Rheinlandbastarde. Os bastardos da Renânia


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Soldados franceses no campo de prisioneiros de guerra de Luckenwalde

 Uma outra ponta da mesma meada black alemã

(Leia, fazendo os descontos de praxe)

“Bastardos de Renania é a denominação usada na Alemanha nazista para classificar crianças descendentes da união entre homens africanos e mulheres alemãs. De acordo às teorias racistas dos nazistas estas crianças representavam uma minoria inferior e recomendava-se que fossem objeto de uma campanha de esterilização para evitar que, com o tempo, se misturassem com a população geral e que seus genes se disseminassem entre os membros da sociedade, supostamente ariana da Alemanha.

A denominação “Bastardos de Renania” aparece numa época imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial, quando, como parte dos tratados que a Alemanha teve que assinar como nação derrotada no conflito, as tropas francesas ocuparam a região ao oeste do Rio Rin Renania (Rheinland).

Alguns destes militares franceses eram negros já que proviam de colonias francesas na África. Muitos casaram-se com mulheres alemãs e outros simplesmente, mesmo sem se casar, acabaram por gerar filhos naturalmente mestiços, de onde vem a estigmatizante classificação de “Bastardos”.

Até hoje a história dos negros que viviam na Alemanha antes da subida dos nazistas ao poder permanece um tanto desconhecida. Naquela época, não era apenas através da cultura que os negros se sobressaíam, mas também por meio de sua simples presença nas ruas: imigrantes do Caribe, africanos, norte-americanos negros que haviam fugido da crise econômica nos EUA para a Alemanha, diplomatas, imigrantes das colônias e marinheiros. Peter Martin, da Fundação de Incentivo à Cultura e Ciência, de Hamburgo, estima em 10 mil o número de pessoas ‘de cor’ residentes na Alemanha naquela época.

Eram negros e negras que haviam construído suas vidas na Alemanha, se casado com alemães e alemãs e com eles gerado filhos – os chamados Rheinlandbastarde (bastardos da Renânia). Muitos deles foram mais tarde esterilizados à força pelos nazistas. A máquina de propaganda nazista atacava as pessoas de cor que eram rotuladas como uma perigosa peste.

E assim elas foram sumindo da vida pública. O que restou foi uma montanha de papéis da burocracia. As pessoas simplesmente desapareceram, segundo Martin, que há anos dedica-se à história da minoria negra na Europa.

O denuncismo, sobretudo através da imprensa, estava na ordem do dia. Cartazes apresentavam os negros como um perigo para as mulheres alemãs. O que aconteceu com a maioria deles, de 1933 a 1945, é difícil de saber. Muitos conseguiram deixar o país a tempo. Outros foram enviados para os campos de concentração. Não poucos serviram de cobaias para pesquisas dos nazistas.

Talvez tenham sido centenas, possivelmente milhares os que morreram. Em apenas 15 a 20 casos os historiadores encontraram provas de assassinato por nazistas, ressalta Martin, que conseguiu montar a atual mostra graças a donativos financeiros de Jan Philipp Reemtsma, realizador da polêmica exposição Crimes da Wehrmacht.”

(Pensando bem, excetuando-se os exageros do contexto nazista – a esterilização dos crioulinhos ‘bastardos’, por exemplo – me digam: Parece ou não parece um pouco com o que ocorre com os pretos do Brasil?)

Das AfrikaSchau
Mais uma ponta da negra meada alemã

“Quando questionados sobre os negros no Terceiro Reich, os alemães costumam falar sobre a mostra AfrikaSchau (‘Show africano’). Em seu livro Hitler’s Black Victims (As vítimas negras de Hitler, em tradução literal), o pesquisador norte-americano Clarence Lusane descreve Afrika Schau como uma mostra itinerante iniciada em 1936.

Os responsáveis pelo “show” eram Juliette Tipner, cuja mãe era da Libéria, e seu marido alemão Adolph Hillerkus. O objetivo do “espetáculo” era exibir a cultura africana na Alemanha.

