Um Rio mexicano vem aí!

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Fuzil

Da série “Eu não disse, Eu não disse, Eu não disse”:

O Capitalismo é selvagem. Quem não sabe?

Quem nos lê também já sabe: A gentrificação da Cidade do Rio de Janeiro, a expulsão da população mais pobre, grande maioria, para guetos distantes do centro e da zona sul faz parte do processo de transformação da gestão pública num grande negócio terceirizado, tocado por mega empresas.

É a Cidade Empresa de Eduardo Paes, o esmurrador de contribuintes e Sergio Cabral, o…o…deixa pra lá que hoje não posso me aborrecer.

A ponta mais cruel deste processo por si só execrável, desumano, é a chamada “pacificação” de comunidades, bem entendido daquelas que estão no caminho da gentrificação e que não podem ser, simplesmente removidas num golpe de trator só.

Violento, o processo de “pacificação” consiste na ocupação destas comunidades por forças armadas do exército ou da polícia, com a respectiva expulsão (sem um tiro sequer) das gangs de traficantes que haviam se aquartelado nestes bairros por anos a fio e montado paióis de drogas, próximos aos consumidores de classe média, passando a vigorar nestas comunidades com esta ocupação militar (pelo menos em tese) uma espécie de ditadura militar que costumo chamar de ‘seletiva’, pois só vigora assim, em seus modos nazipopulistas, nestas áreas.

A segunda parte, a mais fria e calculista desta gentrificação é a chamada “remoção branca“, caracterizada por um surto agudo de especulação imobiliária nas áreas faveladas das zonas Norte e Sul, vizinhas aos pontos naturais e turísticos mais exuberantes da cidade, o que faz com que rapidamente ocorra a substituição da população pobre que ocupava os morros  da região, por gente branca e bem nascida, das classes médias e altas, inclusive até gente estrangeira, que sai comprando magotes  de barracos de uma só vez, para instalar hostels, restaurantes e mansões com vista panorâmica, verdadeiras vilas gregas, se bem me entendem.

Os resultados óbvios deste processo cruel é a explosão da periferia, para onde são transferidas todas as mazelas da cidade, as antigas e as novas, como, por exemplo, a concentração de imigrantes nordestinos que, impedidos de se deslocar, como faziam antes para as favelas da zona Sul, passam a se dirigir em massa para a zona oeste

Não é de modo algum fortuito este deslocamento de ‘bóias quentes’ para o Rio. As grandes concentrações de imigrantes do nordeste ocorriam nos morros do Vidigal e da Rocinha, mas logo que surgiu a gigantesca favela dos Rios das Pedras (berço das milícias da Zona Oeste) que milicianos estimulam a transferência de mais e mais gente do nordeste para cá (fretam até frotas de ônibus) afim de explorá-las com o tráfico de serviços básicos como gaz, luz, correios e moradia, além da cobrança de taxas de ‘segurança‘ ao comercio local.

Uma babel de mazelas sociais prestes a explodir.

A mazela mais visível desta gentrificção desalmada é, portanto a favelização galopante desta periferia, para onde o tráfico de drogas, forte componente da economia invisível que mantinha as pessoas das outras comunidades vivas, está se transferindo agora para entornar o caldo de vez.

O que o meu bairro da Praça Seca vive hoje é o reflexo do que acabo de narrar – na verdade cansado de repetir: A reestruturação do tráfico de drogas como atividade econômica principal da periferia mas próxima das áreas nobres da cidade está em pleno curso, prometendo um novo estágio da violência urbana que pode, com a concentração deste melê de bandidos, milicianos e policiais corruptos em tão vasta região, se transformar num México sangrento sem eira nem beira.

No momento o que existe é mesmo o que a matéria da Globo enfim descreve (e o Titio já fala disto há um tempão) mas isto é apenas a casca do problema (o mapa da Globo inclusive está errado),mas sim, o Comando Vermelho e a A.D.A. (facção de traficantes associada à polícia) acabam de atacar – e ocupar – o alto dos morros São José Operário, Bateu Mouche, Chacrinha e Covanca e disputam o território com as milícias locais que, tradicionalmente haviam se instalado e dominado, não só o local como dominam TODA a zona Oeste da cidade.

No caso da Praça Seca um componente recorrente do problema (embora omitido à sete chaves pela imprensa e pelas nossas pífias autoridades) é claramente exposto em meio à guerra, com os moradores já falando abertamente: A polícia como antes na zonas sul e norte,  participa do processo se omitindo e reforçando com sua omissão o poder de quem pagar mais.

No momento as milícias da área da Praça Seca expulsas, descapitalizadas, perdem terreno pois os traficantes (aliás, muito melhor armados) são os que pagam mais para, segundo os moradores, a polícia fingir que policia. Contam também estes moradores que os traficantes, sempre mancomunados com a polícia, planejam fazer do local um novo Complexo do Alemão.

É muito provável porque, como todos sabem, o principal elemento desta equação sangrenta, a Tráfico de Drogas, não foi alterado ou afetado em um milímetro. Claro! Droga é dinheiro e dinheiro que circula pelas veias da economia do Rio de Janeiro. O dinheiro das drogas também é da conta dos negócios da Cidade Empresa, porque não?.

Bem…Avisar a gente avisa, né?

Este é o plano, fruto dos desígnios diabólicos de nossos governantes. Quando xingados, eles costumam esbravejar e a reagir a socos. Pois bem, se arriscam agora a serem apedrejados, ou coisa pior. Queria mesmo é vê-los encarando os sequestros e as bombas dos atentados terroristas que os grandes cartéis de drogas (que eles estão gestando por aqui) quando incomodados, podem vir a promover.

Quem assiste como eu, acossado em meu apartamento o som ensurdecedor das desenvoltas guerras diárias por aqui, sabe que a situação está muito perto de sair do controle.

Quero fugir daqui! Quero minha mãe!

Spirito Santo

Junho 2013

http://extra.globo.com/casos-de-policia/milicia-trafico-disputam-favelas-em-jacarepagua-na-zona-oeste-do-rio-8105419.html

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/05/disputa-em-comunidades-do-rio-aterroriza-moradores-na-zona-oeste.html

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~ por Spirito Santo em 09/06/2013.

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