Kalunga forever! O Cais do Valongo não pertence à Rainha má


Foto: http://afroetic.com/tag/african-holocaust/

African Holocaust

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Caraca! Titio nem se deu conta.

São OITO pontas soltas desta nossa soterrada escravidão!

Correto. Escrevi OITO posts já sobre o caso do Cemitério dos Pretos Novos, raro sítio arqueológico próximo ao antigo Cais do Valongo (ou “da princesa”) no Rio de Janeiro!

Me empolguei, me empolgaram e lá se vão, sei lá, mais de 50 páginas de debate e polêmica (os doutores e os acadêmicos de papel passado, ‘pira’!)

Nos tempos passados, da pré internet, daria para editar um livro inteiro. Na verdade dá ainda, mas sabem como é: Quem se habilita a editar ideias deste tipo em papel? E o tempo necessário para um livro convencional fazer crescer as minhocas na cabeças das pessoas, a ponto de instigar alguma mudança nos pensamentos arcaicos mais renitentes delas?

Os livros de papel, coitados – bem entendido os que não forem escritos por celebridades fortuitas – mofam nas bancas das livrarias, mofam nos sebos, definham até morrer em alguma fogueira de quintal. Dá para esperar? Para que esperar se nem dinheiro os livros de papel rendem para a maioria esmagadora de seus autores?

Tenho conhecido à vida inteira livros de papel com temas mais ou menos candentes que, por conta de sua iconoclastia revigorante, a sua proposta quebra muros, democratizante, de certo modo incômoda aos padrões editoriais e ideológicos de plantão, amargaram o limbo do ostracismo por decênios.

Ainda bem que existe hoje a inexorabilidade do destino em suas duas faces: Os livros de papel morrem sim, mas as almas deles são agora imortais.

Sou um amante fiel e apaixonado destes alfarrábios sobreviventes, mapas das verdades ocultas, mesmo as supostas. Nem as traças conseguiram apagá-los e eles amarfanhados, esfarinhando-se em nossas mãos às vezes, idosos sem lugar reservado em ônibus algum, seres inermes, vulneráveis ao tempo, coisas velhas em extinção. É por isto mesmo que gosto de vê-los ganhando hoje a sobrevida da digitalização.

É que só assim, penso agora, queimarão ainda outras muitas consciências, queimarão também – o que é mais impressionante – incinerarão as ideias ‘rainhas más’, arcaicas e despeitadas que tentaram fazê-los belos adormecidos para sempre.

Tal é o poder que as palavras e os livros antes adormecidos têm, quando inflamados por alguma ideia limpa, de qualquer maneira, em qualquer lugar.

Ah, ah, ah! A Internet é a ‘princesa’ boa que os despertará.

Gavetas escancaradas de posts quase livros circulam agora na nuvem da rede como passarinhos estorninhos sem dono, e podem fazer chover revigorantes temporais, furacões, só com o balançar ritmado de suas asas.

Como dizia aquele ‘seu’ Donga do Samba: “_ Quem pegar pode levar”.

O certo é que as gavetas entulhadas de pesquisadores autores como o Titio, iconoclastas ou não, pertinentes ou não, jamais precisarão esperar ali, lacradas em nossas cabeças, travadas pelos intermediários censores aristocráticos, que detestam o novo porque, ignorantes que são, não sabem que ‘o novo sempre vem‘.

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Esta série de posts (logo abaixo linkada) tenta contar esta história torpe do Valongo com pertinência e meticulosidade, porém sem panos quentes e desconversações. É que o que se visa com os textos e sua veemência é alimentar as fogueiras do debate, com dados e informações que, muitas vezes acabam invisíveis aos vis mortais, por conta de tergiversações acadêmicas, conversas fiadas e enganações doutas eivadas de intenções mal explicadas. Coisas do Brasil.

Bem sei que os interesses em jogo são complexos – os políticos, turísticos e empresariais então, nem se fala – aliás, tão complexos quanto eram no tempo da escravidão. Mas são mais indignos ainda os interesses de indivíduos trânsfugas, dos muitos oportunistas que atravancam o debate das questões brasileiras mais ligadas aos estigmas da escravidão e do racismo.

Contudo há questões éticas – e técnicas – muito sérias envolvidas e elas precisam ser debatidas à exaustão, doa a quem doer, para que não se soterre mais ainda um passado arqueológico que pertence a todos nós, negros e brancos do Brasil.

Neste aspecto é bom se ressaltar que não se pretende, de modo algum desqualificar o trabalho dos técnicos envolvidos na pesquisa do sítio. O que os posts que escrevi demonstram – penso eu que cabalmente – é que há certas incongruências e imprecisões digamos assim, históricas e etnológicas, publicamente expressas pelos principais responsáveis técnicos pelos trabalhos, muito graves que carecem de aprofundamento urgente.

A julgar pelo que se pode ter acesso de textos, filmes e vídeos institucionais abordando estas pesquisas, o conhecimento manifestado por estes especialistas sobre a origem real e a cultura da maioria dos escravos desembarcados no Valongo – aos quais os resíduos arqueológicos se referem – é na verdade superficial, raso mesmo em certos aspectos (como no caso dos cachimbos, abordados num deste posts que escrevi (acesse num dos links abaixo)

Há também, na parte mais constrangedora do episódio, uma inexplicável – e espero que apenas descuidada e não proposital – utilização do respaldo ‘antropológico‘ de mães de santo de candomblé, espécie de assessoria totalmente impertinente e improcedente para o caso, o que dá bem a medida do descaso técnico (e acadêmico) com que a questão pode estar sendo tratada.