Em 1940, a Afrika Schau foi retomada pela SS e por Joseph Goebbels, que “esperava que isso fosse útil não só para propaganda e fins ideológicos, mas também como forma de reunir todos os negros do país sob um mesmo espaço” , escreve Lusane (sabe-se lá já pensando em uma espécie de solução final também para este grupo: Nota do autor).

Para seus participantes, o Afrika Schau tornou-se muito mais um meio de sobrevivência para negros na Alemanha nazista.”

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Cartaz deste ‘Wölkerschau’ (‘show dos povos’) africano assumidamente colonialista sugere que o modelo ‘Afrika Schau’ surgiu bem antes de 1936

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O tema como se vê é vasto e complexo, além de inédito. Você pode enveredar por qualquer uma de suas trilhas, puxar qualquer uma destas meadas que vai encontrar, certamente fatos novos e mais surpreendentes ainda.

(Só como palpite me ocorreu agora mesmo, por exemplo que o modelo de espetáculo artístico criado com o AfrikaSchau, quando inserido no contexto da ampla propaganda colonialista da segunda metade da década de 1930, pode ter alguma ligação fortuita com o surgimento nos anos 40 e 50 de uma série de grupos artísticos similares, promovendo shows de variedades, algo voltados para a difusão de certa cultura tradicional africana (ou afro-descendente) oficial, ‘chapa branca’, circulando pela Europa e outras partes do mundo nos anos posteriores.

Entre estes grupos talvez sucedâneos podemos assim de relance, citar o balé do Senegal e outros tantos balés nacionais africanos (no âmbito das colônias européias na África) e, até mesmo o nosso velho e bom grupo ‘Brasiliana’, de Haroldo Costa que, fundado com toda certeza com intenções nada colonialistas (e muito menos nazistas) , pode ter sido impulsionado ou inspirado pela grande recorrência do modelo Afrika Schau tão famoso nas décadas anteriores.

É sempre assim. Sabem como é: Depois que alguma natureza – mesmo a mais insana – o cria, ninguém sabe bem no que um bicho vai dar.

Panos e mais panos para mangas de colocar racistas em sérios palpos de aranha.

Spirito Santo
Maio 2010

A múmia de Lênin


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“Esquerdismo, doença infantil do comunismo”

(A frase, inserida em nosso contexto, faria a múmia de Wladimir Ilicht se revirar na urna.)

O quadro que se afigura é vergonhoso para a esquerda do Brasil que, historicamente sempre fracassa, fragorosamente quando chamada à luta política real. Talvez nunca tenhamos tido, a vera, uma esquerda no Brasil. Porque será?

A esquerda que, depois de inventar o PT rompeu com ele, a partir do primeiro governo Lula, depois da descoberta das primeiras evidências de atos de corrupção, se fazendo de ética, ao que parece, enganou, decepcionou seu eleitorado vergonhosamente.

(Não devia ser inusitado o fato simbólico de ter sido um emérito e solitário fundador do PT, o jurista Hélio Bicudo, um dos coveiros da arrogância de um partido de oportunistas que se apossou das bandeiras da esquerda com tamanha desfaçatez. Talvez seja porque se trata mesmo, em nosso caso, de uma esquerda de fancaria, um mero comunismo de aparências)

Me lembro – e relato assim por alto, sem pretensões de ser analista ideológico – os descompassos dessa “esquerda” nos idos da década de 1960, naqueles momentos cruciais nos quais, começando com o golpe militar de 1964, avançamos, rapidamente para os sofrimentos e a insegurança provocados pela radicalização da ditadura, que assumindo a tortura e o assassinato de opositores, alegava estar fazendo isso em reação a radicalização de parte da esquerda, que adotara a brancaleonica luta armada como opção a partir de 1968.

Talvez seja mesmo verdade.

Até que ponto a violência da ditadura teria assumido o caráter insano que assumiu, se não tivesse tido diante de si a reação armada (de algum modo heróica, vamos reconhecer, mas não menos insana) de um punhado de jovens brancos de classe média? Digo isso de cadeira pois eu estava lá. Fui um desses jovens…Só não era branco.

