Feliz Ano Novo, Macacada! Ngemba kwa Nzambi, Mbote kwa (ba)Nkaka Zeto!


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Bracos de Yemanjá

Eu, agnóstico me penitencio e grito “Feliz Ano Novo Macacada!

Me toca fundo estas coisas. Não que eu, agnóstico assumido que sou, esteja insuflando algum cisma religioso entre facções negro religiosas, bantu versus nagô, umbanda versus candomblé, imagina! Acho até bem babaca quem me imagina assim.

É que há um sentido ético em toda cultura e, logicamente em toda religião. E é assim que, me vendo por certas linhas um aliado da luta contra a ‘supremacia nagô’, a suposta hegemonia dos ritos yoruba nas religiões negro africanas no Brasil acabo sendo visto por alguns como o canal ( o ‘cavalo’) de preciosas informações e mensagens sobre o outro lado, este lado que está mais escondido (e que por isto mesmo tendo mais e mais revelar) e daí, posso , como um exu sem religiosidade alguma, livre de amarras litúrgicas, puro de fundamentalismos vãos, ser o ‘emissário entre dois mundos” quase estanques.

O Meio é a Mensagem, quem não sabia?

Vão vendo aí (recebi agora mesmo por mensagem no gmail. com):

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“Caro Spirito Santo, bom dia!

Contrariando a essa orixalização nagô inserida no Candomblé Angola, segue a minha contribuição de um pouco da cultura Bantu do culto ao Nkisi, caso queira divulgar em seu blogue. Sou herdeiro de uma nzo de tradição Congo sediada em Guarulhos São Paulo (selva de pedra colonizada pelos imigrantes católicos italianos…) e nessa nossa árdua missão que conduzimos com carinho e amor ao Nkisi, procuro divulgar nossa cultura para resgatar-mos as nossas origens.

Feliz ano novo e que Nzambi a Mpungu lhe cubra de bençãos.

Tata Nganga a Nkisi Lembá Funkwê”

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E isto fica sendo meu ano novo desejado para todos também.

Por TATA Nganga a Nkisi LEMBÁ FUNKWÊ

Uma História Kongo Herança Ancestral Bantu Africana no Brasil

*Festa do Tembu (Senhor do Vento) e saudação a sua Sagrada Bandeira no culto ao Nkisi
*Esta festa é realizada no mês de maio, que para os adeptos do Kandombele Bantu de Nação Kongo no Brasil, é o final do ano litúrgico e nela semeia-se um bom e farto ano novo que terá inicio a partir do mês de junho, quando se comemora a festa do Feijão de Nkosi ou Festa de Nkosi (Senhor da Guerra, o ferreiro). Usa-se um mastro de tronco de eucalipto para hastear uma bandeira branca com o símbolo da pomba em homenagem a Nlemba (O Senhor Sol).

NGEMBA KWA NZAMBI, MBOTE KWA (BA)NKAKA ZETO

*Fragmentos das Rezas, Cânticos e Sons de Tambor apropriados:
*É em português mesmo, pois se trata de uma festa pública traduzida para o idioma local e ficando o uso das línguas nativas Kikongo e Kimbundo, reservado aos atos ritualísticos da nossa Nzo na preparação do mastro e confecção da bandeira do Nkisi, que antecedem a essa celebração.

Venha me ajudar ó Nzambi a Mpungu
Venha me ajudar ó Nzambi a Mpungu
Olha-me nesse mundo
Venha me ajudar ó Nzambi a Mpungu
Andorinha subiu ao céu
Andorinha desceu a terra
Segredos de Nzambi Andorinha
Não contes a ninguém.

Bendito louvado seja bendito seja louvado
Bendito louvado seja o Nkisi foi coroado.

Pai, Filho, ó Divino Nzambi a Mpungu
Pela Coroa do Nkisi, ó Nzambi me cubra com o seu Manto.

Olha que barco veleiro, que vem lá do alto mar
Olha a bandeira que ele traz, é a Bandeira Real
Quando eu dou um assobio, no Palácio do meu Avô
A Rainha me leva, para o seu Jardim em flor
Flores alvas que tanto cheiram
Flores alvas que tanto cheiram
Elas exalam na jurema
E exalam na juremeira.

Aê Kaikó, Kaikó, Kaikó Guerreiro
Kaikó, nesse Reinado
Kaikó, nesse Terreiro.

Mandacaru tem mel
Ó dai-me uma cabaça
Chamai o Nkisi
Pra dar a seu filho
A Graça.

Kongo Real sou Kongo Real
Eu sou filho da Mazenza, sou Kongo Real!

NZO SABA YALA A NZAMBI NSUMBU NDANDALUNDA TWA KONGO
(dos meus ancestrais Mfumu a Nsi “Kilombo Dia Ngola” e “Namonajila”)

A genial arte de El Anatsui, a alma escultórica da África atemporal


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El Anatsui Fold-Dusasa

El Anatsui é algo ali no âmbito rigoroso do genial, da arte orgânica e inquestionável, transcendentemente bela, surgida não do nada de uma mente individualista de um artista cheio de si, mas das camadas e mais camadas de saber estético e genético herdado, advindo das mais priscas eras, sabe-se lá de onde, das mais intrínsecas memórias africanas.

El Anatsui é arte em si, encarnada no artista impregnado de tudo e de todos, ali, filtrando intensas visões do paraíso da arte entranhada em alguém, sabe-se lá porque, como um estigma escalavrado na alma de um escolhido, um qualquer eleito e talhado para ser o que tiver de ser, para o enlêvo emocionado da sua tribo, da sua aldeia, do seu mundo. Beleza pura força da natureza, simplesmente assim.

Há sim, aposto com quem quiser, uma quê de Arthur Bispo do Rosário em El Anatsui, mesmo que Bispo do Rosário seja um nome apenas enigmático para o artista ganense que acabei de, emocionadamente conhecer, residente na distante Nsukka, Nigéria.

Junto com o meu fiel parceiro Google traduzi a biografia dele e vi nela, a chave maravilhosa da genialidade deste artista e sua arte inquietante que nos lança perguntas instigantes sobre de onde ela vem e de onde viemos todos nós. Uma arte de questionamentos.

Acho que ela vem da ‘Kanda” (palavra angolana, bakongo, para herança genética) da memória celular, entranhada na ligação intrínseca que todos deveríamos ter com o nosso passado sensível, o cérebro primitivo ali, à flor da pele, os signos imagéticos, musicais, estéticos todos do nosso passado mais remoto – que como se sabe são incabíveis em qualquer religião destas inventadas por aí – o ser africano, o ser humano precursor enfim, fiel à sua alma velhusca e inexplicável, muito mais do que que esta imagem previsível que tentam nos convencer que a nossa alma é.

A alma escultórica de El Anatsui é isto aí, garanto: a alma de nós todos em si mesma grafada, um desenho tridimensional enorme, como um fantasma gigantesco, um manto para um gigante Bispo do Rosário entrar no céu, uma roupa de egungun ou de mukiche, em tela gigante de cinema vazio, a nos assombrar e enlevar sem razão alguma de ser senão…ser.

El Anatsui – biografia

“Nascido em 1944 em Anyako, Gana, El Anatsui mora atualmente em Nsukka, Nigéria.

Um dos escultores mais aclamados na cena internacional, El Anatsui estudou escultura na Universidade Kwame Nkrumah de Ciência e Tecnologia em Kumasi, Gana (1965-1968). É professor de escultura na Universidade Nsukka da Nigéria desde 1975 onde se tornou um dos principais membros da chamada ‘Escola Nsukka’.

Ao longo destes anos, Anatsui criou inovadoras esculturas de madeira em que se concentrou em temas relativos à história Africana e a experiência colonial, se valendo de marcas feitas por motosserras e chama de oxiacetileno, como metáfora para a destruição de culturas tradicionais africanas pelo colonialismo e suas consequências.

Através de uma experimentação rigorosa e formal de sistemas africanos iconográficos africanos tradicionais, incluindo motivos Uli, sinais Nsibidi, escrituras Bamum, símbolos Adinkra e escrituras Vai, suas esculturas em madeira, como as da série histórica (1993), sugerem uma conexão crítica entre escravidão e colonialismo por um lado, e, do outro, o desaparecimento de registros africanos visuais e textuais, a perda da memória histórica enfim na era do pós-colonialismo.

Mais recentemente, El Anatsui tem usado peças metálicas tipo alumínio, tiras de tampas de garrafa , latas enferrujadas, usadas para fazer raladores de mandioca, velhas chapas de impressão offset, e latas de leite, criando em grande escala, paredes painéis e panos metálicos independentes, com enorme apelo e poder visual. Nestes altamente alusivas construções monumentais (Adinkra Sasa, 2003, Wall Crumbling, 2000), Anatsui transforma materiais do cotidiano, por meio de rigorosos processos artesanais, em que novas ordens de visualidade se excedem, ao ligar as formas de consumo contemporâneo e desejo duradouras com redes globais de comércio e política.

O novo Projeto de Anatsui é um monumental “pano de metal” instalado na fachada colossal de Alte National Galerie. O confronto visual e diálogico entre a escultura, cujo drapeado perceptualmente recusa a entrada no museu e na história encarnada por ele, a declaração assertiva do edifício e seu conteúdo versando sobre arte alemã, sugere interconexões marcantes e carregadas entre o passado e o presente, o eu e seu outro, entre a imaginação colonial e pós-colonial, enfim entre diferentes ordens de subjetividades críticas.”