É certo, é visível, portanto que há uma, aparentemente interesseira displicência, um açodamento inexplicável de muitos dos envolvidos ao tratar da questão da prospecção de sítio arqueológico tão importante no contexto da história da escravidão nas Américas.

Há também, me parece, uma grande articulação política em jogo, visando atenuar ou calar críticas mais insistentes ao discutível processo de restauração e reforma da área chamada Porto Maravilha, envolta nos tantos compromissos turísticos assumidos pela prefeitura da cidade para o que  seria em breve futuro, como já repeti várias vezes, notadamente a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Existe, sobretudo – ou pelo menos parece haver – uma estratégia articulada por um grupo de interesseiras autoridades, baseada em muita propaganda e no aliciamento – ou convencimento – de adeptos de que “o que já se escavou é suficiente”, um jogo de ‘cala bocas’ paternalista, que exagera e ‘enfeita o pavão’ com intervenções cosméticas, placas comemorativas, ‘espelhinhos de índios‘, enfim uma espécie de ideologia malsã que tenta abafar e reduzir a dimensão fantástica deste pedaço da história do Brasil, para poder, rapidamente, à toque de caixa, revestir a área com o concreto dos empreendimentos arquitetônicos que produzirão – esperam os interessados –  lucros astronômicos.

Lucros incessantes de ‘Cidade Empresa‘, o conceito de gestão urbanística que nos governa atualmente.

A área do Valongo – o porto antigo, o cais e os dois ‘cemitérios‘ conhecidos inclusos (o da Igreja de Santa Rita e o do “Pretos Novos”) precisa ser desvencilhada de todos estes oportunismos espertos, que a reduziram a ínfimos resquícios de uma pequena senzala de meninos africanos mortos, vindos ninguém quer saber exatamente de onde nem como.

O sítio do Valongo é, simplesmente um dos maiores e mais importantes sítios arqueológicos do mundo ligados à escravidão. A sua exploração total traria contribuições inestimáveis para a história do país e da diáspora africana nas Américas, além de – ironicamente – trazer muitos lucros financeiros também, por força de seu enorme potencial turístico cultural (bem maior, aliás do que o afobado e comercialista projeto atual)

Assim, para se trazer à luz em toda a sua inteireza verdade histórica tão candente ainda soterrada, vamos ter que matar e sepultar as ignorâncias todas que as sufocam.

Bem. É o que o Titio pensa por enquanto aqui do lado de cá, já quase rouco de falar.

(Em tempo: “Kalunga“, palavra simplificadamente associada ora à ‘Morte‘ ora ao ‘Mar‘  ou ao Céu, é um conceito extraído da filosofia bakongo clássica (Zaire, Angola), inscrita num cosmograma (leia Fu Kiau Benseki).

A palavra na verdade se refere a uma linha de tempo existencial, simbolizada por um meio líquido que separa o Mundo dos Vivos – Tangível – do Mundo dos Mortos – Intangível -, por extensão, o passado do futuro, a realidade da ficção, o um portal entre as coisas físicas e as metafísicas, etc.)

Segurem as pontas (posts) e vão lendo aí. É só ir abrindo os links.

1- No fétido pântano, a cidade construída sobre os ossos de seus escravos/ 19 de Novembro de 2011

2- A maldição do Valongo

3- A lama do Valongo e a arqueologia do caô caô #01

4- A lama do Valongo e a arqueologia do caô caô #02

5- A lama do Valongo e a arqueologia do caô caô #03

6- A lama do Valongo e a arqueologia do caô caô: Post final

7- Preto Novo, Preto Véio. Na pista a busca do lenitivo da dor

8- A carta do Valongo. O enterro dos ossos

Spírito Santo

Setembro 2012

Musikfabrik. Novos cursos na UERJ em 2012


Coart – Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ
Oficinas de Criação Artística – Inscrições até 30 de Setembro

MUSIKFABRIK

Spirito Santo

(Projeto Artista Visitante)
4ª feira de 14h às 15h.
O objetivo do curso é facilitar o exercício e a expressão da linguagem musical, habilidade que deveria ser comum a todas as pessoas, tendo várias finalidades além da música como mero entretenimento (arte educação, artesanato musical, musicoterapia, etc).O processo pedagógico é ‘construtivista’, ou seja: o aluno é estimulado a pesquisar e motivado e informado sobre o tema cria ou reproduz instrumentos musicais de sua predileção para as finalidades que elegeu.As técnicas de fabricação específicas são repassadas e adaptadas no processo, caso a caso. De um lado os materiais (que, em certos casos, são coletados do que é excedente na sociedade e pode ser reaproveitado). De outro lado os princípios da linguagem musical que envolvem conteúdos os mais diversos, tais como história, etnologia, física elementar (acústica, etc.), bem entendido que tudo isto, contido neste processo é apenas uma iniciação às diversas possibilidades do tema.No programa, além de conteúdos específicos ligados artesanato musical em si (noções acústica aplicada, organologia, musicalização, marcenaria, serralheria, etc.) constará também temas transversais e correlatos, ligados à definição de uma visão de mundo, do meio ambiente, da sociedade e de cidadania.Spírito Santo é músico e arte-educador e criou o projeto Musik Fabrik no Departamento Cultural da UERJ em 1995.

