O ‘E.Titio’ e o direito autoral na Internet: Sentado a beira do caminho o que cair na rede é peixe.

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Sabe o que estou achando, sem falsa modéstia?

É que sem querer descobri – mas sei que não inventei – e estou usando, intuitivamente por aqui uma forma de escrever baseada nos relacionamentos na Internet que está sendo bem moderna, inovadora para o caso de textos mais densos e longos (inovadora em termos, porque é bem sucedânea da crônica jornalística que é tão velha quanto a imprensa).

Talvez esta forma – que já está se tornando bem comum por aí, todo mundo pode observar – substitua o papel que os livros convencionais estão perdendo. Tem também esta coisa literária, do tom escorregadio, coloquial e professoral ao mesmo tempo, que me esforço por utilizar, deliberadamente, desde que comecei a escrever as primeiras linhas da vida, mas que não sabia que ia ter tanto sucesso justamente no futuro, como linguagem ‘de internet‘.

É que cada mídia tem lá as suas formas e arranjos para ser linguagem pertinente e objetiva. Quem gosta de beletrismo é museu. No início eu não conseguia revisar um texto escrito no computador sem antes lê-lo impresso em papel. Os erros me escapavam na tela. Hoje nem tinta de impressora compro mais.

Pois é. Qualquer um de nós tem lá os seus bloqueios e inseguranças diante do novo, ainda mais os mais velhos como o Tio. Tenho percebido por exemplo, que os doutores – alguns meus amigos até, entre os mais convencionais e acadêmicos – comem muita mosca em suas pesquisas e ficam defasados porque não aprenderam ainda a ter desapego pelos seus saberes supostamente doutorais (além de uma certa empáfia e arrogância um tanto arcaicas e fora de lugar) e por não saberem também, por conta de seu aristocracismo relutante, pesquisar em sites de busca na Internet, no Google, por exemplo que, impressionantemente, guarda rigorosamente quase tudo que se quer saber sobre o que quer que seja.

Basta ter foco, perspicácia e paciência. Dia destes ouvi a festejada acadêmica Heloísa Buarque de Holanda, autocriticando-se, falando exatamente isto num seminário na UFRJ.

Ao contrário do que se imaginava há bem pouco tempo, Lê-se muito na Internet hoje em dia. Tanto que até a forma do e.book decantada como o supra sumo do futuro literário na rede, anda patinando em muitos lugares, como no Brasil por exemplo. As pessoas lêem coisas densas e longas sim na Internet, mas não necessariamente querem pagar diretamente por isto (na verdade como demonstrarei mais abaixo, elas estão certas porque JÁ PAGAM por isto, mesmo sem perceber)

Tem gente que detesta o modo como o Titio escreve, paciência. Já me externaram isto alguns leitores mais afoitos, mas até a ojeriza destes desafetos quando expressa, me ajuda porque dá ao Titio uma certa aura de transgressor, rebelde sem causa, que acho exagerada e imerecida, mas que – cá entre nós – me rende um ibope até muito bem vindo, além de me ajudar muito a afiar melhor as minhas lâminas verbais. Só falta agora descobrir como ganhar uns trocados com isto, já que boa parte do sucesso está ligada ao fato de serem conteúdos gratuitos.

Eu já andei olhando estas coisas de saber como ser remunerado pelo que escrevo, claro. Não sou nem bom nem mau samaritano, mas acho que o sistema ainda é antipático para os leitores. Na verdade eu acho que não se esclareceu ainda esta questão da remuneração de conteúdos na internet. Acho que quem tem que pagar não são os leitores, mais os sites que hospedam os conteúdos os quais, ganham os tubos com os anúncios que veiculam atrelados aos conteúdos publicados… às nossas custas.

Devem pagar também – e uma parte bem maior que os sites – os fabricantes de hardware, pois, segundo propus num post aí (Tá na Rede ou Tá Frito!), tempos atrás, o que rende direito autoral, o que vende enfim não é a ideia do autor, o seu conto, sua reportagem, seu romance, o seu post, a sua música o que quer que seja, mas sim a MÍDIA FÍSICA na qual esta ideia está impressa.

