A Roça de Teresa – Roteiro para Etno-doc/Docudrama

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escravos com brancos no meio esclavage-bresil-11-corte 12

Em corte de foto de Marc Ferrez de 1885, escrrrrrava adolescente olha para câmera com ar de insolência. Para mim, esta é Teresa

A Roça de Teresa filmada

O eixo condutor da narrativa (leia também: A Roça de Teresa revisitada.) seria uma grande fogueira cujo processo de construção no pátio central de uma antiga fazenda de café seria todo filmado. As cenas iniciais do filme, créditos, etc. poderiam rolar durante a construção coletiva desta fogueira, entendida aqui quase como um personagem (a memória) que, acesa e se consumindo servirá de cenário para as cenas cruciais da história.

Assim, a partir deste elemento deflagrador, o etnodoc. estaria estruturado em dois planos narrativos a saber:

A- Plano passado recente – Os bastidores do registro da fita de 1973 com entrevistas sobre aspectos críticos acerca da carência de registros na época – e ainda hoje – sobre cultura popular e a importância dos registros de história oral e outros assuntos correlatos.

B- Plano passado remoto – Aspectos documentais reconstituidos com ênfase historiológica baseados nos eventos narrados por Teresa. Entrevistas (ilustradas pela audição da fita), com os anciãos do local, extrairiam a narrativa de eventos similares ocorridos na história oral da região.

Sequência 01
Bastidores do registro e da história: A Fita K7

Fazenda antiga no Vale do Paraíba do Sul/ Morro da Serrinha, Madureira, RJ

Exterior Dia/ Noite

Cena: Gravador K7 em close com fita girando. Caixa de fita K7 ao lado, papel com anotações, fotos antigas. Imagens atuais (filmadas) diversas na área rural do Vale do Paraíba junto com flagrantes urbanos do Rio de Janeiro, numa comunidade carente qualquer, de preferência o Morro da Serrinha em Madureira.

Registro da audição da fita marca entrevista com um pequeno grupo de idosos do Vale do Paraíba e por, pelo menos dois dos participantes da entrevista original de Teresa em 1973, também negros e já idosos hoje.

As entrevistas dos dois grupos de idosos podem ser em momentos e/ou locais diferentes. O contraponto entre as épocas (a da entrevista e a do depoimento de Teresa), além das memórias dos idosos locais e entre os dois grupos de ouvintes, daria bons elementos para quebrar o ranço de uma abordagem muito didática e folclorista.

O tema da conversa dos idosos “urbanos” girará em torno dos bastidores e do contexto da entrevista e da cultura negra na época (década de 1970).

Música: Ao fundo, como trilha, o som ambiente da entrevista, tratado – musica pop dos anos 70, Michael Jackson, por exemplo.

O tema das entrevistas com os idosos do Vale do Paraíba, giraria em torno de eventos ocorridos no local que sejam similares aos descritos por Teresa, ou seja, ocorridos no tempo do cativeiro.

Como cenário preferencial, no caso das cenas rurais, a fogueira memorável e o ambiente da fazenda das locações, seus recantos, recônditos das senzalas, de preferência com os depoentes andando ou presentes no cenário, em diversas situações, inclusive ao lado da fogueira. Cenas destas entrevistas, a cargo da direção podem ser distribuídas durante o filme, pontuando cenas.

Sequência 02
Magia e paranormalidade

Fazenda antiga no Vale do Paraíba do Sul
Interior ou Exterior/Noite

Inserts: Imagens de época – fotos, gravuras – de manifestações místicas africanas ou afro brasileiras adequadas ao contexto cultural da região. Cenas, imagens de xamãs, ngangas africanos, pais de santo, pretos velhos.)

Cena: (Exemplo de enxerto de entrevista anterior) Plantação de bananeiras. Anciãos do local andando pelo bananal descrevem cenas paranormais emblemáticas ocorridas em rodas de jongo ou outras manifestações culturais locais, com ênfase em histórias de jongo envolvendo bananeiras míticas)

Narrativa em off, TERESA:..”Queria dizer que naquele tempo eles sabia fazer o que agora num vejo ninguém fazer. Faziam! Se você estava com dor de cabeça ou uma dor de barriga, eles passavam a mão assim na tua cabeça e a dor de cabeça ia embora, passavam a mão assim na tua barriga e dor de barriga ia embora. Agora não. Agora eles não faz nada. Eles não sabem é nada. Eu não…Naquele tempo era bom.