Comunidade interna:
Taxa única de R$ 20,00

Comunidade externa: Taxa única de R$ 120,00 ou 2 pagamentos de R$ 70,00.

Taxa única de R$30,00 para Professores da Rede Pública e Profissionais da Rede Pública de Saúde.

Au Brésil, un racisme cordial. Titio também no Le Monde


LE MONDE CULTURE ET IDEES | 13.09.2012 à 14h48 • Mis à jour le 16.09.2012 à 17h51

Par Nicolas Bourcier (Rio de Janeiro (Brésil), correspondant)

A deux pas du centre-ville, au coeur de la zone portuaire de Rio de Janeiro chamboulée par les travaux d’embellissement en vue des Jeux olympiques de 2016, deux ouvriers à la “peau de feu” attendent le verdict des trois archéologues penchés avec leurs ombrelles au-dessus de la tranchée. Une vieille dame bistrée (brun noirâtre) tente de se frayer un chemin, sans même jeter un regard.

Pour la énième fois, les employés municipaux butaient sur les vestiges du Valongo, le quai où débarquèrent le plus grand nombre d’esclaves aux Amériques. Un lieu de mémoire et de douleur, enfoui depuis des lustres sous les pavés et le bitume de la ville dite “merveilleuse”.

Plus de 600 000 Africains foulèrent ces maudites pierres au tournant du XIXe siècle. L’hôtel de vente aux esclaves était juste à côté. Leur cimetière aussi, surnommé “le cimetière des nouveaux Noirs”. Depuis le début des travaux, en 2010, de très grandes variétés de bracelets, pierres précieuses et petites affaires personnelles ont été découvertes sous les décombres. Des dizaines de milliers, selon Tania Andrade Lima, la responsable des fouilles.

Jour après jour, Valongo a aussi permis de donner corps à l’ampleur de la traite négrière au Brésil : sur les 9,5 millions de “pièces d’ébène” razziées en Afrique et acheminées dans le Nouveau Monde entre le XVIe et le XIXe siècle, près de 4 millions débarquèrent sur ces terres. Dix fois plus que les esclaves qui ont été expédiés aux Etats-Unis. Un abîme !

VALONGO, PIQÛRE DE RAPPEL DE L’HISTOIRE

Aussi, l’envers du décor est un Brésil qui a cherché pendant plus d’un siècle à effacer son passé. Refusant de solder l’héritage de la traite des Noirs. Et offrant l’image d’un pays métissé, où la couleur de peau ne compte pas, où le racisme n’existe pas, un pays dans lequel des populations d’origine indienne, européenne et africaine entretiendraient des relations cordiales.

Premier pays esclavagiste d’Amérique, le Brésil a été également la dernière nation du continent à décréter l’abolition de l’esclavage, le 13 mai 1888. Une époque où Rio et ses faubourgs représentaient la plus grosse concentration urbaine d’esclaves depuis la fin de l’Empire romain. Plus de 40 % de la population. Presque une ville entière “lestée de fers”. Aujourd’hui, la municipalité de Rio envisage de transformer une partie du quartier de Valongo en site archéologique à ciel ouvert. “Ce patrimoine peut être enfin reconnu, valorisé et devenir un instrument contre cette amnésie collective que s’est imposée notre société à l’égard de la communauté noire “, avance Tania Andrade Lima. Valongo comme piqûre de rappel de l’Histoire. “Un petit exemple de la réévaluation bien plus large que connaît actuellement la question raciale au Brésil “, ajoute finement l’hebdomadaire britannique The Economist.

De fait, le pays change. A Rio où ailleurs, rares sont ceux qui qualifient encore le Brésil de “démocratie raciale “, la formule chère au sociologue et écrivain Gilberto Freyre (1900-1987). Les organisations noires préfèrent parler de “racisme institutionnalisé “, soutenues, entre autres, par l’Eglise catholique, qui dénonce les discriminations et la perpétuation d’une culture de “négrier”. Chico Whitaker, l’un des défenseurs des droits de l’homme les plus connus du monde ecclésiastique, n’avait-il pas dit en 2009 que le Brésil vivait encore sous le régime de l’apartheid ?

D’après un recensement rendu public fin 2011 par l’Institut national de statistiques, les Brancos (“Blancs”) représentent, pour la première fois depuis la fin du XIXe siècle, moins de la moitié de la population. Ils sont 50,7 % à s’autodéclarer preto (“noirs”, 7,6 %) ou pardo (“métis”, 43,1 %). Soit 5,4 % de plus qu’en 2000. Trait marquant, ces statistiques montrent aussi que les Brésiliens de couleur restent toujours nettement défavorisés par rapport aux Blancs. L’inégalité raciale est flagrante à tous les niveaux, à commencer par la répartition des richesses. Deux tiers des pauvres sont noirs ou métis. A qualification égale, les Noirs gagnent en moyenne deux fois moins que les Blancs. Une femme noire ne perçoit environ qu’un quart du salaire d’un homme blanc. Selon une étude de 2007, les citoyens de couleur n’occupaient que 3,5 % des postes d’encadrement. A peine 10 % des places d’étudiants à l’université. Moins de 5 % au Parlement. Et 3 % dans le judiciaire. Guère davantage aujourd’hui.