Não fui compreendido ainda porque o problema é bem novo e sutil, mas a mídia física, aquilo que retém a ideia do autor e é vendido, no caso da Internet são os computadores, os tablets, os smartphones, etc, os ‘tocadores de mídias‘ (os ‘players’, como disse no outro post) por suposto.

No mundo nada se cria, tudo se copia. Quem não sabe disto ainda precisa refletir. Teria que ser, exatamente como eram remunerados os conteúdos (os autores, artistas, etc.) no tempo do Rádio e mesmo da Televisão: Os anunciantes pagavam as emissoras (‘retransmissoras de conteúdos’) que, por sua vez remuneravam os autores, artistas, etc.

Quem não se lembra dos anúncios da “Tonelux” (uma espécie de Casas Bahia) ou do programa ‘Noite de Gala’ patrocinado pelas lojas ‘Rei da Voz” de Abraão Medina, que como a Tonelux vendia vitrolas e televisores nos idos dos anos 1960? Fica a lembrança de que estes patrocinadores promoviam os seus programas de TV e Rádio com intuito inicial de vender seus aparelhos, seus ‘players‘, exatamente com a Aple e a Microsoft vendem os seus, mas só que estes últimos, espertinhos que são, acharam por bem, até agora, não remunerar um centavo que seja, nem aos sites hospedeiros e nem tampouco aos artistas, aos criadores que abastecem estes sites e a sua rede de conteúdos.

(E nem me venham questionar dizendo que o que a maioria dos conteúdos que circula na rede é lixo porque, até isto é comum a todas as mídias de massa, como é o caso flagrante da Internet) . Afinal, pensando bem, o sistema de arrecadação de direitos autorais na Internet seria até muito mais eficiente e justo porque seria, rigorosamente automático: Um clique, um ponto a ser remunerado. Lógico que se isto passou no tempo do Rádio e por certo, passará nos nossos tempos também.

Descartes e o Macaco estão certos.

Penso que está todo mundo comendo mosca nisto aí ainda porque ninguém levou esta hipótese da fonte dos direitos autorais ser o fabricante de hardware à sério, por conta do aturdimento que estas novas mídias trouxeram, neste tudo em um que o computador acabou virando.

Mas ando otimista. Acho que os pioneiros mais ‘cri cris’, os chatos de galocha, serão recompensados (na verdade já estão). Além disso, vamos combinar, se o Titio fosse enumerar quantos ganhos indiretos teve, relacionados a sua atuação e projeção comentando, postando e escrevendo sobre o que lhe dá na telha na Internet

Tratando só de leve neste assunto em meu livro ‘Do Samba ao Funk do Jorjão, chamei a atenção dos leitores sobre o fato de que o conceito “Direito Autoral’ (no caso da música, em especial), simplesmente inexistia antes do início do século 20 (antes do disco e do rádio). “Compositor‘ (de música popular) era uma figura absolutamente irrelevante na cultura de massa. De pouco valia ter composto uma canção. Ganhava-se ninharia.

Qualquer um que saiba da história dos maiores mestres do ‘Blues‘, por exemplo sabe que eles ganhavam trocados, moedas por suas criações, logo depois tornadas milionárias para os primeiros empresários de disco, sabichões do tipo dos Jobs e Gates da vida deste nosso ambíguo dia a dia.

Não pregue pregue sem estopa. Fique certo de que este imbróglio dos direitos autorais ma Internet mais cedo ou mais tarde se resolverá. Só espero estar vivo nesta hora para poder gastar a bufunfa, nem que seja com remédios.

Spírito Santo

Outubro 2012

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~ por Spirito Santo em 28/10/2012.

2 Respostas to “O ‘E.Titio’ e o direito autoral na Internet: Sentado a beira do caminho o que cair na rede é peixe.”

  1. Por aí, desde que quem pague o autor seja o cara que lucra com a máquina que multiplica a obra do autor. Simples assim. Extrair sobre a forma de imposto seria perfeito.

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  2. A coisa é mais simples do que parece. Imposto.
    Você compra um Cd, us Hagadê, ou tira uma cópia no XEROX da esquina. Você paga imposto e o seviço prestado por quem tem a MÁQUINA. Bastaria tirar uns por centos para todo mundo que escreve, e gerir esta grana através de alguma coisa qu não seja a ECAD. Seria o IPAF, Imposto do autor na fonte.

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