Eu não. Não sabia (curar). Só o Jongo. Num podia nada. E, depois…naquele tempo não podia aprender mais nada porque o Sr. num deixava. “

…Nós carregava os filhos deles. Ah!.. Deus me livre se agora fosse como naquele tempo! Nossa Senhora! Se agora fosse como naquele tempo…

Sequência 03
O Jongo seminal de 1874

Fazenda antiga no Vale do Paraíba do Sul
Exterior/Fim de tarde-Noite

Cena: Do bananal câmera abre para aspectos da fazenda antiga, cenas do local entrecortadas pela preparação de uma roda de jongo que ocorrerá em torno da fogueira que está sendo acesa.

Cena: Num alpendre da fazenda grupo de homens e mulheres, todos brancos e bem vestidos conversam animadamente, bebericando e comendo bolo e outros acepipes, olhando com excitação e curiosidade os preparativos do jongo. Entre eles, por detalhes do vestuário, um se destaca como dono da fazenda

Narrativa em off, TERESA: “O Jongo é dos africanos. É do meu avô…Meu avô era do cativeiro. Chamava Antônio Munhambano, africano. Eu sou de Paraíba do Sul. Ele primeiro era do Dr. Avellar. Ele era escravo do Dr. Avellar, num sabe? Ele era escravo do Visconde e do Visconde ele foi para o Dr. Avellar. O Visconde era o pai do Dr. Avellar. Não sei Visconde de quê. Só sei que é visconde, seu conde…naquele tempo, num é ? Foi lá em Paraíba do Sul, na fazenda de Avellar, num sabe?

Meu avô era africano. Foi achado. A parte da África eu não lembro. Só sei que ele era africano. Era ‘munhambano’. Era de Munhambá (sic) e quem trouxe ele pra aqui foi o português, né? Foi quem trouxe ele. O meu avô.

Ele tinha raiva de português porque trouxeram ele pra aqui. Diz que abanavam lenço encarnado e eles vinham chegando. Eles não sabiam naquele tempo quem eram e aí, trouxeram ele….

O Jongo representa pra mim a mesma coisa que é: Negócio da gente africana. O Jongo era festa dos cativos. Era Caxambu, viola…Tinha viola. Meu pai era tocador de viola. Antônio Bento da Silva. Tocava viola…e meu avô, tocava urucungo…

(Nota de direção de arte: Todas as cenas, principalmente aquelas referentes à citações do Jongo dançado, seriam realizadas com os escravos caracterizados com roupas de época, NÃO festivas e um pouco surradas. De algum modo seria importante deixar claro nas cenas de dança que as rodas de jongo eram compulsórias, obrigatórias para alegrar as visitas do senhor.

Vamos reconstituir a formação instrumental – musical – citada por Teresa afim de quebrar os chavões que se criaram sobre o Jongo. Podemos também refazer a coreografia original do Jongo real, da época de Teresa)

Narrativa em off, TERESA: “Olha…se você não queria dançar, você tinha que levar couro. Se não queria fazer qualquer coisa, tinha que apanhar. Tinha tronco. Tinha tronco de campanha, tinha tronco de botar nos pés, tinha tronco de botar no pescoço, tinha isso tudo.

“…Não…cantado mesmo…O Jongo era a festa dos pretos. Se era dos preto velho? Não. Era festa dos pretos. Pros brancos vê a gente dançar.

Era um terreiro grande, tocava o caxambu e os brancos vinham e a gente cantava pra eles vê a gente cantar e dançar. Era só pra eles vê. Que a gente era escravo, tava na fazenda. O que é que ia fazer? E se não dançasse, ó…!

Inserts: Flashs de instrumentos de tortura fundidos à cena de preparação do jongo.

Cena: Os dançarinos, todos adultos e a maioria velhos, vindos da senzala, se aproximam devagar e vão ocupando o pátio. Vestem as mesmas roupas surradas do trabalho, e não demonstram nenhuma alegria especial. Olham ressabiados, meio constrangidos, para os assistentes no alpendre. Tambores são posicionados à beira da fogueira começada.

Narrativa em off, TERESA: “..Era sábado e domingo. As vezes fazia na festa de São João. Foi meu avô quem trouxe o Jongo da África e botou na fazenda pra todo mundo.

Até hoje eu danço, canto o Jongo. Os instrumentos? O que eu sei era caxambu…É aquele de bater: caxambu. A viola era de tocar e o pandeiro acompanhava a viola e o meu avô tocava urucungo, sabe o que é não é ? Botava na barriga …O senhor não sabe o que é urucungo?!