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(Veja a impressionante obra de El Anatsui neste link)

Spírito Santo

Dezembro 2012

A “MÁQUINA 2.0”. Modelo 2013 vem aí!


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A “MÁQUINA 2.0”. Modelo 2013 vem aí!

(Não me perguntem a cor e a forma do modelito porque eu não sei, tenho medo de saber)

(Meus 123 amigos petistas do facebook estão dispensados de ler isto)

Aos demais em verdade em verdade eu digo: Sem dúvida, as notícias políticas de 2013 serão resultado do que ocorre aqui, agora e assim:

  • A ‘Guerra dos royalties’ cria conflito entre base aliada do governo (liderada pelo PT, mas rachada em algumas partes) e o STF. O governo Dilma começa a se apertar numa saia justa consigo mesmo. Notórias figuras interessadas, de um lado ou outro da contenda dos royalties – governadores de estados mui importantes da nação – vamos combinar, estão envolvidas em supostas falcatruas com empreiteiras. Briga de cachorro grande e faminto à vista.

  • A proposta de cassação e prisão imediata dos condenados do julgamento do mensalão (as velhas flacatruas anteriores) opõe, de novo, a Câmara – na verdade a base aliada do governo, liderada pelo PT – e o próprio PT, contra o STF. Com o recesso da Corte, a decisão de prender imediatamente os condenados pode cair no colo de Joaquim Barbosa, o que se configura numa nítida armadilha para o odiado magistrado, que no momento está sendo demonizado por estas forças governistas, considerado um verdadeiro anti cristo negão.

  • A ‘Guerra Elétrica‘ opõe (ai, Deus! De novo) um grupo de governadores da base aliada do governo (desculpe repetir: liderada pelo PT) contra o próprio governo. Os apagões frequentes dos últimos dias sugerem, fortemente que pode estar havendo deliberada ‘falha’ humana na intensidade destas mal explicadas quedas de energia por todo o país.

  • Grupo de governadores – de novo – aliados do governo petista (ao mesmo tempo em que a bancada aliada do governo e a plenária do PT) presta estranha solidariedade pública ao ex-presidente Lula, tomando posição, frontalmente contrária às decisões do STF e às ações da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República, ligadas às denúncias de corrupção governamental e petista que associam, agora fortemente o ex-presidente Lula como participante das supostas falcatruas desde 2003.

  • Uma tropa de choque de dimensões ainda imprecisas, formada por militantes comuns, adeptos fervorosas da pregação da cúpula petista, parece estar se mobilizando para espalhar esta propaganda proselitista contra as instituições que, segundo eles ‘atacam‘ o partido e seu legado. As instituições a serem ‘contra atacadas‘ por esta militancia quase evangélica são – pasmem! – pela ordem, O Superior Tribunal Federal, a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República, a Imprensa (‘mídia golpista’) e a suposta ‘direita‘ oposicionista (Psdb e Dem)

Juntando os pontinhos:

Ao que parece, está se formando no Brasil uma perigosa conjuntura na qual um grupo político fortemente encastelado no poder (formado por esta chamada ‘base aliada liderada pelo PT‘), um grupo, diga-se com interesses incomensuráveis a defender, se recusa, terminantemente a respeitar qualquer decisão legal, institucional, vinda de onde quer que seja, mesmo aquelas amparadas por inquéritos meticulosos e criteriosos julgamentos da suprema corte.

Esta bem urdida conjuntura, aparentemente se sentindo seriamente ameaçada por uma inesperada ofensiva ética e jurídica por parte, principalmente do STF, já assume posições francamente conspiratórias, à revelia de tudo e de todos, inclusive – e principalmente – da opinião pública, considerada por ela subalterna, devedora eterna que seria dos favores prestados pelos governos petistas, representados pelos discutíveis – já que provisórios e compulsórios – programas de renda mínima, como o Bolsa família, por exemplo.

Já estou careca de dizer aqui: Montou-se no governo do Brasil em acordos eleitorais realizados, provavelmente por ocasião das eleições presidenciais de 2002, uma Máquina política de natureza fortemente predatória, alimentada por azeitados esquemas nacionais de desvio de verbas públicas (herdados de experiências isoladas de governos anteriores) que, antes representando um MEIO de manter o poder nas mãos de um grupo político partidário (no caso o PT de Lula), transformou-se, rapidamente num FIM em si, uma espécie de grande máfia político institucional, que instalada como um câncer no poder por meio do voto, nele pretende se manter, a qualquer custo (com ou sem voto), no mínimo por 20 anos, a contar de 2003.