LA DETTE SOCIALE DE L’ESCLAVAGE

Le gouvernement de coalition, composé de 36 membres, de la présidente Dilma Rousseff ne comprend qu’une ministre noire, Luiza Helena de Bairros, chargée du… secrétariat pour la promotion de l’égalité raciale. Elle est la digne héritière du footballeur Pelé, premier homme de couleur à avoir exercé un poste de ministre – des sports, en 1994. Singulière parabole de cette expression brésilienne, “le Noir doit savoir où est sa place”. Tous les chiffres et indicateurs vont donc dans le même sens et ils contredisent ce que ressent le visiteur de passage. “Le racisme au Brésil est caché, subtil, non avoué dans son expression, masqué et sous-estimé par les médias, souligne Joaquim Barbosa, premier juge noir à siéger à la Cour suprême de Brasilia. Il n’en demeure pas moins extrêmement violent.” Lui-même, nommé en 2003 par le Lula et pourtant devenu l’une des personnalités publiques les plus connues, dit s’être vu remettre, à deux reprises, une paire de clés de voiture par des hommes blancs au moment de franchir la porte d’un restaurant chic de Rio. Un Noir ? Il ne pouvait être que voiturier. “Et pourtant, ajoute-t-il, les choses se modifient, lentement, une prise de conscience prend forme.”

En avril, les dix juges de la Cour suprême ont fait sensation en prenant position pour la discrimination positive dans l’enseignement supérieur. A l’unanimité, les hauts magistrats décidaient que les quotas raciaux à l’université étaient constitutionnels et corrigeaient “la dette sociale de l’esclavage”. Des dizaines de spécialistes avaient été auditionnés et le jugement a été retransmis en direct à la télé.

Quatre mois plus tard, le 7 août, le Sénat vote une loi obligeant les institutions fédérales de l’enseignement supérieur à réserver 50 % de leurs places à des élèves provenant de lycées publics. Le texte vient d’être paraphé dans son intégralité par la présidente Dilma Rousseff. Les universités ont jusqu’à 2015 pour s’y conformer. Dans la pratique, la loi impose une combinaison sociale et raciale, un mixte astucieux prenant en compte les particularités locales. Elle réserve près de 25 % du total des places des universités fédérales aux étudiants dont le revenu familial est égal ou inférieur à 1,5 fois le salaire minimum (933 reais, 360 euros environ). Le quart restant étant alloué aux étudiants en fonction de l’autodéclaration de la couleur de peau. A charge pour les universités de faire en sorte que les proportions de Noirs, Métis et Indiens soient – au minimum – égales aux proportions de la répartition raciale de l’Etat dans lequel elles se trouvent.

Selon les calculs du quotidien O Globo, la loi entraînera une augmentation de 128 % du nombre de places destinées à la discrimination positive dans les universités fédérales de Rio. Les quatre universités concernées réservent actuellement 5 416 places aux quotas sociaux. Avec la nouvelle mesure, ces places passeraient à 12 351. Il n’en fallait pas plus pour que les adversaires des quotas dénoncent la “racialisation” du Brésil par l’“ethnicisation” du social. Surtout, le débat semble avoir mis à mal le mythe de la démocratie métisse, selon laquelle on ne se définit pas par la couleur de peau.

LE LONG DÉNI DE L’AFRO-BRÉSILIANITÉ

“Le pays le plus raciste du monde “, comme l’avait vilipendé un jour, au début des années 1980, en pleine dictature militaire, le sociologue Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982), serait-il en proie à une mutation profonde ? C’est le sentiment de la grande majorité des experts rencontrés. “Ces quotas sont la seule alternative aux mécanismes d’occultation et d’exclusion sociale mis en place depuis la fin de l’esclavage “, souligne Spirito Santo, auteur d’un blog vivifiant sur la question raciale et professeur de musique afro-brésilienne à l’université d’Etat de Rio. Pour le frère franciscain David Raimundo dos Santos, “cette nouvelle phase est une révolution pour le Brésil”. Responsable d’Educafro, une ONG qui lutte pour faciliter l’accès des Noirs à l’éducation, il dit être convaincu que le Noir est passé au fil des années “d’esclave du maître à esclave du système”. Il ajoute : “Le Brésil se réveille en pouvant annoncer qu’il a une méthode d’intégration.” Un réveil après une longue nuit tourmentée, celle d’“un long déni de l’afro-brésilianité “, écrit Richard Marin, professeur d’histoire et spécialiste reconnu du Brésil.

Dès l’indépendance du Brésil en 1822, les élites n’ont eu de cesse de renier la matrice africaine. “Soucieuses de glorifier un passé ne devant rien aux Portugais, ces élites exalteront dans un premier temps l’Indien, le maître originel de la terre, ce qui est sans danger pour l’ordre esclavagiste“, explique Richard Marin. Le Noir est marginalisé, comme rayé de la carte. Même l’écrivain abolitionniste Ruy Barbosa de Oliveira (1849-1923) autorisa en 1890, en tant que ministre des finances, la destruction de la majeure partie des archives du gouvernement liées à l’esclavage. Une manière de refouler une marque honteuse et d’éviter toute forme de compensation, explique Vik Birkbeck, cinéaste britannique installée à Rio et cofondatrice d’un abondant fonds d’archives vidéo sur la culture noire.

