impactou também, decisivamente o figurino destes novos participantes, já que os vestuário de trato ‘nigeriano‘ criado pelo diretor de arte se tornara totalmente inverossímil a partir daí e precisava também ser corrigido.

A nossa salvação (a saída diplomática) foi a greve por pagamentos em que a equipe de produção estava também inserida, o que permitiu que eu e Samuka fôssemos liberados para criar ali, na hora, o figurino dos congadeiros. Fizemos como os pés nas costas, simplesmente seguindo a alguma pesquisa que tínhamos feito a respeito, que indicada como desenhistas de referencia os manjadíssimos Debret e Rugendas.

As pranchas destes artistas sugeriam, simplesmente que os escravos libertos de Chico Rei, nas circunstancias de uma festa de coroação de um rei africano em Minas Gerais, poderiam usar partes aleatórias de roupas portuguesas, tornadas símbolo evidente de suas ascensão social, misturadas a este ou aquele hábito africano tipo tubantes e bandanas, elementos flagrados no trabalho daqueles desenhistas, testemunhas oculares da vida dos escravos de séculos atrás. O figurino estava pronto já, nos cabides do próprio guarda roupa, entre os jaquetões, sobretudos e chapéus de três bicos usados pelos personagens brancos do filme.

Outro problema crucial foi que com a súbita eclosão da crise na produção não deu para que se filmasse algumas cenas essenciais à continuidade do roteiro original de Walter Lima. O projeto do longa-metragem ficava assim, de certo modo seriamente ameaçado.

A própria cena final, na parte da figuração totalmente produzida por nós, teve que ser improvisada e filmada a toque de caixa, numa única tarde. É por esta razão que se pode ver neste finalzinho do filme os congadeiros dançando com sapatos modernos, tênis, etc. Filmou-se apenas o ensaio com os figurantes calçados, mas não houve tempo (luz) para se filmar as cenas definitivas, com os figurantes descalços, como prevíramos.

(Os mais atentos poderão observar também na cena final do filme a incongruência flagrante entre o figurino ‘nigeriano‘ de Mário Gusmão e o dos demais figurantes, congadeiros).

O tumultuado filme teve também bastidores ‘internos‘ da conta do elenco negro, alguns dos quais tomo a liberdade de contar aqui, pela primeira vez. Um, o mais ‘saia justa ‘ de todos, era a antipatia latente que a maioria do elenco ‘escravo‘ nutria (mas só expressava à boca pequena) pelos atores negros do ‘primeiro elenco’ que mantinham, aparentemente um distanciamento arrogante da ‘plebe‘, preferindo frequentar apenas o convívio dos alemães e das estrelas brancas do elenco.

 Sinto, mas a bela Zenaide não era nada zen

Esta antipatia era dirigida mais intensamente a Antônio Pitanga e à Zenaide Zenah, atriz escolhida para ser a mulher de Chico Rei. Curiosamente, Severo D’Acelino, o protagonista, não partilhava deste comportamento tão criticado pelos demais e não só frequentava bastante os ambientes onde a massa da figuração ‘escrava‘ frequentava como era um também um crítico contumaz desta suposta arrogância elitista dos colegas.

Zenaide Zenah, linda atriz, de corpo ‘escultural‘ como se dizia antigamente (já falecida e conhecida mais tarde como Zenaide Zen em concorridas performances onde se apresentava inteiramente nua) desfilava de forma tão evidente e frequente a sua arrogância por Ouro Preto, sempre ao lado dos atores alemães que acabou se tornando vítima de si mesma.

Conta-se que logo que se deu conta da importância de seu papel de mulher de Chico Rei na trama do seriado, passou a pressionar de forma tão incisiva e insistente a produção, por aumento da remuneração e das condições gerais de seu contrato (queria ver niveladas estas condições a dos atores do ‘primeiro time‘) que acabou vendo sua personagem ser ‘morta‘ na trama, por decisão da direção, tendo abatidos aí, em pleno voo os planos de ascensão ao estrelato (poderia ter sido uma nova Zezé Mota, vai saber?)