Os pontinhos juntados sugerem, portanto – e os mais ceguetas vão demorar um pouco mais para perceber – problemas institucionais muito graves à vista. O mais evidente deles já é, por exemplo, o claro e constrangedor esvaziamento do poder da presidente atual, às voltas com as maquinações e interferencias da cúpula petista – Lula e Zé Dirceu à frente – que comandando o parlamento (dominado pela tal ‘base aliada’, como se este fosse uma instancia partidária, do PT) confunde, perigosamente funções de articulação política do governo com seus interesses privados, exercendo uma espécie de governança paralela que, cada vez mais se utiliza do instilamento do ódio e da beligerancia como forma de pressão, com o fim evidente de calar opositores e desistimular denúncias contra suas práticas deletérias.

Se você não sabe no que isto vai dar, saiba pelo menos que nem eu. E não quero saber. Tenho raiva de quem sabe e não nos diz, pois eu digo abertamente o que vejo asim, diante do meu nariz. Depois reclamam quando eu, pitonisa que involuntariamente – como sempre – que tenho sido, olimpicamente volte aqui para lembrar, sarcástico:

_”Eu não disse? Eu não disse? Eu não disse?”

Spírito Santo

Dezembro 2013

Cadeia de memórias reparadas é um tenso fio


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Paulo Gomes Neto e Eu, amigos de cadeia, amigos para sempre. Ao fundo, entre nós, o  secretario de Direitos Humanos Antonio Carlos Biscaia, grande batalhador da reparação e do reconhecimento do valor de nossas lutas modestas, agora sim cobertas com alguma glória.

E eu, arquivo vivo vou queimando aos poucos

 …”Quinze minutos depois do avião da Cruzeiro do Sul levantar vôo do Rio de Janeiro com destino a São Paulo, no dia primeiro de julho de 1970, quatro jovens deixaram seus lugares e se dirigiram à cabina de comando. Lá foram breves: era um sequestro. Armados, eles obrigaram o piloto a voltar para o aeroporto do Galeão…

Quem sabe deste incidente aventureiro? É filme? É teatro? Não, foi fato. Foi sim. É que memórias são fios que se desfiam de um rolo para se embaralharem irremediavelmente, até não serem jamais meada nem medida, até não poderem mais ser enrolados em rolo algum.

A Reparação do irreparável Continuar lendo

O Dia do Samba do Titio – Comunicação para II Congresso Nacional do Samba


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Mestre Jorjão organiza o movimento e orienta o Carnaval

Mestre Jorjão organiza o movimento e orienta o Carnaval

Nada como um dia do Samba após o outro

O II Congresso Nacional do Samba começou com uma solenidade de abertura na Câmara Municipal do Rio de Janeiro com uma bela e candente presença de representantes de todas as Escolas de Samba (com suas velhas guardas), com um emocionante desfile de bandeiras e seguiu com um seminário acadêmico de alto nível no Museu da República nos dias 01 e 02/12, com a presença de jovens doutorandos e mestrandos de antropologia e história, basicamente, com trabalhos e teses voltadas para o tema Samba.

Titio apresentou e introduziu com um trabalho a mesa “A diversidade do Samba e o Patrimônio Imaterial” cujo texto compartilho aqui antes mesmo de constar dos ‘anais” do Congresso e a ser publicado pela UniRio em breve.

O II Congresso Nacional do Samba, promovido pela UNIRIO foi idealizado e brilhantemente coordenado pelo super gente boa Dr. Jair Alves de Miranda e reeditou, com os toques óbvios de modernidade, o I Congresso idealizado e coordenado, não menos brilhantemente por Edison Carneiro em 1962, exatamente 50 anos atrás. Até os locais (a Câmara e o Museu) foram os mesmos.

A presença de Dona Dodô, histórica porta bandeira da Portela, nascida em Barra do Piraí, descendente de gente que foi escrava nas fazendas de Café e de Dona Marie Louise Nery, histórica figurinista e carnavalesca suíça, dá bem a medida do peso histórico do evento: As duas nasceram na década de 1920, exatamente quando o Samba também nasceu.

O Titio não cabia em si de orgulhoso e contente ontem, ao final dos trabalhos com uma feijoada e roda de samba na Pedra do Sal de tantas histórias.

Já voltei à baixar a minha bola e ficou apenas uma felicidade bem tranquila e honrosa de ter tido esta oportunidade inédita.

II Congresso Nacional do Samba

A Diversidade do Samba e o Patrimônio Imaterial

Rio de Janeiro 01 de Dezembro de 2012
Por Spírito Santo

1- A Diversidade do Samba.