L’esclavage aboli, les anciens captifs sont livrés à eux-mêmes. Alors qu’aux Etats-Unis, le président Lincoln ouvre 4 000 écoles pour les esclaves, le Brésil n’en crée aucune. “Sans terre, sans éducation, coupé de toute structure sociale, le Noir libre fut condamné à la misère, souligne Alain Rouquié dans Le Brésil au XXIe siècle. L’abolition tant attendue enracina l’inégalité.”

Jusqu’à la crise de 1929, le boom caféier attire 4 millions d’immigrants d’Europe, peu soucieux du passé colonial et des racines de leur nouvelle patrie. Ceux-ci affichent avec fierté leur identité quand partout triomphe la “supériorité de l’homme blanc”. Une propagande immigrationniste venant du Vieux Continent s’installe, avec pour but de “blanchir” le Brésil, limpar o sangue (“nettoyer le sang”), comme on dit en portugais, au motif que cette jeune et désormais riche nation ne pouvait se faire avec une population majoritairement noire. L’arrivée massive d’Européens produirait naturellement une population à la peau plus claire. A Rio, en 1911, le Congrès international des races annonce le “blanchiment” du Brésil d’ici un siècle…

C’est avec le “modernisme” brésilien des années 1920, qui rejette avec force la servilité à l’égard de l’académisme européen, et aussi avec les romans de Mario de Andrade, qui évoquent le passage de la culture blanche à la culture noire, que la mémoire métisse se met en place. Mais il faudra attendre les travaux de Gilberto Freyre, et d’abord Casa Grande e Senzala (Maîtres et esclaves), en 1933, pour que s’ouvre une perspective qui exalte le métissage comme une “sublime spécificité” brésilienne. Si le sociologue de Recife développe une version magnifiée du colonialisme portugais et du passé esclavagiste, patriarcal et doux, il a l’immense mérite de n’établir aucune hiérarchie entre les “trois races” fondatrices (Africains, Indiens et Portugais).

Définie en contrepoint du modèle ségrégationniste nord-américain, cette notion connut un succès rapide au Brésil, où elle contribua à légitimer le régime autoritaire de l’Estado novo (1937-1945). Moitié blanche, moitié noire, Nossa Senhora da Conceiçao Aparecida devient la sainte patronne du pays. Plat des esclaves, la feijoada (riz blanc et haricots noirs ou marron) s’impose comme plat national. Autrefois musique de “nègre”, la samba devient le son typique brésilien. “Au moins jusqu’à la fin des années 1970, c’est à travers ce stéréotype (du métissage biologique et culturel) que le pays se donne à voir à l’extérieur, poursuit Richard Marin. Et pourtant, il y a loin du mythe de la “démocratie raciale” à la réalité de la condition de nombreux Afro-Brésiliens, victimes du racisme – la plupart des Brésiliens préfèrent l’euphémisme “préjugé racial”.”

Masqué par l’absence de ségrégation juridique et la chaleur des rapports sociaux, ce “racisme cordial” est nié par le tabou national. Les Brésiliens considèrent qu’ils n’ont pas de préjugé de race, sinon “celui de ne pas en avoir “, selon l’expression du sociologue Florestan Fernandes. Une enquête conduite dans les années 1980 par l’anthropologue Lilia Moritz Schwarcz donne la mesure de ce refoulement. Si 97 % des personnes répondirent n’avoir aucun préjugé racial, 98 % avouèrent connaître des personnes racistes. Non sans humour, l’anthropologue en conclut : “Tout Brésilien se perçoit comme une île de “démocratie raciale” encerclée par des racistes.”

136 CATÉGORIES DE COLORATION

Une enquête de l’Institut national de statistiques, en 1976, dit très bien le rapport complexe des Brésiliens avec la couleur de peau. Elle demandait à chaque destinataire du questionnaire d’indiquer quelle peau il avait. Le succès fut immédiat, et provoqua un étonnant casse-tête. Les Brésiliens se reconnaissaient dans rien de moins que 136 catégories de coloration allant du blanc au noir.

Pour la couleur blanche, les ménages se sont décrits selon une douzaine de taxinomies, de “bem branca” (“bien blanche”) à “branca suja (“blanc sale”), en passant par “branca queimada” (“blanc brûlé”), “branca avermelahada” (“blanc rougi”) ou “branquiça” (“blanc essentiel”). La peau jaune révèle quatre entrées. Trois pour la peau rose. Certaines peaux sont “roxas” (“violettes”), “verdes” (“vertes”), “palidas” (“pâles”), “trigos” (“blés”) ou “morenas bem chegadam” (“brunes bien arrivées”). Pour désigner une peau noire ou métisse, les nuances sont quasi infinies : “cor de cafe” (“couleur de café”), “tostada” (“grillée”), “bugrezinha” (“un peu bien foncée”), “meio preta” (“moitié noire”), “parda escura” (“gris sombre”), “queimada de praia” (“brûlé de plage”), Comme si l’identité raciale était un attribut social passager et relatif, “un objet de négociation“, selon Lilia Moritz Schwarcz.