Pois então!? É igual a berimbau. Só que naquele tempo não era berimbau. Era urucungo. Botava aqui, ó (mostra a barriga). Botava no umbigo a cuia e batia.

Eu achava o Jongo daquela época mais bonito. Agora eu faço o desse tempo mesmo. Deixa eu lembrar…Um bom…Jongo dele mesmo, do meu avô. Quando ficou forro e a gente cantava. ‘Carolina‘.

Música ao vivo (reconstituição de jongo cantado por Teresa na fita) será acrescida de acompanhamento e inserts musicais em estúdio.

Cena: Escravos dançam, a princípio pouco animados. Assistentes brancos, visitas do dono da fazenda, se excitam primeiro e seguem a dança com palmas frenéticas, mas sem jeito. Escravos vão sendo dominados pela dança e ficando eufóricos. Fogueira vai ficando alta, intensa. Sombras dos escravos emolduradas pela luz da fogueira. Ponto de vista da câmera em fade out, indica que ela está atrás de uma bananeira, cujas silhuetas das folhas, a medida que a cena ensandecida do jongo vai se afastando, se misturam com as silhuetas dos dançarinos.

Sequência 04
O contexto, o Trabalho

Fazenda antiga no Vale do Paraíba do Sul e imediações
Exterior/Dia

(Inserts: Imagens de época, filas de escravos, escravos no campo. Fazenda antiga com casa grande parcialmente em ruínas, aspectos do mato, os tijolos e telhas caídas.

Cena: Aspectos esparsos e misturados do cotidiano do Vale do Paraíba hoje e no passado reconstituído, situações normais de trabalho antes e depois. imagens de época de escravos no campo, em situações de trabalho similares as de hoje.

Narrativa em off, TERESA:…”Meu pai era capataz da fazenda. Meu avô criador de porco, mas era porco mesmo, num era esses porquinho de hoje não. A gente passava bem e passava mal. Mas morreu muita gente e, depois o Dr. Avellar era muito ruim! O pai dele num era ruim como ele não mas ele era. É brincadeira? Botar ‘bacalhau’? Não sabe o que é ‘bacalhau’?! Aqui na cidade tinha que ainda quando eu vim aqui pra cidade eu vi ‘bacalhau’, vi tronco aqui na cidade.

‘Bacalhau é aquilo que é como se diz?…Como aquilo que é couro, enroscado assim…Um relho! Mas não era chicote não. Chicote era trançado e não era trançado não. É. É o que fazia…Dr. Avellar. Ele era filho do Visconde….

Sequência 05
Antecedentes da Fuga

Fazenda antiga no Vale do Paraíba do Sul
Exterior/ Noite (ou Dia)

(Esta seria a situação crucial do filme. Dramatização, simulação da situação descrita por Teresa que, de forma discreta, pode ser as vezes apenas sugerida, em sombras e flagrantes fugazes com personagens.)

Cena: Com fogueira acesa ao fundo, jovem filho de sinhô esbofeteia pai de menina (Teresa) que tenta partir em defesa do pai, mas é impedida por parente. Pai, humilhado puxa facão que traz na cintura ou outro objeto perfurante qualquer que esteja à mão.

Narrativa em off, TERESA:”…Dava tapa na cara das criada, dos escravo. Olha!.. Eu tinha raiva de um tal de nome Lulu. Era filho do Dr. Avellar, de que meu pai era escravo.

Cena: Menina se desvencilha de parente e agride verbalmente o filho do sinhô até ser levada para longe. Escravos que seriam tios de Teresa retiram o pai dela da cena.

Narrativa em off, TERESA: “Eu não sei o que foi que meu pai fez, meu pai ia levar o… ele foi, veio de lá, e mandou um tapa na cara de meu pai. Aí meu pai ficou revoltoso. Ai meu tio disse assim: Vamo embora! E o meu pai, não sei se queria matar ele. Eu num sei. Foi embora. Pra roça. Aí eu tomei raiva dele. Aí ele falou: Ô crioula! Eu falei: Crioula é a sua mãe!

Que ocê deu um tapa na cara do meu pai agora! Se eu fosse meu pai eu te capava a barriga agora!

E ele: Ó sua negrinha! Negrinha, não. Não sou negrinha. Tava com 15 anos. Aí eu fui indo pra roça. Aí meu pai: Mas ocê veio pra roça? Falei: Vim que eu não quero mais ficar na fazenda. Que eles botava as crianças, as pequena, as negrinha, pra brincar com os filhos, pra carregar os filhos dela.”