Diversidade é um conceito caro ao Samba. Na verdade é um conceito quase que definidor de Samba, pois o gênero ao que parece – e me refiro aqui, especialmente ao seu aspecto musicológico – é, fundamentalmente uma espécie de estuário para onde desaguaram diversos outros subgêneros, oriundos de diversas origens (ou ‘raízes’ como se dizia tempos atrás), notadamente a indefectível África Colonial, em sua vocação para exportar aos milhões e à força, gente negra aqui para as nossas Américas, também coloniais.

Aliás, pode parecer uma redundância para nós brasileiros – principalmente os sambistas – mas se existe algo que possa definir em justa medida o que significa Samba, esta coisa é a África, esse mistério escuro tão mal assombrado e, ao mesmo tempo tão bem encantado para a cultura do Brasil, desde os primeiros tempos de nossa colonização.

O Samba, esse elemento tão diverso e múltiplo de nossa cultura, de nossos modos de ser, com efeito, é uma África enrustida, omitida em nós, nesta nossa já tão fracassada mania de negar a escravidão e, no ensejo desta negação envergonhada do sistema de trabalho abjeto que nos caracterizava, tentar negar também as pessoas, os ex-escravos e seus descendentes, além de, por tabela, recalcados que ficamos, tentar esconder nos ralos de alguma sarjeta, tudo que eles – que afinal somos nós mesmos – pensam, fazem, cantam e dançam, tudo do bom e do melhor que temos em nossa alma lançado assim no abismo esquizofrênico do ‘não ser‘.

A Diversidade do Samba, é pois, também um evidente artifício de sobrevivência daquela cultura brasileira mais vilipendiada (e por isto mesmo mais profunda) esta que vai se esvaindo, escorrendo, se espraiando clandestina pelas frestas de nossa sociedade, apesar de tudo.

O Samba é a cultura do Brasil que foi expulsa para as periferias por ser negro africana mas que, vazando pelas beiradas e engolfando tudo, acabou por se tornar um dos símbolos nacionais mais característicos de nossa personalidade, que almeja uma alma branca e não consegue nunca se desmascarar.

Mas isto não é meramente uma afirmação ufanista. Não é tampouco um fenômeno raro, este sentido ecumênico do Samba, ao qual me refiro com bem sabidas intenções.

Só de passagem, posso afirmar que ocorreu o mesmo fenômeno no Caribe, notadamente em Cuba onde a Salsa desempenha este mesmo papel de portal de manifestações musicais oriundas da África escravista. Esse amálgama de gêneros africanos, de várias origens também ocorreu nos EUA, onde o que conhecemos hoje, genericamente como Funk (bem entendido o conceito norte americano de Funk) é o caldeirão onde coube quase tudo que havia de música negra por ali.

É que esse fenômeno, típico da cultura africana no continente desde sempre, se tornou típico aqui na Diáspora também. É a música aplicada aos modos ancestrais de ser e de viver de muitas sociedades africanas, a música demarcando todo o transcorrer do tempo da vida das pessoas, do nascimento à morte, a musica socializada, utilitária, enfim.

O Samba – bem como os seus gêneros irmãos nas Américas – é por isto mesmo diverso, quase tanto quanto somos diversos todos nós, por estas simples, naturais e prosaicas razões. É por isto que ele não cabe e nunca caberá em redomas nacionalistas, puristas, preservacionistas, porque se refere a um conceito de nação, de ethos, de cosmogonia muito mais abrangente, muito mais amplo e dinâmico do que estes cercadinhos pacificados em que muitos o querem isolar.

Qualquer boa antropologia, historiologia ou etnologia que se preze vai flagrar esta caraterística, esta tendência para a diversidade e o dinamismo que é típico das culturas africanas em geral, particularmente, no caso do Samba estas da área do antigo Congo e da Angola atual, as culturas bakongo, kimbundo, ovimbundo, basicamente, que formaram as linhas musicais mais estruturais do gênero.

Neste sentido, apesar de ingênuas aos olhos de hoje em dia, as recomendações, de Edison Carneiro na Carta do I Congresso Nacional do Samba em 1962, são, além de pioneiras, emblemáticas.

É que há nelas, além de um vanguardismo inconveniente, típico da época, um sentimento inconfessado de incapacidade para entender certos aspectos cruciais do processo de urbanização de uma manifestação cultural antes suburbana e periférica, rumo ao universo caótico e inexorável da espetacularização – incapacidade esta, aliás que foi, sem dúvida, uma das grandes motivações para a instalação daquele I Congresso.

No ensejo dessa incompreensão assustada, desse aturdimento ainda hoje presente na antropologia brasileira mais acadêmica ou institucional, fica evidente a tentativa de domar o desembestado avanço do que se convencionou chamar de Escola de Samba, rumo ao formato de uma manifestação cultural de massa, regida a partir daí por rígidas – e muitas vezes ilícitas e imorais – leis do mercado capitalista, além de injunções turístico mercadológicas mais comezinhas, incapazes de ser controladas por meros decretos, memorandos ou estatutos.