O filme nos seus finalmentes, a despeito de todas os seus percalços foi, portanto, concluído e criado na moviola. Ao final, com a fita montada nós do Vissungo fomos enfim contratados pela gravadora Som Livre para realizar a trilha sonora (a parte ‘africana‘, pois, a ‘europeia‘ como se sabe foi criada por Wagner Tiso) trabalho que acabou premiado como melhor música nos festivais de Ghent, na Bélgica e Cartagena, na Colômbia.

A parte mais chata da história é que estamos esperando até hoje a nossa parte dos prêmios. É que jamais nos informaram nada a respeito, nem mesmo do que consistiram este prêmios, se foram certificados em papel, medalhas, dinheiro, nada. Esta omissão inexplicável, daquela que foi a experiência artística mais importante da aventurosa carreira do Titio, deu muito trabalho para ser, pelo menos em parte, desagravada e corrigida em nosso currículo oficial, que circulava por aí sem esta importante atribuição.

Até o arguto especialista e amigo José Carlos Rodrigues em seu excelente e lapidar trabalho O negro brasileiro e o Cinema dá uma escorregada na ficha técnica da trilha de Chico Rei grafando o nome de Mílton Nascimento como o principal autor do trabalho, quando Mílton apenas gravou duas músicas de Wagner Tiso compostas para o filme. Salvou-nos um outro crítico, com este texto definitivo sobre o papel do Grupo Vissungo em Chico Rei que orgulhoso vivo replicando por aí:

“…O épico Chico Rei deu continuidade ao projeto de um cinema histórico mais atento às elaborações mitológicas que ao rigor das versões acabadas. Lima Jr. usa a história do primeiro escravo a se tornar dono de ouro no Brasil para investigar as suas próprias raízes negras. O Grupo Vissungo, em sua fusão de arte e militância, teve papel decisivo na formatação sonora do filme, que ainda mobilizou ícones da música negra brasileira como Milton Nascimento, Clementina de Jesus, Naná Vasconcelos e Geraldo Filme. Chico Rei assinalou também a primeira colaboração direta de Wagner Tiso numa trilha de Walter, parceria que iria se repetir em três dos quatro filmes seguintes do realizador.

Em ‘Um cinema que quer ser música’ artigo de Carlos  Alberto Mattos, Publicado na revista Veredas -CCBB/Rio, Nov-2000

Demais de felizes estas lembranças. Empolgante me ‘rever‘ cantando música tradicional afro mineira e tocando as kalimbas do filme. De relance eu posso até ser visto na cena final, tocando uma furiosa marimba.

O Tio compôs muitas músicas nesta época especialmente para esta trilha sonora ‘africana‘ do filme. As duas melhores canções, “Saudades do Kongo” e “Chico Reina” (esta cantada na introdução pela saudosa Clementina em sua última aparição em estúdio, já debilitada demais para os solos que, acabei eu mesmo tendo que cantar) nem aparecem no filme, mas estão no vinil produzido pela Som Livre com a trilha sonora original e, inusitadamente aparecem também como faixas ‘bônus‘ numa reedição do clássico Canto dos Escravos com Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca.

Oh, que felicidade! Oh, sentimento de bela missão cumprida.

Ficaram daí muitas amizades eternas. A de Delanir Cerqueira, mestre contra regra de tantos filmes ‘de negão’ de nosso cinema e, principalmente a de Walter Lima Júnior, este mestre de nosso cinema realmente novo, que assumiu francamente a vontade de realizar com Chico Rei cinema negro de um Brasil real.

Bem, agora com a ‘fita’  liberada na Internet basta apenas ir lá, conferir a ficha técnica e acompanhar o filme, em sua beleza ‘perturbadora‘ como bem diz  José Carlos Rodrigues e a sua heroica riqueza como documento candente da cultura negra do Brasil sem firulas, para se ter uma vaga ideia do enorme orgulho do Tio em ter participado, tão intensamente desta história empolgante e exemplar.

Ah, como era gostoso fazer cinema brasileiro nesta época!

Spirito Santo

2012

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~ por Spirito Santo em 25/07/2012.

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