Cena: Madrugada, quase amanhecendo. Em frente á senzala, pai de Teresa e dois dos tios arrumam trouxas com tralhas pessoais. Abrem a porta, se despedem de parentes.

Sequência 06
A Fuga

Fazenda antiga no Vale do Paraíba do Sul
Exterior/Dia

Cena: Manhã na fazenda com fogueira ainda ardendo em brasas remanescentes. Fumaça. Três escravos (sugere-se que sejam o pai de Teresa e os irmãos) com calças rasgadas e sujas correm em descampado rumo a um morro ou serra no horizonte. Câmera corre com eles cortando o mato em disparada.. Durante a fuga muitas outras situações dramáticas podem ser pensadas pela direção.

Narrativa em off, TERESA:”…Se fugia muita gente? Fugia! Fugia! Chamava Capitão do mato. Procurava eles. O que procurava eles era o Capitão do Mato.

Coitados! Vinha tudo amarrado, algemado assim, tudo algemado, heim!

Em Paraíba tinha tudo. Pra onde eles fugia? Era no mato virgem. Era mais na roça. Paraíba, Campo Verde, Boa Vista, Conceição, Santa Teresa. Eu fui criada na fazenda da Santa Teresa. Era do Visconde de Avellar. Ficavam lá no mato, coitados. As vezes eles vinham, roubavam um porco do senhor e iam comer no mato. Fazia fogo no mato pra comer.

Ficava. No mato eles ficava escondido. Quando pegavam eles…meu senhor! Como passavam mal, como eles passavam mal no bacalhau…Olhe! Deus soube o que fez. Deus soube o que fez, meu filho! Eu vi isso tudo, sabe? Esse tempo eu tinha meus 15, 16 anos.

(Inserts: Jornais de época com notas sobre lei do ventre livre e imagens de crianças escravas)

Narrativa em off, TERESA:“…Eu vi muita coisa, né? Eu era Ventre Livre, eles queriam me bater, eu disse não! Eu sou forra! Eu sou ventre livre, não sou escrava não! Escravo é minha mãe e meu pai! Queriam me bater? Não. Não me batem não!

“…Aí eu fugi. Eu fugi e fui encontrar com meu pai, aí meu pai era fugido…Que ele vinha fugindo do serviço, ora! Que vinha fugindo da roça!…Aí meu pai me disse: O que que ocê está fazendo aqui, minha filha?

Eu falei: Eles queriam me bater, eu fugi! Meu pai: Você não pode apanhar, porque você é forra, minha filha. Escravo sou eu, que sou seu pai! Agora você não vai mais pra lá!

Aí eu fui lá pela roça, com meu pai. Ia pra roça com meu pai e minha mãe. Deus faz a verdade, o que eu vi aquele pessoal passar aquele tempo. “

Cena: Escravos em fuga, junto com a câmera correndo pelo descampado até câmera parar e focar nos escravos correndo em direção ao morro até se perderem no horizonte

Música.A trilha será, basicamente Jongo extraído da fita de Teresa. Algumas inserções incidentais ou musicais serão colocadas em estúdio.

Sequência 07
O Munhambano

Fazenda antiga no Vale do Paraíba do Sul e imediações
Exterior/Dia

Cena: Tardezinha. Em frente da senzala, grupo de crianças escravas brinca e zomba de um velho senhor mulato de longos cabelos. Pegam no cabelo dele que se desvencilha. Correm dele que finge pegá-las, crianças correm rindo e fingindo dançar, sempre tentando pegar o cabelo do velho.

No pátio onde ocorreu o jongo escravos aparecem ao longe retornando, cansados do eito. Carregam trouxas, tralhas e ferramentas de trabalho. Vão se dirigindo às casinhas de cada um na senzala. Alguns se sentam no chão, ali mesmo, esgotados. Crianças e velho sempre brincando.

Narrativa em off, TERESA:“Tinha festa. Eles davam muita festa pros escravos. Muito. Eles davam S.João, Santo Antônio, tudo. Eles davam…Natal. Tudo eles davam festa. No Natal eles davam roupa…Os fazendeiros é que dava. Dava tudo. Graças á Deus! Dava tudo mas…era aquilo. Mas, era ali, ó!

Minha avó era lavadeira dos escravos. Meu avô era tratador de porco. Minha avó era Benta! Benta da Silva e meu avô também era Bento. Antônio Bento da Silva. Ela era Munhambana.