(E aqui, num parêntese quase questão de ordem, vamos combinar que Samba e Escola de Samba são coisas completamente distintas, que precisam ser analisadas separadamente. Não é por outro motivo que venho ressaltando desde lá de cima, que me atenho aqui, em especial ao aspecto musical do gênero.)

Chamo a atenção de todos para este fator crucial porque é significativo no contexto da Carta de 1962 (leia a íntegra da carta aqui neste link)– e até hoje, na verdade – a confusão enorme que se faz entre estas duas entidades tão particulares)

É bom observarmos aqui também, de uma vez por todas que, dos muitos entraves interpostos na trajetória do Samba, no curso de uma mera manifestação de escravos africanos para o status de símbolo nacional incontestável, o purismo e o nacionalismo exacerbados, marcados por uma virulenta e despropositada dose de xenofobia, talvez tenham sido os aspectos mais negativos.

Esta tendência masoquista nunca foi tão acentuada quanto na década de 1960 – não por acaso a época da instalação do I Congresso do Samba – e até mesmo em boa parte da década de 1970.

Ingenuamente nacionalista, esta onda contribuiu de forma decisiva para uma certa sensação de finitude próxima, de decadência irreversível para o gênero, simbolizada pela máxima muito popular na época que afirmava – como numa lição de auto ajuda – que “O samba agoniza, mas não morre”.

É que, submetido à obrigação de ser a palmatória do mundo na cultura brasileira, o baluarte sacrossanto da pureza e da autenticidade ancestrais, por injunções e campanhas promovidas por certa corrente supostamente progressista, formada por críticos e jornalistas (além da adesão, como já disse ingênua de militantes do próprio mundo do Samba) o gênero passou a ocupar na época, equivocadamente o escaninho do folclorismo mais primitivista e arcaico.

Um clássico samba de Candeia desta época é emblemático acerca desse impressionante descaminho político dos sambistas, que caíram no que podia ser uma armadilha do ponto de vista do mercado de música popular, em franca expansão naquele mesmo momento. Candeia cantava então:

Eu não sou africano

nem norte americano

ao som de viola e pandeiro

sou mais o samba brasileiro”

Isto, sintomaticamente numa época em que o mercado fonográfico internacional entrava na sua melhor fase. Tempo em que tendências ‘modernistas’ de nossa música popular mais pequeno burguesa, propunham a criação de um “Novo Samba”, a ‘modernização‘ do gênero, por assim dizer, no que ficou conhecido como “Bossa Nova‘ (na verdade, intencionalmente um ‘Samba Branco’, sem o tutano da negritude).

O trecho a seguir, pinçado de uma fala de Tom Jobim na época, dá bem a medida do contexto em que o surdo e invisível conflito entre o ‘Samba Branco’ e o ‘Samba Negro’ se dava:

_” O autêntico Samba negro é muito primitivo…. Já a Bossa Nova é calma e contida. Ela conta uma história, tentando ser simples, séria e lírica… queremos torná-la (a música do Samba) tranquila para que ela possa entrar nos estúdios de gravação….Pode-se dizer que a Bossa Nova é o Samba limpo, depurado…”

(Tom Jobim, citado em “Do Samba ao Funk do Jorjão” de Spirito Santo, com grifos deste autor)

Vã arrogância e petulância branca, esta modernização auto atribuída era, totalmente falsa, pois, já havia sido praticada com muito brilhantismo, aliás, há mais de 40 anos atrás pelos bons crioulos Donga e Pixinguinha com os seus célebres “8 Batutas“.

Pois é. O Samba extrapolaria assim esses preconceitos todos. Nele caberia tudo que veio da África para as Américas – e sempre caberá – Tudo que for afim à remota origem africana de nós todos, entrará nesta dança do Samba, Nem adianta negacear.

Os mais atentos e menos puristas vão encontrar esses gêneros musicais das Américas negras todos juntos ou separados, isolados ou misturados, na história do Samba do Brasil, desde os seus mais remotos primórdios.

Esse fato incontestável está gravado lá, no Jazz amaxixado dos Oito Batutas dos anos 20, como já disse. Está no Samba-Swing das gafieiras dos anos 30 e 40, nos ‘breaks‘ solistas das big bands de Fox Blues dos tempos do pós Guerra, que inspiraram talvez, a paradinha do Mestre André, na histórica bateria de 28 integrantes da GRES Mocidade Independente de Padre Miguel dos idos anos 60.

O fato é que isto está até mesmo na paradinha francamente Funk do Mestre Jorjão, discípulo de Mestre André nos nossos ainda puristas e furibundos tempos atuais.