Et pourtant. Il fallut attendre 1986 pour assister à l’élection – tumultueuse et controversée – d’une Miss Brésil noire. Attendre encore la nouvelle Constitution brésilienne de 1988, trois ans après la chute de la dictature, pour inscrire le racisme comme un “crime imprescriptible”. Et attendre la loi du 9 janvier 2003, soutenue par le président Lula, pour que l’enseignement de l’histoire et de la culture afro-brésilienne soit obligatoire à l’école primaire et secondaire.

Malmené par le régime militaire, le mouvement noir, ultraminoritaire, trouve de solides relais dans l’opinion progressiste dès les premières heures du Brésil démocratique. Il fait pression pour remplacer le 13 mai, jour anniversaire de l’abolition de l’esclavage, par le 20 novembre, la Journée de la conscience nègre qui commémore la mort du légendaire Zumbi Dos Palmares, leader noir insurgé du Nordeste au XVIIe siècle. Il milite pour l’adoption de mesures de discrimination positive sur le mode de l’affirmative action des années 1960 aux Etats-Unis.

QUOTAS RACIAUX

Le débat sur les quotas raciaux apparaît sous le président Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Sensible à la question noire pour avoir consacré sa thèse de sociologie à l’esclavage, il instaure des groupes de travail où l’on évoque les actions publiques de valorisation des populations noires et l’obligation de mentionner la couleur de peau dans les documents officiels. En 2002, l’université d’Etat de Bahia s’ouvre aux quotas raciaux, suivie au compte-gouttes par une soixantaine d’établissements.

Avec Lula, l’objectif explicite d’une politique de quotas raciaux “vise à “réparer“, observe Richard Marin, à compenser les discriminations sociales dont les Noirs sont l’objet, ce que peu de Brésiliens contestent”. C’est cette voie que la Cour suprême a voulu suivre après une dizaine d’années de débats et de tâtonnements. Et que le Sénat vient de baliser en croisant prudemment les critères sociaux et de couleur de peau.

Les rues du Valongo viennent d’être pavées et rouvertes à la circulation. Des façades de maisons ont été restaurées. Le jardin suspendu du vieux quartier Morro da Conceicao, situé en face du port, a été réhabilité. Tout est calme. Ce soir passe à la télé le premier épisode d’une telenovela, Lado a lado, “côte à côte” en français. L’histoire est consacrée à la vie des Noirs après l’abolition de l’esclavage. “C’est une période riche et encore peu explorée “, a commenté l’acteur principal, Lazaro Ramos. Il a souri, dit-on.

Nicolas Bourcier (Rio de Janeiro (Brésil), correspondant)

Venus negra dissecada. Sarah Baartmann, o filme


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Venus Noire’ é um filme do tunisiano Abdelattife Kechiche que fez bonito em Cannes em 2010. Infelizmente ainda não achei cópia legendada em português. Acredito que não exista, só o trailer. Para os mais curiosos vai então aqui a versão original com legendas em francês (o filme é falado em africaaner, inglês e francês).

João Carlos Rodrigues, renomado especialista em cinema brasileiro é quem nos canta a pedra: Sim, existe um filme excelente sobre a vida de Sarah Baartmann, a mulher africana exposta como bicho de zoologico no século 19 na Inglaterra e na França. O Titio já havia feito um emocionado post aqui mesmo no blog sobre a dramática história de Sarah.

Perturbador. Consegui ver no filme todos os arquétipos das aberrações e escatologias do racismo brasileiro – em todos os racismos, por se assim dizer – na história pungente de Sarah, uma triste jovem da África do Sul. Depois de assistir o filme vou precisar de uns dias para diluir o asco e voltar a poder relativizar sobre o tema.

Não é de modo algum surpreendente que não tenhamos visto este filme normalmente por aqui.

Spírito Santo

Setembro 2012

Cultura / Políticas Públicas: a conexão acadêmica – 12 a 14 setembro 2012


O desfile de carnaval que ocore entas dos festejos do Bonfim nas ruas da capital do Benin

O desfile de carnaval que ocorre nos festejos do Bonfim nas ruas da capital do Benin. Foto Ronaldo Ribeiro para National Geography

Abertura: 12 de setembro de 2012, 18h, na Sala da Congregação da Escola de Música, UFRJ.

Na medida em que as certezas sobre a natureza e importância contemporâneas do conhecimento se abalam e se transformam, a harmonia em torno do que a universidade faz e sua importância para o país é colocada em xeque. Por outro lado, o tema das políticas culturais já é conhecido, mas a universidade avançou pouco no exame de seu papel, best practices e as novas possibilidades diante do novo quadro político da cultura.

Este seminário propõe a discussão desse ponto cego, com a participação de pesquisadores, gestores e ativistas (muitos dos quais exercem ou já exerceram mais de um desses papeis). São pessoas comprometidas com projetos e debates que tangem as atuais políticas de cultura e o problema da democratização da sociedade brasileira. O propósito é de rever a atual situação da academia, no nexo de relações entre o Estado e a sociedade civil em que atores acadêmicos vêm tendo um papel importante e mutante, nos últimos anos e décadas. O debate enfocará também o impacto sobre o pensamento universitário brasileiro das novas políticas de inclusão e massificação da educação superior.

O evento é fruto do projeto interinstitucional “Democratização Cultural e Políticas Públicas: um debate interdisciplinar”, realizado entre a UFRJ (EM e ECO), UFF (História) e UERJ (Letras) e financiado pelo edital 12/2008 (Pró-Cultura) da CAPES.  Entrada franca.