Ele também era. É. Todos dois eram Munhambanos. Ah…Eles num contaro como era de onde eles vinham não. Eles num contaro que a gente era criança naquele tempo…Meu avô num era preto não. Meu avô, o cabelo dele era aqui (mostra abaixo do ombro) Minha avó também. Meu pai era mulato mas casou com a minha mãe que era preta.

E as outras minhas irmãs eram tudo mulata. Eu e meu irmão saiu da cor da minha mãe. Mas, meu avô? Meu avô o cabelo dele parava aqui (mostra de novo o ponto). Nós penteava o cabelo:(imitando avô:)’Ara! Ara eu! Ara eu pega ocê!’ Tudo assim que ele falava. (imita de novo:) ‘Oça o tutra!” Sei lá, colher que ele pedia, a gente não sabia, se era uma coisa que ele pedia e a gente não sabia. (imita de novo:) ‘ Mim dá essa coisa aí o ningrinha!’: Nós pidia a ele.

Aí ele sabia o que era. Meu avô Antônio. Ele não era preto. Era mulato. Se era mulato de cabelo liso? Era mulato de cabelo liso. É. Veio da África. Meu avô, minha avó contava, porque na fazenda tinha muita gente africana, tinha…Angola, isso…D’Angola… isso tudo tinha.

(Inserts: Mapa da África em busca ansiosa, passa por cidades de Angola, até focar a área de Inhambane, em Moçambique. Fecha série de inserts com imagens de indígenas moçambicanos, mulatos com biotipo do Inhambane.)

Narração em off: Idosos urbanos comentam em off, durante inserts, a desconfiança dos entrevistadores sobre a origem africana do avô de Teresa

Narrativa em off, TERESA:“..Os português trazia ele pra aí. Tudo era assim.(Se irritando com a desconfiança dos entrevistadores reticentes com a descrição do avô): Meu avô era africano! Meu avô, minha avó, era tudo africano….(de novo irritada com a insistência da pergunta sobre o estranho biotipo de seu avô): É. Africano. Gente africano. Pois ele era africano! Munhambano é África!

É África. meu avô era africano! Quantas vezes quer que eu falo? (mais irritada ainda): Não! É África! Lugar na África (se acalmando:)… Aqui não tem Madureira? É como assim. É África. É mesmo que lugar da África. Aqui não tem cidade? Num tem Paraíba do Sul? Então? É como a África. É assim.

Aquele tempo…A gente morria de medo de fazer filho.

De que jeito que a gente vivia? O filho lá….Um dia chegava, tirava o filho da gente pra vender. Hum! Minha mãe num foi vendida? Minha mãe num era daqui. Minha mãe era lá da Bahia. Foi. Vendero aí pra um vendedor aí, ó! Meu avô num foi vendido? Meu avô era africano e foi vendido. Então? Foi vendido, num é? Foi o Visconde! Minha avó foi vendida. Isso tudo foi vendido. Agora vai vender quem é?

…Vão vender quem é? Vai vender ocê?…(Solta uma gargalhada) Vão vender quem é?”

Música final

(Fogueira totalmente consumida, mas com brasas dormidas ainda soltando fumaça por força do vento. Fusão da fogueira com imagem do gravador K7 com fita girando. Imagem fundida faz fundo para roll com letreiros finais)

Música final segue até fim do roll.

FIM

Spirito Santo

(para Imagine Filmes)
Setembro 2014
 
Leia também: A Roça de Teresa revisitada.
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~ por Spirito Santo em 20/09/2014.

6 Respostas to “A Roça de Teresa – Roteiro para Etno-doc/Docudrama”

  1. Óliver,

    Mais uma vez agradeço o interesse. Se possível, me mande infos sobre a exibição para o nosso port folio

    Abs

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  2. Obrigado Spirito Santo.
    Sua resposta de imediato foi muito importante.
    Parabéns pelo seu trabalho.

    Com os melhores cumprimentos,

    Óliver Pereira

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  3. Óliver,

    Escreva por favor para Pedro Sol (pedrosol@imaginefilmes.org). Ele é responsável pela produtora e diretor do filme.

    Obrigado pelo interesse

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  4. olá Luciene. já vi o diocumentário no youtube. porém pertenço a um núcleo de cinema e eu sugeri que A roça de Teresa fizesse parte da programação do mês de abril. onde eu conseguiria o dvd ou link para download de forma legal. porque aqui na europa existe muita fiscalização nesse meio.

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  5. Lucilene,

    Estamos lançando, brevemente pela TV Brasil. Depous estará liberado na Internet.

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  6. Como conseguir documentário, A roça de Maria Tereza?

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