E isto ainda sem citar as inúmeras – embora limitadas – influências outras, notadamente a sempre escondida presença lusitana dos primeiros anos do século 20 aqui no Rio de Janeiro – as lapinhas, os pastoris e os ranchos – influencia que marca, indelevelmente – pude eu mesmo comprovar na pesquisa que fiz para o meu livro – a estrutura do desfile de todas as escolas de samba, notadamente certa mui cachopa escola matriz, fincada ali no pé do afamado Morro da Mangueira.

Mas há também a forte, herética – e mais enrustida ainda – indelével marca da música negra dos EUA, insinuada nas escalas das melodias elegantes do nosso, pradoxalmente chamado “Samba de Raiz”.

É por estas e outras que o Samba tem sim esta vocação inegável para a diversidade – impossível não admitir – tanto que muitas de suas marcas de nascença, inclusive estas citadas acima, consideradas injustamente bastardas, tratadas quase que como cicatrizes, estão lá até hoje camufladas, censuradas pela ala mais nacionalista – ou purista – dos cronistas e adeptos fanáticos, por conta de certo pudor deles, que os faz omitir influências supostamente ‘impuras‘, para ressaltar aspectos não menos supostamente ‘puros‘, de uma herança africana que é avassaladora sim, mas não da forma simplista como ainda hoje é vista por eles e por aí.

Convenhamos então que o Samba é diverso porque é um amálgama de culturas semelhantes, parentes, conterrâneas, porém muito diversas também e originais entre si. Mas consideremos, sobretudo que interfere poderosamente nesta nossa análise sobre a diversidade no Samba, um aspecto sociológico determinante qual seja: o Samba é diverso também por ser cultura de gente excluída, afastada dos centros de poder.

Assim, o Samba é negro africano – e não há mito ou ‘mistério’ escapista que possa negar isto – mas o é, muito mais porque os africanos que para cá vieram, foram mantidos apartados do resto da sociedade por muito tempo, por conta da escravidão e, posteriormente pelo racismo renitente que se mantém ativo ainda entre nós até hoje.

Em suma: O Samba é diverso e disperso porque nasceu, cresceu e viveu à parte. Não houvesse escravidão e racismo, não haveria Samba.

O Samba é portanto uma entidade cultural complexa, porque as coisas que estão no nosso mundo brasileiro – estas que precisamos aprender – ainda o são.

2- O Patrimônio Imaterial e o Samba

Não é fácil se falar, mesmo de um ponto de vista exclusivamente musicológico o que o Samba, efetivamente ‘É’. E isto não se dá, absolutamente porque assim determinaram os ‘anti essencialistas’ daquela certa antropologia que questiona, de forma mecanicista a meu ver, a possibilidade dos fatos e manifestações culturais guardarem ‘essências’, caraterísticas que as definem, diferenciando-as umas das outras.

O que se pode deduzir desta particularidade do Samba a que chamei ‘ecumênica’, é que talvez ela seja resultado do fato de SAMBA ter sido uma palavra surgida ali por volta da primeira década do século 20 com uma força midiática tão poderosa, que acabou adquirindo o sentido genérico de ‘música – e dança – de pretos’ no Brasil. Música de pretos urbanos por excelência, diga-se, no âmbito efervescente das ruas de nossas maiores cidades onde a população escrava e ex escrava proliferava como praga e bonança.

Aliás, faz bem lembrar que ao longo de sua história, o título ‘Samba‘ como se sabe, abrigou e nomeou como uma franchising ‘coração de mãe, inúmeros gêneros musicais pelo Brasil a fora. Não teria sido por outra razão que o nosso esperto e articuladíssimo Donga batizou o seu maxixe de ‘Samba”.

A força estranha desse fenômeno do poder midiático da palavra “Samba“‘, contudo, de natureza semântica muito complexa, grosso modo pode nos ajudar a compreender como a expressão passou a servir em nossas grandes cidades, como uma espécie de marca símbolo, grife de uma espécie de enciclopédia oral, musical, visual, constituída por uma série de gêneros de música e dança oriundos, a princípio da África colonial para as nossas grandes cidades (principalmente a Corte do Rio de Janeiro e Salvador, na Bahia).

Esses gêneros continuaram a se transformar aqui, por meio de constantes amalgamentos e desmembramentos, sempre sem perder um fio condutor estilístico determinante, uma etnológica relação com o passado original, tradicional, seu ethos africano enfim.

Esta ‘lógica tradicional’, ao mesmo tempo primitiva e moderna, de uma lógica quase quântica (que os músicos, pelo menos intuitivamente, entendem muito bem, mas que parece difícil de ser compreendida por nossa antropologia mais convencional) é, como pudemos constatar felizmente, uma ferramenta sensacional para se entender o estrito sentido do conceito Patrimônio Cultural Imaterial, pelo menos neste âmbito específico da cultura negra do nosso país.