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 12 de setembro, às 18h, na Escola de Música da UFRJ, na Lapa.

Abertura

“Poder sentar um pouco à beira da estrada” – Marcio Meirelles, Diretor do Teatro Vila Velha e ex-Secretário de Cultura da Bahia

Quinta-feira, 13 de setembro, das 9h às 12h30

Ações, Conceitos e Políticas de Patrimônio Cultural Imaterial: A Inserção Acadêmica em Questão.

A adoção pelo Brasil de uma política de “Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem o patrimônio cultural brasileiro” em 2000 representou um passo importante na mobilização em plano nacional de indivíduos, grupos, entidades e comunidades produtoras de saberes e fazeres de reconhecida importância à conformação de valores culturais em âmbito regional ou nacional. Ao produzir conhecimento potencialmente crítico sobre saberes e fazeres, simultaneamente atento à história das práticas a serem tomadas como objeto das políticas e às transformações em curso nas lutas cotidianas dos indivíduos e comunidades envolvidas, o mundo acadêmico tem sido desde então acionado a cumprir papel de intermediação entre ideais e práticas muitas vezes conflitantes entre os diversos atores envolvidos em políticas de PCI.

Ao painel interessam questões como:

1)Como se posicionar academicamente diante dos conflitos ético-políticos e conceituais mais frequentes em torno das políticas de PCI? Como não sou acadêmico a pergunta terá uma resposta transversa

2)Quais seriam os modos através dos quais o poder público, interesses privados, organizações sociais e movimentos independentes têm se relacionado com a academia no que tange a políticas de PCI?

3)Haveria visões alternativas entre os diversos atores das políticas de PCI (movimentos, entidades, poder público) sobre qual papel das instâncias acadêmicas nesses processos?  

Marta Zambrano – Universidad Nacional de Colombia

Cláudia Márcia – IPHAN

Antonio Carlos Vieira – Museu da Maré

Spirito Santo – Musikfabrik / Uerj

 Quinta-feira, 13 de setembro, das 14h30 às 18h

Outras Epistemologias e a Academia

Há crescente consciência de que o conhecimento não é tão somente uma questão cerebral, mas deriva de muitos outros fatores e dimensões. Recorrentemente, na história cultural brasileira, os modos de pensar logocêntricos e de cunho iluminista têm sido colocados em questão pelos mais diversos atores sociais, não só entre intelectuais universitários. O esforço de entender a contribuição ao conhecimento de outros modos de pensar, na atual conjuntura brasileira, é o que anima este painel. Este momento, em que há um esforço de “massificar” a educação superior e cotas sociais e raciais são instituídas para minorar a homogeneidade sócio-racial da população estudantil, é propício para pensar como o próprio conhecimento universitário pode ser transformado com a inclusão de outras epistemologias e metodologias que normalmente são consideradas marginais ou mesmo externas à academia. Este painel poderá levantar as seguintes questões:

1.A efetiva possibilidade de diálogo entre as noções de conhecimento que ocupam o imaginário universitário e outras possibilidades do pensar como as presentes nos conhecimentos tradicionais, nas artes e nas subjetividades construídas através do corpo?

2. Diante das diversas experiências presentes no panorama contemporâneo e a crescente perspectiva de inclusão de estudantes com trajetórias de aprendizado que contrastam com as expectativas predominantes, como conceber um projeto de educação superior?

3. Que experiência acumulada poderia servir de base a esse projeto?

José Jorge de Carvalho – Antropologia, UnB

Rosângela Araújo – Educação, UFBA

Rosângela Tugny – Música, UFMG

Júlio Tavares – Antropologia, UFF

Sexta-feira, 14 de setembro, das 9h às 12h30

A Cultura como Alavanca do Desenvolvimento: a Atuação da Universidade

Desde as lutas contra governos autoritários em diversas partes da América Latina nos anos 60, 70 e 80, a ação cultural aparece como chave para a ampliação do espaço democrático e o desenvolvimento socioeconômico, atraindo a atenção e participação de intelectuais universitários.  Em décadas mais recentes, ao passo que o Estado vem delineando políticas culturais que almejam democratizar o acesso aos bens culturais, esses intelectuais têm agido em projetos culturais populares, muitas vezes em parceria com o Estado ou com financiamento empresarial, seja estatal ou privado. Esta mesa propõe uma reflexão sobre o papel da universidade no desenvolvimento socioeconômico da sociedade brasileira, a partir das atividades culturais em que esses intelectuais se envolvem.

  1. Como avaliar as experiências acumuladas, aí incluindo processos, produtos e formas de financiamento?

  1. Qual é a contribuição específica do conhecimento acadêmico na articulação entre cultura e desenvolvimento socioeconômico?

  1. Quais os possíveis reflexos de iniciativas culturais visando o desenvolvimento socioeconômico sobre a política local e regional?