Para quem não sabe, grosso modo, tínhamos em 1964 como alternativa à instalação da ditadura militar, depois do fracasso da radicalização política tentada por Brizola e Arraes (com a anuência leniente de Jango) as caquéticas propostas de luta política clandestina do velho Partidão (PCB) atrelado, apelegado à matriz soviética, dependente das ordens de Moscou.

(Me lembro bem dos esotéricos textos de formação ideológica que lia, canhestras traduções de textos comunistas russos, chineses, cubanos, que nós, os militantes mais crus e comuns, mal compreendíamos)

As tentativas do PCB de um golpe comunista no Brasil no governo getulista, apoiado por agentes internacionais enviados por Moscou a pedido (ou impostos) por Luis Carlos Prestes, um pouco antes da segunda guerra mundial, haviam fracassado (incidente que inaugura, de certo modo, a prática da tortura por parte do estado brasileiro, contra presos políticos). Esta derrota, entre outros motivos, deixara o dogmático PCB gato escaldado diante de soluções militares, armadas.

Ainda narrando grosso modo, o que ocorreu foi que esta atitude considerada por parte da nova esquerda estudantil, como excessivamente passiva, omissa, do PCB diante da ditadura, acabou produzindo um racha que, a princípio gerou duas “tendências” ou facções comunistas mais radicais:

O PCdoB (o original) e o o PCBR (revolucionário), ambos com opções claras pela luta armada, mas com uma pequena diferença estratégica que os dividia entre a opção prioritária pela guerrilha urbana, defendida por uma facção como fase inicial para acumular forças e recursos para uma posterior luta geral (opção do PCdoB) e, por outro lado, a luta no campo, a partir de pequenos focos guerrilheiros que, conquistando apoio das populações rurais, formariam um exército proletário que, engrossando suas fileiras com a adesão dos operários nas cidades, esmagaria o poder burguês (opção inspirada na discutível proposta cubano-guevarista do “foquismo”, que fracassou no Congo e na Bolívia, além do Brasil)

(Essas duas ramificações iniciais, se fragmentaram em diversas micro-“organizações”, tais com a ALN, Colina, Var Palmares, POC, Polop, etc.)

Utopias, absolutamente piradas, prepotentes, presunçosas que tiveram, como sabemos, consequências dramáticas para os doidos francos como o Titio, que se meteram nessas aventuras, de curtíssima duração. Entre tantos fatores, eu participante da maluquice posso apontar um que parece decisivo:

Esta esquerda pós partidão, era formada, exclusivamente por jovens da classe média branca de nossas grandes cidades, comandados por comunistas mais cascudos, radicais da velha guarda. Em suma, uma espécie de aristocracia vanguardista, pretensiosamente se julgando capaz de ensinar, doutrinar e comandar o povo, na prática um mero coadjuvante, soldado do processo de tomada do poder.

Bem…deu no que deu. Parece que nada aprenderam com o passado. Excetuando o uso das armas, alguém vê alguma diferença entre aquela e a ideologia dessa esquerda atual?

A alegoria do “golpe” como boneco inflado. 

A esquerda brasileira do século 21 e seu tiro no pé.

Lamentável. A votação do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, mostrou um quadro bem nítido do caráter fake dessa esquerda. PSOL e REDE, os coadjuvantes principais da esquerda “crítica”, na hora do “vamos ver”, retiraram a naftalina das velhas roupas e os signos vermelhos do armário e correram imediatamente para debaixo da saia da mamãe, o PT.

As gravatas e echàrpes vermelhas dos militantes, pretensos “dissidentes” do PT na narrativa anterior, nesta votação do impeachment tiveram um peso simbólico decepcionante. Quem pode confiar agora em Marina Silva, em Chico Alencar como líderes de uma esquerda limpa, dissidente, depois de terem abraçado totalmente as falácias petistas como tábua de salvação?