É que o Samba tem uma vocação irresistível para ser o mapa desta mina de culturas tão formidáveis em sua perenidade.

Há, com efeito na formação do Samba um rol fantástico de gêneros de música e dança da África -Angola principalmente – que ficaram aqui preservados, imiscuídos que estão nesta espécie de portal cultural.

Uns gêneros ficaram preservados nos passos de dança, outros na polirritmia dos repiniques e tamborins, outros mais no timbre opositivo de dois surdos, outros ainda na forma musical “estrofe refrão” ou mesmo, nos modos melódicos das escalas das canções.

Em outro caminho, mais para o interior do país, ainda hoje se pode identificar ritmos angolanos ancestrais – que em Angola já nem existem mais – que tanto se infiltraram na rítmica do Samba por meio da migração de gente de Minas Gerais para as favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, quanto se mantiveram por lá mesmo, como espinha dorsal de manifestações pujantes como as Congadas, os Catupés e os Moçambiques.

É possível, portanto enxergar claramente, numa pesquisa retrospectiva, como num flash back emocional, o momento exato em que, por exemplo, o Jongo seminal das fazendas de café do Vale do Paraíba do Sul do século 19, vem para a Corte Imperial com as jongueiras ‘makotas‘ e os carregadores de sacos de café da ‘Resistência” do cais do porto, imigrados para Madureira, para daí fundar o Partido Alto que, por sua vez participa, decisivamente da fundação do Samba chamado já nesta época de ‘Samba de fato‘.

A expressão ‘Samba de Fato’, aliás, muito provavelmente como nos revelou Clementina de Jesus certa ocasião, servia entre outros fins para diferenciar este, o Samba que vingou, do outro samba suposto da casa da Tia Ciata, aquele amaxixado e um tanto esnobe de Donga e outros tais, aquele que acabou sucumbindo ao seu contexto restrito à Praça Onze.

(Ressalte-se, fortemente aqui a sugestão para que se reveja logo esta história mal contada de que o Samba teria nascido na casa da Tia Ciata, um mito clássico e arraigado, criado talvez por cronistas burgueses do Café Nice, cada vez mais carecendo de pé e cabeça.)

Do mesmo modo é no âmbito desta enciclopédia oral em que o Samba acabou se configurando, que nos foi possível quase flagrar o instante exato em que, recém-chegadas de Salvador com os baianos remediados da Praça Onze – aí sim, de Tia Ciata e Hilário Jovino e seus lusitanos Ranchos e Pastoris – a hora agá enfim em que foram introduzidas no Samba, as rígidas células rítmicas da música ritual dos yoruba jeje e seu candomblé, notadamente nos toques de repiniques, agogôs e tamborins.

Todas estas constatações acerca da existência desta dinâmica tão natural e eficiente observada no processo evolutivo do Samba, mesmo com as suas idas e vindas, seus trancos e barrancos, podem sugerir fortemente a necessidade de se reavaliar, com mais rigor, a pertinência desses expedientes de inventariamento e/ou tombamento de bens culturais imateriais, atualmente postos em vigor por parte do Estado brasileiro, por conta de uma resolução da Unesco.

Estas reavaliações deveriam enfocar, no nosso leigo entender, principalmente aqueles aspectos ligados ao teor algo paternalista destas ações oficiais em suas mal disfarçadas intenções de preservar o que pouco se conhece ainda, por meio de subsídios, na via da renúncia fiscal, diretamente fornecidos a manifestantes (ou seus intermediários) manifestantes estes – tratados infantilmente de ‘brincantes‘ no jargão institucional – que são carentes de tudo, trabalho, educação, moradia, menos de instruções e normas sobre como gerir e tocar a sua própria cultura.

Consideremos finalmente que, a exemplo do que ocorreu ao tempo da primeira Carta do Samba, nenhum intervencionismo estatal é desejável no andar da carruagem do nosso Samba, que precisa permanecer livre de amarras como sempre soube estar.

É como andam as carruagens das culturas humanas todas, livres, autônomas, mudando assim ou assado, para rumos imprevisíveis, por sua própria conta e risco, para onde não existe mal nem bem, certo ou errado, apenas a vida humana seguindo o seu transcurso material ou simbólico, seja lá o que for que algum Deus desses aí quiser.

O certo é que, quer queira ou não queira a mais vã das nossas antropologias, filosofias ou ideologias, o Samba tal qual conhecemos hoje – e que não está de modo algum agonizante vamos combinar- sobreviverá enquanto perdurarem as condições sociais que o geraram.

É que o Samba não é só isto que se vê. É um pouco mais.

Muito obrigado

Spirito Santo

Dezembro 2012