Cláudia Pfeiffer – IPPUR, UFRJ

Heloisa Buarque de Hollanda – PACC, UFRJ

Paul Heritage – Teatro, Queen Mary University of London / People’s Palace Projects

Silvia Esteves – Centros Culturais Populares, Prefeitura de Belo Horizonte

Sexta-feira, 14 de setembro, das 14h30 às 18h

Modelos de Governança, Academia e Participação Social

A crescente visibilidade das relações existentes entre políticas governamentais para a cultura e as diversas esferas de ação social a partir de interesses públicos e privados expõe igualmente a participação da área acadêmica nessa relação assentada sobre muitas tensões e embates, diante dos quais é muitas vezes difícil posicionar-se com neutralidade ou distanciamento.

Pergunta-se nesta mesa:

  1. É efetivamente possível ao mundo acadêmico manter pressupostos constitutivos de distanciamento e neutralidade na análise das políticas culturais?

  1. Seriam as colaborações propostas por iniciativa do Estado, mercado e sociedade civil um caminho em si promissor de mudança social para algo melhor ou tão somente um meio utilitário de obter aval do mundo acadêmico a ações nem sempre justificáveis no âmbito de um debate efetivamente público pouco ou nada impactantes como fatores de mudança?

  1. Seria o caso de o mundo acadêmico empreender autocrítica e superar seus pressupostos atualmente hegemônicos de distanciamento e neutralidade e tomar a si papel mais propositivo? Se for o caso de se tornar mais propositivo, como o fazer sem pretender substituir o papel das demais instâncias envolvidas no debate e ação culturais? 

Edson Cardoso – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR)

Eliane Costa – Universidade Candido Mendes – UCAM

Wanderley Guilherme dos Santos – Presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa

Albino Rubim – Secretário de Cultura do Estado da Bahia

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Programação principal: quinta e sexta-feira, 13 e 14 de setembro de 2012, 9h às 18h

Salão Pedro Calmon, Fórum de Ciência e Cultura, UFRJ

Organização do Seminário:

Samuel Araújo –  Música, UFRJ    &   Liv Sovik – Comunicação/PACC, UFRJ

Assistente: Camila Calado Lima – Comunicação, UFRJ

Pesquisadores principais do projeto interinstitucional “Democratização Cultural e Políticas Públicas: um debate interdisciplinar”:

Samuel Araújo – Música, UFRJ (Coordenador)

Adriana Facina – História, UFF

Liv Sovik – Comunicação/PACC, UFRJ

Victor Hugo Adler Pereira – Letras, UERJ

Apoio: CAPES/PACC/FCC/UFRJ

Realização:UFRJ (EM e ECo)/UFF (História)/UERJ (Letras)

Endereços:

Sala da Congregação da Escola de Música, UFRJ -Rua do Passeio, 98 – Centro – RJ: (21) 2240-1391 | 2532-4649

Salão Pedro Calmon – Av. Pasteur, 250, 2º andar – Palácio Universitário do Campus da Praia Vermelha. (21) 2295-2346

 

Musikfabrik arma o circo em Belzonte


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Tipo doideira mesmo desta vida

Ricardo Vinhas Passos passou mais de dez anos viajando guiado pelo interesse na música e cultura de diferentes lugares da Ásia, África, América e Europa. Aprendeu a tocar instrumentos como o guembri, em Marrocos, a darbouka, o rik e o bendir, no Egito, o Tonbak e o Def, no Irã, entre outros. Por fim o seu percurso levou-o a Varanasi e aí conectou com a forma mais antiga da música clássica do Norte da Índia : o canto Dhrupad. No Sul da Índia aprendeu Solkattu e canto carnático. Explora com profundidade a improvisação e a espontaneidade misturando elementos da cultura oriental como as ragas da Índia com o sistema tonal da cultura ocidental.”

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Foi há poucos dias em Belo Horizonte, num workshop de Musikfabrik que o tio deu para um simpaticíssimo grupo de artistas circenses e assemelhados (teatro, canto, etc.) Um dos alunos era este cidadão luso aí do currículo acima, Ricardo Vinhas Passos. Outra era, a trapezista que fez as imagens num celular smart destes aí.

(Só faltou a ‘mulher que engole raio laser”)

Ensinei um monte de instrumentos para eles, um dos exercícios mais bacanas é por os alunos para fazer um alaúde de lata de leite ninho e cabo de vassoura. Eles na hora não acreditam.

Mais ainda o Ricardo, que fez a quela cara de incrédulo típica dos europeus diante das manhas do Brasil.

“_ Já que és um tocador especialista, faz com duas cordas”_ sugeri.

E ele com aquela cara de falso enfado, todo enrolado com as ferramentas, mas cada vez mais envolvido com a experiência. De repente:

Fiat música (ou musik)!

Vocês não sabem como foi bacana de ver a alegria radiante, de criança dele quando, efetivamente se viu tocando o tosco instrumento feito em poucas horas com aquela precariedade toda, aquele quase nada, como se fosse um daqueles da lista de super exóticos clássicos instrumentos de seu curriculo.

Eufórico, me disse rindo como guri com brinquedo novo:

_”Vou tocar este junto com os outros no meu espetáculo!”

Daí danamos de brincar de tocar uma coisa qualquer indiana, africana, jamaicana, baiana, sei lá, como dois doidinhos infantis. Ainda bem que o palco era um cantinho da lona de circo. Tudo a ver.

Musikfabrik, uhhu!

Spirito Santo

Setembro 2012

A produção disto tudo aí , na 4ª Olimpíadas de artes circenses foi da querida nova-velha amiga Eliane Maris o vídeo é de Paula de Franco.