Eram até ontem alternativas possíveis para a sobrevivência da combalida esquerda brasileira. Mas não, optaram pelo apoio cego a um regime em fase terminal, desmoralizado perante a maioria da população como sujo, indigno, imoral e desastroso para o país. Um equívoco afinal, histórico, porém recorrente desta aristocrática e petulante esquerda brasileira: o corporativismo branco-pequeno-burguês.

Cairam assim no abraço do afogado do PT e se desmascararam perante o eleitorado geral. Lançaram a esquerda (as ideias de esquerda, quero dizer) na caixa escusa da desmoralização política e da consequente inviabilidade eleitoral.

Se tínhamos nos anos 1960/70 uma esquerda jovem e voluntariosa, classe média e branca sim, envolvida numa tresloucada e suicida estratégia de conquista do poder pela força, é necessário reconhecer que tínhamos também na época, nessa esquerda, um senso de ética e moral inquebrantável. Não mentíamos, não tergiversávamos, não manobrávamos com uma propaganda de inspiração nazi-fascista, baseada em sofismas toscos.

(Pelo menos a princípio, antes de iniciarmos a tática das “expropriações”, os assaltos aos bancos e fundos secretos, como o cofre do governador de São Paulo, Adhemar de Barros, um de nossos corruptos seminais, inspiração da máxima que os petistas de hoje parecem acreditar: “Rouba mas… faz”.)

Faço a ressalva porque tenho a convicção de que todo o pesadelo dessa roda viva da corrupção petista (da esquerda como um todo, podemos dizer agora) tem como o seu pecado original aqueles assaltos sob a égide imoral da tese das “expropriações” que dizia: “ladrão que rouba ladrão…”. Muitos não resistiram à tentação.Alguns foram até julgados e justiçados como ladrões. Eu mesmo, tristemente me recordo de conhecidos executados assim, num clima de paranóia total, instalada entre os foragidos últimos militantes.

Do mesmo modo, tenho certeza de que, infelizmente a maior parte do apoio ao PT por parte de intelectuais e artistas, tem como raiz esta mesma fragilidade moral e ética de parte dessa classe média brasileira mais voluntarista, tributária direta da aristocracia colonial, tão oportunista, indiferente ao escravismo no passado, tanto quanto é hoje omissa em relação a exclusão social da maioria.

(No caso dessa esquerda brasileira o egoísmo e a presunção são tantos
que se esqueceram até de que existe um povo real, uma população imensa vendo tudo pela televisão)

Sim, senhoras e senhores. Esqueceram de que a única maneira de se chegar ao poder hoje para implementar políticas sociais progressistas, por enquanto, é ganhando eleições. Quem votará numa esquerda mancomunada com corruptos da laia desses petistas flagrados? Quem pode garantir que esta esquerda pretensamente reciclada terá mesmo condições de governar e gerar prosperidade efetiva, além de meras migalhas assistencialistas?

(Quem não os conhece que os compre.)

Não sei qual é o plano. Será que decidiram largar a “via democrática” e optaram pela retomada da ultrapassada e tardia revolução…pelas armas? Não creio. Já ficou claro que esses, os da Lapa, são uma “esquerda” pequeno burguesa, classe média, do mesmo modo que a suposta “direita” da Av. Paulista. Farinha do mesmo saco.

E os vícios burgueses das lideranças? Como vão saciar? E as malhas da justiça? O bonde sem freio da Lava Jato? Como vão escapar? E o futuro? Qual é o plano afinal?

Será que vão expurgar e/o justiçar (passar nas armas) por fuzilamento exemplar os corruptos líderes petistas que acobertam hoje? Será que vão largar a cerveja gelada do carnaval da Lapa e se embrenhar numa mata amazônica? Quem pode, enfim, agora nessa gente acreditar?

É algo que muito teremos que lamentar num breve futuro: Um país promissor, tendendo para a direita por culpa de uma minoria “de esquerda”, historicamente inepta e hoje imoral, que diante da oportunidade inédita de ter o poder, meteu os pés pelas mãos e se acumpliciou com a farsa mais imunda da dilapidação do tesouro da nação.

Vão reclamar de que? Perdeu, playboy!