Dança de Xangô para Xangô ver – Santería Cubana 1962

Creative Commons LicenseAtenção:Todo o conteúdo deste blog esta assegurado por uma licença Criative Commons.

image

Suite Yoruba – Historia de un Ballet – Parte 2 from MartaBercy on Vimeo.

Hoy, es casi lo único que queda de la «santera» Nieves Fresneda, la mejor Yemayá de Cuba, o del jovencísimo Lázaro Ross o del dúo más espectacular —el de Eduardo Rivero, en Oggún, y Arnaldo Patterson como Shangó.
Sin embargo, todo eso y más aparece en la Suite Yoruba (Ramiro Guerra) no sólo una de las primeras obras de envergadura, sino la más conocida y, quizás, una de las de mayor permanencia en el repertorio y el imaginario, gracias al documental “Historia de un Ballet”, de José Massip (ICAIC, 1962) .

Debatendo ainda a “Supremacia Nagô”

Na pista da Dança

Nas poucas investidas tentadas aqui no post de tratar do Candomblé ou Culto dos Orixás, vários pontos polêmicos tenho levantado, a maioria voltados para questões ligadas a maneira como a seita religiosa do Candomblé, foi inventada no início do século 20 e nos anos 30 do século 20, além da natureza etnológica dos diversos processos criados por seus inventores nas bem sucedidas tentativas de legitimação política da mesma, como uma religião “civilizada”, organizada, status este baseado num conceito de “pureza africana”, bem ao gosto da etnologia acadêmica da época, um tanto eugenista ainda, criando-se assim o mito da suposta hegemonia cultural dos yoruba, em relação ás demais culturas negras do Brasil, pureza supremacista esta, a meu ver, tão improvável quanto politicamente oportunista.

Tratava-se, proponho eu (em parte, livremente seguindo Luis Nicolau Parés entre outros) de, já antes da Abolição, implantar um projeto de ascensão social de uma certa casta de nagôs ricos e remediados, instalados (ou sonhando instalar-se) na elite social (branca) de Salvador, Bahia, alguns já associados como comerciantes (como já haviam feito em Lagos, Nigéria, junto a elite social inglesa).

No sentido colonialista do termo, um processo de ascensão social assimilacionista de um grupo de africanos e descendentes livres, , portanto, em detrimento da maioria dos negros de outras etnias, fossem eles escravos ou livres.

As minhas, confesso, controversas ponderações têm sido sempre no sentido de, por exemplo,  afirmar que, no seguimento deste processo, as características estéticas mais evidentes desta corrente político religiosa, como a Dança e o Vestuário, no caso brasileiro (existem elementos da cultura yoruba em todas as Américas) do mesmo modo que em sua origem, não foram resultado de um processo cultural de tipo tradicional, lento e gradual, natural por se assim dizer, mas sim fruto da criação por parte de indivíduos, com intenções a princípio meramente artísticas (não religiosas, por suposto) e, mais tarde refolclorizadas, por meios, intenções e razões que não cabem discutir por enquanto.

 

Assim, proponho que a chamada Dança dos Orixás brasileira tenha sido artisticamente criada por Mercedes Batista (a exemplo do que fez sua mestra Katherine Dunham com danças caribenhas nos EUA) com a consultoria de Joãozinho da Goméia, dançarino baiano e controverso “pai de santo” cultor de uma linha de Candomblé (Umbanda) um pouco fora da ortodoxia nagô baiana canonizada,  e que teria sido o autor da maioria dos passos e da sistematização da dança, espetacularizada para fins, como disse, artísticos.

Proponho também – desta vez com elementos de prova mais ou menos cabais – que foi também Joãozinho o criador dos figurinos dos orixás, que reúnem elementos de diversas culturas e tendências estilísticas, inclusive adereços grego-romanos extraídos do Teatro e da Ópera convencionais.

É neste sentido que trago para vocês hoje, este documentário belíssimo sobre a Dança para Xangô realizada numa localidade de Cuba em 1962, sugerindo aos leitores uma mirada comparativa, principalmente sobre a coreografia, muito diferente da daqui, de modo a endossar ou não as hipóteses que, bem vagamente ainda tenho colocado na roda.

Claro que teriam que ser danças diferentes, pois diferentes são a época e os contextos. Mas, até que ponto? O que proponho debater, enfim é, a legitimidade dos processos, do ponto de vista social, julgando que as eventuais diferenças coreográficas devem ser boas pistas para se entender melhor a questão.

Um ensejo para avançar  o debate, enfim.

(Agradeço ao amigo etnomusicólogo Samuel Araújo pela sugestão do vídeo)

Spírito Santo
Janeiro 2017

Anúncios

~ por Spirito Santo em 28/01/2017.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: